Sem medida – Lúcia Barcelos – 23 Novembro 2014

 

Sem medida

 

Existem palavras que possam lhe falar,

Dos segundos todos, dos mil momentos em que fiz

Minha alma se mostrar tanto, e tão feliz?

Nunca tive a sensação de ermo ou deserto,

Sentindo a sutileza do seu coração tão perto

Do meu, preso no peito, cativo de encantamento…

Hoje, essa saudade não consome o pensamento,

A torrente de sonhos, os mil segredos…

Tento alcançar a luz que nos seus olhos via.

Tento imitar um gesto seu, tão amoroso e delicado,

Que fazia a luz parecer mais clara aos nossos dias.

Aqui, os jardins estão saudosos,

A flor mais bela repousa escondida.

Amores perfeitos são regados com águas celestiais,

As nuvens me tomam as mágoas colossais

E as derramam num verso sem medida!

 

Lúcia Barcelos

Auguste de Saint-Hilaire II – Vitor Ortiz e colaboradores Eliani Vieira e Xico

AUGUSTE DE SAINT-HILAIRE II

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O francês conhece os rigores

do Minuano na chegada a Viamão

Depois de percorrer o litoral entre Torres e Tramandaí, onde pernoitou, o viajante chega a Lagoa dos Barros, entre Osório e Santo Antônio da Patrulha, sem identificar exatamente em qual estância pernoita. Ele escreve sobre os butiazeiros, as pastagens, as pessoas e se deslumbra com a “bela vista”.

Ao deixar Tramandaí no dia 13 de junho de 1820, o botânico francês Auguste Saint-Hilaire estava impressionado com os rigores do vento minuano, que já era assim denominado à época, uma referência à tribo indígena predominante no Uruguai e sul do Rio Grande do Sul: “ontem à tarde o vento diminuiu por alguns instantes, tendo recomeçado com grande intensidade para durar toda a noite, e todo o dia, acompanhado de frio excessivo”. Ele vinha descendo pelo litoral desde o dia 5, quando atravessou o Mampituba e chegou a Torres, depois a Tramandaí.

Saint-Hilaire descreve a paisagem que encontra ao adentrar em direção a Viamão: “nos deparamos com uma planície muito uniforme e coberta de uma relva rasa, onde pastavam muitos bovinos. Ali notavam-se também alguns grupos de árvores raquíticas, esparsos”. Por certo ele estava se referindo à região entre o litoral, Osório e o rio Capivari, embora ele não chegue a referir esse rio, o que dá a entender que teria percorrido um caminho mais próximo da Serra do Mar. “O lago e a serra, que avistamos de longe, quebram um pouco a monotonia,” anotou (p.36), complementando: “pouco a pouco os grupos de matos tornam-se mais numerosos e a erva mais espessa”.

Ele registra em seu diário que tais campos, e os que vem atravessando “desde Torres, têm o nome de Campos de Viamão, devido à proximidade da paróquia de mesmo nome" (p.38). Nessa época, em geral, ainda era comum chamarem de Campos de Viamão toda essa região leste do Rio Grande, incluindo Porto Alegre, Gravataí e inclusive o Vale dos Sinos, até Triunfo e a divisa com Rio Pardo. A denominação é a mais antiga para toda a área Norte da Lagoa dos Patos. Para que se possa ter uma idéia, os lagunenses que vieram na tropa de João de Magalhães chegaram a essa região em 1725, quase cem anos antes dessa passagem do botânico.

No dia 15 de junho, o francês se aproxima dos limites atuais do território de Viamão, mas ainda está numa estância que não denomina em seu relato. Saint-Hilaire apenas descreve o que encontra: “uma casinha mal construída, de pau a pique e barro, mas coberta de telhas. Ao redor viam-se várias carroças; aos lados, laranjeiras, currais e algumas casas de negros”. Ali passou a noite. No dia seguinte (16 de junho), ele já está noutra estância, que pelo título do capítulo anotado por Saint-Hilaire, deduzimos chamar-se “Pitangueiras”. Ele anota que, ao conversar com seu hospedeiro, esse explica que a cultura dominante nas cercanias é a mandioca e que a terra é lavrada a arado e semeada a mão.

Depois de ensinar alguns homens que encontrou nesta estância a jogar dominó, ele os descreve: “eram todos brancos e tinham mais ou menos a aparência e os modos dos nossos (franceses) burgueses do campo. Todos traziam calça de algodão ou de lã, botas, esporas de prata, uma jaqueta também de lã e por cima um poncho" (p.38).

Ele registra seu deslumbramento com a paisagem que avista desse ponto:

– Nada é tão belo como os campos hoje percorridos. Os de Curitiba são ondulados e os grupos de araucárias que se vêem nos fundos tornam a paisagem um pouco austera. Aqui o terreno é mais uniforme (…) com pastagens a perder de vista. Todavia nada há de monótono no aspecto desse campo, animado que é por uma multidão de animais de criação, eqüinos e bovinos. Descreve ele, acrescentando que na volta estão moitas de matos e que, de tempos em tempos, no percurso, se notam trechos do lago que os persegue desde de Itapeva. Ele imagina que as muitas lagoas da costa são uma só. Depois foi descobrir que esta última que avistava era a Lagoa dos Barros.

BUTIÁS

Deixando para trás o que agora chama de “Fazenda do Arroio”, o francês registra uma travessia por um “campo semeado de butiás, onde o terreno mostra uma mistura de areia e humus quase preto”. Ele constata que a presença dos butiás coincide com a de outras plantas: “…a Rosácea, a Labíada e a Verbenácea”, por exemplo, não encontradas onde não há butiazeiros. “Onde deixei de encontrar butiás, a terra apresentou-se menos silicosa e os pastos eram principalmente de gramíneas, dispostas em tufos espessos.” Na forma do famoso cocuruto que traí os goleiros nos campos da várzea.

CONTEXTO DA ÉPOCA

Em 1820, Dom João VI ainda está no Rio de Janeiro, cidade declarada por ele como sede do novo Reino de Portugal, Brasil e Algarves, mas estoura em Portugal a Revolução do Porto, que exige o seu retorno. As cortes, uma assembléia do reino que há 120 anos não era convocada, foi chamada para deliberar sobre uma nova constituição. Na prática, a nobreza e as elites portuguesas estavam conspirando para levar de volta a Portugal o centro do reinado, trazido para o Rio de Janeiro com a fuga da família real em 1808. Ao mesmo tempo, “com quase meio século de atraso, Brasil e Portugal eram finalmente capturados pelos ventos soprados nos Estados Unidos (com a independência), em 1776, e na França (com a Revolução Francesa) em 1789,” conforme classifica Laurentino Gomes no livro 1822 – Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil – um país que tinha tudo para dar errado (p. 86). Ventos estes que colocaram os reis do mundo ocidental em xeque, e alguns em xeque-mate.

DEPOIS DA FUGA, A RECONCILIAÇÃO COM A FRANÇA

Neste ano em que Saint-Hilaire está no Brasil, a França está sob o regime de uma monarquia constitucional, com o trono restaurado a Luís XVI depois da derrota de Napoleão. Dom João, que havia deixado Portugal justamente fugindo de Bonaparte, agora tem muito interesse em melhorar e renovar sua relação com Paris. Essa é uma das razões de ter dado permissão a viagem expedicionária do botânico que nesse momento cruza os Campos de Viamão.

Notas:

*Fonte: SAINT-HILAIRE, Auguste de, Viagem ao Rio Grande do Sul (1820-1821). Companhia Editora Nacional. Tradução do original (1839) de Leonam de Azeredo Pena. São Paulo, 1939 (2a. edição). Consulta em Brasiliana Eletrônica (www.brasiliana.com.br).

*Apoio na pesquisa: Eliani Vieira

*Ilustração: Xico

Viamão – Histórias de sua História – Vitor Ortiz e colaboradores: Eliani Vieira e Xico.

Caríssimo Dr. Edson,

Segue o primeiro artigo que, já revisado para outras publicações. Disponibilizo para o seu blog.

Se julgares melhor ir publicando aos poucos, vou enviando os demais à medida em que conseguir revisá-los. Talvez na freqüência de um por semana (não sei se isso é bom pra vc).

Este primeiro revisei agorinha mesmo pra te enviar.

Por favor de os créditos para

PESQUISA: Eliani Vieira e ILUSTRAÇÕES: Xico

Me confirme o recebimento.

Grato

Vítor Ortiz

(51) 9603.8565

 

DA SÉRIE

Viamão – Histórias de sua História

 

Autor: Vítor Ortizclip_image002AUGUSTE DE SAINT-HILAIRE I

 

O botânico francês

que descreveu Viamão de 1820

 

Para ter uma idéia do que havia em Viamão no início do século XIX, época de Dom João VI e Dom Pedro I, vamos visitar a descrição dos então chamados Campos de Viamão narrada pelo expedicionário Auguste de Saint-Hilaire que percorreu o caminho entre Torres, Osório, Tramandaí, Viamão e Porto Alegre há cerca de 200 anos.

 

Uma das delícias do fazer do historiador é a descoberta do passado aparentemente inacessível, o que ocasionalmente é possível, inclusive em detalhes, quando as lentes documentais permitem que o nosso olhar ultrapasse as barreiras cronológicas, como na clássica viagem pelo Túnel do Tempo (seriado que fez grande sucesso na televisão nos anos 70). O túnel do historiador é composto de suas fontes documentais e a sorte é grande quando, para investigar o passado, encontra-se um relato sobre a época que está sendo estudada, produzido por alguém que lá esteve em data remota.

 

É essa uma das riquezas dos registros que o botânico francês Auguste de Saint-Hilaire fez na obra Viagem ao Rio Grande do Sul, publicada em 1939, na França, parte de todas as anotações deixadas por ele sobre sua longa viagem de seis anos pelo Brasil, onde percorreu desde os sertões nordestinos até o pampa, no extremo sul, incluindo a então Província Cisplatina (Uruguai), entre 1816 e 1822. Para a história de Viamão, os registros de Saint-Hilaire são como a carta de Pero Vaz de Caminha para o Brasil ou, com os devidos descontos, a Odisséia para a história da Grécia clássica. Ou seja, o mais importante, e também antigo, relato escrito sobre o lugar.

 

Durante o século XIX, especialmente os franceses realizaram diversas expedições científicas e artísticas nas américas, continente que, para a Europa, ainda era um mundo novo e pouco conhecido. Saint-Hilaire desembarcou no porto do Rio de Janeiro em 1816, no mesmo ano da Missão Francesa liderada por Joaquin Lebreton (um dos estruturadores do Museu do Louvre na era napoleônica), que por sua vez trouxe consigo diversos artistas renomados na Europa para pintar o Brasil e fundar aqui uma academia de artes e ofícios, a primeira do país, nos moldes de uma universidade, a exemplo da Academie Royale, de Paris. Na órbita de ambos, de Saint-Hilaire e de Lebreton esteve a intermediação direta ou indireta do grande expedicionário alemão Alexandre Humboldt, que auxiliou tanto a um como a outro, intermediando as relações com a corte portuguesa no Brasil para que as iniciativas fossem autorizadas. Humboldt havia realizado uma extraordinária expedição exploratória de pesquisa pela América entre 1799 e 1804, cujos relatos foram sintetizados no memorável livro Viagens intermináveis pela América do Sul, tornando-se um dos europeus mais famosos da época, atuando inclusive como embaixador e como mecenas de importantes artistas..

 

O PAI DO FRIO

Na última etapa de suas viagens pelo Brasil, Auguste Saint-Hilaire percorreu o Rio Grande do Sul e o atual território do Uruguai descrevendo o dia-a-dia da viagem, os detalhes da paisagem, o clima, a gente que encontrou, alguns hábitos como o mate, a vegetação, a economia do gado, as plantações, os povoados e a arquitetura. O marco de sua viagem para este trabalho é sua passagem por Viamão e a descrição pormenorizada que fez das estâncias, da paisagem e inclusive da Igreja Nossa Senhora da Conceição.

 

No dia 05 de junho de 1820, a expedição de Saint-Hilaire ultrapassa o rio Mampituba (que ele anota e explica significar na língua indígena “Pai do Frio”), antigo limite a sul do território português nas américas, entrando na “Capitania do Rio Grande”. Uma légua depois, avista Torres, “chegando aos montes que têm esse nome”. Ele conta que, nessa época, haviam iniciado ali a construção de uma igreja (a de São Domingos, inaugurada em 1824) a partir da idéia de ai instalarem uma paróquia, o que equivalia a criação de um município. Para acessar ao serviço religioso, os moradores de lá tinham que percorrer nessa época cerca de 100km até a paróquia de Nossa Senhora da Conceição do Arroio (atual município de Osório).

 

Ele narra o que percebeu na paisagem dizendo de início que, “de Laguna até aqui (Torres), a costa é muito baixa e muito castigada pela fúria de um mar perigoso para as pequenas embarcações…”. Conta ainda que estavam construindo nesse lugar também um forte, onde trabalhavam 30 prisioneiros da batalha de Taquarembó (dos quais 29 eram índios). Tal batalha, ocorrida naquela época, segundo anotações do próprio botânico, teria resultado na morte de cerca de 500 homens do exército de Artigas e outros 400 presos pelos portugueses. Referindo-se aos índios, Saint-Hilaire diz que a maior parte do grupo mostra traços de sangue espanhol:

 

       Uns vieram das Missões, outros de Entre-Rios e outros do Paraguai. São baixos, têm o peito de largura exagerada, os cabelos negros e lisos, o pescoço curto… Descreveu-os.

 

LAGOA DO INÁCIO

Seguindo viagem em direção ao Sul, Saint-Hilaire chegou a um “grande lago”, segundo sua descrição, “que chamam de Lagoa do Inácio”. Ele constata que as culturas de plantio no sitio que se localiza na margem oposta é principalmente de subsistência – o milho, a mandioca e o feijão – tendo também o proprietário do sítio uma grande plantação de cana para a produção de água ardente. Afirma ainda ter visto algodoeeiros ao redor das choupanas onde pernoitou.

 

TRAMANDAÍ

No dia 11 de junho ele chega a Tramandaí, cujo nome advém do rio (na verdade um braço que liga uma das lagoas do litoral ao mar) que desemboca no oceano nessa altura do trajeto da viagem. “O terreno é o mesmo de sempre, arenoso e chato, apresentando pastagens semeadas de moitas e cobertas de uma erva espessa e amarelada. Vemos intermitentes trechos do lago, mas depois do Sítio do Inácio as montanhas (da Serra do Mar) se distanciam e tomam a direção sudoeste.”

 

Novamente ele encontra índios aprisionados sendo escoltados em direção a Torres. E observa que, “depois da saída dos jesuítas, os índios das Missões ficaram entregues aos soldados e homens corrompidos, vivendo atualmente da pilhagem, no meio das desordens da guerra, não sendo de admirar que suas mulheres não mais conheçam o pudor” (p. 32).

 

Notas:

1- A Missão Francesa chegou ao Rio em março de 1816 e resultou na criação da Academia Real de Belas Artes no Rio de Janeiro. Fizeram parte do grupo trazido para o Brasil alguns expoentes das artes e ofícios, como o pintor neoclássico Jean-Baptiste Debret, Auguste-Henri-Victor Grandjean de Montigny (arquiteto), Auguste Marie Taunay (escultor), Charles Simon Pradier (gravador), os irmãos Marc e Zepherin Ferrez (escultor e gravador), entre outros mestres de ofício. Sua chegada está relacionada a presença da família real e à transferência da corte para o Brasil em 1808, o que trouxe também a necessidade de estruturação da ex-colônia, copiando o modelo europeu.

 

2- Baseado na obra Viagem ao Rio Grande do Sul (1820-1821), segunda edição da tradução de Leonam de Azevedo Pena, Companhia Editora Nacional (1939), disponível no acervo digital da Brasiliana (www.brasiliana.com.br).

 

Pedaços – Lúcia Barcelos – Setembro 2014

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Pedaços

 

Talvez a sombra que me segue saiba dos meus passos,
Nas horas em que o sol me abraça e que me aquece.
E neste andar o suor escorre pelos braços,
E neste pensar se pensa o que jamais se esquece!
E os ventos que noutro tempo ouvia,
Talvez durmam nestas horas cálidas…
E quando olho para a areia quente vejo vagos traços
De uma vida toda que antes eu vivia.
Calam-se, no campo, algumas flores pálidas,
Enquanto as agulhas da memória bordam poesia!
Mas eis que de repente o vento pode despertar,
Apesar da sutileza dos meus passos,
E tudo, em versos soltos, transformar,
Ao desfazer este poema em pedaços!

 

Lúcia Barcelos

Poesia de trovadores – por Lúcia Barcelos–Julho 2014

 

Atualmente, componho a UBT (União Brasileira de Trovadores), entidade onde se produz a trova literária. A trova não é o meu forte, mas fui convidada e é uma entidade muito bem organizada, com ramificações em quase todos os Estados brasileiros e também em alguns países estrangeiros. Aceitei o desafio pela oportunidade de ampliar o grupo de amizades na área da Literatura, e a experiência em Portugal foi muito bacana.

Mas estou mandando algumas criações nesta área só para não "enferrujar":

 

A cobra diz na alcova

Ao “cobro”, toda contente,

Que deseja ser escova

Porque cansou de serpente!

 

(Lúcia Barcelos)

 

A loira, cheia de razão,

Coloca um pedacinho

De queijo na televisão

Pr’o programa do Ratinho!

 

(Lúcia Barcelos)

 

Nessa vida passageira,

Adianta a presunção?

Cinzas da pessoa inteira

Nos cabem dentro da mão.

(Lúcia Barcelos)

Rui Barbosa – Mensagem recebido do Professor Doutor William Harris de Campinas / SP

"Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte deste povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-Mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o ‘eu’ feliz a qualquer custo,
buscando a tal ‘felicidade’
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos ‘floreios’ para justificar
actos criminosos, a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre ‘contestar’,
voltar atrás e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo

que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer…

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir o meu Hino

e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar o meu corpo na pecaminosa

manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo deste mundo!"


‘De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se

os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,

a ter vergonha de ser honesto’.
(Rui Barbosa – 1918)

Terno de Reis–Paixão Côrtes

 Recebido de Benedito Saldanha – Presidente do Partenon Literário

OH DE CASA !

 

 

MEU TERNO VIRTUAL ESTÁ CHEGANDO EM SUA MORADA.

 

SOU GRATO POR MAIS ESTE ANO, E AINDA PODER ESTAR SEGUINDO NOSSA “MISSÃO” DE “TIRAR RESES” E LOUVAR A CHEGADA DE JESUS.

 

PEÇO QUE REENVIE ESTE TERNO PARA QUE CANTEMOS EM OUTRAS CASAS
AINDA NESTE CICLO NATALINO QUE SE EXTENDE ATÉ A CHEGADA DOS REIS MAGOS (06 DE JANEIRO).

 

MUITA PAZ E SAÚDE A TODOS ONDE ESTA MENSAGEM POSSA CHEGAR.


J.C. PAIXÃO CÔRTES E MARINA

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O Rio Grande e os  Ternos de Reis  clip_image002

 

 

Estamos  em plenas festividades natalinas, segundo a mais pura religiosa tradição gaúcha , que vai de 25 de dezembro  a 06 de janeiro do próximo ano, ou seja, da comemoração religiosa mais  antiga do folclore gauchesco, que vem de 1750 (herança Açorita) e está bem viva  aos dias atuais através dos verdadeiros tradicionalistas.

Festeja-se o nascimento  de Cristo, data de maior cristandade  universal, com a chegada dos  Reis Magos junto ao presépio, onde nasceu Jesus na mangedora, segundo a Bíblia, tendo como seguimento  a Estrela Guia que iluminou os caminhos à Belém.

Assim cantando de rancho em rancho, residência em residência, de Centro de Tradições à irmandade tradicionalista, nosso festejo dos Ternos de Reis,  lembram esse cenário despido de neve, renas, trenós, e pinheirinhos coloridos, de desenhos e figuras  caricatas  não  cristãs, ausência de mercantilização  de presentes  e comercialização de  fúteis objetos, e desumanas atitudes.

 

Assim, O Terno de Reis com o Mestre, o Contra mestre, o Ajudante de contra mestre  e o “tipi” festejam a tradição gaúcha.

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Ainda hoje, em dezenas de municípios do nosso Estado, os reses são cantados ao som da  gaita, do violão, da rabeca, do tambor e do triângulo.

 

O meu Terno canta:   

 

            Agora mesmo cheguemo

Na beira de seu terrero

Para  tocá  e cantá

Liçença peço premero.

 

Porta aberta, luz acesa

É sinal de alegria

Entra eu, entra meu terno

Entra toda a compania.

 

Jesus Cristo está nascido

Para ser sempre adorado

Nosso prazer é profundo

És o filho de Deus que veio salvar o mundo

 

Malchior, Baltazar, Gaspar

Trazendo ouro, mirra , incenso

Ao rei que vão adorar

Por que tem prestigio imenso.

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E nesse presépio oculto

Tão pobre de ostentação

Veio a luz  o belo vulto

Que nos trouxe a salvação.

Dentro da mangedoura

O senhor Jesus nasceu

Hoje é noite mui festiva

Brilham as estrelas lá no céu.

 

25 de dezembro

Cristo nasceu em Belém

Todos , todos  o adoravam

Nós o adoramos também

 

Chegamos em sua morada

Eu e meus companheiros

Nós andamos festejando

O  primeiro de janeiro

 

Vamos dar a despedida

Como deu Cristo em Belém

Esse terno se despede

Até o  ano que vem.

 

J.C. Paixão Côrtes

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“Pilares da Medicina – A Construção da Medicina–por Dr. Carlos A. M Gottschall

 

Resenha do livro

“PILARES DA MEDICINA – A CONSTRUÇÃO DA MEDICINA

POR SEUS PIONEIROS”  CARLOS ANTONIO MASCIA GOTTSCHALL –editora ATHENEU

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publicada na página 20 – PANORAMA

Da revista “CONVIVER” DA “UNICRED” PORTO ALEGRE ANO 4 NÚMERO 15 JULHO 2013

 

Pilares da Medicina, uma obra valiosa

                                                 Luiz Gustavo Guilhermano

Para que a afirmação de Edmund Pellegrino de que “A Medicina, é a mais humana das ciências, a mais empírica das artes e a mais científica das humanidades”, possa tornar-se verdadeira por completo, precisamos nós médicos tornarmo-nos merecedores da nobreza da nossa profissão. Assim, como formadores de jovens que desenvolvam esse espírito, é preciso ir muito além da indispensável boa formação técnica, faz-se necessária uma formação cultural continuada a respeito de humanidades, especialmente, que digam respeito a própria medicina.

Para isso foi-nos dada uma valiosa contribuição pelo Prof. Carlos Antônio Mascia Gottschall – Emérito Professor da Fundação Universitária de Cardiologia do Rio Grande do Sul, Livre-Docente em Cardiologia, Doutor em Medicina e Mestre em Pneumologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Membro Titular da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina, Membro Titular da Academia Nacional de Medicina e Presidente de Honra da Associação Gaúcha de História da Medicina- o qual lançou em 2009, pela Editora ATHENEU, uma obra de grande valor formativo, o livro “PILARES DA MEDICINA- A CONSTRUÇÃO DA MEDICINA E SEUS PIONEIROS”. Esse é um livro que além de interessar a toda área da saúde, da história e Ciências Sociais, também pode ser considerado um exemplar de cultura geral interessando a todo leitor independente da sua área de conhecimento. Além de seu conteúdo, resultado de muitos anos de pesquisa e reflexão deste qualificado autor, o livro tem uma apresentação primorosa, com uma bela encadernação e com ricas ilustrações, impresso em papel couchê fosco e com uma editoração muito cuidadosa, que fazem dele um registro histórico indispensável para figurar na biblioteca quer do médico veterano ou do jovem principiante que precisa aprender sobre a profissão médica. Perpassa pelo interessado em história da evolução da cultura humana, pelo médico experiente, pelo estudante de medicina que sentem a necessidade de ampliar e aprofundar seus conhecimentos sobre os caminhos da medicina, desde a concepção mágica da natureza, até a concepção tecnológica e científica atual. É, também, uma saudável recomendação para o jovem secundarista que está por tomar a decisão quanto a sua aspiração em concorrer a uma vaga no vestibular de Medicina.

Trata-se de um livro abrangente que trata de uma evolução cronológica da Medicina e da humanidade desde os tempos pré-históricos, até os dias atuais no início do século XXI, em 398 páginas divididas em 15 capítulos: I- Origens do Criador da Medicina, II- Origens da Medicina, III- Medicinas das Primeiras Civilizações, IV-A Filosofia Prepara o Terreno, V- Medicina Hipocrática, VI- A Medicina Grega Conquista o Mundo, VII- Medicina dos Santos, Califas e Cruzadas, VIII- Contágios Medievais, IX- A Vida Renasce, X- A Ciência Ilumina o Mundo, XI- A Medicina Absorve a Ciência, XII- O Iluminismo Esquece a Medicina, XIII- O Século XIX Origina a Medicina Atual, XIII- O Século XIX- Origina a Medicina Atual, XIV: A Emancipação da Medicina, XV- Ética, Medicina e Sociedade.      Tal como,  em publicações anteriores ou em suas brilhantes palestras ou ainda nos eventos tendo como tema a história da Medicina, por ele coordenados, o Prof. Gottschall nos brinda com informações valiosas e uma visão filosófica interpretando as situações à luz de um ponto de vista ético e humanístico, que ao invés de satisfazer por completo nossa ânsia de saber, nos contagia com uma curiosidade ainda maior, mas cumpre a missão de nos tornar uma melhor pessoa e um médico mais culto. Além do que, penso que aquele que passa a gostar de história da medicina não sentirá mais solidão pelo resto da vida, pois terá adquirido uma excelente companhia nos livros, filmes, revistas e sites que tratam desse assunto e amigos interessantíssimos sempre dispostos a compartilhar desse gosto.

LUIZ GUSTAVO GUILHERMANO

Professor Assistente do Depto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da PUCRS

Professor de Psicofarmacologia da Residência Médica e Pós-Graduação em Psiquiatria do Hospital São Lucas da PUCRS

Vice-Presidente da Associação Gaúcha de História da Medicina

Poema–Lúcia Barcelos–Dezembro 2013

 

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Nas asas do lirismo,

voo e encontro a eternidade do tempo,

os ninhos das aves,

as cores do entardecer…

E com elas tinjo a paz que lhe desejo.

Contorno os movimentos das borboletas.

Desnudo as pétalas das flores

que vão ornar o seu caminho.

Suplico à brisa

que faça espargir o frescor das cachoeiras.

E à lua,

que lhe reserve a luz em todas as fases.

E que cada amanhecer

seja tal e qual

a linha da carta mais amorosa do Universo!

E que qualquer desventura,

que este novo ano possa lhe trazer, por ventura,

se dissipe na beleza de um verso!

Lúcia Barcelos

Associação Gaúcha da História da Medicina–AGHM–Novas imagens – 2013

2012 - cartaz da III JORNADA GAÚCHA DE HISTÓRIA DA MEDICINA2013 - CARTAZ EVENTO CENTENÁRIO PROFESSOR RUBENS MACIEL NA ASRM 31 AGOSTO 20132013 - Jornal do Comércio de Porto Alegre - JAIME CIMENTI JORNAL  O COMÉRCIO_n2013 - Livro Encontros da História da Medicinacapa_template2013 - RUBENS MACIEL 100 ANOS2013 -CAPA  Livro Páginas da História da Medicina

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