Memória: Viva ou Morta?
Qual é o tempo de uma vida? Cumprimos um ciclo terrestre de uma vida material que alberga em seu âmago, em sua essência, uma vida imortal. A maioria dos humanos crê assim, com suas ramificações e níveis de entendimentos. E a importância do nome, do seu e do meu nome? Recebemos um nome extravasado do amor de nossos pais, muitos em retribuição afetiva aos ancestrais e com a finalidade de diferenciarmo-nos entre os membros daquilo que hoje se chama “galera” ou, ainda, “povo”. De um modo geral esse nome nos acompanhará por todos os espinhos da caminhada ou no frescor da brisa durante nossa existência. E por esse nome seremos lembrados ou solenemente esquecidos.
No âmbito da família, perpetuava-se àquela pessoa pelo seu nome e suas conquistas, suas coroas de louros e, muitas vezes, sonegando-se o lado menos luminoso – se me entende! Essa memória exclusivamente familiar é autolimitada. Cada vez mais! Os corpos eram sepultados em covas familiares, mausoléus ou na cova democrática do todo. Veja que a sepultura, o túmulo foi (ainda é?) a perpetuação, mesmo que limitada a algumas gerações, das lembranças de um José ou de uma Maria. Os faraós, por exemplo, assim se eternizariam. Hoje – cremação. Cinzas!
Crônicas & Agudas!
Cuide de teu nome como deves cuidar da tua saúde e da tua vida. Use essa analogia ou alegoria, que seja, e viva com um nome respeitável – saudável ao ser tocado e exalado. Cuidar tanto do corpo, como do nome? Qual será o equilíbrio necessário? A única certeza que cada pessoa tem após abrir os olhos e chorar aos primeiros lampejos do nascimento é de que em algum dia, de alguma hora, de algum tempo incerto e não sabido, esse veículo corporal voltará às cinzas e ao pó primordial. O resto, tudo aquilo que sobrar, será somente memória. Boas ou más! Memórias!
| Não deixe o samba morrer | Não deixe o samba acabar | … | Quando eu não puder pisar mais na avenida | Quando minhas pernas não puderem aguentar | Levar meu corpo junto com meu samba | O meu anel de bamba | Entrego a quem mereça usar |…| Antes de me despedir | Deixo ao sambista mais novo | O meu pedido final | … – Não deixe o samba morrer! Compositores: Edson Conceição e Aloísio S. Araújo – na voz de Alcione.
Crônicas & Agudas!
Não deixar o nome morrer na poeira do esquecimento. Não deixar o nome acabar nas gerações que me seguem pelas raias sanguíneas ou pelo amor imortal. Quando eu não puder mais ser carregado pelas minhas pernas e vivendo pelas minhas forças, mas ainda carrego o meu nome. E quero entregar a quem o mereça e faça uma legenda, que me orgulhe nas hostes da família e da humanidade. A lei natural da vida terrestre é que os mais velhos embarquem na nau para a vida etérea, em outros planos, antes dos mais jovens.
Somos a única criatura que planeja e anseia jamais ser esquecida. Esquecimento é a falência do amor. Um coração que ama não se limita, não se permite adentrar ao quarto escuro do esquecimento – da memória morta. Nascemos para amar e sermos amados. Nessa ordem! E quanto aos familiares e demais pessoas? Difícil conciliação? Não creio. Primeiro pelos mais próximos, o núcleo férreo da família, daí será a sequência em expansão. Cristo foi amado, primeiro por Maria e José, depois pela família e logo o seu Amor alcançou toda a humanidade e dela para Ele.
Tempos sombrios! Tempos de dúvidas e muitas certezas. Tempos de conflitos. Tempos de escolhas – o bem e o mal. A honra ou a criminosa indecência. Que memória ficará para os descendentes? Olhando além do próprio umbigo, o que deixarei para minha família, minha cidade, meu Estado e minha Pátria?
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2022.10.25 – Memória: Viva ou Morta? – Edson Olimpio
Crônicas & Agudas
Jornal Opinião de Viamão
Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira
Médico. Cirurgião. Escritor
CREMERS 07720
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Médico Cirurgião Jubilado
Sociedade de Cirurgia Geral do Rio Grande do Sul – SOCIGERS
Conselho Regional de Medicina RGS – CREMERS
Associação Médica do RGS – AMRIGS
Associação Médica Brasileira – AMB
Viamão – RS
1971 a 2022 – 51 Anos de Medicina
http://www.edsonolimpio.com.br
Autor dos livros:
Crônicas & Agudas
Crônicas & PontiAgudas
Trinity! A Saga continua.
30 Anos de Jornalismo
Cronista Jornal Opinião de Viamão