Um ombro que acolhe!
“Encosta tua cabecinha no meu ombro e chora
Conta logo suas mágoas todas para mim
Quem chora no meu ombro, eu juro que não vai embora
Que não vai embora, porque gosta de mim!”
O ano de 1958 trocava os chinelos por chuteiras que seriam premiadas, dando ao Brasil o seu primeiro título mundial de Campeão de Futebol nos gramados da Suécia. O maestro da seleção foi Waldir Pereira, famoso “Didi Folha Seca” – pela habilidade única de dar à bola um efeito formidável. Passou a ser chamado na Europa de “Mr. Football”, ou “Príncipe Etíope” pelo genial Nelson Rodrigues. O garoto Pelé explodiu para o futebol mundial, vindo a ser o maior jogador de futebol de todos os tempos. O Brasil sorria “impávido colosso”!
A “bossa nova” vertia inabalável dos instrumentos musicais e das gargantas em melodias inesquecíveis. O Presidente Juscelino Kubitschek trazia a energia atômica para o Brasil. Nos Estados Unidos nascia a NASA, a agência espacial que mudaria os rumos da humanidade.
O dia nasceu nebuloso na Cidade Maravilhosa. O sol se agitava entre nuvens sombrias. O carioca jogando conversa fora nos botequins, esperando dar praia. Eis que o gigante de luz rasga os céus e joga seu calor retido, agora com gana e rompendo horas de atraso. Num bonde lotado, as criaturas trombavam no corredor estreito, o suor já vertia caudaloso. Algumas axilas espumavam na ausência dos atuais desodorantes. Num banco de madeira estava o poeta e compositor Paulo Borges. Seu senho franzido espremia as ondas de suor, uma cara e especial amiga debatia-se ao seu lado com o coração abalado. Suas emoções reprimidas vertiam em grossas lágrimas. O choro trancado rompia em explosões entre os dentes que feriam os lábios. E Paulinho acomodou a amiga em seu ombro e tentava acalentá-la, aliviá-la das dores de amor. Ali nasceu a inspiração dessa música – “Cabecinha no Ombro”. Imortalizada! Lembre-a na voz de Almir Sater ou do Fagner, entre vários outros.
“Quem chora no meu ombro, eu juro que não vai embora
Que não vai embora, porque gosta de mim.”
Sobrevivendo às Olimpíadas marcadas pela degeneração grave do respeito e da moral-ética de sua organização. Muito mais que lamentável quando a putrefação interior ganha espaço e difusão mundial. Sim ou não? Cristão ou não. Entretanto, observamos atletas que durante anos e talvez desde sempre se preparam para aquele momento mágico, sublime, senão único. A derrota se manifesta única em cada pessoa, mas algo se torna perene, irrestrito e comum a todos os sexos e a todos os países e origens – a busca de um ombro e de um abraço para verter as lágrimas que inundam a alma e sangram o coração.
“Amor, eu quero o seu carinho
Porque eu vivo tão sozinho
Não sei se a saudade fica ou se ela vai embora
Se ela vai embora, se ela vai embora.”
A empatia, que tanto falta às criaturas, carece da vida pessoal à vida profissional. Cada um vivendo no seu casulo e ao sair torna-se um predador. Empatia – colocar-se no lugar do outro e compartilhar seus sentimentos, identificar-se com outra pessoa, sentir o universo (pessoal) através do outro! Assim essa música retornou ao cronista e médico. Como você vive a empatia e em que grau?
2024.08.13 – Um ombro que acolhe – Edson Olimpio Oliveira
Crônicas & Agudas!
Jornal Opinião de Viamão
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Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira
Médico. Cirurgião. Escritor. Artes.
CREMERS 07720
RQE 4007
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Médico Cirurgião Jubilado
Sociedade de Cirurgia Geral do Rio Grande do Sul – SOCIGERS
Conselho Regional de Medicina RGS – CREMERS
Associação Médica do RGS – AMRIGS
Associação Médica Brasileira – AMB
Viamão – RS
1971 a 2023 – 53 Anos de Medicina
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Autor dos livros:
Crônicas & Agudas
Crônicas & PontiAgudas
Trinity! A Saga continua.
+30 Anos de Jornalismo
Cronista Jornal Opinião de Viamão