Quando a prata da casa é ouro! – Edson Olimpio Silva de Oliveira – Crônicas & Agudas – 20 Outubro 2015

 

2015 – 10 – 20 Outubro – Quando a prata da casa é ouro – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

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Quando a prata da casa é ouro!

 

O

utro dia em conversa com o viamonense Canelinha, pessoa com imensa folha de serviços prestados à cidade e ao seu povo, trazendo o DNA do pai e da família, conversávamos sobre a dificuldade de Viamão olhar e enxergar e valorizar aos seus filhos naturais. É real e histórico. Eventualmente se tomam pessoas que nos conceitos atuais seriam criminosos pelo seu passado de abusos infanto-juvenis e trocam-se até nomes tradicionais de ruas. Outras vezes, pouco valoriza seus filhos em detrimento de estrangeiros transitórios. Para muitos, Viamão ainda é um grande campo de refugiados, que buscaram aqui local para residir enquanto trabalham em Porto Alegre – daí o estigma de cidade dormitório. Com uma população de quase 300 mil pessoas, não elegemos um único deputado. Osório, por exemplo, tem dois deputados estaduais e um federal, além de frequentes secretários de governo, no tribunal de contas e em outras instâncias e com uma população bem menor. Nosso amigo Pedrão é atleta vencedor de competições nacionais e internacionais e se ele próprio não divulgar, passaria nas sombras do descaso. Há vários exemplos. Também é por esse viés que tantos filhos da cidade fazem suas vidas pessoais e profissionais fora de sua terra natal.

 

Crônicas & Agudas ou Cr & Ag

 

Não preciso divulgar-me com o intuito de enaltecimento, mas por conscientização pública. Competi em concurso literário e novamente recebi a honraria de sagrar-me entre os vencedores. A FECI – Fundação Educação e Cultura do Sport Clube Internacional promoveu seu oitavo concurso nas modalidades de Crônicas, Poesias, Contos e Histórias do Inter, sendo o segundo clube de futebol do planeta, ao lado do Barcelona, a ter essa entidade e imensa biblioteca pública. Na noite de 16 de Outubro recebi a medalha de Ouro e o segundo lugar na categoria Contos com Corisco, Prego e Rosa – Um Natal iluminado, baseado no meu conto homônimo já publicado nos Especiais do Jornal Opinião. Mirei homenagear o querido seu Adão do Novo Lar de Menores, a nossa amada mãe preta – dona Zulmira e através do meu pai Aldo Cabeleira toda a família dos Oliveiras. Todos colorados. Apenas a dona Zulmira continua a iluminar nossa família e a tantos viamonenses e estrangeiros em seus quase 90 anos. É um orgulho eterno estar em seus corações. O conto estará no meu site/blog.

 

Cr & Ag

 

O conto torna a revelar faces da comunidade negra da lomba e das margens do Arroio Mendanha. Em dezenas de crônicas, contos e lendas revelei a epopeia de amor e de trabalho ondei passei muito da minha infância. Sou hoje o viamonense que mais escreveu sobre seu povo negro, seus amores e suas dores e tendo talvez o único texto de um viamonense com distinção no Congresso Nacional do Brasil e constando de seus anais. Já cedi diversas de minhas pesquisas e publicações para outros autores e raramente sou citado nas suas fontes. Essa trajetória integrada do médico e cirurgião com o universo das letras e o encanto das palavras ainda é desconhecida para muitos. As participações anuais em dezenas de coletâneas literárias pelo país e de entidades literárias médicas e não-médicas está nessa senda. Assim agradeço à minha família, amigos, pacientes, leitores e ao Professor Pedrão, viamonense por opção e coração, que com sua saudosa esposa Úrsula, minha fidelíssima leitora, sempre me ofereceram a liberdade editorial e o palco iluminado de seus jornais. E ao amado Colorado por permitir essa homenagem presenciada pessoalmente pela dona Zulmira e na espiritualidade pelo seu Adão, meu pai e mãe Dora e familiares e à padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição, novamente retratada e amorosamente homenageada.

SC Internacional - 09 Outubro

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Leões e gatos ou leoas e gatas! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 13 Outubro 2015

 

2015 – 10 – 13 Outubro – Leões e gatos ou leoas e gatas! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br

 

Leões e gatos ou leoas e gatas!

 

Faça comigo, faça para mim, mas jamais faça para meus filhos!” – dizia a Dona Dora na sabedoria que vertia do amor de seu coração e moldada nas experiências da vida. É próprio das fêmeas, ou melhor, é natural e esperado de todas as mães humanas e das animais. Elas suportam de bom grado e com resignação às adversidades, durezas, atribulações e tormentos para que seus amados rebentos não os sofram. E tenha a certeza de que uma mãe acuada em defesa dos filhos será uma fera com todos os instintos que a natureza lhe deu e que a vida em sociedade obrigou-a a reprimir. No seu íntimo, no seu coração e nos confins de sua alma seus filhos potencialmente “estão certos” e “têm razão”. Entendem o comportamento, por vezes, até irracional de uma mãe quando sente sua cria “agravada e ofendida” por quem quer que seja? Até e frequentemente por professoras. O contrário é verdadeiro – quando uma autoridade ou alguém abraça ou beija seu filho ou qualquer criança, o coração materno enche-se de orgulho e glória. E uma gata manhosa ronrona! Infelizmente isso é uma arma engatilhada pelas criaturas desejosas de seu apoio. E do nosso.

 

Cr & Ag

 

Elis Regina cantava e encantava com sua afinadíssima voz: -… O homem que diz sou, não é, porque quem é não diz… Encaixa-se em alguém que você conheça? Pois certo cidadão era um modelo de coragem e valentia e parecia “parar rodeio com meia dúzia de oponentes”. Sempre arranjava algo para discutir e discordar. Um leão nas arquibancadas do futebol e mais ainda nas peladas com os amigos. Todos conheciam seu temperamento “difícil”. Várias vezes seguravam o bruto de engalfinhar-se em alguma contenda: – Pô meu, isso é uma brincadeira, é jogo entre amigos! – Ou: – Sossega leão! Conheço teu gênio! E por aí ia. O que poucos sabiam era de que no recôndito do lar era um gatinho. – Como assim? Assim mesmo. A mulher mandava e desmandava. Tripudiava até. Havia entrelinhas que até levava alguns sopapos. Pois numa arquibancada de Grenal, quando as torcidas ficavam bem próximas, o bate-boca foi atalhado com: – Esse cara ou é corno ou é comuna! E para seu azar a turma do deixa disso, deixou. Levou uma sova de juntar moscas dum baixote, atarracado e de camiseta vermelha. A Brigada levou um tempo para tirar o outro de cima dele. Nunca mais sua valentia extravasou intempestivamente.

 

Crônicas & Agudas ou Cr & Ag

 

Um amigo levou seu filho a um desses circos que se apresentam em Porto Alegre. Seu desencanto: – Edinho de Deus, eu sempre gostei dos cachorrinhos fox e seus malabarismos e agora nem leão e nem cão! Mas seu filho adorou os palhaços. As crianças sempre gostam dos palhaços em circos ou nos aniversários. E muitos adultos votam neles, fazendo-os “seus representantes” e gerindo seu destino. Pode?! E como adultos somos atormentados pela fúria insana do “leão do imposto de renda”. Enquanto alguns são solenemente devorados, outros recebem a “graça divina” e passam incólumes. Duvida? Há criaturas que trabalharam em zoológicos vendo animais nos videogames e logo quando o pai é eleito tornam-se pessoas ricas, muito ricas, riquíssimas num estalido de dedos. E o poderoso e onisciente leão do IR? Certamente sua fortuna, não como de tantos outros apanhados por algum hércules da magistratura, provém de seu enorme e fulgurante talento que desabrochou pelo viagra eleitoral. Há casos de leões travestidos de mimosos gatinhos que se esfregam às pernas dos seus amos e senhores. Há quem faça a analogia e emparelhe a vida comum com a vida circense, tendo a estonteante dificuldade de saber o lado do picadeiro em que a criatura está. Geralmente sabemos quem é o domador e ouvimos o estalido do seu chicote, mas a esperança ainda vive. Insiste em viver e ter mais… Esperança. Depende de nós enxergarmos a realidade, jamais temermos os leões pelo urro ou pela juba dourada ou oxigenada e ter a certeza de que a justiça real triunfará – se fizermos a nossa parte!

Coração Partido

Fadiga de Combate – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 06 Outubro 2015

 

2015 – 10 – 06 Outubro – Fadiga de Combate – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br

 

Fadiga de Combate

 

"Este é um santuário para guerreiros, tirem estes covardes daqui, eles fedem!"      George Smith Patton, Jr.

 

U

m dos maiores generais de todos os tempos, conhecido como “Old Blood and Guts”, foi tão amado quanto odiado por comandados, colegas de farda e políticos. Comandou o 3º. Exército americano na Segunda Guerra Mundial e foi preterido pelo General inglês Bradley para o comando geral na Europa. Coragem sem igual. Caracterizava-se por estar nas primeiras linhas de combate ao lado de seus soldados, muito religioso e acreditava na reencarnação. Libertou milhares de cidades e povoados da Europa num avanço de tropas poucas vezes igualado na história das guerras. Aprisionou e tirou de combate cerca de 2,5 milhões de inimigos. Visitava aos hospitais de campanha, tinha por hábito sentar ao leito, conversar e orar com feridos, escrevia cartas pessoais às famílias de seus soldados, estranhou então que várias camas eram ocupadas por homens sem nenhum ferimento, até jogando cartas ou conversando. Tinham diagnóstico de “fadiga de combate”. Há controvérsias que tenha esbofeteado um militar com suas luvas nessa ocasião. Mas a história registra a sua frase acima num hospital do front de Palermo.

 

Cr & Ag

 

Alguns médicos e terapeutas empregam essa expressão para caracterizar pessoas que ao curso da sua vida por enfrentarem situações angustiantes, estressantes ou de trabalhos físicos e mentais exagerados para suas capacidades estejam acometidos de “fadiga de combate”. Próximo ao fim de mais um ano em que somente alguns sabem que seu emprego e salário está garantido e a maioria dos brasileiros vê a “bonança” alardeada pela propaganda governista transformar-se em tristeza e desesperança. Logo ali está o Dia das Crianças. Sabemos e desejamos que realmente uma criança habite cada um de nós, com a sua esperança, simplicidade e raias de pureza infantil. Acalentamos a mentira que “não sabia” ou “vai corrigir” ou talvez que a culpa fosse do sofá, da conjuntura, dos outros e continuamos entregando “à Deus, que Ele vai ajudar”, quando pouco nos ajudamos. Afinal ele é brasileiro e foi visto doando um estádio ao Coríntians e distribuindo benesses pelos BNDEs da vida.

 

Crônicas & Agudas ou Cr & Ag

 

O cenário – família encarcerada num automóvel retornando do litoral com criança com febre alta e gastroenterite. Vômitos e diarreia. Desidratação. Já sem o soro ou água. Centenas de veículos engavetados sem nenhuma possibilidade de andar. Talvez outros carros com enfermos ou outros problemas. Lá à frente uma manifestação de “funcionários públicos” contra o parcelamento dos salários e outros eternos etecéteras. A mãe sai do carro com o filho nos braços, outras pessoas acodem. Telefonam. A desgraça parece não ter fim! Tempo depois a criança desfalecida é atendida por um médico também preso pelo protesto. Toda e qualquer simpatia dessa família e de outras com os manifestantes acabou com a frase do pai: – Eu pago meus impostos, sou carneado pelo governo, nunca soneguei e nem roubei, não recebo nem o básico do governo e dessa gente, quantos safados e parasitas nos cargos públicos… O problema é deles, mas não vou desejar que os filhos deles passem o que o meu passou.

 

Junte-se à insânia de brasileiros sobreviventes da violência, da criminalidade disseminada e protegida pelos direitos humanos dos marginais, das escolas sem aulas, da educação de péssima qualidade que jamais será resolvida com salários em dia ou maiores, dos hospitais sem vagas e dos ambulatórios como corredor da morte e da desesperança de ver o Brasil que deixaremos para nossos descendentes. Mas como lá no início – jamais deixar de combater e lutar por dignidade nos lares e nos organismos públicos. Essa é a guerra de cada um de nós, sem nos escondermos na criança que nos habita ou na fadiga de combate.

Mãos e Energia

Aquilo que eu não digo – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 29 Setembro 2015

 

2015 – 09 – 29 Setembro – Aquilo que eu não digo – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br

 

Aquilo que eu não digo

 

T

alvez, com exceção dos golfinhos, sejamos os seres terrestres que mais neurônios usamos para nossa vida e nossa comunicação e interação com os outros seres e conosco mesmo. A nossa essência vital exige e necessita que estejamos próximos de outros seres e que neles busquemos algo que entendemos como retribuição, mas que verdadeiramente é a confirmação daquilo que sentimos e ansiamos de nós mesmos. Vamos a uma pequena história e real como essa crônica. Um casal de amigos, depois de longa viagem de motocicleta em que atravessaram o continente, saindo aqui do oceano Atlântico e estando sentindo no rosto a maresia do oceano Pacífico e com os olhos absorvendo belezas embaladas por aves bailando a sua volta e a mente agradecida acomodando tantas emoções, curtia-se naquele dia que de moldura e tela de fundo cumpria as bodas de vinte e cinco anos de amor. Eis que ela entre carinhos e reticências, argui-lhe: – Tu me amas mesmo? – os corações, mesmo enamorados e entregues, necessitam a confirmação recorrente, como um referendum a cada tempo, o endosso verbal do amor. Alguns suspiros depois em que os olhos se mesclavam e amalgamavam suas almas, ele respondeu-lhe: – Eu me amo!

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Cr & Ag

 

Interjeições anuviaram seu coração. – Então tu não me amas?! – com a dor manifesta nas feições e uma lágrima brotando em desgosto depois de tudo e de tanto… Ao que ele estreitou-a amorosamente em seu peito, beijou com a suavidade do beija-flor os seus lábios que se afinavam e após retirar alguns cabelos que a brisa do mar trazia para sua face, explicou-lhe: – Eu te amo tanto e por tudo, porque eu me amo. Ninguém consegue amar integralmente e realmente outra pessoa se não se amar absolutamente. O amor sai do meu coração e da minha alma, vai ao teu coração e à tua alma e retorna para mim com essa essência imortal que é o nosso amor. Ela talvez ainda não tivesse assimilado, digerido e compreendido, mas suas palavras reverberaram profundamente, como sempre, e uma sinfonia em perfeita sintonia acomodou-os no amor que tanto e tão bem ainda hoje (outros vinte e cinco anos depois) cultivam, protegem e exercitam. Palavras! Podemos demonstrar o que somos e aquilo que sentimos pelo outro de tantas e tão maravilhosas formas e maneiras. Pela linguagem corporal desde o singelo piscar de olhos ao abraço mais íntimo. Podemos amar intensamente e não somente habilmente copular. Ou presentear. Dançar ou somente entregar-se a uma melodia ou a sua poesia. Ou uma mensagem escrita do próprio punho e com os perfumes de nosso ser. Tantas e tão belas e sublimes maneiras e alternativas!

 

Crônicas & Agudas ou Cr & Ag

 

Mas, para a imensa maioria de nós humanos, jamais podemos ausentar as palavras, ou desmerecê-las, e tardá-las. Postergando-as para outro tempo, outro momento ou quando for preciso. Para quem? Não dominamos o tempo. Quando eu devo ou posso e não digo talvez jamais aconteça de poder expressar-me novamente e o amor será ensombrecido, tisnado nalguma alma. – Eu sei que ele (ou ela) sabe do meu amor! – tantos dizem assim. Tantos relacionamentos acabam ou não evoluem assim. Precisamos e nossas almas necessitam da verbalização integral, completa, da voz mais real do nosso ser, não como a arma do convencimento espúrio, mas com o dom e a benção de nos aproximarmos e nos integrarmos com a essência das existências, com a luz da vida – o amor! O daqui a pouco ou outra hora não nos pertence. Transfira o amor entre dois seres de um casal para qualquer situação de amor e nada muda desse entendimento. Somos seres de amor e de ódio. É absolutamente errôneo o entendimento de que nascemos puros e somos desvirtuados pela vida. Estamos nessa existência com os conteúdos de amor e de ódio, entre outros, trazidos pela nossa alma imortal. O ruim e o belo fazem o que nós somos, mas também nos habilita, permite e nos dá as ferramentas essenciais para evoluirmos… amando. E verbalizando! Tornando em palavras aquilo que somos e para quem somos.

 

 

 

Desengate, Ferro na Boneca, …–A Língua do Povo! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 22 Setembro 2015

 

2015 – 09 – 22 Setembro – Desengate, Ferro na Boneca – A língua do povo – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br

 

Desengate, Ferro na Boneca,… – A Língua do Povo!

 

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samos e, por vezes, até abusamos das expressões coloquiais. Não pelo temor de ser visto como pernóstico, mas pela facilidade e fluidez do entendimento. “Vox populi, vox Dei”? Cada região e cada época no seu tempo e realidade as empregam e logo ali adiante, com a passagem dos anos, elas tornam-se “desempregadas”. Observe atilado e-leitor que os nomes pessoais abundam (em todos os sentidos!) conforme as novelas da TV ganham ibope ou notoriedade, mesmo que transitório como amor de carnaval. Na minha infância e juventude era correntemente usado “desengate”, por exemplo. Minha mãe, a dona Dora, alertava: – Não fala assim guri. Assim é feio! Mas o Edinho do Cabeleira não compreendia o porquê do “feio”. Logo a usava com os amigos e longe da minha mãe. Um dos meus tios que eu amava muito, o Zé Uia, e que já estrelou diversas crônicas, tinha seu vocabulário com o emprego constante de diversas dessas expressões populares e que muito assistíamos encantados os seus “discursos”. Ao que a dona Dora alertava: – Teu tio já é homem feito e fala do jeito que quiser e guri tem que aprender o certo!

 

Crônicas & Agudas ou Cr & Ag

 

Desengate” significava sair de uma situação ou de um aperto e partir para algo melhor ou novo. – Bah meu, larga dessa mina. Essa mina é que nem corrimão de ônibus, qualquer um chega e enfia a mão! – alertava o mais experiente. – Cavalo lerdo e mulher ligeira, ninguém segura, ninguém busca! Desengata meu!”– outro amigo. – Isso não é trabalho, já é uma escravidão. Te desengata! – Vê se estuda e sai dessa, te desengata e vê se não roda de novo! – assimilaram o golpe do “desengate”? Ao jovem, o imediatismo e o atropelo das emoções e das vontades torna o raciocínio pesado e até desnecessário. Veja como a grande maioria dessas expressões tem algum fundo sexual. Como quase tudo na vida humana e animal. Sexo e poder, poder e sexo! Inclusive oculta nas siglas partidárias. Duvida? Veja: PT – Poder e Tesão! Analogia livre. E desengate estava nesse leque observado pelo catolicismo de minha mãe, mesmo que ela nunca tenha me decifrado o “feio”, mas ali estava a busca da virtude moral.

 

Cr & Ag

 

Isaac Newton estava dormitando sob uma macieira, entre cochilos e roncos, eis que senão quando uma maçã vermelha como a face ruborizada de uma branquela envergonhada ou como a camiseta colorada lhe caiu à cabeça. E foi nesse sopapo vegetal que lhe aflorou a Teoria da Relatividade. E nada mais foi como antes. Nem para as maçãs vermelhas e nem para os dorminhocos!” – T. Jordans, o Filósofo do Apocalipse. Pois foi num desses “eis que senão quando” (ansiava usar essa expressão) que flagrei o interlúdio amoroso de um cão e de uma cadela no calçadão central. Floreios e preliminares. E… entende? Ato consumado, amores consumidos. A cadela roda a cabeça e lança sofridos olhares. O cão, antes atlético e heroico, com um olhar triste permanece atrelado, unido, ligado ou… engatado na fêmea. É o pedágio que a natureza cobra, desde os tempos da cobra no Paraíso. E deslindar “Ferro na Boneca” torna-se desnecessário e fastidioso agora.

 

Crônicas & Agudas – Cr & Ag

 

O Brasil está ferrado do primeiro ao quinto (alusão ao jogo do bicho), literalmente engatado no maior esquema de roubalheira e corrupção da história desse país e da maioria dos países democráticos. A fala de Hélio Bicudo, fundador do PT, e do Ministro Gilmar Mendes, da mais alta corte de justiça do Brasil, escancara a indignação de uma autoridade com longa experiência de vida e de combate e possuidor de informações que nenhum de nós sequer imagina. Como será esse doloroso desengate com o PT e seus associados? Será que Ferro na Boneca seria o impeachment desejado pela maioria dos brasileiros? A ladroagem aposta na memória curta e na fidelidade religiosa, assim como no limitado entendimento, no escasso e simplório raciocínio, na conversão regiamente paga de “intelectuais” e de segmentos da imprensa e formadores de opinião e coloca a culpa no sofá (inimigo externo ou “elite”, capitalismo, ianques, etc). E você e-leitor?

Governo come nosso dinheiro

Quanto vale a sua vida? – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 15 Setembro 2015.

 

2015 – 09 – 15 Setembro – Quanto vale sua vida – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Quanto vale a sua vida?

 

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ara entendermos certas coisas precisamos de um exercício mental, uma musculação na lógica e na matemática que nos acompanha e até atemoriza. A primeira ideia é de que “a vida não tem valor”. Observem que aqui se desencadeia o duplo sentido. Para o criminoso no “exercício de sua profissão” (muito importante no contexto social e amplamente defendida pelos direitos humanos do criminoso) a vida da sua vítima é algo chamado de dano previsível ou efeito colateral. Ao cidadão com o filho gravemente enfermo em seus braços e correndo pelos postos de saúde e emergências lotadas sem um atendimento necessário e eficaz, a vida é tudo e trocaria a sua pela dele sem pestanejar. Outros entendem que o rico e o miserável valem diferentemente. Os poderosos tratam-se nos melhores hospitais e os pobres ficam entregues à demagogia e aos mitos repetidos à exaustão ou na esperança de uma nova CPMF salvadora. Vida é poesia, e arte, encanto dos escritores e dádiva de Deus. Quanto vale a vida de um brasileiro? Um cidadão comum como eu e você. Não sabe? O governo brasileiro sabe! Pegue um documento de propriedade de veículo (DUT) e leia no verso: R$ 13.500,00. A invalidez permanente vale o mesmo – R$ 13.500,00. Agora você sabe quanto cada um de nós vale e leia um pouco mais e verificará que terceirizaram o valor da nossa vida.

 

Cr & Ag

 

Esse governo que nada viu e nada sabe também terceirizou a nossa saúde entregando-a para estrangeiros de qualificação incomprovada e suspeita, pois é mais útil para a ideologia amamentar e nutrir o governo cubano do que colocar brasileiros aprovados em concurso público e com planos de carreira para tratar brasileiros. Morrem mais de 60.000 brasileiros anualmente, durante e no tempo imediato de acidentes de trânsito. Uma quantia não revelada morre tardiamente das complicações. Corpos, mentes e espíritos mutilados vagam dolorosamente embretados em ônibus, vans, ambulâncias e cadeiras de rodas. Não terão batedores de escolta, helicópteros ou as UTIs e suítes do Hospital Sírio Libanês ou equivalentes – jamais os genéricos, se me entendem! Os sobreviventes tentarão buscar o seguro DPVAT de R$13.500,00 na burocracia maligna e na lerda justiça e logo estarão vegetando na humilhação da aposentadoria do INSS e estampados no Jornal Nacional em pronunciamentos dos “entendidos” de que eles são “a causa da desgraça das contas públicas”.

 

Cr & Ag

 

A culpa é do motorista” – é o refrão do hino tétrico e satânico que permite formação sumária para conseguir carta de motorista (habilidade em dirigir? – talvez bem mais tarde), justiça leniente e até conivente com o poder,… a lista é longa. E estradas obsoletas e sem a mínima e necessária manutenção. Quando fazem algum remendo com uma “moussé de chocolate negra”, a sinalização tarda e quase nunca aparece e as simplórias faixas pintadas no piso ou as placas pichadas dos acostamentos favorecem as mortes e mutilações. Você que teve a coragem de acompanhar-me até aqui está constatando que é mais barato para o governo brasileiro pagar algumas indenizações de R$ 13.500,00 do que cumprir sua obrigação legal e constitucional. Isso é custo benefício? Quer dar outro nome? Não, você não é um Zé Ninguém! Você é importante! Você é um Zé do Voto e uma Maria do Voto! Você ainda não sabe o poder da sua arma, mas muito dessa escória que elegemos e até idolatramos sabe e teme. Quem tem, temer! Se você ainda transpira sangue para pagar plano de saúde, escola particular, vestir-se e comer, água e energia elétrica mais cara que o preço da morte brasileira e ainda trabalha cinco meses do ano para sustentar a roubalheira como fratura exposta no Mensalão e no Petrolão, fique esperto e olhe nos olhos de sua família e saiba quanto valemos em real para a real elite brasileira. A mesma elite que se alimenta de consultorias, palestras, salta das estradas acidentadas para jatinhos executivos de empreiteiras, das moradias pagas sofridamente em trinta anos para coberturas de cinema e condomínios de luxo. A elite cujos filhos tornam-se gênios dos negócios com o advento iluminado dos pais ao panteão das poderosas divindades no governo e nas estatais. Então, “se toca meu”, como diz um amigo motociclista: R$ 13.500,00!

 

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Carta Aberta à Secretária de Saúde de Viamão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 01 Setembro 2015.

 

2015 – 09 – 01 Setembro – Medicamentos, Carta Aberta ao Secretário de Saúde de Viamão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Carta Aberta à Secretária de Saúde de Viamão.

 

Cara Gestora

Sandra Sperotto

Secretária de Saúde

Município de Viamão.

 

Referente: medicamentos denominados de “Amostras Grátis” distribuídos pela indústria farmacêutica nos consultórios e ambulatórios médicos; medicamentos entregues por pacientes ou familiares por mudança de tratamento ou outros fatores, mas em perfeitas condições de uso.

 

Sou atualmente o Médico viamonense com maior tempo de vida profissional contínua aqui na minha cidade natal e tenho ao longo desses mais de 40 anos de atividade recolhido os medicamentos distribuídos pela indústria farmacêutica através da visitação de seus propagandistas e representantes com o objetivo de beneficiar aos pacientes. E principalmente aos mais necessitados. É consciência geral que as deficiências generalizadas da saúde pública brasileira precisam contar com as medidas clássicas e convencionais assim como a implementação de novas atitudes que viabilizem tratamentos mais eficientes e universais. Durante os anos em que trabalhei na Unidade Sanitária, Rua José Garibaldi, por solicitação pessoal do Prefeito da época e por cedência do Ministério da Saúde, trazia ao posto vários medicamentos necessários para variadas especialidades clínicas até que a chefia da unidade acusou “ordem superior para não receber ou distribuir amostras grátis”. Constata-se que em consultórios e clínicas de Viamão grandes sacos de amostras grátis são mensalmente encaminhados para descarte sem nenhum benefício aos necessitados. Já entreguei para vereadores vindos pelo Jornal Opinião muitas amostras grátis que beneficiaram sua assistência comunitária em consultórios não visitados pela indústria. Os próprios pacientes e seus familiares retornam para o consultório os medicamentos não utilizados e até recebidos nas Unidades Sanitárias. É amplamente conhecida a dificuldade em repor e ampliar estoques e tipos de medicamentos.

 

Pergunto-lhe Cara Secretária! Há como a Secretária de Saúde absorver os medicamentos recebidos em absoluta gratuidade e redistribuí-los aos cidadãos viamonenses como já é praxe em vários municípios brasileiros, segundo a grande mídia? Se positivo, como fazer para que esses medicamentos tenham um melhor e mais digno destino? Se negativo, há projeto definido para que os cidadãos viamonenses, principalmente aos mais carentes, sejam beneficiados com aqueles de medicamentos? Acredito que com a conscientização e participação dos médicos, demais profissionais da saúde e de seus colaboradores teremos uma nova fonte de medicamentos aos viamonenses. Igualmente importante é o florescer, crescer e expandir a consciência das pessoas em participar, contribuir e dividir o que lhe sobra com os necessitados e auxiliar os serviços públicos.

 

Sendo tema importante e de grande necessidade social, a melhor e mais digna assistência aos enfermos e necessitados, certamente nenhuma bandeira política ou ideológica seria contrária ao enfermo, essa coluna estará aberta para sua resposta. Estaremos igualmente conscientes das manifestações dos representantes do povo no Poder Legislativo e da Chefia do Poder Executivo.

 

Agradeço a atenção!

Aguardo!

Saudações!

 

Edson Olimpio Silva de Oliveira – Cremers 7720

Viamonense – Médico – Escritor – Cronista do Jornal Opinião

 

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Solidariedade! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 09 Setembro 2015

 

2015 – 09 – 08 Setembro – Solidariedade – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Solidariedade!

 

A

 vertente católica, evangélica ou espírita da nossa formação brasileira nos inclina à solidariedade com os menos protegidos, com os desassistidos e agora… com os funcionários públicos com salários parcelados. Dias atrás ocorreu uma passeata ou manifestação orquestrada pelo CPERS na avenida central. Roupas negras, palavras de ordem e faixas de protesto. Algumas pessoas assistiam com “pena dos professores” e outros, no entanto, exercitavam a razão. Quem trabalha deve receber. Quem não trabalha deve receber? O estado falido por gerenciamento caótico gerou essa situação. Os contribuintes, que também são funcionários públicos, sustentam uma máquina pública que se alimenta de si mesma e um quase nada para aplicar no velho e sempre necessário básico – segurança, educação, saúde e infraestrutura. E falta muito! Uma orgia populista incendiou as finanças do país. Não há valor moral em ajudar necessitados em causa própria, querendo seu voto, trazendo-o no cabresto maligno e para enriquecer espoliando as empresas públicas e o próprio estado.

 

Cr & Ag

 

Aos 23 anos de idade o metalúrgico abandonou à fábrica e ingressou definitivamente nos sindicatos. Com sua ascensão ao poder o sindicalismo floresceu e seu apetite aumentou. A adesão sindical deveria ser opcional ao trabalhador e jamais compulsória como é. Apesar dessa bonança, as verbas governamentais nutrem direta e indiretamente vários deles. O sindicato defender o salário de seu membro é uma obrigação básica, principalmente por que dali daquele “couro sairão as correias e as rédeas”. Muitos professores lamentam que a “disposição e valentia” do seu sindicato não apareçam na defesa daquele professor sobrevivente na sala de aula acuado por hordas de jovens agressivos e muitos delinquentes. Por sinal, quanto mais trabalha o professor, menos vê seu sindicato. Muitos estranham que a fúria sindical não ataca igualmente os governos do PT.

 

Cr & Ag

 

Você assalariado – imagine-se recebendo o dobro! O dobro, pelo menos. Isso seria perfeitamente viável se “seu sócio chamado governo” e anexos se contentassem com uns 20%. Gostaria de ganhar o dobro? Muitos estão felizes em ganhar menos do que deveriam, mas assim cumprir religiosamente sua devoção ajoelhando e votando nas mesmas biscas que quebraram o país, assim como uma das maiores empresas do planeta e orgulho nacional – a Petrobras. Mas “a culpa é da crise internacional”. Não confundir com a crise do Internacional! Mentiras safadas. Enquanto os outros crescem o Brasil fica no negativo. Bons de propaganda! Papo dez! Realidade é outra coisa. Mentirosos realmente. “Fora FMI”! “Dívida externa”. “Pré-sal”. “Vamos baixar o preço da energia elétrica”. Jamais os bancos faturaram tanto quanto nesses dois últimos governantes brasileiros. Daí a saudade do Collor e sua Fiat Elba. Agora o Collor esnoba com os mais caros veículos do planeta, abençoado pelo lulismo que o cooptou, assim como Maluf e outros. Vários outros!

 

Cr & Ag

 

Que maravilha se o CPERS se interessasse por uma escola de qualidade (estatística Brasil: menos de 9% atingem o mínimo em matemática e até 13% em português), com alunos que saíssem preparados para o mundo real, professores motivados e protegidos da delinquência, professores educadores e não talibãs de ideologia fracassada (comunismo), que o mérito seja a indicação e a razão e jamais o compadrio político obsceno, que profissionais tenham orgulho em serem “professores” e não outros epítetos ideológicos. Lula diz que o “sacrifício é necessário”. Que sacrifício para nós que trabalhamos zurrando para pagar os mais absurdos impostos da Terra e que nada roubamos. Que não falimos com o Brasil, que não quebramos a Petrobras, que não estamos nos escambos sinistros desse vampirismo que nos assola e que Operação Lava-Jato é uma lavagem expressa do Ganso? Nosso sacrifício para a fortuna deles? Legal? Solidariedade?

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Com Amor! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – 25 Agosto 2015

 

2015 – 08 – 25 Agosto – Com Amor! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Com Amor!

 

“Querido pai, mesmo que Deus não me dê a glória e a suprema benção de te ver 100% bem, que pelo menos permita que eu caminhe ao teu lado e seque tuas lágrimas e segure na tua mão quando tu precisares. Como tu fizestes por mim.” – Uma filha amorosa.

 

A

 vida sempre tenta nos ensinar, abrir nossos olhos para a realidade, aguçar nossos sentidos para que nessa jornada o nosso tempo seja realmente aproveitado e utilizado em construir e reconstruir nossos corpos, aprimorar nossas mentes e evoluir nossas almas. E nada disso se faz e nem se realiza somente com a mais apurada técnica e o extenso conhecimento, nada existe sem a essência que nos criou no aqui e no agora ou que nos fez humanidade num tempo que ousamos esquecer. Essa essência vital está no toque divino e no seu sopro no barro primordial absolutamente por amor. Amor! Esse amor foi transferido a todos os pais e mães que geram seus filhos. Que fossem todos gerados pelo amor e embalados nos braços, aconchegados junto ao coração, amparados na sua jornada como pessoas de amor nessa que será mais uma vida dentro de uma existência eterna.

 

Cr & Ag

 

Eles (os pacientes) buscam no médico ou no psicólogo a volta ao pai primordial que lhe amparará e com seu conhecimento e por seu entendimento lhes dará alívio para suas dores, talvez uma cura para suas enfermidades e pelo menos um colo de amor para protegê-lo do sofrimento que dilacera seu corpo e macula seus melhores sentimentos. Vocês acompanharam comigo a crônica “A Lágrima do Diabo!” e sentiram comigo emoções e sentimentos que muitos até desconheciam poder liberar. Erga seus olhos e leia novamente o trecho de uma carta de uma filha amorosa ao pai enfermo. Feche os olhos comigo! Apenas um momento! Sinta as lágrimas brotarem de seus olhos e permita-se ser gente como cada um de nós. Choro cada vez que a leio. Acredito que cada um de nós amaria e desejaria com toda a força de seu coração ter alguém – e principalmente uma filha – para “secar as lágrimas e segurar a mão quando precisar”. É a essência divina vertida em bálsamo miraculoso.

 

Cr & Ag

 

Somos seres imperfeitos. Troteamos atrás de ídolos corrompidos que evitamos reconhecer. Defendemos e nos entregamos de corpo e alma para bandeiras de dor e desamor. Devoramos nosso tempo buscando amigos virtuais que nos trazem imagens supérfluas e frases desprovidas de real e pulsátil amor. Ansiamos ser amados! Realmente amados. Há consultas que deveríamos pagar ao paciente pelos ensinamentos que colhemos, pelo amor que experimentamos e pela evolução moral que ousamos persistir e tentar sempre. Tantas vezes embalamos nossos sentimentos em papéis de presente ou no espocar de rolhas vertidas em borbulhas e estalidos de cristal. Nada contra quem assim procede desde que o amor seja o presente maior e jamais confundido, postergado ou trocado. Que cada um de nós e todos nós plantemos essa semente em nossa alma imortal e que num filho e numa filha que Deus colocou ao nosso lado para que amparássemos e guiássemos possam um dia “secar nossas lágrimas e nos guiar” para a Luz e afastar as sombras de nossos sofrimentos. Obrigado!

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A lágrima do Diabo! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 18 Agosto 2015

 

2015 – 08 – 18 Agosto – A Lágrima do Diabo! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

“A Lágrima do Diabo”!

 

C

hocou-se com o título? Então abra sua mente e seu coração e vamos adentrar um território de alto risco para o corpo, para a mente e para a alma. Uma paciente trouxe-me sua mais extrema intimidade durante uma consulta. Sou médico de sua mãe e irmão, entre outros familiares. Agora na sua aposentadoria, depois de extensa vida na educação, de ter trilhado as dores da dependência química e dos sofrimentos amorosos, dedica-se ser cuidadora de sua mãezinha idosa. – Doutor, posso lhe contar uma coisa que nunca disse pra ninguém na minha vida e nem para o meu psiquiatra? – com os olhos buscando os meus. E continuou depois da minha concordância: – Penso em morrer. Já pensei em me matar e…! – senti o brutal sofrimento das palavras arrancadas de seu coração. O grande amigo e mestre Dr. Antonio Veiga afirma sempre: – O terapeuta deve amar seu paciente! Entendam como o amor à humanidade, ao ser humano, o amor Crístico e sem nenhuma outra conotação física ou material. Imenso conhecimento técnico é insuficiente para o melhor tratamento se não houver amor. Agora afastada das drogas, a paciente motiva-se com a atenção à mãe idosa e enferma e reparte amor com trabalho espiritual dedicado à comunidade. Na nossa concepção cristã, tirar a própria vida ou simplesmente desejar instaura um processo de dor e culpa que corrói a pessoa.

 

Cr & Ag

 

Nem sempre o terapeuta é somente o psicólogo ou psiquiatra, médico ou representante religioso, mas frequentemente busca-se conforto e apoio no cônjuge, nos filhos e familiares, nos amigos, na fé religiosa e até nos animais. Somos seres que necessitam do toque do amor. Ensinam-nos que temos anjos de guarda ou seres de luz que nos protegem e orientam. No entanto, o lado negro da força está também conosco. Onde há luz há escuridão e sombras entre elas. Somos nutridos pelo bem e assediados pelo mal. Diversas situações levam-nos para esse caminho, descaminho ou atalho fatal – desamor, ausência de horizontes, enfermidades graves ou crônicas com severo sofrimento físico e mental, velhice, mortes de pessoas amadas, solidão, etc. A multifacetada enfermidade depressiva acomete também à criança, apesar da miopia de médicos e familiares. A ciência não criou nenhum aparelho que consiga quantificar ou medir a dor mental ou espiritual. Nem a felicidade! A mesma dor e sofrimento que alguns desdenham, outros são literalmente despedaçados. A mutilação física é medida com a perda de órgãos ou membros, mas muitos acreditam ser “frescura, bobagem” ou outra explicação tosca aos quadros depressivos. A psicoterapia e os tratamentos medicamentosos são da área médica. Nosso alerta é para os demais.

 

Cr & Ag

 

Jamais o terapeuta pode ser o juiz, o júri ou o carrasco do seu paciente. Quem ama deve ter cuidado dobrado e raciocinado. “Dizer a verdade”, “o mundo é assim”, “tempestade em copo d’ água”, “tem tudo pra ser feliz”, “tem gente muito pior”, “essa mulher (ou homem) não vale tua dor” e vai por essa senda para alguém em sofrimento e muito vulnerável, muitas vezes não ajuda como até agrava. Muitas pessoas e especialmente familiares encaram a situação depressiva como aversiva ou contagiosa, uma lepra mental e afastam-se. Em vez de oferecerem o abraço, o ombro, o carinho e a proximidade amorosa distanciam-se. Quantas vezes vemos belos funerais, prantos e lamentações, o retorno dos ausentes e a  sutil ignorância  quando faltou amor em vida. Alertemo-nos! Atitudes e comportamentos, até inconscientes, revelam as sombras da dor interior. “Homem não chora, diz um verso e vai embora!” – tão poético quanto desprovido de verdade. Somos humanos, independente de gênero, cor, ideologia e outros portantos. “O mundo anda rápido demais” e “precisamos trabalhar” serve como atenuante? Quantas vezes não queremos enxergar aquilo que nos machuca os olhos e nos agulha os sentidos, pois nem todos ainda depois de longo esconder (como a paciente) e nem com tal veemência expressa seu desejo que a única certeza depois que nascemos seja mais breve e o suposto alívio – jamais será alívio real! – antecipado. Somos seres imperfeitos em busca de entendimento e assim iluminar nossa alma e afastar as sombras e a escuridão de nós, das pessoas que amamos e de quem estiver nessa jornada.

Anjo e Inferno

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