Perversão e Arte! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. 03 Outubro 2017.

 

Perversão e Arte!

Nero, o imperador, incendiou Roma enquanto fazia a sua música. Tudo pela “sua arte”. Tudo pela arte? Os espetáculos mortais e degradantes das arenas romanas inspiraram “a arte” e depois os circos. A putrefação moral que arrasou a economia brasileira e tornou a corrupção numa prática de partidos políticos e da administração do Estado exterioriza-se pelas mesmas vertentes e bocas que tem tratado a criminalidade de pior e mais cruel espécie em “coitadinhos” e vítimas da “elite e do capitalismo”. São símbolos identificados como defensores da bandidagem da mais perigosa espécie de gente, pelo menos por aqueles não obsidiados, como seus eleitores.

É essa mesma gente que defende a destruição da família e a guerra social mascarando com direitos humanos. Assistimos cenas escatológicas travestidas de arte na exposição do Banco Santander. Pago com dinheiro extorquido de quem trabalha sob a fachada de impostos e similares. “Tudo arte”! Nem a imagem de sodomia e felação com pungência racial causou prurido nesses “defensores dos direitos humanos”. Pais estão constrangidos a educar seus filhos, no entanto a “arte” desnuda a nudez ou a sordidez sob todas as luzes. Pela “arte” essa gente pode exteriorizar-se na sua nudez e nas suas taras e perversões. Logo pedófilos serão aceitos como artistas reacionários. A Justiça, sem generalizar, que deveria ser nossa protetora aparece como naquelas autoridades em São Paulo que liberam um tarado contumaz depois de 16 prisões. Contaram-me que uma delegada de polícia advertiu ser crime repassar o vídeo do tarado num supermercado de Porto Alegre. As pessoas honestas e responsáveis têm o compromisso de avisar, advertir e precaver as pessoas que amam dessas criaturas malignas que tanto permanecem livres ou quase. Quantos cidadãos esperam que outros criminosos executem as suas próprias leis, como nas penitenciárias, para que essas bestas sejam punidas? Vejam a lamentável situação que o cidadão está! Ter que esperar “justiça” de outros criminosos. É muito triste e vergonhoso. Talvez não para os defensores dessas bestas pervertidas.

CPERS – Greve – Educação!

Novamente um mês de greve do magistério do Rio Grande do Sul, numa rotina anual que está bailando há mais de 30 anos, ou décadas, num conflito de direitos.

                                 Vide Mauro Luiz Barbosa Marques e a greve histórica de 1979: http://www.snh2013.anpuh.org/resources/anais/27/1360875372_ARQUIVO_artigo.para.anpuh.2013.pdf). Alguma coisa não funciona, seja nas greves, seja na vida profissional ou para os alunos e suas famílias. Lamentamos e jamais generalizamos. Há o entendimento de que CPERS é sinônimo de greve. Há o entendimento de que a função de sindicato é confronto e ideologia. A qualidade da educação gaúcha é precária. Famílias privam-se para colocar seus filhos em escolas privadas, pois todo ano tem greve e a recuperação curricular é controvertida, difícil, senão falaciosa várias vezes. Como assim? Os marcadores da qualidade da educação têm melhorado no Rio Grande do Sul em si mesmo e na vergonhosa situação nacional em comparação com outros países?

Ou o CPERS não sabe fazer greve, ou o tipo de protesto está inadequado, ou já dava para saber que desde 1979 esse enfrentamento não dá o resultado é desejado. Há professores aposentados ou que se aposentarão por tempo de serviço sem resultados efetivos das greves. Algo está errado? Entendo e qualifico como o professor sendo dos mais nobres ofícios e fundamental na evolução da humanidade. Assim o professor merece todo nosso respeito e consideração e jamais compartilhamos da omissão de defendê-los ante as adversidades, inclusive nas salas de aula. O médico que errar continuamente seus diagnósticos e seus tratamentos perderá seus pacientes ou seu direito de ser médico. Se um engenheiro persiste em suas técnicas, mas seus prédios e pontes caem; se um advogado perde todas as suas causas durante décadas – que fazer? Em qualquer atividade humana é assim. Ou deveria ser! As greves do CPERS têm fracasso total ou parcial. A educação precária causará dor e derrota em alunos que no futuro enfrentarão um mercado de trabalho competitivo e a responsabilidade de amparar de suas famílias. Exceto se estivem em alguma atividade que dispense essas necessidades. Veja que respeitamos as greves legais, mas arguimos os resultados reais e duradouros e suas consequências.

2017 – 10 – 03 outubro – Perversão e CPERS – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão.

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Passeata pelo Trânsito! Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 26 Setembro 2017.

 

Aqui está a continuação da Coluna iniciada com o tópico já publicado dos “3 Arcanjos”.

“Passeata pelo Trânsito”!

Sempre louvável toda a iniciativa que busque diminuir o extermínio de vidas no trânsito brasileiro. Fontes indicam mais de 60 mil mortes e incontáveis mutilados de corpo, mente e espírito, das vítimas diretas aos familiares, amigos e quem os ama. Morrem mais anualmente no trânsito brasileiro do que em seis anos de Guerra devastadora na Síria ou morreram de americanos na Guerra do Vietnam. Pois na manhã da última 6ª. Feira, dia 22 setembro, colegiais e membros da Secretaria de Educação desfilaram em passeata pela Avenida Américo Vespúcio Cabral e Cel. Marcos de Andrade, avenidas principais do centro da cidade – belo e motivador!

Há que ampliar essa incentivadora manifestação para atividades mais frequentes, práticas e contínuas. As autoridades de trânsito devem repintar ativamente as faixas de segurança e implantar novas com redutores eletrônicos de velocidade em pontos críticos, exemplo – defronte à Receita Federal e Complexo Realizare, onde ônibus, motos insanas e motoristas alucinados trafegam em velocidades similares da reta do autódromo de Tarumã. Os semáforos devem ser modernizados e atualizados, para motoristas e pedestres, com sinalizador de tempo restante de travessia e abertura. Refazer e melhorar a qualidade do piso para a circulação dos veículos, principalmente nas crateras abertas com a fragmentação do asfalto de qualidade duvidosa.

Atividades educativas com a presença física da autoridade policial e professores e estudantes para seu próprio uso e dos demais pedestres da sinalização, como local específico de atravessar, faixas de segurança, obediência aos sinais luminosos, evitar confraternização e atualização de rede social ao volante ou nas travessias. A correta utilização dos passeios e que as autoridades exijam calçadas adequadas e viáveis para seres humanos. Entidades de idosos e de pessoas com deficiências façam, como os estudantes antes referidos, atividades de orientação e disciplina em rodízio em várias áreas do município.

Vereadores, principalmente aqueles preocupados em aliviar as cargas fiscais de alguns, mas, no entanto, assim sobrecarregam outros, usem suas prerrogativas legais e usem ativamente seu corpo de apoiadores em constantes atividades para educação e conscientização no trânsito. Poderiam, nas mesmas leis que criam reduzindo ou isentando, que essas “isenções” e toda sorte de facilitações sejam ancoradas em serviços prestados à coletividade. Quem receber vantagens será porque deu “tantas horas de si” para a comunidade. Justo e humano. Nem de Deus se recebe benefícios e gratuidade com o trabalho e o esforço dos outros. Há que merecer e a troca por serviço comunitário é um caminho real. Leitor, pense nisso! Principalmente você que ainda pode ler e acredita em mudanças para melhor no país em frangalhos de instituições e de moral…

2017 – 09 – 26 setembro – 3 Arcanjos e Trânsito – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

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A Moto na História ou o Samba do Motoqueiro Doido! Série – Moto! Paixão Eterna. Crônica 3.

 

 

A Moto na História ou o

Samba do Motoqueiro Doido!

 

 

A madrugada já nos espreitava. Mas o companheiro continuava com o caneco de cerveja sendo brandido como bandeira desfraldada na mão direita. A lua manhosa, tendo nuvens a adorná-la como cabeleira prateada, como que insistia em continuar roçando-se nas marolas do Rio da Plata.

 

—- E saibam vocês que a Era da Pedra Lascada tem esse nome porque não havia pneu que agüentasse naquela época. Os caras além de enfrentar os dinossauros, que seriam como as carretas e jamantas hoje, também já insistiam que trail ou trilha é diversão. Vê se pode, meu? – argumentava o companheiro.

 

Estufou o peito aspirando e nevando de branco a ponta do nariz com a espuma:

E a moto também está nas Sagradas Escrituras. Deus já tinha feito o Paraíso, o Adão e a Eva. E para complicar tinha a Serpente sempre botando minhoca. A dupla só queria se distrair comendo maçãs. Então Deus fez a moto. Fez atrasado, pois quando chegou o rolo já estava feito e ainda acabou com a briga do Caim e do Abel sobre quem pilotaria nos finais de semana. Depois teve a transa da Motocicleta de Noé. Era uma moto anfíbia gigantesca que salvou do afogamento uma pá de bonecos e uns bichos e bichas. Ai começou a bichice na história. – reuniam-se curiosos em torno do ‘orador’ que continuava:

 

Dizem que o Maluf e a ex-Suplicy até estão pensando numa semelhante para as inundações em Sampa. Ainda nas Escrituras tem o caso de um tal de Moisés que saiu do Egito e foi para a Palestina. Daí deu origem ao Rally dos Faraós, Paris-Dakar e outros. E por sinal despertou o ciúme na região daí vindo a briga entre judeus e palestinos até hoje. A moto foi muito importante na Grécia antiga, tinham uns caras que moravam num morro chamado Olimpo, aqui seriam favelados, que queriam motocicletas só para eles e aí deu aquela briga da Motocicleta de Tróia que teve depois um parente no Brasil, outro Ulisses. Mermão, teve até um rei, tal de Nabucodonosor ou Trabucodonosor que fez seus jardins suspensos na Babilônia para ter estacionamento para sua coleção de motocicletas protegidas do sol infernal.

 

— O cara baixou o espírito do velho Rui Barbosinha em duas rodas – exclamou um companheiro enquanto procurava algo nos bolsos do colete repleto de adereços.

 

— As provas de supercross começaram em Roma no velho Coliseu, cara. Quem perdesse era devorado pelos leões. Parecido com o esquema do leão do imposto de renda por aqui. E vocês sabem como o Brasil foi “inventado”? Os espanhóis e os portugas queriam descobrir um caminho para trazer as motos orientais para o ocidente e a desculpa era de namorar as índias. Então numa dessas viagens os carinhas chegaram à Bahia, onde aportaram com o consentimento do ACM e com o trato de colocarem uma fitinha do Senhor do Bom Fim no punho da moto. Ainda tem o caso do Dom Pedro que soltou o berro no riacho Ipiranga empinando uma Ténéré e nos liberando de Portugal que se adonava de nossas motos e de nossas mulatas. E por falar em mulata, a tal de lei Áurea foi a liberação total da motocicleta para todas as raças. Legal, heim? – empolgava-se o nosso companheiro.

 

E com os lábios revestidos da deliciosa espuma da cerveja portenha, o companheiro com os olhos em transe continuava:

 

 — O tal de Hitler se ferrou na Rússia porque insistiu em usar moto street na neve. Além disso, a gasolina congelava nos tanques. E Pearl Harbor? A eterna briga de Harley e Indian contra a Suzuki, Honda, Kawasaki e Yamaha. Que pauleira, meu! E até novos países surgiram por causa das motos, mermão. O veterano Quintino do Rio das Ostras enriqueceu exportando esses bichos para a Ostrália. E a moto no futebol? O Garrincha tinha as pernas tortas de tanto andar de moto, meu. – passou o antebraço na boca. O suor brotava de seu pescoço parecendo drenar das veias dilatadas. Pensei que ia parar. Enganei-me. Continuou:

 

E o Pelé criou o gol de motocicleta, consagrou-se e até hoje continua botando as bolas para dentro. Dizem que é o maior consumidor do remédio que propagandeia. Acreditem se quiserem. Sabem o Denílson do Penta? Toda aquela habilidade de drible foi conseguida pilotando como motoboy em São Paulo.  Mas é a vida, meu. Cerveja é moto engarrafada. E se o “companheiro” Lula aproveitasse a barba, fizesse algumas tatuagens e pilotasse moto já seria presidente, ainda mais com o apoio dos mais de 10 milhões de bauzeiros, motoqueiros e motociclistas e mais cinco votos que cada um representa. Principalmente se contasse com a bênção do grande Pateta dos Abutres. E ainda fazendo a reforma motoagrária! Todos deveriam ter acesso à moto e tem gente com moto demais e outros sem nada. Os políticos deveriam criar um Programa de Apoio a Moto, financiamento em dez anos, sem juros e sem entrada, assim a fundo perdido tipo negócio de governo com bancos. Aí periga aparecer algum PC Farias ou Valdemar Dinis ou mensalão.  Enquanto isso alguns curtem a motovirtual (alô Adams) que foi pra isso que inventaram a internet, pô meu!

 

Apesar da sonolência estar “capotando” a sua platéia agora restrita ao garçom e dois outros motociclistas, o homem continuava seu discurso, ou melhor, moto-discurso:

 

Mermão, moto é a mulher que deu certo. Com todas as vantagens, meu. Só fala e berra quando a gente aperta o botão e dá partida. E sem sogra, nem cunhado. E dá mais uma aí, meu, vamos tomar a saideira que amanhã (hoje) temos um bom encontro para curtir e depois afinar nossas máquinas na estrada. – arrematou com os olhos avermelhados e vidrados.

 

E, segundo outro companheiro, existem dois tipos de seres humanos: os que amam motocicleta e os que ainda não sabem que amam. Em tempo, o motociclista autor do discurso acima ainda menciona que o garçom que atentamente lhe escutava, também é cantor de tangos e bailarino no Caminito e que quer a sua “autorização para fazer desse samba um gardelaço, isto é, um tango a la Gardel”. Pode? É difícil controlar o homem!

 

 

 

 

 

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A Saúde de todos nós! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 12 Setembro 2017.

 

A Saúde de todos Nós!

H

á uma epidemia de programas de culinária para todos os gostos e desgostos na TV. Em certo programa de churrasqueiros, em algum lugar dos Estados Unidos, os participantes assavam carnes ao ar livre e lutando contra o relógio. Eis que um dos participantes, devia estar com a bexiga quase explodindo, saiu do seu lugar e foi aliviar-se “no mato”. Voltou rapidamente, uma água ligeira nas mãos, e dá-lhe mexer nas carnes e assar. Findo o tempo, os pratos prontos eram colocados sobre a mesa do júri para que provassem e dessem a sua nota. Nenhum dos jurados quis provar o prato daquele competidor e deixaram bem claro e definido que sua conduta de escassa higiene o desclassificava. Como sempre nessas criaturas primitivas, ofendeu-se e sentiu-se prejudicado. Um amigo, já falecido, e cozinheiro profissional me alertava, que “quem vive dentro de uma cozinha, dificilmente come o que ele não prepara ou alguém da sua restrita confiança”. As criaturas são geralmente refratárias e insolentemente resistentes às mudanças de hábitos, principalmente os perniciosos e nocivos.

Crônicas & Agudas

Tenho alertado que a qualidade dos profissionais que são partejados nas universidades brasileiras é cruel. Médicos também! Muito. Um jornalista na TV, em reportagem sobre o emprego dos estrangeiros migrados ao Brasil, aflorou um restaurante de “sushis”, outra epidemia, como se toda a comida oriental e principalmente “japonesa”(?) fosse te transformar num ninja ou num samurai de saúde e força. Eis que um africano, habilmente manuseando uma faca sobre um balcão, laminava peixe cru e com outro africano de auxiliar que amassava arroz e vegetais cortados preparava a dita (ou maldita) culinária. O homem tinha em curtíssimo tempo se tornado hábil e produtivo. Elogiado por sua rápida evolução, agora com “carteira assinada”. Luvas? Máscaras descartáveis? Gorros? Aventais limpos? Balcão com assepsia? Coisas básicas e elementares na higiene – visualmente ausentes. A origem dessas pessoas, africanos, haitianos e outros do quarto mundo, passam muito longe da higiene mínima e elementar. Naquele restaurante preparando comidas cruas, sem a cocção para matar o bicharedo, guardadas imaginem como e logo devoradas pelos adeptos e obnubilados pelo modismo, resultado previsível.

Cr & Ag

Certo médico, ao substituir a serviçal doméstica, padeceu de furiosa gastrenterite. “Por cima e por baixo era um caldo só”. A sua esposa treinava as iniciantes e tentava corrigir seus vícios originais. Notaram que a nova doméstica habitava o banheiro com exagerada atividade. Eis que revelou, “lá em casa tá todo mundo numa vomitadeira e numa caganeira de dar dó, tá assim um tempão”. Um sindicalista histriônico alegaria “perseguição do patrão ao humilde empregado”, “é a luta social cumpanheiro”. E você acredita na singela coincidência astral ou seria algo a mais? Puxando de memória lembro de inúmeros outros casos e inclusive nos plantões de pediatria. Tem gente que se preocupa em pegar doença dos estados baixos dos outros, jamais que os seus causem enfermidades nas outras pessoas.

Cr & Ag

Espera-se que um médico higienize suas mãos com a frequência necessária e com antissépticos adequados e que trabalhe cirurgicamente com máscaras descartáveis, luvas, aventais, ambiente cirúrgico estéril e vai por essa longa esteira de cuidados que separa a Medicina atual e necessária da simplória “cubanização” do sistema. Dona Dilma e seu Lula e assemelhados de todas as cores e ideologias querem e exigem o padrão Sírio-Libanês, por exemplo, mas para a saúde de todos nós defenestrados, desapropriados, extorquidos, violentados serve o padrão da demagogia criminosa. Observe o que pretende e aquilo que ousa enfrentar e comer. O desafio é constante e assustador, quando não fatal!

2017 – 09 – 12 Setembro – A Saúde de todos Nós – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Lurdinha Boca de Ouro! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 05 Setembro 2017.

 

Lurdinha Boca de Ouro!Uma crônica gaúcha cento por cento.

 

“Vida infernal”, balbuciava o albino. “Diabos carreguem e não tragam de volta essa mulher maldita. Maldita! Maaaldiiita!” Socava a velha mesa do ambiente enfumaçado. Uma calota de caminhão balançando pendurada por um arame de aço fazia um som de sino ao ser açoitado pela brisa morna contra uma placa de metal. Ali num fundo amarelo esmaecido e corroído pela ferrugem ainda se liam garranchos escritos por uma mão mal alfabetizada em letras negras – Boca de Ouro. Um lupanar. Como tantos outros que se escondem num capão de eucaliptos próximo à fronteira do Brasil-Uruguai.

“Leva uma Norteña pra esse polaco”! Gritou o xiru de bombachas para um guri magricelo e cabano.  “E trata de largar esse guaipeca, babão abobado da bronha”! Completou sacudindo um pano puxado sobre o ombro.

O garoto que apesar do corpo quase esquálido, escondia a idade fazendo trabalho de garçom entre fregueses que ali estavam gastando o pouco ou o quase nada colhido na dura vida da campanha em troca de agrados, carinhos e alguns momentos de sexo espalhafatoso. Mesas de madeira falquejadas intercalavam-se com mesinhas de ferro e cadeiras com propaganda de cervejas brasileiras e uruguaias. Algumas dessas cadeiras estavam retorcidas por alguma peleia danada de feia onde estatelaram lombos e crânios humanos. Do palanque da porteira até o casebre um fio estendido agitava lâmpadas coloridas marcando uma linha como um brete iluminado conduzindo os touros sedentos de sexo. Um mulato rengo servia de leão de chácara no portal da perdição. Com uma adaga prateada adornando a guaiaca que entrevia um Smith-Wesson também prateado. Os olhos do mulato relampejavam na noite escura. Quando diminuía a brisa, ele empurrava a calota com o cotovelo direito.

“Cof, cof, cof, cof”, tossiu o albino. Um filete de sangue, como se brotasse de uma vertente escarlate, aumentou o fluxo entre os cabelos absolutamente brancos. “Não quero essa ceva velho fresco”! Berrou para o xiru embombachado. “Me traz uma branquinha”. Momentos a voz enrolava e denotava embriaguês. Outros momentos, a voz fluía com rompante e estrépito como um capitão de cavalaria. “Onde foi essa mulher? Se ela não vier, eu vou trazê-la pelas crinas essa puta rampeira”.

Um grande espelho adornado por uma lâmpada vermelha marcava a entrada do corredor de quartos onde até os surdos podiam escutar relinchos de baguais que varreram os traços de humanidade em pardieiros devassos e impregnados do odor acre do sexo repetido e banhado pelo suor de corpos ardentes e insaciáveis. Agora se exalava um cheiro de morte. Um homem branco e grande, diferente naquele cenário, teimava, insistia em desafiar as regras do bordel. As mulheres saltam dos colos famintos, como serpentes abandonando suas presas. Afastam-se todos da mesa do albino. Silêncio. Alguém desliga a vitrola. Olham-se. Estátuas disformes na névoa densa e mortal. A dona do bordel entra na sala. Um rebenque com fiel de prata! Um mango de prata chilena pendia em seu pulso esquerdo. Ela! A dama das meretrizes – Lurdinha. Numa terra de desdentados precoces, sua boca escancarada em gargalhada felina expunha duas fileiras de dentes de ouro. O poder da sua luxúria permitiu a riqueza do sorriso. Uma vencedora entre perdedoras?

“Polaco de merda, já te abri a cabeça com o fiel do meu mango” – bradou com os dentes cerrados. “Tu não é homem pra mim. Acho que tu não é homem pras minhas gurias. Já te mandei embora pro teu rancho. Aqui mando eu. Eu! Os teus pilas aqui não valem nada. Aqui macho é macho sem desrespeitar as fêmeas. Cala a boca! Fecha a latrina! Se não…” – gritava Lurdinha num crescendo de fúria.

“Se não o que tu va…” – não conseguiu terminar a frase o insistente albino.

Uma navalha Solingen, saída de algum lugar mágico do corpo de Lurdinha, qual um corisco alumiando a penumbra, abriu uma estrada entre a venta e a orelha do homem. Borbotões de sangue engasgaram o miserável. A platéia saiu do transe e foi socorrer a criatura que se esvaia rapidamente. Mais branco parecia ser impossível, mas a palidez da morte aderiu a sua tez.

 

“Touro em campo alheio é vaca – bravateou Lurdinha, retirando-se da cena enquanto limpava a navalha em sua saia de seda escarlate.

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Declaração de Amor! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 29 Agosto 2017

 

Declaração de Amor!

 Saibam todos que lerem essas crônicas que existiu uma espécie fantástica de homens que pilotavam máquinas maravilhosas chamadas de Motocicletas, que rasgavam este planeta como cometas rasgando o manto negro do Céu!” (Crônicas & Agudas da Primeira Capital Equipe)

 

Declaração de Amor!

 

            Algumas pessoas desconfiavam. Outras sabiam. Certos amigos mais próximos desaconselhavam este relacionamento. Até achavam-no perigoso. Mas meu coração acelera e trepida a sua lembrança. A sua voz e corpo bem feitos continuam a deslizar em minha mente à lembrança dos momentos que juntos passamos.

 

           Amanheceu um lindo dia de sol. Os raios de sol esgueiravam-se para entrar pelas venezianas. Havia sonhado com ela esta noite. Seu nome… Morgana.  Minha esposa já havia se levantado e estava arrumando a casa e os filhos. Vesti-me apressadamente. Subtilmente saí de casa. Fui ter com ela. Abri a porta silenciosamente. Era penumbra em seu quarto. Ela ainda dormia. Coberta por um alvo lençol deixava entrever suas curvas sensuais. Braços abertos como a me esperar. Sua traseira firme e arredondada onde tantas e tantas vezes acomodei-me, trocando afagos e juras de amor. Deslizei a sua volta, admirando-a. Fui descobrindo-a lentamente. Acordei-a. Seus olhos grandes brilhavam de encontro aos meus em lampejos de paixão consentida. Havia uma marca de umidade no lençol… Certamente também sonhara comigo. Deslizei a mão por seu peito. Abri minhas pernas e acomodei-a. Mãos com mãos num toque de fusão absoluta de corpos e almas. E ela já bem acordada, ligada, sussurrava ritmicamente debaixo de mim. Todo meu corpo vibrava com ela. Sentia aumentar o calor vivo de seu corpo frenético. Nós nos consumávamos em amor pleno, total e eterno. Ela estava satisfeita. Pronta, convidando-me para passear. Eu estava esperando.

 

Então subitamente a porta do quarto abriu-se… Era minha esposa. Surpresa? Não! Nós a aguardávamos. Cumprimentou-a, abraçando e beijando amorosamente a Morgana, esse amálgama de feiticeira-amor. E juntos, abraçados, faróis ligados, capacetes na cabeça, saímos a rasgar as estradas da vida neste belo e harmonioso triângulo amoroso: eu, minha esposa e Morgana, a nossa motocicleta.

 

·         Nota do Cronista: Essa crônica venceu concurso literário nacional.

 

Crônicas & Agudas

 

            Contam que o “cavalo de Mostardas” mesmo levado para o mais distante do seu pago, sempre pastará com a cabeça virada para Mostardas e há quem jure vê-lo relinchar dizendo que “um dia eu volto para Mostardas”. Também contam as línguas mais afiadas que “depois de ter uma amante castelhana, o cara jamais esquece”. Pode deitar em cama de ouro com lençóis de mil fios de linho egípcio, digno de faraó, mas a castelhana estará sempre no seu mais intenso calor. Assim, nessa toada, nesse balanço, nessa cadência de amor e paixão está a motocicleta, ou simplesmente “a moto”. Quem ama, sabe!

 

207 – 08 – 29 Agosto – Declaração de Amor – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão. – www. edsonolimpio.com.br

Emprego – Trabalho – Competência! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 22 Agosto 2017.

 

Emprego – Trabalho – Competência

F

ala-se de 14 milhões de desempregados. São mais, provavelmente! Tendemos a nos compadecer de forma ampla, geral e irrestrita. Somos assim. É da nossa índole. Elegemos biscas, safados, canalhas e incompetentes para cargos eletivos, mas são coitadinhos e “precisamos ajudá-los”. Até um ladrão convicto, mesmo numa cadeira do legislativo, forrado de mordomias, acolchoado de vantagens distantes de qualquer outro ser humano, mas continuará sendo um ladrão. Outro está preso e condenado, mas continua com sua sanha de ladrão. Claro que há os que jamais aceitarão o rótulo, outros serão os “mais aptos e eternos espertos”. E alguma horda irá acomodá-los como “deserdados dum sistema capitalista e injusto”. Um amigo me dizia da sua dificuldade em conseguir um tratorista e operador de retroescavadeira para trabalhar na plantação de arroz. Os raros “disponíveis” além de “todas as obrigações trabalhistas” indignavam-se caso o trator não dispusesse de ar condicionado e som. Outro alegou necessidade de “sair até às 17 horas, pois morava longe”. Isso valia também para o horário de início do trabalho. “Sábado e domingo nem pensar”, disseram-lhe. Caso chova 15 dias, primeiro sol é num sábado, mas trabalho não mesmo. Não conseguiu uma viva alma que quisesse emprego com trabalho. A tendência é de emprego com pouco ou nada de trabalho. Claro que jamais generalizamos!

Crônicas & Agudas

Uma professora, esfolada pelo parcelamento salarial, aumentou as horas de trabalho com o marido. Assim precisou de alguém para cuidar dos filhos, pois a creche fechava e nem sempre a avó tinha saúde para ginetear duas crianças arteiras. Indicaram fulana e sicrana para doméstica. Então uma serve de doméstica, mas não aceita ser babá junto. Outra já avisa antes que “é uma coisa ou outra”. O “salário é baixo” refugou uma candidata que se mostrava depois de “um banho de loja e com as unhas maiores que as da Gisele”. “Eu não cozinho e só lavo com máquina”, falou e até os piercing escutaram. “Pois é, não vai dar, eu tenho que chegar em casa até às 18 horas para fazer a janta do meu marido e terça e quinta eu tenho fisioterapia lá na 40ª.”, e… Estava difícil encontrar algum horário livre para trabalhar, jamais para manter o emprego. Muitas tentativas e várias desistências. Eis que a matemática se aliou à aritmética e numa série de equações, logaritmos e tangentes chegou à conclusão que seria melhor para a família e o bolso ficar em casa e rever a estória de emprego público.

Cr & Ag

 Um engenheiro e construtor com longa vida profissional construindo e reformando de silos de arroz a residências lamentava-se: “quando esses velhos que trabalham a anos comigo largarem o jogo, uns já estão aposentados e continuam, eu fecho a empresa”. Perguntei-lhe o motivo. “Tô cansado e de saco cheio, poderia dar emprego para mais uns 10 ou 20 funcionários, mas deixo de pegar obras pela falta de gente que queira trabalhar, mesmo que não seja muito competente, mas que queira aprender o serviço, e pela in-justiça do trabalho”. E abriu a acordeona e floreou uma música de todos conhecida. As gerações mais antigas, os veteranos são mais afeitos ao trabalho desde que ainda não assimilaram o socialismo com o dinheiro alheio e gostam e tem orgulho daquilo que fazem. Os jovens querendo trabalhar vão conseguir colocação. Os demitidos pela empresa que “quebrou, faliu, foi para as cucuia” pelas decisões de proteção ao trabalhador pela satanização do empresário, muitos safados e pilantras, vão engrossar as listas de espera e o medo das empresas em arriscar numa conjuntura de desordem social e moral como a brasileira.

Cr & Ag

Daí que antes, muito antes de penalizar-se por um desempregado e orar por ele para um emprego no culto, lembro do Pastor Malafaia e sua pregação que “receberás pelo teu merecimento”. Somos de um tempo em que era “estudar e trabalhar”, ladrão era ladrão e vagabundo era vagabundo. Hoje? Jamais deveria haver esse abismo entre emprego e trabalho e a luta por competência e aptidão era normal para qualquer ofício. Outro amigo ainda expande o drama: “o que tem de homem buscando emprego de marido...”

2017 – 08 – 22 Agosto – Emprego Trabalho Competência – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Insatisfação e Fúria! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – 15 Agosto 2017.

 

Insatisfação e Fúria!

N

ossa sociedade brasileira, vivo aqui e falo daqui, assume sentimentos e atitudes que vicejaram com a dualização crescente expressa em “nós e eles”. Ou se é a favor, devoto e partidário de configuração e vivência ativa ou é visto como contra, contrário, adversário, oponente e até maligno ao mundo dos julgadores. Ricos e pobres. Patrão e empregado. Polícia e cidadão. Polícia e cidadão e marginalizado. Politicamente correto ou inimigo das liberdades. Sentem e visualizam esse horizonte sombrio? Ou para o amigo leitor tanto faz como tanto fez desde que o seu pescoço esteja longe da corda? Experimente adjetivar-se ou simplesmente rotular-se de qualquer coisa, como “sou cristão”. Logo uma falange irá te inquirir “por que és contra as outras religiões” e “não permites a liberdade religiosa”. Da simples arguição ao vapor das narinas, logo em fumaça, serás alvo de alguns descalibrados.

Crônicas & Agudas

Outro exemplo: “isso é serviço para homem”! Aparecerão encamisadas do tipo “mexeu com uma e mexeu com todas” que logo enxergarão machismo e desfiarão exemplos desde o império romano dos abusos e da prepotência masculina com as mulheres. Seguirão movimentos de GLBT, que em passeata reivindicarão algum tipo de respeito a sua sexualidade e coisas do gênero, número e grau. Experimente falar em “favelado”, outro exemplo. Crueldade contra a sociedade da periferia ou das comunidades e contra direitos sociais “arduamente adquiridos”. “Direitos humanos” é a bandeira de qualquer tipo de protesto e vai legitimar qualquer agressão verbal ou física que infligirem ao suposto “agressor”. Um jornalista dizia que depois de escapar algo que julgaram “crime”: “quanto mais tentar explicar, tende a piorar”.

Cr & Ag

Loucura? Esquizofrenia social? Observem a quantidade de pessoas que deviam ser dotadas de inteligência e discernimento que aprovam e incentivam a ditadura de Maduro na Venezuela. Interessante que nenhum deles fala em mudar-se de mala e cuia para a Venezuela socialista, preferem Paris e Miami. Observem criaturas esperando que haja guerra total e não somente verbal na península coreana, que fatalmente incendiaria todo o oeste asiático e contaminaria grande parte do planeta. Vejam como as criaturas justificam os ataques terroristas na Europa e há quem gostaria de sair do Brasil para fazer terrorismo. Muitos sentem e experimentam o eterno conflito entre o Bem e o Mal, ou da indolência do Bem aguardando a agressividade do Mal.

Cr & Ag

Pessoas exigem que seus entendimentos e suas vontades sejam obedecidos por todos, como se a sua razão fosse absoluta e irretocável. Quantos usam da democracia para galgar o poder absoluto? Isso está no dia a dia de um singelo erro no trânsito, do troco na caixa do mercado, do informar seu sexo no cadastro da loja ou ao atrasar o horário na manicure. A sede de sangue viceja e a baba grossa e ácida escorre nos cantos da boca e o fel formiga na pele enquanto a adrenalina explode na circulação jogando o coração e os músculos para o mais mortal combate. Essas criaturas ensandecidas estão ao nosso lado e talvez algum de nós seja uma das feras ou das vítimas. As redes sociais enchem-se de mensagens falsamente espiritualizadas como se no dualismo fatal e fantástico o Amor e o Ódio ocupassem o mesmo coração no mesmo tum-tac. Nada mais são do que a cruel e insana realidade que tende a piorar desde que nossa consciência não capte, não entenda a situação e persista a fúria consentida e a insatisfação acumulada.

2017 – 08 – 15 Agosto – Fúria e Insatisfação – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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O Causo do Trator! Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opiniõ de Viamão – 08 agosto 2017.

 

O Causo do Trator!

 

Série Humor é um Bom Remédio.

 

A história que vamos relatar pode parecer fantástica para alguns, mas quem conhece as fantásticas habilidades de seu personagem principal, até o impossível se tornará provável.

 

C

açador de perdiz e de marrecão, mecânico, motorista profissional, “engenheiro” amador, são algumas de suas qualificações. Da Vinci e MacGiver seriam seus alunos. Afora essas qualidades técnicas, é pessoa amabilíssima e de bom coração. E viamonense da gema.

 

Conta-se que nos longínquos anos 50, executava uma grande aração de terras aos fundos da Fazenda dos Abreu, junto à Lagoa dos Patos. Começara na madrugada e somente pararia à noite. O inverno fora rigoroso e o preparo da terra para o arroz atrasara. “Trabalhador ferrenho e feroz”, segundo o próprio – opinião contrária de outros. Quando se apercebeu, a lua penteava faceira os mais altos galhos dos eucaliptos.  Os tambores de gasolina dentro do trole secaram.  Restava apenas o combustível do tanque do trator. Ainda rodaria algumas boas léguas até a sede da fazenda onde pernoitaria. Retornou. Algum quero-quero reclamava à passagem do trator que insolente perturbava seu descanso e as corujas olhavam de soslaio num apupo sinistro.

 

As marrecas piadeiras e caneleiras davam rasantes nas lagoas inchadas pelas chuvas do inverno rigoroso e chorão. Uma tarrã ofendida marcava seu território riscando a grama com o esporão agudo de sua asa. Pensamentos vagueavam: a família longe, o novo dia de trabalho, os pés em bolhas dolorosas contra os pedais. Súbito, o previsível, o trator soluçou, soluçou, engasgou e apagou o motor. Bateu arranque. Nada. Foi verificar o tanque de combustível. Vazio. Sentou-se. Acendeu o palheiro. Longas tragadas que enevoaram a noite clara. Perguntou para a lua: – “E agora?”

 

Ao longe, o bruxulear de uma luz que escapava pela janela entreaberta. Era o rancho de um peão da fazenda. Chegou-se, bem recebido, constatou que não tinham nenhum combustível. Somente a querosene nos lampiões. “Pernoite amigo, que amanhã cedito tu resolve.” Disse-lhe o peão. Seus compromissos o atucanavam. Então pediu “um tarro de leite emprestado”. O peão estranhou, mas cedeu. Colocaram o tambor na carroça e o levaram até o trator adormecido no ermo da várzea. Descarregou o leite. Despediu-se do homem. Baixou sua fiel companheira: a caixa de ferramentas. E começou a alterar a mecânica do trator. Suas hábeis mãos satisfaziam-se com a luz prateada da lua atenta. Logo derramou o leite no tanque. Subiu e bateu arranque. O tratorzão tossiu, arrotou uma meia dúzia de vezes. E não pegou. Desligou a chave para não matar a bateria e voltou ao conserto. Já sabia o que faltava. Pronto. Guardou as ferramentas. Dedo polegar no botão, o arranque dispara e o bruto estremece e pega. “Meio engasgado, pigarreando.” Disse. Não virava redondo, pois precisaria de outras peças e ferramentas especiais que, no momento, não dispunha.

 

“E o bicho velho veio tossindo, rasgando a noite da várzea.”  – gostava de recordar.

 

Muitos quilômetros adiante, desconfia de um ruído esquisito: “FFIIIZZZ, FFFIIIIZZZZ…” Olha para os lados pensando em assombração em noite de lua cheia. Nada! Súbito, ao virar-se nota um risco amarelo-esbranquiçado no trilho da fera. Refletindo à lua. Custa a acreditar no que vê. Deixa o motor ligado. Desce. A curva do cano de descarga, furada, deixava vazar algo. Aquilo. Passa no dedo, cheira e leva à boca.

 

“Manteiga! Manteiga!” – Soltou um grito de espanto. Meio misturada com graxa e combustível, mas Manteiga.

“E me vim’bora!”  – contava. “No outro dia, o pessoal testemunhou o sucedido”.

 

2017 – 08 – 08 Agosto – O Causo do Trator – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

O Zoo e as Feras! Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – 01 Agosto 2017.

 

2017 – 08 – 01 Agosto – O Zoo e as Feras – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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O Zoo e as Feras!

E

is que na última quarta-feira, Dia dos Avós, levamos, durante à tarde, o neto Lucas para visitar o Zoológico de Sapucaia do Sul. Tarde primaveril, com magnífico sol que aquecia os corpos e estimulava as almas já se acostumando com a ausência do rigoroso inverno gaúcho. Os estacionamentos do Zoo e suas ruas estavam repletas de crianças de todas as idades, nenhuma com a cabeça branca como um risonho avô. Sabemos que o parque e a instituição que o mantém estão num período de transição com a iminência de ser privatizado, pois o Estado do Rio Grande do Sul, que ainda tem rio, poluído é verdade, mas deixou de ser grande faz bom tempo, não consegue saldar adequadamente a folha de pagamentos do funcionalismo. Isso traz desconfortos e desassistência para muitos e o Governo se vê numa sinuca ou com a mão e todo o corpo numa cumbuca de titânio e a famosa “escolha de Sofia” virou atividade diária. Ou põe dinheiro que não tem na saúde caótica de postos e hospitais ou investe nas feras e nos animais.

Crônicas & Agudas

Observa-se a nítida degradação dos equipamentos e das instalações. Sinto que a quantidade de animais diminuiu em relação às outras visitas no passado. Mas a turma estava feliz assim mesmo e o alarido das crianças põe sangue novo numa ordem anárquica que virou a vida, o cotidiano dos sobreviventes gaúchos e brasileiros. É pipoca e sorvete para tudo que é lado. Os pais estão tranquilos com os filhos de colo, mas com o coração aos saltos tentando controlar o ímpeto das crias correndo de uma jaula à outra. No grande cercado da elefanta havia uma jovem com uma paciência maior que a criatura de trombas e bunda virada para a plateia efervescente. Ela se detinha a responder perguntas das crianças e dos pais e cuidadores com graça e bom humor. Incrível! E é funcionária pública ainda! Como muitos de nós fomos e acreditávamos na nossa dignidade profissional e no trabalho. Trabalho! E fornecia, várias e repetidas vezes, os dados pessoais da senhora trombuda e ainda pincelava sobre outros dos animais do Zoo. Magnífico!

Cr & Ag

As distâncias devem ser percorridas com denodo pelos avós no rastro do neto. A paradinha para o fôlego e para a água deve ser rápida como pistoleiro do velho e saudoso oeste. Há momentos em que a avó assume o manche e pilota a aeronave e aí se curte o grande lago e o bailado dos cisnes de variadas espécies. A placa orienta que o belo chafariz na verdade é um aerogerador que “torna a água oxigenada”. Todos os netos sabem disso! E sabem que se “um zumbi cair no lago ele não morre afogado, apesar de não precisar nadar”. Vale até uma soneca à sombra e com o lago e os cisnes por testemunhas. O urro distante parecia que algo muito grande e feroz se aproximava. Perambulamos pelas jaulas dos macacos e suas arteirices. Um trator com reboque iniciava a colocação de caixas de alimentos próximas às jaulas para que os tratadores as dessem aos animais. E logo estávamos frente a frente com ursos, calmos e sonolentos. E logo a jaula com a dupla de tigres em frenética atividade em saltos e caminhando por troncos de madeira.

Cr & Ag

A origem dos rugidos – um leão, muito do cabeludo, urrava para a torcida e para a fêmea dorminhoca. Dizia que comeria qualquer um daqueles com óculos e tudo. Bichão cabeludo e marrento. Mostrava unhas sem pintura ou base – cara macho mesmo! Fedia! Gaúcho macho barbaridade. Tudo com a jaula nos protegendo, mas se um funcionário surtado ou dos direitos humanos soltasse o leão… Se um psicólogo ou psiquiatra atestasse seu bom comportamento e ausência de risco para a sociedade… Instalações desumanas? Excesso de lotação? Sei lá que canetaço daria, mas solta a fera, o leão iria se fartar nas criaturas indefesas. E tive o estalo que a caneta de muito juiz, delegado ou autoridade está fazendo isso o tempo todo conosco. Nos desarmaram, nos impedem da defesa e liberam as feras sanguinárias. E as jaulas que deviam nos proteger? Estão nos nossos muros, portas e janelas e as feras soltas, rondando e atacando!

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