Corrida com Obstáculos! Edson Olimpio Oliveira. 12 Julho 2016.

 

2016-07-12 Julho - Corrida com Obstáculos - Crônicas & Agudas - Publicações

“Meu Amigo–Meu Pai”. Por Varlete Caetano. Crônicas & Agudas. 05 Julho 2016.

 

2016 – 07 – 05 Julho – Meu Amigo – Meu Pai – Varlete Caetano – Crônicas & Agudas –  Jornal Opinião

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“Meu Amigo – Meu Pai”

 

 

Todos nós temos uma referência importante e acolhedora de nossa infância que carregamos ao longo dos anos que são nossos amigos de infância e que perduram até a presente data. Eu tenho um amigo em especial, meu pai – Waldeci Rocha Caetano – que me acompanhou desde meu nascimento até a presente data, onde sempre foi e é o meu grande amigo, o meu incentivador em ser alguém do bem.

 

Ensinou-me a trabalhar desde criança, dirigindo Jeep, caminhão; entregando ranchos do Supermercado, e a arte de comprar e vender gado; e também ajudar a organizar os bailões do “Super Salão do Waldeci Caetano”, enfim ensinou-me a ser uma boa comerciante, e por último foi incentivador da minha profissão de advogada, referindo com muita alegria e convicção nos seguintes termos: “minha filha tu nasceste para ser advogada”. Enfim, fui criada com ele sempre por perto, me protegendo, ensinando e me acompanhando em todas as jornadas desta vida.

 

Ser amigo é estar junto nas horas difíceis e também compartilhar os momentos agradáveis. O verdadeiro amigo nunca nos abandona, não importando as circunstâncias em que nos encontramos. Só tenho a agradecer ao Pai Maior a oportunidade de poder ter um pai presente, estando desfrutando da companhia e amizade dele diariamente. Obrigado por tudo meu amigo e pai Waldeci Rocha Caetano que aos 76 anos continua na ativa, trabalhando comigo no Escritório de advocacia, dirigindo, fazendo serviços externos e me dando todo o apoio necessário para que eu desenvolva as minhas atividades com tranquilidade, paz e amor.Varlete Caetano – Advogada.

 

Crônicas & Agudas

 

A Gratidão é a base, o substrato, a fundação, o alicerce e o sustento do Amor e da Humildade. Em tempos sombrios e dolorosos de filhos sem pais. De pais sem filhos. Vidas compartimentadas e caminhos que se dispersam. Eis que reverbera na nossa humanidade, faz palpitar nosso coração, vibrar nossos tendões e músculos e verter uma umidade aumentada em lágrimas de respeito e honra por compartilhar a existência e os caminhos dessa jornada de vida com pessoas especiais. Tão especiais! A doutora Varlete e o Waldeci estão em nossas vidas. Habitam nossos corações. Que o Criador permita continuarem essa maravilhosa saga e inspirem outros corações e mentes.

 

Cr & Ag

 

Varamos o alambrado da metade do ano e o segundo semestre deverá marcar a ferro e fogo, com ranger de dentes, piquetes e invasões, a exteriorização da infecção que assola nossa pátria e a enfermidade que de tão extensa não apresenta nenhum final anunciado. Nenhum alvorecer luminoso. Nessa noite que agora escrevo, o nevoeiro impede de vislumbrar o outro lado da rua. Mais de dez dias com cerração dia e noite. Quando aconteceu isso antes? Sinal dos tempos? Alguma mensagem divina? Felizmente o amor de uma filha por seu pai e um pai amoroso e sempre presente e que trabalham muito é uma luz cintilante dentro desse nevoeiro que de tantas maneiras nos envolve, sufoca esperanças e joga famílias na dor do desemprego e do ganho pelo suor próprio.

Piolhos! E outras pragas. Por Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. 28 Junho 2016

 

2016 – 06 – 28 Junho – Piolhos – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Piolhos! E outras pragas.

Épocas conturbadas. Tempos dolorosos de marginalidade crescente e avassaladora. As pessoas saem de seus lares com a terrível sensação de que poderão não retornar. Escolas fechadas. Invasões. Anos, mais anos perdidos de educação precária e resultados previsíveis de um futuro incerto e sabido. Todos conhecem o resultado no bolso de uma torneira pingando, de um vazamento insensível, da eletricidade em curto, esvaziando aos pouco, pois o Ministério Público e a Polícia Federal descobriram novo esquema fraudulento nos empréstimos consignados e sabe-se que outros desdobramentos dessa teia macabra que na ponta da corda, como o enforcado no cadafalso, está a saúde pública. A soma de centavos ou poucos reais mensalmente, anualmente, por uma década gerou fortunas monstruosas para criminosos. Não parece haver ou sequer descortinar-se um final para essa doença maligna que se apoderou do Brasil. Infelizmente.

Crônicas & Agudas

Na minha infância no Grupo Escolar Setembrina e depois no Ginásio Bento Gonçalves as preocupações eram outras. Diferentes das atuais. Havia professoras e professores respeitados pelos alunos e pelas famílias e que se faziam respeitar. Exigia-se do aluno disciplina e resultados com provas (sabatinas e exames) e aprovação. A escola formava pessoas de bem e para viver em sociedade. Trabalhando e com famílias. As infestações e pragas eram de piolhos, pulgas, bichos-de-pé ou alguma muquirana. Certa feita, uma diretora que gostava muito de passar a mão na cabeça da criançada levou um susto. Um guri muito sapeca cochichou-lhe: – Ela está minada de piolhos diretora. Chega a pingar a piolhos. Cuidado que pega! A diretora afastou-se num salto. Um tempo e estávamos rolando de rir com a mentira do sapeca.

Cr & Ag

Nossa filha Cynthia era ‘privilegiada’ pelos piolhos. Deviam possuir algum tipo de radar ou GPS para seus cachinhos dourados. Alguma Irmã do Stela Maris noticiava que havia um caso isolado, nem precisava de um surto, e logo estava atacada. E lá se ia a batalha contra o piolho. O Cine Radar aqui no centro de Viamão, nas franjas da Caixa D’ Água seria o local ideal para emagrecer. Perdiam-se alguns quilos durante a matiné. As pulgas quase do tamanho de uma barata digladiavam-se para quem iria nos comer primeiro. Tinha menina que entrava de sapato e saía de botas pretas. Terrível? Muito pior. E chamávamos o seu Gonça, lanterninha e baleiro, para colocar Neocid ou água com querosene nos bichos.

Cr & Ag

Todas as casas tinham gatos. Algumas com vários gatos, gatas e prole para combate aos ratos. A gurizada fazia ratoeiras com latas de azeite ou com a mola na madeira e caçava. Legal era pegar os ratos vivos e depois entregá-los aos gatos. Crueldade? A escola nos mostrava os milhares de pessoas mortas e carregadas nas carroças pela peste, isso despertava a defesa. Um histórico farmacêutico de Viamão, diziam não ser lenda urbana, criava e ‘domesticava’ aranhas caranguejeiras gigantes. Maiores que um prato de sopa – sic. Relatei anteriormente no apoteótico A Negra das Aranhas ou As Aranhas de Itapuã. Tinha um hotel em que a gurizada assistia ao ‘tropel’ de muquiranas ao se retirar a colcha. Horrível e real. E como fediam ao serem esmagadas!

Esse passado remoto e ‘guerreiro’ da gurizada viamonense é de uma época em que quase todas as pessoas que circulavam pela cidade se conheciam. E as crianças podiam atravessar a cidade em qualquer direção, brincar nos matos, banhar-se no rio Fiuza ou no arroio Mendanha. Preparem os seus corações para outra soberba revelação – o Lago da Tarumã era local de pescarias e de banhos. Banhos! Mesma matando vários jovens que se aventuravam com exagero ou descuido. Hoje?

Estupro! Parte 3–Conclusão. Edson Olimpio oliveira. Crônicas & Agudas. 21 Junho 2016.

 

2016 – 06 – 21 Junho – Estupro – Parte 3 Conclusão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Estupro! Culpas e/ou Responsabilidade.

Parte 3 – Conclusão

“Nada do que é humano me é estranho”. A frase é de autoria de Publio Terêncio Afro, dramaturgo e poeta romano (195-159 a.C.).

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“Preciso sempre invocá-la toda vez que tomo conhecimento de certas desumanidades cometidas pela nossa espécie. Estupro, pedofilia e canibalismo estão entre as principais barbáries que me são difíceis de compreender como ações do homo sapiens “civilizado”. O seu caráter bestial, primitivo, bárbaro e incivilizado nos provoca imensa repulsa por percebermos que os piores aspectos dos nossos antepassados simiescos ainda estão presentes entre nós em pleno terceiro milênio. Tanto quanto estão nas regiões mais obscuras da mente de cada indivíduo, ou seja, nas nossas piores emoções, em nossos mais graves temores e nos mais terríveis pesadelos. Na real impossibilidade de oferecer a todas as pessoas o crescimento ideal em um ambiente de pleno bem-estar que gerasse apenas pessoas sem males, torna adaptativo a nossa preservação organizada, uma forte reprovação social, a repressão e punição destes crimes para que a permissividade não passe a vigorar e estabelecer o avesso do processo civilizatório. ”

Dr. Luiz Gustavo Guilhermano é Médico Psiquiatra e Professor Universitário.

 

Crônicas & Agudas

 

clip_image004“Somos o resultado do que nos ensinaram, do que vivenciamos e vislumbramos, mas nos tornamos mesmo o que escolhemos ser. Não somos nossos pais e nossos filhos não se tornarão nós mesmos. Não. Mas para que nossa escolha seja legítima, deve ser garantido nosso direito – sejamos ele ou ela – de ter voz. Além disso, toda voz deve receber igual atenção, não importa de que gênero ela emane. Somos diferentes, mas não podemos ter nossa liberdade de escolha hierarquizada por nosso sexo. O homem que estupra uma mulher fez uma escolha. À mulher que sofre violência sexual, ao contrário, não foi dado o direito de escolher.

Chega facilmente aos nossos ouvidos o grito cruel da violência praticada pelo criminoso, mas é nosso dever perceber também os sussurros da discordância da vítima. No Brasil, uma em cada duas mulheres já sofreu algum tipo de violência física, sexual ou abuso praticado por um homem. O estupro é responsabilidade do delinquente, mas a prática só se mantém por culpa de todos que se fazem de surdos ou preferem não falar sobre isso. ”

Sabrina Nunes Dalbelo, mulher, escritora, servidora pública do Ministério Público Federal, que fala e escuta. Você me ouve?

 

Crônicas & Agudas

 

            “Acredito que o termo adequado não seja “culpa”, tampouco “responsabilidade”, mas quando a mulher se coloca, conscientemente, em situação de extremo risco e vulnerabilidade, não há que se negar que a mesma esteja criando condições favoráveis para que o agressor aja. Usar roupas curtas ou que evidenciem seus atributos físicos, portar-se de maneira sensual ou mesmo “sexual” (muito divulgado nos famosos bailes “funks”, por exemplo), frequentar locais onde sabidamente existe maior perigo (baladas, bares masculinos, festas de traficantes, lugares “abandonados”, e etc.), drogar-se e alcoolizar-se, de modo algum “dá direito” a alguém violar seu corpo, muito menos trinta pessoas, no entanto há que se admitir que todas as condições favoráveis foram criadas e que dificilmente você sairá ileso se insistir em colocar sua mão sobre uma fogueira.

Da mesma forma que protegemos um bem valioso, como um colar de diamantes, por exemplo, que obviamente não usaríamos em um baile funk, por razões óbviaclip_image006s (sem falso moralismo, nem preconceito), devemos orientar nossas jovens a resguardarem da mesma forma seu bem mais precioso. Fazendo isso elas estarão imunes à violência sexual? Não, mas certamente estarão menos expostas. Em uma sociedade onde o estupro é sabidamente um dos crimes mais presentes, continuar defendendo que as mulheres podem usar o que quiserem e portarem-se da maneira que bem entenderem devendo ser “respeitadas” de qualquer forma, não apenas é uma ingênua ilusão, como chega a soar pouco inteligente, para não dizer irresponsável. ”

Dra. Cynthia Cunha de Oliveira é Médica, Cirurgiã-Geral, mãe e mulher.

Crônicas & Agudas

Os leitores de Crônicas & Agudas nos acompanharam nessas três semanas em que homens e mulheres, cidadãos e cidadãs de locais e profissões diferentes, mas todos com sentimentos, opiniões e com mensagens de seus corações para todos nós. Instigamos sempre o raciocínio ancorado na dignidade de corpo, mente e alma, assim como na disciplina, no amor e na humildade a serem cultivados e amparados. Formem suas próprias opiniões e estimulem a proteção de quem vocês amam. E a punição exemplar dos criminosos, sem o ranço de ideologias nefastas.

Na ordem das possibilidades, continuaremos publicando textos assinados por colaboradores especialmente convidados. Sugira temas.

Estupro! Culpa e/ou Responsabilidade. Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. 14 Junho 2016.

2016-06-14 Junho - Estupro Parte 2 - Denise - Lúcia e Varlete

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Estupro! – Culpa e/ou Responsabilidade. Parte 2–Edson Olimpio Oliveira e Colaboradores–14 Junho 2016.

 

2016 – 06 – 14 Junho – Estupro – Parte 2 – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Estupro! Culpa e / ou Responsabilidade. Parte 2

Continuamos a série especial com visões, com sentimentos e com as opiniões de diferentes cidadãos sobre Estupro. Forme a sua opinião. Nota do Editor

clip_image002[4] “Estamos imersos em uma Cultura do Estupro, e isso precisa acabar. A desigualdade de gêneros, aprendida desde a infância, – onde o menino que chora é chamado de “mulherzinha”- ensina que o ser humano feminino é inferior ao masculino. O jovem em formação aprende a ver a mulher como alguém que existe para a satisfação de seus instintos sexuais. Meninas são moldadas para serem objetos de desejo por uma sociedade sexista que, utilizando a mídia, veicula imagens de mulheres que se insinuam com roupas apelativas, tornando-as suscetíveis a esse tipo de abuso. Músicas e danças do tipo funk completam o quadro. Como reflexo desse problema cultural, existe uma tolerância ao estupro como sendo crime, quando comparado ao homicídio, por exemplo. Além disso, as vítimas são frequentemente responsabilizadas, mesmo por outras mulheres, por terem sofrido a agressão sexual. A maioria dos casos de estupro ocorre por parte de pessoas conhecidas da vítima. Grande parte desses abusos acontece de forma continuada, sem denúncia, por medo do agressor ou vergonha da exposição. A cada onze minutos, uma mulher é estuprada no Brasil, segundo estatística recente.

É preciso que se instale, imediatamente, a Cultura Anti-Estupro. A identificação do problema é o primeiro passo, seguido de uma campanha ativa nas escolas e meios de comunicação. O agressor deve ser denunciado, fazendo valer a legislação vigente: Artigos 213 e 217-A do Código Penal. Qualquer medida que viabilize a isenção da responsabilidade deve ser refutada pelos órgãos competentes. Não existe vítima culpada. Uma coisa invalida a outra.” Shirley Denise Jaeger de Belli – Médica Pediatra – CRM 14639

Crônicas & Agudas

Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que o estupro tem status de violênciaclip_image004[4] e crime, se vê perpetuar na sociedade uma cultura que permite e, de certo modo, favorece os estupradores, quando discrimina a mulher, e quando minimiza o ato, se praticado contra mulheres consideradas “menos dignas” de respeito à sua integridade física e emocional. Sendo assim, o ponto central para conter essa aberração comportamental seria uniformizar o entendimento que se tem sobre o estupro, ou seja: O ESTUPRO É CRIME, sempre, independendo se é praticado contra crianças ou, aleatoriamente, contra qualquer mulher. Mas, isso posto, como combater os índices vergonhosos de estupro na sociedade brasileira? Certamente, interrompendo o processo de naturalização do machismo; mudando este perfil formativo de incentivo ao assédio, que na maioria das vezes se inicia no seio familiar e se estende para todos os meios sociais. E é importante que se diga que existem também mulheres que, justamente por esta cultura, contribuem para reproduzir estas ideias de que o homem pode transgredir, “porque seria da natureza dele” ter determinadas condutas, quando na verdade são agressivas e denotam desvios de caráter.

Temos que rechaçar os programas de TV ou cenas de novelas que incentivam o sexo agressivo, invasivo e/ou banal. Temos, ainda, que denunciar e penalizar todos os tipos de violadores, também àqueles que estão muito próximos (familiares e “amigos”), disfarçados de “cidadãos acima de qualquer suspeita”, e não somente o estuprador exposto. Pois, que fique bem claro: toda vez que o ímpeto sexual masculino se sobreponha à liberdade feminina, usando da força para subjugá-la, ou quando o mesmo ato é contra crianças (meninos ou meninas), configura-se o crime de estupro! Lúcia Barcelos, escritora eclética, presidente da ALVI-Associação Literária de Viamão/2016.

Crônicas & Agudas

clip_image006[4]“Assim como outros problemas percebidos diariamente, o estupro também pode ser considerado fruto das questões sociais que circundam o Brasil. Como desconsiderar a sociedade machista em que vivemos? Onde o julgamento sobre os atos das mulheres possui um peso absolutamente diferente quando comparado aos dos homens. Somado a isso, a educação brasileira não é capaz de dar o respaldo necessário para contornar comportamentos não éticos e direcionar os jovens cidadãos a um caminho em que os valores e os princípios sejam respeitados e devidamente valorizados. Tem-se ainda, a justiça brasileira, ou seria injustiça? Responsável pelo reconhecimento do mérito de alguém ou de algo, a justiça hoje não é capaz de cumprir com o seu dever, seja pela burocracia, pela incompetência ou incapacidade de simplesmente dar o exemplo. Quantos casos de estupro hoje são conhecidos sem que se tenha o desdobramento correto, punindo os responsáveis em busca de, no mínimo, proporcionar justiça seja para a vítima seja para a sociedade, que inegavelmente perde muito. Perde em valores, em respeito, em liberdade, em dignidade e o pior, a esperança.

Mas e então? O estupro é culpa de quem? Da vítima ou do agressor? Da sociedade despreparada ou da família que não educa? Possivelmente de todos. E por isso acredito que esse seja o resultado dos problemas sociais que hoje podemos perceber. Enquanto ignorarmos problemas como este o resultado será sempre o mesmo. Já dizia o autor: “Não há progresso sem mudança. E, quem não consegue mudar a si mesmo, acaba não mudando coisa alguma.” Varlete Caetano – Advogada

Estupro – Culpa e/ou Responsabilidade! – Parte 1 – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas, Colaboradores: Virgínia Monteiro e Eduardo Lopes.

 

2016 – 06 – 07 Junho – Série Estupro – Culpa e/ou Responsabilidade – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Estupro – Culpa e/ou Responsabilidade! Parte 1

 

Creditam-se mais de 500mil estupros anualmente no Brasil, mas os organismos oficiais relatam um décimo desse número estarrecedor. Pois incontáveis as mulheres que por vergonha, medo e outros sentimentos estão inibidas de denunciar seus brutais sofrimentos de corpo, mente e alma. Crônicas & Agudas traz algo inédito no Jornalismo viamonense que é um tema crucial na sociedade brasileira examinado pelos olhos e pela experiência de profissionais da área médica e cidadãos que trazem as suas mensagens e os seus entendimentos.

 

Crônicas & Agudas

 

“Na vida que vivemos hoje em dia, o ser humano convive com inúmeros tipos de violência e desrespeito. Vemos a todo instante a violência contra a natureza e contra os animais, mas nada choca mais do que a violência de um ser humano contra outro ser humano. Entre todas as violências a animalidade de um estrupo, seja ele coletivo ou não, nos deixa estarrecidos com a capacidade humana de fazer mal ao outro, de tomar o corpo do outro sem o seu consentimento, e usá-lo como se fosse um objeto descartável. Como pode ainda nos dias de hoje, quem se chama de Ser Humano Racional, violentar o Eu de outra pessoa, violentar o seu corpo e a sua alma? Que homem se sente autorizado pela cultura a invadir, sem dó nem piedade, o sagrado corpo de uma pessoa para satisfazer o seu prazer? Não há valores morais, não há um código de ética, não há respeito pelo querer do outro? Falta tudo isso e sobra doença.

Então cabe a sociedade refletir como ficará esta jovem que teve seu corpo violentado, seus sonhos destruídos, e que agora deve se esconder e conviver com a devassa na sua autoestima, com a vergonha, com o medo e ainda com a culpa. Como construir a superação deste trauma? Como conviver com este fato que se tornou à força, parte de sua vida? Estes homens não representam o universo masculino, mas trazem à força a lembrança da presença do instinto animal no ser humano atual, e como são exceção, vê-se a doença muitas vezes mascarada de machismo. Somos seres humanos em evolução sim, mas cabe a nós através destes questionamentos provocar o despertar de valores mais elevados para que o Ser Humano compreenda que existe nele também a profunda capacidade de amar e de se reconstruir. ”Por Virgínia Paccheco Monteiro – Psicóloga de Porto Alegre

 

Crônicas & Agudas

“O que significa a palavra estupro? “Crime que consiste no constrangimento a relações sexuais por meio de violência – violação”.  O estuprador geralmente é diagnosticado como tendo um Transtorno da Personalidade, sua bioquímica cerebral mostra, entre outros, um déficit no neurotransmissor serotonina. Os estudos mostram que uma diminuição dessa substância no cérebro tem sido associada com atos impulsivos, impensados, agressivos, suicidas, etc. O cérebro do estu­prador parece ser internamente pouco ativado, levando-o a procurar mais estímulos externos para se sentir bem. O crime de estupro é considerado crime hediondo e como tal deve ser punido de forma exemplar. A questão é como se identifica e tipifica o crime de estupro?

Lembro de um atendimento que fiz a uma senhora, vítima de estupro que me relatou que após ter ido à delegacia prestar queixa, ouviu de um policial: Mas o que tu fazias na rua a estas horas, sozinha? Recordo que ela me disse que naquele momento é como se tivesse sido estuprada novamente. A punição ao estupro deve ser exemplar, as vítimas merecem um tratamento especial, assim como não podemos recair no erro de culpabilidade da vítima, tão pouco na responsabilização por estupro quando as evidências apontam para dúvidas quanto ao que ocorreu. É fundamental que tenhamos o crime caracterizado de forma clara e nos termos de seu conceito e os culpados devem ser punidos, sendo que também é necessário reprimir e condenar a prática, desde que as responsabilidades sejam apuradas de forma clara, para que não haja imputação de crime quando o que ocorreu não está evidente.” Por Dr. Eduardo Dias Lopes – Médico e Cirurgião

Mocotó Dançante! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 31 Maio 2016

 

2016 – 05 – 31 Maio – Mocotó dançante – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Mocotó dançante!

 

H

á quem olhe o médico e enxergue somente o médico, outros, entretanto, sabem que ali dentro daquele jaleco branco também tem uma criatura afeita às humanidades da vida (a esse contorcionismo do vernáculo até chamavam de ‘licença poética’, hoje muitos chamam de ‘licença lulista’). E gosto de desafios. De motocicleta numa noite com chuva torrencial e neblina descendo a Régis Bitencourt entre Sampa e Curitiba com jamantas tombadas e cadáveres estendidos no asfalto numa estrada assassina frequenta meus sonhos em que ainda acordo com sudorese. Eu e a esposa e os anjos de guarda tocamos até a cidade de Registro e aí realizamos um curto pernoite para na manhã seguinte, ainda com chuva e neblina, tocar a moto Morgana para o querido Rio Grande.

 

Crônicas & Agudas!

 

Em trinta anos no lombo de uma moto com a esposa de copiloto e o horizonte a ser conquistado trouxe-nos uma bagagem de circunstâncias e episódios fantásticos e eventualmente assustadores. Alguns estão nas páginas de Crônicas & Agudas – O Livro! Noutra época estive vivenciando o gauchismo dos fandangos, rodeios e curtindo CTGs. Eventual folga para a Morgana recuperar a suspensão e a carburação intoxicada pela péssima gasolina nacional de tantos postos sem controle e comerciantes desonestos, agora equipados pela característica pilcha, sem o capacete, mas com o chapéu e um arsenal com várias botas, bombachas e outros ‘tches’ com a mesma parceria buscávamos um fandango. As distâncias não eram problemas. Escolhíamos o local, a cidade e especialmente o conjunto musical. Sair para um baile com Os Serranos é tudo de bom e do melhor, por exemplo, entre vários outros.

 

Cr & Ag!

 

Alguns eram bailes gauchescos no clube local e outros eram patrocinados nos CTGs. O conforto nos clubes sempre rivalizava com a comida campeira e o acolhimento festivo da gauchada. Uma vez em São Gabriel, a Terra dos Marechais, juntamos um encontro de moto com o gauchismo que pulsa em nós. Na manhã seguinte, um domingo, fomos perambular pelo centro da cidade. Caminhar desintoxica os músculos da dança e da comida. Admirávamos um belo e antigo prédio – a prefeitura, quando se chegou um cidadão e pôs-se a conversar conosco. E logo sacou do bolso uma chave e abriu o prédio da Prefeitura e foi mostrar-nos seu interior perfeitamente restaurado. Era o Prefeito da cidade! Essa foi mais uma das tantas e soberbas experiências que trouxemos na garupa.

 

Cr & Ag!

 

– E o mocotó? – impacienta-se o leitor e o ouvinte. Durante os tempos da pós-graduação em Sampa, espantava-me com as criaturas atoladas num prato fundo de mocotó, de pé ao lado do balcão, com as costas ardendo ao sol e mandando um vinho tinto direto. E logo após essa performance gastronômica, comia um abacaxi descascado na hora do vendedor da esquina e lavava as mãos com água de garrafa. Tudo sem tirar o casaco ou a gravata! Em mais de um CTG vivenciamos o ‘mocotó dançante’. A gauchada vai se chegando com os piás levando alguma ‘putiada’ pelas estrepolices, outros estacionam o pingo no gancho da figueira, as prendas cada qual mais vistosa e bonita, botas para todos os gostos e desgostos de algum ciumento. E vão se acampando com as amizades pelos bancos de madeira. Eis que o conjunto sapeca uma valsita para despertar o coração apaixonado e logo manda uma rancheira e o limpa-banco de um vanerão de perder o taco da bota. E já colocam a mesa comprida como esperança de pobre e os panelões de mocotó com pão, ovo picado, tempero verde e outros acompanhamentos. E o vinho sacado de garrafões e entornado pelo ombro. Beleza! E se come de amarelar o bigode com a gordura. E lá pelas três da madrugada ainda se come outras cositas para aliviar o desgaste do fandango. E alguns dos mais valentes ainda comem o saldo do mocotó de canecão com vinho também de canecão. E nem o gaiteiro se mixa, dando um refresco na acordeona enfia colheradas de mocotó. E depois tem gente que duvida que o gaúcho seja realmente um sobrevivente!

Influências!–Entre crenças e disciplina. Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 24 Maio 2016

 

2016 – 05 – 24 Maio – Influências – Entre crenças e disciplina – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Influências! – Entre crenças e disciplina.

 

S

em saudosismo e pieguices tão comuns em ‘falar do meu tempo’, hoje ao acordar ainda digerindo um sonho, lembrei-me dessas cristalizações da minha infância, como de muitos meninos e meninas da distante Viamão onde quase todos se conheciam. “Nunca conte o sonho (ruim) antes de comer ou beber alguma coisa. Até um gole de água serve. Senão pode se realizar!” vaticinavam os mais experientes e sofridos. Geralmente depois de completamente acordado e com um bom café com pão caseiro e manteiga que ajudávamos a fazer, uma chimia de lamber os dedos e o aroma que tomava toda a casa com café passado pelo saco de pano no bule, o medo, o pavor ou as angústias diminuíam ou até desapareciam com o espírito aguçado para brincar ou ter que ir para o Grupo Escolar Setembrina sacudindo o cartapácio de brim listrado.

 

Crônicas & Agudas

 

Jamais fique olhando um enterro desaparecer na esquina” – outro alerta. O risco de ficar olhando para o defunto e seu cortejo esconder-se na curva trazia o risco fatal “da mãe morrer”. “Caminhar de costas” pode “matar a mãe”. Impossível uma dor maior do que viver sem a mãe e sendo o causador de sua morte. Acredito que o ‘caminhar de costas’ e o temor seriam para afastar acidentes, mas e o cortejo fúnebre? A ofensa mais grave era “filho da p.”, mas um dia um órfão disse-nos: – “Melhor ser filho da p. e ter mãe do que não ter mãe como eu!”. Imaginem a vergonha e a dor solidária dos colegas. Dizer “nome feio” (palavrão, impropério) além de ser pecado trazia a imagem de ‘sangue ruim’ ou endemoniado. O nome mais feio deveria ser do Diabo, Lúcifer ou Satanás. Pessoas foram excomungadas e queimadas por isso em outras eras. A interpretação de trecho bíblico de “fale na coisa ruim que ele te acompanhará", trazia o temor e a sombra do pecado. Estendia-se o entendimento para ‘nomes feios’ de muitas ordens.

 

Cr & Ag

 

Se o que vais ouvir te causará dor, então não me pergunte!” Mentir jamais. Por pior que seja o ato, mentir nunca. A mentira aumenta a culpa e estende a punição. Durante uma aula numa universidade do outro lado do mundo, a professora brasileira (e carioca), residindo e trabalhando com o esposo naquele país há vários anos, ensinava-nos a nos portar e comportar. “Esse povo odeia a mentira. Se envolveu num acidente de trânsito ou em outra coisa, quando o policial te perguntar conta tudo sem mentir!” – alertava gravemente. O jeitinho safado do brasileiro que ‘leva vantagem em tudo’ sempre foi incorreto ou até criminoso. Nossos pais ensinavam a não mentir nunca. Viam-se coleguinhas de escola com as bocas queimadas, ardidas de pimenta por mentir ou com os joelhos cascudos de castigos?

 

Cr & Ag

 

O catolicismo predominava oficialmente na nossa vida. Padres iam a velórios e encomendavam as almas rotineiramente nas igrejas e nas casas. Jamais se escutava música ou comia-se carne na sexta-feira santa. O sinal da cruz era evidente nas mãos e nas faces e até a pouco tempo nos atletas antes da competição. E ninguém desdenhava ou tripudiava. Essa ‘coragem’ acontece contra os católicos principalmente que dão “a outra face”. Ninguém ousa tripudiar ou afrontar a fé de um muçulmano, por exemplo. Temia-se o pecado que parecia tão fatal quanto um tiro de carabina. Não se moldavam santos, mas acreditava-se que seriam menos tortos na idade adulta, principalmente. E os erros, crimes e pecados teriam punição real aqui e depois, jamais essa canalhice de que facínora é “o produto da luta de classes”, sendo o assassino contumaz e o estuprador uma “vítima da sociedade de consumo”, nessa visão deformada e perversa.

A vida nossa de cada dia! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 10 Maio 2016

 

2016 – 05 – 10 Maio – A vida nossa de cada dia – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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A vida nossa de cada dia!

 

S

ou o terceiro filho do seu Aldo e da dona Dora. Primeiro veio minha irmã Shirley e após nove anos minha irmã Dylu que pouco tempo após o nascimento veio a falecer. E por um desses caprichos da vida nasceu de parto normal no dia do aniversário do meu pai. Logo minha mãe engravidou e nasci de parto domiciliar com assistência da emérita parteira Tereza Sicca. Outro capricho – no dia do aniversário de minha mãe. Fui uma criança doente com frequentes “infecções e de garganta”, entre outras dificuldades. Nasci ali onde hoje é a sede do Partido Trabalhista Brasileiro – PTB, numa pequena casa alugada. Com muitas dificuldades econômicas a família, auxiliada pela minha madrinha, eu ia escapando de uma e outra. Eis que lá pelos 3-4 anos, em curso de severa infecção, os médicos de Viamão me “desenganaram”.

 

Crônicas & Agudas

 

E levaram-me para Porto Alegre e finalmente ao Hospital Santo Infantil Antônio e Beneficência Portuguesa. Muitos tratamentos e sempre piorando. Eis que chamaram meus pais e avisaram que “nada mais a fazer, somente rezar”. E me liberaram para “morrer em casa”. E retornei nos braços da mãe e de ônibus, pois não havia como pagar “carro de praça” e dificilmente pagar as dívidas já feitas. Em nossa casa havia uma imagem de Santa Terezinha. Uma imagem grande que ganharam numa das festas de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da cidade. Minha mãe, com o filho desacordado e moribundo nos braços, orou como somente a dor do coração de uma mãe pode orar para Santa Terezinha. Em suas palavras disse algo assim: – Há pouco tempo perdi uma filha tão esperada e querida. Agora estou perdendo meu filho tão esperado e querido. Se não posso ser a mãe que eles devem ter, entrego meu filho à Senhora. Que a Senhora seja a sua mãe divina e o cure e proteja aqui na Terra. E prometo que… cumprirei essa promessa durante toda a minha vida.

 

Cr & Ag

 

Santa Terezinha a ouviu e a graça divina foi concedida. E aos pouco fui me recuperando e voltei à vida. Os tratamentos médicos continuaram e cirurgia foi realizada e ainda hoje estou aí também numa vida que é uma missão. Em muitos momentos de muitos dias, particularmente hoje no Dia das Mães, esse filme volta a minha mente e transborda em meu coração e as lágrimas sempre são incontidas e uma saudade imensa da mãe que fez seu filho ser Médico, mas que não pode estar viva na sua formatura. No entanto, mais viva do que nunca no meu coração. E a Fé que ela implantou em meu ser é a Luz que guia o médico e o homem. E sempre reparto com meus pacientes essa Luz e o respeito pelas suas crenças e religiões que absolutamente nos torna seres numa jornada sempre retornando ao Pai Celestial, mas também sempre passando pela Mãe terrena e a Mãe divina.

 

 

Felizes aqueles que têm alguém que os ama com a pureza da luz divina. Agradecer! E merecer. Até sem merecer, mães amam seus filhos. “Para quem ama o feio bonito lhe parece!” – minha mãe Dora repetia essa sentença da fábula da Coruja e da Águia atribuída ao grego Esopo, cinco séculos antes de Cristo. Metáforas e realidades. Verdades e amor. Viva a Vida!

Sol maior

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