Uma viagem ao litoral
– Especial de Verão: humor não tira férias
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stava um amigo sonhando em voz alta: – Verão, sol, praia, tangas, mais tangas, cerveja gelada…! – eis que outro interrompeu e arrematou irônico e de primeira, tipo centroavante matador: – E garotões malhados! – acredito que o malhado deve ser no aspecto musculoso e não na aparência de dálmata. Como há gosto e desgosto para tudo, segue o baile, digo, a crônica. Há quem prefira a decrepitude da idosa Cidreira às praias de muvuca como Quintão ou ao charme e à riqueza dos condomínios de Capão e Xangri-lá. Talvez a soberba de Torres. Há contentamentos para todos. Mas para chegar ao destino turístico e tão ansiado há que vencer e sobreviver às estradas gaúchas.
Cr & Ag
Um gordinho de calça corsário e camiseta tricolor com a barriga teimando em fugir, suando às bicas, latinha de cerveja na mão e brabo como corno novo ou onça traída desacatou: – Agora que já mijaram, peidaram à vontade, podem embarcar. E tu aí velha (sogra) se vomitar de novo te deixo a pé na estrada. E sem cara feia, porque aqui quem paga tudo sou eu. – e embarcaram na viatura, um Monza Barcelona “turbo-interceptor” e adesivado com som pancadão de acordar defunto. O frentista do Ipiranga não sabia se ria ou chorava, mas diz ser “comum isso”. E convenhamos que gordinho tricolor de corsário com cerveja na mão e brabo tem que respeitar e deixar passar, pois ele vai ferrar alguém. Só é bronca e da pior!
Cr & Ag
Se há coisas que ninguém pode queixar-se é da falta de restaurantes nesta ERS 040. A galera abusa, tem criatura que encosta às 11,30 h e até às 15 h continua “mandando baixar mais um entrecot no capricho e outro pão com alho”. A tranqueira na estrada é irmã da indigestão e tem gente que no Capivari encosta a viatura no posto e manda passar “um jato d’água dentro – é que a sogra velha foi soltar um punzinho e desceu o barro. Um desarranjo mermão de juntar mosca varejeira!” Tem viagem arrastando umas quatro horas dentro do veículo. E essas criaturas com os braços pendurados para fora, não é para sentir brisa do mar coisa nenhuma, é o fedor do interior sem ar condicionado.
E tem os motoqueiros kamikazes. Passam numa velocidade de deixar o Rubinho Barrichelo de boca aberta babando. “Deitam o cabelo” na gíria da raça. Muitos deitam o cabelo, as costelas, a barriga, as pernas e outros deitam tanto que não levantam mais. E levam junto de contrapeso a caronista de sapatinho plataforma, bermudas, óculos escuros e bolsinha à tiracolo. Talvez elas sirvam para testemunhar para São Pedro que o namoradito é um “cara legal, mas meio destrambelhado da moranga”. Quando não tem ‘talco’ nas ventas ou ‘fumando’ de capacete aberto.
Cr & Ag
Crônicas & Agudas entrevistou um surfista que saiu de “PoA meu” num Chevette e chegou no Pinhal de Kombi e sem a prancha. Com os olhos lacrimejantes e vermelhos de tanta fumaça que não era da poluição da estrada, contou seu drama. Depois de uma centena de “pô cara, sacou meu, bah e baaaah, pega leve meu” descobrimos que ele não tem nem ideia da sua prancha. E nem da “gatinha com a mochila”. Há informações que a viram entrar na cabine dupla de um coroa com jeitão de pecuarista ou arrozeiro. Outros juram que viram a criatura surfando no Lago da Tarumã com um vereador de caiaque. Aguardamos confirmações ou desmentidos. (Colaboração do repórter eventual e sempre candidato eleitoral o famoso Arigó do Centro)
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2023.01.10 – Uma viagem ao litoral – Edson Olimpio Oliveira
Crônicas & Agudas
Jornal Opinião de Viamão