O Dedo na Goela! – 27 Setembro 2022.

“O Dedo na Goela!”

Somos seres curiosos por natureza. Numa certa fase da idade, a criança vive no mundo dos “porquês”. Salutar e instigante. Muitos pais sentem-se premiados por um filhote curioso, sendo isso uma das faces da inteligência que brota daquele novo ser. Entretanto – sempre tem o entretanto! – em demasia a quantidade de “por que isso” e “por que aquilo”, os pais ralham com a pequena criatura. Não raro: “Vai brincar e para de tantas perguntas”! Essas manifestações primárias de curiosidade se atenuam, mas caminham pela vida, Veremos que há casos que essa curiosidade pode transmutar-se para um distúrbio.

Em inúmeros casos a curiosidade evolui para uma atividade profissional. O cientista é um curioso, quantas vezes abraça-se com a compulsividade e não consegue atenuar a sua atividade profissional confrontando com a sua vida pessoal e familiar. A curiosidade, corretamente dirigida, faz parte do arsenal médico que passa pela anamnese e pelo exame físico do paciente para seu melhor diagnóstico e adequado tratamento. A escassez de curiosidade profissional trava ou dificulta o crescimento pessoal e profissional.

Cr & Ag!

Enveredemos pelo jargão policial e observe um interrogatório policial na metade do século passado, no tempo que criminoso não era “uma vítima da sociedade”, nem era candidato ou se elegia e que o policial era alguém que lutava para preservar a lei e a ordem – hoje continuam lutando, mas o resultado é o bandido na rua exercendo a sua “profissão” solto sabe-se bem lá como.

“Dedo na goela” é a analogia de vomitar o que está ruim e estragado “lá dentro”. “Botar para fora” o que não presta, como a sujeira. “Vais vomitar os teus crimes, estuprador!” – conta-se que já foi assim. Ou seria lenda urbana? E os criminosos cumpriam suas penas presos. Dá para acreditar nisso?

Sinta que isso nada mais era do que uma continuidade de pais amorosos que exerciam a disciplina em seus filhos. Quem ama cuida e se importa! E protege. “Onde tu estavas até essa hora, com quem tu estavas, …” Puxão de orelha ou escrever 100 vezes que “vou estudar e nunca mais pego coisas dos outros” era disciplina. Hoje pode ser enquadrado pelos eleitores de marginais e formadores de delinquentes como violência contra o menor, seu conceito de amor é degenerado. E sua disciplina quantas vezes formam mais marginais!

Crônicas & Agudas!

Curiosidade! Jamais confundir com bisbilhotice. Ou indiscrição. Ou, também, intrometer-se na vida alheia em temas ou assuntos que não lhe compete. Quantos não se atentam que o “investigado” não deseja falar sobre aquilo. É seu fórum privado. É parte da sua intimidade. E a intimidade é pessoal e intransferível. A intimidade das novelas da Globo são comparáveis com a minha intimidade? Ou a tua? Há pessoa que não vê problemas em usar roupas que caminha para o traje de chapéu-óculos-e-chinelos de dedo, por exemplo. A sua opção pessoal jamais deveria ser exigência aos demais.

A indiscrição, a bisbilhotice ou o “dedo na goela” vale tanto para a vida familiar, entre amigos ou simplesmente conhecidos como para profissionais. Para tudo na vida e na morte há uma fronteira, um limite, uma borda a ser entendida e respeitada. Se a criatura exerce isso de forma compulsiva, irreflexiva ou até agressiva deve buscar ajuda e tratamento, principalmente quem ultrapassa as raias profissionais ou do razoável. Em tempos de eleição, o voto é pessoal, secreto e intangível, mas deveria ser plenamente comprovado pelo eleitor.

#

#

2022.09.27 – Dedo na Goela – Edson Olimpio Oliveira

Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

www.edsonolimpio.com.br

Deixe um comentário