Dor! Dor de amor.
[Dor de amor é difícil de curar | Ai como dói | Ai como dói a dor | Como dói a dor de amar] – Dor de Amor, com Beth Carvalho.
A Medicina sempre tratou de cotejar e hierarquizar as dores. Seria a dor de uma pedra encravada no rim (cólica renal)? Seria a dor de um infarto do miocárdio? Seria a dor de uma fratura? Treinamos no racional e teimamos em não nos aventurar demais pelo emocional. Dessas duas condições inalienáveis, razão e emoção, depende nossa existência material e, certamente, marcará nossa existência espiritual. Eis que a Medicina descobriu, catalogou e criou protocolos para tratar a “Síndrome do Coração Partido” ou Cardiomiopatia de Takotsubo (o coração esquerdo ficaria com aspecto de um vaso japonês de pescar polvos). Trata-se com o infarto e pode deixar as mesma sequelas. Causa? Severos transtornos emocionais/afetivos estaria na raiz da enfermidade.
[Eu sei que vou te amar | Por toda a minha vida eu vou te amar | Em cada despedida eu vou te amar | Desesperadamente eu sei que vou te amar.] – Eu sei que vou te amar, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.
Essa maravilhosa música traz em seu seio um amor eterno e incondicional. Dizia-me um mestre: “O amor nasce em meu coração, passa pelo coração dela e retorna para mim!” Se a pessoa não se amar livre e puramente será incapaz de amar a outra. Observe que quando eu cito o homem ou a mulher, pode-se inverter tranquilamente as posições. A necessidade do amor encontrar outro coração que lhe ame nas suas condições estabelece a base do conflito inicial, quando não do drama perene. Sim ou não? A mulher exige o homem protetor, provedor, pleno de masculinidade para perpetuar a sua natureza em seus filhos. Entretanto, deve ser sensível e… Nem um, nem outro aceita viver somente com um ninja nos lençóis e que não seja exemplo de fidelidade, amor pleno e retidão, confiável e exemplar de fazer ciúmes ao entorno.
[Quando o inverno chegar | Eu quero estar junto de ti | Pode o outono voltar | Que eu quero estar junto de ti | Porque (é Primavera) |
Te amo (é Primavera) | Te amor, meu amor] – Primavera na potente voz de Tim Maia.
Buscar a “alma gêmea” – essa metáfora é real? É viável? Quem não pode oferecer o melhor de si ou é incapaz de tirar as cancelas do coração, encontrará o seu sonho? Ou o seu sonho é fruto de uma realidade inflexível. “Eu sou assim!” – Já escutaram isso? O mesmo aço forte que faz a adaga mortal, faz as molinhas flexíveis (stents) que permitem o fluxo de sangue, a vida rubra, pelas artérias do coração. O bambu flexível ou a árvore que baila com o vento suportam os tornados que destroem os fortes e que não se dobram. Como sou eu?
[Drão | O amor da gente | É como um grão | Uma semente de ilusão | Tem que morrer pra germinar] – Drão de Gilberto Gil, em homenagem a sua ex-esposa Sandra Gadelha.
Não precisamos morrer para germinar ou para renascer das cinzas. Cicatrizes são sequelas dolorosas. Entretanto, muitos necessitam da dor e até do desespero para evoluir. Como eu vejo e sinto a dor de amor?
E a “dor de cotovelo”? Em 1951, o gaúcho Lupicínio Rodrigues (o mesmo do hino do Grêmio) lançou “Vingança”, gravada por vários e famosos cantores. Ali reverbera o rancor e a raiva de alguém traído pelo seu amor e que planeja vingar-se. Poderosa ‘dor de amor’!
2023.08.01 – Dor! Dor de amor – Eds Olimpio
Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão