O dedo de Deus!
“A Criação de Adão” é um afresco no teto da Capela Sistina no Vaticano, obra de Michelangelo Buonarroti. Uma das mais belas e significativas obras de arte de todos os tempos. Múltiplas interpretações ainda são geradas ao apreciá-la e tentar compreender, além de maravilhar-se. Sua alma é transcendental.
Com humildade e temor, firmou-se a concepção de que o “dedo de Deus” nos oferece as belezas do universo, mas, em contrapartida, cobra-nos quando falhamos. Talvez assim conhecemos o adágio popular do “dedo na moleira”. A moleira ou fontanela é parte do crânio, vulnerável ao nascimento, temida por acidentes com bebês por suas possíveis e severas consequências.
Em todos os tempos pretéritos, o homem e a humanidade interpretaram a fúria e o mau humor da natureza como mandados da divindade. Não um mero azar ou casualidade, mas o “dedo de Deus” na moleira das criaturas. Por mais desenvolvida a ciência atual, mistérios insondáveis continuam a atormentar a compreensão. As desgraças que se abatem sob a forma de enchentes avassaladoras, secas e incêndios, seja no nosso Estado ou em outras paragens tem o dedo do Homem no homem?
Crônicas & Agudas!
O Antigo Testamento revela um Pai que não leva ofensas numa boa, nem desobediências e muito menos traições. Assim aconteceu com Sodoma e Gomorra, a mulher de sal de Ló, o Dilúvio e Noé, o Bezerro de Ouro no deserto com Arão e Moisés, entre outras.
Contou-me uma cara amiga, cuja filha participou como voluntária auxiliando aos flagelados abrigados na Ulbra-Canoas: “Estava distribuindo as quentinhas – “marmitex” – foi comum pessoas se queixarem que era “a mesma comida do almoço” e baixaram os adjetivos. Outros de que era função dos voluntários arrumarem suas camas; tiveram que se organizar (voluntários) para cuidar e passear com os cães flagelados.”
Nem precisa de urna eletrônica dar comprovante de voto para saber em quem uma criatura dessas votou e até elegeu. Observem que tinha cerca de 6 mil abrigados. Haja voluntários para essas criaturas. Temos que pensar que fazemos para Deus e por nós, pois reconhecimento, respeito e gratidão são cada vez mais escassos de quem recebe.
Crônicas & Agudas!
Você acha que voltaremos a ter alimentos mais saudáveis sem estarem entupidos de aditivos químicos, processamentos, adulteração genética, respeito pelo meio ou inteiro ambiente? Falei no Bezerro de Ouro e lembrei da “vaquinha do presépio” que, novamente, a cultura popular classifica como quem “não fede e nem cheira”. Principalmente no último meio século, a vaca é dos animais mais submetidos a sanha produtiva e econômica. Noutros tempos, uma boa vaca jérsei ou holandesa dava cerca de uma dezena de litros de leite/dia. Hoje estão aí nas feiras dando mais de 100 litros/dia – até a morte precoce levá-las. Diz-se que dura 25% das antigas? Nessa pegada bíblica, tem vaca do Egito ao presépio, mas não se fala em boiada, boiadeiro, tambo de leite, nem “cowboy”, a turma tomava leite de que? Uma pista: eram pastores! Cabras e ovelhas? Sim. Camelos não – esse é macho, a fêmea sim. Já tinha ouvido isso antes? Seria o “dedo” apontando ao drama atual do leite que não se resume na lactose?
Muitos estaremos tomando chimarrão com São Pedro e esse Estado ainda não terá se recuperado de suas cicatrizes. Para uma “porqueira” de quilômetros na ERS 118 (Gravataí-BR 116) levou-se 20 anos… Um médico veterano me alertava: “prefiro o comunismo chinês ao comunismo venezuelano ou cubano”. Quis me emparedar já que prefiro liberdade democrática real com ética, moral e criminosos presos sem saidinha, sem visita íntima e sem a suprema instância. Ou será ‘estância’?
2024.06.25 – O dedo de Deus – Edson Olimpio
Crônicas & Agudas
Jornal Opinião de Viamão