Quem sou eu?
É comum as pessoas imaginarem a porta do Céu com um velho barbudo – Pedro? –, com as chaves numa das mãos e um enorme livro na outra. Então a criatura se apresenta e Pedro consulta o livro da vida daquela pessoa e determina seu caminho. Permita-me imaginar num jeito… Alternativo. Imagino que um Mestre de Luz, como Pedro, encara a pessoa, olha em seus olhos, vasculhando sua alma, os mais sigilosos e obscuros cantos e cofres e faz essa pergunta: – Quem é você? Ponho-me nessa situação. Um suor gelado desce da fronte e nas costas da alma?
Sinta a gravidade. Nem de longe é como ser interpelado pela autoridade exigindo seus documentos e do carro. Mostra a identidade? Alguém na fila com um séquito de bajuladores que o exaltarão? Vai sacar atirando: – Sabe com quem está falando? – logo se identifica um brasileiro da gema (podre). A fila está crescendo às costas. Há um senador exigindo CPI e apelando para Ministro do STF ou até para os direitos humanos abonados pela Globo. Outro berra e se atira ao solo, digo, às nuvens e pede que “respeite minhas prerrogativas”. O mestre aguarda sua resposta e você engasga. Um filme da sua vida, em alta rotação, passa pelos seus olhos. E a coisa enrosca! Alguém berra ao fundo: – “Ferrou, se lascou, mano!” Outro ameaça numa capoeira e chama seu padroeiro: – “Sou inocente, vou recorrer!” A coisa desanda como num surungo, sem luz e com briga de facão.
[…“O homem que diz dou (não dá) | Porque quem dá mesmo (não diz) | O homem que diz vou (não vai) | Porque quando foi (já não quis) | O homem que diz sou (não é) | Porque
quem é mesmo e (não sou / não diz) | O homem que diz tô (não tá) | Porque ninguém tá (quando quer)| …] – Canto de Ossanha de Vinicius de Morais e Baden Powel. Lembra na voz de Elis Regina?
“As pessoas são frutos do meio onde vivem”. Ou sobrevivem. Captamos, absorvemos, entronizamos aquilo que está a nossa volta. Seja do lixo midiático, das redes sociais em que a criatura se enredou, seja do seu círculo de relações, você repete e até acredita que aquilo que sai de seus lábios seja seu. Que tenha gerado esses filhos da mente coletiva. Na faculdade de Medicina havia uma chacota para cada especialidade médica. Para uma delas se dizia que o “normal constrói castelos”, o “neurótico constrói castelos no ar”, o “psicótico mora nesses castelos”, enquanto o terapeuta “cobra o aluguel”.
Nossa identidade real se faz com a ‘digital’ da alma de cada um. Do seu percurso e das marcas (ou rastros?) que deixou em sua passagem. Há pessoas que suas existências mudaram o curso da humanidade – para o bem ou para o mal. Você lembrará de várias. O ataúde, o caixão de defunto, a derradeira caverna do corpo não possui porta-malas ou reboque para carregar a riqueza e os bens materiais que fazem a marca, o nome e o poder. O poder é como a fachada que esconde uma obra perigosa ou decrépita. Os títulos e graus aumentam a responsabilidade da criatura com a sociedade.
[…“Quem é você? | Advinha se gosta de mim | Hoje os dois mascarados | Procuram seus namorados | Perguntando assim | Quem é você? | Diga logo | Que eu quero saber o
seu jogo | Que eu quero morrer no seu bloco | Que eu quero me arder no seu fogo…”] – Noite dos Mascarados de Chico Buarque.
Crônicas & Agudas!
O escritor humildemente sobrevoa o corpo e tenta mergulhar no espírito, assim como diversos outros em busca da sua verdade. Como Buda ao abandonar a nobreza familiar, sua esposa e filho, despojar-se de todos os bens e varar campos, desertos, montanhas, mosteiros, sofrer as agruras da vida na busca da iluminação – a sabedoria eterna e universal. E Cristo, o melhor ser humano que já trilhou a Terra, o Médico dos Médicos, da mente, do corpo e, principalmente, da alma. Ele abriu-nos os portais para a eternidade de Luz e Amor e seus ensinamentos nos elevam ao Pai (“Ninguém vem ao Pai senão por mim…”)! Outras religiões e filosofias voltadas às mais nobres e dignas virtudes caminham a mesma jornada.
O que eu estou escrevendo no livro da minha vida? E você?
2025.03.01 – Especial de Carnaval
2021.11.16 – Quem sou eu? – Edson Olimpio Oliveira
Crônicas & Agudas! – Jornal Opinião de Viamão
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Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira
Médico. Cirurgião. Escritor. Artes.
CREMERS 07720
RQE 4007
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Médico Cirurgião Jubilado
Sociedade de Cirurgia Geral do Rio Grande do Sul – SOCIGERS
Conselho Regional de Medicina RGS – CREMERS
Associação Médica do RGS – AMRIGS
Associação Médica Brasileira – AMB
Viamão – RS
1971 a 2023 – 53 Anos de Medicina
Autor dos livros:
Crônicas & Agudas
Crônicas & PontiAgudas
Trinity! A Saga continua.
+30 Anos de Jornalismo
Cronista Jornal Opinião de Viamão