Praga de Me e Cruz-Credo! por Edson Olimpio Oliveira

Praga de Mãe e Cruz-Credo!

Se há coisas entre o céu e a terra que a vã filosofia desconhece ou despreza, também há coisas que as pessoas temem mexer e a praga é uma dessas. Minha infância na Terra Setembrina ou dos Campos do Viamão, modernamente chamada de Viamão City era recheada de superstições e imprecações.

“Se olhar um enterro, desaparecer dobrando a esquina, a mãe morre!”

“Caminhar de costas a mãe morre!”

Conta-se que uma mãe partejou duas criaturas, que ainda crianças, talvez se ajeitando nos trinta para serem políticos brasileiros, eram impossíveis de aguentar. Pensou endiabradas? Com o demo no corpo? Pensa pior! Há quem creia que numa certa época da vida infantil entre uns 3 e 7 anos, muitas (quase todas?) convivem com algo sombrio em seu interior. Um ‘alien’? Veja num supermercado, num casamento ou em qualquer lugar de humanos mais ou menos normais – a criatura se joga ao chão, agita-se como em convulsão ou possuída pelo ‘cãobloco’, berra desesperadamente, piora em qualquer tentativa de acalmar. Alguns até querem algo de início, mas logo a alma parece não conseguir voltar ao corpo. Muito pior que o tradicional mertiolate aplicado com o mini mata-moscas.

Crônicas & Agudas!

Logo a redondeza apelidou as criaturas de “praga de mãe” e “cruz-credo”. A praga existe e é poderosa, lembre-se do Moisés e do Faraó. Sempre é bom não arriscar demais, principalmente se o flagelo possuir olho grande, gordo e peçonhento e língua bifurcada. Aspire! Cheirou enxofre, corra – pernas para que te quero!

No caso, a praga seria da avó que bateu na mãe e desaguou nos rebentos ou pestinhas. A piazada tentava fugir quando os dois chegavam no campinho de futebol. No jogo das bolinhas de gude, escapavam deixando as bolinhas. E na escola? Tinham prazer em receber castigos. Colocavam gilete no escorregador da pracinha. Deixavam a corda do balanço pronta para rebentar. Se oferecessem guaraná é porque tinham urinado na garrafa. Está ruim? Foi pior. Muito pior.

Crônicas & Agudas!

Coisa de criança!” – alguém na esperança de dias melhores. Que nada, foi coisa de adolescente e de jovens adultos. Viamão City conheceu e conviveu com famílias aguerridas, membros valentes uma barbaridade, mulheres que paravam rodeio com qualquer homem (ou mais de um) e descia o laço, o mango no lombo das criaturas. Assim foram os Cafunchos e os Piá. Nem estes queriam assunto com os dois irmãos, dizem. Certa feita, numa cancha reta na Lomba da Tarumã, o Praga de Mãe chamou um brigadiano de “boneca cobiçada das noites de sereno” (trecho de uma música). Coisa rara, juntaram-se quatro da brigada e dois da civil. E apanharam igual. Chamaram reforço que não atendeu os companheiros. De valente-burro o cemitério está lotado.

Crônicas & Agudas!

Reza que acabaram no Cadeião da Volta do Gasômetro em Porto Alegre. Feliz ou infelizmente toda pessoa tem que dormir. Os dois se revezavam no sono. Até que um dia ou uma noite, o ferro branco se deliciou no sangue deles pelas mãos de outras pragas.

Pau que nasce torto, até o carvão é torto. Se a esperança é a última que morre, há vezes o alívio vem com a morte da esperança e das criaturas. O glamour e o romantismo das novelas traz o pior do caráter, da personalidade, seres bestiais para serem copiados, clonados pelas dignidades subnutridas e pessoas de escasso entendimento – e quantos com diplomas universitários? – Qualquer semelhança é mera casualidade ou coincidência.

2023.04.018 – Praga de Mãe e Cruz-Credo! – Eds Olimpio

Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

www.edsonolimpio.com.br

Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira

Médico. Cirurgião. Escritor

CREMERS 07720

. * .

Médico Cirurgião Jubilado

Sociedade de Cirurgia Geral do Rio Grande do Sul – SOCIGERS

Conselho Regional de Medicina RGS – CREMERS

Associação Médica do RGS – AMRIGS

Associação Médica Brasileira – AMB

Viamão – RS

1971 a 2022 – 51 Anos de Medicina

http://www.edsonolimpio.com.br

Autor dos livros:

Crônicas & Agudas

Crônicas & PontiAgudas

Trinity! A Saga continua.

30 Anos de Jornalismo

Cronista Jornal Opinião de Viamão

Deixe um comentário