Álbum de Fotografias! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 23 maio 2017.

 

2017 – 05 – 23 MAIO – ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal opinião

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Álbum de Fotografias!

O

s dedos galopeiam quase desenfreados nas telas sensíveis dos modernos celulares, as imagens se debulham como espigas de milho seco na tormenta, os olhos relampejam buscando a imagem ou a foto desejada. Imagens se acumulam e rodam num redemoinho multicromático. A plateia ao lado tenta vislumbrar algo que lhe sensibilize. Misturam-se imagens da pessoa, da família, selfies nos mais bizarros ângulos, imagens recebidas de sexo ou de política, de festa e de morte, imagens arquivadas na virtualidade e muitas na mais efêmera impessoalidade. E aqueles dedos ansiosos, já não encontrando a imagem perseguida, estampam qualquer uma outra que lhe sirva ou que a plateia demonstre alguma curiosidade. Acumulamos com orgulho e sublimação as imagens de nossa rápida existência num álbum no Facebook ou no Instagram, ou algo do gênero. Nossos milhares de amigos virtuais irão compartilhar numa valsa em que todos bailam.

Crônicas & Agudas

Torrentes de fotos dos filhos e dos netos atropelam as imagens de amor eterno (enquanto durar!) de ‘love is all’. Constatações antes de críticas. Bem antes das críticas vem as imagens guardadas em quadros na parede da sala com as pessoas ilustres, por serem amadas e respeitadas da família. Sei que assim não mais vigora. Ainda sobrevivem as fotos da vida das pessoas e da família em arranjos decorativos sobre um aparador ou outro móvel. E as fotografias ‘enlatadas’ ou numa caixa decorada, talvez de algum presente de aniversário que albergassem perfumosos sabonetes? Onde estarão? Nalgum álbum virtual deletado por um vírus de bruços no computador? Que delícia abrir uma caixa e esparramar as fotos que nos encantam e nos fazem voltar no tempo e naquela situação sobre um tapete ou na colcha da cama! Tocar e cheirar. Ocluir as pálpebras e sentir-se retornar em tempo e espaço e curtir momentos que a nossa pessoalidade jamais deveria esquecer.

Cr & Ag

Crises? Dificuldades conjugais? Sentam-se juntos e trocam as imagens que fizeram quando ainda o amor falava e tocava mais. Um bálsamo derrama-se no coração mais renitente, no humor mais empedernido, na língua que ‘não pode deixar passar’, na personalidade vingativa ou justiceira. E… Se o amor não transcender, se a brasa rubra não se reavivar, se alguma flor não se abrir e os lábios não sentirem qualquer vontade de se tocarem, ficarão as imagens de algum tempo em que foram felizes. Guardem-se as alegrias com as provas indeléveis no papel. E na felicidade? Abra-se a caixa de fotografias e renovam-se juras, reviva-se a felicidade contida na imagem que transcende e realimenta a alma. Acumule-se energias de amor e de confiança para os dias tormentosos que todos terão.

Cr & Ag

Sentar-se com um filho ou com os netos e visitarem novamente um universo que te fará contar as histórias que lhes encantarão e avivarão algo tão perdido nas famílias, o amor real e tocável. Palpável. Sensível aos olhos sem a correria de dedos nos mouses ou nas telas. Que as mãos sejam mais sensíveis que as telas. Que as peles se toquem e os lábios expressem seus sentimentos e o beijo e o abraço sejam reais. Real e muito mais sensível ao toque numa imagem com todas as dimensões do amor que se faz vivo. Experimente! Será terapêutico. Para todos! Aquelas imagens que foram visitadas com as crianças sempre se reavivarão e no curso da existência elas brotarão em coragem, força, persistência, humildade e sabedoria. Somos seres que necessitamos imensamente que nos demonstrem que somos amados. A fotografia pode renovar o cenário. E faz! E quando a tua criança lembrar do balanço que andava, do brinquedo esquecido, das brincadeiras sob os braços da figueira, do cãozinho correndo na praia e outro dia pedir para olhar novamente contigo e que tu contes e relembres cada fotografia, nesse dia o universo será mais luminoso e o horizonte será belo e jamais perdido.

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Exemplos! Bons e Maus. – Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. 16 Maio 2017.

 

2017 – 05 – 16 MAIO – Exemplos – Bons e Maus – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Exemplos! Bons e Maus.

N

o escotismo, como em outras formações em que a disciplina e o modelo são fundamentais, há uma expressão: – “Siga o líder”! Na educação familiar – dizem que era assim somente nos séculos passados quando educar um filho era obrigação de família e não principalmente de escola ou de governantes – se aplicava o lema de que “um exemplo vale mais do que mil palavras”. O tropel incansável da evolução tecnológica não se acompanhou da evolução ética, moral, dos bons costumes e atitudes, dos exemplos e dos modelos de líderes ou de familiares a serem perseguidos, seguidos, imitados ou assimilados nas personalidades. O Decálogo divino recebido por Moisés e gravados pelo fogo eterno nas páginas de granito parecem para tantos como mensagens supérfluas da internet. Ou algum ‘fake’?

Crônicas & Agudas

Triste observação. Somos um povo diferente? Não por essa tomada de três pinos que somente nós temos. Nem pela pátria amada da jabuticaba. Nem pelo mais perfeito e encantador sistema público de saúde, o SUS, que se ainda não funcionou a contento são por meros detalhes na ponta da corda – os pacientes. Seguramente, sem os pacientes, seria perfeito. Seria pela mais evoluída constituição que algum povo civilizado poderia conceber? A magnífica “constituição cidadã” de 1988 e seus intermináveis direitos e ausência de deveres. E a terra do direito adquirido? Quando o “direito adquirido” de um é o esbulho, a espoliação do outro? Com a infinidade de direitos adquiridos e somados aos mais “adquiridos” e inexpugnáveis carecemos de deveres adquiridos que talvez somente tenham validade se inseridos em alguma cláusula pétrea – e mais pétrea que as pedras de Moisés.

Cr & Ag

Até aqui já saltaram do barco dessa leitura alguns direitos pescados. Mexer no meu jamais… Como a estória da pimenta nos olhos alheios. A pátria idolatrada dos penduricalhos “necessários e inalienáveis” da função da criatura. Lembra de algo assim e de categorias profissionais cobertas de berloques e miçangas? Nos autoproclamamos como uma terra espiritualizada, religiosa em que o sincretismo é da nossa índole, mas nossos ladrões são venerados pelo seu povo, como aquele povo venerava Nero ou Calígula na mortandade das arenas. Somos um povo que crê que trabalho e emprego são coisas diferentes e que muitas vezes são somente duas paralelas, jamais se cruzarão. E que cumprir horário significa trabalhar arduamente e que o trabalho somente “dignifica” se aditivado pela propina, caixa dois, jeitinho brasileiro…

Cr & Ag

Sinta-se desafiado a pensar, raciocinar, esfrangalhar a selva humana a sua volta, ou por cima e por baixo. Berço esplêndido tem algo a ver com zona de conforto? Referenciais! Modelos. Protótipos? Moldes, perfeitos moldes recriam novas máquinas. Evoluem os moldes, melhores e mais evoluídas máquinas. Diz-se que somos a mais perfeita criatura, a mais evoluída máquina na natureza. Quantos líderes são bezerros de ouro com as entranhas putrefatas e escandalosamente safados ou criminosos. Filhos perderam o referencial de pais e avós onde tantos desconhecem seus antecessores e as famílias são transitórias como juras de amor e amizade nas redes sociais.

Cr & Ag

Os exemplos do pai, da mãe, dos avós, dos religiosos, dos professores, dos médicos, de qualquer cidadão com “c”, do estranho no ônibus ou no banco da igreja… Onde estão? Há vergonha e constrangimento quando a reflexão racional e íntegra nos abate? Ou o perfume maligno da moeda na cueca, na meia, no banco estrangeiro, na mística da apologia política que fracassou em todos os horizontes, na subserviência vantajosa e pusilânime, no poder sempre por mais poder com mais e mais súditos, da destruição familiar e dos melhores princípios serão vitoriosos?

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Necessário & Suficiente! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. 09 Maio 2017.

 

2017 – 05 – 09 MAIO – Necessário & Suficiente – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Necessário & Suficiente!

“Senhor Comandante, faça somente o necessário”!

Na execução de um teste nuclear francês no Saara argelino, a situação estava encravada, não evoluía. Uma tranqueira após outra. As criaturas deveriam derramar baldes de suor nos abrigos de concreto e com grossas roupas e máscaras de proteção. Lógico que toda essa proteção era somente para os graúdos. Os “lambaris” estariam recebendo a radiação atômica – como receberam tanto no deserto como nos outros testes franceses no Oceano Pacífico, na Polinésia Francesa. Voltando a cena. Os minutos se amontoavam e as horas caiam debulhadas nas areias escaldantes. Eis que o General Comandante foi a De Gaulle e disse-lhe com a boca seca, mas a fronte inundada de suor: “Senhor Presidente, estamos fazendo o possível e o impossível…”! A resposta de De Gaulle está acima – “… Faça somente o necessário”!

Crônicas & Agudas

Aquilo que é suficiente para alguns, não o é para outros. Assim como aquilo que é necessário para mim pode ser absolutamente desnecessário para você. Um amigo recebeu numa herança um automóvel Audi do modelo mais completo e importado. Ainda estava na loja e zero quilômetro. Em sua casa, na sua garagem, disse-me: “O que é que eu vou fazer com esse carro, meu Gol me leva a qualquer lugar que eu preciso ir. Não tenho necessidade desse carro, sei que nem vou saber aproveitar os recursos que esse carro tem porque não preciso”. E vendeu o carro e certamente usou aquele monte de dinheiro para algo mais útil para si e para sua vida. Escala de valores! Qual a sua escala de valores?

Cr & Ag

Uma paciente queixosa do submundo do parcelamento salarial e chorosa da suposta perseguição do governador gaúcho a sua classe profissional, sacou o celular (ou seria smartphone?) da bolsa três vezes durante a consulta médica. O aparelho era um Samsung de última geração (ela informou orgulhosa) com recursos inacreditáveis e possivelmente custou um dinheiro considerável. Necessário? Suficiente para sua personalidade e vida? Essas constatações devem singrar nossos momentos e nosso autodiagnostico. A crítica é pessoal antes de ser externa. A consulta também foi parcelada pelas interrupções da paciente, mas dentro do tempo que desejou.

Cr & Ag

Ausculte-se das coisas mais simplórias até às mais significativas. E nos avaliamos criticamente, não com a dissintonia moral da Suprema Corte ou de alguns de seus membros. Preciso disso realmente? Os quase dois mil pares de sapatos da antiga primeira dama das Filipinas! Mais de uma centena de bolsas de grife de ‘sofisticada esposa de governador’. Vários carros, lanchas, aviões “necessários” para a criatura e sua vida. Os exemplos são incontáveis. Sem enveredar pelos estudiosos da mente e do comportamento que observam sintomas de enfermidades, nem pelos caminhos da religião e da filosofia… Assistindo pelo noticiário na TV o depoimento de Renato Duque, um dos peões usados pelos facínoras pegos na Lava Jato pesquei essas palavras espontâneas dentro de sua fala.

Depois de uns 20 ou 30 milhões de dólares, eu não sentia mais necessidade de dinheiro, era suficiente para mais de três gerações da minha família, mas não podia e nem conseguia parar mais a máquina”, disse nesse sentido. Depois completou acusando o inacusável Lula de chefe supremo do crime organizado. Até o ladrão tem o seu limite e a sua necessidade. Nem todos! Reflita!

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Epítetos Infames! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 25 abril 2017.

 

2017 – 04 – 25 abril – Epítetos Infames! – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Epítetos Infames!

Até poderemos concordar, mas jamais gostaremos de ouvir’! Escutou essa frase antes? Provavelmente nessa ou em outras versões. Veja quando uma professora chama a mãe à escola e desenrola um rosário de queixas e reclamações sobre seu filhote amado. Qualquer um de nós que esteja centrado na racionalidade (isso não vale para os obsidiados na defesa de criminosos da Lava Jato) verá os defeitos e as faltas de melhores qualidades mesmo em nossos filhos, mas daí que um estranho ao ninho nos aponte… Na realidade, estamos vendo nossos defeitos serem expostos à luz da execração parcial ou completa. Seguindo essa trilha de entendimento verificamos que vemos e comentamos (entre nós) os defeitos (até graves) da nossa cidade. E como têm!

Crônicas & Agudas!

Meu saudoso tio Carlinhos, que também foi taxista viamonense, carregava um passageiro para Porto Alegre. Desde a tomada do carro sob os ancestrais cinamomos que delineavam a “praça de autos” ali onde hoje está a Caixa D’ Água, a criatura desancou a falar mal de Viamão. Seu Carlinhos fazia um silêncio reprovador. Não adiantava, pois o homem estava ensandecido como o pessoal nas tribunas da Assembleia Legislativa gaúcha. E lá pela Lagoa da Lomba do Sabão, antes do acesso à Vila Santa Izabel, a criatura disparou a bomba atômica final: – Viamão é o cu do mundo! Seu Carlinhos não mais se conteve. Parou o “carro de praça”, desceu, abriu a porta do passageiro e pegou o homem pelo pescoço tirando-o do carro. E gritou: – E tu é a merda que esse cu cagou! Observação do Cronista – o realismo das palavras se impõe em respeito ao ocorrido, à história e seus atores verídicos.

Cr & Ag!

Oooo Carteira de Viamão! Viamão ganhou a fama de ter os piores motoristas. Em qualquer situação que geraria uma ofensa, o mais rápido gatilho (ou a mais rápida e afiada língua) disparava – Carteira de Viamão. Baita desaforo! A inundação de motoristas ruins de todos os lados e muitos sem lado amainou essa agressão. Um amigo filosofava olhando a destruição da nossa Igreja Matriz. Aquela que foi um dos mais belos templos católicos e orgulho de nossa cidade, estampa das melhores fotos e imagens, sofreu uma destruição sem par. Incompetência dos padres, dos gestores, do Patrimônio Histórico ou do próprio povo viamonense? Dizia ele: – Essa gente não se ajuda! Enquanto duas mulheres estacionam seus corpos na faixa de segurança para trocarem ósculos (sempre esperei usar essa palavra!) e atualizarem a agenda, enquanto os motoristas, com o sinal livre, não podiam avançar.

Crônicas & Agudas!

E não se ajuda mesmo! “A Pátria dos Pichadores” segue essa toada macabra. Hordas de delinquentes, criminosos travestidos de arte urbana, destroem impunemente o patrimônio público e privado, além de destruir qualquer beleza. “O Esgoto da Cidade” ou a “Lagoa de Decantação do Estrume” – outro patrimônio da beleza da cidade, o Lago da Tarumã, tem recebido criminosa e impunemente os esgotos da cidade. Que sina! Tentam maquiar, fazendo alguma retirada de aguapés sem ir à causa da desgraça. Piora com a delinquência crescente a sua volta – talvez seja da turma da “justiça social” que acha ser um bairro nobre, abastado, rico e deve aguentar a revolta do proletariado. O “Inferno do Som”! – Ahaaa, tu mora lá no Inferno do Som! – Dizia um pouco alegreportense. Os “estrangeiros” não acreditam que aguentamos, suportamos esse inferno de som abusivo e criminoso nas lojas e carros de som. E carros com som esquizoide. Certamente nossos vereadores, administração da Prefeitura e autoridades devem achar algo belo. Insólito, mas belo! Bizarro, mas belo! Pelo menos, podemos eliminar, jamais comprar desses comerciantes que não nos respeita. E o resto? Apelidos, alcunhas, cognomes podem marcar com ferro em brasa. Como os codinomes Latino, Amante e dezenas de outros na Lava Jato.

O raio não cai no mesmo lugar duas vezes! – Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 18 abril 2017.

 

2017 – 04 – 18 abril – O raio não cai no mesmo lugar duas vezes – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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“O raio não cai no mesmo lugar duas vezes”!

U

ma das nossas habilidades é dizer e repetir à exaustão alguma frase ou até mesmo qualquer bobagem e “acreditar” naquilo que dizemos. Observe! É da natureza humana a necessidade de acreditar, principalmente naquilo envolto na névoa da ignorância ou da idolatria. Eis que há sempre alguém que associará o nome de Deus ou de alguma santidade para revestir e blindar a sua expressão ou a sua frase. Aqui a situação se complica, pois a incredulidade supostamente despertará a fúria divina e a via do inferno estará pavimentada para a criatura crédula ou subnutrida da racionalidade. Outra forma de afirmar e fazer com que o crédulo ‘se convença’ é o poder do grupo ou o espírito de boiada. A juventude é um campo fértil e adubado pela estupidez refratária e desculpável. A absolvição terá a certeza de que “quando jovem se faz e se acredita nessas bobagens”.

Crônicas & Agudas!

“Deus não joga, mas fiscaliza”! – repetem os amantes do esporte bretão. Um jogador forrado de razão exterioriza a certeza de que “mais adiante Deus vai corrigir isso aí…” Essas três derradeiras palavras externam a sua fé ou a sua simploriedade, ao que outro ataca: – Com tanta coisa para se preocupar, com tanta criancinha para salvar e curar Deus vai perder tempo com um jogo de futebol. Outro vai no atalho: – Se mandinga, saravá, batuque, reza e promessa braba desse resultado, o campeonato baiano terminava em empate. Nas trovoadas dizem que “São Pedro está jogando bocha” e que o raio “é um mandado” divino ou do chifrudo de pés de bode. O raio ainda pode ser Thor, que não o filho do Eike Batista e semideus do sucesso petista, esmagando a sua bigorna, moldando o aço para as batalhas no Valhala.

Cr & Ag

De analogia em analogia, semelhança em pseudo-semelhança vamos engatinhando nos refrãos que nos soam como verdades. Também é do espírito brasileiro buscar “um salvador da pátria”. Sem golpe! Precisamos de algum espantalho que afaste as pragas e os predadores da nossa lavoura, nossa amada lavourinha chamada Brasil. Ou Rio Grande do Sul! Ou Viamão City! Pensaste em estupidez? Ou falta de melhor educação? Ambos? “Devagar se vai ao longe”, dizia um atolado na faxina com os urubus dando rasantes a sua volta. Coisas do Brasil em que os partidos comunistas são democráticos e “lei é o malido da lainha”. Medonha como “briga de foice no escuro”. “Na época do Lula não tinha essa crise toda, a culpa é do golpe”! Escutou essa?

Cr & Ag

Tudo que está aí para cegos enxergarem, surdos escutarem e mudos falarem aconteceu num raio que caiu ou pelo “gorpe deles”? Ou as consequências do maior esquema criminoso de ladroagem rapinado em qualquer país civilizado (ou que esgravate para ser!) escancarou as comportas da crise e das dezenas de milhões de desempregados? Sem amores ao Sartori et all, mas os salários não são pagos por absoluta má vontade do Governador? Se o “homem mais honesto que Cristo” fosse uma real e inabalável verdade, também não seria o maior incompetente (ou imbecil?) da história, com tudo que aconteceu a sua volta e várias vezes provado e comprovado e nada (Nada!) sabia? Sendo que ao mesmo se atribui uma inteligência superior.

Repetir e repetir o erro. Votar e novamente votar. Eleger e reeleger as mesmas biscas e às pencas em todas as esferas da vida pública. Ou as criaturas que tanto condenamos estão em seus cargos por um raio que caiu no mesmo parlamento e no mesmo palácio? Errar e aprender é da nossa alçada e até necessidade. Viciar-se no erro é doentio do corpo e da alma, quando pessoal destrói um lar e uma família e quando coletivo arrasa um país e sacrifica gerações.

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Dar nomes aos bois! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 11 abril 2017.

 

2017 – 04 – 11 Abril – Dar nomes aos bois – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Dar nomes aos bois!

S

eria o cronista mais um carreteiro de letras que cangadas formam palavras, que se encarreram em frases? Talvez. Muito eu gostava de andar de carreta puxada por uma junta de bois na estrada que dava acesso ao campo dos Guimarães (Alcides, Lídio e o Orozimbo, de apelido Bebeca), no fundão da Boa Vista, zona rural de Viamão City. Sentado com os pés balançando e por vezes arrastando-os pela água que inundava ou cruzava a precária estrada ladeada pelo campo e noutros momentos pelas lavouras de arroz. Quase tudo para uma criança é motivo de festa e andar de carreta só tinha beleza e magia. Os bois sempre tinham nomes e tenho quase certeza de que cada um sabia e entendia as ordens (ou súplicas?) do carreteiro. Uma longa vara de algum tipo de madeira com um prego em sua ponta – a aguilhada – tinha seu cabo ou empunhadura lustrosa das mãos do homem e servia para guiá-los. A carreta andava numa marcha e num balanço em que o tempo quase parava. Talvez até parasse um pouco para desfrutar dessa maravilha sem a pressa que hoje nos ataca e acomete.

Crônicas & Agudas!

Ao rangido das imensas rodas cortando o solo arenoso ou barrento com a moldura da grama verde, eu escutava a voz do carreteiro: – Jaguuunço! Oooooo! Encarnado! Oooooo! A aguilhada cutucava alguma parte do corpo do animal ou batia ritmada nas aspas do bicho. A rédea devia servir para mais alguma coisa, mas os bois entendiam o sotaque do homem e seguiam a sua sina. Um dos bois era o ‘chefe’ e o outro o vice, também eleitos pelas suas aptidões. “Eles não conhecem a sua força, se soubessem não puxavam carreta”, dizia o seu Aldo Cabeleira, meu pai. Outras juntas de bois e outros nomes e outra harmonia naqueles imensos animais, dóceis quando cangados e ariscos ou perigosos quando soltos a campo. O Jeep Willys do seu Aldo gemia com tração nas quatro rodas e marcha reduzida engatada para vencer os atoleiros e eventualmente perdia a batalha contra o barro viscoso. Se era muito gostoso ver o jipe lutando com os atoleiros e com a água entrando pelas portas, era fantástico vê-lo “atolado até o gargalo”. Era aqui que a festa iniciava. Iriam pedir socorro para um dos três irmãos e logo estariam com uma junta de bois rebocando o jipe ou a carreta para nos levar ao acampamento para caçar e pescar. E os bois faziam aquilo que não havia tratores confiáveis à época para fazer.

Cr & Ag

Tinhoso, Ooooo”! – como escolhiam os nomes? Acho que o sujeito ali no campo, na natureza, onde o tempo também se arrasta no rangido da carreta e que nenhuma “graxa patente” faz andar mais rápido… Sabe-se lá como a imaginação e as associações e analogias penetram e varam a mente do homem, no entanto parece que o nome está exatamente adequado ao animal, ao seu gênio ou temperamento, ao seu tamanho e disposição, a sua liderança ou submissão. Uma orquestra em há um maestro e seus músicos da natureza, companheiros numa sinfonia em que a vida segue sua estrada e o tempo alheio as necessidades e vontades desdenha da pressa ou da preguiça.

Cr & Ag

É da natureza humana “dar nome aos bois”, para o bem e para o mal. O mundo assiste aquilo que começou com uma investigação num posto de gasolina resultar na maior operação de caça e punição aos criminosos encastelados na política brasileira e nas empresas. Ostentam pomposos nomes e obscuras alcunhas nas listas da roubalheira desenfreada. Apelidos traduzem a personalidade das criaturas que os possuem. Há dúvida? Teste com o desapego da ideologia que põe a canga e faz a submissão asquerosa e putrefata da criminalidade com lustro imperial. E a boiada é grande, muito, muito maior que as quase duas centenas de condenados pela justiça federal do Paraná e para a vergonha e o descrédito de outras justiças que tardam, retardam, prescrevem e absolvem. “Tinhoso, Oooooo”!

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Voltar para contar! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 04 Abril 2017.

 

2017 – 04 – 04 Abril – Voltar para contar – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Voltar para contar!

E

stava trabalhando uma imagem de “Ghost, Do outro lado da Vida” em que Demi Moore trabalha a argila, girando-a e moldando-a com seus dedos e mãos e logo atrás dela, abraçando-a, Patrick Swaize. A trilha sonora envolve-os, como em raros momentos do cinema. Lembra? Se não assistiu, busque numa locadora ou no Netflix e deixe-se surpreender ou reafirmar o amor dentro de você. Dentro de cada um de nós. O filme é surpreendente e de uma beleza com sensualidade que transcende e eleva. É uma forma de captar, sentir, sensibilizar-se com o amor e o poder que dele emana. Um poder que rompe com as barreiras do tempo e principalmente da vida e da morte. Principalmente com a morte que a tantos assombra, que induz insegurança, que limita e está sempre à espreita numa enfermidade ou num assassino nas sombras. Apesar de que todo o ser vivo tem uma única e inarredável certeza depois do seu nascimento – um dia isso acaba, essa forma ou essa modalidade de vida termina com aquilo que se conveniou denominar de Morte!

Crônicas & Agudas

Estamos todos, de alguma forma, atrelados a dogmas, ensinamentos, repetições e tudo aquilo que se torna ou habita o “desconhecido”, traz e mobiliza marés de insegurança. Brutal insegurança, por vezes. Quantos repetem a frase – “quem foi não voltou para contar, então não dá para saber”? Muitos transitam por “sua fé” que repete o eco de uma casca dura e quase impenetrável. Outros intitulam-se religiosos ou espiritualizados, mas o temor persiste e o desapego da materialidade torna-se sofrido. “Até acredito em Deus, mas ninguém sabe o que tem do outro lado”, dizia-me um amigo. Aqui já há um “outro lado”. E para quem não crê no Criador? Mesmo assim o Criador continuará crendo nele e lhe permitindo e auxiliando a evoluir.

Cr & Ag

Outros apegam-se às crostas refratárias e espoliam a todos e a sua vida numa existência banhada em fluidos sombrios e corrosivos. Firmemente encastoados, brutalmente empedernidos na volúpia do poder para mais e sempre mais poder, no acúmulo de riquezas à custa do sofrimento de outros seres, glutões ou criaturas vorazes que devoram qualquer luz a sua volta. E tantos com seres sombrios como eles, mas que se sentem atraídos pela similaridade do lado negro. Em Ghost ou Espírito do Amor, o elo entre Molly e Sam mostra a sua intensidade e eternidade. Um casal pleno de amor, iniciando uma vida no novo apartamento. Um assassino contratado pelo seu melhor amigo para que ele não evoluísse a descoberta de falcatruas na empresa. Uma ex-presidiária Oda Mae (Whoopi Golberg) encontra uma profissão de “médium”, farsante e temerosa. Não, não contarei mais. Assista. E como num bom livro e num ótimo filme, assista outras vezes.

Cr & Ag

Uma voz interior, creio que uma Luz interior, nos mostra e indica caminhos. Muitas outras trazem as dúvidas, insatisfações, temores, avolumam egoísmos, cultivam ervas daninhas e até venenosas para si e para aquilo que deveria ser o jardim de sua existência. Não importa quanto tempo ficares ao lado de alguém, ninguém sabe o minuto seguinte, mas se ame, amando intensamente quem está ao seu lado, consigo, numa confluência, numa sinfonia audível ao espírito do amor e jamais cairá no fosso escuro do esquecimento. O ciclo do amor é contínuo e inexorável. Sempre os círculos se fecharão e novamente se abrirão para o renascer eterno. A escolha é tua. E minha. Cultiva-se e aduba-se aquilo que queremos.

É difícil? Muito. A jornada nessa Terra tem essa finalidade – evoluir pelo entendimento. Insistimos em tentar aprender e conscientizar com a Dor. É a mesma energia que se gasta em fazer o certo ou o errado? Dispende-se muito mais nos erros e principalmente na persistência abusiva do erro.

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Sintonias! – Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 28 Março 2017.

 

2017 – 03 – 28 Março – Sintonias – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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Sintonias!

Eu sintonizo com ela! – dizia-me um amigo de jornada.

Felizes são aqueles que encontram outros seres que vibram em afinação numa música escutada, sentida, acariciada pela nossa alma imortal. Quantos passam por toda uma existência sem encontrar outras pessoas que lhes sejam compatíveis, que não vibram com elas ou que, como a busca de uma melhor recepção pelo dial do rádio, não encontram uma melhor sintonia? E nem precisaria ser perfeita. As pessoas se atraem por uma série imensa de motivos, fatores ou sentimentos, como a ideação de vida, de religião ou de filosofia, até de política. Outros pelo tipo físico ou singelos detalhes corporais. Quantos pela música?

Crônicas & Agudas!

Prefiro as morenas com o cabelo bem encaracolado e de lábios generosos, com olhos grandes e cintilantes, a cintura deve ser pequena e… que fale o necessário! – Ops, talvez o amigo tenha pisado na bola e escorregado na vaselina nessa derradeira afinidade. Há quem preconize que nunca se fala demais ou de menos, somente o necessário de cada um. Observe que inicialmente os componentes do retrato traçado no íntimo desse homem configura um modelo de pessoa que lhe serve para iniciar e acalentar a busca de novas afinidades.

Cr & Ag

Sabemos que na natureza tudo vibra. Até uma rocha ou uma barra de metal mantém uma vibração oculta para nossos mais visíveis sentidos. Opostos se atraem. Iguais se repelem! Lembra alguma aula de física? Serve para os humanos? Você, como a maioria das pessoas, sentiu-se muito bem em algum lugar, num ambiente, na presença de alguém. E o contrário? Há criaturas e ambientes que nos causam dor, sofrimento físico, mental e espiritual. Ali nos sentimos mal. Talvez até comece por um bocejar inadequado, uma cefaleia ou uma náusea. Lembra de algo assim? Alguma pessoa que em nossa presença e até pode ser algum parente que “damos graças a Deus” quando nos afastamos. Podemos misturar ou acoplar as leis da física, da quântica ou da espiritualidade para explicarmos essas inúmeras situações reais.

Cr & Ag

Observe como os animais estão em sincronia com os humanos. E os vegetais? A tradição ensina que certas pedras, como cristais, e plantas tem atividades para mudar a vibração e afinar a sintonia de ambientes e de pessoas. Uma paciente relatou que sua cunhada, principalmente quando lhe visitava, era um problema. Estragavam-se eletrodomésticos, no fogão entupiam os bicos, a geladeira aquecia, o cardeal caía crista, o cachorro ficava irritado e por vezes adoecia, alguma criança tinha febre e vai por esse caudal de dissabores. A conversa da criatura já era ruim, pois apetecia falar dos outros parentes ou conhecidos, dar palpites na casa dela, enfim uma conversa adversa e tóxica.

Cr & Ag

Muitas pessoas sofrem dolorosamente quando não se sintonizam com familiares, como entre irmãos. Custa-lhes entender ou minimamente aceitar que nascer da mesma mãe, não os faz afetivos e de vida feliz. Custa-lhes relembrar do primeiro par de irmãos da Bíblia e o final de suas jornadas. Pelos caminhos e entendimentos da espiritualidade vê-se que vezes somos colocados lado a lado para que aceitemos o diferente de nós, que compreendamos, que aparemos nossas arestas pela humildade, que se evolua com amor nas diferenças. Amar o semelhante é para muitos. No entanto, amar o diferente é sempre mais difícil e até sofrido, principalmente quando o sentimento não ecoa. Sintonia é a Luz que baliza nosso caminho na evolução com disciplina, amor e humildade!

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Herói e Vilão! – Renascimento da Consciência. Parte 1. Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. 14 Março 2017.

 

2017 – 03 – 14 Março – Herói e Vilão – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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Herói e Vilão! – O Renascimento da Consciência. Parte 1.

Olho para o céu e vejo uma nuvem preta que vai passando, olho pra terra e vejo...” uma horda de ‘walking dead’ com fardamento típico: bermudão, camiseta do Barcelona ou outro time de futebol, tênis, boné e atitude de predador. Onde? Perímetro central de Viamão. No feriado de Carnaval foi mais que assustador. Andam farejando vítimas e atacando. Na região do mercado Bianchi e praça da igreja Matriz fazem o horror de quem vai às compras. “Dá cinquentinha aí tio (tia, vô, etc). Legal teu carro. Sei aonde tu mora!” Há relatos de serem vistos realmente na região das potenciais vítimas. As pessoas ficam intimidadas e há quem entregue aquilo que “pedem”. Desconheço quem “tirou um tempo” para fazer ocorrência na Delegacia. Ninguém acredita que isso vai dar em algo bom para o cidadão. A maioria já tem a consciência de que nem a polícia pode (ou quer?) enfrentar esses “excluídos sociais” (jargão da esquerda e dos direitos humanos de bandidos). Há uma catequização maligna de que criminoso é “coitadinho” e seu “trabalho” ou está nessa vida “por sua causa”.

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Educação, saúde e segurança – é plataforma de todo político candidato. Na educação você troca de escola pública ou busca uma escola particular trabalhando mais. Na saúde, você vai aqui e ali, posto ou emergência, um cubano talvez ou até um vendedor de picolé com uniforme branco te atende ou você sangra trabalhando mais e faz um plano de saúde. E na segurança? Aí não tem jeito. Há autoridades deformadas pela ideologia esquerdista? Estariam parcelas do judiciário sofrendo do mesmo mal? E a formação pessoal de certas autoridades que vivem num mundo diferente daquele que nós meros sobreviventes e acossados mortais vivemos? Leiam o artigo do emérito Professor e Promotor de Justiça Dr. Felker no site Espaço Vital. Jamais generalizamos, mas vejam quanto tempo esperamos para surgir um juiz tipo Sérgio Moro e os demais participantes do Ministério Público e Polícia Federal entre escassos outros. Há outros nesse mesmo caminho, como andorinhas querendo verão num céu de tormenta?

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Muito do que estamos hoje sobrevivendo foi gestado, partejado ou abortado por FHC, assim como continua com declarações e opiniões que constrangem quem nele votou. No governo do Lula Paz e Amor, em 2003 a nação escolheu a possibilidade de ter uma arma de fogo para sua defesa pessoal e da sua família. Venceu, mas não levou! Criaram tantas chicanes safadas que ter uma arma legalizada é quase impossível para o cidadão. O bandido tem porte e uso livre de arma de fogo e para ele é liberada a pena de morte do cidadão honesto. A polícia e o cidadão devem estar do mesmo lado e na mesma trincheira e jamais perseguir-se o cidadão que se defende. A nossa realidade – a polícia e a justiça são insuficientes para dar a segurança que o Estado deve pela constituição, pela moral e pela ética do bem ao cidadão honesto.

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Na lógica da bandidagem – “prefiro ver a mãe deles chorando do que a minha, daí passo fogo”. Qualquer policial conhece isso. E você leitor e eleitor, prefere ver a sua mãe chorando e lamentando-se? A mentalidade do cidadão honesto precisa mudar antes da sua extinção. O cidadão precisa ter clareza em identificar quem quer a sua desgraça ou a desgraça de quem ama e tenta proteger. Isso passa pelo jornalista, empresa de mídia, polícia, judiciário, políticos e até na sua casa. Calcula-se mais de 70 mil dizimados nessa guerra anualmente. Entendo e aceito que pessoas tenham ojeriza por arma de fogo. Mas não aceito que essas pessoas decidam que não temos o direito da autodefesa. E você? Nem o governo e suas instituições, quando são absolutamente incompetentes ou insuficientes para me dar a Segurança constitucional, podem impedir a minha sobrevivência ou privilegiar o criminoso (ou seria algum direito adquirido do facínora?). Jamais agredimos ou pregamos a desgraça de outro ser, mas queremos a Lei protegendo o cidadão e as instituições e nunca que a democracia sirva de abrigo ou salvaguarda para criminosos. “Em dúvida, pró cidadão honesto e sua autodefesa”, dizia-me um amigo.

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Rescaldo do Arroto!–Lendas e Realidade. Edson Olimpio Oliveira, Crônicas & Agudas. 28 Fevereiro 2017.

 

2017 – 02 – 28 Fevereiro – Rescaldo do arroto – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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Rescaldo do Arroto! Lendas e realidades.

Conta-se que durante um evento importante, um magrão com perfil de hippie de esquerda perguntou ao emérito escritor Ariano Suassuna se ele também considerava o rock um som universal. O escritor encarou a criatura e a plateia fez silêncio: – Meu filho, som universal só conheço três: o espirro, o peido e o arroto! Foi para a história. Na eructante coluna anterior ficou claro que o nosso competidor venceu com folga o embate do maior arroto e somente não está no livro dos recordes porque o viamonense é uma criatura modesta, humilde nas suas glórias. O Ivécio casou e ficou cunhado do maior motociclista dessa terra sangrenta, menos pelas batalhas e mais pela carneação e churrasco de vala, o Luizinho Zavarize. Infelizmente Ivécio morreu jovem e hoje está no firmamento.

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Onde termina o homem e onde começa a lenda. Voltamos a ser uma terra de sangue, o sangue dos cidadãos caçados pela bandidagem. Era uma época que cada casa tinha uma arma. Era uma espingarda calibre 12, 16 ou 20 que também usada para as caçadas de marrecão e de marrecas, “enquanto aves”. Vários tinham revólveres e muitos portavam no dia a dia como o saudoso amigo Fraguinha, tio da doutora Varlete. Bom uma barbaridade, mas não se arredava duma escaramuça e não carregava desaforos para casa. Bandido não criava raiz aqui, desde os tempos do enérgico Capitão Ozório, Mércio, Alcione e passou pelo delegado Carivalli. Vagabundo temia a polícia. Viamão teve presídio onde hoje é o Banco do Brasil, depois às margens do Lago Tarumã (sem poluição) e aqui na rua 2 de Novembro, nas franjas do cemitério. Os presos até jogavam futebol e vôlei na mesma pracinha que eu e a gurizada.

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Hoje criminoso é “vítima da sociedade capitalista e invasor é deserdado do campo”. Havia assaltos e crimes de todo o tipo, mas quem não morria pela mão da vítima e de sua família, nem da polícia, acabava no cadeião do Gasômetro. E muitos não voltavam de lá. Há quem respeite o que teme. Sentava-se nas noites de calor sufocante nas praças e com as casas abertas. Namorava-se na praça. Ia-se e voltava-se com toda a tranquilidade dos bailes no Clube dos Casados, hoje Juvenil (?). Brincadeira da gurizada era arrotar, soltar pião, jogar taco, nadar no riacho Fiuza, pescar no Lago da Tarumã, jogar futebol no matadouro dos Pinto, na descida da rua Pinto Bandeira ou do Darci da Cachaça. Mordida de cobra? Tinha soro na pecuária do Abidu Flores, hoje a criatura rola pelos plantões e pelos cubanos que ninguém provou que são médicos.

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Arroto também era sinal de valentia. Numa bola dividida, as criaturas se encaravam e o que arrotasse primeiro e maior geralmente levava vantagem, sem cuspir no chão e passar o pé. Tinha uma velha na Lomba da Tarumã que arrotava carniça. Entende? Podia comer a comida do Lula e do doutor Khalil, ou do FHC, arrotava de espantar a cachorrada. E olha que cachorro aguenta até mendigo bêbado. Morava solita no topo da lomba. Nenhuma casa numas 50 braças. E ali sempre ventou muito. Um guri muito genial que ainda troteia por aí (não conto o nome para preservar os feitos) “comprava” o arroto engarrafado da velha. Sim, a velha arrotava numa garrafa de vidro e colocava uma rolha de cortiça. Quando ele estava renegado para aula, abria umas garrafas nos banheiros do Setembrina. Davam férias forçadas até desinfetar. A coitada até fazia gargarejos com creolina e malva-cheirosa depois de quase sufocar o grande doutor Emílio dentista. Nada adiantou. O desfecho foi cruel. Contam que o Elmo lacrou o caixão e internou três ajudantes intoxicados depois do velório de corpo presente e público ausente. Chega de arroto, por enquanto.

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