Agosto!
“Mês do desgosto?”
O mês de agosto chamava-se “Sextilis” pelos romanos. Significando 6º mês. Após a vitória de Otávio sobre Marco Antônio e Cleópatra, o Senado romano decidiu renomear o mês de “Sextilis” para “Augustus” em homenagem ao imperador. Essa mudança de nome incluiu também o número de dias que passou a 31 (olha o 13 invertido – outras desgraças e desgostos?), igualando-se a julho, mês dedicado a Júlio César.
Quais as origens de agosto ser um mês sinalizado por desgraças, infortúnios, múltiplas superstições e, em alguns casos, o inferno na Terra? A tradição oral é poderosa e carrega símbolos e artefatos que varam os tempos. Agosto era crucial para os romanos: colheita de cereais, ligados à fertilidade da terra e aos ciclos da natureza. Ceres, deusa da agricultura e dos cereais, era celebrada em agosto. Consus, deus romano dos celeiros e provisões, cultuado em agosto – festas Consualias. Vesta, deusa romana do lar-fogo-pureza, cultuada em agosto visando a proteção da família e da comunidade.
Agosto – “mês do cachorro louco!”
O mundo ocidental traz as raízes greco-romanas. A região sul do Brasil recebeu levas humanas de colonizadores varridos da Europa pelas guerras, pela fome e pela falta de terras agriculturáveis. Essas pessoas, mudavam de hemisfério, mudavam de país, entremeavam-se com outros povos e culturas, mas persistiam em suas crenças. Sofríamos com um agosto frio, chuvoso, raios e trovoadas, além dos seres malignos, como bruxas e lobisomens. Na Europa, agosto – mês das frutas. A 1ª Guerra Mundial iniciou num mês de agosto. O inferno atômico em Hiroshima aconteceu num dia 06 de agosto. As colheitas na Europa, fracassavam pelas doenças e o clima, logo a Inquisição encontrava culpados (além dos gatos felinos) e vocês sabem o destino de muitos milhares de pessoas.
Agosto – “mês dos velhos morrerem!”
“Se escapar do agosto, nesse ano não morre mais!” Superstições são integrantes basais da cultura popular. Acrescente a fase da Lua para a desgraça piorar. As consequências da Grande Peste de Londres (1665), embora não exclusiva de agosto, dizimou famílias que a associaram com suas crenças. Voltemos à Antiguidade – Zeus (Júpiter), rei dos deuses, associado ao céu, tempestades e à lei. Sua esposa Hera (Juno), rainha dos deuses, era deusa do casamento, da família e da maternidade com rituais cultuados e celebrados em agosto. A religião sempre fomentou e aproveitou-se, para o bem e para o mal, das superstições e até gerou “provérbios populares”.
Agosto – “casamentos realizados nesse mês, não duram!”
A “memorabilia” (relativo à memória, do latim) com a construção de monumentos, museus, sepulturas suntuosas ou singelas, templos e igrejas, diversos espaços de memória acrescidos de cânticos, poemas e teatralização perpetuam e ampliam esses sentimentos quando o entendimento das pessoas e da sociedade é limitado. Os “santos dos dias” do catolicismo está nessa vertente de ter-se um protetor santificado a cada dia do calendário. O sincretismo religioso dos brasileiros embala, canta e dança com divindades associadas, que devemos respeitar em cada povo e suas heranças culturais, folclore.
Esse cronista novamente interpelou a poesia, aspirando o talento dos poetas que trago para o convívio de vocês, e fez uma singela poesia sobre “Agosto, mês de mistérios e crenças” que será publicado em outra oportunidade, pois esgotei meu espaço hoje. O que vocês sabem sobre esse “agosto” que aqui explanamos com admiração e respeito. Enviem um WhatsApp para 51 9 8606 0748.
§§§§§§§
2024.08.06 – Agosto – mês do Desgosto – Edson Olimpio Oliveira
Crônicas & Agudas!
Jornal Opinião de Viamão