A Essência da Serpente! 2023.03.20

A Essência da Serpente!

A Bíblia eternizou o mal sob a forma e ação da serpente no Jardin do Éden. Sorrateira. Dissimulada. Insidiosa. Maligna. E quantos outros adjetivos depreciativos e reais tem essa cobra, que a falta de membros lhe rendeu outros atributos onde a mente sinistra sobrepuja qualquer corpo sadio. Quando o alvo não for dominado pela mente, o veneno fará a aniquilação daquele que seria um acólito, agora uma vítima.

Reza a lenda que ainda, por algum tempo, os animais perduraram com a habilidade da voz e da comunicação entre eles e com os antigos hóspedes do Paraíso. Assim como na queda da Torre de Babel, onde os humanos buscavam subir e ascender ao céu, ao reino celestial e suas benesses, os animais tiveram a sua Babel e logo um oinc-oinc, bééé-bééé, miau-miau-miau, talvez um graur-graur e assim por diante numa onomatopeia alucinante, tão bela, quanto assustadora. Adão e Eva pegaram seus caminhos acompanhados por cães amigos e gatos no lombo de cavalos.

Cr & Ag!

“Vamos eleger o chefe aqui, manos”! Sibilou a serpente. Falando chiado com a língua partida. O macaco gostou da ideia e engatou uma campanha para a serpente e para o leão. O leão silencioso e pouco afeito a esses debates e atalhos de personalidade, bebia água com certa tranquilidade na fonte. O sapateio de patas em furor, embarreava água. A galinha continuava imperturbável na sua tarefa de comer insetos e catar milhos – “Isso não é meu problema!” A águia olhava do alto aquilo e achava que “Não vale a pena, eu resolvo as minhas broncas”!

A erudita coruja foi cooptada pela serpente e logo distribuía panfletos habilmente escritos. A girafa nem precisava esticar o pescoço para ver o pega, que logo virou um pega-pra-capar. Abutres e urubus-reis com suas penas pretas e distinta pompa fizeram um alto rochedo de sua tribuna e tinham a certeza de que seu banquete seria magnífico, desde que o leão não vencesse a disputa.

Cr & Ag!

“Ou está comigo ou está contra nós!” – dizia a serpente. Um veadinho saltitante sacudia uma bandeirinha da cobra. “Sempre amei e levei a cobra!” – bramava serelepe. A turma do leão estava vendo a coisa preta como as penas dos urubus que tomando vinho 10 anos e caviar, lagosta, jogavam no precipício ou em jaulas fétidas os potenciais adversários – “Essa é a lei do paraíso – croac-croac e cuá-cuá, grasnando, crocitando

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As hordas de macacos atacaram um burro que comia seu pasto e suspirava. “Inhóóó-inhóóó – sou burro somente no nome, mas não me junto com venenosos. As serpentes já mataram e aleijaram meus parentes e amigos, quero distância do seu veneno”!

E veio o dia da eleição. “Aqui nos buracos das árvores, depositem seus votos, o senhor macaco fará a contagem dos votos e o crocodilo a segurança das urnas. E está decidido”! O leão e seus apoiadores sabiam do resultado que seria anunciado com muita pompa e ostentação, atraindo mais serpentes e acólitos de todos os lugares.

A serpente, logo coroada, sentou-se no trono de ouro e diamantes jogando ao lixo o humilde banco do leão. Seu veneno espraiava-se, vezes sutil, vezes em ondas avassaladoras. A Miséria e a Morte dançavam de mãos dadas sob o olhar guloso dos abutres e urubus.

– “E como termina isso? – gritou a pomba quase depenada. Do alto veio uma voz: “Por ação ou omissão, vocês escolheram o que plantaram e agora aguentem o que irão colher. Uma vez serpente, sempre será uma víbora”!

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2023.03.20 – A Essência da Serpente – Edson Olimpio

Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

www.edsonolimpio.com.br

Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira

Médico. Cirurgião. Escritor

CREMERS 07720

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Médico Cirurgião Jubilado

Sociedade de Cirurgia Geral do Rio Grande do Sul – SOCIGERS

Conselho Regional de Medicina RGS – CREMERS

Associação Médica do RGS – AMRIGS

Associação Médica Brasileira – AMB

Viamão – RS

1971 a 2022 – 51 Anos de Medicina

http://www.edsonolimpio.com.br

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“Tristeza no tem fim. Felicidade, sim!” Edson Olimpio Oliveira. 2023.03.14

“Tristeza não tem fim |

Felicidade sim!”

Num passado remoto, mas inesquecível, engatilhamos um jogo de futebol de campo com um time da tradicional Escola Canadá, no Passo do Vigário. A gurizada reuniu-se e os melhores aqui do Centro e do Mendanha se organizaram e com ‘camisetas novas’. Montou-se um time ‘matador’. A turma do Canadá era muito boa de bola, mas enfrentaria uma seleção. Eu estava para a reserva do reserva na posição que surgisse. Na dúvida me escalaram de assessor médico para assuntos traumáticos. Beleza! Embrião plantado da Medicina.

| “Tristeza não tem fim | Felicidade sim | A felicidade é como a gota | De orvalho numa pétala de flor | Brilha tranquila | Depois de leve oscila | E cai como uma lágrima de amor! … |” – A felicidade de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

O goleiro deveria ser o fantástico Azulzinho do Mendanha, depois do 7 Facadas (famoso bar, restaurante e cassino). O Bahiano, filho do chefe do Correio, abriu com dois golos. Mais um contra – deles. Ao final do primeiro tempo estava 5 a zero. O gigante Zecão, goleador na cancha do Matadouro dos Pintos, cabeceava e fazia. Aí aconteceu o imprevisto, mas previsto. O juiz começou a marcar faltas contra nós e arranjou uns pênaltis. E vieram as expulsões do nosso time. O homem do apito resolveu ‘equilibrar a disputa’.

A gurizada do Centro se intimidou com as ameaças, até de castração! Pois é, um dos nossos levou um chute de peito de pé no lugar mais melindroso do homem e saiu com ameaça de desmaio e quase engoliu a língua. O pau cantava e assoviava contra nós. O grande cara Cálcio Bode, de olhos mais arregalados que farol de patrola, conversava com o Zecão e organizava a peleia quando o apitador terminasse o jogo. Podíamos perder o jogo, mas apanhar sem dar… Nunca!

| “A felicidade do pobre parece| A grande ilusão do carnaval | A gente trabalha o ano inteiro | Por um momento de sonho | Pra fazer a fantasia | De rei ou de pirata ou jardineira | E tudo se acabar na quarta-feira…|”

A gurizada do Centro se organizou com a ideia de que o futebol se ganha no campo, dentro das quatro linhas. Esqueceu que se perde no campo também. Esquecemos que o problema, que o fiel da balança nem sempre passa pelo goleiro, pelo zagueiro, por um bom meio de campo, ou atacantes goleadores. O destino do jogo está no apito, ou melhor, está no cara que apita e na sua cabeça que virou o jogo contra nós. Voltamos do Canadá com um gosto de sangue na boca. O odor de safadeza como uma névoa pestilenta baixou naquele campo e selou o resultado da um simples jogo entre guris. Uma partida de futebol que valia somente a participação, a disputa, nenhuma medalha ou posse, nada além de um simples escore que não mudaria nada a vida de ninguém, além de algum brio driblado.

| “Tristeza não tem fim | Felicidade sim | A felicidade é como a pluma | Que o vento vai levando pelo ar | Voa tão leve | Mas tem uma vida breve | Precisa que haja vento sem parar | … | Tristeza não tem fim! |

A vida é como um carrossel. Os cavalinhos estão ali, parecem que estão correndo, mas não têm seu próprio movimento e liberdade de escolher seu caminho e destino. Um motor e engrenagens decidem se anda ou se para pela vontade de quem manda. Uma representação para satisfazer ou iludir crianças. Uma fantasia ao som de música com início, meio e fim já determinados por quem manobra o motor e as engrenagens. Há quem se permita viver dessa ilusão – ser cavalinho de carrossel. A realidade sempre é dolorida. O entendimento e a verdade exigem sacrifícios e humildade.

Antoine Laurent Lavoisier, emérito cientista francês, Pai da Química moderna, nascido em 1743 e guilhotinado (1794) há cerca de 228 anos deixou esse fundamental ensinamento: “Na natureza nada se cria, tudo se transforma!” Dos guris daquela época, do juiz daquela partida de futebol aos dias de hoje, o que mudou nesse mundão tão belo e sinistro? Pergunte-se!

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2023.03.14 – Tristeza não tem fim, Felicidade sim! – Eds Olimpio

Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

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Dra MARIA FERREIRA * MULHERES NA MEDICINA

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