“Que orelhas tão grandes você tem!”
Chapeuzinho Vermelho
Esse conto ou fábula de Charles Perrault é mundialmente conhecido e citado, contado invariavelmente por pais, avós e alguma professora dos bons tempos. Hoje é combatida e apedrejada pelo “politicamente correto”. Certamente um tirano prenderia o Chapeuzinho Vermelho, sua avó e, ainda, fuzilaria os lenhadores. E soltaria o lobo que, apoiado pelos defensores da natureza e da Amazônia livre, iria discursar na ONU.
“Que olhos grande você tem! | Que nariz grande você tem! | Que orelhas enormes você tem! Que boca grande você tem!” – lembram desse diálogo entre a menina e a “vítima da sociedade”?
Mudando, sem muito mudar, da “mala para o saco” – como dizia o Filósofo do Apocalipse, a ‘pessoa humana’, com o passar dos anos, com o fluir das décadas traz ao sobrevivente algumas alterações corpóreas que passam despercebidas para alguns. “Diz uma aí, Edinho!” – me alfineta o leitor. Veja as orelhas dos idosos. Elas são bem maiores que aquelas das fotografias de outrora. Poderia ser para compensar a audição que diminui? Apesar de que em certas idades mais longínquas, a ‘pessoa humana’ não está com paciência e tempo futuro de ouvir bobagens. Seria para ter mais espaço para piercing e outros adereços? Veja que isso é abusivo nos homens (síndrome de Dumbo), menos nas mulheres que continuam belas.
Cr & Ag!
“É força da gravidade dum mano, um tal de Einstein ou Newton ou Leonardo dos Vinte?” Responde rápido um magrão tatuado e de boné invertido.
“Voltando à vaca fria!” – nossas extremidades crescem com as décadas. “Todas?” – perguntem. Examinem. Observem. O crescimento das extremidades não significa eficiência funcional, geralmente não é. O nariz vai crescendo e a ponta vai envergando de tal forma que para muitos, não choverá dentro nunca mais. Observe o bigode da criatura na juventude e agora na “melhor idade” (falcatrua!). O lábio superior cresceu e alguns até escondem os implantes brancos-OMO. Dou um tempo no texto, para o caro e curioso amigo realizar um autoexame. Ok?
Cr & Ag”
“E os dedos das mãos?” – você está atento como gavião à espreita no alto do poste. Crescem e ficam mais finos pela perda de massa muscular e da pele mais delgada. Não melhora o tato e pode acoplar uma artrose e as juntas (articulações) ficarem rígidas. Um atento amigo que alertou que no Novembro Azul não consulta com médicos idosos, prefere os mais jovens. Dá a desculpa de “serem mais atualizados”. Será mesmo?
Teria a natureza nos provido desses crescimentos como o velho e ardiloso lobo do conto do Chapeuzinho Vermelho? Teríamos novas aptidões a desenvolver, além de escorar melhor os óculos? Pois assim navegamos pelos meandros de um rio chamado vida. Nada é o mesmo a cada tempo, assim como a cada medida. Olhamos muito às margens, observamos outros navegando como nós, olhamos para os céus e pedimos bons ventos e um tempo melhor. Quantas vezes um barco melhor que o nosso naufraga, por vazamentos ou colidindo com uma pedra?
Sinta os ensinamentos perenes dessa singela e sábia fábula. Não vá pela floresta. Cuidados com os estranhos. Nem tudo é o que parece, pior ainda é com aquilo que já sabemos que é e apostamos não ser. A lista é longa e sensível ao toque de cada ‘pessoa humana’. E as gerações atuais entregam um celular ao seus rebentos e nunca lhes contaram as fábulas sábias e as interpretaram juntos. Os filhos são prolongamentos, extremidades muito amadas de nós, protegê-los e ensiná-los a enfrentar as florestas do caminho com suas feras – nossa responsabilidade. Jamais da escola ou do governo!
2022.12.06 – “Que orelhas tão grandes você tem!” – Edson Olimpio Oliveira
Crônicas & Agudas
Jornal Opinião de Viamão