Heróis ocultos!

por Edson Olimpio Oliveira

Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão – 16 Março 2021.

Nota: a lista de recebimento pode ter tido exclusões ou inclusões na agenda. A coluna é semanal.  Se deseja incluir ou indicar novos associados, comunique.

.

É magnífica a corrente de orações que unem amigos distantes na geografia, mas próximos pelo coração. Ore individualmente. Ore em família. Agendem um horário para os familiares se unirem em orações.

Manter a Fé, a Humildade e a Esperança.

Cuide-se e cuide de quem Você ama!

 

“Uma vez mais vos asseguro que, se dois dentre vós concordarem na terra em qualquer assunto sobre o qual pedirem, isso lhes será feito por meu Pai que está nos céus. Porquanto, onde se reunirem dois ou três em meu Nome, ali Eu estarei no meio deles.” (Mateus 18,20)

 

 

clip_image005

 

Heróis ocultos!

Reconhecimento e Tributo

 

Nenhuma homenagem é suficiente. Toda a gratidão é justa e necessária para médicos e demais profissionais da saúde no front. Lembrando sempre do pessoal das ambulâncias, como o SAMU. Outros profissionais, entretanto, fazem da Medicina um dos mais belos sacerdócios. Estigmatizados e perseguidos, difamados e aviltados pelos próprios “colegas de profissão”.

O cerne, o coração e alma do Juramento de Hipócrates é ética plena e amor ao paciente. O mais intenso respeito e dedicação ao enfermo. Outros profissionais da saúde aliam-se nessas leis primordiais. Nessa devastadora pandemia, a maior desde a gripe espanhola, há ilustres médicos e suas entidades de classe que negam a possibilidade ao enfermo pela Covid-19 (peste chinesa) ao tratamento disponível, denominado de “precoce”. Por que? Nenhuma sustentação “baseada em evidências” é suficiente para algumas falanges inquisitórias.

Usar ou não – respeitar sempre!

 

Crônicas & Agudas

 

Exija-se da Índia (Medicina Ayurveda) e China (acupuntura, etc) com mais de 5 mil anos essas mesmas exigências. Exija-se também da Homeopatia, de valor inquestionável. Exigiram dos milhares de cubanos a comprovação de que eram realmente médicos a habilitação constitucional a exercer medicina no Brasil? Não!

Ansiamos que as vacinas mudem o curso da doença. Queremos vacinas sim! Mas elas são “experimentais” – desconhece-se a eficácia real, tempo de ação, cobertura, efeitos adversos a médio e longo prazo, vírus mutantes – jamais as desprezamos ou subestimamos.

Não faço tratamento precoce para meus pacientes. Respondo suas dúvidas e respeito sua vontade, escuto seus temores e sou solidário ao seu coração de mãe-pai, esposo/a – pessoa! Mostro opções e a escolha é dele ou seu responsável.

Usar ou não – respeitar sempre!

Tenho 50 anos de Medicina, boa parte deles em plantões cirúrgicos e até obstétricos. Aqui em Viamão, o Hospital de Caridade pertenceu às Irmãs Católicas. Várias vezes, pacientes e familiares solicitavam a presença de outros religiosos. Muitas Irmãs sentiam-se magoadas, porque eu os liberava para seus atos de fé dentro do rigor médico. Com o tempo, vendo a dedicação e competência com que cuidávamos de nossos pacientes e o carinho e respeito de todos, fomos ganhando o espaço que hoje é “normal” na Medicina.

O exercício da fé, da espiritualidade, da religião é indiscutível como fator de melhora e cura. A espiritualidade está nos congressos de Medicina. Há legiões que não aceitam e renegam.

Usar ou não – respeitar sempre!

 

Crônicas & Agudas

 

Se fosse somente placebo já seria importante para o paciente e sua família. “Deu sorte e ficou curado!” – beleza. Que outros possam tentar a mesma “sorte” ou “milagre”. Um colega médico ligou-me com filho enfermo pelo Covid-19. Queria conversar. Sabia de sua posição contrária ao que está na ânsia do povo. Constrangido pela situação e “o que vão pensar”. Há duas opções disse-lhe: tentar ou não tentar. Se deixar a situação evoluir assim, sentia o risco de vida.  Como conviver com a consciência? – “Eu devia ter tentado”.

Disse-lhe: use todos os recursos, todo arsenal terapêutico, chame colegas que tem outra visão de Medicina. Se precisar, chame o padre, o pastor ou a vovó que benze, faça tudo que a tua intuição indicar. Converse com Deus. Peça que Cristo, médico dos médicos, te ilumine e aos médicos e salve teu filho. O filho curou-se. Sorte? Milagre?

Não são casos isolados ou exceções. Negue o direito à vida dos outros que um dia a morte vai bater na tua porta. E quando acontecer, tu saberás. Isso é bíblico.

Vejo colegas especiais com longa experiência médica com ética, amor ao paciente virando dias e noites, atendendo ao limite e esgotamento de si e até familiares. Há quem já adoeceu duas vezes da peste e jamais parou de ser médico. Respeito ao médico que não faz esses tratamentos e entende diferente, mas é de respeitar quem ofende e persegue outros médicos que nada mais fazem do que tentarem ser os melhores médicos que suas capacidades permitirem?

E os pacientes? Respeitar sempre!

 

2021.03.16 Março

Heróis ocultos – Reconhecimento e Tributo

Edson Olimpio Oliveira

Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

http://www.edsonolimpio.com.br

 

 

Agradeço sempre por me acompanhar em Crônicas & Agudas no Jornal Opinião de Viamão e em meio virtual.

Para sair da lista ou sugerir novos membro: WhatsApp para 51 986.060.748.

clip_image007

 

 

O Diabo está na encruzilhada. E Deus? Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 09 Março 2021.

 

Amigas e Amigos

Companheiros/as de Jornada!

Nas sombras da Dor e de tantas Incertezas (encruzilhadas),

tenha uma Certeza: a Oração é Luz e Esperança!

Reze, ore! ELE está contigo!

Quando em coletividade, faça como nos cultos

de todas as religiões, uma fase em sincronia absoluta com outras pessoas.

Noutra fase, você solito e Deus, como entender melhor, a sua maneira e Fé.

É uma sugestão, baseada como a humanidade tem feito desde

os tempos iniciais.

Faça o seu melhor pelos seus amigos. E pela sua Pátria.

Cuide-se. Cuide de quem Você ama.

Lutar sempre. Desistir jamais.

09 Março 2021

 

O Diabo está na encruzilhada. E Deus?

 

clip_image002clip_image003

O Diabo está na encruzilhada!

E Deus?

 

Nós, você e eu, não estamos aqui, necessariamente, para penar, sofrer, esfolar o carma ou, enfim, sofrer. Estamos, você e eu e todos na nossa jornada de vida, para aprender, entender, evoluir e iluminar-se. O sofrimento passa pela nossa imensa dificuldade em evoluir como ser humano e humanidade. Nossos defeitos perfuram a roda do tempo.

A ingratidão, por exemplo, é um deles. Cristo seria crucificado se as pessoas que estavam no Sermão da Montanha e os milhares que ele curou e o acompanhavam tivessem a atitude de impedir o supremo sofrimento? A história de inúmeras crenças e religiões revelam ou indicam que “o Diabo (em todas as acepções) está nas encruzilhadas”.

Pode trocar Diabo por entes malignos ou o poder das trevas e do mal. E muitos pactos persistem sendo realizados nas encruzilhadas de estradas e caminhos em todas as geografias do planeta.

 

Crônicas & Agudas

 

A encruzilhada física de estrada, rua ou caminho está marcada com o local de decisão. Qual o caminho tomar? Por essa estrada ou por aquela outra? Quantos atalhos levam a desfechos sinistros. A todo o momento estamos em alguma encruzilhada de nossa vida. Simples? Complicada? Por que estamos continuamente nessas encruzilhadas e temos que decidir?

Será aqui a resposta da pergunta inserida no título – E Deus? Onde está Deus? Deus está no amor pleno, na Luz que te possibilita o livre arbítrio. Livre arbítrio! Parece pouco, mas é tudo. Somos livres para decidir qual o caminho da encruzilhada queremos seguir. Assim está na Bíblia Sagrada com Eva e Adão. Livre arbítrio será Luz, Vida plena e Amor ou será o caminho da perdição? A decisão é somente nossa. Sempre!

 

Crônicas & Agudas

 

A humanidade de Cristo fê-Lo balbuciar no absoluto sofrimento, com a vida se esvaindo de seu corpo dilacerado: “Pai, por que me abandonaste!” Logo seus olhos rubros e túrgidos contemplaram Aquele que nunca abandona. Nem ao mais desgraçado. Este terá encruzilhadas e poderá escolher, se quiser, o melhor caminho. Ele está em todos os locais.

Sinta que quando nossos amigos e familiares distanciam-se de nosso toque, são isolados em UTIs, colocados em morgues, sepultados sem o pranto presencial de quem lhe ama, nunca estará realmente solitário. A energia que emana de nosso amor estará com ele. Os amigos e parentes estarão esperando-o e tratarão suas feridas na luz do seu merecimento. Outros, muitos outros, entretanto, receberão outra recepção no peso de suas decisões e das encruzilhadas da vida e da morte.

Sim, creio que em outro plano existencial continuaremos com o livre arbítrio. Sempre!

 

Crônicas & Agudas

 

“Não está na hora de ´partir!” – sempre pensamos. Mesmo com o aeroporto lotado. Imensas filas de embarque dentro e fora. Decolagens e prantos de despedida. “Não tá na hora!” A hora da chamada virá para todos.

A nossa querida Mãe Preta, dona Zulmira Andrade, 93 anos de amor e dedicação aos outros. Aqui citada e amada, partiu. Nos últimos tempos, teve importante melhora física e cognitiva. Ajudando suas companheiras de lar. Querida por todos, em todos os lugares. Acordou certa manhã: “Sonhei que está na minha hora. O Mestre estava ao lado da minha cama”. Um par de dias após, depois de levantar para urinar, deitou-se e dormiu. Dormiu o sono dos justos e iluminados. Às 6 horas, a enfermagem constatou seu óbito.

Estive em seu colo, também amigo e médico. Estará sempre como um anjo cuidando sua legião de filhos de amor. A soma de suas encruzilhadas levou-a à Luz. Ela que tanta Luz nos trouxe!

“E Deus?” – conosco sempre. Lembramos Dele na dor. Esquecemos Dele na alegria.

 

Você pode não acreditar Nele ou aceitá-Lo, mas estará contigo nas tuas encruzilhadas. Nossas vidas!

 

Ontem, Dia da Mulher e da partida de minha mãe Dora. Se existia alguma mácula à toda Eva (mulher), por Maria, Mãe de Jesus Cristo, são abençoadas eternamente. Nossa Admiração, Respeito e Gratidão às Mulheres!

 

  2021 – 03 – 09 Março

O Diabo está na encruzilhada. E Deus?

Edson Olimpio Oliveira

Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

http://www.edsonolimpio.com.br

 

Se você quiser indicar para receber Crônicas & Agudas,

Ou se quiser sair da listagem,

Envie WhatsApp: 51 997 076 297

Obrigado pela Companhia e incentivo.

O hábito do Cachimbo e a Boca Torta! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 02 Março 2021.

 

Bom dia, espero que Você esteja com Saúde e

suportando a situação econômica.

Obrigado por me receber e Crônicas & Agudas

 – O hábito do Cachimbo e a Boca Torta!

Busque tratamento aos primeiros sintomas.

Uma legião crescente de médicos buscam

o arsenal terapêutico disponível e não se

conformam que a Saúde seja vencida pelo vírus,

política, ideologia ou pelo conformismo.

.

Cuide-se!

Cuide da sua família!

Oremos juntos!

Que a Luz Divina seja a sua intuição!

clip_image001

O hábito do Cachimbo e a Boca Torta!

 

clip_image003clip_image004

O hábito do Cachimbo e a Boca Torta!

 

 

Cachimbo! A que você associa o cachimbo? Você vai desenrolar uma lista enorme de pessoas e usos que representam a utilização do cachimbo desde a esportiva, passando pelos tratados de paz (cachimbo da paz), também pelo inferno das drogas, chegando aos ritos religiosos. Inteligência e sagacidade – Sherlock Holmes. Força – Popeye. Erudição – Sartre. Religiosidade – tribos ameríndias e africanas. Estratégia e poder militar – General MacArthur. Confeccionado com os mais diversos materiais, dos mais simples aos mais valiosos.

 

O século XX alçou o charuto ao ápice – de Churchill ao Fidel, do poder à mística. Estudantes de Medicina, ansiosos por novos saberes e varar horizontes do milenar ofício, recebiam dos mestres a pérola: “Veja se está cachimbando!”. Os doentes acordados ou comatosos, cercados da angústia dos familiares, que respirassem pela boca com desvio de seu eixo ou comissura labial, de “boca torta”, teriam um “derrame” ou AVC – Acidente Vascular Cerebral. E com os olhos esbugalhados examinavam todas as bocas, enquanto subliminarmente torciam seus lábios – “cachimbando”!

 

Crônicas & Agudas

 

Além do diagnóstico diferencial de episódio pitiático/conversivo (nervos), revela-se uma paralisia facial. A origem está na face dos fumantes crônicos de cachimbos. O cachimbo, com seu peso maior que o cigarro, está destinado a um dos cantos da boca e ali permanece longas horas. Bach usava e até compôs sobre seu “amigo”. Escritores usam-no para “melhorar” sua caminhada nas letras, como JRR Tolkien.

 

Até o nosso Saci se apresenta com seu cachimbinho típico. Esse uso prolongado, lentamente deforma a boca do usuário. Entortando-a. Toda satisfação tem um custo, por vezes, bem elevado – da boca aos pulmões e demais órgãos do corpo.

 

Crônicas & Agudas

 

Daí vem a expressão da sabedoria popular: “O hábito do cachimbo deixa a boca torta”. Que varre em seus sentidos mais amplos a analogia, metáforas e alegorias, sempre ilustrando e animando as criaturas a observarem seu entorno. Há situações em que essa utilização abrange um “espírito de corpo”, como os criminosos que são “aposentados” com seus plenos “direitos”.

 

Há quem saia da toga e vá para a touca com a vida frouxa e flutuando nas mordomias pagas por que trabalha com honestidade, privando a si e sua família. A fumaça fedorenta, que nada tem de um blend Virgínia, revela a podridão de pessoas e instituições deformadas – ‘a derrama’, lembre.

 

Crônicas & Agudas

 

Você sabe e tem a certeza de que há “brasileiros mais brasileiros que outros”. Há “eles e nós” – parodiando a criminalidade. O “hábito do cachimbo” faz o pessoal “fura-fila da vacina” sentir que é seu direito e obrigação dos outros lhe privilegiar. Afinal, você e eu temos que saber que sua prole e ele são melhores do que nós (ironia!). E muito mais importantes para o universo.

 

Os profissionais do Samu (do SAMU!) tem a mesma necessidade de serem vacinados que… O jovem sadio de 25 anos que está num desses nichos ideológicos? Estranho? Não. É o hábito do cachimbo. Somente um país “doente” elege tantos “doentes” de bocas tortas.

 

Crônicas & Agudas

 

Os primeiros dentes nascem por volta do 6º mês de vida. Em tese, já pode largar a teta da mãe. Há quem idolatre a teta eterna. Mamar e sugar! Sugar babando na boca torta, mas sugando tudo que puder, como sanguessugas ou vampiros.

 

Tecem reais e falsos elogios e odes aos guerreiros do front da pandemia, mas continuam com mordomias e salário integral pago pelo vampirizado contribuinte, curtindo ou num “festerê” sem fim, não auditado, mas anunciado.

 

Trabalhar? Somente com “bandeira branca, meu amor” – apenas parecida com a letra da música de Dalva de Oliveira.

 

A pandemia talvez mude a nossa percepção de votar e coragem de enfrentar.

 

 

2021 – 03 – 02 Março

O hábito do Cachimbo e a Boca Torta

Eds Olimpio

Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

http://www.edsonolimpio.com.br

 

Inclusão de novos Amigos ou saída da lista de Crônicas & Agudas:

Passe um WhatsApp para 51 997 076 297.

clip_image006

 

clip_image007 

Cavalo de Mostardas! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 23 Fevereiro 21.

 

2021.02.23

 

clip_image001clip_image003Cavalo de Mostardas!

 

Cavalo de Mostardas!

 

Mostardas é um município do Rio Grande do Sul, jovem pela emancipação, entretanto nasceu antes de meados do século XVIII. Inicialmente colonizado por militares e açorianos (como Porto Alegre). Situa-se numa península com o Oceano Atlântico ao nascer do sol e a Lagoa dos Patos no poente. Essa estreita faixa de terra arenosa, com banhados é assolada por fortes ventos, como o tão famoso Nordestão – clima hostil. Com uma população amiga de cerca de 15 mil pessoas. Tradicional produtor de bovinos e ovelhas, com o arroz e a cebola.

 

Nas suas barbas está a espetacular Lagoa do Peixe com as milhares aves migratórias se reabastecendo para outro tiro em suas longas viagens pelo planeta. O povo mostardeiro representa a luta e o contínuo enfrentamento do homem contra as adversidades da natureza. Perseverança, coragem e resiliência. O artesanato com a lã das ovelhas fez história nos leitos de nascimento e vida (cobertor mostardeiro), como nos cavalos e no vestuário. Essas são pinceladas de abertura de uma região que admiro e guardo belas recordações, assim rumam ao título da crônica.

 

Crônicas & Agudas

 

Poderosos fazendeiros de Mostardas e de Viamão exercitavam suas amizades e poder. Conta-se que o velho Serapião Goulart enviou mensageiro para o mais rico mostardeiro com a seguinte mensagem: “Vendi uma tropa de boi brasino pro Norte, daí bota preço nas tuas terras que eu mando o dinheiro”. A resposta vinha em galope suado: “Pois vendi ainda essa semana uma leva de ovelhas meio desdentadas e quero comprar tuas fazendas”.

 

Os Campos do Viamão e os Caminhos do Viamão levavam tropas de cavalos e bovinos nessas rotas que subiam a serra em direção à Lages, Santa Catarina; depois de Lapa, Paraná, para os mercados de Sorocaba, São Paulo. E daí para Minas Gerais e o resto do Brasil. A cidade de Rio Grande, antigamente era um presídio e forte militar (Jesus, Maria e José) que foi abandonado pelo “governador” ante a iminência da tomada pelo castelhanos, ainda assim há que a trate de primeira capital do Estado.

 

Crônicas & Agudas

 

Com um caldinho fétido descendo perna abaixo esses “ilustres e corajosos” fugiram pela lagoa e pela península, escondendo-se nas dunas e enxotando ratão tuco-tuco. Ao chegarem em Mostardas, ganharam cavalos acostumados às piores adversidades. “Quanto custa o cavalo?” – alguém perguntava. “Quanto vale o teu couro?” – outro respondia. “Façam o seguinte quando chegarem a Viamão – soltem os cavalos que eles voltam para cá em Mostardas”. Lenda rural ou realidade.

 

Realidade: Viamão foi a primeira capital política e moral, reunindo nosso povo contra a invasão castelhana. Os tempos mudam. As pessoas mudam. Até os cavalos mudam. Mas os cavalos voltavam. Inclusive aqueles para o norte, algum tropeiro se distraía e o cavalo fugitivo retornava para seu torrão mostardeiro. Aqueles que não podiam retornar para Mostardas, pastavam com a cabeça sempre virada para seu berço, em qualquer intempérie ou em qualquer campo.

 

Crônicas & Agudas

 

Essa sabedoria era apregoada na minha casa. O gaúcho é sempre saudoso do pampa. Outra constatação: a criatura nasceu aqui no Rio Grande espoliado do Sul, vai para outro Estado ou país e… Vira gaúcho até de bombacha e cuia na mão, se reúne num CTG e dança vanerão e bugio até em baile da carnaval. Churrasco então! Começa a puxar pelo sotaque e aprimora o semblante. O vocabulário fica gaudério uma barbaridade.

 

Alguns cantam Teixeirinha e Baitaca e desencantam uma gaita modelo Borghetinho. Olhem aí os “cavalos de mostardas”, no melhor, amplo e sensacional sentido.

Até me sinto “cavalo de mostardas” quando viajo – na ida, tempo para tudo. Na volta – louco de vontade chegar em casa e dormir na minha cama e olhar minha terra.

 

E tu vivente?

 

2021 – 02 – 23 Fevereiro

Cavalo de Mostardas

Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

http://www.edsonolimpio.com.br

 

Mostardas – a Península Selvagem!

.        .     Um vídeo ilustrativo da Região.

 

https://www.youtube.com/watch?v=DI7WZAnr3nI

 

Dr. EMÍLIO AYUB ALLEM!

 

Dr. EMÍLIO AYUB ALLEM

.. ** Cirurgião-Dentista.

.. ** Viamonense.

.. ** Homem e Profissional de incontáveis Amigos.

.. ** Decano da Odontologia em Viamão.

.* Com tristeza recebemos a notícia de seu falecimento. Um guerreiro no seu ofício, nas tristeza da jornada de vida e contra enfermidades. Motivou vários viamonenses a serem Cirurgiões-Dentistas. Homem de cultura singular. Suas qualidades como pessoa e Cirurgião-Dentista estão no coração de todos que com ele privaram.

.* Está clinicando na Luz de Deus. Não sei se Anjos tem dor de dente… Se tiverem, estarão consultando com o Dr. Emílio, com sua mãe, Dona Estrelinha, de secretária e o pai Seu Calisto recebendo todos com um abraço.

.* Nossa Honra e nosso Privilégio ser paciente, amigo e colega do Dr. Emílio.

.* Nossos sentimentos e orações também aos seus familiares.

.                 Cledi e Edson Olimpio Oliveira

.                    Cirurgiã-Dentista e Médico

Vaccinus! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 09 Fevereiro 2021.

 

clip_image002

“Vaccinus”

 

Vai uma pincelada de história? Lá no século XVIII o médico inglês Edward Jenner observou entre as pessoas (mulheres, principalmente)  trabalhando na ordenha de vacas, contraiam uma espécie de varíola bovina (cow-pox) e assim ficavam imunes à terrível varíola humana (small-pox). Desenvolveu seus estudos, pesquisas, observações e experimentações.

 

Um aparte histórico: a varíola dizimava milhares de europeus anualmente – mais de 400.000 óbitos anualmente. O rei Luiz XV da França morreu de varíola, vendo sua carne apodrecer e o odor impregnar seu palácio. Voltaire escreveu: “A metade morre disso, a outra está desfigurada”. Sobreviventes deformados – “bexiguentos” no Brasil.

 

Há historiadores que veem a queda do Império Romano após a Peste Antonina, sendo pela varíola e seus milhões de defuntos. Cortés dominou e formou a América espanhola com a ajuda da varíola, pois em menos de um século o Império Asteca com mais de 25 milhões de pessoas, bateu na casa de 1.500.000 sobreviventes. Acredita-se que 25% da humanidade, desde seu surgimento, possa ter morrido de varíola.

 

Crônicas & Agudas

 

Jenner observava os braços pustulosos das ordenhadeiras. Também seus corpos. “Se quiser uma mulher que nunca tenha cicatrizes no rosto, case-se com uma leiteira”, velho ditado inglês. Atendia leiteiras enfermas com tuberculose, cuspindo “pedaços de pulmão”, sífilis e uma infinidade de outras moléstias, mas nenhuma morria da varíola.

 

Homem arrojado esse Jenner, um dos primeiros balonistas na Inglaterra. Foi numa dessas aventuras de balão que conheceu a bela Catherine. E casou-se e tiveram filhos! Encurtando (mas que dá vontade de contar mais, isso dá!) – dia 1º de julho de 1794 com o consentimento da Sra. Phipps, seu filho James, 8 anos, foi o primeiro paciente a ser experimentado por Jenner. Sua pesquisa foi rejeitada pela Royal Society. Perseguido, aliviou quando o rei derramou dinheiro nas pesquisas.

 

No entanto, recebeu um impulso indireto do outro lado do Canal da Mancha, em 1804 Napoleão ordenou a vacinação de suas tropas, pois temia mais a varíola do que outros exércitos.

 

O mundo já fazia algo chamado “variolização”, logo proibido, Jenner criou a vacinação.

 

Crônicas & Agudas

 

Vacina vem do latim “vaccinus” – algo que vem das vacas. Jenner desconhecia a trama dos vírus. Afora os arsenais militares para a guerra bacteriológica, a varíola é considerada “extinta” desde o final do século XX.

Observem, curiosamente, que se busca o “efeito manada” da imunização, seja pelo contato/contágio com a enfermidade, seja pelo controle vacinal. “Manada” está nessa vertente de “boiada”, lá das vacas leiteiras e das ordenhadeiras do arguto Jenner.

 

Claro que o pessoal não vai nos chamar de “boiada”, por todas os qualificativos – vários pejorativos. Entrementes, observem como esse espírito de “manada” está impregnado na humanidade. Para o bem e para o mal. E não somente nas enfermidades!

 

A “manada”, como a varíola,  é indiferente ao status econômico, ideológico ou cultural. “Quem tem, teme!” – diz a sabedoria popular, como “quem mama, não quer largar a teta”. Quem mais conhece, mais teme! Nem sempre.

 

Crônicas & Agudas

 

A imprensa noticiou que sábado, dia 6, milhares de médicos se acumulavam e disputavam lugares nas filas de vacinação em Porto Alegre, a “maioria sem o requerido agendamento prévio”. Isso ocorrerá nas unidades de vacinação, talvez com incidentes.

 

O “fura fila” está ativo e infeccioso em todos os lugares, noticia-se. Se há “uma luz no final do túnel” há que haver disciplina, respeito e fraternidade para caminhar pelo túnel, ao seu tempo, sem pisotear ou levar os demais ao precipício.

 

Uma “manada” elegeu e elege políticos incompetentes e corruptos; suporta safados administradores do Brasil que jogaram a saúde nacional no esgoto do superfaturamento, dos desvios das verbas públicas para fins anômalos devorados pelo vírus da corrupção, como nesse último terço de século – 30 anos.

 

Essa “vacina” é da nossa competência sem “choro e nem velas”. Precisamos dessa “vacina”, dessa “imunidade” ampla que nos proteja da virulência humana, igual ou pior às maiores “pestes” – epidemias ou pandemias.

 

 

 

 

 

2021 – 02 – 09 Fevereiro

Vaccinus

Eds Olimpio

Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

http://www.edsonolimpio.com.br

 

 

 

 

 

A Negra dos Sonhos! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 02 Fevereiro 2021.

 

clip_image002

 

A Negra dos Sonhos!

 

A honra, o respeito, o trabalho digno, o orgulho de ser quem é e ser importante para a vida até de desconhecidos. Nesses tempos sombrios de peste por vírus e por criaturas desnutridas de dignidade, há que recordar e enaltecer tantas pessoas com vidas exemplares.

Sou o escritor viamonense que mais escreveu sobre brasileiros negros. Orgulho das origens da maioria de nosso povo, maioria de nós! Relembramos fragmentos luminosos das vivências com o querido “Negão do Picolé” entre tantas. Ao contrário do jornalismo cínico que mostra negros para sexo ou rodas de música improdutivas num mundo que avança e premia o mérito digno das conquistas suadas em bancos de escola ou no árduo trabalho do dia a dia.

 

“Olha o sonho! Olha o pão quentinho”!

 

Do meio ao final da tarde, aquela carroça despontava na Rua 2 da centenária praia da Cidreira, no litoral gaúcho de areia no rosto e vento Nordestão. A batida do cabo do relho contra as paredes de madeira da carroça e o grito que atiçava e cativava a todos – “Olha o sonho! Olha o pão quentinho!”. “Olha o sonho da Nega!”. Lá se vão quase 50 anos de praia!

As mães já a aguardavam com cestinhas e pratos para comprar um sonho bonito na aparência como outros, mas especial na energia vital do amor do seu nascimento ao degustar. O cavalo velho tinha piloto automático. Explico: estacionava próximo das casas, enquanto buscava alguma grama.

A Negra dos Sonhos descobria o pano alvo, extremamente branco e com um sútil perfume de anil dos tecidos quarados com aptidão em gramados. Vezes, sua filha ou filho ficava na carroça com as rédeas soltas do cavalo, enquanto ela levava seu balaio de casa em casa. “Tá bom o meu sonho, vizinha?”, perguntava. “A senhora prefere com mais canela e açúcar ou assim tá bom?”, entre sorrisos e cortesia ímpar.

 

“E as crianças?”

 

Esses fazem a orquestra. São os membros principais dessa sinfonia. A piazada (crianças) saltitando em torno da carroça: “Cuidado com o cavalo Duda”! – gritava a mãe ansiosa. No entanto, o cavalo (seria égua?) era bem mais cuidadoso que as crianças em ebulição. Seus olhinhos saltavam das órbitas suadas e via-se no colarinho do pescoço suado o engolir de goles de saliva. Um filme em suas cabecinhas, sentindo aquela massa divina enrolar-se na língua, rolar na boca, lamber os lábios depois do cheirinho de huuum. “Posso comer mais um mãe? – claro que podia. Sempre podia. Uma alegria para a mãe e para a Negra dos Sonhos.

Muitas mães sabiam que os esposos estariam esperando o “sonho da Negra” para o café da tarde, após a tradicional soneca praiana pós-almoço. Muitas vezes se adiantava à mãe e chamava a criança: “Vem aqui lindinha e pegue esse sonho gostoso que eu fiz para ti e leva outro pro maninho”! De início, comemos com os olhos, os olhinhos saltavam e a boquinha salivava. Sentar com os amiguinhos em silêncio quebrado pelos suspiros e “tá muito bom isso”.

 

As Lembranças e as Certezas!

 

A lembrança é pessoal e coletiva. As recordações flutuam e até divergem na mesma situação. A nossa saudosa secretária Nara Regina e o Gilcério são os pais da Gislaine, uma bela moça, querida por todos seus alunos e amigos. A Gislaine recordou para mim a sua infância na praia com a sua “Negra dos Sonhos”. Seria a mesma?

Na crônica do Negão do Picolé, recebi várias mensagens recordando e revivendo essas criaturas iluminadas pelo amor e dignificadas pelo trabalho e que conviveram conosco. Há quem não se aperceba, mas é da vida. Gratidão! Outras certezas – Respeito e Amor!

 

 

 

Uma oração para eles e para nossa “mãe preta” – Dona Zulmira Andrade. Quase um século, 100 anos de amor às crianças e várias gerações de viamonenses. Sobrevivendo à pandemia e ajudando aos colegas da casa de idosos. Creio que existem anjos sem asas, com a centelha divina em seus corações e a missão de nos privilegiar com as suas existências.

 

clip_image0032021  – 02 – 02

A Negra dos Sonhos

Eds Olimpio

Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

http://www.edsonolimpio.com.br

 

clip_image004
clip_image005

 

 

clip_image007

Gravidez e Cozinhar o Ganso! Eds Olimpio. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 26 de Janeiro 2021.

 

clip_image001clip_image003

clip_image008

 

Gravidez e cozinhar o ganso!

 

Não se assuste se disser que homem engravida. Sem nenhuma mutação ou coisa de alienígena. Vamos devagar. Não engravida como a mulher, com quarenta semanas de heroísmo e resiliência única das mães. Há uma forma similar de gravidez que nos acomete em qualquer sexo. “Doutor está misterioso”, pensou.

O escritor “engravida” por um tema, uma crônica, um conto, uma poesia ou um doce romance, até com adoçante artificial. Seria uma metáfora? Aquela ideia relampeja em nossa cabeça, talvez agite o coração e montamos mentalmente, logo no papel ou no computador a sua estrutura. Preferencialmente com início, meio e fim.

Observe as fases da vida da pessoa, como a menopausa. Para muitas mulheres são batalhas constantes, guerrilhas contra adversários que sufocam em “calorões” ou torrentes de suor. Há as labaredas de alguma fornalha e jogam-se nas águas do chuveiro gelado ou despidas com ventiladores e ar condicionado em temperatura polar. Irritabilidade – “Sou outra pessoa, doutor. Não me reconheço mais”!

 

Crônicas & Agudas

 

Nós, homens, por melhor da boa vontade, jamais saberemos a realidade de uma gravidez ou de uma menopausa. Jogue-se para o extremo inicial – a menarca ou a primeira menstruação. Santo Deus! Alegria de se tornar uma mulher e ansiedades mil. Dessas fases, como da menopausa nascerá uma nova mulher. Mais bela. Mais completa. Mais ciente da sua força e da sua luz. Com mais amor e menos paixão. Mais serena e sempre companheira. Uma amiga com mais sabedoria e um currículo de lutas e vitórias, suplantando as quedas.

Na vida do homem há menos atribulações físicas desse formato e cardápio, suas batalhas são diferentes. Difíceis para ambos conforme suas capacidades e entendimentos e dos apoios que recebem.

Crônicas & Agudas

As habilidades de cozinhar foram mais femininas. O cozinheiro com largas habilidades é algo mais recente. Cozinhar – aí está o mérito da paciência. Do fazer cada coisa ao seu tempo. “Deus fez o mundo em seis dias e descansou no sétimo”! A comida além de ser gerada com amor e muito carinho observa tempos diferentes para cada tipo de alimento. Pratos diferentes. Pratos ao gosto dos filhos, do esposo e até da sogra. Olho de sogra e olho na sogra.

“Cozinhar o ganso” é a arte de fazer todo um preparo, desde deixar em cativeiro alguns dias antes do abate (limpeza), desfolhar a margarida, digo, depenar e outros eteceteras até à panela. E… Tempo! Quantas vezes, esse ganso velho, carne dura, horas a fio e a fogo e a arte de Jó – paciência! Tantas situações da vida temos que “cozinhar o ganso”, entende?

 

Crônicas & Agudas

 

É o exercício continuado da arte e técnicas da paciência. Foco e objetivos. Engravidar e partejar, de projetos a pessoas – metáforas e realidades. Tendemos atropelar o tempo. Tememos o tempo – “se não der tempo”.

O futuro a Deus pertence. Fazer o agora ser um presente para nós e na sequência para quem amamos ou, simplesmente, nos acompanham nessa jornada. Fácil? Não.

Acredite que você é capaz. Sem medo de engravidar de seus sonhos e fazer um mundo melhor. Ser resiliente e melhorar cada tarefa, não como sendo a derradeira, a última, mas a melhor que você possa ser e fazer no seu tempo.

Pense comigo!

clip_image009 

Compartilhando com Vocês!

Atravessamos mais uma fronteira na vida profissional.

Sou Médico Cirurgião Jubilado pela Sociedade de Cirurgia Geral do RGS – SOCIERGS.

Sou Especialista em Cirurgia Geral Jubilado pelo Conselho Regional de Medicina – CREMERS.

 

2021 – 01 – 26 Janeiro

Gravidez e Cozinhar o ganso

Eds Olimpio

Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

http://www.edsonolimpio.com.br

 

clip_image011

 

clip_image013

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

clip_image015

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

clip_image017

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

clip_image019

 

Acima Vocês observaram alguns logos

criados para Turmas de Medicina

e de Odontologia.

 

Abraços e Gratidão pelo Carinho e Respeito

que me recebem!

 

Deus abençoe e proteja todos Vocês e

seus Familiares, Pacientes e Amigos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Conselho de Floki! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 19 Janeiro 2021.

 

clip_image002

“Conselho: retire as pedras da sua bota!”

Floki – o construtor de barcos

 

Nas cenas finais do último episódio de Vikings, na NetFlix, Ubbe e Floki estão sentados ao entardecer numa praia solitária como o sol preparando-se para mergulhar no oceano. Estão na América, algo que historicamente aconteceu. Uma casualidade ou o capricho dos deuses colocou-os juntos novamente. O melhor amigo e contemporâneo de seu pai Ragnar que lhe diz estar a pouco tempo de sua morte para a aspirada Valhala. Ubbe pede-lhe um conselho. Como um filho, anseia que o pai lhe abra uma porta, ilumine seu caminho ou, pelo menos, lhe estenda algum mapa, oriente-o entre sofrimentos. A série é formidável. O jovem viking recebe do ancião a mensagem para a sua vida e daqueles que dele dependem: “Retire as pedras do seu sapato (ou bota)!

 

Crônicas & Agudas

 

Há sentimentos, mensagens, orientações que transcendem e estão escondidas nas frestas de algum escaninho ou de alguma caverna com a idade dos tempos. Nossa existência é uma jornada, uma caminhada com futuro incerto e passado irremovível.

 

O presente, o aqui e o agora, é da nossa responsabilidade, da nossa competência, das nossas aptidões, da nossa evolução pessoal e espiritual e, talvez, do imponderável de almeida – sorte ou azar!

 

A fé cria seus deuses ou navega n’alguma idolatria. Nenhuma caminhada, seja no sentido mais restrito ou literal do ensinamento de Floki, se dará (com muitas dores) com as pedras dentro da bota. Elas estarão lá em algum momento, ou no tempo certo para nos desafiar e estimular, certamente.

 

Crônicas & Agudas

 

O conselho não revela ou induz como evitar que as pedras entrem nas botas, mas é firme – “retire-as…” Quais são as tuas pedras? Pensemos juntos.

 

O leito, a cama é local de dormir, amar e curar-se. Também nascer e morrer. Jamais leve “as pedras” ou as ‘botas sujas’ para sua cama. Procure o sono em belas imagens e sonhos de realização.

 

Há uma técnica que ensina colocar uma folha em branco com uma caneta ao lado da cama e ao acordar-se, nos primeiro minutos, escrever as sete principais “pedras”. Repete-se o exercício por mais de uma semana. Então reúna as folhas e observe as “pedras” que se repetem e sua hierarquia. Há outros modelos do mesmo exercício. Para muitos, a identificação é o primeiro passo para enxergar e retirar “as pedras da bota”.

 

Crônicas & Agudas

Há quem, além de não retirar as pedras do seu calçado, insiste em furungar nas botas de outrem. Observe que nas viagens de avião há um protocolo sobre  colocação das máscaras de oxigênio que cairão sobre os passageiros em situação de gravidade ou risco: “Coloque primeiro a sua máscara e daí coloque ou ajude a colocar a máscara de outra pessoa”. Observe que temos que resolver o momento. Semear para o futuro.

 

A colheita depende do agora de cada um de nós. O ataque, a guerrilha contumaz de alguém sobre outra pessoa ou situação, revela seu caráter, sua personalidade e muito de suas deficiências.

 

Crônicas & Agudas

 

John Fitzgerald Kennedy, Presidente dos Estados Unidos: “ Não pergunte a América o que ela pode fazer por você, mas sim o que você pode fazer pela América”. Transmute esse ensinamento e coloque Brasil. Ou o Rio Grande do Sul? Ou sua cidade? Ou sua casa, seu lar e sua família? Há que se torne uma pedreira na “bota” dos outros. Quantas dessas “pedras” estão ao alcance dos nossos sentidos? E se você ou eu nos tornamos pedras no caminho ou nas botas até daqueles a quem amamos? Essa “pedra” pode, também, ser trabalhada e… opa! Uma esmeralda, um rubi ou um diamante.

 

A sua bota. A sua caminhada. A sua jornada de vida. E as pedras! Floki era o mais hábil construtor de barcos, que suportavam as maiores distâncias e tormentas mas não soube retirar “as pedras das suas botas”. E você? E nós?

 

 

 

2021 – 01 – 19 Janeiro – Conselho de Floki – o viking construtor de barcos

Eds Olimpio Oliveira

Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

http://www.edsonolimpio.com.br

 

 

clip_image004

clip_image006

clip_image008

O Conselho de Floki!–Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal opinião de Viamão – 12 Janeiro 2021.

Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão.

12 Janeiro 2021

 

clip_image003

Negão do Picolé

 

Veraneávamos com os filhos-crianças na praia de Cidreira, na rua 2 próximo ao famoso Bar João. Era conhecida como “a praia dos viamonenses”. Ao contrário dos tempos tormentosos e preocupantes hoje sobrevividos, as crianças tinham a liberdade de brincar pela rua, pelas casas dos amiguinhos da vizinhança. O verão era mais longo para muitas famílias, sendo comum que as mulheres e os filhos ficassem no litoral enquanto os esposos provedores trabalhavam na cidade e no mês escolhido reuniam-se na alegria da família.

 

E alguns “direitos” infantis eram “sagrados”. Assim o puxa-puxa, o refrigerante, a bicicleta, o skate, as brincadeiras com horário flexível de terminar e o picolé. Verão e picolé. Verão, picolé e praia. Tudo a ver. Muitos picolés. À beira mar ou depois do almoço – desde que “limpado o prato” – e na tardinha quando o suor derramado em aluvião pelos rostos e nas camisetas encharcadas.

 

As lembranças das vidas dos filhos iluminam-nos. Seus personagens fantásticos sempre retornam de verões distantes e desanuviam em invernos da alma. Uma dessas criaturas maravilhosas era o “Negão do Picolé”. Espero que alguma patrulha não exija o “politicamente correto”, pois isso somente iria destoar a realidade bendita de simplicidade, humildade e amor. Ele, seus colegas de profissão e a criançada chamavam-no de Negão do Picolé. Jaleco branco limpíssimo, bermudas, chinelos de dedo, de meia idade e muito gordo, ainda com o carrinho da Kibon. Ali era o seu território de trabalho e de vida – um perímetro de ruas e à beira mar.

 

Conhecia cada uma das “minhas crianças”. Chamava-as pelo nome ou por alguma característica ou apelido. A nossa filha do meio, a Cynthia, era magrinha, branquela (loirinha) e menor entre as coleguinhas e usava óculos de “fundo de garrafa” – pesadas lentes de grau. Geralmente ficava para o final na disputa dos picolés. Quando chegava a sua vez:  “a minha branquinha vai querer o Chica-Bom?” – dizia afetuosamente. Seus olhos ficavam maiores que os óculos e certamente a saliva rolava entre seus dentes e a língua sentindo os sabores tão apreciados.

 

À tarde, numa grande área anexa a nossa garagem, várias meninas brincavam com suas Barbies e Bobys, embalando sonhos em seus braços e mentes. Algumas cozinhando nas panelinhas e cozinhas com fogões e ‘geladeirinhas’, outras vestindo e despindo a Barbie e seu namorado. As simulações de vozes imitando pais, avós e outros personagens desse mundo maravilhoso e intangível da imaginação infantil.

 

Eis que uma corneta soava ao longe. Como por mágica, muitas estacavam nas brincadeiras e erguiam as cabeças apurando os ouvidos. Alguma das meninas disparava para o avarandado frontal e dava o grito de alerta geral:  “o Negão do Picolé vem vindo!” Correria geral. Algumas traziam algum dinheiro que os pais deixavam em suas bolsinhas. Outras não. Cercavam em algazarra o Negão que rindo já as chamava pelos nomes e sabia suas predileções. E o dinheiro? Ninguém ficava sem seu picolé. Dizia: − “Depois tu ou tua mãe me paga, tá aqui teu picolé!”

 

A dignidade nem sempre veste gravata ou toga e nem está nos templos do saber e do poder. Nunca soube como ele fechava as contas com o patrão no final do turno de trabalho. Assim como nunca soube de alguém dar calote nessa pessoa formidável. Jamais aceitou pagamentos extras para seus picolés, vendia mais picolés. Acredito que o seu maior pagamento fosse a felicidade que distribuía e semeava.

 

Seu exemplo de honradez e amor faz-nos entender que esse Brasil assolado por canalhas de todos os matizes e classes sociais pode ter solução. Nós, aquelas pessoas, tivemos a felicidade de viver num ambiente de reconhecimento e respeito mútuo, onde todas as vidas e todas as pessoas importavam sempre. A cor da pele ou o “ano de fabricação” são fatos da lei de Deus. E méritos de cada em sua essência e com o orgulho dos justos de honra. Jamais daqueles de mente perversa e espíritos sombrios.

 

Na distância dos anos que o tempo impõe, nossos filhos são adultos e com suas famílias, mas as lembranças do Negão do Picolé traz risos e algumas lágrimas vertidas numa oração interior para aquele homem, aquela pessoa iluminada com que tivemos o privilégio de caminhar essa jornada de vida.  (Nota do Cronista. Crônica reeditada e adaptadas recebidas.)

2021 – 01 – 12 Janeiro – Negão do Picolé

Eds Olimpio

Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

http://www.edsonolimpio.com.br

 

clip_image005

clip_image007

Entradas Mais Antigas Anteriores Próxima Entradas mais recentes