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Crônicas. Contos. Literatura. Jornalismo. Imagens e datas significativas.
02 jun 2023 Deixe um comentário
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01 jun 2023 Deixe um comentário
A conta chega.
A Grande Fome!
Lembre-se do conto de João e Maria. Também da Cigarra e da Formiga e do Chapeuzinho Vermelho. Desconhece-se o autor original, mas suas publicações podem ter origem numa das grandes desgraças coletivas sofridas pela humanidade – a Grande Fome de 1315. Ainda no século XIV: a Guerra dos 100 anos e a Peste Negra!
O século XIV foi dos mais tristes e assustadores que o homem sobreviveu. Os quatro séculos anteriores foram de prosperidade e uma sensação de que um paraíso de avizinhava. A população procriava e se multiplicava aos borbotões. O pão encerra a tradição bíblica de principal alimento – o trigo. Uma semente de trigo gerava ao menos 7 grãos do cereal. Havia fartura e festas. A Igreja e os nobres enriqueciam com maior facilidade e a podridão moral se alastrava infecciosamente. Eis que o verão de 1315 abriu com chuvas torrenciais e frio. Nuvens sombrias escureciam os dias e alongavam as noites. Não podiam preparar a terra e plantações eram destruídas. Restava comer e aguardar. Entretanto o espírito festivo e degenerado não cessou. Um inferno de neve e gelo se abateu sobre o meio e norte da Europa. O sal esgotava-se para conservar alimentos – salinas inundadas e minas afogadas. Os preços dos alimentos foram ao inferno.
Ou se morria de frio e das doenças do frio ou se morria de fome. O dinheiro já não conseguia repor os estoques e se comia as sementes. Comiam-se os animais de estimação e o gado e os cavalos. Animais que não eram devorados pelas pessoas, morriam de frio e fome. Extinguiram-se os alimentos convencionais. Comia-se qualquer coisa da natureza e logo ao fim de 1315 o canibalismo ganhou forma e fúria. Crianças eram abandonadas ou vendidas como escravas (ou comida?). Idosos seguiam o mesmo caminho, sobrando os restos de comida aos mais jovens. Hordas famintas, como zumbis cadavéricos, atacavam e matavam. Em 1318 (melhora real em 1322,“7 anos de vacas magras”) o clima foi abrandando, deixando um rastro com cerca de 25% das pessoas mortas nas regiões mais afetadas. Os estoques de alimentos levaram mais de cinco anos para ter algum equilíbrio. Os mortos do século XIV foram repostos somente cinco séculos depois na Europa.
As pessoas acreditavam (acreditam) que esses acontecimentos tinham uma causa divina e, mais do que nunca, buscavam amparo nos religiosos. Mas as fraturas da honra, dignidade e religiosidade dos religiosos ficaram expostas e isso se refletiu em cisões. Observem que após o Papa Alexandre VI (o Vaticano e a Igreja sendo transformados numa Sodoma e Gomorra) veio a Reforma Protestante de Martinho Lutero.
Crônicas & Agudas!
Pelo ano de 1877, o Nordeste brasileiro sofreu a Grande Seca por cerca de 2 anos. Calcula-se em até 150 ou 200.000 mortes pereceram. A Peste Negra dizimou 1/3 da Europa, talvez mais de 200 milhões de pessoas – em 5 a 7 anos. Observe o numeral sete (7) e sua “casualidade”.
Os contos citados no início dessa conversa contigo (entre outros e fábulas) têm a inspiração nas desgraças acontecidas e deveria servir como orientação, vacina, antídoto para os descaminhos, erros repetidos e assim evitar novos holocaustos. Infelizmente não é assim! Estamos no século XXI, observe se o caráter das pessoas é muito diferente da Idade Média. Estamos realizando o aprendizado no modelo do prego com o martelo. Explico! Para você enterrar um prego na madeira, por exemplo, não basta uma única martelada na cabeça do prego. Exige-se várias. E quantas vezes a cabeça entorta o corpo e o prego não entra ou o martelo se vinga no dedo ou de outra forma.
A escolha de líderes não pervertidos; exercício da fé que não subjuga, jamais cega e que não se vende. Saber que a responsabilidade pessoal e familiar não devem ser delegadas ao convincente e falso discurso. Saber plantar, cuidar, colher e guardar. A festa e a alegria são transitórias num planeta de aprendizado, mas a dor, as deformidades e a morte são permanentes.
2023.05.30 – A conta chega. A Grande Fome! – Eds Olimpio
Crônicas & Agudas
Jornal Opinião de Viamão
31 maio 2023 Deixe um comentário
Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira
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21 maio 2023 Deixe um comentário
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O Galo da Meia-Noite! Arrastando a asa.
“Arrastar a asa!” – é uma dessas expressões idiomáticas que espelham, retratam, aludem a um comportamento típico do universo machista. Na natureza, particularmente nos galináceos, o galo larga um vanerão sambado, talvez um tango nas volúpias da madrugada, e abre uma das asas e ensaia esse bailado inebriante em volta fêmea pretendida. Crista vermelha tremulando, batendo continência ao alto. Esporões que se chocam em pancadas insidiosas, alguns cantam antes e despois do acasalamento com a bela ‘esganipada’ (escabelada, despenteada), mas contente de amor lavado.
O gaúcho é um ser pródigo em associar a natureza, os instintos dos animais e a vida campeira ser vertida em crônicas. Quando um homem está cobiçando uma fêmea, diz-se que seus trejeitos, aproximações, estratégias, que está “arrastando a asa”. Que maravilha! Pois uma amiga, certa feita, me contava de estar sendo assediada, no melhor sentido, num ‘arrastar de asas’. Entretanto, como é da natureza da fêmea garbosa, geralmente se mostra alheia ou ‘difícil’.
Crônicas & Agudas!
Nessa balada recordei do ‘galo da meia-noite’. No bairro Mendanha, nome dado pelo arroio Mendanha (maestro do Hino Riograndense), aglomerava-se uma população negra. Hoje seria chamada de quilombo? Uma lomba forte que culminava no calmo arroio onde as lavadeiras da cidade de Viamão exerciam seu ofício. Numa faixa de terra entre a rua poeirenta e o campo do Matadouro dos Pinto, eram suas casas, além de outras mais no topete da lomba. O branco Pasqualino, exímio funileiro, casado com a Negra Doca, fazia canecas, funis, formas, bacias, etc. O Edson guri curtia e adorava aquela região. Todos eram amigos eternos de minha avó Adiles e da minha mãe Dora. Em sua casa comendo um bolo e vendo o Pasqualino trabalhar ou no arroio de correria com outras crianças.
Cr & Ag!
Num tempo desses havia um galo, que ‘se sabe lá porque cargas d’água, abria o berro à meia-noite. E quem diz de parar a cantoria. Atrapalhava o sono das criaturas no entorno e alertava algum ‘gambá bicho ou humano’ comedor de galinhas. Alguns diziam que até as galinhas colocavam menos ovos por causa da cantoria. “Ele dormia de dia?” – que nada. Dotado de intenso furor sexual não dava folga para as galinhas, além de por vezes fugir e arrastar a asa para as galinhas dos vizinhos e até outros bichos de pena. O jeito como olhava os urubus do matadouro era insana. Talvez o dono do cristudo sentisse uma empatia a mais pelo galo, já que rejeitava qualquer oferta, pois o pessoal queria fazer uma sopa ou uma galinhada com o bicho.
Crônicas & Agudas!
Eis que um dia, apareceu um entendido nas artes e labirintos da espiritualidade que atestou ser o galo da meia-noite um guerreiro africano que cantava em proteção aos seus filhos. E alertou que o tratassem bem, muita comida e muitas galinhas e que jamais alguém lhe causasse mal, pois desgraças aconteceriam. Nessa época não se tinha medo de político corrupto, traficantes e covid. E o galo até era levado nos braços de casa em casa para aumentar a proteção. Vida de rei!
Se tudo que sobe, um dia desce… Tudo que começa, um dia termina. O galo já dava pitaco até em casamento, nome de criança, voto em candidato, jogo do bicho e o que surgisse. Uma noite escura como coração de bandido, fria como hálito de cobra, o galo não cantou. Teria atrasado? O pessoal não se conteve em esperar o amanhecer, saíram em comitiva com velas e candeeiros. O galo estava morto! Morte natural, parecia. Recebeu até pompas fúnebres e discurso de político. E assim o Galo da Meia-Noite parou de cantar e arrastar a asa e o Mendanha seguiu os lampejos do tempo!
2023.05.16 – O Galo da Meia-Noite! Arrastando a asa – Edson Olimpio Oliveira
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