Aborto Terapêutico e outros! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 27 Agosto 2019.

 

Aborto Terapêutico e outros!

O

s médicos que exercem a Cirurgia de Emergência frequentemente são alvos de familiares ou de responsáveis pelo paciente que dizem: – Doutor, o senhor tem que salvar a minha esposa (ou filho, mãe, pai, amigo, etc). E ali ficam na sala de espera do Bloco Cirúrgico com grande estresse e aquela ansiedade própria de quem ama, usam o intercomunicador, falam com a enfermagem, pedem notícias para qualquer funcionário que passa e muitos oram. Até ajoelhados! O tempo se arrasta. Todos sabem que um combate realmente mortal se trava. A equipe cirúrgica lutando, com seu treinamento e bom senso, contra a mais antiga inimiga da vida – a morte. Eis que o cirurgião se apresenta à porta da sala, logo o engolir em seco, as faces transtornadas de apreensão e dor explodem numa euforia nem sempre contida. O paciente está salvo! A guerra não terminou, mas aquela batalha terrível foi vencida. Agradecemos a Deus, seja qual for o seu nome e religião. Aquela família, aqueles amigos voltarão a tocar a face quente e viva, trocarão palavras, juntos aumentarão a esperança e a luz de novos dias que se alinham no horizonte com mudanças de forma de viver e outros entendimentos.

Crônicas & Agudas

Aborto terapêutico é a interrupção de uma vida em prol de outrem. A interrupção da vida decidida por alguém e amparada em protocolos legais, da ética, da humanidade e das salvaguardas jurídicas. É uma especial e grave medida. Excepcional medida. Está-se numa encruzilhada fatal em que se deve decidir qual vida manter – a do feto ou a da mãe. Quantas vezes a vida daquele filho ainda amado será potencialmente inviável e normal nos padrões vigentes. Há quem prefira deixar nas mãos do Criador a decisão que humanos devem tomar. Há a possibilidade dos dois, mãe e filho, morrerem. Qualquer decisão, qualquer caminho tomado somente há uma certeza – haverá traumas para toda a vida e de todos os envolvidos. As opiniões e posicionamentos serão diversos e extremados por aqueles que estão fora do drama real e a sua crítica também será pela sua realidade e, muitas vezes, diferente se estivesse diretamente envolvido. Uma operação cesariana de emergência já mobiliza corpos, nervos e espíritos de forma gigantesca, com resultados gravados na carne e na mente para sempre. E um aborto terapêutico – um por um?

Cr & Ag

A Bíblia fala em “arrancar o olho que te ofende”. “Tira isso de dentro de mim doutor”! Outro caso: – Tem que cortar, amputar doutor, ou essa gangrena, essa infecção vai matar ele”! Mais: – Câncer ou não é um tumor e não dá pra viver assim. Vai terminar me matando”! Qualquer médico irá enumerar uma infinidade de frases que ribombam em seus ouvidos e em sua alma. Para a vida continuar mais saudável, há que extirpar a doença que pode ser uma parte do corpo. A sociedade humana pode ser entendida como um grande e fantástico organismo. Com áreas saudáveis e enfermas. Com mecanismos de depuração e cura como há no corpo humano. Isso me leva ao sequestro do ônibus Galo Branco na Ponte Rio Niterói em 20 agosto. Um criminoso armado e com planejamento prévio colocou potenciais bombas de gasolina no veículo ameaçando matar quase 40 pessoas no veículo. Um mínimo de 30 a 40 familiares para cada envolvido no risco de morte, principalmente queimados, pois incendiar ônibus é rotina, é corriqueiro por todo Brasil, dá mais de 1.500 familiares que seriam desgraçados pelo criminoso. Após várias horas de negociação e análises psicológicas, a polícia eliminou o criminoso. Toda a vida é preciosa, mas vezes há em que a correção deve ser cirúrgica com o mínimo dano colateral – 40 ou milhares por um. Quase 40 reféns foram salvos, excepcionalmente sem nenhuma lesão física. Exceto as lesões mentais, os traumas serão permanentes em maior ou menor grau. O Brasil é um organismo intoxicado, enfermo, envenenado em que a criminalidade está vencendo até aqui com a complacência de autoridades, políticos, defensores de bandidos e cidadãos ruins de voto.

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As Capivaras do Taim e os Gaúchos! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 20 Agosto 2019.

 

As Capivaras do Taim e os Gaúchos!

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s amigos leitores que me honram com a leitura de meus livros e das minhas crônicas no intrépido Jornal Opinião já me comunicaram, várias vezes, da paixão que pactuamos com o Banhado do Taim. A Estação Ecológica do Taim é uma área de banhados e alagadiços com ilusórios 10 mil Ha para conservação da vida silvestre. Situa-se no sul gaúcho em terras das cidades de Rio Grande e Santa Vitória do Palmar. É cortado pela rodovia BR 471. Uma das minhas crônicas com o Taim, por base em suas magníficas aves, foi lida e distinguida em sessão do Congresso Nacional do Brasil pelo Senador Paulo Paim. Outra como “A travessia do Taim à noite” é relembrada com frequência pelos amigos. Final de semana passada realizei nova passagem por aquele local tão querido por mim e pelo meu falecido Pai Aldo. A estrada BR 471 é elevada no trecho, sendo costeada por dois grandes valos que separam as áreas de juncais, palhas e banhados. Não há mais nenhum veículo estacionado no acostamento da estrada para observar as aves e demais animais. Entregar-se à beleza ímpar de um pôr do sol era algo frequente em quem ali trafegava.

Crônicas & Agudas

Os enormes bandos de aves, muitas migratórias, em encantador alarido e com suas revoadas fazendo nuvens compactas e flutuantes de maravilha sem igual jogava a vida para a arte pincelada com as cores dos artistas naturais. Sempre me atraíram os enormes e graciosos cisnes negros e o vigor dos patos de penacho polar. Os marrecões da Patagônia, uma das mais velozes aves migratórias e que jamais para de bater as asas em voo, refletiam as luzes do firmamento no seu sagrado manto noturno e a crista vermelha realçava os machos. Jacarés se esparravam nas barrancas, piscando os olhos, e recebendo o derradeiro calor do sol antes da noite. E as capivaras? As fêmeas e seus filhotes, os machos empinados como senador da República, muitos em disciplina como de estudantes nas bandas marciais das escolas, alegravam-se numa vida que parece ser um filme do National Geographic.

Cr & Ag

O temor pela segurança nega o direito da pessoa em amar a natureza. Qualquer um pode ser vítima de um criminoso se ali estacionar alguns minutos. O bandido não teme as leis. Sabe da condescendência da autoridade judicial em soltá-lo e dos “direitos humanos” que defendem criminosos e jamais as vítimas. Pôr do sol no Taim novamente? Somente quando isso aqui se assemelhar ao Canadá ou Nova Zelândia, por exemplo. E os animais? Bois e vacas devem fazer turismo na reserva ecológica que tem a Fundação Chico Mendes no nome. Raras são as aves. Rarefeitas. Bandos em revoada? Somente em fotografia. Cantos das aves? Aquilo que é raro ou não existe pode cantar? “E se fosse o dia em que você estava lá”? É comum a safadeza humana exercitar a teoria ou a tese do azar. O posto de saúde e o hospital não estavam funcionando naquele dia – “deu azar”! A “bala perdida” é azar da criatura e culpa da polícia – jamais será responsabilidade total dos criminosos, pois somente o alucinado ou o obsidiado pelo socialismo acredita que a polícia sai dando tiros a torto e a direito, para tudo que é lado, por vontade de “ferir pessoas”.

Cr & Ag

Grupos de capivaras e seus filhotes teimam em sobreviver à agressão humana, devastação ou envenenamento. Sobrevivem às administrações repletas de ideias e escassas de resultados. Muito a ver com nosso Rio Grande do Sul com vários indicadores piores que os piores, mas com marajás e vantagens “legais” como nos paraísos socialistas. Até a população trabalhadora encolheu. Em Santa Catarina aumentou! Lembra o Uruguai com seu êxodo em busca de trabalho. Venezuela ainda não. Por enquanto? Estamos virando as capivaras do Taim? Sobreviventes num Estado que despreza o trabalho e adora os “direitos adquiridos”, corroído e corrompido pela degradação de seu tecido social? Capivaras que ainda se reproduzem numa região envenenada, mas útil e necessária para quem se alimenta dela e da desgraça alheia?

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O canto do Quero-Quero! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 13 Agosto 2019.

 

O canto do Quero-Quero!

Q

ue o quero-quero é a ave símbolo do Rio Grande do Sul talvez você não saiba, mas que o canto do quero-quero tem toda uma simbologia especial escondendo o local do seu ninho e de seus filhotes de ameaças, certamente, você sabe. “Quando o quero-quero canta para um lado o seu ninho é para o outro”! – Apregoa a sabedoria popular. É um bicho posudo, entonado, peito estufado como um lorde, cheio de razão e olhar que não desfoca de seu alvo. Sempre ligado, ao contrário de muito jogador de futebol que num clique se desliga do jogo. Sempre em casal, como a corda e a caçamba do velho ditado. Os dois são unidos até no maior combate, como fustigar um gavião safado como político da Lava-Jato. Ou algum cachorro bobão, daqueles que correm e perseguem as rodas de um automóvel ou assistem novelas da Globo. Ou ainda, aqueles guris ranhentos que insistem em ameaçar seus filhotes. Os outros bichos da natureza logo reconhecem o poder de combate de uma família de quero-quero. O bicho social, o homem, teima em agredir a vida e quebrar o ciclo vital da existência do planeta.

Crônicas & Agudas

O Dia D foi o exercício humano de cantar para um lado e atacar pelo outro. Durante os preparativos dos aliados, na montagem da sua estratégia de atacar as forças nazistas na Europa com as ações que determinariam o final da Segunda Grande Guerra na Europa, tudo indicava que a invasão seria em determinadas praias e vindo de determinados locais. Os alemães se prepararam e foram surpreendidos com a invasão em outro local bem menos armado. As analogias são as mais diversas e variadas da estratégia do homem em disfarçar, apontar para um lado enquanto o alvo é outro. O lutador de boxe, por exemplo, tem toda a ginga de corpo e o jogo de braços que vai simular um ataque e, por consequência, do adversário um tipo de defesa. Ameaça de direita e bate de esquerda. Ou ao contrário. Observe que as práticas esportivas de competição espelham o espírito da estratégia do quero-quero, a ave que desliza caminhando como um ninja sempre apto ao embate.

Cr & Ag

Os boiadeiros, ao conduzirem suas tropas de gado por regiões infestadas por certos políticos, digo, piranhas e jacarés sempre têm uma estratégia de distração. A carta na manga do boiadeiro é levar com a boiada uns animais em final de carreira, velhos e doentes, sejam bois ou cavalos (há quem tente sogro e sogra), e usá-los para distrair os predadores. Colocam-nos em outro trecho do rio e sangram-nos. Os predadores são atraídos pela Petrobrás (ops!), digo, pelas vítimas enquanto a boiada passa em melhor segurança noutro trecho do rio. O cronista escorregou com a verossimilhança com os políticos e com a Petrobras. Jogavam para torcida com Bolsa Família, faculdades a rodo e muitas outras enganações enquanto a turma se locupletava, roubando sem limite e se apropriando “legalmente” do trabalho do cidadão honesto – vide artistas pela Lei Rouanet, contratos, etc. E nenhum condenado sabia ou via algo suspeito.

Cr & Ag

O pacote Bolsonaro, que o Brasil elegeu, está usando o “canto do quero-quero” enquanto “cães ladram, algumas carruagens passam”. Enquanto certos políticos e a mídia corrupta, amiga de criminosos, bate no Presidente, a equipe de governo (militar conhece estratégia na raiz) vai trabalhando e colocando em prática o trabalho com honestidade. Eficiência sem demagogia. Projetos para a saúde do Brasil e não para a saúde do bolso do corrupto e ladrão. Por mais hackers que contratem, nenhum conseguirá esconder ou escamotear as centenas de bilhões roubados e os dinheiros devolvidos pelos ladrões assumidos. A essência da atividade do parasita é parasitar, do predador é caçar e possuir a sua presa, do câncer é dominar o organismo sadio e possuí-lo, mas a ganância e fúria de posse total, acabam com a vida. Destroem. Matam! A piranha está fazendo a sua natureza, enquanto o ladrão, corrupto, assassino, estuprador, pedófilo e outros seres do mal exercitam a sua vontade e má índole. O “canto” para o bem e para o mal!

 

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Frio de renguear cusco! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 06 Agosto 2019.

 

Frio de renguear cusco!

A

s baixas temperaturas expõem a singularidade do gaúcho no velho Rio Grande do Sul de São Pedro e da Nossa Senhora Medianeira, padroeiros desse povo que nasceu católico romano e hoje trafega por uma grande variedade de outros cultos. Segundo Saint-Hilaire aqui seria uma terra de sobreviventes tais as agruras do clima e a sua variação em surtos de bipolaridade na bailanta do dia a dia. Sobreviventes! Para quem não se exercita no vocabulário gauchês, renguear significa mancar, claudicar. E cusco? Cusco é o cão, primeiro ou segundo maior amigo, pois o cavalo segue firme peitando e atropelando a quem pouco acredita nessa pátria de bombachas, cuia-bomba-chimarrão, e as mais belas prendas (mulheres) do Brasil e do mundo. Ver um cusco renguear de frio, nem no mais terrível vento Minuano, cortando mais que língua de sogra (somente algumas!), com a geada congelando o pasto e os arroios e açudes, eu nunca vi. E olha que esse cronista está muito rodado na existência. Mas nunca se duvida de um velho ditado, ao contrário de um velho deitado e de suas estórias e gauderiadas.

Crônicas & Agudas

O pessoal de Sampaulo “pra riba” se encanta quando a temperatura daqui está congelante. Abaixo de 25 ou 30ºC para muitos é quase um Polo Norte. A gauchada quando baixa de 10ºC com sensação térmica de uns 3ºC já gargareja, marrento: “É capaz de começar a esfriar”! Desenrola a bombacha nas pernas, troca o chinelo de tambo pelas botas rustilhonas e continua a assar o churrasco dentro de casa. A prenda coloca um casaquinho de banlom para não estragar “a pel”. Fina flor de especial! O xiru já olha meio enviesado para a prenda e vai reforçar os pelegos no berço do guri e na cama do casal. O frio é um sagrado estimulante para o casal. Um velho colega de ofício nos plantões do Hospital de Caridade fazia as contas nos dedos das mãos prevendo que em quarenta semanas, uns nove meses, os plantões seriam mais atribulados pelo maior nascimento da piazada encomendada nas friagens ou melhor, no calor dos pelegos. E ele sempre acertava. Fazia o mesmo cálculo no Carnaval. Jamais errou! Doutor tarimbado nessas refregas da vida.

Cr & Ag

Entretanto, a velha bipolaridade traz temperaturas de sertão nordestino para o meio do nosso inverno. Coisa alucinante! Suor de encharcar o lombo e escorrer pelas pernas da cadeira. Esquenta-se a água do chimarrão com a chaleira sobre uma pedra ao sol. O cusco também rengueia, agora de calor, e caminha aproveitando a sombra do pingo (cavalo). Meu primo conta que viu um sabiá tomando água de canudinho numa garrafa sobre a mesa do Boteco do Guará. E avisa que o sabiá arrotou, pois era uma água mineral com gás. Se eu vi isso? Ver eu não vi, mas nunca tive primo mentiroso e nem que votasse em bandido. O pior calor de meio de inverno é aquele acompanhado do Vento Norte. Vento perigoso. Traz muita peste e coisa ruim. Diziam que esse vento vinha lá do Paraguai. Agora descobriram que nasce em Brasília, a certidão de nascimento traz a data de 1957, e foi descoberta emparedada numa das tantas reformas do Congresso.

Cr & Ag

Há quem jure que a Petrobrás sofreu a ação desse vento Norte, assim como a devastação moral desse país. “Não há nenhum culpado além do vento Norte”! – Apregoava uma criatura de imagem indefinida no embate do Minuano com o Norte. Outro aparentado, meio contraparente, dizia que quando a cadela do Benício mancava o Colorado perdia, alguém roubava nas eleições e mais uma criança sem pai. Chegou a fazer uma estatística. Somente não completou porque a cadela morreu no meio de um tiroteio depois de um desajuste na cancha do jogo de osso no Bar 7 Facadas. Superstições para uns. Realidade para outros. Quem já não chorou o suficiente ao nascer, convém não arriscar e nem tripudiar.

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Olho Grande! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 30 Julho 2019.

 

Olho-Grande!

Uma amiga paciente contou-me, certa vez, que sua cunhada (maridos irmãos) já causava sobressaltos ao saber que iria lhe visitar. A situação piorava na visita da criatura. Pois já rompia pelo quintal com a voz trovejante. Olhos esbugalhados a vasculhar, varrer como um radar, a sala, a cozinha e, sem muitas delongas, entrava nos quartos. “Mas isso aí é novo. Quanto custou? Onde tu compraste? Deve ser muito caro para teu marido te dar isso. O meu marido, irmão do teu, não me dá nada assim”. E seguia nessa toada. E as visitas varavam as tardes, parecia não ter fim. Adentravam à noite. “Que vai fazer de janta hoje”? E um assunto emendava com outro. Ou atropelava o outro. O saldo da visita da cunhada era sinistro. A casa nunca incendiou, mas eletrodomésticos queimavam. Cachorro adoecia. O cardeal caía a crista em severa depressão. Os pés de arruda secavam e nem as espadas-de-São Jorge sobreviviam ao fogo da cunhada. Há quem não acredite em mau-olhado, olho-grande ou olho-gordo. Ou em qualquer outra definição e manifestação dessa energia ruim e até maligna.

Crônicas & Agudas

Olho-grande de urubu magro não mata cavalo gordo”. É um dos ditados forrados de incredulidade na voz de parcela do povo. Contam que um vereador gaúcho, de certa cidade histórica, “apaixonou-se” por um cavalo durante um desfile farroupilha. E atropelou o dono do belo cavalo, de pernas mais longas que a Gisele, e sacou: “Quanto tu quer pelo bicho aí”? “Não tá à venda”! Respondeu o dono do pingo especial de primeira. O vereador seguiu atacando com valores e outros argumentos. Buscou as divisões panzer. Seus súditos ou cupinchas encurralaram o cavaleiro que tentava escapar do fogo cerrado. Partiram para os apelos sentimentais. Continuou enviando comandos à casa e ao trabalho do dono do cavalo, mas o homem continuava inarredável – “Não vendo e não dou. E não empresto”! Eis que o belo cavalo refugou o trato, a comida. Até a água diminuiu. Tristonho. Quando uma mosca varejeira rondou o cavalo, o dono sentiu o horror. Chamou veterinário. Levou para o hospital veterinário. Ninguém sabia o que acontecia. Certa manhã, encontraram-no morto na baia. Casualidade? Coisas da vida dos equinos? Ou “há algo mais entre o céu e a terra que a nossa vã filosofia desconhece”?

Cr & Ag

 Outro dia zapeando pelo YouTube encontrei o Mestre Iluminado Divaldo Pereira Franco respondendo perguntas de um entrevistador e de seus lábios, como sempre, brotam ensinamentos e verdades que transcendem os agrupamentos religiosos. A espiritualidade apresenta-se com as vestes do entendimento para que cada um de nós possa assimilar, digerir e entender, dentro do seu alcance e grau de evolução. A cunhada dona da casa poderia ser influenciada pelos meandros e artimanhas da sua própria mente e abrir suas defesas, gerar insegurança ou até estimular as energias negativas, ruins da outra pessoa? E no caso do cavalo? Seria uma “cumplicidade negativa” do dono do animal? Ou do próprio cavalo? As simpatias (figas, fitas do Senhor do Bonfim, arruda, vegetais diversos, sal grosso, crucifixo entre outras, como até do jogador de futebol que entra pulando em campo e abaixa-se com sinal da Cruz e coloca uma folha de grama na boca) seguem por um caminho nebuloso para uns, sinistro para outros e “não vale a pena desafiar” ou “é pro bem e não pro mal”.

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Se batuque e mandinga ganhasse campeonato de futebol, os baianos estariam sempre empatados e ninguém ganharia no campo”! Constatamos que uma parcela de brasileiros deseja, por todas as suas forças e energias, que o Bolsonaro e equipe afundem num buraco sem fundo. E se o Brasil tiver que ir junto, “que vá”! As energias se digladiam. Como você entende essa situação? Mesmo que você não goste do Renato ou do Odair, técnicos da dupla Grenal, você deseja que o seu time vá para onde?

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Memória! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 23 Agosto 2019.

 

Memória!

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ntem, 20 de julho, Dia do Amigo, você enviou e encantou-se recebendo mensagens. Outro lugar, o Pedrão Negeliskii delicia seus amigos com suas magníficas histórias de viagens por todos os horizontes do planeta. Na crônica passada puxei o “Fio da Meada” e viajamos por uma Viamão inesquecível. Qual o ponto em comum dessas três situações? Acertou! A memória é que nos permite trabalhar, vivenciar, reviver tantos sentimentos, emoções e situações da vida. Na minha juventude, sendo moldado na esteira da Medicina, como plantonista do Hospital de Pronto Socorro, acordei para o sombrio e gigantesco problema da perda de memória, tanto passageira como permanente (?). A Brigada Militar recolhia pessoas sem qualquer documento, vagantes nas ruas, alguns com traumatismos de causas diversas e outros por alguma enfermidade e trazia-os ao plantão do HPS. Uma moça suicida com barbitúricos e um coma complicado com grave pneumonia de aspiração de seus vômitos, acordou com “um branco”, “um vazio” e dizia ter esquecido de partes de sua vida. Um homem em estado de mal epiléptico, assaltado e espancado, acorda com a “mente vazia”. O caro mestre Dr. Nilo Lopes, neurocirurgião, ensinava ao jovem Edson com paciência e didática.

Crônicas & Agudas

Na Santa Casa, o Professor Dr. Mário Cademartori, neurocirurgião, parente do Dr. Schennini, advogado de Viamão, acolhia a curiosidade e a transformava em luz para aquele jovem. Há uns trinta anos conheci o Prof. Dr. Antonio Veiga, psicólogo, também de família viamonense (Veiga) que garimpa os vales e cavernas de mente e do espírito aflorando veios de memórias, belos e dolorosos, na busca da saúde e do equilíbrio privilegiando o amor “crístico”. A soturna caduquice dos tempos de antanho se materializou num fantasma, num monstro chamado de Alzheimer. Para muitos, um pavor no horizonte. O “fio da meada”, intangível ao toque das mãos brutas, conecta, liga, nasce e renasce a cada instante como a fantástica capacidade humana da memória. Ela, a memória, nos torna humanos e empurra-nos para fora do brete, do curral da animalidade ancestral. Permite-nos viver como seres que se eternizam em seus sentimentos e em suas memórias.

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A portentosa evolução das ciências e da Medicina ainda navega num oceano de incertezas. Cerca de 80 ou 90 % do nosso cérebro ainda é uma fortaleza inexpugnável ao nosso conhecimento cartesiano e muito tange e se desdobra somente pela fé e pela espiritualidade. Os mais poderosos computadores criados pela genialidade humana são sombras diante do potencial divino dessa engrenagem que assimila corpo-mente-alma num cavalgar, num tropel que tenta desvendar e dominar a memória. Criamos artifícios, técnicas, estratégias mnemônicas, sentimentos para cativá-la e torná-la dócil e acessível, mas essa dama, essa senhora (talvez imortal!), essa rainha ou imperatriz ainda nos desafia e, por vezes, se divorcia do nosso corpo. Deixando-nos como cascas ocas e… Perdidos!

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No entanto, sabemos que ela, a memória, é sensível e pode ser mortalmente ferida por nossos hábitos e práticas abusivas e despropositadas – fumo, álcool, drogas, poluição, etc. De pouco vale para você a memória coletiva de uma sociedade, de uma comunidade, se você está ausente de si mesmo, do que fez, de quem foi, de quem amou e por quem foi amado, de sua família, dos seus amigos, do seu trabalho e o seu tempo parece esgotado. E você anda como uma sombra da criatura que foi, ainda cativo, a essa existência pela falta do desapego de quem lhe ama. E amará sempre!

2019 – 07 – 23 Julho – Memória – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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O Fio da Meada! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 16 Julho 2019.

 

O Fio da Meada!

As vidas ou as existências das criaturas estão entremeadas, cruzando-se, enovelando-se com o trotear irrefreável do Tempo. Tempo! Esse senhor com o poder da eternidade nos observa e aguarda o desenrolar das nossas jornadas por estradas de luz ou de sombras. Há leitores que me acusam, no melhor sentido, como sendo a “memória viva” de Viamão nesses últimos 25 anos de colunas de jornal e ainda pelos livros pessoais e coletâneas. Isso é real e o Jornal Opinião tem sido o maior parceiro para através de suas páginas também eternizar a vida de um povo e realçar seus membros. Em conversas com o primo Silvio “BocaTerra de Oliveira (solo sagrado desde tempos imemoriais nas civilizações mediterrâneas e da Ásia Menor – terra de oliveiras!) aproveitamos para desenrolar e puxar o fio dessas meadas. Falávamos sobre a Farmácia Brasil e seu significado para a política e a vida pública da cidade. Os irmãos Scarppetti, Nélson e Alencarino e seu filho Deco (carinhosamente chamado de Dequinho). O prédio original está ali entronado defronte o Banco do Brasil. O salão inicial com o balcão de atendimento ao público, a sala de manipulação dos medicamentos com a balança de precisão numa caixa envidraçada, um jacaré de ferro que se abria em dobradiça e ali expunha os moldes e tamanhos das rolhas de cortiça, armários repletos de frascos dos mais variados produtos em uma miríade de cores e odores. Aplicação de injeções, com uma habilidade incomum de puncionar as mais escondidas e bailarinas veias.

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Um corredor de passagem, onde havia um telefone de manivela numa caixa de madeira com as ligações intermediadas pela central telefônica das Castelhanas. Ali estavam cadeiras singelas que reuniam “Caçadores, Pescadores e outros Mentirosos” – dizia uma plaquinha. Esse corredor desaguava por uma porta para o depósito de medicamentos, outra porta para a rua e acesso externo para o andar superior da farmácia onde atuava com magnífico Cirurgião-Dentista Dr. Trajano Goulart, outro grande filho dessa terra, creio que vereador foi. A residência do Seu Alencarino era anexa à farmácia com acesso interno. A residência do Seu Nélson era através de um pátio e logo saia na Rua Cirurgião Vaz Ferreira, defronte a OAB de Viamão. Incontáveis e notáveis viamonenses “batiam ponto” naquele corredor e trançavam e traçavam os destinos da cidade. A poucos metros estavam a Delegacia de Polícia, a Brigada Militar, a Prefeitura e a Câmara de Vereadores e todo o comércio principal. Juca Gattino, creio que cunhado do Nélson, aí também trabalhava. Família dos Gattino que tinha o “velho Tutu”, “médico-prático” que morava na culatra da Igreja. E pai do Auro e do “tio” Cirne, que já tive a honra de retratar aqui. Outro “médico-prático” foi Dante Messina, no Capão da Porteira e há pouco falecido com mais de um século o “prático-dentista” Napoleão – baita família.

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Tuinho” Gattino, irmão do Haroldo, foi outro importante vereador. Outro funcionário da Farmácia Brasil foi “Paulinho” Barcelos que pelo carinho e respeito aos clientes foi alçado vereador também. Paulinho era irmão do Zé Gago, um brilhante gaiteiro e tradicionalista viamonense, que sobreviveu a duras penas a um acidente ofídico – picado por uma jararaca ou cobra cruzeira. Cumpre acrescentar que o especial homem e esposo Zé Gago era casado com a prima Marlene Móttola de Barcelos e que seu neto, também músico e gaiteiro, tocou a acordeona em belíssima homenagem ao querido avô durante suas pompas fúnebres. Todos os presentes choraram! Muitos ainda vertem lágrimas lembrando o episódio. Outro fio da meada foi Ciá ou Sinhá Avelina, minha vizinha na Avenida Bento Gonçalves. Uma negra idosa, residia com uma das filhas, e era “irmã de criação” dos Scarppetti – “com muito orgulho” e “negra, negra mesmo”. Pessoa fantástica a Ciá Avelina. Sua outra filha, Virgínia, trabalhou e se aposentou como enfermeira do Centro da Saúde e adotou e criou com pleno amor um menino loiro órfão. Todos filhos de um mesmo Pai Celestial! Complemento – 1) a poucos metros da Farmácia estava a Padaria do Seu Tita, pai do Breno e avô do Prefeito André; 2) fui cofundador do primeiro grupo de escoteiros de Viamão que recebeu o nome de Alencarino Scarppetti. Obs.: tentamos que a memória vivenciada e sabida seja o mais próximo e exato.

2019 – 07 – 16 julho – O Fio da Meada – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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E o Cascão fardou e goleou! Eds Olimpio. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 09 julho 2019. 3ª Parte / Final.

 

E o Cascão fardou! E goleou.

3ª Parte – Final

Fantástica solução na crise. Um par de chuteiras sem solado, elásticos por baixo seguravam nos pés. E Cascão, na beira do gramado, aguardava autorização para entrar no jogo. O bandeirinha olhou seus pés e chuteiras. O juiz também. Ninguém lembrou de olhar as chuteiras por baixo. E o jogo virou um fandango e outro dia lhes conto maiores detalhes, mas terminou 9 a 5 para o Tamoio, com direito à volta olímpica. Quando descobriram a trama já era tarde e resolveram sepultar, excluir da história o feito de serem goleados em casa por um jovem amador e de pés descalços. Ah! E com a camiseta número 7 do Colorado por baixo do manto rubro-negro do Tamoio. Para quem não conhecia, assim nasceu a rotina ou a regra do jogador ter as chuteiras examinadas por todos os lados antes de entrar no jogo. Inclusive a sola. Observem!

O jovem! O homem e a lenda! Entre eles sempre há uma dama espreitando. Ela se chama Fatalidade! Bom, vamos continuar revirando a papelada do seu Aldo Cabeleira e ver o que mais encontramos. Outro dia, talvez continuemos!

O frio e o coração!

Será um dos invernos mais congelantes dos últimos tempos. As temperaturas despencam e pessoas e animais sofrem. As doenças cardiovasculares podem aumentar. Pessoas morrem de hipotermia ao relento. O morador de rua ou mendigo está abraçado com seu maior e eterno amigo, o cão, na busca de suportar mais uma ártica noite. Há mendigos que não buscam o amparo dos abrigos para não abandonar o seu cão. E há locais que já organizam canis para que o especial amigo passe a noite e pela manhã vá fazer a costumeira festa ao ser humano que ele escolheu. Colorados e gremistas uniram as bandeiram num feito inédito no congelado Rio Grande. O Gigantinho, templo de esportes e shows, filhote e anexo do Gigante da Beira Rio, abriu seus portões e está acolhendo com cama e banho quente, comida feita na hora e, especialmente, o carinho e o respeito de voluntários e funcionários do Colorado.

Os bons exemplos devem evoluir e disseminar-se. Diz-se que o castelhano River Plate deu o chute inicial. O Gigantinho da Beira Rio e o Estádio Aldo Dapuzzo do SC São Paulo de Rio Grande fizeram coro e mais calor humano e respeito aos mais carentes. O calor vindo dos corações aquece o corpo e a alma!

Corações gelados!

Policiais civis e brigadianos tombam continuamente na defesa da sociedade honesta, que trabalha e sustenta com seu sangue um país gravemente enfermo. Psicotizado pelas ideologias. Viamão sepultou um jovem brigadiano e morreu junto de outro colega alvejado por sniper (sic) do crime organizado. Isso é rotina no cotidiano fatal que acompanha os servidores públicos que estão na ponta da corda (parcos e atrasados salários), na zona de guerra, no front de batalha dessa guerra que o crime organizado dos gabinetes de alto luxo, das estatais e de tantos outros organismos dominados pelo banditismo espraiaram. “Sou uma vítima da sociedade e preciso fazer isso” (roubar, sequestrar, assassinar – leia-se!), dizia o criminoso com a pistola na cabeça do idoso e vítima indefesa. O defensor de criminoso (talvez excetuando a mãe geradora da criatura) são piores, muitas vezes, que o próprio bandido, estuprador e assassino. Há quem acredite que esses corações gelados, ausentes de respeito humano, sejam iguais a você. Concorda?

2019 – 07 – 09 Julho – E o Cascão fardou! E goleou. Final – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – www.edsonolimpio.com.br

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E o Cascão fardou e goleou! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 2ª Parte

 

E o Cascão fardou! E goleou.

2ª Parte

E

 foi aí que nasceu o apelido do Gomecito. Apeou do cavalo e boleou a mala de garupa sobre o ombro. O pessoal se fardava ali mesmo no costado do campo, junto de um alambrado de fios de aço. Recebeu a camiseta e um calção do time. Colocou e… A rapaziada estranhando perguntou-lhe: “E as chuteiras”? Não tinha chuteiras. Jamais jogou de chuteiras. Nunca usava calçados. De nenhum tipo. O capataz até levou um sapateiro para lhe fazer um par de botas. Fez! Queixava-se que não dava para usar. Os pés adquiriram a resistência da vida do campeiro. As solas dos pés eram extremamente espessas. Grossas. Tentaram que usasse alguma chuteira emprestada, inclusive um gringo da serra quis dar-lhe as suas. “Ou joga de pés descalços ou não joga”. Joga. E jogou. Fez cinco golos já na primeira metade do jogo. Tiram-lhe para celebrar o rodízio entre os atletas. Entrou nos dez minutos finais no outro time e fez mais dois golos.

clip_image002Sua velocidade e destreza eram incomuns. O chute disputava potência entre a perna direita e a esquerda. “Um canhão”! Talento natural. Logo escalado para um enfrentamento do time principal da ETA e os craques do Tamoio. O juiz era um veterano da arbitragem de Porto Alegre e que depois da quinta cerveja deixava o jogo correr solto. Dedurado pelos adversários que estava sem chuteiras, o juiz não permitiu que entrasse em campo. “Ou bota chuteira, ou não joga”! Berrou espalhando o bigodão. Metade do segundo tempo, um massacre: Tamoio 6 e ETA 1 e de pênalti. A ETA se rebelou e avisou: “Ou entra o Cascão ou saímos de campo”. Entrou o Cascão e o final ficou 8 a 7 para a ETA. E assim o Cascão sem chuteiras jogou e estreou na várzea da “santa terrinha setembrina”. Aqui o Consul do Colorado em Viamão, seu Aldo Cabeleira, lhe deu uma camiseta do Internacional com o número 7. “É do Tesourinha”! Que ele conhecia e amava no Correio do Povo e na galena do velho Zeca Armindo. Gastou a camiseta de tanto usar. Inclusive por baixo dos fardamentos da ETA e eventualmente do Tamoio.

Grenal no Estádio Olímpico. O brilhante Tamoio, o rubro-negro da baixada, convidado para uma preliminar contra veteranos do Grêmio. Era uma turma de assustar e causar respeito. Jogavam a preliminar para empolgar, atiçar a torcida goleando os adversários. Como nunca teve dirigente burro no Tamoio, somente alguns mais inteligentes que os outros, levaram o Gomecito Cascão de arma secreta. E que arma. Como de costume, os veteranos do tricolor saltitavam e afiavam os cascos como cavalo no partidor do prado. Um melhor fardado que o outro. Firulas com a bola. De novo o juiz retirou o Cascão do time – “Sem chuteiras não joga”! A situação estava dramática. Empilhavam golos e tripudiavam “dos índios viamonenses”. Segundo tempo, os jogadores viamonenses estavam de olhos esbugalhados. Contam que o Consul Colorado passou um bilhete para os dirigentes do Tamoio e uma caixa de papelão. Ali estavam um par de chuteiras sem solado.

*A próxima coluna com o final da saga do Cascão. Essa crônica recebeu o troféu máximo no XII Concurso Literário da Casa do Poeta Latino-Americano e FECI.

2019 – 07 – 02 Julho – E Cascão fardou. E goleou – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – http://www.edsonolimpio.com.br

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E o Cascão fardou e goleou! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 25 Junho 2019.

 

E o Cascão fardou! E goleou.

*1ª Parte

Esse médico, cirurgião e escritor, que vocês acompanham nesse espaço do Jornal Opinião de Viamão e através de seus livros, coletâneas e espaços na internet, venceu mais um Concurso Literário. Com o Primeiro Lugar na categoria Crônicas e com o título acima será laureado em evento nas dependências do Sport Club Internacional dia 28 de junho. É a terceira vez que esse cronista participa e vence. Seria um tricampeonato? O patrocínio desse XII Concurso é da Casa do Poeta Latino-Americano e da FECI, Fundação de Educação e Cultura do SC Internacional. Apresentaremos a crônica nas próximas colunas.

 

U

m futebolista do passado, de nome Sarno, escreveu um livro chamado de “Futebol, a Dança do Diabo”. Conta a sua história dentro das quatro linhas do gramado, a sua vida de vestiário, concentrações e as mirabolantes passagens de vários atletas e muitos craques do futebol do passado. Aqui em Viamão City, a Primeira Capital de Todos os Gaúchos, apreciamos  ao extremo oposto ao título do Sarno. Temos: Futebol, o Bailado dos Anjos. E foi nos idos finais da década de 1950, após o Brasil calçar o seu primeiro título mundial nos gramados lamacentos da Suécia que isso aconteceu. E aviso, não saberemos separar a lenda da história, nem o homem do mito.

Contam que seu pai o trouxe na garupa do cavalo vindo trabalhar na enorme fazenda do doutor Breno Caldas, dono do Correio do Povo e da Rádio Guaíba de Porto Alegre. O garoto comprido como esperança de pobre destacava-se pelo porte e altura em razão dos outros jovens da fazenda. Cresceu no trabalho com o gado e aprendeu com o pai a lida da monta e da doma dos mais bravios cavalos da fazenda. Não era muito afeiçoado com as letras e nem com os cadernos e a professora da escolinha tentou, mas não conseguiu encaminhá-lo pela trilha do estudo. Seus livros eram o campo aberto, a natureza, as pescarias nos alagados do Rio Gravataí e o amor aos cavalos. O tempo para o homem campeiro tem a velocidade do vento Minuano nas quebradas dos capões de mato. E logo o garoto mudou de voz, um bigode ralo e uma barbicha decoravam a sua face queimada, tostada do sol e do vento. Cabelos lisos, pele ocre e olhos de uma tonalidade verdosa contrastavam e teciam indagações aos curiosos. Contam que seu pai, certa feita, disse que sua mãe tinha sangue de índia castelhana e havia morrido do parto e por desavenças com a família, tomou do filho e se bandeou para os campos do Viamão. Tudo por achar o nome do lugar muito estranho. A doma era feita da vitória do homem sobre o cavalo. Mesmo costelas partidas e pernas quebradas. Descadeirados escoravam-se no balcão da bodega na Estância Grande. Relho e esporas rasgando a carne do bagual. Os dois sangravam – o animal e o homem. Sempre havia um vencedor e um perdedor. Seu pai era Gomez e ao jovem chamavam de Gomecito. Tinha uma técnica ímpar de doma na região. Levava o cavalo para dentro do banhado e lá os dois se estranhavam um tempo, mas com os aguapés se enrolando nas pernas e nos cascos, de alguma forma se entendiam e assim montado a pelo corriam pela várzea. Contam que alguns cavalos da fazenda iam para carreiras famosas, como as de Carazinho, terra do doutor Leonel de Moura Brizola, domados e adestrados por Gomecito e seu pai.

Todo o homem tem uma “fraqueza” ou uma especial afeição para o trabalho e o  lazer. Gomecito eram a bola e os cavalos. As habilidades no futebol de várzea que eram naturais nele e outros tentavam em intermináveis treinos e não conseguiam. Alunos da famosa E.T.A., Escola Técnica de Agricultura, que visitavam com professores a fazenda e ali se aperfeiçoavam nas futuras profissões, descobriram-no. A ETA tinha um campo de futebol e ali vários talentos surgiram. Muitos engrossaram o esquadrão do glorioso Tamoio Futebol Clube, do Centro histórico de Viamão. * Continua na próxima coluna!

2019 – 06 – 25 Junho – E o Cascão fardou. E goleou – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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