“Estou com a Chaira na mão,
mas sumiu a minha Faca!”
Aqui no garrão cascudo e rachado do Brasil, a chaira é a companheira inseparável da faca. Quase como dente e gengiva ou corpo e alma. De que adianta uma faca cega além de dar pontaços na ausência da adaga, ou para palitar os dentes e coçar o lombo, ainda para tirar o ‘pretume’ sob as unhas? Como desossar uma costela gorda sem uma faca afiada como língua de sogra, pois vá que no desafio a dentadura caia e a cachorrada pegue? É justamente nesse pampa chucro que entra a chaira. Não entra de corpo mole. Está ali, impávida e altaneira, sabe da sua importância e não se escamoteia nos votos. Num namoro consentido, começa o esfrega e esfrega. No balanço da mão, na destreza do gaúcho, na habilidade do campeiro ou na sutilidade do citadino, a faca e a chaira trocam afagos. Beijos de aço e lambidas apertadas, respingando alguma limalha.
Logo, logo a lâmina desfaz seus topetes, apruma sua vocação e num relampear afia e confia seu destino. Cada criatura com seu fado. De carne e sangue ou de aço, cada ser com sua destinação, propósito e meta.
Crônicas & Agudas!
Esse amigo, médico e aqui cronista tem exercitado com cada um de vocês as metáforas e/ou alegorias na sinfonia matreira de Crônicas & Agudas. Nada disso que o cronista e escritor faz teria finalidade diferente da leitura, apreciação e entendimento na sua alma e bússola moral. Leitor! Leitor é a derradeira e inarredável missão do escritor. A chaira e a faca? Pode ser?
Facas e chairas. Chairas e facas! A vida nos aborda num cumprimento do tipo “Pode entrar que o rancho não tem porteira e nem cancela, o cusco é manso e o mate tá na mão”. Outras vezes, a vida nos atropela e ansiamos por um SAMU ou um Pronto Socorro físico e espiritual que nos ampare, acalente, trate e alivie nossos temores, apreensões e dores. Num tempo somos a chaira. Noutro, somos a faca! Há quem nada seja.
Cr & Ag!
O 2023 está logo ali depois do alambrado do dia 31 de dezembro ou do ‘réveillon’. Esse ano que se arrasta nas lágrimas, no sangue dos justos e na suprema supuração e infecciosa ditadura, também se espraia no riso sardônico de outros. É da vida, mas não deveria ser assim.
Prepare-se! Tens uma chaira? Estás afiado ou cego como eleitor da Pasárgada? Comece pela sua saúde, sem ela somos ‘nada’. Afiar-se nos amores que a vida nos oferta, aqui entra a base da sociedade humana – a Família (com F maiúsculo). Nenhum desafio pode nos cegar quando temos uma família para amar e respeitar. Nos afiamos mutuamente, desde uma refeição longe de celulares, entrelaçando-se nos abraços cingidos no coração e nos beijos que aspiramos o frescor do espírito que amamos.
A faca ou a chaira que acredita que o problema é com os outros, vai enferrujar e se tornar inútil para si mesma. Sem dar-lhe o fio, o gume novamente, terá que renascer sob o ácido e o fogo. O estudo é a chaira que nos afia para sermos mais cultos, mas não é a que, necessariamente, nos dá o norte da ética, da moral e de Cristo. Aqui está o pai, a mãe, a família estruturada e sadia. Quando a família adoece, a sociedade infecciona-se e o resultado está sendo colhido.
Um venturoso Ano de 2023!
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2022.12.27 – Estou com a Chaira na mão, mas sumiu a minha Faca – Edson Olimpio Oliveira
Crônicas & Agudas
Jornal Opinião de Viamão
Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira
Médico – Cirurgião
Escritor – Jornalismo
CREMERS 07720
Médico e Cirurgião Jubilado
SOCIERGS – Sociedade de Cirurgia Geral do RGS
AMRIGS – Associação Médica do RGS
CREMERS – Conselho Regional de Medicina do RGS
AMB – Associação Médica Brasileira
Autor dos livros:
Crônicas & Agudas
Crônicas & PontiAgudas
Trinity! A Saga continua
+ de 25 Anos de Jornalismo / Crônicas & Agudas / Jornal Opinião de Viamão






