“Eu não consigo, doutor Edson!”
Aquele espaço entre as quatro paredes em que se busca a harmonização, o alívio das dores do corpo e da alma, a restauração da energia vital para as atribulações e responsabilidades da vida, onde paciente e médico exercitam uma empatia que busca a santificação desse espaço… Isso é um processo lento, com altos e baixos, subidas e descidas, dias melhores e dias piores, onde a humanidade de cada um é posta à prova. Poucos médicos e poucos pacientes têm essa noção e cultivam essa necessidade de plantar e colher os melhores frutos do amor, da espiritualidade e da Medicina? Sim ou não?
A elevação, a sublimação de um espaço dentro de um prédio de cimento, irá de um singelo consultório, para um campo de batalhas entre a saúde e a enfermidade, culminando com um santuário. Você sabe que nenhuma doença é somente um desequilíbrio do corpo, um ataque de micro-organismos, até um acidente tem e sofre as influências da mente e do espírito.
“Eu não consigo, doutor Edson!” – com os olhos marejados de lágrimas, a tez franzida e os músculos do pescoço retesados como a lançar flechas, o coração saindo pela boca, enfim, essa ‘pessoa humana’, como nós na maioria do tempo e dos momentos – “Não consigo perdoar!” Isso difere de você e eu? Sofro com o perdão que não consigo dar. Não há meio perdão ou alguma porcentagem de perdão. Há que ser pleno. Até conseguirmos esse “perdão pleno”, fruto de nosso entendimento e da iluminação da alma imortal, ainda ficaremos hospedados/cativos nesse planeta de dor e da toxicidade das piores peçonhas?
Para ajudar meus pacientes-amigos, leitores e eu, busquei elaborar 10 metas, propósitos e reais intenções para a maior jornada de autoconhecimento – cultivar e exercer o perdão!
- Reconhecer a dor: é um primeiro e poderoso passo para reconhecer e validar os próprios sentimentos. Permitir-se sentir a raiva, a tristeza e a dor.
- Compreender a outra pessoa: colocar-se no lugar do outro. Entender as suas motivações e circunstâncias. Isso auxilia na compaixão.
- Quebrar o ciclo do ressentimento: o ressentimento é um veneno que intoxica a alma. Ruminando sobre a mágoa, pioramos esse ciclo negativo e de dor.
- Cultivar a compaixão: a compaixão é a capacidade de sentir a dor do outro. Abrir-se ao perdão ao cultivar essa nobre qualidade.
- Praticar a gratidão: a gratidão permite mudar o foco para coisas melhores, tirando o espaço da raiva e do ressentimento.
- Buscar apoio: abrir o coração, expor a alma dolorida, preferencialmente com alguém capacitado, como um terapeuta, um médico ou grupo de apoio. Você deve sentir sintonia, harmonia, empatia, vontade e a capacidade em ajudá-lo. Desde que o homem caminha na Terra, a espiritualidade é seu equilíbrio.
- Meditação: auxilia a desenvolver atenção plena e equilibrar emoções.
- Transformar a dor em aprendizado: trate aquilo que você perdeu em aprendizado e oportunidade de crescimento.
- Celebrar pequenas vitórias: vibre com cada passo em direção do perdão. Um passo atrás pode significar mais impulso. Motive-se a continuar.
- Perdoar a si mesmo: quantas vezes nos culpamos pelo acontecido. Perdoar a si mesmo é fundamental e necessário para perdoar o outro.
Lembre-se que perdoar é um processo individual e gradual. É um ato de amor-próprio se libertar da mágoa, abrindo espaço para a felicidade com a paz interior. Não confundir com esquecer ou justificar, perdão é a liberdade real e iluminada! Perguntas – há criaturas que não merecem perdão? O perdão exige merecimento? Ou cada pessoa cumpre a sua jornada?
2024.11.05 – “Eu não consigo, doutor Edson” – Edson Olimpio
Crônicas & Agudas!
Jornal Opinião de Viamão