O meu café – Parte 1 – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 12 Março 2014

 

2014 – 03 – 12 Março – O meu café – Parte 1 – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

O meu café – Parte 1

 

P

oderíamos iniciar pela célebre frase: “há café e cafés”. Vou aproximá-lo do meu café, com respeito aos “cafés” contrários ou dissidentes. Até admiro quem gosta de cafés incrementados com chantili, licores estupefacientes e afrodisíacos, cafés italianos em máquinas somente italianas, cafés tirados com requintes de arte e verdadeiras obras primas de invulgar beleza estética. Admiro a arte detalhada em imagens pinceladas na espuma. Mais envoltórios, mais nos afastamos da essência original. Como apreciar a companhia e idealizar-se com ela pelo seu carro, por suas roupas ou por suas joias? E o sagrado conteúdo, o âmago da pessoa, sua essência vital iriam lhe transmitir o que?

 

Cr & Ag

 

Atribui-se a descoberta do café a um pastor etíope que observou suas cabras (ou carneiros?) comerem frutinhas de arbustos nas regiões montanhosas e quanto mais comiam, mais ativas ficavam. Experimentou o fruto e gostou. Um monge ao saber do fato, usou as frutinhas para conseguir orar longamente sem dormir ou cochilar. Algo assim é a lenda dessa bebida que se espalhou pelo mundo e sendo em grandes épocas a principal cultura brasileira de exportação. Épocas em que bebíamos aqui somente aquele café rejeitado pelos importadores e seriam descartados e jogados aos animais. Esse era o café do povo brasileiro que não tinha liberdade, poder aquisitivo, cultura e educação suficientes para escolher algo melhor.

 

Cr & Ag

 

Minha mãe Dora, exímia costureira, fazia sacos de café com tecidos diversos para colocar no bule e coar o café. Ela tinha marcas prediletas, tecidos preferenciais e técnica pessoal para passar o seu café. Havia a hora do café com leite de vaca (vaca mesmo!) e hora do café preto e todo um esquema do descarte do café usado (borra), lavar e secar o coador. E a magia de acordar pela manhã e ficar na cama sentindo o aroma do café sendo passado na cozinha. E ‘me fazendo de linguiça’ e rolando na cama, fazendo que ainda dormia para ser chamado pelo meu nome, lembrando-me da da escola e do banho (que dureza), mas terminando com o “café tá pronto”. E o café da avó Adiles em fogão de campanha com lenha acesa todo dia e o “leite recém tirado da teta da vaca” e em grandes canecas com canela em pó.

 

Cr & Ag

 

Eu e a gurizada do bairro do Cemitério e do Mendanha fazíamos cabanas imitando ocas de índios nos matos da vizinhança. Caçávamos preás, sabiás e pombas do mato. Cozinhávamos aipins e batatas-doces. Eram banquetes reais no imaginário de crianças de uma época em que se caminhava por toda Viamão sem nenhum perigo ou risco além das nossas próprias brincadeiras e arteirices. Época e lugar em que as crianças eram crianças sem estatutos. E fazíamos o café no fogo de chão ou sobre uma chapa de folha ou ferro. Quando a água do canecão fervia deitava-se colheradas de perfumado café. Aguardava-se um tempo e com um ferro em brasa ou um tição rubro fazíamos o café descer lentamente ao fundo do recipiente. Nessa hora mágica a gurizada largava as brincadeiras e vinham correndo atraídos pelo divino aroma. Distribuía-se nas canecas com o cuidado para o café permanecer em seu leito no fundo da lata ou canecão. (continua)

 

Pensamento Ofegante! – O que é que dorme com a filha, ama e vive com a mãe e morre com a avó? Resposta em http://www.edsonolimpio.com.br

 

Resposta: A maquiagem. Na mulher jovem dorme com ela após festas, baladas ou pela preguiça de uma correta limpeza de pele. Na mulher mais madura a maquiagem está plena. E adorna as feições da idosa em sua vida eterna.

Boa Vista-Roraima 19-29 ABR 2007 058

Imagem de um gigantesco painel na Venezuela. Imagem fotografada por esse cronista.

Morgana 2007 - 2

Saudosa companheira de longas viagens – Morgana!

Liturgia dos Corpos em Vida – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 26 Fevereiro 2014

 

2014 – 02 – 26 evereiro – Liturgia dos corpos em vida– Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Liturgia dos Corpos em Vida – Especial de Verão e Férias

"Nossos corpos são nossos jardins, nossas vontades são nossos jardineiros.”

Our bodies are our gardens, to the which our wills are gardeners. "Othello", Scene X – por William Shakespeare.

A

 primavera já carrega os ares da liberdade, a ruptura dos grilhões do gélido inverno em que somente no interlúdio do aconchego íntimo e amoroso a nudez é consentida e idolatrada. No então, o verão é a plenitude da exposição e a necessidade de retorno ao útero e berço de toda a vida – o oceano. É nesta mágica conjunção de corpos e água que o resplendor da vida acontece em forma, cor e odor. A beleza transcende o detalhe e há tribos para todos os gostos e sintonias. Do estrógeno à testosterona. Do lúdico e platônico ao intenso e carnal. Da letargia do banho solar ao frêmito dos sentimentos que transbordam. É a magnitude formidável da vida usando todo o tempo fugaz dessa existência terrena.

Somos seres de contato e de amor tanto com nossos similares quanto com a natureza esplendorosa. Assim não há feio para perdoarmos ou aguilhoarmos, todos são belos dentro da sua essência e possibilidade de nossa humanidade. Justo, talvez, pela transitoriedade de nossos corpos e a certeza de seu ocaso exige-se, necessita-se da luz solar, da água, da brisa quente, do mar, a explosão da vida exposta em corpos com a mística da existência que transcende e logo ali no horizonte irá liberar sua alma para voos mais intensos.

Há garotos e garotas de Ipanema, da Cidreira e do Capão, de Camboriú ou de Punta dos pruridos da juventude em flor de polinização intensa aos prateados dos veteranos que saboreiam a vida com as nuances do vinho magnífico e único sorvido e degustado com o prazer das horas sem fim e longe, muito distante, do garrafão dos ébrios e aprendizes. A vida se ajusta no equilíbrio do ajuste constante entre os desiguais, cada um com seu universo e seus dons. Com suas alegrias e satisfações.

As correntes de pensamento se ajustam canalizadas pela ideologia da vida em plenitude, na liberdade de ter e usar, de ser ou de parecer, de enfeitar ou de despir. De exteriorizar o abraço trepidante com o beijo úmido de paixão. Novamente e sempre a mesma umidade dos sentimentos aflorados comparece com os fluidos da manutenção da existência e das novas gerações encubadas no amor ou nem tanto.

Transitamos pelas sombras e por tantas névoas, mas jamais deixamos de aspirar e de sermos seres de luz. Invariavelmente agradecemos a cada nova manhã, amamos o sol que nos aquece e transpiramos o agradecimento divino estarmos nessa terra tão maravilhosa que nos atura, suporta e ousa persistir em nos manter com a liturgia de corpos em vida.

 

mulher espelho

A Família Arigó – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 19 Fevereiro 2014

 

2014 – 02 – 19 Fevereiro – Família Arigó – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

A família Arigó – Especial de Férias e Verão

N

a nossa tribo, digo família, quem não é parente do Danilo e do Sílvio Boca? O que tem de Oliveira é assustador. E Fraga então? Certa vez fui num encontro da família Fraga, informaram-me que a contagem parou em 15.423 e a fila dos Fragas continuava da Lomba do Sabão até o local do evento no Passo do Vigário. Mas há outras não catalogadas e estudadas oficialmente e sem a mística de um Fraga ou a singeleza de um Oliveira, que não conhece algum Arigó? Você mesmo, intrépido e suado leitor, quantos arigós você conhece? Faltam dedos nos pés e nas mãos para contar. Isso é geral e crescente. Um famoso cientista e professor do Einstein tinha um cartaz em seu laboratório: Quando o mundo que conhecemos acabar, restarão as baratas e os arigós! Sim tem arigó ianque – The Arygo’s Family. Dizem que Obama veio de Arygo Down. Impressionante. É uma gente tão numerosa quanto os brocoiós, os corruptos, os insanos do som e os bundas-moles.

Cr & Ag

E mais interessante e assustador é que tem arigó infiltrado, disfarçado, escamoteado nas outras espécies. Como também sou Silva, atesto e reconheço a firma: tem muito arigó nos Silvas. E na política? Observem uma campanha eleitoral para qualquer coisa, tem arigó em tudo que é partido e cor. Não que o arigó seja um camaleão multicromático, mas tem arigó do afro ao japonês (sensei ou nonsei!). Mas não se iludam acreditando que sejam subnutridos mentalmente, pelo contrário, tem arigó doido de tão esperto. Ladino como messalina  em festa do congresso. Vejam como tem arigó ganhando fortuna na dupla grenal. Não jogam meio ovo, mas estão lá com contratos de anos sem fim. Com o fim do ânus da torcida. Redundância horrível.

Cr & Ag

Há projeto na comissão (ou seria comichão) de justiça para que seja criado o status de perseguido político para que os arigós se habilitem nessa teta maravilhosa que alimenta a esperteza ideológica. Há emendas de arigós de todos os estados. Uma cria a Arigolândia, uma cidade para substituir Brasília. Querem a sede (e com muita sede ao pote) nas Ilhas Cayman. Outra cria uma estatal: a ArigóBras para gerir e distribuir tudo que vier e não vier do pré-sal com algumas dezenas de milhares de cargos de confiança e comissionados com  cota de 90% para arigós. Ainda outra cria a ArigóSaúde, a maior empresa de importação de ideologia e saúde do planeta. Há outras menos significativas como a que dá aposentadoria integral para o arigó que comprovar 20 anos não trabalhados ou ao arigó preso pela “falta de oportunidades e sociedade cruel” que terá direito “líquido e certo” de salário de desembargador aposentado por similaridade.

Cr & Ag

Que não se tire um arigó para bobo. Arigó não tem esquerda ou direita, tira e bate com as duas mãos e com os três pés. Ligeiro como corisco. Não generalizemos, tem muito arigó boa gente. Prestativo e honesto. Pau para toda obra. Tira a roupa para vestir defunto alheio. Deixa de comer para dar às criancinhas. Reza missa e ainda triplica o dízimo. Cidadãos exemplares. Mas infelizmente, muitos arigós continuam acreditando que um dia “eles cairão na realidade e corrupto e corrompido serão passado e a luz brilhará mais forte”. Bonito não é? Tiro os óculos para secar as lágrimas. Me emociono e quase entro em sintonia, mas ainda quero ver o Brasil abandonar os títulos de pátria dos bandidos e da impunidade. Talvez todos nós tenhamos uma parcela do sangue arigó correndo nas veias. Do bom e do mau. E dos intermediários.

Governo come nosso dinheiro

Assim temos o resultado do nosso trabalho devorado pelo Govêrno. Trabalhamos mais de 5 meses no ano para sustentar a vampiragem oficial.

Reflexões e Genuflexões – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 12 Fevereiro 2014

 

2014 – 02 – 12 Fevereiro – Reflexões e Genuflexões – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Reflexões e Genuflexões – Especial de Verão e Férias

C

alor infernal, falta d’ água e luz inconstante como salário de jogador gremista há que reservar um tempo, depois de secar o suor, para algumas reflexões em ano de copa do mundo de futebol e eleições. E quando não algumas genuflexões, pois foi um desses “filósofos do povo”, Chacrinha o Velho Guerreiro, que profetizou: Ajoelhou tem que rezar. Não há como levar tudo na ponta da faca e evitar de levar na esportiva ou no bom humor as agruras da vida. E como diz T. Jordans, o Filósofo do Apocalipse: Não há nada tão ruim que ainda não possa piorar. Agradecer ao Criador é sempre um bom começo. E um ensinamento familiar, até para quem gosta de simpatias vai essa: Peça Saúde, levante cedo e trabalhe bastante e não espere dos outros ou do governo a solução daquilo que te compete. Já é um bom começo para esse 2014 de muita propaganda e muita coisa escondida debaixo do tapete.

Cr & Ag

Como o Carnaval é em Março, ainda temos um bom tempo para uma grande parte do Brasil engrenar para logo no meio do  ano afrouxar as rédeas e sair para o acostamento e dar uma descansada assistindo às seleções que nos visitam. E torcer para que o Felipão seja mais sensatez e menos mau humor. Nós estamos fazendo a nossa parte em melhorar o bom e melhor humor das pessoas que nos leem e até daquelas que algum dia serão iluminadas por esta coluna. Humildade é legal, mas cabeça erguida e queixo pra frente sempre fez avançar e vencer. Lembro-me da única campanha política que participei em que um candidato na euforia do palanque em Águas Claras atacando o PT: Não se mixemo pra eles! Se vierem por cima, por baixo ou pelo meio vamo dá no meeeio deles! Esse é um lutador persistente, que não se entrega nas quedas, nunca se elege, mas tá sempre na linha de frente com a turma do “vamo pro pau”.

Cr & Ag

Um amigo que entrou, ou conseguiu chegar lá, na casa dos 60 anos de batalhas de vários invernos e algumas primaveras, dizia-me que pensava em colocar silicone nos seios. Ops será que como a cantora ele está saindo do armário – pensei. Ao que ele emendou de primeira como centroavante matador fazendo golo: Seguinte cara, tem a população de uma Argentina (N.C. 50 milhões ou quase a população da Ucrânia) de criaturas mamando nas tetas de quem paga a conta, nós, por exemplo, com as bênçãos do governo e assinando de bonzinho. Fora a turma das cotas disso e daquilo. Fora a turma das reservas de índios e etecetera. Trabalhamos 6 meses do ano só pagando os gastos do governo e quanto dinheiro botado fora ou roubado ou, ainda, pro caixa dois, três… Ainda temos que pagar segurança privada, pedágios e pardais, escolas de melhor qualidade, plano de saúde e por aí vai. Não temos empresas nos paraísos fiscais ou prestamos assessorias milionárias porque temos canal aberto no governo e não damos palestras milionárias pagas por empreiteiras e empresas que também mamam. E dizem que é a distribuição de renda… Claro que é! Do nosso bolso pro deles. Veja se tem alguém que entrou nos últimos governos que tá mal das pernas ou pobrezinho. Sindicalista então…

Cr & Ag

A reflexão do amigo acima é importante e demonstra a saturação de muitos brasileiros com a falsa ordem vigente. Outros amigos acrescentam: – Assim como importam médicos alienígenas não valorizando e pagando dignamente os nacionais que se importem políticos dinamarqueses, justiça alemã ou chinesa, empreiteiras japonesas e chinesas, policiais neozelandeses e presidenta alemã (N.C. Corrijo: primeira ministra Ângela Merkel).

Disinganno - por Franchescko Kvirolo - 1757

Disinganno – por Franchescko Kvirolo – 1757

Maravilha esculpida em peça única de mármore

Um churrasco na praia – Especial de Verão e Férias – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 29 Janeiro 2014

 

2014 – 01 – 29 Janeiro – Um churrasco na praia – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Um churrasco na praia – Especial Férias e Verão

Nota do Editor: Nosso intrépido repórter Fraguinha segue internado, agora com diagnóstico de estresse pós-traumático. Vide coluna passada. Escalamos o Arigó da Estalagem para essa singela e instrutiva reportagem litorânea após sobreviver a uma pelada com o Serginho na Augusta.

S

e pra mendigo não falta cachorro, pra pobre não falta parente e é justamente na hora de queimar uma carne numa brasa faceira que aparece parente e parente do parente e até ameaça de parente como aquele irmão da namorada do Zé da Abigail. Parente e aposentado. Aposentado é outro que aposta no churrasco de parente e de vizinho, “pois a grana do governo não dá nem pros remédios e pras fraldas”. Como? Isso aí, fraldas é artigo de uso e descarte nas duas extremidades da vida, mas voltando ao churra. O pessoal vai se chegando como quem não quer nada, “passei por passar”, “vim dar uma mãozinha” e “te empresto meus espetos de inox”. Solidariedade sobra em rancho praiano. O Carlinhos da ambulância trouxe 3 kg de salsichão, meia dúzia de cervejas e as cinco enteadas com os namorados. A Lurdinha da estética sempre traz a farinha, principalmente a recolhida dos churrascos anteriores. – Tudo se aproveita e nada se perde e eu não sabia de nada – não lembro bem do autor dessa lei da física ou da política.

O som bombando. A criançada correndo alucinada e trombando nas redes com os namoradinhos enroscados dentro num entrevero sem aparte. Os homens em volta do fogo e a cerveja e o limãozinho correndo solto como língua de sogra. A churrasqueira meio improvisada, volta e meia desarmava e caia uns tijolos até que apareceu o Gringo da fruteira com um tonel cortado ao meio. Delírio geral! Mais um sal na costela e um bronzeador nas costelas e na bem nutrida busanfa da loira oxigenada quarando em pleno sol de pós meio-dia. E o fogo ardendo e a ceva correndo solta como pulga em bombacha. E eu ali, em seco! Não bebo em serviço, ainda mais se o Edinho e o Pedrão descobrem e me cortam o salário e essas mordomias na praia.

A bacia de maionese começou a ser esvaziada e faltou pão com alho, mas sobrava bafo. Saem dois guris na pernada pra buscar mais pão. E a fila do banheiro empacou. “A bisa se adonou do trono” e escutei alguém berrando atrás do varal de roupas: “A fossa estourou!” E saiu um magrão puxando a bermuda mais a filha do gringo – descabelada e vermelha como a camiseta do meu Colorado destruído pelo Luigi. Ninguém deu muita bola para o sucedido. O trago fazia resposta. E já que a carne é fraca e pouca (muito pouca)… o trago alivia as durezas e as faltas de durezas da existência (essa foi poética, olha eu aqui ALVI!).

“Quem comeu comeu e quem não comeu tá comido!” – berrava rindo o Ari mecânico com uma caneca de cerveja, ou o que sobrou dela. E aí foi um Deus no acuda, um salvem-se quem puder, parecia a turma do Mensalão atacando os cofres do Brasil, era gente tropicando uns nos outros e derrubando cadeiras. Teve gente se escondendo com uma costela para roer debaixo do avarandado. Enquanto ajudava a abanar uma gordinha dos seios fartos levei uma garfada na orelha. Coisa feia de tão medonha. Briga de parente é como revolução em convenção de partido político, não há mortos, alguns somente feridos principalmente onde não se enxerga.

Foi então que encostou duas viaturas e desceram os homens. Quando o afro gigantesco puxou do cassetete me atirei no chão e fingi de morto tipo cachorrinho com as patinhas pra cima. Senti que o pau ia cantar, pois quando brigadiano saca das ferramentas é pro trabalho e vai sobrar lombo ardendo. Mas foi alarme falso, também era parente e trouxe os amigos pro churrasco “em família”. Ânimos acalmados, bola no meio de campo e marcaram “novo churrasco legal. (Enviado especial dessa reportagem praiana – Arigó da Estalagem)

 

Dama em negro

Um banho de mar – Especial de Verão e Férias – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 22 Janeiro 2014

2014 – 01 – 22 JANEIRO – Um banho de mar – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Um banho de mar – Especial Férias e Verão

A

h que maravilha é um banho de praia! Esperamos tanto tempo, zurrando e pagando e sendo vampirizado pelo governo para agora estar aqui neste lindo litoral. Ao norte é praia e ao sul é praia. Todo esse marzão na minha frente e esse povaréu do cão entupido aí atrás brigando por um espaço na areia. Como? Duvidas de mim? Tem areia sim e muita, só precisa remover os trocentos guarda-sol, as esteiras, as cadeiras, os montes de cascas de abacaxi e coco (com e sem acento) e um meio metro abaixo tem areia de praia. Quem sabe até alguma tatuíra e um marisco sobreviventes! Praia vale tudo, isto é, quase tudo. Teve um cara que ao fincar um pau de guarda-sol arrancou o biquíni de uma baranga camuflada. Como camuflada? Seguinte, o biquíni é de cor de burro quando foge depois do banho no nescau que pintou toda a criatura, mais um bronzeador paraguaio e a areia do nordestão para terminar de empanar…

 

Mas como correspondente especial para zonas de guerra, sou bem pago pelo Pedrão e pelo Edinho, tenho que relatar tim-tim por tim-tim tudo que vejo, sinto e cheiro. E que cheiro brother! Agora mesmo escapei do atropelamento dum gordo imenso com o sovaco mais azedo que bacalhau de defunto. Cara, levei quase uma hora num 400 metros com barreiras de tudo que é tipo da rua até aqui onde estou molhando meus pés no nescau. Ops, falei nescau? Nada contra, é da vida e da morte, “tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu” – acho que é por aí uma música do Chico Buarque – e trabalho é trabalho. Mas esse mar é estranho, o marrom (redundância) nescau todo mundo conhece, ondas nescau tudo bem, mas que cheiro! E tinha uma placa lá fora dizendo “Própria para Banhos”. A gente acredita no governo, né mesmo?

 

Depois de cinco horas no congestionamento da estrada isso aqui é um paraíso. Meio poluído… Mas no paraíso original só tinha o Adão, a Eva, a minhoca anabolizada e o bicharedo e cada um na sua. Aqui é cada um na de todos. Intimidade zero. Tem um surfista aqui ao lado contando a “noite de amor” com um “salva-vidas temporário”. A dama dos cabelos mechados e biquíni oculto pelos babados mostra as unhas decoradas para o tiozão da cadeira beliche. Isso se ele conseguir ouvir, pois estacionou dois magros e cabeludos, tatuados e com piercing pra tudo que é lado e buraco com um som pela alça. Saca som pancadão? Pior.

 

O pessoal curte o marzão. Isso é terapêutico. Imagine o que vai dar de trabalho para os dermatologistas! Ops, tá saindo mais um atropelado por uma prancha de surfista e desmaiou novamente a garota engasgada com churro. Vou tentar um buraco mais adiante. No bom sentido e sem maldade. Aqui é solidariedade mesmo. Já recusei pipoca, melancia, pastel e torresmo com chimarrão. Me dói recusar um chimarrão, mas a boca do vozão parecia com aquela do zumbi do Resident Evil. Acho que só o doutor Emílio pra aguentar aquela boca mais que braba. Boca cavernosa como dizem na minha Viamão City.

 

Sei que vocês estão querendo saber se vou tomar banho aqui nesta zona neutra de tão perdida entre Magistério e Quintão, afinal sou pago para correr riscos e fazer rabiscos. É que tô tomando coragem antes de furar uma onda. Se conseguir chegar até a onda… Até comprei um calção novo no Salah pra esta aventura e não posso decepcionar. É como o cara que entra no Globo da Morte ou toma cerveja na jaula do leão, tem que tá preparado pra desgraça e “vamo que vamo”, como diz o Arigó da Faxina. Estou entregando meu bloco de assombrações, digo, anotações e a caneta para um colega de infortúnio e… Fui! (Nota do Editor: o repórter Fraguinha está internado na UTI do nauseocômio da municipalidade, há boas chances de sobreviver e retornar ao nosso jornal).

 

A jovem maquiada2

Uma viagem ao litoral – Especial de Verão e Férias – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 15 Janeiro 2014

 

2014 – 01 – 15 Janeiro – Uma viagem ao litoral – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Uma viagem ao litoral – Especial de Verão e Férias

E

stava um amigo sonhando em voz alta: – Verão, sol, praia, tangas e mais tangas, cerveja gelada…! – eis que outro interrompeu e arrematou irônico e de primeira, tipo centroavante matador: – E garotões malhados! – acredito que o malhado deve ser no aspecto musculoso e não na aparência de dálmata. Como há gosto e desgosto para tudo, segue o baile, digo, a crônica. Há quem prefira a decrepitude da idosa Cidreira às praias de muvuca como Quintão ou ao charme e à riqueza dos condomínios de Capão e Xangrilá. Há contentamentos realmente para todos. Mas para chegar ao destino turístico e tão ansiado há que vencer e sobreviver às estradas gaúchas.

Cr & Ag

Um gordinho de calça corsário e camiseta tricolor com a barriga teimando em fugir, suando à bicas, latinha de cerveja na mão e brabo como onça traída desacatou: – Agora que já mijaram, peidaram à vontade, podem embarcar. E tu aí velha (sogra) se vomitar de novo te deixo a pé na estrada. E sem cara feia, porque aqui quem paga tudo sou eu. – e embarcaram na viatura, um Monza Barcelona adesivado com som de acordar defunto. O frentista não sabia se ria ou chorava, mas diz ser “comum isso”. E convenhamos que gordinho tricolor de corsário com cerveja na mão e brabo tem que respeitar e deixar passar, pois ele vai ferrar alguém.

Cr & Ag

Se há coisas que ninguém pode queixar-se é da falta de bons restaurantes nesta ERS 040. O Barcelos e o Perdigão são muito bons e pode-se levar convidados que não se passa vergonha. Mas o pessoal abusa, tem criatura que encosta às 11,30 h e até às 15 h continua “mandando baixar mais um entrecot no capricho e outro pão com alho”. A tranqueira na estrada é irmã da indigestão e tem gente que no Capivari encosta a viatura no posto e manda passar “um jato d’água dentro – é que a sogra velha foi soltar um punzinho e desceu o barro. Um desarranjo mermão de juntar mosca varejeira…!” Tem viagem arrastando umas quatro horas dentro do veículo. E essas criaturas com os braços pendurados para fora, não é para sentir brisa do mar coisa nenhuma, é o fedor do interior sem ar condicionado.

Cr & Ag

E tem os motoqueiros kamikazes. Passam numa velocidade de deixar o Massa de boca aberta babando. “Deitam o cabelo” na gíria da raça. Muitas deitam o cabelo, as costelas, a barriga, as pernas e outros deitam tanto que não levantam mais. E levam junto de contrapeso a caronista de sapatinho plataforma, bermudas, óculos escuros e bolsinha à tiracolo. Talvez elas sirvam para testemunhar para São Pedro que o namoradito é um “cara legal, mas meio destrambelhado”.

Cr & Ag

Crônicas & Agudas entrevistou um surfista que saiu de “PoA meu” num Chevette e chegou no Pinhal de Kombi e sem a prancha. Com os olhos lacrimejantes e vermelhos de tanta fumaça que não era da poluição da estrada, contou seu drama. Depois de uma centena de “pô cara, sacou meu, bah e baaaah, pega leve meu” descobrimos que ele não tem nem ideia da sua prancha. E nem da “gatinha com a mochila”. Há informações que a viram entrar na cabine dupla de um coroa com jeitão de chefe. Outros juram que viram a criatura surfando no Lago da Tarumã com um vereador de caiaque. Aguardamos confirmações ou desmentidos. (Colaboração do repórter eventual e pré-candidato eleitoral o famoso Arigó do Centro)

Ballet

“O sol na meia-noite” – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 25 Dezembro 2013

 

2013 – 12 – 25 Dezembro 2013 – O sol na meia-noite – Edson Olimpio Silva de Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

“O sol na meia-noite” – um Natal em Viamão

“S

ei lá que ano de Deus ou do Diabo isso aconteceu, mas que aconteceu isso eu não tenho nenhuma dúvida, pois meu avô contava que o pai dele sabia pelo pai dele.” – assim aquele homem quase centenário balbuciava pela derradeira vez essa história aprisionada em sua alma. E continuou: “A revolução tinha acabado no papel falso que assinaram, mas continuava a matança de irmão contra irmão. O rio-grandense sempre foi um deserdado no Brasil e tratado como estrangeiro ou escória por muitos lá do centro do país. Esquecendo que os bandeirantes, portugueses e brasileiros de tudo que é rincão veio fazer família e trabalho aqui com negros e índios, mestiços e castelhanos. Na nossa veia corre o sangue de sobreviventes e de guerrilheiros. E foi um desses desgarrados que aportou por aqui. Seu nome real jamais se soube, mas atendia por Nego Bento e sempre abria um sorriso de coivara e um riso rouco pelo palheiro aceso entre dedos mutilados. Falava pouco e ria muito. Ria até demais, talvez a enorme cicatriz que deformou sua orelha esquerda explicasse algo. Arrastava a perna esquerda e por vezes puxava-a com a mão, pois parecia que ela queria ficar dormindo em algum banco ou num pelego encardido.

Perambulava aqui e ali. Não recusava uma caneca de café quente ou uma broa de polvilho. Ainda mais um prato com batata doce e feijão mexido. E… quase esqueci! Tinha o Cão. Isso mesmo, um cachorro que atendia por Cão. Podia assobiar ou chamar ou oferecer comida, olhava com os olhos tronchos e enfiava o focinho entre as patas. Era outro sem eira nem beira. Mas nunca se largavam. Onde estava um, podia saber que ali perto estava o outro. E antes do Nego Bento comer, o Cão comia. Algum serviço descarregando as carretas no armazém, costeando ovelhas nos Fragas ou lavando a Igreja. Ele tinha um amor e uma dedicação especial à Igreja e ficava horas a fio olhando para uma imagem de Nossa Senhora. Chegava a dormir e cair do banco. E o padre deixava o Cão entrar com ele. Era o único cachorro da cidade que entrava na Igreja desde que não fosse dia de festa, casamento ou missa.

E assim como Deus fez primeiro os bichos e depois as pessoas, a maldade sempre existiu e gente maligna fazia troça feia com o Nego Bento. Certa feita um tropeiro deu-lhe um baita palheiro que chegava ser loiro de tão bonito. Ele acendeu com gosto e na terceira ou quarta tragada não é que a coisa explodiu numa fumaceira preta. O infeliz botara pólvora no cigarro e quase cegou o homem. Ele só parou de rir e quando sentiu as presas do Cão enterrar no braço maldito. Puxou da adaga para sangrar o cão, mas foi calçado com dois canos apontados para seu peito e enxotado da vila com a criançada atirando pedras.

O inverno não tá só no tempo, tá no coração de muita gente também. Mas um frio temporão saiu da goela dos castelhanos e o minuano abriu o berro nas cumeeiras e nas esquinas. Uma garoa tisnada de cerração escondia o sol. Lembro que na enchente de 41(1941) dezembro azedou de vez e fez dias de inverno. Mas voltando ao sucedido. O pessoal puxou as lãs dos roupeiros e dos baús e forrou as camas e as tarimbas com os melhores pelegos. Uma tal de Rosa, beata por demais, presenteou com um casacão e roupas do finado marido para o Nego Bento. As botas não serviram. O pé era grande uma barbaridade. Os fogões roncavam e a lenha era picada com machado afiado e o cheiro de doce estava em tudo que era casa. As figueiras ficaram peladas. O Natal se avizinhava e se presenteava com compotas, chimias, goiabadas, beijus com amendoim ou até uma peça de tecido encarnado.

Nego Bento passava mais tempo na Igreja, ali no altar da Senhora da Conceição. Ria e cochilava. Por algum motivo começou a enjeitar a comida. – “Vem Nego Bento, a boia tá gostosa demais!” – ria e ficava sempre no mesmo lugar com o Cão de companhia. Preparavam a Igreja para a Missa de Natal. Seria o primeiro Natal dele aqui na terrinha. Não parecia doente. Nem tosse tinha mais e ali mesmo nunca fumava palheiro. Foi uns dois dias antes do dia que Jesus Cristo nasceu que aconteceu. O pessoal escutou um toque de música tarde da noite e o vento tinha sumido como por encanto. Uma noite estrelada e a lua era um clarão só. Parecia um sol na meia-noite. Acenderam os candeeiros e abriram as janelas. Todo mundo ouvia a música. Vinha da Igreja. O pessoal se foi pra lá e o padre abriu as portas. Por uma tábua solta no forro e alguma telha deslocada pela ventania entrava a luz da lua e iluminava o Nego Bento e o Cão. Sentado com a cabeça do Cão na sua perna. Os dedos enlaçados e o riso aberto para a santa. Parecia que a Nossa Senhora e o Menino riam para ele. Nem parecia morto. Pouco tempo viveu aqui, mas trouxe uma luz nunca vista. A gente geralmente lembra das maldades e esquece as benfeitorias. Vamos lembrar do Nego Bento! Sabe-se que o padre sepultou ele em algum lugar da Igreja. Claro que escondido do Bispo. Tô lhe contando pro amigo contar aos outros.” Contei!

Feliz Natal e maravilhoso 2014!

2013 - Natal 1

O saco do Noel e José – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 18 Dezembro 2013

 

 2013 – 12 – 18 Dezembro 2013 – O saco do Noel e José – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

O saco do Noel e José

L

embra-se daqueles discursos de políticos: “Em homenageando fulano de tal, sintam-se homenageados e blá, bla, blá!” Como não há como dar uma humilde lembrança, sequer um abraço em cada um amigos leitores, darei um presente ao Leitor Desconhecido e os demais sintam-se presenteados. Alegre-se. Ufane-se. Jingle bells! Não podemos perder o humor nem a cabeça, pois o próximo será um ano de arranca-rabos. Veja: eleições, copa do mundo, eleições, corrupção, mais impunidade, mensaleiros homenageados, eleições, matança no futebol, eleições… Fumaceira, principalmente no Uruguai com hordas fazendo turismo da droga liberada. E mesmo para os puristas e empedernidos de foice e martelo em punho, Noel que representa o capitalismo mais selvagem e adorado deverá trazer algum mimo. Um presentinho – um carguinho numa estatal, uma assessoria parlamentar ou um belo caixa patrocinado pelo mesmo BNDE que tornou Batista um santo nas finanças.

Cr & Ag

Não esperemos que Noel nos salve do voto mal votado. Nem que nos traga melhores estradas. Nem segurança pública e justiça fora do mundo virtual. Ou portos e aeroportos que funcionem. Escolas que ensinem e professores respeitados pelos alunos e por si próprios. Hospitais que tratem dos doentes e não dos bolsos dos administradores e atravessadores. De médicos que façam Medicina e de profissionais que executem seus ofícios com dignidade e respeito ao consumidor, cidadão, gente em geral ou gente como a gente. Também aos animais e que o ambiente seja inteiro e não de meios e metades cada vez mais dilapidados.

Cr & Ag

“O espírito natalino deve transcender o consumo desenfreado!” – dizia-me o Filósofo do Apocalipse. O bom humor adoça os dissabores da realidade, mas ajuda a amainar as dores da humanidade? Antes de presentear a quem ama, quem sabe dar algo para quem você não conhece. Não há saco vazio quando o coração tem amor. Um pouco de mim, pode ser o muito que falta em e para alguém. Um tempo de meditação e uma prece sempre iluminará um espírito ou um caminho. Do outro. E de nós. E de quem amamos e protegemos.

Cr & Ag

Amar e confiar. Confiar e amar. Talvez pouco se fale nele e a Bíblia não nos conta o que se sucedeu com ele. Quem? José. O homem que acolheu, amou, protegeu uma mulher que engravidou, mas não engravidou dele. Engravidou de Deus e assim como Maria, José foi escolhido. O melhor dos homens para ser o pai terreno, amigo, protetor. Deveria ser um homem de poucas palavras. Um homem confiável. Extremamente confiável. Sua missão está o maior presente que a humanidade poderia receber, no entanto passa despercebido para tantos. Talvez esculpisse animais e casinhas na madeira no seu ofício para agradar ao Menino. Ou presenteá-lo no seu aniversário – o nosso Natal. Simplicidade. Amor e confiança na mulher e na criança. Confiança no Espírito Santo que devia conversar consigo e um peito que abrigava um amor divinal.

Cr & Ag

Soube que a maior catedral do Canadá é dedicada a José. Ali se professa a fé e a confiança inabalável de um mundo com mais dignidade e amor em que cada um possa ser o protetor de muitos. Em que o homem deixe de ser o predador do homem e da natureza e os governos governem para as pessoas e não para seus acólitos, partidos ou a eterna permanência no poder. Orai e confiai. Orai, confiai e vigiai!

Uma sugestão para presentear?

Anote e faça: Médicos sem Fronteiras – www.msf.org.br

MSF 1

O Mundo Real – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 11 Dezembro 2013

 

2013 – 12 – 11 Dezembro 2013 – O Mundo Real – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

O Mundo Real

E

is que o poeta encantava a plateia com seus versos e os espíritos viajando pelo amor de sonhos e encantos sugeridos. As palmas eclodiam com ardor e logo ao final era cumprimentado em calorosos abraços. Mas chegando ao estacionamento encontrou seu carro com a porta amassada. Seu semblante transtornou-se. E um sonoro “fdp” saiu aos quatro ventos. Foi informado que uma senhora ao manobrar havia colidido com seu veículo e “fugido sem dar assistência à vítima”. Tão pouco tempo entre o sonho e a realidade, entre o amor e o ódio. Dos mesmos lábios que brotaram sentimentos tão belos agora saiam impropérios. “Há momentos e monumentos” – dizia o Filósofo do Apocalipse. Um momento de amor e outro de fúria a um monumento de ferocidade ou irresponsabilidade.

Cr & Ag

Uma médica useira e vezeira ao abrir as portas de seu carro no estacionamento de forma atabalhoada batia nos outros carros. Sempre uma pessoa atenciosa e educada, incapaz de pensarmos ser capaz disso. Mas fazia e repetia. Outro dia, ao abastecer num posto do município, encostou um carro com o som insano de um tantã eletrônico. TUUM… TUUM… TUUM… Um jovem que já seria de esperar tivesse abandonado certa idiotia juvenil saiu do veículo e deixou aguardando uma moça com olhar alienado de quem vive em alguma “nuvem passageira” de vapores bolivianos ou agora uruguaios. O frentista contrariado: “viadagem, nunca vai curtir a gatinha”.

Cr & Ag

E por lembrar, vai uma de vestibular da vida: – qual o país do planeta com maior número de agentes 007 com “licença para matar”? Quem respondeu Estados Unidos ou Rússia? Errou. Bolívia sim. A droga é base da economia de exportação com um governo oriundo da droga e que faz a desgraça de milhões de brasileiros e de outros seres humanos de todos os países, mas que a coragem do nosso governo nunca se manifesta como na chamada pirataria virtual. Muitas desgraças e infelicidades do brasileiro passam pelas drogas da Bolívia “amada e perdoada” pelos governantes nacionais. Alguns atribuem a culpa para “quem usa e não de quem produz”. Ou como a droga vai muito para os Estados Unidos, o resto seria “efeito colateral permitido”.

Cr & Ag

É nesse mundo de ar rarefeito e de criminalidade avassaladora que vinga uma secretária de estado que enfia os dedos no nariz e chora de “amor” aos criminosos e ataca a “sociedade injusta”. Jamais se soube que fizesse algo similar (ou genérico?) com as vítimas de seus queridos amigos assassinos, ladrões e estupradores. Nem que os direitos humanos das vítimas fossem uma fração dos direitos de qualquer animal. Assim como uma escória talvez humana vestida com as pompas e armaduras do jornalismo para jamais fazer a defesa das vítimas e, no entanto, escandalizar-se com as “injustiças sofridas pelos detentos” e “deserdados da sociedade e do capitalismo selvagem”.

Cr & Ag

Conta uma lenda urbana que conhecido religioso de longa folha corrida de defesa de bandidos “vítimas da sociedade predatória” e da “falta de oportunidades” foi sequestrado em sua cidade na Somália ou na Bósnia. Em poder dos criminosos foi submetido às sevícias e barbáries de toda ordem. Depois de resgatado pela polícia que tanto combatia, enfrentou cirurgias de reconstituição de seu ânus e outras regiões. Jamais retornou ao seu ímpeto protetor da criminalidade. “Quem tem, teme!” – reza o velho deitado, digo, velho ditado. Assim também vive e vegeta grande parte da sociedade torporosa pelo consumo tóxico de eleitos salafrários e governantes desta mesma casta, estirpe ou falange. É claro que isso é no Congo ou em algum país sem pais neste mundão poluído física e moralmente. É o mundo real e do real…

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