O Bailão e os Namoros!
Meu tio Rubem, tio do Danilo Malta, do Sílvio Boca e avô do Ricardo Patinhas foi o dono desse famoso palco iluminado por candeeiros e luz de bateria na famosa Estância Grande. Ali, hoje, produzem os mais premiados azeites de oliva do Brasil e laureados internacionalmente. Ali também eram as terras dos Oliveira, hoje com azeite de oliva. Coincidência? Salão de baile, mas baile de família e sem nenhuma bronca que não se matasse no nascedouro.
“Te fresqueia que te formino” (te bobeia que te mando para Brasília) – um guarda, mulato forte como touro miúra, ligeiro como mandado (raio) na coxilha, esperto como árabe ou judeu caixeiro-viajante. “Aqui manda o seu Rubem e eu e meus irmãos obedecemos”. Grandes e parecidos, que no lusco-fusco dos candeeiros se diferenciava somente o tamanho da faca prateada na cintura, atravessada nas costas como lagarto em beira de estrada num dia quente.
Crônicas & Agudas!
Ali no salão do tio Rubem! Enquanto a gaita chorava num vanerão empoeirado, as moças ajeitavam os penteados, mais um talco Cashemere Bouquet e um “ruge” nas maçãs do rosto com os olhos “relampiando” pelo salão, buscando encontrar-se com outro olhar na mesma sintonia. Que beleza! Também floresceram casamentos. “E separações. Edinho?” – era um tempo de desquite ou aparte. O divórcio veio bem depois. A maioria casava para toda a vida, até que a morte separasse – já traziam da oratória do pároco. A turma era dura na queda e as tradições eram leis perenes enquanto o .38 ou tresoitão não cuspisse bala de chumbo quente ou a carneadeira (faca) não se lambuzasse com o sangue “dum traidor”.
Pois esse cronista, que aqui penteia essas passagens de tempo, fez, por longos anos, plantão obstétrico, clínico e cirúrgico no Hospital de Caridade de Viamão. Noites insones em que os nomes perderam relevância e admiração – INPS, INAMPS e, hoje, SUS. Piorou? Vamos aos fatos consumados, sugiro não se enredar com os “fetos consumidos”.
Cr & Ag!
Abriu um bailão na ERS 40, estrada que comunica Viamão City com seu bairro chamado de Porto Não Muito Alegre. Ali próximo ao trevo de acesso! Assim numa gravidez desejada pelo dono, nasceu o Bailão do Reci. Tanto foi parido à margem da estrada, como se alastrou pela terra ao seu redor. Juntava um povaréu assustador. Ônibus traziam povo de tudo que era banda. Os seguranças – veteranos da brigada e da polícia – faziam uma revista prévia do ingresso e davam as normas da casa aos novatos. Tinha um tal de Paulão, diziam que “excomungado da Brigada”, tinha “pau no nome” e quando descia o cassetete no lombo das criaturas… Coisa sinistra!
Música. Bebida. Mulher e homem. Pode ser em outra ordem, mas sempre vai dar bronca. Havia gurias que fugiam de casa para ir no Bailão do Reci. Contavam que havia um gaiteiro que levava as gurias para tomar um guaraná e “pitá um cigarrinho” no ônibus da banda. E lá no Plantão segurávamos as broncas com os inúmeros nascimentos de jovens totalmente despreparadas para a realidade, mas emprenhadas pelo furor dos hormônios adocicados pela fantasia.
Crônicas & Agudas!
Várias “clínicas” de abortamento proliferaram com o volume de clientes. Cabia a nós, plantonistas, tratar todos os rigores das complicações. Muitas bailando à frente do precipício mortal, quando não com sequelas físicas e mentais. Mudança dos tempos. Não haviam as drogas que hoje consomem e são “consumidos” – sem volta! E vai piorar ainda mais? Sim ou não? Quando se tem parâmetros e valores morais e éticos, as comparações são mais nítidas. Sim ou não?
2024.09.10 – O Bailão e os Namoros! Eds Olimpio
Crônicas & Agudas!
Jornal Opinião de Viamão
Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira
Médico. Cirurgião. Escritor. Artes.
CREMERS 07720
RQE 4007
. * .
Médico Cirurgião Jubilado
Sociedade de Cirurgia Geral do Rio Grande do Sul – SOCIGERS
Conselho Regional de Medicina RGS – CREMERS
Associação Médica do RGS – AMRIGS
Associação Médica Brasileira – AMB
Viamão – RS
1971 a 2023 – 53 Anos de Medicina
Autor dos livros:
Crônicas & Agudas
Crônicas & PontiAgudas
Trinity! A Saga continua.
+30 Anos de Jornalismo
Cronista Jornal Opinião de Viamão