O Ataque das Bixas! -2-

O Ataque das Bixas! -2-

Você está bem apoiado? O que vou contar agora já “afrouxou as pernas de índio taura”. Os velórios atuais são muito mais “sofisticados” que “até dá gosto de morrer assim” me dizia um amigo numa “cerimônia de pompas fúnebres”. Sem som de violino e luzes assemelhadas às estrelas do firmamento, sem coro de vozes afinadas, o pessoal morria e era velado em casa, até sobre uma mesa. Os “graúdos” tinham igreja com missa e discursos ou palavrório. Algo era rotina no rico e no pobre: “algodão nas ventas e bucha de pano na goela”, sempre com um lenço branco sobre o rosto. Em certos casos, o pessoal da funerária, algum familiar ou amigo mais próximo das lides religiosas, reforçava a proteção nas narinas e garganta, enquanto debulhava umas rezas.

Certo velório no “fundo das tigueras” (grotas, lá onde o diabo perdeu as meias), poucos se revezavam na atenção ao defunto. A noite escura como breu, fria como alma de ministro do supremo, um vento Minuano cortando mais que língua de sogra avançava sem dó. O velório iniciou na manhã e o “enterro” seria bem após 24 horas (“vá que fazer um velório curto e se enterrasse alguém ainda vivo?”). O pessoal já tinha comido uma galinhada com arroz, bata-doce e aipim, ovos fritos e muitos e muitos tragos de caninha pura como … Sei lá, diga você!

Falei das buchas de algodão e panos. Justificavam pelos gases que saiam do corpo. Meia verdade! Os sentinelas em volta do ataúde, acomodados nos pelegos, com o pala ou um cobertor por “riba” (sobre), súbito o Taurino arregalou os olhos e gaguejou: “Ele tá vivo”! Os “meio-dormindo ficaram meio-acordados”. O lenço parecia se mexer. E não é que aumentado as chamas dos candeeiros, o lenço realmente se mexia. Estaria o defunto respirando? Na hora da morte tinha esquecido do último suspiro e agora estava dando a derradeira respirada? Estaria fungando no lenço?

Cr & Ag!

E foi um griteiro, pois a filha mais dedicada não arredou pé um instante do amado “paizinho”. Um alvoroço geral! O velho Miguel, valente como namorado em janela de namorada à madrugada em casa de sogro azedo, chegado num terço e nos Ternos de Reis, assim-assim com o Padre Eudózio e sempre nas missas e festas da Igreja, achegou-se ao caixão e destapou a face do amigo morto. Retirou o lenço lentamente. Foi aí que aconteceu outro “griteiro” que parecia carga de cavalaria. Era mulher desmaiando. Outros gritando: “Tá me dando um troço!”. Gente correndo e trombando uns com os outros. Tinha valente enchendo as bombachas. E covarde pegando o rumo do mato. A cachorrada latia e uivava. Destrinchando o sucedido – será que você vai aguentar o que vou contar e isso foi verdade verdadeira? Conta-se que sim!

Até o velho Miguel, peleador como poucos, domador de bagual xucro, tropeiro da Mostarda até os campos dos velho Serapião, afrouxou as pernas e se escorou no caixão, que quase derrubou com seu tamanho. “Conta logo, doutor, por que o lenço se mexia? O que aconteceu?” Pois é, “há coisas entre o céu e a terra que a nossa vã filosofia não alcança”, as lombrigas estavam tentando escapar do interior do falecido. O homem “obituou”, mas as lombrigas não. Se alvorotaram e buscaram uma saída. Desesperadas como o pessoal do velório.

Cr & Ag!

As criaturas até se preocupam com os parasitas que enxergam, como aqueles eleitos. Há dezenas, centenas que são invisíveis ao olho nu? Há pacientes que o diagnóstico de certeza vem pelo patologista após o óbito – infestações de vermes. Oclusões intestinais. “Nós nas tripas”. Perfurações. Anemias refratárias. Inapetência e emagrecimento. Convulsões. Diarreias. O corolário é extenso, bem mais comprido que baba de bebum. Aumentaram os “positivos” de vários vermes no “exame de fezes” após a pandemia. Talvez a queda de imunidade. Vários pacientes dizem com bom humor: “Deve ser culpa do Bolsonaro, doutor!” Aguentou a bronca real até aqui? Recebi mensagens que sacramentam e nos acompanham nessa jornada “verminótica” e parasitária.

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2024.04.09 – O Ataque das Bixas 2! Edson Olimpio Oliveira

Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

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