Pôncio Pilatos lava as mãos! – Parte 1 de 2.
Além de ser médico em Viamão (Primeira Capital de Todos os Gaúchos), na Capital (Porto Alegre), também exerci meu ofício em Capão da Porteira e Capivari do Sul – áreas e regiões onde predomina a criação de gado e as imensas plantações de arroz que nutrem o Brasil. Algo que sempre me tocou, cativou-me e trazia uma Luz para esse médico – nos chamados ou atendimentos domésticos sempre me ofertavam uma bacia com água, uma jarra com mais água, um sabonete novo e uma toalhinha invariavelmente branca e limpíssima. Em alguns lares, a bacia e a jarra eram de louça decorada, num suporte apropriado ou sobre uma cômoda ou penteadeira. Creio serem patrimônio dos ancestrais pela beleza e material inusitado nessa época.
Após a extensiva e necessária anamnese e exame clínico, das necessárias orientações e condutas, de abrir minha maleta que era uma ‘mini farmácia’ de urgência, aplicações de injetáveis ou outros medicamentos, nebulizações – se possíveis, curativos e uma miríade de atos, a concluir com a formulação das receitas. Eis que novamente trazem a bacia preparada para um novo e necessário ritual com o olhar atento da família e dos presentes em cada gesto do médico. Sempre me ofereciam um belo café ( sentia o perfume que estavam preparando na cozinha enquanto atendia o enfermo) com acompanhamentos gostosos. Várias vezes jantei no lar do paciente!
Crônicas & Agudas!
O ato (lavar as mãos) de Pilatos está no Evangelho de Mateus (27:24-25), narrando um momento crucial no julgamento de Jesus Cristo. Diante da pressão da multidão que clamava pela crucificação de Jesus, Pilatos, o governador romano da Judéia, busca se livrar da responsabilidade pela condenação. Ele ordena que tragam água, lava as mãos publicamente e declara: "Sou inocente do sangue deste justo. Considerai isso”. Embora a lavagem ritual das mãos fosse comum na época, tanto para fins religiosos quanto higiênicos, o gesto de Pilatos assume um significado muito mais profundo. Ele não apenas se purifica fisicamente, mas também tenta se eximir da culpa moral pela morte de Jesus.
Há simbolismos e interpretações que varam os séculos. Fuga da Responsabilidade: O ato de lavar as mãos simboliza a recusa em assumir as consequências de seus atos. Pilatos, detentor do poder, cede à pressão popular e se recusa a defender o que acredita ser justo. Negação da Justiça: A lavagem das mãos representa a negação da justiça e a omissão diante da verdade. Pilatos, representante do Império Romano, ignora sua responsabilidade de garantir um julgamento justo e imparcial. Covardia e Indiferença: O gesto revela a covardia e a indiferença de Pilatos. Ele se preocupa mais com sua própria reputação e carreira do que com a vida de um inocente.
Crônicas & Agudas!
Há mensagens atemporais que não se esgotam à análise. Omissão e Negação: A mensagem serve como um alerta contra a omissão e a negação da responsabilidade em momentos cruciais. É preciso ter coragem para defender o que é certo, mesmo quando isso significa enfrentar desafios e contrariar a opinião popular. Busca pela Verdade e Justiça: A frase nos convida a buscar a verdade e a justiça com persistência, mesmo quando confrontados com a injustiça e a opressão. Luta pela Liberdade: A história de Pilatos nos lembra da importância da luta pela liberdade e pelos direitos humanos. Devemos sempre nos levantar contra a tirania e a opressão, defendendo os mais vulneráveis.
# Você que está comigo até aqui, por favor, aguarde a conclusão dessa crônica na próxima semana, pois há temas que necessitam de um espaço físico e temporal para melhor expor e analisar. Obrigado!
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2024.07.23 – Pôncio Pilatos lava as mãos 1 de 2 – Edson Olimpio Oliveira
Crônicas & Agudas!
Jornal Opinião de Viamão