Bolsa de mulher – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 25 Setembro 2013

 

2013 – 09 – 25 Setembro 2013 – Bolsa de mulher – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Bolsa de mulher

S

empre me causou espanto e curiosidade observar uma mulher mexendo em sua bolsa e aquele universo indecifrável para meros mortais masculinos. Quase um pouco de quase tudo. Quase tudo mesmo. Coisas que ela precisa a qualquer momento e coisas que ela pode precisar em algum momento da vida. E coisas que nem ela sabe que ali estão. ‘Lugar incerto e não sabido’ – expressão usada na justiça que se aplica a muitas bolsas. E sabendo disso os designs projetam bolsas cada vez maiores. Há que imagine a bolsa feminina como o cinto do Batman, sempre há algo para salvar a pátria dos estrógenos. Perfumes, esmaltes de cores que nenhuma amiga sequer sabe existir, lixas diversas, escovas, cremes de mãos e pés, lenços de papel, absorventes íntimos e outros nem tanto. Batons de cores sólidas, cintilantes, gloss ou o-que-pode-ser-isso. Cadernetas e canetas. Calculadora. Carteiras – para documentos, dinheiro, talões de cheque, cartões de crédito, fotografias belas e ‘fotografeias’ daquelas amigas cinicamente amigas.

Cr & Ag

Óculos de sol, de sombra e tanto faz. Telefone ou no plural. Muitas no plural. Toalhas íntimas e roupas mais íntimas ainda, pois nunca se sabe quando uma tarde ou noite especial possa acontecer. Escova de dente. Perfumes para casa, trabalho e love is all. Chicletes. Analgésicos para aquela dor de cabeça que surge quando ela não está a fim… e para alguma TPM quase fatal. Há que leve preservativos para evitar herpes local e daqueles de nove meses. Ops – anticoncepcional! O arsenal é extenso. Pensando nisso tem spray de pimenta e arma de choques elétricos para quando o chute no escroto não funcionar.

Cr & Ag

Há mulheres com um ou vários armários com bolsas para todos os momentos, estações, horários e imprevistos. Eis que inventaram uma bolsa dentro da bolsa para facilitar e evitar o humor estrogênico azedar ao esquecer ou extraviar algo nestas mudanças de bolsas. As mulheres são potencialmente mortais na TPM, quando o cara troca seu nome na hora da transa ou quando ocupam a cadeira da presidência da república. Saiam da frente ou troquem de país! Mas o meu famoso espírito investigativo buscou a origem dessa lenda urbana que é a bolsa feminina. Quando isso começou? Alguns atribuíam à Princesa Izabel e ao fim das mucamas. Outros se fixavam na imagem freudiana do útero e da bolsa do canguru. Outros ainda no saco do Noel. Mas decifrei o enigma devorador – Mary Poppins! Como não se lembra da Mary Poppins?

Cr & Ag

A fantástica Julie Andrews estrelou a babá mágica encarregada de duas espoletas infantis. Julie ganhou Óscar e outros prêmios por sua interpretação. – E a bolsa? – impacienta-se o desinformado. Mary Poppins trazia uma bolsa mágica, que saia de seu interior qualquer coisa imaginável para espanto das crianças e desejo dos adultos. Milhões de pessoas que assistiram à película ou souberam dela certamente assimilaram as imagens e a fantasia virou desejo e realidade. Até homens sentem essa necessidade da bolsa que tudo contém e encanta. Observem a fixação do Lula em bolsas reais e mágicas, como uma babá mágica do Brasil. Nesse filme tem até bruxas enrustidas dentro e fora dos armários. Genial! Genial sim esse poder do capitalismo ianque ser metamorfoseado – palavra difícil! – no socialismo verde-amarelo ou roxo de raiva.

       

Rótulos – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 18 Setembro 2013.

 

2013 – 09 – 18 Setembro 2013 – Rótulos – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Rótulos

A

prendemos e ensinamos a viver e a abastecer nosso mundo e as nossas relações com rótulos. E seria absolutamente possível viver e conviver em sociedade sem a rotulação generalizada? Talvez não? E nem seria ‘normal’? Eis aí já de início outro rótulo – normal ou anormal. Há controvérsias e pontos de vista – mesmo os míopes, estrábicos ou com severo astigmatismo. Ops, novos rótulos. Dizia-me um amigo sobre um relacionamento iniciado e das dificuldades em encontrar uma mulher para compartilhar a jornada existencial, pois a criatura gabava-se de sua ‘longa e profunda’ experiência nas lides dos lençóis. Alegava já ter feito sexo com ‘meia cidade, mas somente com homens decentes’ e que isso seria uma qualidade para que ela o escolhesse. Ao que ele indignado: – Mas então tu és uma p…! E o pau quebrou. E o relacionamento gestado – abortado! Outro amigo criticou-o alegando “novos hábitos e costumes e que ela nada mais era que uma mensaleira do amor livre”.

Cr & Ag

Trapacear, ‘levar vantagens’ em detrimento da ética não significa nada além da ‘normalidade’ do ‘sempre assim foi feito’. Honestidade e ladroagem são rótulos que pouco significam na visão de quem julga. Pois quantas vezes interesses e dívidas precisam ser resgatadas e poderes adoram adulações. O superior tribunal de um país pode estar comprometido com as leis, com a legalidade, com a ética pessoal ou pública ou simplesmente entender que esses rótulos são ‘dos outros’ e que a cabeça do juiz e os humores do Monte Olimpo são indecifráveis para os mundanos ou insignificantes mortais.

Cr & Ag

A espiritualização dos entendimentos médicos e psicológicos vê as manifestações depressivas como ‘falta de fé’, entre suas causas importantes. Uma pessoa indignada com essa observação profissional vertida para ajudá-la a reencontrar o caminho da saúde física e mental e da sua felicidade brandiu com todas as sílabas e ênfases: – Sou batizada e crente e isso é absurdo! O rótulo do diagnóstico sepulto pelos novos rótulos, fechada a porta do tratamento. Mas como cada coisa tem o seu tempo…

Cr & Ag

Abandona-se a evidente raça “branca” pela oportunidade maior de burlar os caminhos morais e apregoar-se de raça “negra” ou seu novo rótulo de afrodescendente. Dizem que o Brasil é peculiar no planeta em ter “mulato” como raça. Minha avó dizia-se com sangue espanhol e indígena charrua – um rótulo depreciativo naquelas eras passadas, mas hoje eu poderia ser o Cacique Edinho. Beleza! Nenhum regime retirou mais pessoas da pobreza, deu-lhes liberdade de escolha e de ir, vir e não voltar, do que o capitalismo. No entanto é chique ser da esquerda e todos os seus rótulos – centro, democrata, etc. Mesmo que muitos não saibam o que significa tudo isso, mas que continue ou venha a ser como os americanos. Benefícios do capitalismo com a ‘alma esquerda’.

Uma derradeira! Você está no Facebook? Ou no Google? Não. Nãããooo? Logo outro rótulo – tem certeza absoluta que você existe?

Maravilhoso

Que a Primavera que vem logo ali depois daquela curva seja Maravilhosa!

Um Agosto sem gosto – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 11 Setembro 2013.

 

2013 – 09 – 11 Setembro 2013 – Um Agosto sem gosto – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Um Agosto sem gosto

S

eria mais uma dessas lendas acreditar que Agosto é um mês de complicações mil? O ‘mês do cachorro louco’ ou de tantos outros loucos que não são caninos? É uma expressão usada pelos veteranos na estrada da vida crendo que Agosto é o mês do desgosto e que se a criatura vencer seu derradeiro dia e adentrar o Setembro da Independência ou Morte e da Revolução Farroupilha estará blindado por mais um ano. Novas desgraças somente no próximo ano… Ledo engano. Mas é da nossa alma acreditar e sensibilizar-se por crenças disparatadas ou não. Há que ter crenças. É por esse caminho que escolhemos nossos parceiros e parceiras de coração e de vida. Também assim enrolamos a nossa consciência crítica em alguma bandeira e saímos pelas ruas bradando alguma legenda ou acreditando até em mentiras deslavadas.

Cr & Ag

Teria sido especialmente desgostoso esse Agosto de 2013? Pior ou melhor que os outros? Puxe pela memória! Nada conclusivo? A Medicina brasileira lembrará esse Agosto como o mais funesto de sua história e de ter sido eleita a responsável pela péssima saúde ofertada ao povo tudo assinado e referendado pela ‘presidenta’ Dilma. Uma mulher assinou a Lei Áurea, Princesa Izabel, pondo fim à escravidão. Outra mulher, Dilma, assina e estimula a escravidão de cubanos em terras nacionais pela sua ideologia esquerdista, ou melhor, comunista. Mas os fins justificam os meios, na sua cabeça e de seu grupo dominante. Para um povo ignorante em que o governo força e estimula a termos uma das piores qualidades de ensino e de educação, parece estar muito bom, pois terão um ‘médico’ na periferia. Apesar de vários milhares de leitos hospitalares ‘desaparecerem’ nestes últimos dez anos, mas a culpa é ‘da falta de patriotismo dos médicos’, segundo o governo. Faltam UTIs e hospitais! Faltam equipamentos de toda ordem! Mas a culpa tem dono e, pior ainda, ideologia. E o desenganado da saúde e enganado pelo governo busca a saúde nas decisões da justiça e na ‘ambulancioterapia’.

Cr & Ag

Quando votávamos numa cédula de papel – alguém se lembra disso? – corria pela boca do povo a sua indignação sob a seguinte forma: – Aquele voto desgraçado, nem o papel serve para limpar a b…! A urna eletrônica não permite mais limparmos a defecada do voto errado. Algum governista magoado verá termo chulo? A TV, a mídia impressa, a música escancarada nos carros de som e nas lojas da cidade e no vocabulário corrente expressam realidades e situações do cotidiano. Tristes e deprimentes situações.

Cr & Ag

O mês do cachorro louco! Agosto seria um mês das loucuras explodirem até nos animais. O comércio e a ‘loucura das liquidações’, as vitrines estampam a moda de meia estação e as alegrias da Primavera. Tem-se até um grau de parentesco com a esperada estação que num processo de engorda do aquecimento, do calor infernal e da falta de água e luz, perde o parentesco e fica somente Verão. E Verão a bronca que vem por aí e o desgosto do Agosto jamais termina. Enrolado como espaguete em boca desdentada? Vamos abrandar essa doideira e inventar alguma amenidade, pois quantas coisas boas o frio invernoso nos traz. Alguém dizia: – Curti quinze dias em casa, sem trabalhar, coloquei minha escrita em dia, li livros de dois anos passados, comi chocolates da Páscoa, usei um casaco que nem sabia que ainda tinha, recebi chazinho na cama, minha mulher não se queixou de nada estragado e nem mandou que eu consertasse algo e ainda fiquei bom da pneumonia dupla e da sinusite de toda a cabeça! Beleza.

Velas

Casualidade – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 04 Setembro 2013

 

2013 – 09 – 04 Setembro 2013 – Casualidade – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Casualidade

– Q

ue casualidade estarmos aqui… estou para te telefonar a tanto tempo! – dizia aquela mulher para outra. Casualidade e coincidência são primas-irmãs da nossa necessidade intrínseca de simplificar etapas, de cortar caminhos e até de acreditar em sorte. Eis que no outro extremo deste pêndulo ou prato desta balança está o azar, seu primo-irmão do assumido fatalismo. ‘Nem tanto ao céu e nem tanto à terra’ – apregoa a filosofia popular. Há muito de comodismo nessas reações. Há uma tendência em atribuir ao imponderável da silva os acontecimentos de nossas existências. Assim o fardo torna-se menos pesado e geralmente menos doloroso.

Cr & Ag

O quanto você acredita em casualidade ou até em fatalismo está atrelado ao seu entendimento. Quando alguém se direciona para consultar com um médico, telefona e agenda aquele profissional de sua escolha, sai de casa, trânsito difícil, estacionamento ainda pior, paga a consulta e eis que está ali sentada defronte o seu médico como um paciente. Toda esta cadeia de eventos do paciente e uma extremamente longa do profissional que desde uma série de escolhas e caminhos de escolas e faculdade de Medicina, cursos e extensões, colocou-se ali naquele momento com aquela pessoa. Num ambiente inexpugnável em que se estabelece essa relação médico-paciente ou paciente-médico de plena confiança, respeito e dedicação. Nada diferente tudo absolutamente proporcional para cada ofício. Não há casualidade. Nem fatalismo. Até no singelo SUS (“Sua Última Shance” – num grafite).

Cr & Ag

Somos, profissional e paciente, professor e aluno, responsáveis por aquele momento. Toda a cadeia de escolhas positivas ou negativas, neste tempo ou em outros planos existenciais, traz-nos para este singular momento de auxílio mútuo. Leu bem! Auxílio mútuo. Os benefícios nunca serão somente do paciente, nem do médico. Novamente uma cadeia de eventos se desenrolará ‘ad infinitum’. Faça a imagem da pedra caindo ou sendo jogada no meio de um lago e as ondas concêntricas geradas a partir desse evento. Tanto as margens como o fundo do lago e o universo que os acolhe sentirão as vibrações maiores ou menores dependendo da força inicial e da captação em qualquer distância.

Cr & Ag

A lágrima que Maria derramou pela dor do filho amado persiste no coração da humanidade ontem, hoje e sempre. Casualidade ou nossas escolhas? Fatalismo ou culpa dos outros? Sempre nossa responsabilidade. Poderia pensar em ‘casualidade’ o fato de atender um único paciente numa manhã de sexta-feira? Jamais! Uma primeira consulta de um jovem pai, esposo, trabalhador rural e agora evangélico. Sempre um irmão. Perambulou por vários médicos, emergências e laboratórios nesse último mês. A dor abdominal não aliviava. Ao contrário, parecia piorar e se agregava com outros sintomas. Já trazia um diagnóstico – hepatite C e toda uma carga crítica de informações e pleno desalento. Trazia também o estigma da culpa – ex-viciado em drogas injetáveis. Abandonara o vício satânico ao tornar-se evangélico. Tendência a renegar-se de si e de Deus. Certamente não necessitava somente do médico e de uma receita rápida e impessoal. O universo tramou esse encontro para um momento em que o tempo seria somente o necessário. Sem atropelos ou interrupções. Sentíamos isso e os olhos da sua esposa traduziam essa imperiosa necessidade. Somos responsáveis por nossas escolhas e por nossos momentos e o futuro estará tramado assim pelas leis do Criador, mas sem casualidades.

Abraço das palavras

 

Desesperança – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 28 Agosto 2013

 

2013 – 08 – 28 Agosto 2013 – Desesperança – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Desesperança

D

esesperança é sinônimo de ‘desespero’, ‘desesperação’ e da tão conhecida e temida ‘perda de esperança’. A desesperança pode representar o derradeiro, o último sentimento, o baluarte final da humanidade. Quando o ser humano se sente invadido pela perda de esperança suas forças, suas energias vitais se esvaem e a morte é seu portal de saída. Triste? Muito pior. Quando alguém ou algum governo domina até que a esperança seja esvaziada, nada mais restará. Pelo menos nada de digno. Algumas profissões e alguns ofícios lidam e trabalham com a esperança mais do que em outras. Eis que algumas burlam o coração, pior ainda, traem o amor cravando falsas esperanças na alma alheia. Quantas músicas em que os poetas traduzem a malversação da esperança. Somos seres que tendem a acreditar, que tendem e necessitam amar e cultivar esperanças mesmo quando o racional nos alerta de que estamos plantando no deserto e a colheita, se houver, será decepcionante.

Cr & Ag

O médico é destas criaturas que jamais podem entregar-se a desesperança. Todas as suas energias e conhecimentos pessoais ou garimpáveis em colegas, literatura, outras pessoas e derradeiramente na fé são impulsionadas numa expressão atemporal – “enquanto há vida há esperança!” Todos a conhecem e muitos estarão se confrontando com ela em algum momento de sua jornada terrena. Seja em seu próprio benefício ou em outrem. Vários outros sentimentos se unem numa cadeia de laços poderosos para proteger a ‘esperança’ ou para afastar ou até sublimar a ‘desesperança’. Acredita-se que a animalidade enraizada no âmago humano seja exteriorizada plenamente quando a desesperança é superior. Mas até na animalidade o ser humano carrega essa luz que o impele para alguma mudança em si, na sociedade ou no seu ambiente. Sintam que “destruir absolutamente tudo e recomeçar antes do zero” traz a bestialidade, a perda dos referenciais mais nobres de humanidade e sociedade, mas traduz a forma distorcida de que seu autor espera e acredita que suas atitudes lhe trarão algo melhor – no seu entendimento, entenda-se bem.

Cr & Ag

O cronista e o jornalista são personagens vibrantes nesta cadeia de sentimentos. Jamais alguém possuído da responsabilidade de escrever ou ter acesso a uma ou milhares de pessoas deve sentir-se desesperançado. Quando isso acontecer – se acontecer – seu estado e ofício necessitam passar por uma reconfiguração de suas crenças e de seus métodos. Não temos esse direito. Muito menos nos permitirmos esse dever. Quando as pessoas descreem de suas instituições e de seus representantes legais devemos ser estabilizadores da ordem e catalizadores da esperança. Jamais da desesperança! Mesmo quando tudo parece fadado ao erro, quando tudo indica que a porcaria só tende a aumentar, que o mar de lama e estrume já não está mais ‘dando pé’, há que se acreditar, buscar novas luzes, motivar com correto direcionamento e apontar saídas e soluções que contemplem o crescimento pessoal e da sociedade.

Cr & Ag

Não há nenhum fatalismo em saber que erramos mais do que acertamos. Desde nossas escolhas mais simples até aquelas que envolvem respeito e dignidade pessoal e da sociedade. Num contínuo processo evolutivo de erro e acerto, ainda o erro predomina e felizmente possuímos a capacidade de aprender, entender e crescer com nossos erros e com a observação adequada dos erros que observamos nos outros. Cultivar e proteger a esperança, o respeito, a dignidade e o amor são ferramentas necessárias e fundamentais numa vida em que a desesperança seja somente uma palavra a ser lida no dicionário da existência.

Jesus abraçando

O inferno da poluição sonora em Viamão – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 21 Agosto 2013

 

2013 – 08 – 21 Agosto 2013 – O inferno da poluição sonora em Viamão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

O inferno da poluição sonora em Viamão

Recebemos apoio e incentivos nesta cruzada que é de toda a sociedade. Somam-se manifestações de repúdio à poluição sonora em Viamão. São empresários, advogados, escritores e pessoas em geral. As pessoas custam a entender a indolência ou permissividade das autoridades responsáveis. A poluição sonora não é uma bandeira de médicos, de partidos políticos, jornais ou de alguns segmentos sociais, é uma necessidade inadiável em respeito à saúde física e psicológica das pessoas. Inclusive funcionários dessas empresas poluidoras se queixam, apesar do temor de serem perseguidos pelas chefias.

Exemplos e citações acumulam-se. Uma moto com caixa de som estacionou defronte um centro comercial e diante do som ensurdecedor e agressivo o personal trainer interrompeu seu trabalho e tentou dialogar com o poluidor sonoro – foi ofendido. “A maioria dos donos dessas empresas que fazem essa propaganda abusiva não vive em Viamão e nem dá emprego para os viamonenses” – manifesta-se outro agredido. “Será que não tem nenhum político para nos defender” – diz um empresário consciente e responsável.

Ministério Público de Defesa Comunitária.

Essa coluna denuncia publicamente e solicita providências do Ministério Público de Defesa Comunitária contra a poluição sonora em Viamão.

Comissão Permanente da Mulher Advogada – OAB Viamão.

Essa coluna denuncia publicamente à Dra. Naimara Scarpetti e solicita providências da OAB de Viamão quanto ao estado de agressão à saúde pública viamonense pela poluição sonora.

Legislação.

Um vice-prefeito da cidade comenta sobre o uso de decibelímetros (aparelhos para medir a intensidade sonora). A consciência de cidadão e o respeito às demais pessoas não ocorrem numa sociedade em que a ganância pelo lucro, o egoísmo entranhado em satisfazer as suas necessidades sem preocupar-se com os demais e o imperialismo de impor suas percepções e ideias sobre o outro. Ou se proíbe ou se libera. Não há meio termo. Logo o poder público estaria enredado numa licitação para adquirir os decibelímetros. Outra licitação para aferir os aparelhos. Outra licitação para consertar os estragados. O autuado que contestaria alegando “que o seu aparelho está dentro das normas” ou até “estaria sendo perseguido e constituindo provas contra si”. Criariam a figura da ameaça de poluição sonora ou tentativa de poluição. E tudo resolvido com uma ínfima multa ou até uma “cesta básica”. Na mesma quadra, sofreríamos com mais de meia dúzia de comerciantes com caixas de som nas calçadas, mais uns três ou quatro veículos de som “bombando” e tudo “dentro da lei”. E fariam recursos e mais recursos contra a autuação que porventura ocorresse. O resumo da ópera é que o inferno sonoro continuará intocável.

Qualquer pessoa pode saber dos danos à saúde pela poluição sonora. Até o “doutor Google” está aí de plantão para auxiliar. No entanto no respeito à lei não há alegação de desconhecimento. Eis aqui a função do vereador – legislar para que a saúde das pessoas seja respeitada rigorosamente. Sem frestas. Sem brechas. Menos ainda por segundas intenções.

GlennMillerMoonlightSerenade-Rosa de Sangue

Quando as rosas sangrarem o fim estará anunciado!

“Pesadelo” da poluição sonora – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 14 Agosto 2013

 

2013 – 08 – 14 Agosto 2013 – Pesadelo da poluição sonora – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

“Pesadelo” da poluição sonora

A revolta das pessoas.

“Ainda que alguém se preocupa com a gente e fala desse pesadelo…”

“Tem hora que esses infelizes param o carro de som bem perto do ponto de táxi e ninguém aguenta mais isso.”

“Por que eles não colocam essas caixas de som 5 metros dentro das lojas. Além de atravancar o passeio público infernizam todo mundo.”

“A Coca Cola ou a Brahma não fazem essa chinelagem de propaganda.”

É impressionante a repercussão da coluna da semana passada sobre essa aberração da poluição sonora por carros de som e caixas de som nas calçadas. As pessoas indignadas se manifestam e seus depoimentos fariam faltar espaço nesta coluna.

Caso exemplar. Na manhã do dia 08 passado, caminhava da esquina da Receita Federal até o Banrisul acompanhando uma camionete com caixas de som em volume assustador. Observem que sua velocidade e meu ritmo de caminhar se igualavam. O motorista ainda bebia um refrigerante de 600 ml. Defronte a Igreja Universal, parou certo tempo e creio que aumentou o som – estaria agredindo à Igreja ou “conquistando” os fieis? Os demais veículos ficando trancados e obstruídos pela sua lentidão. Defronte o Banrisul estacionou novamente acomodando coisas internas enquanto o veículo imediatamente atrás dele era carro da Brigada Militar com dois policiais. Ali o som foi para “impressionar” o pessoal na fila. O trânsito parcialmente obstruído. Ônibus e outros veículos disputando passagem, o carro da Brigada manobra e vai embora sem nenhuma atitude com a “camionete de som”. Troquei palavras com o pessoal da fila, todos com quem falei sentiam-se agredidos. E por que os brigadianos não autuaram a “camionete de som”? Ao leigo interessado aquele motorista cometeu delitos vários – direção perigosa fora do fluxo normal da via, bebendo ao volante, trancando o trânsito, estacionando em fila dupla em local absolutamente sem condições, etc. Esperamos que a Brigada ou os especialistas em trânsito nos orientem.

Foram-me citados alguns vereadores que estariam agindo contra essa aberração. Disse-lhes que não seriam citados nominalmente por desconhecer essa ação. Caso realmente estejam preocupados com a saúde dos cidadãos para coibir e disciplinar com energia o “pesadelo” seremos solidários com suas ações. Cidadãos suspeitam haver dificuldades das autoridades em saber se ficam do lado do cidadão agredido pela poluição sonora ou se persistem ao lado da poluição sonora.

O respeito e o culto ao silêncio é propriedade de sociedades mais evoluídas e que prezam a qualidade de vida de seus cidadãos. Som abusivo é causador de diversas alterações e enfermidades – do estresse aos danos auditivos. As empresas são fiscalizadas e duramente penalizadas quando não prezam pela saúde auditiva de seus funcionários, no entanto há gestor ou administrador público que faz “ouvidos de mercador” para quem vota, elege, paga impostos e vive ou trabalha em sua cidade. Maus empresários ou empresários de pouco discernimento usam de propaganda abusiva, antissocial e danosa à saúde de seus funcionários e/ou dos cidadãos. Estaremos vigilantes e manteremos essa cruzada em defesa das pessoas contra o “pesadelo” da poluição sonora.

Dia do Advogado.

Estivemos no belo jantar dançante comemorativo ao Dia do Advogado. Estendemos novamente nossas felicitações a essa categorial profissional fundamental na sociedade. O doutor Nilson Silva, presidente da OAB viamonense, refere-se leitor assíduo desta coluna para minha honra e responsabilidade. Incito-lhe e a respeitável entidade que preside novamente a auxiliar-nos nessa cruzada contra a poluição sonora.

Desesperado

Qualquer semelhança é mera realidade de uma imagem viamonense.

 

Seremos ouvidos e vistos se persistirmos nos protestos – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 07 Agosto 2013

 

2013 – 08 – 07 Agosto 2013 – Seremos ouvidos e vistos se persistirmos nos protestos – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal OpiniãoBola vermelha pulando

Som abusivo! Uma agressão à saúde pública

Com a legislação atual e um pouquinho de boa vontade e espírito de responsabilidade pública as autoridades autuariam esses veículos com som abusivo que circulam nas ruas da cidade numa propaganda em que o consumidor que se preza e que respeita a saúde física e mental jamais compraria nessas lojas. O que já era ruim piorou. Algumas lojas colocam caixas de som no passeio público novamente com som de romper tímpanos e causar irritação, estresse e ansiedade nas pessoas. Essas empresas deveriam colocar o som somente no interior de suas lojas e com as portas fechadas e veríamos quem compraria alguma coisa nesta loucura que apelidaram de propaganda. Espera-se que algum vereador interessado pela saúde pública crie uma legislação mais enérgica coibindo com multas educativas e pesadas essa rotina de abusos desenfreados. Nós médicos até interrompemos com o atendimento aos enfermos quando esses abusos sonoros estacionam em nossas janelas e portas, pois fica quase impossível uma comunicação adequada e um exame do paciente. Tente telefonar ou conversar com alguém nas proximidades desses abusos. Cidadãos queixosos comparam essa situação de desenfreado abusos sonoros atual com o quadro do governo anterior, a conclusão é de que piorou e muito. Aguardaremos e estaremos vigilantes com a necessária resposta da autoridade responsável. Há que veja salvação somente com a interferência do Ministério Público. Será verdade? Ou pioraremos numa cidade ‘sem lei e sem ordem’ entregue a sanha de alguns responsáveis por poluição visual e sonora.

O Papa Francisco e o ‘entorno’!

Quem não conhece a imagem de Cristo crucificado entre dois ladrões? Pois quantas vezes você viu imagens do Papa Francisco e observava o que em sua volta ou proximidade? Criaturas deploráveis sendo alguns (ou vários?) amplamente conhecidos por sua conduta com a coisa pública e tentavam absorver ou roubar a luz de Sua Santidade. Oramos para que a aura de Francisco possa irradiar uma mudança positiva e quem sabe um real arrependimento como do ladrão bíblico.

Propaganda política!

Há partidos políticos que nas propagandas na TV associam-se às ‘conquistas’ desses 10 anos de PT no poder do Brasil. No entanto, até parecem oposição quando se solidarizam com o povo naquilo de ruim que o PT fez. Aí deixam de ser governo. É vergonhoso, mas uma forma de inocular no eleitor a falsidade de suas propostas. O maldito Fator Previdenciário é uma dessas artimanhas. Outro dia um velho (idoso é qualificativo) simplório dizia que a culpa ‘é do FHC que o criou e é o pai do Fator’. Mas se o PT dominando plenamente o Congresso nesses 10 anos, com o senador Paim como um dos maiores contrários a essa aberração do Fator Previdenciário, quisesse, repetimos, se Lula desejasse teria acabado no seu primeiro mandato. Ou no segundo. Ou agora com sua protegida Dilma. Então a culpa é de quem permite esse estupro contra os segurados do INSS.

Bola vermelha pulandoTrânsito central.

Uma amiga dizia que ‘devemos de parar de falar do trânsito de Viamão’. Diante da perplexidade de todos completou: – Nada é tão ruim que alguém não possa piorar! – diante dos risos da plateia. Nem acho que estejam atacando demais o problema ‘trânsito central’. Confirmo que a aberração do estacionamento da rua Cirurgião Vaz Ferreira continua ali como espinha cravada na garganta da maioria. O ativo Barbaroti deve sofrer com o ‘fogo amigo’, que é a designação dada a quem é vítima da artilharia dos próprios companheiros. No caso, temendo uma boa gestão e futuras aspirações políticas. Caso contrário as suas boas intenções reveladas por seus amigos e conhecidos teriam melhor destino e sucesso para os cidadãos viamonenses.

Atenção[3]

O tempo que Viamão esqueceu – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião

 

2013 – 07 – 24 Julho 2013 – O tempo que Viamão esqueceu – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

O tempo que Viamão esqueceu

Para muitos há o sentimento de que o tempo atual move-se com maior rapidez que em eras anteriores. Certo ou errado? Quanto mais abandonamos os meios tradicionais de arquivar informações e quanto mais o número delas se avulta, este sentimento torna-se mais real. Quando a humanidade deixou em segundo plano a história passada oralmente dentro das cavernas, em torno das fogueiras para eternizá-la no barro ou no granito foi um considerável avanço para preservarmos o tempo e seus atores. Depois nos pergaminhos, papiros e no papel e com o monumental avanço da humanidade com a imprensa e a Bíblia Sagrada como seu primeiro livro e sempre o mais lido e editado.

Cr & Ag

Outro dia o correto cirurgião-dentista doutor Bruno Rangel tornava a falar-me da importância em preservarmos a memória viamonense. Citou Haroldo Franco como um dos contadores da história viamonense. Nunca é demais lembrarmos Adônis dos Santos e sua obra modelar da cidade e das suas pessoas. Lembramos também do Sílvio ‘Boca’ Oliveira. E o arquivo de imagens da dona Elsa Dorneles, mãe do César e do Dálcio? Infelizmente vários desses viamonenses naturais ou alguns por opção não dispõe de espaço jornalístico ou literário ou de ferrenha motivação para insistir e persistir. Muitas vezes aos trancos e barrancos. Ou aturando ‘barracos’ e leituras desencontradas e erroneamente interpretadas.

Cr & Ag

Viamão – a primeira capital de TODOS os gaúchos! Esse é um exemplo de interpretação ou informação com variadas interpretações. Enquanto a maioria tenta alavancar as qualidades de sua terra, certos viamonenses insistem em diminuir ou menosprezar nossas qualidades. – Ah, mas a primeira capital foi Rio Grande! – atribuem. Até pode ter sido a primeira sede designada pelo Império num povoado com fortificações militares, mas não havia nenhum sentimento de pátria ou de nação com o povo que habitava essa região hostil a homens e animais até que acossado por castelhanos, o ‘governador’ acovardado fugiu abandonando seu comando e seu ‘povo’ vindo buscar refúgio e segurança nos Campos de Viamão. E foram os fazendeiros, tropeiros e desgarrados de governos assumirem a defesa de suas propriedades, interesses comerciais e finalmente do sentimento de nacionalidade parido com a independência de seres livres. Assim a leitura de ‘TODOS’ os gaúchos deve ser vertida ao melhor entendimento e razão e jamais sem a adequada interpretação dos tempos e dos fatos. Isso diferencia historiadores de papagaios.

Cr & Ag

Esta coluna respaldada há quase duas décadas pelo professor Pedrão, um viamonense por opção e de coração com sua amada esposa Úrsula (dizia-nos: – Sempre começo o jornal pela tua coluna!) e seus filhos Natacha e Andrey constituem e ampliam suas famílias nesta terra de lendas e realidades. Protagonizamos uma guerrilha persistente alvejando a atualidade da cidade e de seu povo sem jamais esquecer ou menosprezar o seu passado. Amigos confluem na opinião da carência de mais escritores assim como de políticos e governantes eficazes. Quem vive somente o presente, desconhecendo seu passado, avança para um futuro com parâmetros e modelos geralmente fadados à desilusão. “Conheça-te a ti mesmo” – reza uma verdade ancestral.

Aquarela - igreja de viamao antiga_g 

Aquarela com a centenária Igreja ao fundo

O dia em que a ‘presidenta’ Dilma cuspiu no rosto do médico brasileiro – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião

 

2013 – 07 – 17 Julho 2013 – O dia que a ‘presidenta’ Dilma cuspiu no rosto do médico brasileiro – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

O dia em que a ‘presidenta’ Dilma cuspiu no rosto do médico brasileiro

"Há alguns meses eu fiz um plantão que chorei. Não contei a ninguém (é nada fácil compartilhar isso numa mídia social). Eu, cirurgiã-geral, "do trauma", médica "chatinha", preceptora "bruxa", que carrego no carro o manual da equipe militar cirúrgica americana que atendia no Afeganistão, chorei.  Na frente da sala da sutura tinha um paciente idoso internado. Numa cadeira. Com o soro pendurado na parede num prego similar aos que prendemos plantas (diga-se: samambaias). Ao seu lado, seu filho. Bem vestido. Com fala pausada, calmo e educado. Como eu. Como você. Como nós. Perguntava pela possibilidade de internação do seu pai numa maca, que estava há mais de um dia na cadeira. Ia desmaiar. Esperou, esperou e toda vez que abria a portinha da sutura ele estava lá. Esperando. Como eu. Como você. Como nós. Teve um momento que ele desmoronou. Se ajoelhou no chão, começou a chorar, olhou para mim e disse "não é para mim, é para o meu pai, uma maca". Como eu faria. Como você. Como nós. Pensei "meudeusdocéu, com todos que passam aqui, justo eu… Nãoooo… Porque se chorar eu choro, se falar do seu pai eu choro, se me der um desafio vou brigar com 5 até tirá-lo daqui". E saí, chorei, voltei, briguei e o coloquei numa maca retirada da ala feminina. Já levei meu pai para fazer exame no meu HU. O endoscopista quando soube que era meu pai, disse "por que não me falou, levava no privado, Juliana!”Não precisamos, acredito nas pessoas que trabalham comigo. Que me ensinaram e ainda ensinam. Confio. Meu irmão precisou e o levei lá. Todos os nossos médicos são de hospitais públicos que conhecemos, e, se não os usamos mais, é porque as instituições públicas carecem. Carecem e padecem de leitos, aparelhos, materiais e medicamentos. Uma vez fiz um risco cirúrgico e colhi sangue no meu hospital universitário. No consultório de um professor ele me pergunta: “E você confia”?". "Se confio para os meus pacientes tenho que confiar para mim." Eu pratico a medicina. Ela pisa em mim alguns dias, me machuca, tira o sono, dá rugas, lágrimas, mas eu ainda acredito na medicina. Me faz melhor. Aprendo, cresço, me torna humana. Se tenho dívidas, pago-as assim. Faço porque acredito.
Nesses últimos dias de protestos nas ruas e nas mídias brigamos por um país melhor. Menos corrupto. Transparente. Menos populista. Com mais qualidade. Com mais macas. Com hospitais melhores, mais equipamentos e que não faltem medicamentos. Um SUS melhor. Briguei pelo filho do paciente ajoelhado. Por todos os meus pacientes. Por mim. Por você. Por nós. O SUS é nosso. Não tenho palavras para descrever o que penso da "Presidenta" Dilma. (Uma figura que se proclama "a presidenta" já não merece minha atenção). Mas hoje, por mim, por você, pelo meu paciente na cadeira, eu a ouvi. A ouvi dizendo que escutou "o povo democrático brasileiro". Que escutou que queremos educação, saúde e segurança de qualidades. "Qualidade"… Ela disse. E disse que importará médicos para melhorar a saúde do Brasil… Para melhorar a qualidade…? Sra. "Presidenta", eu sou uma médica de qualidade. Meus pais são médicos de qualidade. Meus professores são médicos de qualidade. Meus amigos de faculdade. Meus colegas de plantão. O médico brasileiro é de qualidade. Os seus hospitais é que não são. O seu SUS é que não tem qualidade. O seu governo é que não tem qualidade.  O dia em que a Sra. "Presidenta" abrir uma ficha numa UPA, for internada num Hospital Estadual, pegar um remédio na fila do SUS e falar que isso é de qualidade, aí conversaremos.  Não cuspa na minha cara, não pise no meu diploma. Não me culpe da sua incompetência. Somos quase 400 mil, não nos ofenda. Estou amanhã de plantão, abra uma ficha, eu te atendo. Não demora, não. Não faltam médicos, mas não garanto que tenha onde sentar. Afinal, a cadeira é prioridade dos internados. Hoje, eu chorei de novo.” – pela doutora Juliana Mynssen da Fonseca Cardoso que é médica e cirurgiã-geral no Hospital Estadual Azevedo Lima no Rio de Janeiro.

Tenho 42 anos de vida médica dedicados aos pacientes e ao sagrado ofício de médico e cirurgião e sinto-me triste e enojado por essa senhora ‘presidenta’ a quem eu como tantos brasileiros depositei a confiança e a esperança de um país melhor para todos. A carta aberta dessa jovem médica cirurgiã ativa, como fui um dia, na dura frente de uma batalha pela saúde dos brasileiros que o governo da ‘presidenta’ colabora para perdermos revela a vergonha que nos assola por esta senhora e seu patrão mandarem e desmandarem neste país. A ‘presidenta’ Dilma e seu mentor Lula aí estão vivos, ativos e vorazes graças ao tratamento dos médicos brasileiros, mas num local (Sírio Libanês de São Paulo) inacessível para o resto de nós povo brasileiro. E você acredita em quem? Na médica Juliana, na sua família, em você mesmo ou nesta ‘presidenta’ de 39 ministérios e seu patrão?

A dor de uma médica

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