Peladas & Política! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 21 Agosto 2018.

 

Peladas & Política!

H

avia uma infância que brincava nas ruas e nas praças da Primeira Capital de Todos os Gaúchos. Parece estranho ou inaudito? As brincadeiras tinham suas épocas e fases do ano. Havia um tempo para cada brincadeira, mas as peladas ou os jogos de futebol eram de todo tempo. Em todo o lugar. A Praça da Igreja Matriz era um campo pelado, isto é, de areião. O campo ou a várzea do Tamoio seria um Gigante da Beira Rio ou uma Arena para a gurizada. Essa praça onde estaciona e se desenrola a feira livre na esquina da avenida Bento Gonçalves com a rua 2 de Novembro era um campo de futebol disputado entre a gurizada e os presos da cadeia municipal. Ainda havia “grandes” campos na Lomba da Tarumã e no Matadouro dos Pinto, no Mendanha. Havia times sorteados pelo par-ou-ímpar, geralmente com o gordinho ou o perna-de-pau sendo o goleiro e o resto se ajeitava e entravam nas substituições. O dono da bola tinha preferência.

Crônicas & Agudas

As peladas corriam bem até que guris maiores (e bem maiores) que os que estavam na disputa queriam jogar juntos, mas geralmente levando vantagens pelo físico. Caso os menores não permitissem que participassem do futebol ou qualquer contrariedade, estragavam o jogo. Colocavam-se dentro do campo obstruindo, batendo nos menores ou num extremo – roubando ou furando a bola. Hoje até chamam de ‘bullying’ essa violência. Muitas vezes os menores tinham que interromper o jogo de futebol e aguardar que os destemperados saíssem. Um amigo “contratava” uns “guarda-costas” para a proteção e a pelada seguia animada e “vira em cinco”. Curiosidade: o time que primeiro marcasse cinco golos mudava de lado.

Cr & Ag

Lembra do Tancredo? O Tancredo Neves, mineiro, eleito presidente do Brasil teve uma infecção abdominal e veio a falecer antes de assumir a presidência. Seu vice, o “imortal” José Sarney assumiu e cumpriu todo o mandato presidencial dentro da plena aceitação dos partidos políticos e dos eleitores do Tancredo. Jamais surgiu, nem de longe, a imagem que o vice estaria dando um “golpe”. Lembra do Collor? O de Melo! Caçador de marajás vindo das Alagoas e assim-assim com o PC Farias. Num escândalo, foi processado e cassado pelo Congresso Nacional. Lembra que o vice era Itamar Franco? Aquele outro mineiro, do fusca e da gata sem calcinhas no Sambódromo. O vice Itamar assumiu e cumpriu o resto do mandato com FHC a tiracolo. Ninguém sugeriu que havia “golpe”. Alguém da esquerda? Ou de qualquer lado de dentro ou de fora? Nada!

Cr & Ag

Lula colocou e elegeu o “poste da Dilma” com o plano, a estratégia que ela cumprisse um mandato e logo ele retornaria para mais dois períodos. Foi traído pelo “poste” – que forçou sua reeleição, além de traidora mostrou-se incompetente. Foi parcialmente cassada pelo Congresso que também traiu (sic) não lhes dando o negociado. Então criou-se o mito do “golpe”. Sendo que “golpe” o “poste” deu no mestre. Palocci diz que “golpe” Lula deu nos seus correligionários. Imputou-lhe culpas e alegou completo desconhecimento das falcatruas, impedindo assim da esquerda criar novas e sólidas lideranças que vingariam e triunfariam na sua ausência. Aí está a esquerda – acéfala sem Lula! Os infindáveis recursos e a compulsiva ou obsessiva tentativa de colocar Lula de candidato, vitimizá-lo por “golpe” ou “preso político” me lembra daqueles guris taludos que não jogavam e não deixavam os outros jogarem. “Se eu não jogo, eles também não”! Dignidade! Não somente quando se está por cima ou ganhando, é principalmente nas derrotas. Infelizmente a desconstrução daquele homem que tantos seguiram parece não ter fim. Lamentável!

2018 – 08 – 21 Agosto – Peladas & Política – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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A Medicina já foi assim 5

P7 - Eleições - tua cidade, tua casa - 2016-08

Fumo 1 - O Carvão Fatal - 2017 - Série Antifumo 1

Irmãos CR 44

Diga-me com quem andas e te direi quem és! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 07 Agosto 2018.

 

“Diga-me com quem andas e te direi quem és”!

Ou – Quem serás”?

O

s tempos mudam. Os valores pessoais e morais mudam. Certo ou errado? Certamente, cada um buscará nos seus códigos interiores de moral, ética e bons valores a sua realidade pretendida ou simplesmente alcançada. Os pais arguiam seus filhos para saber com quem andavam. Quem eram seus companheiros ou seus amigos mais próximos e preocupavam-se com o horário de retorno de suas crias ao lar, último e principal reduto (trincheira, bastião ou baluarte) da família. Havia família em outros moldes da família atual. Constatamos a vida e os impulsos que levam aos mais diversos e até nebulosos caminhos e a muitos descaminhos. Saber que um filho ou uma filha tinham bons amigos e amigas já prenunciava céu de brigadeiro, sem sinais de tormenta. No entanto, eis que os pais, principalmente a mãe, recebe uma carta da escola, um chamado da professora, o cenho se franzia, as sobrancelhas se acotovelavam e os lábios se apertavam num grito. E lá vinha o filhote com a certeza de que seria chamado a responsabilidade. E era um tempo em que criança não votava, mas tinha responsabilidade e era cobrada. Fatalmente algum “mau amigo” estava envolvido na bronca.

Crônicas & Agudas

O passado sempre foi estranho. Um cara chamado de Moisés desceu de uma montanha trovejante e que cuspia línguas de fogo com dois blocos de pedra tipo lápides e ali em dez leis, somente dez, colocou todos os judeus no caminho da lei e da ordem. Outro cidadão, bom tempo antes e de outra raça, criou seu Código de Leis. Tinha nome de “fanqueiro” – Hamurabi! E colocou uma nação e o tempo nos eixos. Os gregos e depois os romanos criaram as bases das nossas leis ocidentais. Tanto a Bíblia quanto o sagrado Alcorão nos mostram os caminhos da lei, da ordem, da purificação e como se afastar das más companhias, dos “maus amigos” e das víboras. Observe que sempre há uma divindade suprema ou não que incita e exige as leis. Que as regula e obriga sua aplicação sob o risco de punições. Simples e graves punições. Inclusive com a perda da maior dádiva divina – a vida humana! Observe: há ideologias e sistemas que não creem em Deus. E até abominam! Ou usa malignamente em seu proveito e benefício.

Cr & Ag

Há crônicas que exigem do leitor uma percepção e uma compreensão instigante. Sou feliz por ter esses leitores incitados a raciocinar e elaborar seus julgamentos e entendimentos. O que acontece quando o ser humano, o animal evoluído homem, desdenha, desacredita ou abomina a divindade? O que acontece quando o homem se sente superior (a Cristo!) e “uma divindade” com a capacidade e o direito (dever?) de gerenciar, gerir e obrigar as demais pessoas a seguirem suas normas e vontades. Geralmente iludindo-as e cativando-as com a visão de uma felicidade e de um paraíso que somente eles e seu sistema pode conceder na falsa igualdade. Mesmo que fracassos anteriores tenham ocorrido, “os erros serão corrigidos e aperfeiçoados”, alegam.

Cr & Ag

Estamos na “bocada” das eleições. Criaturas que pertencem a organizações criminosas que infeccionaram o corpo desse país, que ainda não está na UTI da Venezuela, querem os nossos votos (de confiança) para continuarem ou voltarem aos governos. Estavam em más companhias e sequer desconfiavam. Você acredita nisso? Viviam na máfia com os mafiosos. Locupletaram-se com as benesses da máfia. Vestais, como a mais pura e imaculada sacerdotisa da deusa romana Vesta, seus mantos, paletós, saias e blusas são dos melhores “imortais”. Covardes que ofendem Cristo, mas temem Maomé e o sagrado Islã. Você quer esse tipo de má companhia para seus filhos, netos, amigos e para seu país?

2018 – 08 – 07 Agosto – Diga-me com quem andas – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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Vida 43 - 2017 - Pai Sempre

Vida 44 - 2017 - Pais

Amor no Inverno! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 31 Julho 2018.

 

Amor no Inverno!

 

A

 primeira imagem que nos aquece a mente está no casal enamorado com a lareira crepitando em chamas escarlates e as cintilantes taças de vinho sendo cruzadas num gole sedutor. Muitos tendem a fugir do frio. Outros seduzem-se pelos corpos expostos ao sol numa praia paradisíaca e o gingado inebriante e cativante. Babeiros ao lado! A nossa humanidade exige, necessita e até implora por calor. Esse calor será primeiramente o humano e a seguir até de outros seres. Vem à mente o miserável enrolado em seus trapos num leito de papelão e o cão, derradeiro amigo, enrodilhado com ele. Imagem que nos toca profundamente e desabrocham lágrimas ardentes até nos corações mais empedernidos, mas é a realidade que esbofeteia o rosto de uma sociedade cativada pelo consumo desenfreado e por idolatrias de ladrões do país e, pior, ladrões de sonhos e de esperanças daqueles que a mente não está entorpecida.

Crônicas & Agudas

Pés que se esfregam! Quer coisa mais anti-libido do que pés gelados? Meias de lã ajudam. Uma massagem com os dedos das mãos intrometendo-se entre os dedos dos pés da criatura amada, agora melhor e mais amada. Um fogão à lenha ou uma lareira colaboram, mas nada melhor de que pele na pele. Pés que se esfregam num bailado, num ritmo íntimo e se aconchegam num colo ou entre pernas. Pelegos! Nós gaúchos de todos os costados apreciamos pelegos. Entrevero nos pelegos! Quem não viveu, quem ainda não curtiu que não espere a próxima reencarnação e trate de forrar o sofá, sobre o tapete da sala e, principalmente, forrar o ninho. Ninho! Milenarmente. Desde tempos imemoriais, primitivos, antes das cavernas, os humanos trazem nos seus mais profundos impulsos ou instintos a necessidade de fazer um ninho, como os animais. Seja pelo amor, seja para os filhos.

Cr & Ag

O ninho nos encontra, busca-nos e nos leva aos mais intensos sentimentos de afinidade, de realização e de amor em suas vertentes mais belas e sublimes. Num ninho, o detalhe da orelha, os dedos deslizantes nas bordas, as suas curvas trazem um significado e uma iluminação que em outros locais seriam meros toques, agora intensos carinhos. Também belos! Novos bailarinos se incorporam aos dedos e mãos e os lábios que se tocam e sussurram coisas de amor rebuscam os baús que lhes pertencem e afloram as imagens, sons, perfumes e vivências que somente aos dois pertencem. A memória é uma entidade viva e fulgurante que nos estimula e traça nossos caminhos balizados naquilo que nos faz felizes. Jamais buscar, rememorar ou reviver dores, frustrações, aquilo dito ou feito que desagradou, magoou ou feriu. A roda da vida e as engrenagens do tempo necessitam a lubrificação do amor, mesmo do amor distante ou que partiu.

Cr & Ag

Eis-me aqui entrando naquele amor que a mente, o cérebro desafia o coração a reviver. O casal agora incompleto. O amor que partiu para outra existência. Aquilo que o amor viveu, vivenciou e se entregou puramente renasce no ninho da criatura agora só. Toque-se e sinta-se embalado por amor. De amar e de ter sido amado (a). A xícara de chá que aquece suas mãos também já aqueceu as mãos e os lábios da outra pessoa. O chimarrão – também é assim! Aquele tempo a mais na cama, no ninho de amor, renasce e sempre reaviva a chama que jamais se apaga no coração que curtiu e curte a pureza de amar. Somente quem ama é amado (a). Que seu amor de inverno jamais encontre o esquecimento. Que o inverno esteja no clima e jamais no seu coração!

2018 – 07 – 31 Julho – Amor no Inverno – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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 Amizade 2 - 2017

“Cagaçoterapia”! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 24 Julho 2018.

 

“Cagaçoterapia”

 

E

is que o paciente retorna modificado, mudado de corpo e mente. “Doutor, emagreci quase 10 kg, a pressão está normal, o colesterol arriou, açúcar nem pensar, tudo melhor. Depois do cagaço que o senhor me deu não dormi umas quantas noites pensando no estado que eu estava e aí resolvi fazer a minha parte. O senhor é campeão num cagaço”! Não mentir e nem aumentar. Dizer a realidade dos exames complementares e não omitir o exame clínico demonstrando que tens real interesse na saúde do paciente. Isso é antes de tudo, respeitar! Respeitar ao paciente e a ti mesmo e a dignidade da tua profissão. O choque de realidade soa quase como um atropelamento dos conceitos e modos de vida que levam à enfermidade. É quando a doença é a companhia não desejada, assim para muitos soa como aquilo que na linguagem popular se denomina cagaço. E quando funciona como terapêutica até seria uma “cagaçoterapia”. Medos extremos levam à imagem de borrar-se nas calças. Se mais leve – urinar-se!

Crônicas & Agudas

Lampião e Maria Bonita. Talvez a Maria nem bonita fosse, mas era a dama amada de Lampião, o Rei do Cangaço. O homem que se tornou lenda. O mito que se eternizou nas suas façanhas de absoluta coragem. Os “macacos” (soldados) enchiam as fardas de estrume ao simples aviso de enfrentamento com Lampião. “Cabras da peste” matavam e morriam na caatinga e os habitantes de lugarejos fugiam borrados. A “cangaçoterapia” existe ainda no Brasil que tem dono e gerencia seus currais eleitorais. Os modernos cangaceiros continuam executando desafetos e desovando cadáveres. Mas quando a morte não foi ainda decretada, o cagaço é uma arma poderosa. Sempre foi! O cagaço elegeu FHC e decretou derrota do Lula metalúrgico. Temia-se eleger um comunista e sindicalista feroz.

Cr & Ag

Pais ameaçam seus filhos para que estudem e se tornem pessoas melhores trazendo à tona seus maiores medos e contrariedades. “Vai ficar duas semanas sem videogame e tablet ou smartphone”! Choro e ranger de dentes. Há vezes que funciona. Contaram-me de um jovem que diante dessa ameaça deu o rebote: “Vou ser político e rico e ter um monte de courinhos me puxando o saco”. Os pais desarmados ficaram boquiabertos com a visão de futuro do seu rebento. O mundo muda, mas as pessoas nem tanto. E o Brasil continua sendo o país da criatura se dar bem com o trabalho dos outros. Houve um tempo em que se temia a polícia. Lembra disso? Enfrentava-se brigadiano a cavalo defronte o Restaurante Universitário da UFRGS, inclusive derrubando cavalo com bolas de gude. As duplas de PM eram chamadas de Pedro e Paulo, mudava-se para “pé-de-porco”. Baita desaforo. Hoje o pessoal faz gincana para saber quantos “polícia vão derrubar”.

Cr & Ag

O simples “vou contar pro teu pai” ou “espera teu pai chegar” já funcionava como ameaça de dar cólicas e calafrios. Hoje… Pais e professores são espancados por filhos genéricos e são processados pelo Ibama, Funai, FBI e sei lá quantas siglas servem para estropiar os educadores domésticos e escolares. Cagaço supremo: medo de ser excomungado! Isso já erigiu e derrubou reinados e impérios e milhares morreram em “guerras santas”. Quantos ainda sabem o que é ser excomungado e se souberem já deletarem dos riscos pequenos. A terapia do susto, do medo, da ameaça não está com os dias contados. Lembre-se do Gilmar Mendes e patota ou do Sérgio Moro!

2018 – 07 – 24 julho – Cagaçoterapia – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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 Cirurgião-Dentista

Irmãos CR 14

Amor e Responsabilidade! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 17 Julho 2018.

 

Amor e Responsabilidade!

 

O

s meandros da vida nossa de cada dia vão nos oferendo paisagens e vislumbres de ensinamentos e de reflexão. Muita reflexão! Um amigo paciente do alto dos seus quase 80 anos vividos vem trazer seus exames médicos. Pessoa simples, aposentado do Estado gaúcho, educado e agradável desdobra suas palavras me contando as suas dificuldades com o salário de aposentado (pouco mais de mil reais) e o compromisso de ajudar na criação e sustento de sete bisnetos. Enquanto me fala da alegria que isso representa, eu visualizo um fardo nas suas costas. Um fardo de uma família que transfere responsabilidades que seriam suas – pais e avós, para o lombo do bisavô. Não lhe digo a minha visão, pois ele fala demonstrando seu amor e a importância em poder repartir o pouco que ganha, que já é insuficiente para seu sustento pessoal e seus medicamentos. São momentos prodigiosos da vida que o médico deve se calar e ouvir. Seus paradigmas e suas diretrizes de vida podem e muitas vezes são diferentes dos seus pacientes, mas o respeito e o amor ao paciente devem imperar sempre.

Crônicas & Agudas

Contou-me, então, outra face da sua vida. No Natal passado, uma das netas veio visita-lo e trouxe o menino bisneto. Alegria pra cá, alegria pra lá, avisou que ia fazer alguma coisa e que logo mais voltaria para pegar o garoto. Prepare seu coração para o que vou lhe contar – a neta deixou o filho e não voltou até hoje. Meio ano passado. E nada da criatura se apresentar para assumir o seu filho. “Quem pariu Mateus que o embale” – remete um poderoso ensinamento popular. Perguntei-lhe se não mandou chamar, telefonar para a mãe do menino. Lá no meu íntimo brotou a ideia de que buscasse a mãe irresponsável pelos cabelos e fizesse assumir a sua responsabilidade, mas não falei. Calei novamente!

Cr & Ag

“Doutor, eu não mandei buscar e nem chamar a fulana. É ela que tem que saber dos seus compromissos e das suas responsabilidades. E eu sei das minhas. Se o menino foi deixado comigo é porque eu tenho que ajudar e criar enquanto eu puder. Estou dando casa, comida, escolinha e tudo que eu posso. Se ela vai responder para alguém, como eu também, que seja para Deus. Esse menino poderia estar abandonado na rua, em qualquer lugar, com gente fazendo maldades com ele como se vê na TV todos os dias, passando fome e necessidade e sem ninguém para lhe cuidar. Então, é porque eu tenho que fazer a minha parte e seja o que Deus quiser”.

Cr & Ag

Quantas pessoas no mundo, quantas pessoas que nós conhecêssemos, assim como nós mesmos teríamos esse tipo de reação, esse formato amoroso e responsável de entendimento? Eu não seria uma delas certamente. E você?

“CIDADE LIMPA”

A Prefeitura de Viamão tem inserção publicitária nas emissoras de rádio – Viamão Cidade Limpa! Elogiável a iniciativa de buscar uma maior limpeza da cidade e o respeito das pessoas pelas pessoas e por onde vivemos e trabalhamos. Caminho diariamente pelas calçadas do Centro Histórico. No início da manhã, com frequência, me deparo com fezes humanas. Alguém ali defecou! Repetidamente em locais diferentes. Pessoas diferentes? Fezes humanas que não se confundem com as dos cães. Tantas vergonhas na cidade e agora temos mais essa. Outro amigo que se depara com isso cunhou a alcunha de “Bosta City”, não Boston City na América.

2018 – 07 – 17 julho – Amor e Responsabilidade – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Gota de Chuva - 2018

Irmãos 21

Mãos 17 - 2017

Mickey com Flores

Vida 29 - 2017

Neymar e Lula! O Ídolo e a Simulação. Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 10 julho 2018.

 

Neymar e Lula! O Ídolo e a Simulação.

 

O

s brasileiros sofrem com mais uma derrota brasileira na Copa do Mundo, agora na Rússia. Em realidade, os soldados belgas e seu general foram ou são mais competentes e eficientes que os soldados e o general brasileiro. Insistimos em depositar nossas esperanças em um talento real, mas com direcionamento e condutas incertas. Neymar é o maior talento futebolístico nacional nesses últimos tempos, da pobreza ao reduto dos biliardários cercados por aduladores e parasitas, além das pessoas cativadas por suas jogadas e que desculpam e explicam suas atitudes e condutas nocivas e jamais recomendadas. A sua conhecida capacidade teatral de simular agressões ou faltas dos adversários, de jogar a imprensa e os torcedores contra a lei estampada na arbitragem, de ser sempre uma vítima daqueles que por ciúme não tem a sua capacidade futebolística e o seu sucesso e, enfim, de transferir culpas e responsabilidades. Viralizam-se vídeos do mais famoso cai-cai mundial, rola pelo chão, corcoveia nos gramados, grita estrepitosamente ao contato de outro atleta adversário como se desmembrado ou faqueado fosse, menospreza colegas de ofício e adota penteados e posturas de megaestrela que tudo pode.

Crônicas & Agudas

Quem teria autoridade para chamar a atenção desse homem que insistem em chamá-lo de garoto para mudar a sua conduta, alterar as suas atitudes, descer ao plano existencial dos mortais e amadurecer antes de apodrecer completamente? A sua apresentação oficial na cena do primeiro jogo do Brasil nessa Copa da Rússia com o penteado de calopsita histérica mostra como sua personalidade deformada enxerga a responsabilidade e os anseios de uma nação. “Ah, mas ele é humano, gente como todo mundo!” A humanidade busca a evolução, a correção de rotas e de condutas, o aprimoramento e o abandono dos defeitos, da pedra bruta ao diamante cintilante. “Ah, mas ele é jovem e isso são coisas da juventude!” Quantas criaturas ansiamos, apoiamos e oramos para que amadureçam e tornem-se melhores pessoas e, no entanto, a podridão se antecipa à maturidade. Diz-se que se espelha no seu pai e mentor. Certamente se repete, se espelha, se projeta nos piores modelos. A idolatria é a cegueira da razão, é a perda do GPS da razão e do bom senso, é o descalabro da disciplina, da humildade, do amor e da gratidão.

Cr & Ag

Sentimos dor, pois nele também projetamos nossas melhores aspirações e resultados para a moral de nossa pátria. Ansiamos outro Senna ou outro Pelé! Ou nem tanto, mas alguém que nos traga as alegrias da vitória num país devastado pela imoralidade e criminalidade epidêmica. Essa espiral de dor e decadência nos aproxima de Lula. Ali também buscamos no operário pobre e mutilado alguém que conhecesse nossas dores e nos conduzisse para um país melhor e mais justo. Apostamos demais nele, contra a razão do salvador da pátria. Parecia ter evoluído e controlado a ideologia comunista (outra denominação?) e ter amadurecido. O apodrecimento, o mofo ideológico brotou voraz nos primeiros goles do caríssimo vinho Romanée-Conti. Aduladores e parasitas formavam a ala principal dessa malfadas escola de samba e assim viu-se que não estava vacinado ou sequer queria manter-se imune ao álcool, sexo e poder crescente. Imensas hordas de obsidiados não se permitem olhar e ver os seus defeitos. Simulador ímpar! Vítima da conduta maligna “dos outros”. Diz-se ser filho do pior sindicalismo predatório. Vítima da arbitragem, assim como Neymar em que todo juiz é um Sérgio Moro. Não há vergonha em acreditar e dar seu suor-e-sangue a uma causa ou a pessoas, mas manter-se atrelado e cego, surdo e mudo (três macacos!) aos erros e falcatruas é ainda mais doloroso e absurdo. A negação pode ser sintomática de enfermidade ou da locupletação nociva.

2018 – 07 – 10 julho – Neymar e Lula – O Ídolo e a Simulação – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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 Idoso 2

Depois a gente vê! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 03 julho 2018.

 

Depois a gente vê!

 

C

ompra-se em dezenas de prestações algo que se julga muito necessário, importante para a vida da pessoa. Isso pode ser uma TV, passando por vestuário, uma viagem ou até um veículo. Estima-se que o valor da prestação é adequado para o ganho ou o rendimento do comprador. Hoje e nos próximos meses os pagamentos evoluem até com normalidade, mas logo ali adiante mais uma ou alguma coisa fará esse comprador sentir a necessidade de nova aquisição. E tem-se uma nova compra com mais prestações. Sem demora irá julgar que os “juros são abusivos”, que está “sendo explorado” pelo vendedor e muitos irão negar a dívida e recorrer à justiça ou à renegociação, quando realmente não teve nenhuma arma apontada para sua cabeça obrigando-o a fazer essa ou aquela compra e muito menos com incontáveis prestações. Muitas pessoas (seria a maioria?) abusa da imprevidência e fatalmente irá culpar aos outros por seus atos e omissões.

Crônicas & Agudas

Brasileiros levam os filhos como companhia ou escudo humano na tentativa de invadir os Estados Unidos pela fronteira mexicana. Jornalistas brasileiros (e até americanos) culpam o governo Trump pela prisão dos invasores e a separação dos filhos. E a responsabilidade de quem leva crianças para uma aventura dessas ou para um crime pelas leis de outro país? Esses acusadores são invariavelmente “defensores dos direitos humanos”. Talvez se a invasão fosse na Venezuela, Cuba, Rússia ou Coreia do Norte não haveria tantos protestos. Um país é a casa de uma nação, de um povo, como a tua casa é da tua família e deve ser respeitado. Conheço casos de pessoas que levaram vários anos desde o visto inicial até a revalidação de seus diplomas e poderem exercer a sua profissão na América. O brasileiro funciona no ritmo do “vamo que vamo” e “depois a gente vê o que faz e no que dá”. E ainda encontra apoiadores para suas ilegalidades ou suas condutas inadequadas. Observe a conduta daqueles brasileiros na Copa do Mundo na Rússia! Ou daqueles que invadiram a Indonésia carregando drogas e ganharam pena de morte, não sem o respaldo de uma “presidenta” que talvez acredite que o crime mereça vantagens e jamais punições.

Cr & Ag

Cultuamos a impunidade dos nossos e ansiamos pelas punições dos outros. Somos imprevidentes por natureza e acreditamos em “salvador da pátria”, em “pai do povo”. “Vamos orar” dizia-me convicta uma amiga. Concordei! Ela estranhou quando lhe indaguei sobre “o que mais devemos fazer além de orar”. Seu espanto aumentou quando insisti em saber o que devemos realmente fazer, qual a atitude melhor para mudar (tentar) a desastrosa vida nacional. Continuar elegendo criminosos? Repetindo os mesmos erros? Sendo imprevidente com a vida pessoal e familiar? Dar a outra face tantas vezes o agressor quiser bater? A obrigação ou a culpa é dos outros? Onde está a responsabilidade pessoal? Há pessoas que acreditam e fazem uma conduta de vida e atitudes dissociadas do mundo ou do lugar onde vivem. Condutas de risco trazem situações de risco. Vista-se com bem quer, use joias ou objetos como bem quer, afinal esse é o seu direito, mas você está estimulando que o pior dos predadores (ser humano) sinta-se atraído por você.

Cr & Ag

Você faz sexo casual sem qualquer proteção? Você quer viver com um viciado violento e depois requerer a lei Maria da Penha? Você compra sem planejamento real e de longo prazo? Você vive e curte o dia a dia sem planejar seu futuro, pois o governo tem que lhe prover? Você insiste em eleger e reeleger bandidos, criminosos e toda a laia de incompetentes e parasitas? E tantas situações mais que você pode elencar. “Depois a gente vê!”

2018 – 07 – 03 julho – Depois a gente vê – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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Evolução - Sua Vida - Sua Saúde

Irmãos 13

Mãos 8 - 2017

O Hodômetro da Idade! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 26 junho 2018.

 

O Hodômetro da Idade!

 

H

odômetro, como sabem, é um aparelho usado para medir distâncias percorridas por carros, veículos e pessoas. Muitos confundem ou sintetizam tudo em “velocímetro” (medidor de velocidade), pois ali no painel do veículo há vários medidores – temperatura, nível de combustível, pressão do óleo e outros. O nosso corpo também tem um “hodômetro” que criamos quando se começou a medir o tempo. Sim, o tempo! E qual o tempo percorrido pelo seu corpo nessa sua existência? Geralmente, a maioria somente se apercebe dessas medições do tempo quando faz aniversário. “Maioria” sim. As mulheres são maioria na nossa sociedade, quando não em número, também em eficiência. Ou seria – “empoderamento”? Com o avanço da idade no ritmo do tempo implacável, vamos perdendo ou diminuindo a velocidade dos movimentos do corpo e vamos ganhando a capacidade de observar, avaliar e tentar entender melhor o entorno. O olhar varre a periferia e deixe de ser focado somente no próprio dedão. Muitos começam a se aproximar das religiões na busca de conforto para o final da existência. Tantas vezes um final anunciado por enfermidades físicas e mentais e solapado pela voracidade de governantes, políticos e autoridades, especialmente dos parasitas e corruptos.

Crônicas & Agudas

Cerca de 24 mil e 500 dias percorridos! O jovem vive o dia, talvez o amanhã sendo um final de semana. Lá pelos 11 mil dias ele, o ser humano, põe na sua alça de mira a década seguinte e olha para mais uns 8 mil dias a frente se preparando “para quando parar”, sendo o pé de meia algo mais que aquilo que se coloca nos pés para melhor acomodar nos calçados. Outro sentimento dessa fase é “fazer tudo que gosto enquanto ainda posso, pois depois de velho eu não sei não”. Também aí o sexo e rock-and-roll deixa a música para opção mais tardia ou somente como atrativo de caça para os lençóis. E observa o tempo que antes se arrastava, depois troteava e agora galopeia quase querendo disparar. Fantasmas se descortinam no horizonte próximo. O futebol virou hora de galeto e churrasco com cerveja e menos jogo de bola. A menopausa ganha perfil e assunto dominante entre amigas e nas rodas vivas da internet. Já se começa a gastar mais com remédios do que com frugalidades alegres. A bolsa de remédios participa das viagens e do lazer e descobre-se que “o sexo vale mais pela qualidade do que pela quantidade”.

Cr & Ag

590 mil horas no hodômetro da idade! Há quem tema acordar, levantar-se, fazer sua higiene e iniciar o dia sem nenhuma dor ou desconforto, pois se a luz for mais intensa, jardins belíssimos, cantos de anjos, criaturas celestiais governando e tudo de belo e bom a sua volta deve beliscar-se energicamente para se constatar ainda vivo ou sobrevivendo no Brasil deles. Curioso? Ou real? O check-up que antes era dispensável, agora reúne várias planilhas de exames, médicos de várias especialidades, clínicas e hospitais e submissão a dedos violadores de orifícios que somente eram de saída. Ops, há exceções! Muitas. “O tempo em que menstruava” vira causo “do meu tempo”, como uma guerreira viking remanescente de batalhas onde sangrou, mas não morreu. Glórias do passado ainda passado a limpo, assombrado pelo temor do alemão destruidor de mentes e vidas – o Alzheimer!

Cerca de 352 milhões e 152 mil minutos! Qual o sentimento que primeiro vem à mente? Gratidão! Isso aí, Gra-ti-dão! Desde ser amado antes de nascer e a permissão para percorrer essa longa estrada, a gratidão vem do antes, ilumina-se durante e palpita o coração no agora. Entre tantos tempos, a gratidão a você que me acompanha e entusiasma. Muito obrigado! E que Deus abençoe e ilumine todos nós e ao mundo tão sofrido.

2018 – 06 – 26 junho – O Hodômetro da Idade – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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Amor - Donald e Margarida

Irmãos 14

 

Irmãos CR 21

O Túnel, o Sapo e o Poço! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 19 de junho 2018.

 

Túnel, Sapo e o Poço!

Há uma vocação (ou invocação?) nos ensinamentos populares de nos dar esperanças e jamais nos deixar acalentar o sentimento de que se algo está ruim um dia, algum outro dia irá melhorar. Assim é a famosa “luz no fundo do túnel”. A luz representa a saída da escuridão e dos temores primitivos que nos causa medo, os mais variados, e nos assombra. Sempre, em todos os momentos da humanidade, a luz representa proteção, segurança, domínio do entorno, estar preparado para se defender e atacar, se necessário. Também a luz representa no nosso íntimo o alimento em todas as religiões de que uma nova vida com mais esperança e proteção nos aguarda. O mundo das sombras sempre representa o lado negro da força, da desgraça com seus mais pérfidos demônios. E o túnel com suas sólidas paredes, no interior da terra, dentro da montanha e… Acelerar para buscar o final, a saída, a luz no fim do túnel.

Crônicas & Agudas

Nessa mesma linha de incentivo e de entendimento está a está a estória do sapo Saponáceo e da sua companheira Sapatilha. Moravam numa grande lagoa cercada por terrenos pantanosos. Ali havia um tipo de governo que causava inquietude e desconforto para os artistas e “intelectuais”, pois todos deveriam trabalhar para ter comida na barriga e ter uma casinha nos juncos. Além disso os sapinhos eram obrigados a ir à escola para adquirirem a sapiência. A polícia dos sapos era muito enérgica e sapo bandido era bandido e devia ter o destino de bandido. Isso também causava revolta da comissão dos direitos dos sapos. Eis que a Sapatilha começou a flertar com as ideias que circulavam sobre um poço lá fora do pântano. Diziam que ali era o paraíso social, igualdade para todos, comida na mesa, nem precisam caçar as suas moscas, o governo dava moscas para todos, todos teriam casas, bolsas variadas e trabalho, muito pouco trabalho.

Cr & Ag

Saponáceo resistia como podia, mas certo dia foram visitar o tal poço, famigerado poço. Nesse dia havia um protesto do sindicato dos sapos socialistas e no quebra-quebra a Sapatilha jogou-se no poço e Saponáceo saltou atrás da amada. O que o amor faz com os sapos! Poço muito, muito fundo. Lá havia uma grande comunidade de sapos, uma sapalhada imensa. De cara notou que todos usavam as mesmas cores e tinham as mesmas verrugas, tudo cinza. Inicialmente foram bem recebidos e assim imaginava que teriam um boa vida. Ledo engano. Os tempos passaram e tudo ficava cada vez pior para os sapos do povo. Os sapos dirigentes viviam nababescamente e roubavam escandalosamente as estatais dos sapos. O sonho virou pesadelo. Os novos sapos que caiam no poço reiniciavam o ciclo. O povo sapo e Saponáceo olhavam para cima e lá longe estava a luz, dias de sol, noites de estrelas, luas cintilantes, mas tudo visto, observado e sentido do fundo do poço. Imagine-se ali e visualize aquele anel distante que é a boca do poço. E sentiam saudades daquilo que tinham em tempos passados e voltariam a eles se pudessem, mas estavam no fundo do poço e dominados pelos sapos da escuridão.

Cr & Ag

Alguns jornalistas e autoridades querem identificar os autores e incentivadores dos pedidos de “volta dos militares” ou “volta da ditadura” que ocorreram na paralização dos caminhoneiros. Alguns militares esforçam-se por desacreditar os próprios militares. Subliminarmente está a propaganda contra o candidato que representa a organização, a disciplina e a idoneidade dos militares idealizados – o Bolsonaro. Não estranham querer a volta de Lula. Exercite a analogia do sapo no fundo do poço e será muito mais fácil e honesto entender o anseio e a vontade das pessoas.

2018 – 06 – 19 junho – Túnel, Sapo e Poço – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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O Livro e a Mente - 2018

Dia dos Namorados! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 12 junho 2018.

 

Você quer namorar comigo?

 

N

os encantamos com o girassol, a atração das suas cores em vários tons de amarelo, sua natural exuberância física, a atração que exercita sobre os pássaros e vários insetos, como as magníficas abelhas que vem buscar o néctar de sua plenitude. A flor isolada já é bela, com outras a beleza se multiplica. Um campo de girassóis é algo que o coração capta e identifica como um bailado à luz. Sim, à luz! O girassol tem uma propriedade que se chama heliotropismo. É atraído e se volta para o sol, para a luz primordial, para a luz da vida. Nós, criaturas de amor, temos um tropismo positivo que nos impele, que nos atrai e nos encanta no namoro. Somos seres que necessitamos e buscamos o amor. Esse divino sentimento se abre pela porta sutil do ato de se enamorar de alguém. E persiste, prossegue, almeja e persegue pelo namoro.

Vamos namorar?

O namoro tem sempre um início, um começo, um desabrochar que se traduz num lampejo de olhos, num tremor fino das mãos num pretenso toque, num suspiro como se o coração tivesse um baque e… O coração que se sente atraído, capturado, voltado, encantado com aquela luz invisível para todos, mas como se um girassol interno, pulsátil, pleno de desejo de se aproximar e jamais interromper aquele momento. Assim começa com um protocolar ‘vamos namorar?’, que pode estar revestido de prévios ‘tomar um café’, ‘ver um filme’, ‘dar uma banda’, enfim, nos meandros que somente os enamorados conhecem e fazem seus caminhos e descobrem os seus atalhos. A beleza está no detalhe, na sutileza do tempo conquistado, na pressa contida para eternizar o momento, perenizar o tempo e não sair dessa atmosfera de encanto no sabor de um beijo rápido e logo intenso. A afinidade se desenrola no trepidar dos abraços e codinomes de aproximação e de identidade única: gato e gata, minha boneca, paixão, primeiras letras do nome, minha índia, my baby e tantos outros que o coração habilmente inventa e possui.

Quero te namorar!

O toque que progride e evolui e que desconhece o atalho do simples olhar ao tropel esfaimado dos lençóis revoltos. Eis que o namoro é o orgasmo eterno enquanto dure, sem fim, para toda uma vida daqueles enamorados que persistem nesse ritual apaixonante e são namorados todos os dias em todas as vidas. O namoro sofre com a distância, magoa-se com a unilateralidade, encanta-se com a existência, descobre-se nas cores e gestos de todos os filhos da natureza e luta nas trincheiras do amor consentido e nos desgastes naturais das rebarbas da vida cotidiana e tantas vezes implacável. O namoro amadurece com a vida a dois e logo novos qualificativos identifica-os: dona maria, seu Pedro, a patroa, teu pai e tua mãe, mãezinha e paizinho entre vários. Ou mantém o furor apaixonado: paixão da minha vida, amor meu, meu destino e outros não arredam o coração daqueles apelidos iniciais e de encanto em encanto vão sedimentando uma existência que se desabrocha em outras flores, outros girassóis no jardim da vida a dois.

Quero te namorar sempre!

O corpo dilapidado com as agruras da vida se traduz no amor cintilante de “meu velho e minha velha”, sem nunca prescindir daqueles nomes que cultivaram no jardim inicial e que jamais se apagarão no afastamento físico da separação final ou nos descaminhos e atropelos do tempo. Namoro jamais é posse. O objeto do namoro jamais deve lhe pertencer como uma propriedade. O namoro é o encontro do mais puro amor sublimado em nosso coração e que aspira que a sua vida se reflita com similar intensidade e pureza no coração do outro – namorados! Sempre!

2018 – 06 – 12 junho – Dia dos Namorados – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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06 - Dia dos Namorados 2016

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