Comidinhas! De mãe e de avó. 18 Julho 2023

Comidinhas! De mãe e de avó.

“Ela me cativou fazendo as comidas com um gostoso sabor que me lembrava as comidinhas da minha avó, quando passávamos com ela e o vô nos finais de semana!” – dizia um amigo enaltecendo os dotes e pendores culinários da esposa.

Perfumes, imagens, músicas, muitas coisas nos cativam e sublimam a nossa alma. A comida é, certamente, uma marca inolvidável em nossa vida. Qualquer comida? Não. Há comidas gostosas que acionam uma fonte salivar enchendo nossa boca de sabores. Anos ou décadas galopam na esteira do tempo, mas lá está gravada “aquela” comida, o local, a companhia, imagens voltam à tona e o coração trepida. O contrário é verdadeiro – quando se adoece após uma comida, deixa cicatrizes nauseantes ou cólicas dolorosas que até afloram pela sensibilidade individual.

Há décadas as mulheres saíram do lar para serem profissionais numa feroz competição em que os larápios da harmonia e do respeito transformam em guerra. Como somente a mulher pode ser mãe, um paradoxo dessa sociedade politicamente correta, mães estão a maior parte do tempo ausentes de seus lares e distantes do filhos em creches e escolas. Alguém pode sacar e atirar alegando que “a quantidade de horas não significa qualidade no relacionamento”. Verdade ou falsidade, cada caso é uma realidade distinta. Há que ter muita qualidade para compensar o tempo espremido, compactado. Provavelmente, aquele tempo de pais e mães mais presentes, família mais próxima, não voltará mais. Sim ou não?

Cr & Ag!

Conheci mãe de seis filhos (e esposo) que arrumava tempo para fazer o prato amado de cada filho e do marido, além de ser mãe em tempo total, integral. Recordo mães atulhadas pela intensidade de atividades dentro e fora do lar, sempre encontrando tempo para amar, inclusive com comidas fantásticas. Um singelo bife com arroz, fritas, feijão e uma salada tem sabor divino.

As avós e avôs estão numa outra fase da vida em que poderiam estar bem mais disponíveis aos netos, entretanto os netos da atualidade estão mais comprometidos com o telefone celular, a internet, várias atividades, multitarefas que, geralmente, não incluem o amor e a sabedoria (comidas da alma!) dos avós. Essa contabilidade não fechará no futuro.

O melhor tempero de qualquer comida é o amor com que o cozinheiro/a verteu nos alimentos. Mesmo numa comida de restaurante ou numa refeição rápida ou num food-car! A comida para muitos, a comida para todos jamais terá a dedicação com a exclusividade de uma mãe e de uma avó. Há algo mais gratificante para uma dessas duas mulheres fabulosas do que olhar e curtir seus amados se deliciando numa comidinha? Salgada ou doce, tanto faz!

Cr & Ag!

Quantas vezes necessitamos um colinho e um consolo? Quantas vezes a vida está amarga? Ou tão doce que nauseia? Noutras o amargo do fel nos aflige ou embrulha nosso estômago e se contorce nos intestinos. O colo amoroso, a mão suave que toca e acaricia, a palavra que conforta e acalma, o abraço que nos envolve em luz, acompanha-se de um chá tépido e alguns biscoitos plenos de amor de mãe e avó. Talvez um mero arroz de carreteiro com ovos e fritas, um aipim manteiga ou uma bata-doce que se dissolve na boca sempre com um sorriso consolador, uma atitude compreensiva e aquela energia luminosa que nos eleva e inspira a vencer. Sorver a esperança e voltar à luta. Enfrentar com mais disposição e coragem as batalhas da vida.

O amor materno em comida se mistura em nossa boca, nos iluminando e cativando. Vamos digerir as dificuldades. Assimilar a essência que transcende ao simples alimento essencial à sobrevivência, florescer alegrias, harmonia e gratidão em nossos corações. Comidinha de mãe! Comidinha de avó! Conte-me alguma lembrança que lhe cativou.

2023.07.18 – Comidinhas! De mãe e de avó. Edson Olimpio Oliveira

Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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