Dor de cotovelo! Eds Olimpio. 2023.08.08

Dor de Cotovelo!

Sabemos que “dor de cotovelo” é uma dessas expressões que floreiam nossa jornada carregando em seu seio a tristeza, a decepção, frustração ou inveja de uma situação amorosa. Alguma relação com o “cotovelo de tenista” – uma enfermidade na Medicina? Qual a sua origem? Talvez a sensação de uma cotovelada ‘na boca do estômago’? Ou da criatura com os cotovelos apoiados na mesa do bar destrinchando no álcool o seu sofrimento? Lembro da Carolina do Chico Buarque – à janela, cotovelo com calos, vendo o tempo passar, sentindo a vida fluir e ela ali, fenecendo como uma rosa arrancada e abandonada. E “nos seus olhos tristes guarda tanto amor, o amor que já não existe”. Pobres Carolinas!

1[O ciúme dói nos cotovelos | Na raiz dos cabelos | Gela a sola dos pés | Faz os músculos ficarem moles | E o estômago vão e sem
fome | Dói da flor da pele ao pó do osso | Rói do cóccix até o pescoço | Acende uma luz branca em seu umbigo | Você ama o inimigo | E se torna inimigo do amor] – Dor de Cotovelo, de Caetano Veloso.

Voluntariamente podemos nos entregar à solidão, seja por uma opção da nossa espiritualidade, seja por algum tipo de trauma social ou um severo e grave trucidamento do coração num caso de amor. Entretanto, a natureza humana exige que estejamos próximos de outras pessoas e muito mais próximos àquelas criaturas que fazem nosso sangue fluir em correnteza, nosso coração e nosso cérebro se inundarem de hormônios e demais substâncias ativas. Somos seres de luz e de sombras. Quanto maior a luz, mais invasiva a sombra pode atacar. A insegurança do amor trafega e galopa em desconfiar da intensidade da recíproca, da sua verdade verdadeira e da sua lealdade perene. Dentre as piores derrotas está a perda do seu ente amado…

2[Dor de cotovelo é quando você não tem ninguém pra abraçar | É quando você não tem ninguém pra beijar | É quando você não tem
ninguém pra conversar | É quando você não tem ninguém pra amar | É quando você não tem ninguém pra esquecer] – Dor de cotovelo, de Carlos Drummond de Andrade.

O saudoso poeta e músico Lupicínio Rodrigues, famoso por cantar e expor as suas dores de cotovelo considerava (sic) que estariam em três níveis principais. A DC federal quando a pessoa jamais se conforma com a perda e nem o álcool mais profundo traz alívio real. A DC estadual: essa vai aliviando com o tempo, principalmente pela possibilidade de reatar a relação, sendo mais suportável. E a DC municipal: fugaz, leve, nem serve de inspiração para um poema ou um samba, pois logo aquele “amor” é substituído. Assim sopramos o poema abaixo!

3[Dor de cotovelo é coisa séria | Não se cura com remédio, nem com terapia | Só se cura com um novo amor ! Que faça a gente esquecer
a dor] – Dor de cotovelo, de Paulo Miranda.

Quando” de Roberto Carlos nos encanta e traduz a dor da separação. “Sofri e chorei tanto que nem sei tudo o que chorei por você | … | Quase que a minha vida teve fim | … ! Ninguém te amou tanto quanto eu te amei”. Talvez você sinta algum ‘cotovelaço’ do Cronista para lhe atiçar recordações belas ou tristes. Somos seres de amor! Lute para que seu amor seja feliz, assim você será feliz. Ame para ser amado. Desnude-se da armadura da intransigência. Quando você disse que a ama inteiramente? Ou que o ama realmente? Não basta sentir e saber, há que manifestar em palavras, atos e… Alma! Sim ou não?

2023.08.08 – Dor de cotovelo! Eds Olimpio

Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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