A fuga da rotina! 2023.01.17

A fuga da rotina

– Especial de Verão: humor não tira férias

N

ão vejo a hora de me aposentar e pendurar as chuteiras. Não aguento mais essa rotina do trabalho.” – dizia-me um amigo. As pessoas trabalham a vida inteira mirando chegar aquele momento mágico em que não terá horário para acordar, para refeições, para sair e chegar. Enfim, fazer o que bem entender, fazer o que lhe der na telha. Isso é real, mas é verdadeiro? Ou o nosso inconsciente planeja e deseja algo diferente do que expressamos?

Estamos naquele período do ano em que o gaúcho precisa urgentemente de férias. Há um sentimento coletivo de que as férias no Rio Grande do Sul são de final de dezembro até meio de março. Fora isso, há gaúcho frustrado e querendo comer o fígado de alguém se o obrigarem a férias em qualquer outro período do ano. Parece bobagem? Infelizmente não é.

Cr & Ag

Depois dessa pausa do parágrafo e um novo gole no chimarrão ou na cerveja gelada, convido-o para se perguntar: quero manter a rotina ou fazer o que quiser e quando quiser? Nossas engrenagens interiores nos levam sempre para a rotina. Algum tipo de rotina. Qualquer rotina, mas sempre várias.

Se você é casado ou tem companhia fixa está numa rotina que para alguns é bela e para muitos outros é cruel “enquanto durar”. Mas se a criatura sai de um relacionamento, até pode passar algum tempo à deriva ou no tiroteio, mas invariavelmente quer uma nova companhia e reestabelecer a rotina. Seria a necessidade de menores imprevistos? Conhece-se o bom e a bronca e assim é mais fácil de lidar? Que te parece?

Cr & Ag

Usamos o mesmo caminho para ir e voltar. Gostamos do ‘meu ou nosso’ restaurante. Idem do barzinho e nem se fala do Xis do Gordo. Toma-se a mesma marca de cerveja e “como é que alguém toma isso aí”. Temos um padrão para assar o churrasco. Ops, aí está a palavra-chave – padrão. Repito – padrão. Necessitamos estar num padrão e não no modo aleatório. Até ser aleatório, como trocar de homem ou de mulher todo mês ou final de semana exerce o poder de um padrão. Está eriçado/a? Vamos em frente.

A criatura fica fora do país e quando retorna sente que “quase morri com saudades do feijão com arroz”. Tem criatura que indo residir fora do Rio Grande aprende a tomar chimarrão, usar pilcha, puxar no sotaque, gostar de ser reconhecido como gaúcho e até fazer um curso de danças de fandango. É a coisa mais linda do mundo ver a criatura picotando uma chula. Oigale tchê! E “não se mixemo”!

Cr & Ag

Veja como até os animais não humanos tem um padrão ou estabelecem rotinas em suas existências. Minha gata Neve acampa à beira da minha cama todas as manhãs exigindo que eu fique um tempo passando o pé em seu lombo. E carinhosamente esfrega-se com o corpo e a cabeça. É um ritual gostoso para nós dois. Tendemos a repetir aquilo que gostamos e até repetir os mesmos erros. É o caminho do aprendizado? – Eu não sou uma máquina pra tá sempre repetindo… – tisnava a voz aquela amiga. Somos máquinas sim. As máquinas melhores (ou até piores para certos conceitos) evoluídas da natureza e é justamente o desenvolvimento de rotinas ou de padrões persistindo a necessidade de mudança que nos fez evoluir e sair do marasmo físico e espiritual.

Especialistas em repetições, hábeis em evoluir padrões ao sentirem esgotar-se aquela atividade tendem a buscar, a mirar e a criar novas rotinas e novos padrões aperfeiçoados pela tentativa, mesclando acertos e erros.

Outro amigo, uma mistura de místico e humorista, alega ser compatível com sua fibra de São Jorge – “matar dragões e tentar escapar do Lula, já que não pode se ‘mocozá’ em Paris ou na Flórida, vai salgar o lombo no Farol da Solidão e desentocar ratão tuco-tuco à paulada e procurar ninho de rinchão nas noites sem luar”. Esse é viamonense raiz, criado guacho no Passo das Éguas e bailando vanerão de pé trocado no Salão do Valdeci.

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2023.01.17 – A fuga da rotina – Eds Olimpio

Crônicas & Agudas

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Uma viagem ao litoral! 2023.01.10

Uma viagem ao litoral

– Especial de Verão: humor não tira férias

E

stava um amigo sonhando em voz alta: – Verão, sol, praia, tangas, mais tangas, cerveja gelada…! – eis que outro interrompeu e arrematou irônico e de primeira, tipo centroavante matador: – E garotões malhados! – acredito que o malhado deve ser no aspecto musculoso e não na aparência de dálmata. Como há gosto e desgosto para tudo, segue o baile, digo, a crônica. Há quem prefira a decrepitude da idosa Cidreira às praias de muvuca como Quintão ou ao charme e à riqueza dos condomínios de Capão e Xangri-lá. Talvez a soberba de Torres. Há contentamentos para todos. Mas para chegar ao destino turístico e tão ansiado há que vencer e sobreviver às estradas gaúchas.

Cr & Ag

Um gordinho de calça corsário e camiseta tricolor com a barriga teimando em fugir, suando às bicas, latinha de cerveja na mão e brabo como corno novo ou onça traída desacatou: – Agora que já mijaram, peidaram à vontade, podem embarcar. E tu aí velha (sogra) se vomitar de novo te deixo a pé na estrada. E sem cara feia, porque aqui quem paga tudo sou eu. – e embarcaram na viatura, um Monza Barcelona “turbo-interceptor” e adesivado com som pancadão de acordar defunto. O frentista do Ipiranga não sabia se ria ou chorava, mas diz ser “comum isso”. E convenhamos que gordinho tricolor de corsário com cerveja na mão e brabo tem que respeitar e deixar passar, pois ele vai ferrar alguém. Só é bronca e da pior!

Cr & Ag

Se há coisas que ninguém pode queixar-se é da falta de restaurantes nesta ERS 040. A galera abusa, tem criatura que encosta às 11,30 h e até às 15 h continua “mandando baixar mais um entrecot no capricho e outro pão com alho”. A tranqueira na estrada é irmã da indigestão e tem gente que no Capivari encosta a viatura no posto e manda passar “um jato d’água dentro – é que a sogra velha foi soltar um punzinho e desceu o barro. Um desarranjo mermão de juntar mosca varejeira!” Tem viagem arrastando umas quatro horas dentro do veículo. E essas criaturas com os braços pendurados para fora, não é para sentir brisa do mar coisa nenhuma, é o fedor do interior sem ar condicionado.

E tem os motoqueiros kamikazes. Passam numa velocidade de deixar o Rubinho Barrichelo de boca aberta babando. “Deitam o cabelo” na gíria da raça. Muitos deitam o cabelo, as costelas, a barriga, as pernas e outros deitam tanto que não levantam mais. E levam junto de contrapeso a caronista de sapatinho plataforma, bermudas, óculos escuros e bolsinha à tiracolo. Talvez elas sirvam para testemunhar para São Pedro que o namoradito é um “cara legal, mas meio destrambelhado da moranga”. Quando não tem ‘talco’ nas ventas ou ‘fumando’ de capacete aberto.

Cr & Ag

Crônicas & Agudas entrevistou um surfista que saiu de “PoA meu” num Chevette e chegou no Pinhal de Kombi e sem a prancha. Com os olhos lacrimejantes e vermelhos de tanta fumaça que não era da poluição da estrada, contou seu drama. Depois de uma centena de “pô cara, sacou meu, bah e baaaah, pega leve meu” descobrimos que ele não tem nem ideia da sua prancha. E nem da “gatinha com a mochila”. Há informações que a viram entrar na cabine dupla de um coroa com jeitão de pecuarista ou arrozeiro. Outros juram que viram a criatura surfando no Lago da Tarumã com um vereador de caiaque. Aguardamos confirmações ou desmentidos. (Colaboração do repórter eventual e sempre candidato eleitoral o famoso Arigó do Centro)

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2023.01.10 – Uma viagem ao litoral – Edson Olimpio Oliveira

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Papagaios de Gravata! – 2023.01.03

Papagaios de Gravata!

O “hábito faz o monge”, de largo uso na sabedoria popular, revela o respeito exarado pelas vestimentas e seus adornos. As profissões se notabilizaram e são reconhecidos os seus membros pelas suas indumentárias. Como o médico e seu jaleco branco, alguns com o estetoscópio pendurado ao pescoço, participa dessa imensa série. Tanto para o bem como para o mal – os “poderosos” magos negros com sua roupagem preta-morte. Houve um tempo em que a roupa branca era sinal de luto, mas a entronização do poder mortal ou do desenlace fatal refletiu-se no preto.

“E a gravata?” – Pois aí está outra nuance nesse espraiado universo. Diz outra curiosa expressão que “eu respeito homem de gravata”. A gravata sem os esbaforidos desenhos e cores lisérgicas, a gravata formal é, muito além de chique, status diferenciado e graus acima do vivente “normal”. Assim a gravata empresta ou doa doses de respeitabilidade e fulgor de responsabilidade. Como a mulher de César (o imperador romano) – “Não basta ser, tem que parecer”.

Cr & Ag!

A imprensa nacional, principalmente a televisiva, traz seus apresentadores de gravata numa tentativa, muitas vezes frustrada, de espelhar respeito e sabedoria – como os “especialistas e professores” dando as mais “abalizadas e definitivas” opiniões de um saber que absolutamente não têm.

O jornalista que ao mencionar o jogador de futebol brasileiro que conseguiu passaporte italiano para facilitar sua profissão na Europa – “Sua dupla personalidade abrirá portas…” Talvez de alguma clínica psiquiátrica ou de um hospício estrangeiro. “Dupla nacionalidade”, criatura!

Outro jornalista com pompa falando sobre a enfermidade grave do rei Pelé – “O rei luta para se recuperar de um câncer no colo do útero…”. Seria ofensivo ou grosseria se não exteriorizasse tanta ignorância. Esse é um dos incontáveis frutos podres gerados pelas ‘ruimversidades’ brasileiras, a continuação ou um dos tentáculos da escola de péssima qualidade que ausenta professores e semeia doutrinadores e está na rabeira das avaliações mundiais do ensino.

Crônicas & Agudas! – “Todo poder emana do povo!”

“Estado Democrático de Direito” – escuta-se essa expressão várias e contínuas vezes. Todo dia. Dia todo. Papagaios de gravata, sacodem suas plumagens e num gargarejo expelem esse supremo eco que legitima qualquer aberração contra o cidadão honesto e que não encontra guarida legal, além da interpretação pessoal da jurisprudência na Pasárgada. É como na estória do rei nu, despido, em que a plebe da ginástica de alongamento escrotal, faz e repete o seu “rei”. E andam pelados, mas com pompa. Raciocínio e educação escassa, entretanto há devoção e submissão com o ponteiro no vermelho do excesso no mostrador do relógio dos abusos.

Defender aquilo que não entende é comum. Defender aquilo que entende, mas que lhe trará vantagens e benefícios em que a ética se escafedeu? Como você julga isso? São “vítimas da sociedade e do rei da Pasárgada”? Identifique e aponte outros “papagaios de gravata” e seus poleiros.

Bom e venturoso 2023!

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2023.01.03 – Papagaios de Gravata – Edson Olimpio Oliveira

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Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira

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“Estou com a Chaira na mo, mas sumiu a minha Faca!”

“Estou com a Chaira na mão,

mas sumiu a minha Faca!”

Aqui no garrão cascudo e rachado do Brasil, a chaira é a companheira inseparável da faca. Quase como dente e gengiva ou corpo e alma. De que adianta uma faca cega além de dar pontaços na ausência da adaga, ou para palitar os dentes e coçar o lombo, ainda para tirar o ‘pretume’ sob as unhas? Como desossar uma costela gorda sem uma faca afiada como língua de sogra, pois vá que no desafio a dentadura caia e a cachorrada pegue? É justamente nesse pampa chucro que entra a chaira. Não entra de corpo mole. Está ali, impávida e altaneira, sabe da sua importância e não se escamoteia nos votos. Num namoro consentido, começa o esfrega e esfrega. No balanço da mão, na destreza do gaúcho, na habilidade do campeiro ou na sutilidade do citadino, a faca e a chaira trocam afagos. Beijos de aço e lambidas apertadas, respingando alguma limalha.

Logo, logo a lâmina desfaz seus topetes, apruma sua vocação e num relampear afia e confia seu destino. Cada criatura com seu fado. De carne e sangue ou de aço, cada ser com sua destinação, propósito e meta.

Crônicas & Agudas!

Esse amigo, médico e aqui cronista tem exercitado com cada um de vocês as metáforas e/ou alegorias na sinfonia matreira de Crônicas & Agudas. Nada disso que o cronista e escritor faz teria finalidade diferente da leitura, apreciação e entendimento na sua alma e bússola moral. Leitor! Leitor é a derradeira e inarredável missão do escritor. A chaira e a faca? Pode ser?

Facas e chairas. Chairas e facas! A vida nos aborda num cumprimento do tipo “Pode entrar que o rancho não tem porteira e nem cancela, o cusco é manso e o mate tá na mão”. Outras vezes, a vida nos atropela e ansiamos por um SAMU ou um Pronto Socorro físico e espiritual que nos ampare, acalente, trate e alivie nossos temores, apreensões e dores. Num tempo somos a chaira. Noutro, somos a faca! Há quem nada seja.

Cr & Ag!

O 2023 está logo ali depois do alambrado do dia 31 de dezembro ou do ‘réveillon’. Esse ano que se arrasta nas lágrimas, no sangue dos justos e na suprema supuração e infecciosa ditadura, também se espraia no riso sardônico de outros. É da vida, mas não deveria ser assim.

Prepare-se! Tens uma chaira? Estás afiado ou cego como eleitor da Pasárgada? Comece pela sua saúde, sem ela somos ‘nada’. Afiar-se nos amores que a vida nos oferta, aqui entra a base da sociedade humana – a Família (com F maiúsculo). Nenhum desafio pode nos cegar quando temos uma família para amar e respeitar. Nos afiamos mutuamente, desde uma refeição longe de celulares, entrelaçando-se nos abraços cingidos no coração e nos beijos que aspiramos o frescor do espírito que amamos.

A faca ou a chaira que acredita que o problema é com os outros, vai enferrujar e se tornar inútil para si mesma. Sem dar-lhe o fio, o gume novamente, terá que renascer sob o ácido e o fogo. O estudo é a chaira que nos afia para sermos mais cultos, mas não é a que, necessariamente, nos dá o norte da ética, da moral e de Cristo. Aqui está o pai, a mãe, a família estruturada e sadia. Quando a família adoece, a sociedade infecciona-se e o resultado está sendo colhido.

Um venturoso Ano de 2023!

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2022.12.27 – Estou com a Chaira na mão, mas sumiu a minha Faca – Edson Olimpio Oliveira

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Renascer & “Remorrer”!

Caras Amigas e Amigos!

Que os sinos de Natal tenham batido em dueto sinfônico e harmônico com seu coração!

Recebam a penúltima Crônicas & Agudas de 2022. Logo receberão a crônica dessa semana, a derradeira mensagem desse ano.

Renascer & “Remorrer”!

O tempo real é contínuo e inexorável em seu andar, levando e arrastando consigo tudo que a nós sentimos pertencer ou aquilo que ansiamos e devotamos nossos esforços. A humanidade criou o tempo medido. Quanto dura uma vida? Quantificamos o tempo numa estratégia de podermos continuar nossos planos, nossas aspirações e criamos alvos para executar nossas vidas. O dia seguinte que se acompanha do próximo mês e mira para um novo ano permite que nós recriemos nossas trajetórias. Assim é o rio da nossa existência. A água jamais toca a mesma margem e desvia das mesmas pedras, ou cai das mesmas cachoeiras, ou é encurralada por uma represa no mesmo tempo. Somos como a nova água? Somos diferentes a cada tempo?

Cr & Ag!

Esse planeta tão belo nos é dado somente com o amor do Pai e que nos inspira a cuidá-lo e protegê-lo, mas que se renova a cada tempo e persistimos nos incontáveis erros do aprendizado. Como na singela e necessária escola, o aprendizado encaixota-se em frações do tempo pessoal e da humanidade. Atribuir a humanidade individual e coletiva a repetição dos mesmos erros e desvios de acertos, não se justifica e não tem amparo na realidade que nos envolve e, eventualmente, nos atropela.

‘Renascer’ é o princípio da existência. Voltar à vida. Corrigir-se e reabilitar-se. Recuperar forças e energias, renovar-se para novas batalhas e novos direcionamentos. Surgir novamente ou desabrochar outra vez seja no amor entre pessoas, seja perpetuar-se nos filhos e descendentes ou em suas obras e feitos. É continuar existindo e reproduzindo o seu melhor (ou o pior!). Rejuvenescemos, remoçamos, recuperamos energia e vida. O novo ano de um novo tempo nos permite renascer! Sim ou não?

Cr & Ag!

Entretanto, qualquer bipolaridade – preto e branco, positivo e negativo, dia e noite, inverno e verão, bom e mau, macho e fêmea, entre outros – não contempla o vocábulo ‘remorrer’. Não em nosso idioma. Criamos antônimos ou contrários para dentro e para fora, para o passado e para o futuro, para ir e para voltar, amar e odiar, na luz e na escuridão. Se bem me recordo das aulas de português com o professor Edison de Oliveira, o exercício da antonímia não acontece, nem flerta com ‘remorrer’ – morrer novamente. Coisas da língua pátria, armadilhas do nosso idioma? Ou a vida não permite o retrocesso sem muita dor e sofrimento.

Contrário a certas crenças espiritualistas, não evoluímos continuamente em velocidades diferentes. Creio que por nossa opção, retrocedemos. Retroceder, atolar-se nos mesmos erros e descaminhos passados é de nossa responsabilidade. Infelizmente, como no afogado, puxamos outros para o sepulcro profundo das águas turvas. *‘Remorrer’*?

A bela imagem, sensível alegoria de um Noel que nos presenteia a todo final de ano e nos ilumina para um novo e melhor tempo, adornada por uma ceia e uma árvore iluminada também mostra um saco que imaginamos, mas desconhecemos o seu real conteúdo do nosso merecimento.

São algumas reflexões desse veterano médico e cronista, sempre lhes agradecendo a companhia nesse espaço de Crônicas & Agudas e enviando votos de Feliz e abençoado Natal e um Novo Ano com Saúde e as melhores e mais luminosas Realizações. Abraços!

2022.12.20 – Renascer & Remorrer – Edson Olimpio Oliveira

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Agradecimento de Natal!

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Natal!

Amigas e Amigos!

Tem sido um privilégio estar com cada um de vocês durante mais ano. 2023 está logo já de porteira aberta. Vamos lá!

Feliz Natal e um venturoso Novo Ano

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Natal

Que essas imagens reavivem a Luz do Amor de Cristo em nossos corações e nas nossas Famílias!

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O Rei de Pasárgada!

O Rei de Pasárgada!

Num poema de 1930, Manuel Bandeira eternizou Pasárgada para os brasileiros. Originalmente é uma cidade histórica da antiga Pérsia. Lá pelos nebulosos anos de 1812, na Alemanha, os irmãos Grimm publicaram uma coletânea de contos ou fábulas para crianças. Se você nunca os leu, recupere seu tempo. Leia para suas crianças e você. São textos diferentes, o de Bandeira não é para as nossas crianças. Seriam para as “novas crianças” que ousam implantar no Brasil?

O medo educativo, corretivo de trajetórias, aguçando visões e descobrindo a luz nas sombras da vida. Nas religiões, o medo está embalado nas punições mais ou menos diabólicas. Com os olhinhos arregalados e sem piscar acercam-se dos pais, tias, ou avós para escutar e imaginam um mundo em que o lobo mau é real e, como na vida, não deixa de ser mau apesar de mudar a oratória ou a roupagem. Uma rainha maligna que disputa uma corrente de artimanhas maléficas com a madrasta. Personagens que necessitam ser interpretados como numa sessão terapêutica no lar, uma análise importante que favorece e estimula a personalidade a ser autêntica e com menos possibilidade de ser dominada. Outros: bicho-papão, homem do saco, bruxas e duendes, lobisomem, Fredy Kruger, criaturas de capas pretas, etc.

Crônicas & Agudas!

A literatura explora outras vertentes em que o mal é mau, se me entende. Nesse cartel, vieram Drácula, Frankenstein, Coringa, Loki, zumbis e outros que você vai recordar. Entretanto, o mal somente viceja, evolui. Em confronto com o bem, que são os heróis que também são cultuados e salvadores. A luta é permanente e sem trincheiras. Enquanto o mal não tem nenhum prurido, não se submete a nenhum código moral ou ético, rasga qualquer norma, não existe fímbria de dignidade, o bem insiste em lutar dentro das regras, dentro das quatro linhas, sem transgredir.

“Vou-me embora pra Pasárgada! Lá sou amigo do rei.”

Essa cidade utópica, fantástica de Manuel Bandeira revela que tudo é possível para o “amigo do rei” – “tem alcaloide à vontade | tem prostitutas bonitas | terei a mulher que eu quero, na cama que escolherei |Lá sou amigo do rei”. Drogas. Devassidão. Nenhum respeito à mulher. Escolhas e ações imorais.

Crônicas & Agudas!

Numa Pasárgada nunca açoitada por furacões, jamais erupcionada por vulcões ou agredida por terremotos e tsunamis, há um “rei” que tudo pode e tudo faz. Sem nenhum viés ético ou resguardo das leis, da legalidade. Esse conto é real? Essa terra realmente existe? Ou estamos num transe, num looping maligno, um pesadelo que não conseguimos despertar? E todas as entidades que produzem medo e assombraram a humanidade se reuniram e tem uma cabeça executora? Iludidos acreditam que aquilo que é bom para alguns agora, será no futuro. Infeliz crença. O mal sempre será o mal, pela vontade do rei, pelo desejo de mais sangue do vampiro que suga as esperanças. O mal de capa preta revela as sombras e a escuridão onde vive, age, se vangloria e se nutre do medo e das desgraças.

Os vitoriosos de hoje são cavalos de batalha úteis para sua faina maligna. Ele se sente e agora é maior que todos os seus acólitos, príncipes e reizinhos. Jamais se permitirá uma coleira moral, ética, ao contrário, quem se insubordinar ou não satisfizer seus sombrios desejos conhecerá o garrote da caneta-punhal. Se “o poder corrompe”, o poder absoluto corrompe completamente. Nunca haverá dois rei ou dois imperadores na mesma Pasárgada. O máximo que será a criatura, que hoje se sente privilegiada e imbatível, é se conformar em liberar mais sangue ao vampiro e bater palmas ao rei real. Não há tribo com dois caciques. Sim ou não? Enfim, felizmente isso é na Pasárgada!

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2022.12.13 – O Rei de Pasárgada – Edson Olimpio Oliveira

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