O Carrapicho do Amor!
Nas festas da Imaculada Conceição, Padroeira de Viamão City, ao som dos autofalantes em incontáveis dedicatórias: “Essa bela página musical para a linda moça de vestido amarelo e olhos luminosos”. Ou “De quem muito lhe admira, dedica-lhe essa bonita música do fundo de seu coração”. Outra: “Um jovem que muito lhe admira, mas é tímido demais, dedica-lhe essa música que fala dos seus puros sentimentos”. E seguia nessa balada – dedicatórias que alvoroçavam as gurias e seus corações trepidavam. Davam pinotes de encantamento, achando-se a merecedora da dedicatória e certamente de algum rapaz que ela também tinha uma queda.
No melhor estilo Fred-Barney ou do Brucutu, o homem das cavernas, compravam-se bolas semelhantes em desenho e tamanho com bergamotas descascadas (em gomos) cheias de serragem e presas num elástico de uns 50 cm. Arremessava-se aquelas bolotas contra o lombinho da gurias. Algumas cantavam vitória pelos hematomas e equimoses. Coisa estranha e bizarra. O Carrapicho é o fruto de uma planta, considerada inço, que maduro e seco é revestido de inúmeros ganchos, farpas ou esporões. Gruda em tudo que é roupa peludinha, nos pelos dos animais, principalmente ovelhas, e nos cabelos das meninas. Parece mentira, mas ainda há sobreviventes (Professora Marga e Primo Haroldo) que atestam essas formas de tentar engatilhar um namoro. Muitos casaram assim!
Carrapicho do Amor
Você é o carrapicho do meu amor,
Que grudou no meu peito e não quer sair.
Você é o carrapicho do meu amor,
Que me faz sofrer, mas também me faz sorrir!
Você é o carrapicho do meu amor,
Que me leva pra longe e me traz pra perto.
Você é o carrapicho do meu amor
Que me deixa confuso, mas também me deixa certo!
Você é o carrapicho do meu amor,
Que me dá esperança e me dá ilusão.
Você é o carrapicho do meu amor,
Que me tira a paz, mas me dá paixão!
Você é o carrapicho do meu amor,
Que me faz feliz e me faz chorar.
Você é o carrapicho do meu amor,
Que eu não posso tirar, porque quero deixar!
Em simples gestos o coração fala a outro coração: quero estar enrolado em teus cabelos; quero estar junto de ti; será muito difícil afastar-me de ti; entre muitas outras que falam de amor, numa alegoria de um namoro com um carrapicho arremessado e grudado, enrolado, junto. Destinos se traçam assim. Gestos e atitudes que simbolizam a necessidade humana de ter alguém ao seu lado. De estar com alguém. De ser difícil afastá-lo de seu propósito. O carrapicho tem seus ganchinhos, como pequenos espinhos de pontas em anzol, curvas. Centenas em cada carrapicho. Assim também é a vida. Alguns espetões, algumas dificuldades difíceis de desenrolar, mas querendo permanecer juntos. Fácil? Nenhuma vida é fácil e desenrolada.
A escolha do carrapicho é nossa atitude e compromisso intransferível. Se escolher ficar enrolada num carrapicho que não lhe merece, é sua a responsabilidade ou de trilhar uma outra jornada de mais luz e real amor. Alguém chama isso de “livre arbítrio”. Creio ser de “livre e pessoal responsabilidade”!
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2023.09.05 – O Carrapicho do Amor! Edson Olimpio Oliveira
Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão