A conta chega. A Grande Fome! Edson Olimpio Oliveira – 30 Maio 2023.

A conta chega.

A Grande Fome!

Lembre-se do conto de João e Maria. Também da Cigarra e da Formiga e do Chapeuzinho Vermelho. Desconhece-se o autor original, mas suas publicações podem ter origem numa das grandes desgraças coletivas sofridas pela humanidade – a Grande Fome de 1315. Ainda no século XIV: a Guerra dos 100 anos e a Peste Negra!

O século XIV foi dos mais tristes e assustadores que o homem sobreviveu. Os quatro séculos anteriores foram de prosperidade e uma sensação de que um paraíso de avizinhava. A população procriava e se multiplicava aos borbotões. O pão encerra a tradição bíblica de principal alimento – o trigo. Uma semente de trigo gerava ao menos 7 grãos do cereal. Havia fartura e festas. A Igreja e os nobres enriqueciam com maior facilidade e a podridão moral se alastrava infecciosamente. Eis que o verão de 1315 abriu com chuvas torrenciais e frio. Nuvens sombrias escureciam os dias e alongavam as noites. Não podiam preparar a terra e plantações eram destruídas. Restava comer e aguardar. Entretanto o espírito festivo e degenerado não cessou. Um inferno de neve e gelo se abateu sobre o meio e norte da Europa. O sal esgotava-se para conservar alimentos – salinas inundadas e minas afogadas. Os preços dos alimentos foram ao inferno.

Ou se morria de frio e das doenças do frio ou se morria de fome. O dinheiro já não conseguia repor os estoques e se comia as sementes. Comiam-se os animais de estimação e o gado e os cavalos. Animais que não eram devorados pelas pessoas, morriam de frio e fome. Extinguiram-se os alimentos convencionais. Comia-se qualquer coisa da natureza e logo ao fim de 1315 o canibalismo ganhou forma e fúria. Crianças eram abandonadas ou vendidas como escravas (ou comida?). Idosos seguiam o mesmo caminho, sobrando os restos de comida aos mais jovens. Hordas famintas, como zumbis cadavéricos, atacavam e matavam. Em 1318 (melhora real em 1322,“7 anos de vacas magras”) o clima foi abrandando, deixando um rastro com cerca de 25% das pessoas mortas nas regiões mais afetadas. Os estoques de alimentos levaram mais de cinco anos para ter algum equilíbrio. Os mortos do século XIV foram repostos somente cinco séculos depois na Europa.

As pessoas acreditavam (acreditam) que esses acontecimentos tinham uma causa divina e, mais do que nunca, buscavam amparo nos religiosos. Mas as fraturas da honra, dignidade e religiosidade dos religiosos ficaram expostas e isso se refletiu em cisões. Observem que após o Papa Alexandre VI (o Vaticano e a Igreja sendo transformados numa Sodoma e Gomorra) veio a Reforma Protestante de Martinho Lutero.

Crônicas & Agudas!

Pelo ano de 1877, o Nordeste brasileiro sofreu a Grande Seca por cerca de 2 anos. Calcula-se em até 150 ou 200.000 mortes pereceram. A Peste Negra dizimou 1/3 da Europa, talvez mais de 200 milhões de pessoas – em 5 a 7 anos. Observe o numeral sete (7) e sua “casualidade”.

Os contos citados no início dessa conversa contigo (entre outros e fábulas) têm a inspiração nas desgraças acontecidas e deveria servir como orientação, vacina, antídoto para os descaminhos, erros repetidos e assim evitar novos holocaustos. Infelizmente não é assim! Estamos no século XXI, observe se o caráter das pessoas é muito diferente da Idade Média. Estamos realizando o aprendizado no modelo do prego com o martelo. Explico! Para você enterrar um prego na madeira, por exemplo, não basta uma única martelada na cabeça do prego. Exige-se várias. E quantas vezes a cabeça entorta o corpo e o prego não entra ou o martelo se vinga no dedo ou de outra forma.

A escolha de líderes não pervertidos; exercício da fé que não subjuga, jamais cega e que não se vende. Saber que a responsabilidade pessoal e familiar não devem ser delegadas ao convincente e falso discurso. Saber plantar, cuidar, colher e guardar. A festa e a alegria são transitórias num planeta de aprendizado, mas a dor, as deformidades e a morte são permanentes.

2023.05.30 – A conta chega. A Grande Fome! – Eds Olimpio

Crônicas & Agudas

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