A Ferida que não cicatriza.
A Dor que não passa!
Há coisas que não se medem e nem se aquilatam pelo galope das horas ou pela métrica de jardas, metros ou côvados. Somente quem sente e vive naquela situação, talvez aprisionado num casulo ou enjaulado numa experiência sofrida na sua jornada de vida, pode dimensionar o seu problema, verter as lágrimas de seu tormento e sentir do coração à alma seu estilhaçamento. Para muitas pessoas o bálsamo da comparação não surte o efeito desejado por quem o estimula. Seja o médico ou algum familiar, amigo ou até um estranho solidário – “poderia ser muito pior”, “tem gente que está pior do que tu”, “veja quantas coisas boas tu tens”, entre outras afirmações. Ou seriam suposições de caráter e sentido a estimular, tirar o manto sombrio que cobre a criatura, um analgésico para sua dor, um carinho confortador para seu sofrimento.
Cr & Ag!
A perda do mais amado companheiro de jornada sempre será precoce, mesmo naquele amor conjugado por seus corações em décadas. A morte é a mais radical e absoluta separação e geralmente exala a precocidade. “Não estava na hora de partir!” Se isso se situa e aplica-se num idoso, sinta a gravidade dolorosa num jovem ou numa criança. Na caminhada de vida espera-se que os filhos sepultem os pais e avós, os mais idosos. Quando a morte ceifa um filho, a alma se dilacera, o coração se rasga, tudo se aperta ou explode nas mais intensas dores. Observe que até nas pessoas mais espiritualizadas e evoluídas essa situação brutal é lancinante.
Cr & Ag!
As sequelas se somam, se multiplicam pelos danos no corpo da pessoa e, principalmente, na alma. Não há remédios ou tratamentos universais, que se aplicam e resolvem as diversas situações. Cada pessoa traz e é um universo a ser explorado com amor, sabedoria e cautela. Nesses tempos de “médicos virtuais” ou destituídos da essência básica de sua missão, caminhamos num lodaçal de drogas e muitos drogados. Nada, nada mesmo substitui o contato físico e de todos os sentidos entre pessoas “humanas”. Jamais o amigo vindo do éter, da internet, virtual, substituirá a mão que toca e acaricia, o abraço, a voz que aquieta e conforta enquanto os olhos se encontram. Esse tempo nunca será alternado ou substituído se calcado e construído com amor e responsabilidade. Também não se mede pelo que se compra ou se paga na “vil moeda”.
Cr & Ag!
Na nossa singela contagem de tempo, mais de 2 mil anos nos separam da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Um humilde artista brasileiro abriu seu coração e venceu as dores e as dificuldades cruéis de seu corpo e talhou a sua monumental arte. Aleijadinho nos traz ou nos leva para aqueles momentos. Creio que a maioria de nós verterá lágrimas ao entrar de coração e mente naquele tempo. Nossos olhos seriam os portais de nossa alma? Ou as vitrines do coração?
Cr & Ag!
O entendimento ou a iluminação, como aceitem, associado ao tempo pode ou talvez nos ajude num acalanto que acompanhe a batucada do coração. Ao nos confrontarmos com o espelho, as cicatrizes estão ali. Algumas mais, outras menos dolorosas. Todas cicatrizes. Algumas drenam purgações dolorosas de tempos em tempos. Temos, necessitamos conviver e tocar, seguir a vida por mais dolorosa que seja, tanto em respeito e amor àqueles que partiram antes de nós como para as sequelas do corpo. Imperfeitos, muito imperfeitos que somos, precisamos, necessitamos e por amor ansiamos homenagear quem amamos, à vida e a quem sofreu para podermos evoluir e tornar a Terra um lugar de mais amor e melhor à Vida! Como você vive e convive com as suas dores?
2022.08.30 – A Ferida que não cicatriza. A Dor que não passa – Edson Olimpio
Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão