Entre cães e cavalos – as lições esquecidas! 1a. parte/2 – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 27 Maio 2014

 

2014 – 05 – 27 Maio – Entre cães e cavalos – as lições esquecidas! – 1 – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Entre cães e cavalos – as lições esquecidas! – 1ª. Parte/2

 

A

 tradição oral, as conversas à beira de uma fogueira desde tempos imemoráveis, os ensinamentos passados dos mais velhos e veteranos aos mais novos, dos mestres aos alunos têm seus tempos contados e nas grandes comunidades caminha a passos largos para o descrédito e ao esquecimento. Jamais se escreveu tanto e publicou-se tamanha montanha de livros e revistas, no entanto o aproveitamento desses enormes conteúdos se volatilizam na transitoriedade da internet. A frugalidade dos relacionamentos se espelha no desdém dos milenares ensinamentos. Numa aula de ilustre mestre e pesquisador, a turma de médico, cirurgiã-dentista e psicólogos tratavam das escolhas das pessoas em relação as suas casas ou moradias. Complementando trouxemos a tradição daqueles homens que desbravaram o território rigoroso da antiga província de São Pedro, atual Rio Grande do Sul e de suas habilidades quase esquecidas e as relações com os cães e os cavalos.

 

Cr & Ag

 

Achados arqueológicos sugerem que o gato está 10 mil anos atrasado em seu contato com os humanos. Quando o gato aproximou-se do homem primitivo encontrou o cão como seu amigo e companheiro e que não aceitou essa intromissão e o ciúme tornou-os inimigos. Ao gato coube a casa e… os ratos, o afago das mulheres e o sono descompromissado com a guarda e com a caça. O cavalo é em todas as etnias um companheiro do homem. Os índios da América logo conquistaram e cultivaram um relacionamento magnífico com o cavalo, dos comanches do Norte aos charruas do Sul. Das distâncias vencidas com maior agilidade e rapidez, dos novos territórios de caça à guerra, ali cavalo e cão são os parceiros do homem e a história é pródiga em narrar os feitos épicos. Cavalo e cão nunca disputaram o espaço nas terras, na casa ou no coração do homem. É fantástica a cena do homem trotando o corcel com o cão abrigando-se do sol ou da chuva na sombra do cavalo, inclusive entre suas pernas numa incrível harmonia de movimentos.

 

Cr & Ag

 

Em condições adversas como numa noite em breu absoluto, numa tormenta, cavaleiro ferido ou perdido, evitando uma tocaia criminosa ou de um animal, encontrando água no deserto está o cavalo conduzindo seu cavaleiro à segurança. O cavalo árabe com mais de 5 mil anos de intensa vivência com o homem é um soberbo exemplo. A mística confunde-o com o Bem no cavalo de São Jorge contra o demoníaco dragão. Ou com o Mal nos Quatro Cavaleiros do Apocalipse. Acredita-se que o garboso cavalo montado por Bento Gonçalves na estátua defronte o Colégio Júlio de Castilhos em Porto Alegre, seja um árabe. A cauda elevada e a cabeça pequena em aparência elegante e nobre remetem ao cavalo árabe, mas documentos históricos datam da segunda década do século passado os primeiros registros do cavalo árabe no Rio Grande do Sul. Uma curiosidade: a bela cauda erguida como a batuta de solene maestro deve-se a ausência de uma das vértebras de sua coluna espinhal.

 

Cr & Ag

 

Creditam-se aos germânicos grandes desenvolvimentos em novas raças caninas, assim como na preservação da pureza de outras raças. O maior poeta italiano de todos os tempos e um dos maiores da humanidade, Dante Alighieri em sua célebre obra A Divina Comédia em que trata de sua viagem ao Inferno, Purgatório e Paraíso acompanhado do poeta romano Virgílio e de sua amada platonicamente Beatriz menciona os cães guardiões dos portões do Hades ou Inferno. Esses cães seriam os Rottweiler, nome devido terem sido encontrados ainda puros na região alemã de Rottweil. Esses cães eram usados pelas legiões romanas em seus três portes diferentes. Os pequenos para alerta e manter os acampamentos limpos, principalmente de outros animais invasores. Os cães de porte avantajado eram usados como animais de carga e os de porte médio para guarda pessoal e para os combates nas ferozes batalhas. (Nota do Edson: o tema continua na próxima semana, na coluna seguinte. Aguardem!)

Qual a origem deste cão ou de seu dono?

“Apaixonamentos” e outras hipocrisias – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – 20 Maio 2014

 

2014 – 05 – 20 Maio – “Apaixonamentos” e outras hipocrisias – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

“Apaixonamentos” e outras hipocrisias.

 

V

ocê deve ficar extasiado quando assiste aos advogados de defesa dos assassinos confessos do menino Bernardo. Ou seria melhor – enojado! Dizia uma mãe: – eu entendo que devem ter defesa em qualquer processo, mas fico feliz pelo meu filho que é advogado mas jamais defenderia assassinos desse tipo! Realmente causa um sentimento de aberração quando o defensor parece vestir demasiadamente a camiseta do assassino. Certo dia, pela TV, quase cheguei a pensar que o menino tivesse cometido suicídio e se autossepultado. Onde está o limite da defesa e da justiça diante da mentira, do acobertamento e da busca da impunidade? Todos sabem que vivemos num mundo, num momento, numa situação em que a moral, a ética, a justiça e a verdade têm o valor de uma mosca num prato de sopa. Lembrem que sempre alerto que “a generalização é a filha bastarda da burrice e do corporativismo”. Somente as moscas se ofenderão ao lhes tirarem o prato de sopa.

 

Cr & Ag

 

O deputado Paulo Maluf está na TV fazendo propaganda eleitoral enquanto o noticiário estampa a briga da justiça tentando repatriar parte de sua fortuna acumulada fraudulentamente em bancos estrangeiros. O deputado Maluf é um dos ungidos, pois é eleito “sempre” sem que se conheçam seus eleitores e Lula pediu sua bênção e apoio para eleger Haddad e outros. Eis que aí outro dia escutei novamente algo que sempre dói: – o problema do Brasil é o seu povo! Dói-me porque sou um dos que votaram errado. Escrevi aqui neste celestial espaço que Tarso era o homem certo, para o local certo na hora certa e a turma do fogo cruzado quer o meu escalpo por essa bobagem. Eis porque o mesmo Criador que nos deu o cérebro e o coração nos deu o ânus.

 

Cr & Ag

 

A propaganda política da Dilma está apaixonante. É o Brasil que pedimos à Deus e onde ele mora, recebe bolsa alguma coisa e alguma cota. É crescimento, educação, infraestrutura, saúde, petróleo, segurança, produção que se não foi criado por ela, certamente foi mantido e aumentado exponencialmente. E o que não está melhor é por culpa dos outros, genericamente chamada de “elite”. Claro que não da elite dos privilegiados da Papuda e do enriquecimento com e sem cueca ou dos unidos pela governabilidade com e sem quase 40 ministérios. Meses atrás toda uma balaca nacional que “abaixou as contas de luz”, no entanto, agora somos cravados em cerca de 30% e após a eleição “vamos pro pau”. Em 2006 o Lula propagou aos quatro ventos que estávamos autossuficientes em petróleo. De lá até aqui a conta petróleo (a diferença entre o que o país importa e exporta – compra e vende) acusa déficit de mais de 53 bilhões. As refinarias doadas para a Bolívia, a sociedade com a Venezuela, a compra do pepino de Pasadena e outros “desvios” não estão nessa conta.

 

Cr & Ag

 

Governantes são eleitos para resolverem problemas recebidos de outras administrações, novos problemas e anteciparem-se às futuras dificuldades. Até minha gata Neve sai da sala quando escuta alguém falar que a fétida ERS 118 que está em construção há uns 16 anos e não tem um único quilômetro realmente pronto é “problema dos outros” (assim como saúde e segurança). Alguém sadicamente incorporou o “E” antes das estradas gaúchas, o que era RS ficou ERS, piorando as estradas, mas certamente trazendo felicidade para quem fez novas placas, sinalizações, papéis, etc., para se adequar ao novo nome com velhos problemas. “Apaixonamento” talvez seja um neologismo, mas creio estar bem inserida na poesia gauchesca e na situação nacional. E “bola pra frente” que a Copa está lambendo as chuteiras nacionais.

 

Empresa para retirada de Entulhos em Boa Vista/Roraima. Encontram-se diversos desses containers e caminhões dessa firma.

Roraima 2011 -IMG_1386

O poder da Culpa – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 13 Maio 2014

2014 – 05 – 13 Maio – O poder da Culpa – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

O poder da Culpa

 

O

 Filósofo do Apocalipse prega que “a generalização é a filha bastarda da burrice e do corporativismo”. O sentimento de culpa é indissociável do ser humano e é do seu equilíbrio que depende a saúde mental, física e espiritual das pessoas. Ensinam-nos que Adão e Eva, os pais primordiais, foram expulsos do Éden pelo seu pecado quebrando assim a aliança da unidade do Criador com a humanidade. Culpa e punição. Teriam todas as dores e sofrimentos da vida, assim como conheceriam a morte no devido tempo ou fora dele. Muito frequente nas minhas aulas de religião: “nascíamos do pecado e carregávamos o pecado original”. E assim a máquina de pecar estava azeitada e pronta para todas as incriminações possíveis e até as impossíveis. Há verdades inalienáveis ao ser humano e para essas não precisaríamos da religião ou mestres para o entendimento do certo e do errado.

 

Cr & Ag

 

Os templos enchem-se de pecadores, de pessoas que precisam expiar suas culpas, pois somente com a expiação dolorosa poderemos aspirar ao retorno à unidade celestial com o Criador. E quantos compram seu lugar no Paraíso? Há o lado positivo de colocar a criatura nos eixos e torná-la mais digna e “humana” com seus pares e com a vida. Deus Filho fez-se homem para expiar pelas culpas da humanidade e seus ensinamentos de pouquíssimos anos orientam, balizam, servem de rumo e farol através dos tempos. Ensinam-nos que as enfermidades e moléstias de toda sorte ou azar que nos afligem são por nossa falta de merecimento e por nossa culpa. Eis que também os consultórios e divãs de terapeutas estão com filas para o resgate da culpa, seja ela desta ou de outras vidas. Nossas culpas ou de outrem.

 

Cr & Ag

 

E são incontáveis aqueles que não expiaram o suficiente, não se iluminaram o bastante ou não alcançaram o necessário entendimento para uma evolução necessária. E o plano terrestre, o umbral, o purgatório ou o inferno estão atopetados de culpa. Algumas eternas quando seu proprietário é empedernido o suficiente para não evoluir no amor e na dignidade. E o homem vem singrando os séculos e as terras do planeta ou de outros planos existenciais, etéreos para nós, buscando ídolos, deuses, mestres para ensiná-lo. No entanto, o Criador dotou-nos de uma linguagem universal. Sabe qual? Não é o esperanto, nem o inglês e muito menos o chinês. É a linguagem que foi aprimorada e incentivada a evoluir com a queda de Babel – a linguagem corporal. Nosso corpo fala o tempo todo conosco e facilita a nossa comunicação com tudo a nossa volta. Tanto pela mímica primária, pela simbologia de gestos como pelo suor de nossa fronte, pela diarreia de nosso intestino, como pela dor no peito.

 

Cr & Ag

 

Apesar de não notarmos adequadamente o Criador dotou-nos de um mestre sempre presente. Esse mestre é o nosso corpo. Ele está para nos ensinar e não somente como casca ou casulo temporário de uma alma imortal. É ele que tem o toque da luz e o espectro das sombras permanentemente ao nosso dispor. E quão difícil é entender e aceitar esse mestre, pois nos parece ser mais fácil buscar as verdades nos outros ou lá fora. Essa também é a estratégia de governantes que além de escalpelar-nos com impostos abusivos, usam de extrema criatividade para “pela culpa coletiva” de ancestrais a impingir-nos novos e crescentes métodos de espoliação e sangria. E muitos ainda acreditam que é nossa total obrigação responsabilizar-nos pelos outros e pelo passado remoto. Há que mudarmos nosso entendimento, pois as vítimas seremos nós ou “malditos até a sétima geração” se persistirmos subindo no cadafalso com o nosso consentimento. Pelos depoimentos do cacique, os “índios” que assassinaram brutalmente os dois irmãos com tiros, pedras e pauladas não conhecem a culpa que nos obrigam a sentir.

Amor perdido

Confiar nas instituições – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 28 Abril 2014

 

2014 – 04 – 28 Abril – Confiar nas Instituições – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Confiar nas Instituições

 

E

stamos numa época que não é singular, pois ocorreu semelhante no período da mística do getulismo de Getúlio Vargas, com a ascensão divina do Lula. O lulismo é como uma idolatria (ou enfermidade?) onde se criou uma mística real em alguns aspectos e absolutamente falsa em outros. Na antiguidade, os gregos e depois os romanos permitiam toda a sorte de distorções, anomalias, defeitos em suas divindades, pois eles eram… “divindades”. O PT sobrevive sem Lula? O PT respira, vive e vegeta do lulismo. Dificilmente seria Lula abandonar o PT pelo seu “amor” ao poder de Sarney, Maluf e outros do ruim ao pior. Caso acontecesse o partido seria mortalmente ferido. E como já abandonou todos os princípios iniciais de ética e moralidade, a migração é facilmente absorvida. Quem matou (simbolicamente) José Dirceu? José Dirceu seria potencialmente a maior estrela do PT depois de Lula e seu sucessor natural e quem duvida que pretendesse a supremacia? Na eclosão do mensalão, Lula foi o primeiro de retirar, defenestrar, alijar o “amigo e cumpanheiro” da Casa Civil e de todo o resto. Aproveitou para dizer-se “traído” e assim acabar com qualquer possível concorrência.

 

Cr & Ag

 

Contei o caso da idosa que ao balcão da farmácia indignou-se com o vendedor que queria força-la a adquirir remédio “igual ao seu”. Ela perguntou se a “mãe dele era igual a qualquer mulher”. Lembra? Pois muitos pacientes tornam sempre a inquirir se os remédios são todos iguais e se pode comprar genéricos e similares com a mesma tranquilidade. Geralmente o bolso pensa mais alto, daí considerar-se a parte mais sensível do corpo humano. Como saber? Devemos confiar no governo? O governo merece nossa confiança? Quantas especialidades farmacêuticas existem, excetuando-se os manipulados? Várias dezenas de milhares. O governo acompanha a produção e testes de bioequivalência ou depende da honestidade e boa vontade dos fabricantes? Quantas indústrias de lacticínios tem o Rio Grande do Sul? Uma dúzia? Duas dúzias? Ou três? Poucas se comparado com os medicamentos disseminados pelo país inteiro. E os escândalos do leite acontecem com frequência absurda envenenando as pessoas e principalmente as crianças. – Ele só toma um Nescauzinho pela manhã! – dizia uma mãe assustada. Quem abdica de controlar o mínimo vai fiscalizar com honestidade o máximo?

 

Cr & Ag

 

O governo controla a empreiteira que diz asfaltar a estrada? O governo controla o governo? O escândalo da Petrobrás é somente mais um que escapou para o público. No entanto, o governo controla o Congresso nacional na mais vergonhosa vassalagem. E controla a consciência de jornalistas e formadores de opinião numa dominação que o termo “democracia” é um mero artifício para uma “cubanização” que passou da ideologia do absurdo e do fracasso de meio século de ditadura na ilha dos Castro para mascarar a saúde brasileira enferma e sem melhoras em doze anos de desgoverno. Exceto para quem tem acesso irrestrito ao hospital Sírio Libanês. Nestes mesmos doze anos desse governo foram “criadas” mais faculdades de medicina no país do que desde o descobrimento de Cabral e mesmo assim dizem que “faltam médicos” ou “falta patriotismo dos médicos”. Seria somente hipocrisia se também não sobrasse infâmia e canalhice em muitas pessoas.

 

Cr & Ag

 

Tomar a lei nas próprias mãos ou os linchamentos que se amiúdam no Brasil espelha a desesperança nas instituições e trazem em suas veias e vias a brutal vergonha da sociedade desprotegida e entregue a sanha de criminosos de toda laia e tristemente protegidos pelas autoridades que deviam proteger o cidadão e vítima. E uma das faces dessa vergonha espelha-se na corruptela do nome de conhecida política gaúcha dita defensora dos chamados direitos humanos: – a Maria do Ossário. Dizem que até criminosos chamam-na de Santa Maria do Ossário, como sua padroeira, segundo um policial civil.

Coração Machucado

Mulher ou… – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – 23 Abril 2014

 

2014 – 04– 23 ABRIL – Mulher ou… – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Mulher ou…

 

O

 mundo evolui tanto e em tantas coisas, mas em algumas talvez ocorra uma regressão, um retrocesso, uma involução de qualidades inerentes e inestimáveis ao ser humano. A evolução da mulher ao mercado de trabalho externo ao lar e o direito ao voto e exercício da sua pessoalidade no mundo ocidental principalmente trouxe efeitos colaterais para muitas mulheres. Ou para muitos entendimentos. Em toda a evolução que a sociedade teve, nenhuma substituiu a “mãe”. Não temos nenhuma máquina que não seja o corpo humano para gerar um filho. Ser mãe é inalienável da mulher. E, para muitos, o grande e maior exemplo é da Mãe de Jesus. Deus se fez homem através do amor de uma Mulher. Entende-se frequentemente que mãe é também quem cria com amor. Isso tem muita propriedade tal a quantidade de filhos gerados e lançados ao mundo sem o compromisso da mãe e quantas vezes de pais anônimos ou desconhecidos até pela mãe geradora.

 

Cr & AG

 

Outro atributo inalienável da mulher é sua condição de esposa. É frequente aliarem outros como amiga, companheira, confidente, segunda mãe, amante e provedora, por exemplo. Mas todas seriam secundárias à esposa, pois agrega condições únicas e não perecíveis enquanto for definitivamente um casal. – Há controvérsias! – diziam-me. A pluralidade ou a diversidade é parte do sistema chamado humanidade. Há correntes muito fortes que fazem a mulher sentir-se diminuída na sua essência de mãe ou de esposa. Quantas se rotulam como “trabalhadoras” ou “companheiras”. Como se cuidar do lar e dos filhos não fossem o mais difícil, oneroso e compensador que existe. Plenas e absolutas qualidades e jamais demérito da mulher. Muito mais quando ela ainda encerra em suas divinas propriedades o trabalho extra-lar e, no entanto, vê-se que continua como a coluna mestre da sua família. – Como? Alguém ainda duvida que o homem até possa ser em muitos lares o maior responsável pelo aporte econômico, mas a mulher é sempre o esteio da família?

 

Cr & Ag

 

Passaria a transitoriedade dos relacionamentos por esse viés da nova identidade feminina? Passaria a desagregação das famílias, em muitos casos, pelo abandono desse atributo primordial da mulher? A sociedade está enferma, principalmente nesse Brasil de direitos mil e escassos deveres, onde a cumplicidade se alia à impunidade e as pessoas passam da alienação, desesperança, sólida e real desconfiança de suas instituições à dependência mórbida dos “bezerros de ouro”. Há essa tendência e vontade arquitetada para se destruir as identidades que enobrecem o ser humano, um projeto de desconstrução da sociedade ética em prol de uma nova ordem a partir das cinzas, como uma fênix maligna. O mesmo viés maligno que desestrutura a família pelas suas bases desde o nascimento dos tempos, cria hordas de mal-amados, de filhos das drogas e do consumismo desenfreado, de copiar modelos sem moral nem ética, de acreditar no “dar-se bem na vida sem estudar e ter méritos pelo esforço”, do viver sem trabalhar e viver do trabalho dos outros ou aboletado na política e nos “órgãos de classe”. Anote e pense: Não é a politica que faz o candidato virar ladrão, é o seu voto que faz o ladrão virar politico".

 

Pensamento ofegante!

 

O cantor e maior beneficiado pela “dança/música/troço” chamada de “leco-leco” expelia pela boca que era um “manifesto contra o capitalismo”. Essa criatura existe pelo capitalismo, pois no socialismo/comunismo jamais teria essa possibilidade de ir e vir, viajar para todos os lados, ganhar rios de dinheiro fácil com arte discutível e ter uma imprensa livre para dizer uma série de bobagens e ignorâncias. Será somente um idiota útil?

A Virgem e o Filho

O que você faria se… – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – 16 Abril 2014

 

2014 – 04 – 16 Abril – O que você faria se… – Edson Olimpio Silva de Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

O que você faria se…

A

 humanidade se debate desde a aurora dos tempos num dilema repetido: – “Qual a minha hora? Quando vou morrer?” Em muitos casos sutilmente desviando o foco pessoal da angústia para o cofre lacrado da religiosidade: – “Quando o mundo vai acabar?” Desde o mais modesto, humilde e simplório ser humano de qualquer geografia e, principalmente, aos poderosos que do alto de seus impérios, de seus exércitos ou de suas coalisões partidárias exercitam seu poder, muitas vezes nefasto sobre os demais mortais. Bruxos, magos e qualquer Ivan Trilha é convocado para deslindar as tramas da vida e da morte. Em se tratando de futuro, sabemos que ele nasce a cada segundo num pulsar talvez infinito, não para todos. Como as águas de um rio indomável que se renovam no mesmo ponto a todo instante, o tempo flui arrastando ou não consigo as esperanças ou as vidas.

 

Cr & Ag

 

O cinema nos ilustra como pessoas buscam o refúgio final na sua fé ou no coletivo dos templos em orações. Outros se entregam aos prazeres que seu ego necessita, seja com álcool, drogas, bebidas ou sexo. Outros ainda liberam a barbárie contida em suas almas e partem para as agressões, mortes, destruições de prédios, queima de ônibus e qualquer coisa que represente a sociedade ou a civilização. Muitos médicos e religiosos ouvem de seus pacientes e discípulos inicialmente a dor da enfermidade ou da desgraça ou, ainda, do final anunciado e previsto. Logo vem a revolta e a clássica indagação “por que comigo”? Pois a nossa humanidade tende em qualquer filosofia ou teologia a sofrer sempre pela culpa. Mesmo que a culpa não seja diretamente sua, assim como Cristo pela humanidade. Internamente, lá no âmago, no mais profundo, todos deveriam saber que quem fez errado, certamente pagará. O contrário compreende as benesses também do merecimento.

 

Cr & Ag

 

Logo que o transe e o golpe são parcialmente assimilados, as pessoas se perguntam “como vou fazer daqui pra frente”. Entenda que não apontamos somente para a morte, mas também para perdas de órgãos, funções ou de pessoas absolutamente amadas e que entendemos como indispensáveis de nossas vidas. “Como vou continuar vivendo?” “O que farei da minha vida ou da vida que me resta?” As respostas são pessoais. Cada um tem a sua dor e para dor da alma não há aparelho nem equação logarítmica para medi-la ou quantificá-la. Aquilo que estraçalha o coração de alguém até pode ser insignificante ou corriqueiro para outro. E muitas vezes de pouco ou quase nada adianta o apoio de que “poderia ser pior”. Pior quanto Sherazade?

 

Cr & Ag

 

Nós médicos somos inicialmente apresentados à Morte. E preparados, instruídos, conscientizados a respeitá-la. A principal disciplina ao entrarmos no curso é a Anatomia é que no profundo respeito das salas de anatomia, com os anônimos cadáveres e suas partes, que ali está o nobre destino de alguém como qualquer um de nós que foi acalentado num útero, alimentado num seio de amor, nutrido sonhos e esperanças, pranteado e agora se desnuda nas fronteiras do saber e da ciência em buscar saúde e vida para toda a humanidade. “Águas passadas não movem moinhos”, prega a sabedoria popular. No entanto, moinhos alimentam o presente e semeiam a vida do futuro. Para muitos brasileiros a desgraça anunciada é o Brasil de hoje da impunidade, da selvageria continuada, das invasões, dos mais de 60 mil assassinatos por ano (sem computar aqueles que não morrem no dia do trauma), mais de 60 mil mortos no trânsito (idem), corrupção generalizada e institucionalizada, da apologia ao comunismo e ideologias fracassadas, da transferência da culpa e da responsabilidade ou do “não sabia de nada”. Continua, com a saúde mais enferma dia a dia, das estradas modelo ERS 118 e dos governos que desgovernam, da educação de má qualidade e verniz ideológico do atraso, das migalhas das bolsas do povo para a locupletação das bolsas de políticos e partidos, da idolatria e das mentiras feitas verdades. Quer mais? Esse não é o “nosso Brasil”, daí entende-se quantos aspiram viver fora daqui, pois as esperanças são queimadas com o ônibus da história.

Amor perdido

Amor tribal – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 09 Abril 2014

 

2014 – 04 – 09 Abril – Amor tribal – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Amor tribal

V

ivemos numa época de relacionamentos transitórios, fugazes, ardentes enquanto duram, de amor novelesco com festas suntuosas em castelos ou hotéis luxuosos. Para muitos resultam de imediato em dívidas acima de suas posses e de seus recursos normais. Há uma tendência crescente tanto de ostentar aquele “amor”, quanto se mostrar aos demais convivas. Há uma influência real dos folhetins novelescos assim como da mídia sensacionalista. Quantas vezes o leito vem antes das palavras, da liturgia da conquista e do cativar para amar? Os atalhos precedem os caminhos e pouco se investe um no outro. E isso começa cedo. Cedo demais, numa realidade de camisinhas e vacinas para crianças que são mulheres antes de serem meninas, adolescentes ou jovens na sua plenitude. É a situação do amadurecimento forçado e institucional. E ai de quem opor-se ou pensar diferente desse clero.

Cr & Ag

Os casais tendem a conviver ou viver em grupo. Conhecem-se no grupo e ali permanecem muitos deles. Outros vão se agregando aos novos amigos e novos parentes de um e outro. Convive-se até intensamente. Das singelas reuniões, aos passeios e às festas. Não da forma ‘normal’, não excessiva ou mesmo abusiva. Evidente que a maioria não identifica a situação, pois a juventude traz a necessidade da experimentação, da repetição até ao conhecimento. Muitos pais entendem o lado positivo pela segurança que o grupo terá diante da bandidagem desenfreada e impune. Alguns começam a perceber que o casal não se curte sozinho. Para o olhar mais acurado algo se identifica de que aquele relacionamento tem debilidades. Essas debilidades se manifestam numa “pedida de tempo” de um dos dois. Mas como se tudo está tão bonito e legal?

Cr & Ag

O casal deve se bastar por si somente e não pelos complementos. Quaisquer que sejam. Inclusive os filhos não ancoram indefinidamente um casal que não se basta. Menos ainda os amigos e as festas. Curtir a companhia, a presença, a convivência, a liberdade que um dá ao outro, o carinho e o respeito naturais, a ausência de ofensas, a plena confiança que passa inclusive pelas contas bancárias, entre outras características essenciais. Outro sintoma da vulnerabilidade da relação está quando um ou outro dedica tempo ‘demasiado’ aos amigos, amigas, trabalho ou outras atividades fora do lar (futebol, pescaria, clubes, etc). As explicações e justificativas abundam e parecem convincentes, principalmente pela necessidade de maquiar a situação.

Cr & Ag

A nossa humanidade nos torna vulnerável em qualquer época do nosso relacionamento. Não há imunidade nem vacina. Há entendimento e continuado esforço. Todos tendem a escapar da dor do conhecimento e da verdade e o relacionamento que se abriga em vida tribal tende a dissipar, mesmo que parcialmente, atenuar, postergar, empurrar com a barriga um relacionamento ferido ou enfermo. Precisa-se de cenários e de teatros e muita maquiagem. A sociedade de consumo e que consome necessita dourar a existência, tornar palatável a vida do casal e persistir naquilo que “pode não estar bom, nem ser ideal, mas que poderia ser pior”.

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Cálice

Motivação – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 02 Abril 2014

 

2014 – 04 – 02 Abril – Motivação – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Motivação

 

– Não tenho adrenalina para jogar aqui! – assim se manifestou o jogador de futebol argentino Scocco solicitando sair de Porto Alegre depois de ser contratado por vários milhares de dólares. Como traduzimos “adrenalina”? Seria a falta ou a carência do hormônio? Evidente que não. Traduzindo: motivação. E o que seria a motivação? A motivação é uma ou várias forças interiores da pessoa que o impelem numa certa direção. Poderia ser algo externo a motivação? Estímulos podem ser externos, mas a motivação é algo do interior de cada pessoa. Seria como a impressão digital de sua personalidade, de seu ego, de seu espírito ou outras denominações. Ou a pessoa tem ou não tem essa energia vital que alavanca a sua vida e até a vida da sociedade onde vive ou para onde se irradia. Confunde-se frequentemente com atitude. De novo no futebol, é comum jogadores explicarem insucessos pela “falta de atitude”. É correto quando significa que o modo de agir não foi adequado, mas em muitos falta a motivação que nem os elevados salários ativam ou acendem.

 

Cr & Ag

 

A motivação pode ser uma força positiva, ou melhor, direta ou ainda inversa ou indireta. No mesmo caso acima, o jogador Scocco sofreu e abalou-se com as manifestações do novo técnico do Internacional, mandando os ‘insatisfeitos’ embora e mostrando publicamente sua ‘paixão’ por outro jogador. Sua reação poderia ser: ‘vou mostrar para esse cara quem é o melhor e que eu me garanto’ ou abandonar o barco. Tomou o segundo caminho. Já o preferido que estava em crise existencial com a torcida e com seu futebol agiu diretamente com o prestígio: ‘sou guerreiro e vou mostrar que sou goleador aqui como já fui noutros clubes’.

 

Cr & Ag

 

A motivação também se manifesta de forma coletiva e pode ser ‘contagiosa’ ou impulsionadora de grupos ou da sociedade. Basta que estímulos sejam catalizadores dos mesmos sentimentos ou das mesmas emoções de outras pessoas. Lembra-se das Diretas Já? Uma reação em cadeia e direcionada. Em meados de 2013 novamente a sociedade brasileira buscou o palco das ruas para mostrar a face de jovens, de famílias, de todos os cidadãos que pacificamente numa bela liturgia democrática acendeu a chama da liberdade demonstrando a insatisfação e a revolta com a corrupção escancarada, com o mensalão, com a saúde enferma para quem não tem acesso ao primeiro mundo do Hospital Sírio Libanês, da justiça injusta e disseminadora da impunidade, da crescente insegurança pública e pessoal, da educação de má qualidade, dos impostos abusivos e mal aplicados e de tantas outras chagas que não aparecem com clareza na mídia governista ou nos ‘ibopes’ da vida brasileira de quase plena satisfação.

 

Cr & Ag

 

A motivação e a atitude do povo nas ruas não eram benéficas a quem? Reclamava-se de quem? Resposta direta: do governo, dos políticos e de certas instituições. Eis que surgiram os baderneiros, vândalos, black blocs que sem esse politicamente incorreto são criminosos. São bandidos. O povo ordeiro abandonou as ruas pela violência, a motivação foi sufocada pela violência consentida das autoridades e por segmentos da mídia. Agora é benéfico àqueles que foram alvo das manifestações – bom para o governo, políticos e outros. A impunidade é a marca registrada das instituições e governantes vassalos do poder. Haja motivação! Eis aí uma força de igual ou maior tamanho em sentido antagônico – a desmotivação. É o emparedamento da motivação justa, legal, ética e democrática. Pior! É o estrangulamento da esperança de dias melhores alicerçada na carência efetiva de lideranças que reflitam os anseios morais e éticos da sociedade consciente e a permanência da impunidade, da incompetência, da corrupção, da falsa governabilidade e das mentiras que se contestadas fazem dos contestadores seres antipatrióticos.

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Izabel Guerra – Monja espanhola

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Pintura de Izabel Guerra

 

Sociedade Partenon Literário – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 26 Março 2014.

 

2014 – 3  – 26 Março – Partenon Literário – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Sociedade Partenon Literário – Histórico

A mais antiga entidade literária do estado, fundada em 1868 ─ anos antes da Academia Brasileira de Letras ─ e que reuniu os nossos maiores intelectuais, completou no dia 18 de junho de 2011 seus 143 anos de fundação. Sua sede administrativa fica localizada na Rua Plácido de Castro, 154, Bairro Azenha, em Porto Alegre.

Instituição pioneira da literatura gaúcha, verdadeiro marco da formação cultural do estado, a Sociedade Partenon Literário foi fundada em 18 de junho de 1868, na cidade de Porto Alegre. Do grupo fundador faziam parte Apolinário Porto Alegre, Caldre e Fião, Aurélio Bitencourt, Aquiles Porto Alegre e outros. A instituição conseguiu reunir os maiores intelectuais da época, incluindo, além dos fundadores, nomes como Luciana de Abreu, Múcio Teixeira, Amália Figueiroa e muitos outros que hoje são nome de rua na capital.

Sempre é bom lembrar que o Partenon Literário, além de divulgar suas obras culturais, teve disposição suficiente para lutar de peito aberto pela alforria dos escravos e pela implantação da República, valorizou o papel da mulher na sociedade, publicou uma revista que virou referência, cultivou uma biblioteca volumosa, realizou saraus concorridos, e se preocupou muito com o ensino, a ponto de ministrar gratuitamente suas conhecidas aulas noturnas. Na sua 1ª fase a instituição durou até o ano de 1885 quando não se teve mais notícias a respeito de suas atividades.

Em 1997 um grupo de intelectuais e simpatizantes da causa literária começou a se reunir visando o restabelecimento da associação literária considerada o símbolo da literatura gaúcha: O Partenon Literário.

Liderada por Serafim de Lima Filho e Hugo Ramirez, a renomada instituição voltou a funcionar encontrando eco nos seus ideais e mostrando à sociedade rio-grandense que o Partenon Literário continuava de pé e apto para dar sua colaboração em prol do enriquecimento da nossa literatura.

Doze anos se passaram e o Partenon Literário continua ativo, agregou muitos sócios, que hoje somam mais de cento e cinquenta. Publicou várias coletâneas oficiais, que hoje somam oito volumes. Trouxe para o grande público palestras memoráveis ministradas por grandes autores como Moacyr Scliar, Sandra Pesavento e Charles Kiefer. Outra grande realização foi o estabelecimento do Núcleo Balneário Pinhal, que tão bem tem representado a instituição naquele município.

Enfim, o Partenon Literário vem desenvolvendo uma série de ações, demonstrando à comunidade rio-grandense que esta entidade criada em 1868 está muito viva, sempre com a intenção de procurar refletir o legado de seus primórdios, mas com espaço para todo o tipo de manifestação cultural e discussão a respeito dos atuais anseios da sociedade.

O Partenon Literário atual conta com 150 sócios, realiza palestras, saraus, publica livros, transfere conhecimento e soma muito para a proliferação da cultura, continuando os ideais de nomes como Múcio Teixeira (poeta renomado), Aquiles Porto Alegre (cronista da cidade), Apolinário Porto Alegre (seu principal fundador) e Luciana de Abreu (a primeira mulher a subir em uma tribuna no estado).

 

O viamonense e presidente do Partenon Literário Benedito Saldanha enviou-me o texto acima. Por falta de espaço nesta coluna deixo de publicar o hino oficial da nobre entidade assim como seu atual quadro diretivo. Com orgulho, sou membro dessa grandiosa associação. Um país, uma nação somente evolui e diminui as distâncias entre seus cidadãos pela educação de qualidade e continuada.  Esta sendo sempre uma determinação e um projeto definido do Estado e do seu povo e jamais dos governantes de plantão ou de secretários ou ministros transitórios e de projetos de poder de qualquer ideologia.

Acrescento o final da mensagem do presidente Benedito Saldanha:

E para coroar toda esta comemoração o Partenon Literário apresenta à Sociedade porto-alegrense o seu Hino Oficial, com letra do sócio Carlos Rampanelli e música e arranjos do sócio Antônio Frizon:

 

 

HINO DO PARTENON LITERÁRIO

 

(Letra de Carlos Rampanelli – Música: Antônio Frizon)

 

Meu Partenon Literário,

Teu ideal libertário

É chama que incendeia

Os nossos corações.

No panteão de tuas glórias

Guardaste tuas vitórias

Sobre todos os grilhões.

 

Estribilho:

Caldre Fião, Luciana, Apolinário,

Múcio Teixeira e todos os demais,

Fostes pioneiros em vossa juventude,

Hoje, heróis, verdadeiros imortais.

 

Meu Partenon Literário,

Teu reviver centenário

É farol que norteia

Nossas mentes e paixões.

O relembrar de tua história

Se aviva na memória,

Nos traz fortes emoções.

 

Meu Partenon Literário,

O teu labor voluntário

É mão qu’inda semeia

Luz e paz nas multidões.

Com tuas lutas e bandeiras

Levaste as tuas fronteiras

Às futuras gerações.

 

 

Atual Diretoria:

Presidente Partenon Literário: Benedito Saldanha

Vice-presidente: Alzira Dornelles Bán

Tesoureiro: Eloísa Porazza

Secretário: Fábio Dullius

Pres. Honra: Serafim de Lima

Conselheiros:

Álvaro de Almeida Leão

Dilmar Xavier da Paixão

Felipe Raskin Cárdon

Lourival Villas-Bôas

Carlos Rampanelli

Alda Paulina Borges

Margarete Moraes

Floreny Ribeiro

Celso Porto

Departamento Tradição e Folclore: Cláudio de Sá

Departamento de Música: Antônio Frizon

Departamento de Teatro: Eloísa Porazza

Departamento de Cinema: Vilson Santanense

 

O meu café – Parte 2 – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 19 Março 2014

 

2014 – 03 – 19 Março – O meu café – Parte 2 – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

O meu café – Parte 2

 

 A

doro um café de beira de estrada. Aquele café de caminhoneiros alojado nas garrafas térmicas ou nas seculares máquinas de café que na verdade apenas mantém quente o café previamente feito. Nos saudosos tempos de motociclista, o aroma do café trespassava a bruma matinal e nos acompanhava no dorso da moto por longos quilômetros. Café geralmente de uma humilde casa de agricultor traz sonhos realizados. Muitos motociclistas relatam esses mesmos sentimentos, como o maior motociclista viamonense – Luizinho Zavarize. A delícia de estacionar a amada moto, abastecer seu tanque e abastecer nosso corpo e nosso espírito com um bom e perfumado café. Por vezes, um pouco doce demais. Nada é perfeito aqui.

 

Cr & Ag

 

Você deve ter o “seu café” como eu tenho o meu. Um poeta escreveu e vaticinava: “depois do sexo, um cigarro e um bom café”. Cigarros matam cedo e deixam impotentes. A tendência era de poetas morrerem cedo pela tísica (tuberculose), mas bebedores de bons cafés tendem a ter belas longevidades. Para tudo há limites. Inclusive para o amor? E uma mulher te cativa também pelo seu café. Veja uma mulher fazer um café! Há um ritual próprio, peculiar em preparar uma oferenda ao seu deus, que passa pela escolha do café, da cafeteira, das xícaras ou outros recipientes, guardanapos, a extrema limpeza das bordas e do pires, a colher, algum complemento para emoldurar a sua obra de amor e de cativar. A temperatura ideal não deve queimar os lábios nem deixar a sensação de frieza. A bandeja ou entregar a xícara na mão permitindo um encaixe de dedos ou o sutil toque de peles que se eriçam. Há mais. Muito mais. Permita-se ver e idealizar ou sonhar. Há homens que não atentam (até agora pelo menos) para esses detalhes e rituais. Outros não valorizam devidamente. Infelizmente. A vida se faz nos detalhes e se descortina nos seus mistérios nas suas parábolas.

 

Cr & Ag

 

– Pra mim, a mulher tem que ser boa de cama! – escuta-se. São relacionamentos pouco duradouros e nada com escassa ou ausente qualidade perdura. Já curti muito o café na arquibancada do meu time do coração. Tardes de sol escaldante, a moleira a ponto de fundir ou derreter, eis que passa o homem do café e ali meio que de lado, atravessado como lagarto em beira de estrada, derrama o café no singelo copinho plástico e sorvia aquele líquido maravilhoso e… refrescante. Meu pai Aldo, por vezes, levava sua caneca na mochila. Eu sempre me espantava com sua previdência e pessoalidade. Nas caçadas de marrecão, ele era o primeiro a chegar ao acampamento e os demais companheiros vinham extenuados pela várzea gritando pelo “café do seu Aldo”, pois o perfume magnetizava qualquer um. Uns sentavam num toco de madeira, outros jogavam-se nos sacos da bagagem, mas me deslumbrava vendo o prazer em seus rostos com os goles de café lentamente sorvidos nas canecas de alumínio ou de louça(porcelana).

 

Cr & Ag

 

Há lugares em que me encontrei com o meu café. Minas Gerais faz um café dos sonhos do mais renitente e empedernido mortal e em qualquer parada de beira de estrada ali te espera uma bebida própria dos deuses. O aroma te persegue pela estrada e quantas vezes parei a moto no acostamento, retirei o capacete e agradeci a vida que o Criador nos oferece. Outro lugar – numa ida à Santiago do Chile. Caminhei com minha esposa algumas quadras para que o GPS olfativo dela (muito mais sensível que o meu) localizasse a cafeteria da origem desse café mágico. A vida não está na riqueza dos bens materiais ou no poder dos homens sobre a natureza e os demais seres humanos, a vida está naquilo que desfrutamos e aprendemos e entendemos dela.

 

A magnitude da existência, a beleza inolvidável da vida está nas coisas mais singelas e humildes, nos detalhes que nossas acuidades e nossos sentidos nos mostram e o café, o meu e o teu, são parte da alegria de viver e de conviver. De amar e ser amado!

 

Soldado e o gato

Moto não tem idade

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