Agora? Depois? Ou Nunca?
Uma fatia significativa desse bolo (pizza?) que compõe a sociedade brasileira sucumbe diante da manchete, da notícia, do estado ou do crime, da alegria ou da tristeza. Entretanto, as manchetes têm urgência de serem substituídas ou alocadas, deslocadas para planos inferiores, para que outra situação se instale e aquela caia nas sombras do esquecimento. Concorda? Discorda? Diga os nomes que você votou na eleição passada. Se inquirir sobre os três últimos pleitos, há quem nem teria certeza absoluta que votou se o voto não fosse obrigatório.
As criaturas esquecem tanto que criminosos, condenados, bandidos de toda a laia são votados e até eleitos ou reeleitos. Recorde-se do Mensalão, do Petrolão, Lava-jato, das obras jamais concluídas apesar dos “aditivos”, etc. Há criaturas que devolveram parte do espólio da pirataria, dos seus crimes, e estão aí amparadas por alguma miragem ou enfermidade do lobo frontal do cérebro ou da safadeza viral, neoplásica.
Crônicas & Agudas!
“Agora é somente salvar vidas, nada mais e muito menos tratar de política!” – escuta-se a toda hora, inclusive de pessoas que deveriam usar suas capacidades intelectuais e as observações de sua vida profissional e da história. Salvar vidas sim! Lutar para reconduzir as pessoas afetadas a um mínimo de dignidade e de saúde – sim! Não aceitar olhar as causas do caos que o Rio Grande do Sul atravessa? Tentam inconsciente ou deliberadamente, publicamente liberar agentes comprometidos numa narrativa maligna e política? Há pouco, essas mesmas pessoas tinham alvo certo e definido – Jair Bolsonaro, causador de quase tudo e do “mais grave” da pandemia. E algo que foi planetário e não de um Estado ou um país. Aí se misturava política e desgraça livremente.
A polícia sempre terá maior chance de averiguar e estabelecer o comprometido num crime recente ou em algo passado e jogado no esquecimento de novas manchetes? O tempo exclui das fotografias as faces de desafetos, como disfarça, incita e acoberta causadores e predadores. As cores do pelego trazem resultados diferentes. Peles de ovelhas em almas de lobos furiosos.
Crônicas & Agudas!
As redes sociais são novamente culpadas de exporem os parasitas da enchente ou dos gabinetes de ar condicionado, mas aceita quando hordas desejam as maiores desgraças ao povo gaúcho por ser “bolsonarista” ou de “extrema direita” (existe algo que não seja “extrema direita”?). Uma ministra diz publicamente que a ajuda aos municípios virá somente quando os prefeitos enviarem seus relatórios e pedidos. Como assim? Sem energia, sem telefone e internet, sem estradas e cidades destruídas, prédios públicos e máquina administrativa carregada e sucumbida pela enchente.
Outros culpam as desgraças pela privatização de entidades públicas. Pense! São ruins porque foram privatizadas ou foram privatizadas porque eram cronicamente ruins, incompetentes, onerosas e cabides de encostar aconchegados e salafrários?
O médico é treinado, desde o parto do vestibular, a pedir vistas, olhar as secreções do corpo, a urina, o escarro e até esmiuçar as fezes. Daí vem o diagnóstico e o tratamento adequado. Observa os ciclos das febres, da sudorese, da alimentação, do dia e da noite e segue nessa jornada buscando causas, etiologia da enfermidade e assim, somente assim, tratar e tentar curar ou, pelo menos, aliviar o sofrimento do enfermo. Ou o médico vai postergar, deixar para um futuro buscar causas e somente se preocupar com o momento?
O futuro “a Deus pertence” – verdade relativa! O presente é nossa plena responsabilidade, semeamos o futuro. Agora a situação está fresca, recente, o descaso não é uma mera interpretação, os danos estão vívidos, afogados, soterrados e sangrando. Não falar em política para quem sofre e para quem tem inteligência racional e emocional, não se resolve com a lápide do esquecimento tão comum nas tragédias (azar?) como no ataúde eletrônico embalado por qual justiça? Ou as vítimas e os voluntários são causa e seu trabalho e observação de nada vale?
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2024.05.14 – Agora. Depois. Ou Nunca. Eds Olimpio
Crônicas & Agudas
Jornal Opinião de Viamão