O Arigó e as Guampas – A Batalha da Faxina!

O Arigó e as Guampas – a batalha da Faxina!

Eis que o mui famoso Arigó da Faxina gritava e esperneava agarrado pela bombacha pelo Pedrão, seguro pela trança pelo Daniel e gravateado pelo Danilo: – Só conto pro Edinho do Cabeleira e pra nenhum outro jornalista. E contou-me essa epopeia ou causo viamonense.

“Se tem coisa igual ou muito semelhante entre o rico e o pobre é a hora da partilha. O defunto pode ter só a roupa do corpo e uma escova de dentes que logo aparecerão herdeiros e as cerdas da velha escova serão disputadas no pau. Se a criatura que juntou os pés e que saiu desta para uma melhor tiver algo mais e nem precisa ser um abonado, depois dos impostos e taxas malditas do governo e do Brasil cartorial, aquilo que sobrar será motivo para feroz batalha nos campos de lares que deixaram de prantear o defunto.

Sempre alguns são mais merecedores do que outros. Alguns lembram da hierarquia familiar onde velhice é grau para mais ou para menos. Te conto o causo do conterrâneo que deixou uma chaleira de ferro, uma cuia com porongo trincado, uma bomba meio entupida e sem as relíquias das pedrinhas e duas guampas, uma para a cachaça e a outra para guardar a erva. Após vários bate-bocas depois do bate botas, o finado ainda nem esfriara sob os sete palmos arenosos da Faxina, chegaram as vias do fato. Não confundir com as veias do feto ou as vias do rato.

De nada adiantou a turma do sossega leão, larga nas mãos de Deus, o que é dele tá guardado e o ferro branco zunia e assoviava mais que discurso de gago bitata. Com os tiros de tresoitão e berros de garrucha até a brigada a pegou o rumo do mato, pois de valente e burro o cemitério está cheio. Para encurtar a lembrança da peleia que começou pela manhã e varou à tarde quase abocanhando uma fatia da noite, três mortos, oito carneados vivos, morreu o burro do delegado com um balaço nas orelhas, uma chinoca perdeu a cria na correria e o resto se juntou para comer um charque com aipim, tirar uma soneca nos pelegos e se preparar para a próxima.

Coisa feia. – A coisa fedeu! – dizia a velha Lautéria. Completando: – só vi coisa feia assim na revolução de 23, carnificina de irmão contra irmão. Mataram até os cachorros que acuavam. Teve valente que encheu a bombacha de bosta. E mole! Um caldinho descendo perna abaixo e encheu as botas.

Se é verdade verdadeira eu nunca tive certeza, mas mentira mentirosa certamente não é. Contam que está nos livros do Fórum. Pois falando nisso, os sobreviventes reuniram-se com o doutor juiz de Direito para controlar esse monte de tortos. Até as mulheres tiverem que ser contidas e colocadas buchas de carpins (meias) nas bocas para pararem de tanto falar.

E a herança? – impacientou-se o doutor ‘devogado’, que se safou de ser degolado.

E o doutor juiz trepado naquele tablado desenrolou um pala rasgado na sua mesa e mostrou as guampas e berrou: – Só sobraram as guampas! E agora vamos ver quem fica com as guampas ou quem vai levar as guampas.

Um silêncio de incomodar defunto caiu na sala, foi quando o doutor delegado que é contraparente do tal Zé Boludo, parentesco emprestado pois tinha assinado de testemunha no seu casório com uma guria, sua filha de criação, berrou indignado: – Se o doutor juiz entende de guampas pois que fique com elas para seu prazer e deleite. Vai ficar de bom tamanho… e começou a peleia novamente, agora com o juiz e o delegado puxando das ferramentas.”

Lembramos esse passado heroico da região ao associar a qual o fator que nos torna iguais como seres humanos. Certamente não são nossos sentimentos tão peculiares, digamos assim, com os momentos. Nem ser o animal que chora por sofrimento ou alegria. Nem pela ideologia que aparta e escraviza ou pelo arco-íris das nossas peles com ou sem decoração ou cotas. Seria pela espiritualidade sem uma “fórmula de Bhaskara” que a confronte ou pelas sombras do ateísmo? Seria então pelo nosso genoma bem ou mal mapeado? Adão e Eva ou o darwinismo?

Outra batalha? A Fecundação – cerca de 100 milhões de machos (mais de duas Argentinas ou meio Brasil) disputam uma única fêmea. E dois gametas (masculino e feminino) começam essa tão maravilhosa quanto fantástica obra ímpar na natureza que em nove meses apenas geram uma Gisele, um Pelé ou… Sem empreiteiras, sem atravessadores, sem licitações ou caixa dois. Nem mensalão ou petrolão.

E ainda brigamos e nos matamos pelo poder e pelo materialismo de quantas guampas!”

2022.09.06 – O Arigó e as Guampas. A Batalha da Faxina! Edson Olimpio Oliveira

Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

www.edsonolimpio.com.br

Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira

Médico. Cirurgião. Escritor

CREMERS 07720

. * .

Médico Cirurgião Jubilado

Sociedade de Cirurgia Geral do Rio Grande do Sul – SOCIGERS

Conselho Regional de Medicina RGS – CREMERS

Associação Médica do RGS – AMRIGS

Associação Médica Brasileira – AMB

Viamão – RS

1971 a 2022 – 51 Anos de Medicina

http://www.edsonolimpio.com.br

Autor dos livros:

Crônicas & Agudas

Crônicas & PontiAgudas

Trinity! A Saga continua.

30 Anos de Jornalismo

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A Ferida que não cicatriza. A Dor que não passa!

A Ferida que não cicatriza.

A Dor que não passa!

Há coisas que não se medem e nem se aquilatam pelo galope das horas ou pela métrica de jardas, metros ou côvados. Somente quem sente e vive naquela situação, talvez aprisionado num casulo ou enjaulado numa experiência sofrida na sua jornada de vida, pode dimensionar o seu problema, verter as lágrimas de seu tormento e sentir do coração à alma seu estilhaçamento. Para muitas pessoas o bálsamo da comparação não surte o efeito desejado por quem o estimula. Seja o médico ou algum familiar, amigo ou até um estranho solidário – “poderia ser muito pior”, “tem gente que está pior do que tu”, “veja quantas coisas boas tu tens”, entre outras afirmações. Ou seriam suposições de caráter e sentido a estimular, tirar o manto sombrio que cobre a criatura, um analgésico para sua dor, um carinho confortador para seu sofrimento.

Cr & Ag!

A perda do mais amado companheiro de jornada sempre será precoce, mesmo naquele amor conjugado por seus corações em décadas. A morte é a mais radical e absoluta separação e geralmente exala a precocidade. “Não estava na hora de partir!” Se isso se situa e aplica-se num idoso, sinta a gravidade dolorosa num jovem ou numa criança. Na caminhada de vida espera-se que os filhos sepultem os pais e avós, os mais idosos. Quando a morte ceifa um filho, a alma se dilacera, o coração se rasga, tudo se aperta ou explode nas mais intensas dores. Observe que até nas pessoas mais espiritualizadas e evoluídas essa situação brutal é lancinante.

Cr & Ag!

As sequelas se somam, se multiplicam pelos danos no corpo da pessoa e, principalmente, na alma. Não há remédios ou tratamentos universais, que se aplicam e resolvem as diversas situações. Cada pessoa traz e é um universo a ser explorado com amor, sabedoria e cautela. Nesses tempos de “médicos virtuais” ou destituídos da essência básica de sua missão, caminhamos num lodaçal de drogas e muitos drogados. Nada, nada mesmo substitui o contato físico e de todos os sentidos entre pessoas “humanas”. Jamais o amigo vindo do éter, da internet, virtual, substituirá a mão que toca e acaricia, o abraço, a voz que aquieta e conforta enquanto os olhos se encontram. Esse tempo nunca será alternado ou substituído se calcado e construído com amor e responsabilidade. Também não se mede pelo que se compra ou se paga na “vil moeda”.

Cr & Ag!

Na nossa singela contagem de tempo, mais de 2 mil anos nos separam da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Um humilde artista brasileiro abriu seu coração e venceu as dores e as dificuldades cruéis de seu corpo e talhou a sua monumental arte. Aleijadinho nos traz ou nos leva para aqueles momentos. Creio que a maioria de nós verterá lágrimas ao entrar de coração e mente naquele tempo. Nossos olhos seriam os portais de nossa alma? Ou as vitrines do coração?

Cr & Ag!

O entendimento ou a iluminação, como aceitem, associado ao tempo pode ou talvez nos ajude num acalanto que acompanhe a batucada do coração. Ao nos confrontarmos com o espelho, as cicatrizes estão ali. Algumas mais, outras menos dolorosas. Todas cicatrizes. Algumas drenam purgações dolorosas de tempos em tempos. Temos, necessitamos conviver e tocar, seguir a vida por mais dolorosa que seja, tanto em respeito e amor àqueles que partiram antes de nós como para as sequelas do corpo. Imperfeitos, muito imperfeitos que somos, precisamos, necessitamos e por amor ansiamos homenagear quem amamos, à vida e a quem sofreu para podermos evoluir e tornar a Terra um lugar de mais amor e melhor à Vida! Como você vive e convive com as suas dores?

2022.08.30 – A Ferida que não cicatriza. A Dor que não passa – Edson Olimpio

Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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