De Asa Quebrada! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 05 junho 2018.

 

De Asa Quebrada!

 

A

 maioria dos amigos e amigas que me acompanham nessa jornada semanal de Crônicas & Agudas jamais viu ou participou de uma caçada de marrecões (Netta peposaca). Esse já foi o maior esporte dos viamonenses num tempo em que muitos cidadãos tinham uma arma de caça, espingarda, geralmente de cano duplo paralelo ou anos montados e principalmente no calibre 12, o mais poderoso. Alternativamente usavam os calibres 16 e 20. Os cartuchos de munição eram carregados com grânulos de chumbo com o tamanho selecionado pelo caçador. Eram comuns se municiarem, carregarem seus próprios cartuchos em casa. O senhor Osvaldo Mendelski, pai do conceituado jornalista Rogério Mendelski, tinha sua oficina onde carregava a munição e consertava armas dos amigos mais próximos. A caçada realizava-se nos campos alagados e banhados ou, ainda, nas restevas de arroz. A maioria dos marrecões eram aves migratórias, daí o nome de Marrecão da Patagônia. Uma ave belíssima, principalmente o macho com suas penas de azul noite cintilante, porte altivo, cabeça bem marcada por vermelho colorado. Diz-se ser a única ave que jamais para de bater asas voando tal qual um míssil.

Crônicas & Agudas

O caçador escondia-se atrás de folhagens (negaça) ou nas barrancas das taipas. Usava atrativos que os imitava (chamas) e um apito. Essas chamas eram colocadas numa água clara para serem melhor visualizadas e mais atraentes ao marrecão. O marrecão tem o ‘cruzo’, que é uma trajetória bem marcada pelos bandos, não voam aleatoriamente como bêbado em comício. O caçador precisa de sua habilidade para calcular a distância real e o ponto futuro para o correto tiro. Sempre se buscava o macho belo e impetuoso e o melhor tiro. As aves feridas deveriam ser novamente caçadas e mortas (tiro de misericórdia). Jamais se deveria deixar um marrecão sofrer lentamente na morte anunciada. Isso fazia o verdadeiro caçador parar a caçada (atirada) para buscar as aves feridas. O marrecão é um lutador excepcional, jamais se entrega. Tenta alçar voo, mas baleado, asa quebrada, cai novamente. Seu desespero é brutal vendo o caçador se aproximar e seu destino fatal estar ali. Aquele que não recebia o tiro fatal (de misericórdia?), morria com pancadas na cabeça com o bastão que o homem usa para caminhar nos alagados barrosos ou na coronha da espingarda.

Cr & Ag

Aquele olhar da mais bela ave para seu algoz (caçador) fez a desistência da prática para muitos que se tocaram profundamente e abandonaram as caçadas. As mortes eram por cotas que o governo estabelecia, mas alguns caçadores extrapolavam criminosamente pelo prazer de matar, pela orgia da matança, pela bestialidade orgulhosa da garganta alardeando “ser um baita caçador”. Praticamente não existem mais banhados e caçadores de marrecão e muito menos marrecões. Exterminados pelos caçadores e pelos venenos da agricultura, são luzes e sombras de uma vida que passou.

Essa paralização ou greve de caminhoneiros também foi auxiliar para os governantes terem a quem debitar sua incapacidade e criminosa administração. O brasileiro é, de longa data, uma ave de asa quebrada. Baleado nas suas necessidades essenciais. Dividido em cotas para o abate. Saíram dos banhados para o ar refrigerado dos gabinetes e do luxo dos resorts. Os matadores estão no grupo Nós, as presas e vítimas estão no grupo Eles! Ao contrário da ave de alma pura na natureza, somos incivilizados e cavamos digitalmente num terminal de voto os sete palmos que nos sepultarão. Centenas de milhares são abatidos no alagado fétido dos hospitais e postos sucateados, da insegurança quase absoluta, do pardieiro escolar, tantos mais, no “cruzo” com ou sem o atrativo das “chamas”. “O brasileiro é um forte”! – Como você entende isso?

2018 – 06 – 05 junho – De Asa Quebrada – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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A Vida na Boleia do Caminhão! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 29 maio 2018.

 

A Vida na Boleia do Caminhão!

Quando o pessoal sabe da minha vida numa motocicleta fazendo longas distâncias sempre vem uma série de dúvidas e inquisições. Uma das mais frequentes se refere ao convívio com os caminhões e os caminhoneiros. Geralmente estranham quando conto que não tenho nenhuma queixa pessoal dessa classe, pelo contrário, sempre tive uma convivência de harmonia. Nas paradas era comum algum ver aquele casal numa moto tão longe de sua cidade, observando a placa. E conversar sobre moto é uma alegria contagiosa para o bem. Na pilotagem jamais fiz aquilo que é comum nos motoqueiros (pejorativo) e ausente nos motociclistas – jamais forcei ultrapassagens ou criei dificuldades para o caminhoneiro e seu caminhão. Sempre tive o princípio de que eu estava ali numa melhor, passeando e me divertindo, enquanto o caminhoneiro está a trabalho e por vezes (muitas) longe de sua casa e de sua família por longos períodos de tempo. Logo a prioridade da estrada é dele e não do turista.

Crônicas & Agudas

Atualmente ainda tem a comunicação por internet em várias formas, mas até a pouco tempo viam-se filas nos orelhões dos postos de gasolina nas rodovias. Geralmente são mal pagos e trabalham excessivamente, com escasso descanso. Aqueles funcionários de empresas ainda não correm todos os riscos serem cobrados de seus ganhos nas desventuras das péssimas estradas, mas também trabalham contra o relógio. A maioria não vê o crescimento dos filhos e raramente podem curtir com a família as festas comuns à todas as pessoas. Economizam na comida para sobrar mais para a família ou para pagar as intermináveis prestações do veículo. Nada disso importa para os políticos e para muitas pessoas que olham os caminhões atrapalhando o seu carro e “encarecendo” suas mercadorias e tudo mais. Pior – alguns os acusam de “vagabundos”.

Cr & Ag

O retardo intelectual de muitos jornalistas deve competir com sua subserviência. Se do político pouco se pode esperar de consideração e respeito, ao informador e formador de opinião deveria sobrar. Deve ser simetricamente proporcional à má qualidade da Medicina parida por centenas de “faculdades” da era Lula-Dilma-Temer. Considera-se a “diminuição da arrecadação do governo e a piora do orçamento público”. Safadamente não mencionam a brutal carga tributária direta e indireta que nos esfola vivos. Mais da metade produzido é devorado pelo governo, políticos, organismos públicos e toda a fauna de parasitas que com as bocarras abertas engolem nosso trabalho. Acham maneiras de aumentarem impostos, jamais de diminuírem. Por isso também o Donald Trump é “louco” – reduziu drasticamente muitos impostos, gerando diretamente mais empregos e mais consumo e indiretamente aumentando a arrecadação. Lembre-se que governo e entidades públicas necessárias e parasitas somente existem porque nós trabalhamos (e muito) para mantê-las com as suas mordomias e privilégios (“legais e necessários” – ainda alegam, absurdo!)

Cr & Agclip_image002

O motorista na boleia do caminhão ou o seu patrão(brasileiro sofrido com direito de protestar) não aguentam (como nós) a extorsão diária e sem fim dessa gente. A diferença é que eles berraram. E berraram alto! E sem nenhuma bandeira de sindicato ou de partido político. Ninguém viu (foram corridos, enxotados) a turma da CUT, partidos capitaneados por presidiários, MST, os frequentes trancadores de estradas ou “movimentos sociais”. Somente a bandeira do Brasil. O Brasil que nos tomaram na mão grande. Hoje sábado, não sei do desfecho do protesto no final de semana, mas seja do caminhoneiro autônomo ou do empregado que está esgotado com seu patrão, eles nos mostraram que estamos perdendo tempo e fazendo um Brasil de vergonha para nossos filhos e netos.

2018 – 05 – 29 maio – Na Boleia do Caminhão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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O Mundo Instântaneo e a Indigestão! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 22 maio 2018.

 

O Mundo Instantâneo e a Indigestão!

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clip_image001ealmente é mais fácil, bem mais simples engolir e digerir um copo de Nescau, de Toddy ou de Leite Ninho Instantâneo do que as cores, sons e imagens que atropelam alguns e desnudam outros nas faces da nossa vida, do nosso cotidiano de insegurança, roubalheira mafiosa – há quem ateste que a máfia teria que estagiar e fazer pós-graduação com o crime organizado do PT, PMDB, PP e PSDB, entre vários outros menos abonados e elitizados – e saúde deteriorada aos padrões do submundo do século XIX. Ops, exceto para a elite que borda e não se cora com sua saúde tratada no hospital Sírio Libanês. Em 2003 Lula e o lado negro da força tirou-nos o legítimo e universal direito de defesa da própria vida, da nossa família e da nossa ‘suadamente’ (ou seria sudoreticamente?) adquirida propriedade, como um carrinho 1.0 em 92 mensalidades. Fizeram ainda mais – legalizaram a Pena de Morte! Sendo o criminoso um ‘trabalhador’ na sua profissão e uma ‘vítima da sociedade de consumo’ e o cidadão um mero ‘efeito colateral’. Isso é a realidade instantânea de mais de 60 mil assassinados por ano no Brasil. De quase 50 PM mortos no Rio de Janeiro nos primeiros meses desse ano. Há algum país civilizado sem guerra de serem assassinados meia centena de policiais em menos de meio ano numa única cidade?

Crônicas & Agudas

Imagens viralizadas do dia 12 de maio, pouco depois das 7 horas, numa porta de escola infantil, numa faixa de segurança frontal, um marginal armado de revólver ataca as mães e as crianças para roubar e até matar (alguém duvida?). Na sequência, uma mulher saca de sua pistola e alveja o criminoso que cai ao solo. A mulher (talvez policial) afasta a arma do criminoso e o coloca de bruços e verifica se não porta outras armas. Logo o vídeo termina. Não tenho a conclusão. Perguntei a diversas pessoas que viram o vídeo e as respostas se somaram: – o que teria acontecido se não houvesse alguém armado e treinado? Por que não temos armas de defesa pessoal quando é notória a impotência da polícia? Todos lamentaram que o criminoso ainda estivesse vivo ao fim do vídeo, principalmente (todas) as mulheres.

Cr & Ag

Outras imagens circulantes, como se gravadas por policiais militares no trabalho. Um vagabundo se fazendo de mudo e enrolando a língua enquanto o policial diz-lhe que já o conhecem e que sabem não ser mudo. Algum tempo depois e o marginal fala normalmente. Outro vagabundo numa cadeira de rodas toma o mesmo tipo de ‘calor’ da polícia e sai a caminhar normalmente. Outro caso fantástico – um ‘aleijado’, um cara todo torto e amontoado no solo. Qualquer um de nós estaria compadecido da sua condição e de seu sofrimento e colocaria dinheiro na sua caixa e se sentiria aliviado como quem fosse absolvido por um bispo ou até por um papa, de alma mais limpa. Eis que a polícia, sempre filmando, manda o cara se ‘levantar e caminhar’, ‘nós te conhecemos’, ‘levanta daí’ e novamente um ‘milagre’ acontece – o ‘aleijado’ caminha com desenvoltura. Milagres instantâneos ainda acontecem pela via curta – pela polícia!

Cr & Ag

Há muitos descrentes, principalmente descrentes do poder da polícia. Divulga-se que no norte-nordeste dezenas ou centenas de milhares de pessoas recusam trabalho com carteira. Descobriram o milagre da multiplicação pelas bolsas pagas pelo teu suor e com aquilo que tiram da tua família. Vários milhares de mortos continuam a receber mensalmente a previdência que você paga e que jamais vai conseguir se aposentar. Muitos milhares mais estão recebendo auxílios-doença e aposentadorias frias como bundas de pinguim que novamente você paga para ‘acabar com a desigualdade social’ e sustentar ‘movimentos sociais’. Há como engolir tudo isso no dia a dia? E como digerir?

2018 – 05 – 22 de maio – O Mundo Instantâneo e a Indigestão – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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P28 - Depois do TRF 4

Um Mundo Instantâneo! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 15 maio 2018.

 

clip_image001Um Mundo Instantâneo!

U

ma das melhores (poucas?) vantagens da idade é lembrar-se, quando possível, da evolução de nossa vida, de nossos hábitos e costumes e da ‘balaca’ verbal de políticos, imprensa e assemelhados. Inicio essa crônica com a memória ativada pelo Leite Ninho Instantâneo. Meus pais acharam fantástico. Que coisa maravilhosa juntar água ao pó de leite e num flash ali estava o leite Ninho pronto para ser deliciado, sem precisar do exercício de mãos e braços batendo o leite aos poucos com água e sem deixar empelotar. Economia de tempo e de esforço. Mas eu gostava tanto daquele mingau que ficava o leite em pó batido que perdi algo bom para mim. O mesmo aconteceu com o Toddy Instantâneo. Era só juntar água e o Toddy ou Nescau e beber. Simples demais. A magia de ligar um rádio ou uma televisão e esperar as válvulas aquecerem e daí ter o som e a imagem nascendo de um parto natural acabaram com o transistor em que ligou e já funcionou – era mais que uma cesariana eletrônica, se me entendem.

Crônicas & Agudas

Isso aconteceu com a informação. Era legal esperar semanas para assistir os golos do Flamengo e do Botafogo no jornal do cinema. O pessoal viajado cantava marra sabendo os desfechos das novelas no Rio de Janeiro quando aqui a trama ainda estava no auge. Na vida de todos nós, o namoro, noivado e casamento encurtou-se tanto que virou sexo casual e ocasional e a mística do matrimônio virou algo como o casamento da Rapunzel ou da Cinderela – um conto de fadas. E a ‘maldita’ globalização atropelou a turma contrária ao conhecimento e ao desnudamento do mundo. A safadeza jamais seria a mesma. O Estado Islâmico se existisse durante os governos militares estaria idolatrado e seu pessoal estaria recebendo polpudas ‘indenizações’ pelo resto de suas longas vidas. Acabaram com os filmes das máquinas e tudo virou digital, num clique veio a instantaneidade e a sua transmissão pessoal e mundial.

Cr & Ag

A mentira começou a ter as pernas mais curtas, não tanto quanto as mentes daqueles que nelas precisam, necessitam ardorosamente acreditar e persistir na idolatria. Ia-se num orelhão e colocavam-se incontáveis moedas e tão logo se iniciava a conversa caía a ligação. Pouco antes disso, solicitava-se a uma telefonista uma ligação para Porto Alegre. Hoje a espera daria para ir à Brasília de avião. Coisa incrível o que esses liberais e capitalistas fizeram com o mundo, como dar telefone, computador e essas magias para uns e pesadelos para outros da vida instantânea. A revolta se estampava nos ‘movimentos populares’ de ‘Fora Globalização’ e similares. Incrível que até a Justiça, apesar do Gilmar Mendes e genéricos, se desenroscou, desenovelou e está se informatizando e os processos se agilizando. Logo os processos de duram 15 ou 20 anos estarão durando breves 10 anos e alguns meses.

Cr & Ag

A tela do celular e da TV ou do computador escancaram a podridão que se acomodaria numa fossa sem fundo de algum escaninho legal. O poder teme a luz. O poder teme ser desnudado e ter a mostra seu corpo infectado e infeccionado, transmissor da virulência de seus atos. Veja o caos maligno da Venezuela bolivariana de Chaves, Maduro e dos irmãos Castro. Tudo seria ‘mentira do imperialismo ianque’ se não houvesse uma simples Roraima brasileira e parcialmente nutrida pela sofrida democracia brasileira. A chaga seria uma ‘mentira’ como atestava do alto de sua relevância uma grande autoridade universitária ancorada nos organismos internacionais (sic). Sérgio Moro, Tribunal Federal da 4ª. Região em Porto Alegre e tantas outras autoridades nos ensinam que nem tudo está perdido e que apesar das dificuldades a lei pode prevalecer e que estaremos assistindo quase que instantaneamente seu desenrolar. E essa luta depende de cada um de nós que sustenta esse Brasil de criminalidade crescente e ladroagem sem temor das leis.

2018 – 05 – 15 maio – Um Mundo Instantâneo – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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P31 - A Culpa é do Gato

“Relaxa e goza” – “Estuprou, mas não matou” – Roubou, mas fez”! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 08 de maio 2018.

 

“Relaxa e goza!”

“Estuprou, mas não matou!”

“Roubou, mas fez!”

Nas minhas viagens para locais distantes do torrão setembrina, da lendária Viamão Primeira Capital de Todos os Gaúchos, cultivo o hábito de locomover-me muito de táxi, ou de metrô, quando disponível. Conversar com taxista tem algo de especial pela sua visão de uma cidade e de um povo diverso na sua essência. É uma forma de comparar a bronca em que vivemos com a bronca dos outros. Parece, para uns, que o traseiro dos outros está mais sujo que o nosso e que os nossos problemas são até menores. A conversa de pacientes em sala de espera é mais ou menos assim, muitas vezes. Havia uma frase simbólica de Paulo Maluf e associados-postes: – Rouba, mas faz! Ouse perguntar: – Como assim? Mas não é ladrão? O taxista esboça aquele sorriso de autoridade pública, de quem sabe avaliar e dar nota para aquilo que os demais mortais não enxergam. Coloca a bola na marca do pênalti e enche o pé, digo, a boca: – É tudo gato, ladrão da pior espécie, mas tem aquele que faz alguma coisa e outros que só roubam e nada fazem. Assim sendo, estaria desculpado e indicado para uma nova eleição. E na soberba o “motora do táxi” ia mostrando os feitos do seu ladrão predileto: – Tem esse viaduto. Aquela elevada. Essa escola. Etc.

Crônicas & Agudas

Já numa esticada de táxi na Argentina, o castelhano foi mais radical: – Tenemos que matar-los todos! Algo assim. A pátria da jabuticaba deve ser diferente do resto do mundo. O nosso comunista tem a fórmula para que o comunismo que não deu certo em nenhum lugar da Terra, aqui será a solução de todos os velhos problemas. E até daqueles do porvir. O socialismo tupiniquim do FHC, esgrimido na crescente de Mensalão e Petrolão do Lula, estuporou-se na obtusa mente da Dilma e corre como cachorro cego em tiroteio com o Temer. E a canalha se candidata. Pior, se elege e uma tropa de parasitas e aproveitadores lhe acompanha nos holofotes do cargo e nas sombras da ladroagem e da corrupção desenfreada. É malufiana (de Paulo Maluf) a frase: – Estupra, mas não mata! Outros a atribuem a conhecida defensora da bandidagem. Pense na situação em sua família (“Quem tem, teme”!) em que haja um estupro! Contam que durante uma defesa do seu cliente um causídico: – Fulano até matou, mas em defesa própria e sem requintes de crueldade como os outros…”

Cr & Ag

A Marta, do sobrenome Suplicy como grife (?), é mencionada como a autora da orientação: – Relaxa e goza! O socialista brasileiro é o cara em que a pimenta só arde no dele, nos olhos dos outros é pura festa, regozijo e direito humano dele. Como alerta o Pastor Silas Malafaia, essa turma não descansa até a destruição da família. Um jornalista da Guaíba, contra-ponto do Mendelski, protagoniza a defensoria da liberação das drogas como solução para diminuir a violência e a criminalidade. E cita países numa ideação que seria maluca se não fosse mau intencionada e safada. Alerta: – tem que tentar fazer diferente do que se faz e não deu certo. O mesmo não vale para a liberação de armas para o cidadão tentar sair do corredor da morte, num país com mais de 60 mil mortes por ano. Onde desde 2003, o governo Lula decretou, contra vontade popular, a pena de morte para os cidadãos honestos, impedindo a defesa natural da vida e da propriedade ameaçadas elos criminosos. Observe como defensor de bandido, adulador e protetor de criminoso, ativista de direitos humanos, é contra o cidadão honesto, sua família e aquilo que adquiriu com o seu trabalho. Pense! Entenda! É necessário, pois a história nos mostra que estamos escolhendo piores políticos a cada nova eleição. Infelizmente!

2018 – 05 – 08 maio – Rouba mas faz – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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P27 - Gauchão

“Trupiquei no Toco”! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 24 maio 2018.

 

“Trupiquei no Toco”!

 

A

 palavra do homem retrata a sua experiência contada e acumulada em prosa ou verso. Daí também se entenda “o homem”, ser humano, como o coletivo, a humanidade ou a comunidade. Somos embalados e assediados por esse tipo de conhecimento, essa forma de percepção dos fatos e das pessoas e somos instigados a usar e abusar desse entendimento ou dessa visualização. E o vocabulário das pessoas no dia a dia pela batalha da existência não é dourado pelos vocábulos ou palavras ornamentadas dos eruditos de plantão ou pelo preciosismo como de membros do Olimpo do judiciário brasileiro. Dar topadas ou tropeçar vem sem engasgos ou brancos de memória como “trupicar” e todas as derivações desse verbo popular e bem acolhido na nossa linguagem de se fazer entender e evoluir. Caminhe pelas calçadas e passeios de Viamão City e trupicar não será somente uma figura da linguagem cotidiana, será um exercício de sobrevivência. Evitar detonar o megalomaníaco dedão do pé, solenemente chamado de hálux, que poderia ser nome de filho de político. Assim como evitar as quedas e as consequente filas do SUS para quem não é aquinhoado, abençoado com as maravilhas da Medicina do Hospital Sírio Libanês, tão distante da imensa maioria dos mortais.

Crônicas & Agudas

Todos já trupicaram, tropeçaram e deram topadas. Até de arrancar a unha magna. O Torneio Roberto Gomes Pedrosa era um campeonato de futebol que precedeu o Brasileirão. Inter e Grêmio disputavam seus jogos no abandonado Estádio Olímpico. Lá estava eu na longínqua juventude. Havia um degrau e uma valeta rente ao alambrado da arquibancada popular e o pessoal do sarro ou da gozação tinha um rito: gritava algum nome (Zeca, por exemplo) e sempre alguém virava automaticamente a cabeça para a direção do berro, mesmo que não fosse seu nome. E assim trupicava e caia, derrubava outros ou saía “tastavilhando” (outra formosura da linguagem). O pessoal se divertia mais do que com o jogo. É quase uma regra que exploda a risada quando alguém dá uma topada em qualquer coisa.

Cr & Ag

No corte do mato, o trabalhador deixa aqueles tocos apontados para o céu, como a orar pela dor de sua morte. Alguns pela morte temporária, pois iriam brotar e renascer. Ao menos até novo corte. Muitos tocos eram incendiados, queimados. Outros seriam arrancados pela força dos braços ou pelo poder do trator. Frequente, aos menos atentos ou aqueles em que os olhos até deixaram de apreciar as belezas da vida, trupicarem nos tocos. Trouxemos o tropeçar real para as formas mais simbólicas. Tropeça-se nas palavras. Trupica-se em atos e atitudes. As dificuldades fazem as topadas serem mais frequentes e dolorosas. Um amigo trupicou numa mulher linda por demais e deu-se o crime do padre Ermengardo. A paixão anabolizada pela testosterona sacode o coração e cresce na cueca. Coisa medonha para uns, especial para outros. E a trupicada se repetiu num aquecido embate nos lençóis. O resto será tema de alguma outra crônica.

Cr & Ag

O Supremo Tribunal comandado pelo histriônico Gilmar Mendes tem trupicado abusivamente na ética e na moral pretendida e tem sido um exemplo vergonhoso daquilo que um Supremo tribunal de qualquer país democrático e civilizado jamais deve ser. Essa gente trupica no povo, como se nós fôssemos somente um toco a atrapalhar sua caminhada onírica (pesadelo para nós que não somos obsidiados ou mamadores). E nós eleitores que continuamos trupicando em tocos que até em postes se transformam (vide Dilma para os mais alheios). Trupicamos elegendo e perpetuando essa escória corrupta (palavra leve para o pior ladrão).

2018 – 04 – 24 abril – Trupiquei no Toco – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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P26 - Nosferatu

Dormindo nas Palhas! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 17 abril 2018.

 

Dormindo nas Palhas!

O Diabo tem todas essas qualidades (ou defeitos) não é somente por ser Diabo, mas é também porque ele é muito velho. Está aqui desde antes do começo do mundo”, é outra dessas pérolas da sabedoria popular. Muitos de nós desconhece, não sabe ou nem imagina o que significa o título acima – Dormindo nas Palhas. Alguns pela idade avançada, seres longevos, outros pela exploração continuada das páginas dos livros perscrutando mundos sonhados e imaginados, ainda aquele que nos bancos escolares se apaixonaram pela história e vararam o conhecimento humano conhecem-na. Está a palha em suas mais variadas origens e apresentações acompanhando o homem na sua caminhada no planeta. No vestuário, como os chapéus de palha. Na proteção e embalagens de alimentos – a velha rapadura de melaço. No ritual do fumante ao sorver seu palheiro ou cigarro de palha. E nas moradias do homem e de seus animais – móveis e revestimentos dos pisos.

Crônicas & Agudas

Certos mosteiros ofereciam salas coletivas para o sono, descanso e alguma sopa para os viajantes e alguns abandonados. Raramente o piso não era somente de terra, que recebia uma camada de palha seca para o singelo conforto das criaturas. Camas? Luxo dos abonados e dos nobres de berço ou de espada. Ao amanhecer a palha era recolhida e amontoada próxima ao permanente fogão aceso ou em algum estrado de madeira. As casas eram de chão, de terra nua. Inclusive as paredes – pau-a-pique ou de tapumes. Nas vilas as pedras custavam muito caro, assim como os tijolos de barro com estrume e palha, etc. As pessoas dormiam amontoadas nas suas humildes casas, inclusive com os animais. A necessidade do calor aproximava os corpos. E a palha ali sempre esteve. Inclusive nas masmorras, muitas abaixo do nível do solo, paredes de rochas, ausência de luz natural e muita humidade. A ausência da palha e a sua substituição trazia um maior e mais penoso pesadelo ao encarcerado que devia sobreviver com seus dejetos e a água com o frio e logo as doenças.

Cr & Ag

O homem, em contínuo aperfeiçoamento, aprisionou a palha em sacos que deram origem aos colchões. Aos dominantes, os colchões eram das mais macias plumas. Os estrados se transformaram em camas e berços com a técnica dos artesãos para o maior encantamento. Dormir num colchão de palha seca era tudo de bom. O gaúcho trouxe o pelego que aquecia e protegia seus glúteos sobre o espinhaço do cavalo para a sua cama de todo lugar. Para dormir, relaxar e amar! Um couro bovino curtido poderia ser usado por baixo do colchão para protege-lo da humidade. Era comum aqui em Viamão City ou na área rural que nos dias de bom sol, os colchões fossem colocados ao sol e vento para secarem da urina escapada, como de outros fluidos corporais. Os índios americanos aproveitavam os formigueiros para ali colocarem suas roupas e usos de cama, assim as formigas “limpavam” das pulgas, piolhos, muquiranas, etc.

Cr & Ag

Dormir nas palhas” também significa bobear, passar do ponto, perder a jogada. O juiz Moro determinou que o Lula condenado tenha as melhores condições de encarceramento que os 99,99% dos apenados do Brasil em condescendência ao seu cargo de ex-Presidente do Brasil. Essa benevolência hoje parece legal pelo perfil da humanidade atual, no entanto, quantos milhares de brasileiros definham em leitos de pedra, cadeiras de rodas, filas intermináveis sob as intempéries ou sepultos em cova rasa em algum cemitério de periferia pela omissão e deliberada cegueira (se fosse somente isso) pela roubalheira mafiosa, articulada e executada a sua volta? Ou aos bilhões de dinheiro “doados” para seus “governos amigos” que também fazem falta da mesa à cama dos brasileiros? Certamente ele não dormiu nas palhas e nem dormirá!

2018 – 04 – 17 abril – Dormir nas palhas – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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P25 - Coringa

A Tarrafa! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 10 abril 2018.

 

A Tarrafa!

[“Há dias em que a gente se sente como quem partiu ou morreu…]

S

entia-me deslumbrado e um tanto apaixonado ao vislumbrar uma cadência mágica do pescador arremessar a sua tarrafa que se abre como um véu de noiva (outra designação popular da tarrafa) ao vento e cai sem estrépito na água indo num mergulho suave juntar seus braços vertebrados pelo chumbo com a prisão dos peixes e de outros seres aquáticos. Tanto do homem solitário e silencioso numa margem quanto de vários que se alternam num bailado som a luz do luar ou ao cintilar da espuma cravejada pelo sol. Há Oliveiras caçadores e/ou pescadores. Todos Colorados! Seu Aldo era um desses modelos de Oliveira que mesclava a disciplina do velho Olympio com a doçura da vó Celina. Pescava em rios, lagoas e no mar. Cada época com seus peixes e seus instrumentos – caniços, carretilhas, redes das mais variadas, arrastões, espinheis, fisgas e… tudo que a imaginação cativasse. Nunca foi um tarrafeador de sua predileção. Eu já enveredei por esse meandro e jogava uma tarrafa nota seis. Na minha rua havia o Seu Jorge, o Jorge do Armazém, que jogava uma tarrafa sem igual. Tarrafa grande, de profissional e dos bons, nota 10. Abria a rede num círculo perfeito – ensinou-me no gramado – ou ao comprido num rio, num valo ou em alguma água povoada de tocos de árvores.

Crônicas & Agudas! – Cr & Ag

Nas barras, como em Imbé, Torres e Laguna, sentava-me em alguma pedra ou simplesmente me deixava encantar com essa arte que enobrece o seu ofício e eleva o pescador ao doutorado como tarrafador ou tarrafeador. Admirável. O que a tarrafa recolhe no seu amplexo? Desde as algas e restos locais aos mais variados seres das águas – siri, mariscos, peixes com e sem escamas, invertebrados. “Caiu na rede é peixe” – diz uma expressão popular. O bom pescador escolhe a malha adequada da rede para livrar os filhotes e sempre retorna à água aqueles seres que não servirão de alimento. A pescaria jamais deve ser para ostentação ou regozijo pueril. No entanto, a pescaria traz surpresas enroladas e emaranhadas e assim foi quando os pescadores retiraram das águas a Nossa Senhora Aparecida. Os exemplos se somam e iluminam nossa fé e nossas crenças de que o Pai Celestial pode tocar aquele véu ou aquele entrelaçado de fios em rede.

Crônicas & Agudas! – Cr & Ag

Tarrafear ou tarrafar! Metáforas e analogias! Um amigo dono de farmácia me ensinava: – “A tarrafa está sempre me pegando. Eles até sabem que eu sei. Só trocar de empregados não tem resolvido. Descobri que a tarrafa pode pegar, mas não pode acabar com a pescaria. Se me quebrarem é ruim pra todo mundo”. Um amigo, namorador de dar inveja ao Don Juan, colocava um Correio do Povo (jornal que nos áureos tempos era de mega tamanho) na axila esquerda e saia para tarrafear a noite nas sombras do litoral de Cidreira. Certo manhã, meio desconsolado, assim como quem recebe uma intimação de pensão alimentícia, se lamuriava: – “Tarrafeei toda a noite uma morena tomada de belas curvas, com os peitos batendo continência pro general e terminei com uma amiga dela, meia petiça e quase anoa nos cômoros atrás do Beira Mar (hotel)”.

Crônicas & Agudas! – Cr & Ag

Assim todos somos pescadores. Ele, o Cristo, foi um “pescador de homens”. A polícia pesca o tempo todo. Lança anzóis, arma redes. Estende espinhéis e arremessa tarrafas. Numa dessas tarrafeadas da polícia veio um doleiro enredado e outras criaturas perigosas. E as tarrafas continuaram a serem jogadas e veio finalmente uma lula. Na natureza a lula é um ser das profundezas, emerge das sombras, é um predador terrível. Eu já acredite, escrevi, elogiei e admirei Lula-homem e torci pela sua cura do câncer e da enfermidade moral que se exteriorizava virulentamente. Infelizmente perdi. Nós perdemos. As pessoas, ao morrer, podem doar seus órgãos para a saúde de outros. As criaturas nobres doam dignidade e exemplos de Luz e Amor para a humanidade e atos que mudam a história e nos elevam no patamar civilizatório. Lula-homem enredado na tarrafa da lei e da honra nos deixará a dor de sermos traídos e traídos constantemente sem a dignidade de reconhecer seus erros e pedir o perdão envergonhado. É triste demais!

2018 – 04 – 10 abril – A Tarrafa – EDS Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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P24 - Poderoso Chefão

Coceira no Lombo! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 03 abril 2018.

 

Coceira no Lombo!

 

N

a minha infância, eu acompanhava meu pai Aldo nas caçadas de marrecão e nas pescarias. Gostava de observar a natureza e a vida dos animais. Era curioso como o gado se acotovelava em algum lugar do campo e, particularmente, nos prenúncios de tormentas, a boiada se comprimia paleta contra paleta e buscava algum tipo de refúgio como num capão de mato ou na revessa de uma malha de taquareiras. Sentia a apreensão nos mugidos e no olhar dos bois, das vacas e, principalmente, o abrigo que os bezerros buscavam dentro do grupo e jamais ficavam pela periferia. Também apreciava os bois e cavalos se coçarem num moirão de cerca ou contra alguma árvore. As árvores ficavam descascadas, marcadas, indicando que ali era um bom local para se coçar. Até alguma ponta de arame de alambrado, de aço, servia para algum animal se esfregar. Eles me avisavam para passar longe das aroeiras, pois poderia dar alergia. E alergia da braba! E me imaginava se seria bom coçar a alergia da aroeira em algum tronco de eucalipto, por exemplo.

Crônicas & Agudas!

Meu pai me dizia que os bugios, na época haviam em grande quantidade em Itapuã, se coçavam como os bois e os cavalos e também um coçava ao outro. Por vezes fazendo uma fila de bugios se coçando. Confirmei isso ao vivo no Zoológico e pelas imagens da TV. Tive um tio especial, gente boa uma barbaridade, daqueles de tirar a roupa do corpo para ajudar alguém, do tipo pau para toda a obra, mas tinha um problema com o comprimento dos braços. Eram meio curtos como de motorista de Kombi. E suava muito. E gostava de encostar-se num marco de porta e ali se esfregar. Coçava-se de rir de satisfação. E realmente experimentando, mesmo sem coceira, era algo bem legal. Com coceira era melhor ainda. Experimente! Muito tempo depois passaram a vender uma varinha com uma mão de plástico numa das pontas para evoluir a “coçação”.

Cr & Ag

Contam que o gaúcho observando essa sinfonia de coçar dos animais, que naquele ritual escapavam do controle, resolveu colocá-los na linha dando-lhes uns laçaços ou umas lambidas com o relho. Isso se estendeu e se propagou para aquelas criaturas que “se coçando” mereciam umas relhadas, um corretivo. Daí, creio eu, veio a “coça de laço” ou a “sumanta de laço”. Um antigo delegado de polícia de Viamão (que falta faz nesses dias de hoje!), do alto de seu cavalo de batalha, usava o rabo-de-tatu no lombo dos bandidos. O rebenque ou o rabo-de-tatu, também chamado de mango, foi uma das primeiras “armas” disciplinadoras do gaúcho. Numa coluna passada lembrei da coragem e da valentia de brigadianos contra os gaúchos que protestavam contra o Lula e sua caravana da discórdia e que a mesma disposição deveria ser para os dois lados. Isso reverberou. As imagens mostraram alguns gaúchos com um relho na mão para se defenderem. Nos idos de fevereiro de 2004, o MST invadiu o Banco do Brasil em Bagé e atacou os brigadianos que apanharam com seus próprios cassetetes e teve o capitão com o braço quebrado entre outros feridos. Isso foi capa da Zero Hora e do Correio do Povo. Há notícias de comandante da Brigada com boné do MST. Será verdade ou lenda?

Gilmar Mendes e seus súditos tem demonstrado uma enorme dissintonia com a razão e o bom senso na ética e na repulsa ao crime organizado que devastou o país. Coceira no lombo? O povo tem demonstrado verbalmente sua inconformidade e repugnância por suas decisões e “donos da verdade”. Em aeroportos e outros locais públicos eles têm sido vaiados pela sua prepotência e absolutismo. Riscos? Infelizmente são os riscos para a nossa democracia a falta de controle real sobre a criminalidade.

2018 – 04 – 03 abril – Coceira no Lombo – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br

 P23 - Coringa de gravata azul

Reflexões Outonais! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 27 março 2018.

 

 

Reflexões Outonais!

V

ários amigos que nos acompanham nesse formidável espaço fizeram coro às críticas do Linguarudo e da degradante situação brasileira com o dedo do social-comunismo manipulando. As manifestações sacodem diversas cidades do Brasil, como agora aqui no “sul do meu país”. A mídia “tudo pelo social” “deles” estanca as notícias, sonega as informações daquilo que acontece a contragosto do pessoal acossado pela Justiça da Lava Jato e pelos descaminhos da omissão legalizada do “foro privilegiado”. Os contraventores e toda a sorte de bandidagem emplumada, peluda e até felpuda sonha e busca o porto seguro do supremo tribunal.

 

A Brigada na defesa de seus algozes!

 

O Soldado Valdeci deve rugir na sepultura! Refrescando a memória dos esquecidos e expondo mais essa chaga da história. Em 08 de agosto de 1990, o soldado Valdeci de Abreu Lopes, aos 27 anos de idade, foi cercado e assassinado pela degola com uma foice por um grupo de 5 a 6 membros do MST na hoje conhecida Esquina Democrática, esquina da Avenida Borges de Medeiros com rua dos Andradas, em Porto Alegre. Na época o ilustre Vereador João Dib acusou publicamente o prefeito Olívio Dutra de homiziar os assassinos na Prefeitura e favorecer a sua cinematográfica fuga. É fato – brigadianos já foram surrados pelos “sem terra” e via campesina. E a reação? Há quem alegue que são “ordens superiores” e “medo da mídia esquerdista”. A Brigada se “arripia” para interceder qualquer passeata e protesto desses mal chamados “movimentos sociais”? “Tapa na cara e cuspida no rosto”, dizem que até líquido amarelo com odor de amônia (seria urina?) já receberam nos intermináveis e repetidos protestos.

A caravana de Lula, PT e companheiros, aventurou-se continuar a campanha eleitoral no sul pelo solo gaúcho. Em Bagé receberam a primeira mostra que nem todo o gaúcho é grosso e burro. E os agricultores se organizaram em passeata pacífica com seu tratores, cavalos e famílias mostrando sua discordância  “dos mortadelas-cachaça”. Nas outras cidades onde a “caravana do ódio e da discórdia com afrontamento” esteve, o povo da cidade e principalmente o homem do campo repetiu sua repulsa ao ex-presidente já condenado. Igualmente a mais de uma centena de outros condenados pela corrupção cancerígena que dilapidou profundamente o Brasil, da economia, à dignidade e à família. Em Passo Fundo, o protesto foi de igual para maior. O direito de ir-vir de uns é superior aos dos cidadãos e contribuintes roubados pela maior máfia da história do Brasil.

As imagens viralizadas pelo WhatsApp e outros canais mostram brigadianos atacando as pessoas de bem. Parece que há brigadianos que confundiram inimigo com amigo. Ou quem assassina brigadiano e quem lhe bota a comida na mesa e roupa no corpo. Atiraram com balas de borracha. Jogaram “bombas de efeito moral” contra quem ainda luta para ter e manter a moral. O gás lacrimogênio queimando as pessoas (até mulheres?) que buscavam qualquer água para se lavar. Houve ameaça de queimar as máquinas agrícolas? Sim ou não? A mesma coragem carente no enfrentamento da guerrilha urbana e rural se fazia poderosa contra o gaúcho. Nenhum gaúcho portava foices degoladoras ou qualquer arma mortal. Salvo se bomba (que não é coquetel molotov) e cuia de chimarrão são armas mortais como aquela que matou o Soldado Valdeci. Os gaúchos “caloteiros”, segundo o ex-presidente Lula, foram impedidos de seus patrióticos protestos, ao contrário dos protestos de outros “movimentos sociais”. Há quem queira alcunhar os brigadianos de “soldados de Pilatos” também pela proximidade da Páscoa. Esse cronista que tantas vezes e em tantas crônicas elogiou a instituição Brigada Militar e seus homens se solidariza com os gaúchos aviltados, agredidos e até presos por serem democráticos no livre exercício de seus direitos contra a corrupção e o crime e sente profunda dor e protesta por essas atitudes. O bom e salutar humor de um amigo propõe uma campanha: “Óculos para os brigadianos” e curso de reciclagem: “Bandido e Mocinho – como identificar corretamente”!

2018 – 03 – 27 março – Reflexões outonais – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – http://www.edsonolimpio.com.br

P20 - PÁSSARO

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