Cair na gandaia! Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – 18 Julho 2017.

 

2017 – 07 – 18 Julho – Cair na Gandaia – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Cair na Gandaia!

Cada um no seu tempo e ao seu tempo, mas alguém vai à gandaia ultimamente? Para quem não sabe ou até esqueceu, pela cabeça atribulada pela sobrevivência nesses tempos oscos, gandaia é estar no ócio (não confundir com cio!), na vadiagem, sem preocupações ou na farra. A origem do termo estaria ligada a uma redinha que se usava para segurar e alinhar os cabelos tanto para dormir quanto para ficar de boa em casa. Aqui em Viamão City, a primeira capital de todos os gaúchos, a turma da gandaia se reunia no Bar do Manoel, por exemplo, hoje estacionam os glúteos nas cadeiras da lancheria do Guará, tudo barbado. A criatura acostumada à gandaia era um “gandaieiro”. Tempos distantes que alguns se reuniam para gazear a aula do Setembrina e deixavam os caniços escondidos para irem pescar no Lago da Tarumã ou dar uns mergulhos no arroio Fiuza. Nada de semelhante com a turma “mocozada” fazendo uma fumaça, nuvem passageira ou puxando um fumo. Outros já saiam de casa com os calções escondidos e as meias para um futebol na praça da Igreja ou no campo do Tamoio.

Crônicas & Agudas

Hoje está impossível ser um guri que curtia essas atividades e até como pequenas e simplórias distrações. Andar pela rua é alto risco para muitos, outros virou profissão. Cruel profissão! Os pais preferem seus filhotes blindados nas casas ou nas vans que levam e trazem das escolas e a internet se tornou a realidade alternativa, muitas vezes necessária. Hordas de vagabundos à espreita de suas vítimas circulam abertamente pelas calçadas e praças. De zumbis a crocodilos com camiseta do Barcelona, bermudão, tênis e capuz com um currículo que faria inveja ao Caryl Chessmann ou ao Bandido da Luz Vermelha. Rios e arroios foram estuprados pelo lixo humano e os peixes sobreviventes são mutantes impregnados por metais pesados e tóxicos no caminho de imitarem uma baía de Minamata.

Cr & Ag

Jogo de taco e fazer carniça com pião eram atividades de muito risco, pois vá o pião furar o pé de alguém ou o taco escapar da mão e quebrar a vidraça da vizinha. Agora dia 20 de julho do ano da luz de 1969, um cara deu-se ao luxo de fazer uma gandaia de quase três horas no solo lunar. Lembram? Nome do artista – Neil Armstrong! Já deixáramos a adolescência, quem sabia que isso existia, ou se era guri ou se era homem, e ainda se brincava com a ideia do cara pular na Lua. No jornal do cinema havia quem jurasse ter visto marcianos escondidos ou entrincheirados nas crateras. Havia que jurasse ser tudo mentira e propaganda dos ianques – ainda juram. A turma da Cidreira treinava as pegadas na areia imitando Armstrong, mas com uma gandaia mais produtiva “escorando uma gatinha na casinha do salva-vidas”. Geralmente papo furado e bom gargarejo.

Cr & Ag

Talvez a habilidade de “recordar é viver novamente” como gente e façam certos anos serem alcunhados de melhor idade. Besteira! Estando vivo e com saúde é sempre a melhor idade, com ou sem gandaia. E que a gandaia seja sempre um prêmio ou um troféu merecido e aspirado, seja pescando na praia da Solidão seja visitando os monumentos de Hiroshima e Nagasaki com os fatídicos aniversários em 6 e 9 de agosto. Só para atazanar o velho Alzheimer, Litle Man explodiu em Hiroshima e a Fat Man em Nagasaki. E a gente recordava essas coisas na escola que não era lúdica para jamais esquecermos da desgraça radioativa e como o mundo virou um lugar que se devia dar maior valor à vida e até à gandaia. E nem o Superman ou o Capitão América poderiam nos salvar, menos ainda o Flash Gordon, Zorro, Roy Rogers ou Durango Kid. E se gandaiava trocando e lendo gibis, colecionando e escondendo de quem tinha irmão menor. E não vamos recordar da turma do “catecismo”, livretos de bolso com desenhos eróticos ou pornográficos em enredos iguais sem deixar de ser alucinante. Tinha uma turma pálida e de olheira que até criava pelos nas mãos que de longe se identificava como viciada em “catecismo”. E aí, gandaia não é tão ruim assim?

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Premiação Literária–Capa Jornal Opinião 11 Julho 2017.

2017 - 07 - 11 - Jornal Opinião - Capa Premiação

2017 - 07 - 11 - Jornal Opinião - Premiação

Direitos adquiridos vs Privilégios adquiridos! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 11 julho 2017.

 

2017 – 07 – 11 Julho – Direitos adquiridos vs Privilégios adquiridos – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Direitos adquiridos vs Privilégios adquiridos!

E

ra uma vez um reino imenso, com todas as riquezas naturais que permitiriam ao seu povo uma boa vida com trabalho e realizações. Os reis se sucediam, assim como os nobres escolhidos a dedo entre o povo e, a cada nova leva de governantes, sucediam-se benesses que encantavam alguns. O governo ainda tinha um zoológico privado para o deleite dos líderes e governantes. Ali crocodilos eram priorizados, que após várias gerações de bons tratos e muitas facilidades, cresciam e se encorpavam, maiores e mais poderosos. O rei com mandato democrático, escolhido pelos súditos, principalmente os mais fiéis e devotados, alimentava o crocodilo com o néctar dos deuses e as melhores iguarias que um réptil possa desejar, como, por exemplo, algum humano que não servisse mais para pagar as taxas e impostos do reino, velhos improdutivos e crianças que se amontoavam nas filas de hospitais lotados ou que ousavam inventar algumas novas enfermidades.

Eis que o crocodilo criou uma prole igualmente faminta que se não separada ou que a oferta de alimento fosse menor que a sua voracidade se devoravam entre si depois de se culparem uns aos outros. Eis que a burocracia que mantinha os governantes e os crocodilos alimentados já ousava refugar algumas vantagens em prol de cada mais maiores salários e menores horas de trabalho e uma série quase infinita de penduricalhos. Os humanos imitando os répteis. Eis que certo dia nebuloso e com a economia em frangalhos o rei e a corte estavam prensados entre os famintos crocodilos e a burocracia insaciável e já faltava povo para ser esfolado e comido vivo. Até mortos eram usados e abusados. Resultado, a culpa era de uma nação estrangeira, da globalização e de um povo chamado de capitalista. E continuaram alimentando o crocodilo gigante e sua prole humana e reptiliana.

Crônicas & Agudas.

A média salarial do INSS é cerca de R$1.600,00. A média dos funcionários do Executivo é de quase R$9.000,00 e nos poderes Legislativo e Judiciário sempre acima de 20, 30 ou 40 mil reais. O déficit anual no INSS é até 1/3 do déficit dos funcionários públicos. Logo quem quebra o Estado brasileiro não é o miserável do INSS. O que seria um direito adquirido com a máscara de “conquista do trabalhador”, como se outros não trabalhassem até igual ou mais? Insistem que são “conquistas” do trabalhador, mesmo com a opressão das demais pessoas. Um direito do trabalhador, não deveria ser universal a todos os trabalhadores? Sim, qualquer direito deve ser universal. O direito do voto deveria continuar excluindo as mulheres e os negros? A mulheres devem continuar com os salários menores que os homens nas mesmas funções? Os homossexuais devem continuar excomungados por religiões e por outras pessoas? As crianças comerão as sobras dos adultos, devem trabalhar e banharem-se nos restos da água usada pelos adultos como em tempos de antanho? A vida deve ser um direito ou um privilégio?

Cr & Ag

Certamente, você que não é obsidiado por nenhuma força alienígena ou ideológica, acredita em direitos iguais para todos os seres humanos. Assim como deveres iguais para todos. No entanto, todos sabem que alguns são “mais iguais que os outros” e que suas corporações ganharam “direitos” que os demais não possuem e jamais devem sonhar. O direito que não é universal é um privilégio. Privilégio! Privilégio é aquilo que alguém tem e os outros não. Essas criaturas possuem privilégios adquiridos e vestidos com o manto da legalidade e julgados legais por outros privilegiados como eles. E como o crocodilo e sua prole e os humanos que neles se inspiram jamais querem ver diminuídas ou retirados seus privilégios, mesmo que tenham que devorar todo o povo contribuinte. Ou alguém acredita que o réptil irá querer todos com os mesmos “direitos”, digo, privilégios que ele! Se discorda dessa acepção de direito e privilégio, experimente tê-los e usá-los no seu lar, na sua vida e impor na vida dos outros. Quantos já fazem isso!

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A Criança como Escudo Humano! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 04 Julho 2017.

 

2017 – 07 – 04 Julho – A Criança como Escudo Humano – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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A Criança como Escudo Humano!

N

ão me causa nenhuma estranheza pessoas cultas, até com diploma universitário, usem mais a emoção do que a razão e o bom senso em seus julgamentos ou colocações. É da vida, mas há um novo tempo para realinhar ideias e não se permitir cair no engodo repetido. Principalmente depois da Revolução Industrial iniciada na Inglaterra no final do século XIX, as crianças seriam vistas como seres humanos a proteger e não seres descartáveis ou usados em condições cruéis de trabalho ou de vida. Estamos no século XXI, as legislações protegem as crianças em todos os horizontes, no entanto, as crianças são vítimas de abuso sexual, por exemplo, na maioria absoluta das vezes, dentro dos seus lares e por pessoas que as deveriam proteger e amar. Assombra-nos o infanticídio cometidos pelos “povos da floresta”. Sofremos com crianças sendo capturadas e doutrinadas à força pela guerrilha assassina na África e no Oriente Médio. A dor explode com as crianças bombas. Na crônica anterior, “O policial também é um filho de Deus!”, expomos diversos questionamentos sem respostas, como pela presença física de crianças na desocupação de prédio invadido em Porto Alegre, capital gaúcha.

Crônicas & Agudas

Qualquer animal na natureza esconde seus filhotes na mais protegida toca quando vai à caça ou quando o combate é iminente. É normal e esperado proteger os filhotes. O Homo sapiens (“homem sábio”) sempre procede assim? Açulados por sindicatos, sabe-se de professores incitarem alunos (filhos dos outros!) para o campo minado das reclamações e do enfrentamento desejado. Sabe-se a estratégia de luta de movimentos, como da interminável reforma agrária, usarem crianças e mulheres em suas manifestações com foices e facões. Assaltantes de banco usam rotineiramente tapumes humanos (filhos e familiares dos outros) para se protegerem durante assaltos com feroz violência. Entretanto, desconhecemos as violentas torcidas organizadas se enfrentarem e seus membros levarem seus filhos para o combate. Jamais vimos um policial civil levar seu filho para executar um mandato judicial. Tampouco algum policial militar levar filhos e esposa para um enfrentamento qualquer. E você levaria seu filho? Onde estão as diferenças?

Cr & Ag

A imensa maioria das pessoas inteligentes e não comprometidas com invasores sentem dor pelas “crianças na noite fria de inverno, num horário inadequado”. Qualquer pessoa normal sentirá dor com crianças em risco. Lembrem – até os animais, ditos irracionais, protegem seus filhotes. Se você pai ou mãe, avô ou avó, enfim responsável por uma criança que terá o local onde vive em risco, fará o que? Certamente respondeu – proteger as crianças, afastá-las da luta! Não foi isso que aconteceu. Mais de dois anos de negociações judiciais sem acordos com os invasores. Desocupação previamente anunciada e determinada pela Justiça depois de recursos. Se eu ou você estamos naquele prédio e sabemos, pois ninguém desconhecia a ordem judicial de desocupação, e queremos lutar por “nossos direitos” (mesmo contra a lei), faremos o que? Primeiro é afastar e proteger crianças da área de conflito e de combate premeditado. Se você escolhe deixar seus filhos na linha de batalha a responsabilidade é sua ou é do Estado, ou sociedade? A orquestração, a estratégia de combate, exige vítimas inocentes, até mártires, crianças de preferência? Usa-se a emoção das pessoas e da opinião pública, já manipulada por jornalistas da mesma cor ideológica, para demonizar a polícia e satanizar o governo. E aumentar o “sentimento de culpa da sociedade” pelos necessitados do momento. Mais manipulação! Ainda – mentores maquiavélicos, ao usarem crianças na luta, estarão fabricando futuros guerreiros de ódio forjado contra as instituições democráticas, lembre exemplos.

Afora isso, os mesmos responsáveis mantinham essas crianças, se todas forem dali e não carreadas de outros lugares, em quais condições de vida? Pense! Jamais se deixe iludir por mitos criados, mantidos e vendidos. Como os que nos levaram a um país com a maior crise econômica e moral da sua história e talvez entre os povos ditos civilizados, entre essas hordas que defendem criminosos e seus interesses contra os cidadãos que trabalham e contribuem dentro das leis, arcando com o custo da corrupção institucional e metastática.

O Policial também é um Filho de Deus! – Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 27 Junho 2017.

 

2017 – 06 – 27 Junho – O Policial também é um Filho de Deus – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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O Policial também é um Filho de Deus!

C

ausa estranheza a afirmação do título? Ou você é da espécie que acredita e prega que o policial, civil ou militar, seja um filho ou um enviado do Diabo para atormentar as pessoas? Hoje, dia 23 de junho, pela manhã, o rádio informa da morte de um policial civil de 39 anos de idade com um balaço na cabeça durante uma operação de rotina com ordem judicial na casa de traficantes de drogas aqui em Gravataí, região metropolitana de Porto Alegre. Esse homem, no fiel cumprimento de seu dever de proteger a sociedade, morreu nos braços da sua esposa, que também é policial civil e estava na mesma operação. Os policiais teriam sido recebidos à bala por cinco traficantes enquanto apresentavam o mandato judicial para a mulher que abriu a porta. Outro cidadão, mais um policial em defesa da sociedade honesta, onde segmentos não merecem viver livremente nessa sociedade, morre brutalmente. Durante essa manhã, não escutei nada além da crua notícia jornalística. Se fosse o contrário? Estaríamos crivados de “direitos humanos”, socialistas, movimentos sociais, parlamentares identificados e amantes de criminosos exigindo a imolação em praça pública do policial que “matou” o criminoso e “contra a violência policial”. Há pichações que pregam “policial bom é policial morto”. É a degradação absoluta da lei, da moral e da ética.

Crônicas & Agudas

É alarmante, em comparação com outras polícias no planeta, a matança de policiais no Brasil. Há jornalistas de visão tubular ou mente estreita, deformados pela lavagem cerebral durante a universidade ou adeptos da ideologia que visa destruir a família? São peças cruciais nessa rotina fatal? Jamais generalizo e basta escutar, ver e sentir que você verá a diferença entre o joio e o trigo. Ainda ferve na mídia o episódio da desocupação dos invasores no prédio público no Centro de Porto Alegre. Observam “violência policial”, “horário impróprio”, “crianças no local”, “noite fria”, “deputado do PT é detido” e outros eteceteras. Ninguém desdenha da necessidade de moradia digna para todo o cidadão e das crianças no local.  E o respeito às leis? Observe outras facetas não abordadas adequadamente: dois anos de negociações com os invasores sem que nenhuma alternativa a Justiça encontrasse para que saíssem espontaneamente do prédio; qual o currículo das criaturas invasoras, seu passado ou sua ficha policial? Certamente não eram somente seres angelicais que ali se acantonaram. Essas crianças eram filhos reais dos invasores ou trazidos de outros locais – fato conhecido em outros “movimentos sociais”? Se eram familiares, em que condições viviam? Ambiente promíscuo? Drogados, traficantes, ladrões? Com a anunciada judicialmente desocupação por que eram ali mantidas se já planejavam o enfrentamento físico? Outras perguntas estão penduradas no gancho sombrio da eterna partidarização e da ideologia, ansiando respostas reais e moralmente éticas.

Cr & Ag

Alguém é tão inocente que jamais viu ou soube do uso de crianças ou mulheres como escudos humanos? E não se precisa viajar ao Estado Islâmico – Isis, veja os assaltos à banco no Estado. A responsabilidade principal de expor menores às condições adversas ou insalubres é de quem prioritariamente? Dos pais e responsáveis ou de nós? Qualquer desocupação, retirada de invasores refratária a acordos é sempre pacífica ou há violência calculada, premeditada e talvez estimulada? Pense. Raciocine. Responda para si, pelo menos. Os invasores sempre usarão todos os meios materiais ou psicológicos e reagirão sempre. Qual a colaboração efetiva do humanista deputado (único no local?) durante os dois anos de negociação, buscou soluções reais e novas moradias, qual a sua atividade real durante o tempo de invasão e não somente na desocupação? Escudado no crachá de deputado pode obstruir e tentar impedir uma ordem judicial previamente conhecida e sabida? Ou a separação e respeito entre os poderes republicanos somente vale para os outros? Tantas dúvidas mais! E as respostas?

Novamente satanizaram a polícia. Demonizaram a Brigada Militar. Esse jogo é sempre executado com a conivência da ignorância ou com a participação ativa dos interesses malignos das facções que mergulharem o Brasil na pior crise da sua história? Talvez alguns preferissem os métodos de Fidel Castro, a “ponderação” do venezuelano Maduro ou a “complacência do imperador” da Coreia do Norte? Acredite – o policial é e sempre foi um filho de Deus como você e eu!

O Amor do seu Aldo Cabeleira. Meu Sangue é Vermelho; Meu Coração é Colorado. Histórias do Internacional. Medalha de Prata no Concurso Cultural do S.C. Internacional–FECI. 2017.

 

Histórias do Internacional

O Amor do seu Aldo Cabeleira!

Meu Sangue é Vermelho. Meu Coração é Colorado!

Por Tainha Jordans (Pseudônimo)

 

Acredito que em 1917, ano em que nasceu seu Aldo Cabeleira, o Colorado era ainda um garoto de futuro incerto que aos oito anos de idade lutava pela sua sobrevivência embalado pelo amor de seus fundadores e acalentado pelos torcedores do Povo que fluíam a sua volta. Foi no fundão da denominada Estância Grande, na zona rural de Viamão, penúltimo filho da dona Celina e do seu Olympio Carneiro, apelido que quase virou sobrenome, numa família em que mais de uma dezena de irmãos “nenhum degenerou, são todos Colorados”. Eu nasci no ano de 1951, também em Viamão, e assim começamos uma cavalgada de lutas e de inúmeras emoções, eu sempre na sua garupa nos campos em que o Colorado peleava.

Estou numa fotografia no colo de atletas com o time do Internacional que visitavam Viamão, trazidos por ele, como fez em várias outras vezes. Eu tinha algo como dois a três anos de idade. O casamento do seu Aldo Cabeleira com o Internacional foi anterior ao casamento com minha mãe Dora, mas nenhum ciúme irritava seu coração pois ela também o acompanhava no mesmo e intenso sentimento. Seu Aldo recitava em verso e prosa escalações não somente do Rolo Compressor, mas outros grandes times daquele clube que albergava em seu coração todo um universo de pessoas de todos os credos, gente de toda cor, criaturas das mais humildes aos mais abastados. Ele se orgulhava profundamente de estar no Time do Povo do Rio Grande do Sul e ali estar em casa, numa casa que não distinguia e separava seus filhos.

Talvez em 1954 tenha-se sentido um pouco em paz para aquele outro Campeão do Estado gaúcho. O time do Renner sagrou-se Campeão e ele ganhava o sustento para si e sua família ali nas Indústrias Renner, onde trabalhou quase quarenta anos, somente parando a atividade quando a doença venceu o corpo do guerreiro. No entanto, jamais vencerá à alma que sempre foi e será nos campos de Luz celestiais uma Alma Colorada e lá estará com seus ídolos e amigos. Minha mãe Dora o acompanhava aos jogos até que numa noite de intenso calor o Inter jogava com o Botafogo do Rio de Janeiro (creio) no glorioso Estádio dos Eucaliptos. Estádio mais que lotado. Torcida em ebulição. Partida acirrada. Eis que a torcida explode com os gritos de que “a arquibancada estava desabando” e as pessoas se jogam para dentro do campo. Derrubam-se os alambrados de tela. A partida se interrompe com a massa humana em desespero. Pessoas sendo pisoteadas. Dezenas de feridos. Minha mãe amada sempre recordava que “quando tudo cessou, estava dentro do gramado, comigo entre as pernas, deitada” e muito machucada. Eu, criança pequena, sem nenhum arranhão. Seu Aldo também bastante machucado ajudou a nos proteger com seu corpo sólido. Fora um alarme falso de uma pilha enorme de engradados de bebidas que havia desabado sob a arquibancada e o eco, o estrondo motivou o berro inicial de desespero de algum torcedor. Dona Dora agradecia sempre as suas protetoras, Santa Terezinha e Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Viamão. Durante sua curta vida não retornou mais aos campos de futebol, mas o rádio estava sempre ligado e girando o dial buscando os derradeiros comentários e informações do Colorado.

A característica do rádio ligado no Colorado foi e é de nosso sangue vermelho. Quando surgiram os primeiros rádios de pilha, meu pai me presenteou com um da marca Marvel que durante muito tempo gastou-se nas minhas orelhas. Lembro-me ainda um moleque estarmos na fila esperando o Estádio dos Eucaliptos abrir seu portão, rádio ao ouvido e deliciando-me com um pastel de balaio e um guaraná gelado e o seu Aldo apontando-me os dirigentes e antigos jogadores que ali circulavam.

O Internacional alçava novos e grandiosos voos. E um projeto “impossível” foi lançado – um novo estádio de futebol. Um gigantesco estádio de futebol. Muitos tripudiavam ser delírios do povo pobre e ainda mais num lugar que somente havia… água. “Um estádio de futebol dentro de um rio, do rio Guaíba”. Talvez esse povo sofrido tenha sonhado com algo como a terra prometida dos hebreus e um Moisés abrindo as águas para seu povo. Ninguém duvidaria da Bíblia, mas do sonho Colorado… E seu Aldo fez a sua parte, aquilo que lhe era possível dentro do necessário. Lembro de uma imagem que ele tinha em casa – “A bóia cativa”. E as dragas trabalharam e a terra em montes afastando as águas do rio. As campanhas se multiplicavam e quanto maior a dificuldade, mais a solidariedade aproximava, reunia e avolumavam-se as forças Coloradas. Assisti todos os jogos do amado Colorado durante os dois primeiros Robertões no estádio Olímpico, seguindo os caminhos que o seu Aldo me ensinara viajando nos ônibus de Viamão e nas longas caminhadas gastando o tênis.

Ele sempre foi Sócio e mostrava sua carteirinha com alegria, mas agora dera o maior salto – adquirira duas cadeiras perpétuas e remidas “dentro de um rio”. Logo o rio deu espaço ao concreto e o gigante crescia e jamais o por do sol mais belo seria o mesmo. Seria muito mais belo! E glorioso. Caminhávamos durante a construção entre colunas e ferros. Levou-me para ver os canos de drenagem que estavam sendo colocados onde logo seria o gramado, e “nenhuma enchente como a de 41 vai nos alagar”! E um dia subimos as rampas e sentamos para admirar e cair numa realidade plena de amor. E como sempre ele apontava e mostrava – “aquele é o doutor Tedesco”. Craques e ídolos cruzavam conosco e Larry (Pinto de Faria) era uma dessas pessoas de amor e carinho sem par, entre outras.

Jamais assisti ou soube do seu Aldo “tocar flauta” ou desmerecer de qualquer forma outro time de futebol. “Se não falo pro bem, nunca vou falar pro mal”! – dizia com a convicção dos justos. E lá estávamos nós na inauguração do Gigante da Beira Rio. Torcendo. Vibrando. Chorando e rindo. Agradecendo aos homens de brio que lideraram uma caminhada grandiosa que começara no distante ano de 1909 e aos que tornaram possível o “impossível”. A primeira vez que o Hino Nacional, o Hino Riograndense e o amado Hino Colorado ecoaram nas vozes e nos corações do povo dentro do Gigante! E certamente nos campos de Luz com anjos que aqui nos trouxeram. Gratidão! E lá nas Cadeiras Perpétuas ele me mostrava – “aquele é o doutor Ephraim (Pinheiro Cabral), aquele é o doutor Balvé (Arnaldo)” e assim puxava seus feitos, como dos nossos craques e deliciosas histórias ele recordava. Creio que se sentia mais que um privilegiado, um humilde trabalhador e eterno torcedor estar ali no local mais nobre, junto à Tribuna de Honra” do templo Colorado. Como um pescador no Olimpo? Dona Dora, com o seu rádio de plantão, vibrava e torcia e nos aguardava na outra casa depois de cada jogo no Gigante.

Quando a Cledi se tornou a primeira namorada oficial e titular, hoje esposa, o seu Aldo lutou e buscou uma cadeira locada para si e para que a Cledi me acompanhasse aos jogos. Juntos! Em algum recanto de seu espírito estaria plantando uma semente de que viesse um neto que continuasse a sua “senda de vitórias”. E o neto foi nosso primeiro filho, o Duda (Eduardo) que se tornou seu companheiro de todas as jornadas. Nessa época um deputado federal de origem indígena, o Juruna, era tema na mídia. O cabelo do neto Duda “parecia com o do Juruna” e lá ia o seu Aldo Cabeleira e o neto Duda Juruninha tomar o ônibus para os jogos do Inter. Inverno ou verão, noites ou dias, o neto ia “acampar com o avô” no Beira Rio. Sempre foi costume do seu Aldo levar “um fiambre” para comer enquanto os portões não abriam.

A roda da vida ou uma roda viva nos conduz por caminhos que somente o Criador conhece. O seu Aldo teve que se desfazer de suas cadeiras e outros bens por “algo maior” – pagar meus estudos, logo nos dois anos iniciais da década de 1970. Mesmo por pouco tempo, ajudou seu clube e deliciou-se com seus encantos. Jamais se afastou do nosso Colorado. Depois do falecimento da minha mãe Dora, constituiu outra família e outros filhos, mas sempre indo aos jogos, sempre ao nosso templo mais sagrado. E depois no Parque Gigante, outro sonho realizado no Inter. E ao final da década de 1980 a doença tornava sua batalha pela vida uma epopeia. Nos leitos de hospital, nas internações de UTI vertia uma lágrima silenciosa ao escutar as notícias das vitórias do amado Colorado. E quando alguma voz vertia de sua garganta, vinha “a saudade do guaraná com pastel” e o grito pelo Inter. As enfermidades podem vencer aos homens e obrigá-los a cruzar o portal da morte, jamais sepultam seus sonhos, seus amores e as sementes que plantaram.

Na minha infância, havia dois negros muito humildes em Viamão. Irmãos e engraxates – Biúda e Saravá. Pessoas de amor na dureza de sua existência e que também tinham o rádio de pilha como fiel parceiro. Minha mãe e hoje a esposa ainda usam a mesma expressão, as mesmas palavras, a mesma frase: – “Não desliga o rádio enquanto não ouve o comentário do Biúda”! Tropeamos as estações com a facilidade de captação do som, até o “Biúda ou o Saravá darem a última palavra”. Os mesmos caminhos da vida nos atrelaram ao rádio e à TV. Outro ano fomos assistir à Juventude e Inter e agora neste 2017 da Graça, assistimos Criciúma e Internacional, sempre na casa do co-irmão. Um projeto estava emergindo dentro de nós, não com a grandiosidade do Gigante que nasceu das águas, mas voltar ao Beira Rio nas cadeiras que o seu Aldo Cabeleira sonhou e realizou. Uma homenagem de quem foi e sempre será um gigante com sua mais fiel companheira em nossas vidas – retornar! E adquirimos duas cadeiras no mesmo espaço sagrado, as Perpétuas. E nosso amado filho Duda e nosso neto Lucas, bisneto, estarão torcendo, vibrando e amando numa saga de Luz e Amor ao Sangue Vermelho e Coração Colorado. Dona Dora e seu Aldo estão felizes que finalmente após um logo tempo estarão retornando e renovando votos de Amor ao Colorado.

Estarei exatamente com 66 anos de idade no dia 23 de junho de 2017 e eu como tantos Colorados temos histórias para contar. Lições de vida para outras vidas. E lembro que certa vez assisti a um filme sobre um homem da Nova Zelândia que sonhara escalar o Everest, a mais alta montanha do planeta. Diziam ser um sonho impossível, pois sua condição simples, até humilde, jamais permitiria ousar tal empreendimento. Ele perseverou, planejou, abdicou daquilo que é importante para tantos e vencendo cada passo das incontáveis dificuldades, ele atingiu ao topo do mundo. Jamais fez isso para seu engrandecimento ou por alguma glória almejada, mas fez pela sua alma imortal e pelo seu amor à vida. E novamente retornou à montanha. Em 2006 estávamos no Beira Rio, meu filho e eu e um casal de amigos próximos. E milhares de outros amigos próximos de nossos corações. E o Internacional retornou do Japão fazendo novamente o “impossível”.

Este é um ano de 2017 traz dor e sofrimento, desilusão e até revoltas, e principalmente devemos ter entendimento para aprender com as dificuldades, valorizar aquilo que conquistamos e temos e jamais desistir de nossos sonhos. E lutar para o retorno. Seu Aldo Cabeleira, pai-avô-bisavô, estará retornando às suas cadeiras no Beira Rio junto com cada um de nós que tanto lhe amamos e minha mãe estará ainda com o rádio sempre ligado no Colorado até o derradeiro comentário do saudoso Biúda. E ali o nosso sangue vermelho e o nosso coração colorado terão mais Luz!

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Observação: Recebi ontem dia 16 de Junho a mensagem de que o texto em homenagem ao meu pai Aldo Flores de Oliveira, o Cabeleira, tinha sido distinguido no Concurso. Curiosamente a cerimônia de premiação ocorrerá no dia do aniversário de minha mãe Dora (Dorilda Silva de Oliveira) e meu aniversário também. Nasci no aniversário da minha mãe. Eles estão mais felizes torcendo pelo nosso Inter e por nós nos Campos de Luz celestiais. Obrigado.

 

Concurso de 2015–S.C. Internacional–2o. Lugar em Contos – “Corisco, Prego e Rosa..” leiam abaixo no site.

Diploma da Premiação 2015 IMG_1055IMG_1056

Formigas! Outras revelações. – Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 13 Junho 2017.

 

2017 – 06 – 13 JUNHO – FORMIGAS! OUTRAS REVELAÇÕES – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Formigas! Outras revelações.

Observe a formiga preguiçoso, reflita nos caminhos dela e seja sábio! Ela não tem chefe, nem supervisor, nem governante, e ainda assim armazena suas provisões no verão e na época da colheita ajunta o seu alimento. Até quando você vai ficar deitado, preguiçoso? Quando se levantará do seu sono?” – Provérbios 6.6-9

O

s ensinamentos que nos mostram a formiga como modelo estão em todos os ares respirados pela humanidade. Vejam acima essa parte do Antigo Testamento e reflitam nos ensinamentos, como do rei Salomão. Há árabes que ao nascerem um filho, colocam em sua mão uma formiga e fazem os votos de trabalho e prosperidade. Nosso grande Olavo Bilac traz bela poesia sobre a formiga, assim como muitos escritores. O cinema nos encanta e emociona com essas criaturas exemplares em dedicação e organização à coletividade. Seriam as formigas worhaholics?

Crônicas & Agudas

O grande ator Castro Gonzaga, dublador de Popeye, interpretou Zico Rosado ou o Formiguento na novela cult Saramandaia em 1976. Obra de Dias Gomes e dirigida por Walter Avancini, o Formiguento era um rígido dono de engenho de açúcar e quando em ebulição de ideias e sentimentos sentia formigar seu nariz. Escarafunchava as ventas com um lenço vermelho e ali brotavam formigas. Muitas formigas. Essa obra de realismo fantástico tentou driblar as tesouras da censura mostrando uma série magnifica de personagens na cidade de Bole-Bole ou Saramandaia. Recorde-se!

Cr & Ag

O genial Simões Lopes Neto galopeou emoções e tropeou ensinamentos com o imortal Negrinho do Pastoreio. Um Negrinho, esse seu único nome, sem eira nem beira, sofria nas mãos do rico e poderoso estancieiro e que desgostoso das lidas do guri, depois de várias surras, amarrou-o sobre um enorme formigueiro. Depois de três dias retornou ao lugar da sua suprema maldade e encontrou o Negrinho de pé e altaneiro sobre o formigueiro, com a pele lisa e sem qualquer lesão e acompanhada da sua mãe celestial, a Nossa Senhora, e nunca mais deixou de pastorear nos campos celestiais e trazer fé e esperança aos humildes e sacrificados pelo poder.

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Tribos brasileiras de antanho traziam seus jovens para uma prova de fogo de sua maturidade. Onde o menino se tornaria um homem num ritual em que formigas-de-fogo seriam atiçadas em seu corpo e ele deveria resistir à dor e ao sofrimento das picadas. Os rituais com formigas estão em todos os horizontes como em ameríndios do norte e africanos em que as vítimas eram palanqueadas entre quatro estacas e amarradas com cintas de couro cru para serem devorados pelas formigas. Inimigos e pessoas “descartáveis” de tribos das selvas da América Central e do Sul eram lançadas no caminho das formigas-em-correição, em que um exército avassalador dificilmente seria contido.

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 Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”! Frase atribuída ao advogado e escritor Monteiro Lobato, mas na verdade teria sido cunhada pelo naturalista e botânico francês Auguste de Saint-Hilaire. Há carta de Monteiro Lobato à uma prima agradecendo uma farofa de içá – abdomens de saúvas em época de vôo, fritas com farinha de mandioca e outros temperos, uma especiaria antiga no Vale do Paraíba ou na região de Taubaté, em São Paulo, onde nasceu. “Já escondidos atrás do foro privilegiado, os políticos querem se esconder de novo atrás de listas fechadas, anular provas de delação da Odebrecht, enfim, voltar aos velhos tempos. Não vão acabar com o Brasil. As saúvas não acabaram”. O jornalista Fernando Gabeira atualizou o sentimento para os tempos infernais de corrupção e insanidade moral e infeciosa que se alastrou vorazmente e que somente o antibiótico da Lava Jato será insuficiente para salvar o paciente Brasil.

 

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Formigas! Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 06 Junho 2017.

 

2017 – 06 – 06 junho – Formigas! – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Formigas!

A

s pessoas possuem encantamentos e admirações por animais. Alguns elegem os cães, outros os gatos e cavalos, talvez aranhas e cobras, ainda quem se entregue de corpo e alma a um molusco. Sempre tive um respeito às formigas. Talvez isso tenha principiado com a velha, mas sempre atual, fábula de Esopo com a Formiga e a Cigarra, o bicho e não a fêmea nicotinada do cigarro. Lembra? Outro dia, depois de sair do jantar festivo do Consulado do Internacional de Viamão no Vento Negro, vinha digerindo as emoções e o belo encontro com amigos colorados e assemelhados. Precisei alimentar o meu veículo, pois sem comida não anda e nem trabalha. Aportei no antigo Texacão e enchi o tanque com atendimento excelente, mesmo com adiantado horário, o que tive de mal atendimento no outro posto na mesma rodovia, compensou com sobras. O frentista ainda se ofereceu para calibrar os pneus. Estava vendo o amigo fazer seu ofício com zelo e dedicação quando me apercebi de um carreiro de formigas trabalhando com uma energia que o Zago e seu time não tiveram. Quase tropeçando na meia noite ali estavam as formigas em feroz labuta sem hora extra, décimo terceiro, adicional noturno, bolsas (e sapatos), auxílio moradia e outros tantos regalitos lastreados nos intermináveis direitos adquiridos que nós pagamos como contribuintes compulsórios.

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Algumas formigas carregavam verdadeiras toras se comparadas ao seu tamanho. Abaixei-me. Não portavam nenhuma identificação como placas, bandeiras da CUT ou do MST ou estavam mascaradas quebrando os faróis do carro e furando os pneus. Algumas paravam para estimular as outras e tomar um fôlego, mesmo sem mortadela e cachaça. E a fila nascia e sumia na escuridão, mas na área iluminada do calibrador de pneus era de espantar. Positivamente. Falei ao frentista: – Vai chover! E muito. Como assim ele respondeu. Madrugada ou amanhã vai derramar um caldo no lombo das criaturas. Muita água. Falou: – Como o senhor sabe? Enquanto atarraxava a tampa do ‘ventil’. As formigas estão nos contando isso. Seu espanto aumentou e veio olhar a freeway lotada de formigas. Coloquei uma pilha a mais: – E vai chover tanto que pode dar flagelado. Aí o homem não se segurou mais: – Como o senhor sabe disso vendo formigas? Saquei meus conhecimentos de formigueiros e atirei: – Trabalhando assim essa hora da noite é para armazenar, pois na chuva terão que ficar curtindo somente o formigueiro e veja essa que carregam as ‘toras’, é aviso de enchente para que sirva de barco. A ‘formigologia’ é uma ciência complexa gerada em tempos em que as criaturas olhavam e buscavam respostas na natureza. E choveu e inundou o Rio Grande Farroupilha. O frentista vai usar para seus netos essa simplicidade e irá espantá-los.

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Certa ocasião um paciente sentou-se a minha frente no consultório e largou num tiro de laço: – Doutor estou diabético! Homem de lidas campeiras e municiado por longa experiência de combate nas desventuras e aventuras da vida, franziu o cenho com a fronteira branca-escura mostrando o uso do chapéu mais escavada. – Fizeste algum exame de sangue tche? Balançou a cabeça. Deu uma suspirada e se veio: – Ando com uma sede de dar dó, bebo água até nos valos. Achava meio estranho, mas tenho comido muito churrasco e charque atolados de sal. Aí dei um desconto. Mas começou a juntar formiga onde eu mijo. Seu doutor, se mijo num palanque ou num pau de alambrado, tem enxame de formiga no chão e subindo no pau. Daí só pode ser açúcar demais no sangue e sai nas urinas. Acertou mais que a Lava Jato. Um tempo depois de medicado e dos demais cuidados, retornou e contou: – To mijando que nem um bagual e não junta mais formigas.

Essa lúdica coluna pode lhe ter essa serventia. Observe as formigas! Talvez você aprenda com elas e com a troca de informações com outras pessoas coisas que muito bancos escolares estão ausentes, principalmente porque as ideologias ainda não submeteram as formigas, apesar de todas as relações das cigarras e seus sindicatos e movimentos sociais ou peristálticos.

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A Idade da Gata! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 30 maio 2017.

 

2017 – 05 – 30 MAIO – A IDADE DA GATA – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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A Idade da Gata!

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or mais que o título sugira que vamos enveredar pelos caminhos da idade da mulher amada ou pelas belas que flutuam no universo ao nosso redor, vamos tangenciar ou passar de raspão, até “tirando um fininho”. Quanta coisa se faz pela idade? Ou não se faz pela idade? – Estou muito velho para isso! Isso é para jovem e a minha juventude já ficou perdida no tempo. Você ouve ou dia algo assim? Como a nossa mente racional, exceto quando vota ou é discípula de criminoso contumaz, trabalha nos dando a realidade das nossas possibilidades com o máximo de desenvoltura e o mínimo de risco, selecionamos aquilo que nos é mais agradável e compatível. A TV mostra uma mulher na casa dos 90 anos saltando de asa delta do topo de uma rocha na montanha. Sim, trazia às costas um experiente professor do esporte. Mesmo assim é de arrepiar os cabelos restantes. A descida triunfal e filmagens para as redes sociais. Tudo até é legal quando acaba bem. E muitas vezes acaba bem porque aquele espírito está revestido, blindado contra a idealização da desgraça possível.

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Tenho que fazer isso enquanto sou jovem! Diziam um amigo empoleirado numa motocicleta superesportiva e também adepto dos esportes de alto risco, como sair de moto à noite em Porto Alegre. Alguns até numa festa funk depois de um jogo na Arena tricolor numa área de sobrevivência escassa sem o aval da chefia local. Outro faz mergulho de profundidade em cavernas ou noturnos no oceano. Tudo aquilo que nos desafia, que ativa nossos mecanismos de combate e de sobrevivência com riscos, gera substâncias em nosso corpo que tendem a exigir novas repetições. E talvez com maiores riscos. E a idade está ali para marcar território e estabelecer limites. – Quando eu era jovem Completava um vovô ao contemplar o andar sensual da moçoila saída de algum conto com dezenas de tons de cinza entre outras cores do espectro. O jovem com a safadeza mascarada atiçou: – Tem um comprimido azulzinho que dá uma coragem e uma disposição danada de boa!

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A cirurgia plástica que mais tem crescido percentualmente no Brasil e nos Estados Unidos traz o remodelamento, aperfeiçoamento da genitália feminina. A motivação é diversa, mas a busca de resultados compartilhados é evidente. Nesse boom nenhuma idade é adversária, ao contrário, é motivacional. E as veteranas de muitos fandangos da vida, corações pealados e estradas de chão batido ou lençóis de fios de linho egípcio encantam-se e a vida desafia constantemente. Um amigo sentado na sua veterania de conhecer o rengo sentado e saber do cego dormindo lascou: – O compromisso só aumenta!

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Os amigos fieis que me acompanham nessa balada de letras se fundindo em palavras e frases lembram da Neve. A Neve é nossa gata. Peluda e algo obesa. Carinhosa quando carente. Tão na dela quanto todos os felinos. Ela faz a rotina de vida dela, desde que nada lhe falte – areia para suas necessidades fisiológicas, ração premium para paladares apurados e água fresca. Ela curte seus locais de dormir e de brincar. Com cerca de 15 anos de idade seria uma humana muito idosa. Ela não tem a consciência disso, persiste tentando pegar os passarinhos na sacada, assim como sentar-se ao sol ou andar suavemente pelo parapeito do apartamento. Parece ter programas na TV ao seu gosto, tanto para olhar quanto para dormir. Outros ela renega e busca lugares distantes. Tem especial amizade pela sua veterinária. E aproveita um dia após o outro sem qualquer tipo de preocupação com a prisão do Lula ou a queda do Temer. Observamos algumas mudanças física e mentais da sua idade. Nós observamos! Ela curte a sua vida em qualquer cenário que vamos com a mesma satisfação. Acompanhar os animais nos ensinam aulas úteis para nossa humanidade desenfreada e consumista, para nossa vertigem do tempo escasso ou do pavor do envelhecimento. No entanto, para todos e todas as criaturas o tempo é o mesmo.

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