Bicho Papão! – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião

 

04 ABRIL 27 – 2011 – BICHO PAPÃO – EDSON OLIMPIO OLIVEIRA – CRÔNICAS & AGUDAS – JORNAL OPINIÃO

Bicho Papão!

Quantos experimentaram a angústia e o pavor de algum monstro criado para atormentar a imaginação infantil? Quantos suores gelados vertidos sob as cobertas que encobriam as cabeças atemorizadas? As histórias infantis contadas pelos pais ou por outros adultos geralmente trazem personagens sombrios ou perigosos, desde bruxas malignas até lobos famintos por suculentos porquinhos ou meninas de capa vermelha e chapéu colorado.

Circulava aqui em Viamão City um homem com um saco às costas e um bando de cães companheiros. O miserável vivia da caridade alheia e vagava pelas ruas e estradas empoeiradas – O Nenê do Saco! Ou somente o homem do saco. – Vou te dar pro homem do saco se não comeres tudo… Ou fazeres a lição… Ou estudares e ser comportado… Ou não dizer nome feio (palavrão)… Quantas ameaças! E funcionava. Assim como as ameaças envolvendo até o Coelho da Páscoa ou o Papai Noel. Quanto terror!

O interessante é que o bicho papão funciona também com os adultos. Contigo não? Veremos. Apenas muda o esquema.  O clima de ansiedade e terror pode auxiliar a conseguir vantagens de todos os tipos e valores. Desde a chantagem emocional pela criatura desejada ao do político ou governante.

– Se não ficares comigo me atiro no Lago da Tarumã! – cruel e maligna ameaça se escapar do afogamento ficará irremediavelmente contaminado de bactérias e vírus conhecidos e por descobrir. Houve um tempo primitivo que a criatura ameaçava saltar do Viaduto Borges de Medeiros e depois da Ponte do Guaíba.

E na política? São incontáveis. – Os comunistas comem as criancinhas! – extrema-direita. – Tivemos que tomar a poupança para salvar o país da quebradeira total! – seria Collor e Zellia? – Se votarem no sapo barbudo o Brasil acaba! – lembram? – O FMI vai destruir o Brasil! – esquerda aspirando poder. Os tempos mudam, alguns políticos acompanham os ventos, mas jamais mudam as artimanhas por trás das alegações e dos discursos. Observem duas das últimas. Primeira – embalados por uma comoção geral pelo assassinato em massa na escola carioca, governantes e políticos voltam com a demagogia do desarmamento tirando o foco de outras realidades e responsabilidades. Um dos assassinos que no mesmo Rio arrastou o menino João com o carro roubado de sua mãe e o matou já está solto. Quantas centenas ou milhares de assassinos e criminosos da pior espécie estão soltos porque a autoridade entende como desumano terem-nos em cadeias “sem condições de humanidade” ou pela interpretação da lei soltam-nos na sociedade. E um referendo para prisão perpétua sem progressão de pena ou pena capital (morte)? Mais do que o equivalente em perdas de vidas da Guerra do Vietnam morrem no trânsito brasileiro. Vamos retirar os veículos particulares das ruas? Segunda – um órgão do próprio governo avisa que as obras não ficarão prontas até a Copa do Mundo de futebol. Estranho não é? Uma ala do próprio governo ameaça com esse bicho papão da urgência. Seria para passar por cima dos mecanismos de algum controle dos gastos públicos e permitir outra gastança como a que multiplicou várias vezes a dinheirama usada no Rio de Janeiro nos Jogos Pan-americanos? Parafraseando algum carnavalesco – Olha o bicho papão aí gente!

Segredos de Alcova! – Edson Olimpio Oliveira – 02 Março 2011

 

03 Março 02 – 2011 – Segredos de Alcova! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Segredos de Alcova!

Aos idólatras do lema – “a propaganda é a alma do negócio”, a atividade amorosa é tão somente um embate carnal de posse e prazer e a catapulta para atingir novas conquistas e tatuar na mente ou no corpo as presas abatidas. Sabe-se também que a fronteira ou a divisa entre o amor e o ódio pode ser tão tênue e nebulosa quanto o humor e conceitos de amantes. E geralmente nesta ordem – amor inicial e ódio feroz e mutilador depois.

– Ele é meio fresco! – acusa em repetidos sussurros entre amigas e familiares para justificar seu abandono ou troca por “outra”. Essa era – ou é – uma prática acusatória de mulher preterida. A expressão facial e meias frases ou frases truncadas desabonam mais.

O homem pouco denegria a antiga parceira seja em respeito aos filhos, fidalguia com o sexo dito frágil ou na agressividade atávica e machista de alguns “pra que chutar cachorro morto”. No último caso geralmente a traição feminina falava mais alto e a macheza não havia “lavado a sua honra no sangue da traidora ou do amante”.

Essas facetas acima pertencem a um tempo mais romântico (?) e de tentativas de relacionamentos mais estáveis e duradouros. Eis que o mundo mudou ou as pessoas com as mentes entupidas de metais pesados e defensivos agrícolas tornaram os relacionamentos transitórios. Tão passageiros quanto as mensagens de internet. Embarca-se no folhetim de alguma novela global e os capítulos seguem um curso sabidamente autolimitado. Há pouca ou quase nenhuma tolerância para o erro-acerto. Tanto a vagina quanto o pênis, por exemplo, não possuem um hodômetro que marque a distância ou leitos percorridos. É facilmente constatável que quanto maior a “quilometragem percorrida em diversos veículos”, menor a tendência ao casal de persistir em seu relacionamento e aprimorar suas qualidades e aceitar seus defeitos.

Para a falange machista essa é uma verdade tangível e intocável. Vamos a uma pequena e verídica estória. Um mestre de obras fazia que os funcionários deixassem os calçados de trabalho em local determinado da construção. Nem sempre adiantava, pois sumiam os pesados calçados frequentemente. Pela manhã, o pessoal ia chegando e calçando as botinas ou botas conforme sua função ou vontade. Para a maioria sequer havia a vontade de encontrar o seu par de calçados diários. Colocava o de mais fácil acesso. Essa era uma das rotinas diárias. Certo dia, uma jovem andava nas imediações da construção e de namoros/ficas com os operários até empoleirados nos andaimes. Já havia “ficado” com alguns deles. Eis que o mestre alertou um jovem peão que se iniciava na profissão: – Calma o pito aí guri, essa daí é que nem botina de obra, qualquer um vem e enfia o pé. Mas não tem dono nem pátria. É de qualquer um e só traz desgraça!

Esses tempos atuais tanto velozes quanto vorazes, jogam as imagens da entrega sexual na internet para gáudio de uns e sofrimento de outros. Amor e ódio? Ou somente ódio e poder. Posse com uso e abuso? E a dignidade? Sentimento e prática ou mero e pútrido substantivo?

 

Carnaval!

[Que eu quero morrer no seu bloco]

[Que eu quero me arder no seu fogo]

A Noite dos Mascarados é para esse cronista uma das mais belas poesias de encantamento do amor de Carnaval. Assim como Quem te viu e quem te vê! Do mesmo Chico de uma época em que o amor e a ideologia incendiavam sua alma e explodia em versos de puro sentimento. Os tempos mudaram e nós mudamos. Tudo mudou? Ou sentimentos primários à criatura humana nos acompanham desde o advento do idílico e fatal Éden?

Somos seres de amor e de guerra. Somos seres de combate e de perdão. Nascemos pela dor e amamos com dor. Evoluímos de bestas sedentas de poder para seres iluminados pelo amor.

[Carolina de seus olhos fundos guardam tanta dor…/ uma estrela caiu …/ eu lhe mostrei sorrindo…/ mil versos cantei para lhe agradar…/ lá fora amor uma rosa morreu…/ eu bem que mostrei a ela, o tempo passou na janela e só Carolina não viu…] Mais encantamento e sedução do velho Chico de tantos amores quantos os poemas de seu espírito sedento e faminto de sentimentos eternos enquanto durarem.

Espaço de Encantamento pela Poetisa Lúcia Barcelos.

Novelos…

Glorifico a Deus cada manhã

Em que o sol se ergue

Envolvendo as sombras com seus braços de luz.

Agradeço ao Criador

Por este amor sem medida

E por todas as manifestações de vida!

Glorifico a Deus cada manhã!…

E depois, qual tecelã,

Tramo os fios do universo:

Teço rimas e versos

E descubro que os poemas são,

Simplesmente,

novelos de palavras!

 

Goteira

A chuva cai pesada.

Há sussurros na madrugada

E ruído de chave nas portas

Nas horas mortas.

Há uma canção inteira

Na goteira!

Uma mulher acordada

Conta os pingos da saudade!

Tragédias da Vida! – Edson Olimpio Oliveira – 23 Fevereiro 2011

 

02 Fevereiro 23 – 2010 – Tragédias da Vida! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Tragédias da Vida!

Há quem veja o ser humano como alguém que nasce puro, mas se deteriora em suas atitudes e ideias por culpa da sociedade onde vive. Assim como há uma corrente ideológica que vê o criminoso como uma “vítima de um sistema cruel” e a prisão somente “piorara seus dramas pessoais”. Neste ramo estão autoridades que preferem criminosos livres de “cadeias desumanas”, dentro da sociedade que eles causaram danos. Assim estamos convivendo lado a lado em todos os ambientes públicos e até privados com indivíduos de altíssima periculosidade. Isso é uma realidade e não uma opinião. E para muitos cidadãos que pagam impostos e sustentam a sociedade e os governos, jamais uma opção!

Uma cara amiga que inclusive colaborou como poetisa dessa página, sofreu literalmente na carne algumas dessas adversidades por insistir em querer viver livremente. Narremos seu drama. Apesar de sofrido dois assaltos no Parque Marinha do Brasil, um deles a mão armada, foi com seu esposo, o filho de pouco mais de 1 aninho e sua cunhada e cunhado curtir uma tarde de sol de final de semana naquele logradouro público. Enquanto seu cunhado andava de skate, eles tomavam chimarrão e brincavam com a criança e sua bola de plástico. A bola foi levada pelo vento e ela, a mãe, saiu em sua busca. Na segunda tentativa de pegar a bola plástica, agachada, seus olhos captaram o horror de um pitbull como uma flecha arremessada contra si. Num ato reflexo colocou o braço direito cobrindo a cabeça. A fera assassina enterrou suas presas na região do seu músculo deltoide – quase no ombro, jogando-a por terra.

O animal assassino rosnava com as presas enterradas profundamente nas carnes da vítima indefesa. As pessoas em torno acudiram e algum iluminado chutou fortemente os genitais da fera assassina. Assim o animal largou sua vítima, arrancando grande parte do braço, numa poça de sangue. O animal assassino desapareceu no meio da multidão. A mãe com o braço lacerado profundamente, com as carnes rasgadas e arrancadas pela fera assassina foi levada para o hospital e submetida à cirurgia com longa recuperação da mutilação. Se a mordida atingisse artérias importantes, o destino poderia ser fatal, tanto do braço como seu possível alvo, o pescoço. Ou a grave mutilação de um belo rosto de uma jovem mãe. Ainda a fera assassina poderia ter atingido seu filho, outra criança ou qualquer outra pessoa.

O dono da fera assassina jamais apareceu para responsabilizar-se pelo ato.

Que esse brutal relato sirva de aviso para todas as pessoas. Esse casal e seu filho, às custas de seus empregos e trabalho, paga arduamente as mensalidades de um tradicional clube de Porto Alegre. Certamente nas dependências do clube isso não iria acontecer. Seriam, outrossim, classificados de burgueses e carregariam “a culpa social” de estarem num ambiente não popular. Deu no que deu! A classificação de selva de pedra é incorreta, na natureza os animais vivem por seus instintos primitivos sem o raciocínio e o entendimento possível ao homem.

O que leva um ser humano a ter uma fera assassina, uma fera desenvolvida para atacar e destruir, em ambiente público sem nenhum mecanismo de contenção física?

 

 

Punição!

Alguém conhece alguma punição efetiva e exemplar para donos de animais que cometem essas atrocidades, inclusive com perdas de vidas humanas? Diversas pessoas que souberam do traumático e sangrento evento duvidam que sejam “presos em fragrante”, que “cumprissem alguma pena em reclusão”, talvez “no máximo umas cestas básicas”, acreditam. E você, qual o seu sentimento e conhecimento?

Espaço de Encantamento!

A noite

Trançando cabelos de estrelas,

A noite me espera!

Entendo a mensagem:

A noite tem sede de poesia!

Quando a noite fecha as portas para o dia,

Atendo o chamado.

Recolho as letras mais belas,

E coloco-as lado a lado!

Lúcia Barcelos – Poetisa

 

Fogueira

O sol se despe do ouro

E joga as vestes sobre a calçada ainda fria.

Palpita o novo dia!

O vulto das recordações que moram em mim

Já se anuncia,

E forjamos caminhos, sem sobressalto!

Aliás, o que fazer quando a saudade

Nos toma assim, de assalto

Com uma implacável grandeza?

E por ser ausência,

A saudade pesa apenas em sua leveza!

Ela é uma fogueira mansa,

Que não fenece e nem descansa…

Não sucumbe,

Porque soprada por teus olhos de céu,

Como se eles também trouxessem vento!

Lúcia Barcelos – Poetisa

 

 

Suor gelado da morte!

 

Pessoas submetidas a intenso estresse negativo, como o ataque mutilador de uma fera sanguinária acordarão em noites sem fim encharcadas daquele suor viscoso da morte trazida em brutais pesadelos. Vários sobreviventes terão dificuldades em voltar a uma vida de normalidade quando submetidas ao hálito mortal e suas cicatrizes jamais as deixarão esquecer que são sobreviventes em uma sociedade tão bela quanto cruel e potencialmente assassina e mutiladora. Jamais as carnes dilaceradas e arrancadas serão repostas nem pelos mais hábeis cirurgiões, assim como suas almas dilaceradas nem pelo mais arguto e hábil psiquiatra ou psicólogo!

Namoro na Praia! – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião de Viamão.

02 Fevereiro 09-2011 – Namoro na Praia! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Namoro na Praia!

Que maravilha o amor! Ele surge onde menos se espera e pode estar a espreita logo ali atrás de uma fatia de melancia.

– Oi!

– Olá!

– Vieste no nosso ônibus ou já estavas por aí?

– Até nem sei muito bem, lembro que estava saindo dum bailão na Santa Isabel e depois estava com uns amigos segurando o alambrado da igreja e agora acordei aqui…

– Entendo!

– Entende o que mina, se eu nem sei que praia é essa e nem sei como vim parar aqui…

– Acho que tu é um príncipe encantado e essa tatuagem no ombro tem o meu nome – Marilin.

– Pô minha, tu é Marilin ou só tá me tirando? Não é sarro teu, mina? Bah eu sempre sonhei com uma Marilin com cabelo cor de fogo. Uma foguinha sabe? Assim com sardas. Não do tipo dálmata. Só sardas. Sou ligadão em sardas e foguinha. Nunca achei ou fiquei com nenhuma, mas sonhava…

– É, mas eu não sou foguinha por fora (tempo – rsrsrsrs) Mas por dentro… e sempre busquei um cara assim do teu tipo. Me amarro em tatuado com essas borrachinhas nos dentes. Bah meu, parece vampiro de novela. Teu nome gato?

– Nardão Dois!

– Acho que não saquei essa aí beemm!

– Seguinte mina, meu velho é o Nardão Um e aí inventou de botar o mesmo nome dele em mim – Leonardo. Sacou? Daí o coroa que também é meio grande, assim tipo mamute. E até na tromba somos iguais! (rsrsrsrsrsrsrs)

– Saquei e to levando fé contigo, que tal largar essa melancia e dar uma banda ali naqueles combros pra ver se tem toca de tuco-tuco e ninho de largatixa? Tem tromba meeesmo?

– É Marilin mesmo ou tava me sacando pela bermuda rasgada? Tem três coisas de que não abro: cerveja, melancia e uma mina foguinha. E tu ainda tá me devendo, big Mari. Com essa lua frigindo os miolos da criatura, valentia só aqui debaixo do toldo e depois da melancia. Pô mina, tu é muito ligeira pro teu tamanho e assim no atraque… dá um taime pra segurar essa bronca e aí quem sabe encaremo a…

– Tão tá bem. E não sai daqui que vou dar uns margulhos e salgar e preferida e já volto…

Infelizmente ou felizmente o Love não teve um bom desfecho. A mina salva pelos salva-vidas depois de cair num buraco e ser levada pelo repuxo. – E o tatuado? Quase morreu empanzinado de melancia e cerveja jogando pelada na torreira de sol.

 

Doadores!

As autoridades públicas e médicas estão preocupadas e aturdidas com o decréscimo no número de doadores de órgãos. Vale também para doadores de sangue, pois os estoques permanecem aquém das necessidades. Infelizmente as perdas de vidas humanas por trauma, particularmente nas estradas são assustadoras e crescentes. Os números de mutilados física e emocionalmente são absurdos. Lutamos para sermos úteis à nossa família e amigos em vida, de várias maneiras. Pensemos que podemos ser úteis ainda na morte. Conscientize-se. Jamais serão usados órgãos de qualquer ser humano sem absoluta comprovação de morte e licença de sua família. Então converse consigo mesmo e decida-se e comunique aos seus familiares a sua vontade.

 

Segurança ao Dirigir!

Os veículos mais evoluídos trazem luzes diurnas, ou seja, luzes para estarem acesas durante o dia. Simplesmente manter as sinaleiras acesas é insuficiente para que você e as pessoas que estão consigo no veículo e que são sua responsabilidade estejam mais visíveis. É provado que luzes de dia ou faróis em luz baixa aumentam a visibilidade dos outros em relação a você e diminuem os riscos potenciais de acidentes. E isso não vai representar custo maior que não valha a sua segurança e das pessoas que você ama. E você que é esposa ou filhos ou somente acompanhantes, exija do motorista o respeito às regras de segurança!

Espaço de Encantamento! – por Lúcia Barcelos – Poetisa

O semeador

  

O inverno existencial despeja lágrimas

e vinca manhãs e noites

com o açoite de seus ventos.

Mas quando o horizonte estende os braços

O poeta vislumbra a primavera que consola,

E semeia sentimentos!

 

Neste silêncio…

 

Neste silêncio, nada me falta.

Tenho tudo inscrito na alma:

As recordações que os deuses me concedem!

O vento passa,

E as folhas nada dizem,

Apenas abraçam o lírio de teu riso

Que colhi na memória:

O resto é sombra!

 

Mão - Rosa

Humor-tal!–Edson Olimpio Oliveira–02 Fevereiro 2011–Jornal Opinião de Viamão

02 – Fevereiro 02 – 2011 – Humor-tal – Edson Olimpio Silva de Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Humor-tal! – Uma Difícil Empreitada.

– Fazer humor está ficando muito sem graça! – Chico Anísio.

Escrever em jornal tem algumas dificuldades não inerentes ao escrever para livro. Escrever em jornal de cidade em crescimento passa por alguns meandros desconcertantes. Certamente as mesmas criaturas que ficam vidradas num Big Brother, sentem-se escandalizadas quando o cronista usa palavras de uso comum dos mortais. É uma falsa moral ou moral de galochas? Jamais na história viamonense algum escritor teve mais contos e crônicas com textos sublimes e em exaltação ao negro. Caso o cronista citar: – Nega véia pega as crianças e embarca no Opalão com essa tua mãeteiga derretida! – dizia o aturdido turista de final de semana depois da troca de pneu na RS 40. É um risco.

E política? Há quem jure de pés juntos que sou “PTzão”. Outros revelam um profundo conhecimento das origens do cronista para afirmar com registro em cartório que sou “PMDBista”. E assim por diante. Quando o cronista escreveu: – Se Deus quisesse radicalismos de Direita ou de Esquerda teria feito as pessoas destras ou canhotas…! – Taí oh, fica em cima do muro ou é agente secreto deles! – alguém rumina de beiço torto. “Deles” quem macuxi? Ou seria pataxó?

E religião? É um perigo absoluto. As paixões religiosas induzem a um sectarismo primitivo. Muitos ainda vivem na Idade Média e a fogueira é a solução para seus problemas. Queimando os outros ou queimando os sofás. As desconfianças e as crises urticariformes podem ser fantásticas.

“Não podemo se entregá pros home!” – diz o refrão gaudério. E o filósofo do Apocalipse T. Jordans complementa com uma histórica expressão viamonense: – É pau no burro Seberiano. Somos em grande parte seres primitivos. E ser primitivo jamais é ser pobre como sinônimo. Há ricos e pobres muito primitivos. Assim como há doutores de atitudes e sentimentos primitivos, contrastando com pessoas que pouco ou nada passaram pelos bancos escolares que trazem uma bagagem pessoal magnífica em entendimento e moral.

Assim também é difícil ao colunista aceitar para publicação certos textos de leitores. É dessa gigantesca responsabilidade com a casa-jornal que nos acolhe e com os milhares de leitores que nos honram com a sua receptividade e leitura que a seleção deva ser criteriosa e responsável. Temos levado nossas colunas para várias centenas de Amigos visitando Amigos numa newsletter agora mensal. A corrente está aumentando e temos incluídos nomes de amigos que indicam outros amigos alguns de muito longe da longeva Setembrina dos Farrapos. Isso nos encanta e incentiva. E cada vez nos torna mais responsáveis. Lembram-se de umas das formidáveis mensagens no Pequeno Príncipe? – Ser responsável por quem cativastes!

Jornal Sexta-Feira!

A cada livro escrito e publicado, a cada jornal que mostra sua face ao povo é como se um novo farol iluminasse a escuridão. A cada ano que um jornal vence a barreira do tempo e conquista a aceitação e credibilidade dos leitores e do povo, a sociedade evolui rompendo as barreira da inércia, da submissão e do primitivismo. Que seu fundador e diretor Jornalista Daniel Jaeger Marques e seus aguerridos colaboradores recebam os Parabéns deste coirmão. Aproveitando, como o tema acima estava no Humor-tal – o jornal será uma Sexta Feira 13 para muitos políticos locais?

Poesias! Pérolas de encantamentos.

Agora um pouco de encantamento pela poesia da nossa amiga e colaboradora Lúcia Barcelos. Ou como diriam os apresentadores de antanho: Senhoras e Senhores! Orgulhosamente apresentamos…

Rumos e rimas

 

Acharás tanto amor nos rumos destas rimas,

Que seguem a trilha orvalhada de teus lábios,

Que se lançam no abismo profundo de teus olhos,

Que se saciam do vinho pulsante em tuas veias clip_image002

Que se enredam na sedução de tuas teias,

Que se nutrem do pão doce de tua alegria.

Acharás tanto amor nos rumos destas rimas

Que te perderás, e depois te encontrarás

Nas estradas sinuosas da poesia!

 

Milagre

 

É amor o impulso que move estas mãos que te escrevem versos!

De repente, todas as belas palavras que pareciam esquecidas

Cantaram o teu nome em páginas virgens e ansiosas.

O vento do desejo desenlaçou as pétalas das rosas

E as dádivas do outono dançaram ao sabor da terra.

De repente, toda saudade que insistia no silêncio da rua,

Todas as nuvens cinzentas que escondiam a lua,

Fugiram errantes!

E minh’alma úmida deste mar de amor,

Não é árida e triste como era antes!

 

Cicatrizes

 

Pobres versos que perfumo, então,

Quisera-os coloridos, borboletas felizes,

Com asas estendidas em teu coração,

Substituindo tuas cicatrizes!

Lúcia Barcelos – Poetisa

 

 

Na Capa da Gaita! & Viamão–a 1a. Capital de TODOS os Gaúchos!

01 Janeiro 26 – 2011 – Na Capa da Gaita – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Humor – Jornal Opinião de Viamão

Na Capa da Gaita!

– Série: Faça Humor não faça Política –

Verão! Férias para alguns! Outros continuarão na mesma balada do pão nosso de cada dia. Pesquisas dizem que o brasileiro é uma pessoa bem humorada. Outra mostra o sadismo (?) nacional. Quem elege tiriricas, sarneis, malufis e tantos outros desse naipe deve ter algum propósito tétrico? E é na alegria contagiante de uma classe média expandida em cerca de novos 30 milhões de pessoas no governo Lula que vamos nos unir à alegria no Verão. Viva o Verão! Quem viver Verão! – parodiando o T. Jordans, filósofo do apocalipse. Essa introdução (ou seria introito, ou quem sabe prólogo?) está para a nossa maravilha de idioma, com o português do velho Camões e as suas expressões idiomáticas de tanto encantamento. O mundo fala inglês porque é fácil, língua para pessoas de escassos QI. Por isso não aprendem o português.

Quando envolve sexualidade, as expressões são quase infinitas. Evitaremos o tema sexual por respeito aos Colorados em Abu Dhabi. Estar na capa da gaita ou cair pelas tabelas também pode ser uma alusão esportiva, mas não é essa a intenção – reintero em juramento! Deu os doces ou tancredou, significa sifu ou se ferrou. Assim como quem tá pela bola sete ou está apitando na curva. Nesta mesma curva o cara pode sair dos trilhos e estar acendendo uma vela pra cada santo.

Jesus te chama é sublime, mas quando o Elmo te chama… A criatura está prestes a abotoar o paletó e ir para a cidade dos pés juntos. Estar numa M total é pior do que estar numa M parcial? Isso lembra-nos do político no inferno dentro de uma piscina de estrume. Está na ponta dos pés. O estrume batendo na beira do beiço inferior quando um deputado murmura: – Cuidado com a onda!

Vejam como é difícil falar em desgraça e humor sem entrar na política! A criatura quando tá nas barbelas ou quase caindo pelas barrancas geralmente está pelo voto de Minerva, que foi algo assim que limpou a ficha do Maluf e o abençoado vai de novo. Eterno como o inferno. Outro dos Oliveira dizia: – O Inferno é aqui mesmo! Já borococho é algo mais leve do que do jeito que o Diabo gosta! E gasta, como nossos congressistas! Ops, outro deslize.

Não podemos se entregar pros homens! De jeito nenhum, amigo e companheiro! Enquanto há peleia há salvação dizia uma ovelha no meio de cinquenta cachorros ferozes e famintos. Curtir a vida e aproveitar o verão. Uma pausa entre colorados e gremistas, assim como entre judeus e árabes e apreciar o que de bom a vida insiste em oferecer-nos! Brincar com vocábulos, fazer belas poesias ou como o cronista que vê onde muitos não enxergam faz a alegria do escritor e o deleite do leitor.

 

 

A água das pipas!

Leitores, nos encantamentos das recordações, revelam-nos que a água para o Centro Histórico da Viamão vinha de fontes, como a Fonte de Dom Diogo e a Fonte da Paciência.

 

Viamão – Centro Histórico!

Esse cronista eventualmente tem usado o termo Centro Histórico para denominar o centro da cidade de Viamão. Por quê? Viamão é composta de uma diversidade de regiões, distritos ou vilas. Algumas sem ou quase nenhuma identidade com a região central. Outras inclusive com desejo ou aspirando emancipar-se e tornar-se município assim como foi com o distrito de Passo do Feijó que originou a cidade irmã de Alvorada. Itapuã é outro distrito que mereceria uma denominação especial. Porto Alegre que historicamente originou-se da Primeira Capital de Todos os Gaúchos aprovou por lei essa denominação.

 

Viamão – A Primeira Capital de Todos os Gaúchos!

clip_image002Esse cronista cunhou ou forjou essa expressão há várias décadas denominando com o motociclista Luiz Zavarize uma Equipe motociclística – Primeira Capital Equipe. Assim levou em camisetas, adesivos e bandeiras essa legenda ao Brasil e estrangeiro. A criação da logotipia deveu-se ao brilhante trabalho do talentoso designer Gilson Silva da GassPropaganda.

Jamais pregamos que o título de primeira capital política não seria da antiga cidade de Rio Grande. Usamos o destaque de Todos os Gaúchos. Muitos leem e não enxergam ou não entendem. Ou ainda desconhecem a história. Resumidamente – durante as Guerras Cisplatinas com os castelhanos invadindo o Rio Grande do Sul e sob a iminência de enfrentamento, o governante e sua trupe abandonaram a cidade e os habitantes a sua sorte e deslocaram-se para Viamão. Somente a partir daí acendeu-se o sentimento de unidade para os rio-grandenses que se organizaram para enfrentar os invasores. De outra forma era uma tática de tornarmos a nossa querida cidade conhecida, comentada e discutida. Ainda – uma manifestação explícita de enfrentar os sentimentos espúrios de inferioridade de parcela de seus habitantes.

 

 

 

Tragédia e Incompetência!–Um Final Previsível.

1 Janeiro 19 – 2011 –  Tragédia & Incompetência! Um Final Previsível – Edson Olimpio Oliveira

 Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Tragédia & Incompetência!

Um Final Previsível.

Apesar de diversos leitores clamarem por textos com humor durante as férias de verão, o cronista sente-se constrangido quando a desgraça torna-se tão pesada e por vezes insuportável para tantos irmãos brasileiros. Sempre cabe alertar aos gansos de plantão que o cronista é inimigo da generalização. No entanto, solicito que pensemos juntos.

 

Falta de água e excesso de água! Isso é somente uma parte do tema. As mudanças climáticas são perceptíveis, mas certas condições climáticas e ambientais estão presentes há várias décadas. Assim como as áreas consideradas de risco para moradias ou trabalho estão mapeadas desde longa data.

 

A carência de água na região sul do Estado é histórica. Bagé sofre com racionamentos de água há mais de vinte anos. Certamente as promessas de sanar essa situação acompanham esse povo há mais tempo. Bagé é exemplar neste contexto, apesar de ser uma cidade com prestígio e poder num passado pouco distante. Ser bageense foi e ainda o é para alguns como algo charmoso, mas a realidade é de um flagelado. O flagelo da seca nunca foi exclusividade do Nordeste brasileiro. Governos de todos os naipes e cores se sucedem. Homens públicos afloram e sucumbem na mesmice dos anos secos. Populações rurais dependem da água barrenta e fétida ou dos escassos caminhões para matar a sede das pessoas e dos animais. As plantações esturricadas e o gado magro formam um quadro do árido nordestino no Rio Grande do Sul.

 

Eis que somos invadidos pela aluvião de imagens, sons e notícias de outra aluvião que carregou e soterrou centenas de pessoas no Rio de Janeiro. A nossa humanidade fica dilacerada diante de tanta dor que nossos sentidos captam. Os estragos materiais são gigantescos, mas a destruição de vidas, famílias, sonhos e até de esperanças é algo incomensurável. Os primeiros e segundos, ou terceiros sentimentos são de pesar e constrangimento. Logo vem a sensação de que somos como folhas de árvores que sucumbem ante a natureza em fúria. Temos alguma dimensão da pequenez do homem ante as forças da mãe Terra. A nossa impotência e finitude são absolutamente gritantes.

 

A complexa natureza do homem ante os outros seres vivos e à própria natureza exige-nos algo mais. Até podemos entender que talvez haja mais gente do que regiões do planeta suportem. Em 1968 cerca de oitocentas pessoas morreram em circunstâncias similares no mesmo Estado informa a mídia. A mesma mídia mostra que quase anualmente as tragédias se repetem. No entanto, as soluções jamais aparecem. São postergadas por motivos diversos expelidos em bocas diversas. Os brasileiros, autoridades e políticos ou não, estão adequadamente aptos e preparados para as festas de belos e iluminados carnavais. Despreparados para a prevenção e para a situação de tragédia. A prevenção é óbvia para todos – ou quase! Nas primeiras vinte e quatro horas, somente bombeiros locais e as próprias pessoas voluntárias se auxiliavam. Hoje, depois de quase três dias de desgraça, muitos locais continuam isolados, passíveis de resgate soterrados ou entregues à própria sorte, falta de água e alimentos e remoção para áreas de menor risco. Pessoas entregues ao pânico pela falta de gerenciamento eficaz do cataclismo. Autoridades entrevistadas aguardam que outras autoridades… Outras revelam a “liberação do fundo de garantia” e outras coisas absolutamente secundárias e despreparadas para salvar e gerenciar as vidas sob suas responsabilidades. A Band registrou “onde estão as Forças Armadas”, pois quase 48 horas depois e ainda se sucedendo o caos, somente os helicópteros das empresas de jornalismo auxiliavam no resgate. Isso demonstra a falta de um protocolo imediato para grandes tragédias por todas as autoridades responsáveis há décadas.

 

Essa realmente é uma herança maldita que nossa Presidenta recebe. Outra é ter que acomodar o vampirismo explícito de partidos e de pessoas para tentar governar. A Ditadura não foi eficiente para isso. A nossa Democracia também não será enquanto a natureza de nossos eleitores elegerem ineptos ou ainda pior – bandidos. Lembra-se de alguém assim?

 

 

Pipas d’ água e outras reminiscências!

Alguém recorda dos pipeiros? Certamente o ilustre viamonense Antoninho Ávila, uma enciclopédia viva da história, terá inúmeras e belas histórias para nos contar. Pois eu tive um irmão de minha mãe Dora, também Toninho, que foi pipeiro. Vamos ilustrar a cena: a pipa era uma carroça puxada por cavalo ou burro com um tanque de metal ou madeira que enchida de água era levada aos lares e descarregada. Pagava-se por pipa. Não recordo de onde vinha a água. Outro viamonense que pode auxiliar nesta regressão histórica é o Haroldo Franco.

Algumas casas coletavam a água da chuva em tonéis. A higiene? Geralmente precária, pois minha mãe sempre me alertava para aquelas águas não filtradas e fervidas que tinham “micróbios”. E realmente viam-se as larvas em alegre fandango nos tanques. Muitas casas tinham as talhas de cerâmica e acima delas uma caneca de metal – muitas confeccionadas pelo funileiro Pasqualino, esposo da amiga negra Doca Lavadeira – e ao seu lado um tripé também de metal com uma bacia para a higiene rápida. Nas residências “mais finas” ou dos mais abonados havia um belo lavatório de louça ricamente desenhada e colorida. Ainda havia os filtros de cerâmica, similares aos que os governos entregam nos flagelados da seca na Campanha. O filtro é composto de duas cubas redondas acopladas. Na superior é depositada a água que através de duas velas internas realizavam a filtragem. Os filtros eram higienizados semanalmente, talvez. As velas eram retiradas e escovadas e trocadas quando gastas. Já lavei e escovei muito filtros e velas.

O Relojoeiro Colorado! & Dra. Karin Marise Jaeger Anzolch

01 Janeiro 12 – 2011 – O Relojoeiro Colorado Glória e Flagelação – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

O Relojoeiro Colorado! – Glória e Flagelação.

Série: Humor ainda é um bom Remédio.

Quem é primo do meu primo, meu primo é! Este amigo é colorado de todos os costados, mais do que quatro. Zombeteiro nas vitórias como todos os fanáticos torcedores. Deprimido nas derrotas, também como os fanáticos. Fanatismo é uma raça especial em que não basta vencer é preciso fazer os outros – gremistas ou colorados – sofrerem. Tripudiar é a sua arte. Escarnecer e vibrar seu jogo. Nunca prometi não escrever sobre futebol, mas tenho evitado. Agora os fatos dramáticos quase se sucederam na ancestral Viamão de Todos os Gaúchos.

– Segurem o homem! – alguém berrou no corredor.

– Me dá a navalha! Me dá a navalha! – berrava o relojoeiro colorado espumando pela boca com os olhos injetados de sangue. Quase arrebentou a porta de vidro temperado do salão da barbearia. Teve cliente atirando-se ao chão. O cliente que estava na cadeira, jogou-se para um lado com as toalhas presas no pescoço e ajoelhado dizia: – Eu pensava que ela não tinha marido! – mas a bronca não era consigo.

Uma falange de gremistas sádicos explodia foguetes no Largo da Caixa D’Água. – Vou cortar os pulsos, uivava desesperado! – contido pelo coffeur depois de encaixar um golpe de jiu-jítsu “sossega-leão”. Gravateado e com as mãos presas persistia em cruel sofrimento: – Mazembe! Mazembe! Mazembe! – O seu amado colorado levara dois a zero do Mazembe (e lá isso é nome de time o cara?). Mas eis que chega a turma do deixa disso ô meu, pô cara vamo manerá, pega leve, fica frio, to contigo e não abro, te conforma que quase morri das hemorroidas… Sabe como o pessoal é solidário com o atroz sofrimento de uma criatura em absoluto desespero?

– Abu Dhabi! Abuuu Dhaaabi! Kidiaba! – balbuciava quando o barbeiro afrouxou o golpe. Ex-lutadores de jiu-jítsu e kung-a-fu sabem conter de um touro brabo a uma criança murrinha.

– Acho que ele tá enfartando! – gritou alguém.

– Chamem um cardiologista pelo amor de Deus! – berrou outro colorado cuspindo-se, mas solidário na crise existencial e quase fatal do estoico relojoeiro colorado.

– Não adianta ele também foi pra Abu Dhabi torcer pro Inter!

A horda tricolor fazia avalancha no camelódromo. Os foguetes não cessavam. Outra falange armou-se para incendiar os banheiros da praça. O comércio fechava as portas temendo depredação. Coisa de louco! Repórteres de vários jornais acionaram os celulares para filmar e fotografar as cenas dantescas de pura barbárie.

Eis que chega o primo salvador da pátria e abre um clarão no meio da plebe irada. Com a voz tonitruante e um caderninho de orações do Padre Bernardo amorosamente guardado da sua infância: – Telefonei pra chefa em Abu Dhabi e ela mandou dizer que é muito melhor ser o quarto lugar no planeta Terra e em todo esse mundão do que quartinho aqui.

Foi como se uma luz divina a todos atingisse. Os colorados extasiados contemplando o Sol Vermelho, os gremistas recolhendo-se com suas bandeiras e foguetes e as escoriações da avalancha e o relojoeiro colorado suspirando na cadeira do barbeiro arrematou: – Vamos fazer uma barba e um cabelo que a vida continua e de mais a mais Papai é o Maior e é o Campeão de Tudo!

 

Dra. Karin Marise Jaeger Anzolch

Médica – Urologista – Cirurgiã

Mestre e Doutora em Medicina e Cirurgia

Aos 20 de Dezembro de 2010 defendeu Tese de Doutorado a Dra. Karin Marise Jaeger Anzolch, sendo aprovada com grau máximo na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Filha amada do caro Geraldo Élio Jaeger e de Shirley Celina de Oliveira Jaeger (falecida). A Dra. Karin consagra uma formação médica em terras rio-grandenses, tendo passado por ilustres universidades e hospitais da Europa e da América. Geraldo e Shirley deram a melhor formação humana e moral aos seus seis filhos e todos galgaram as melhores universidades. A Dra. Karin e três irmãos são médicos. Todos são Especialistas destacados em suas áreas médicas e tendo outro Mestre em Urologia – Dr. Carlos Daniel, um Mestre e Doutor em Medicina e Cirurgia Plástica – Dr. Marcos Ricardo, outra médica e Especialista em Pediatria – Dra. Shirley Denise. Outras irmãs, a Dra. Hellen Marise é Advogada e a Dra. Anne Caroline é Cirurgiã-Dentista, Especialista em Endodontia e Mestranda.

Em sua defesa de tese fez amorosa dedicatória a sua querida mãe. Geraldo e Shirley constituem essa legião de Guerreiros Anônimos que mesmo não tendo as condições de cursarem as escolas em sua época, dedicaram-se ao trabalho honesto e ao cuidar com amor e disciplina do seu maior patrimônio – os amados filhos! A Dra. Karin é esposa do Dr. Ronei Anzolch, Especialista e Mestrando em Medicina e Traumatologia, e tem as belas filhas Marcelle e Danielle. O apoio e a compreensão da família ilumina o caminho dessa mulher, mãe e médica que desbravou caminhos antes quase que somente masculinos na Urologia e consolida uma trajetória de vida pessoal e profissional exemplar. Todo o sucesso acadêmico e de pesquisa do Médico somente tem razão quando o Paciente é e continua sendo a razão primeira de sua luta e dedicação e a Dra Karin assim entende e pratica seu nobre ofício.

A Era Lula e Dilma Presidenta!

01 Janeiro 05 – 2010 – A Era Lula e Dilma Presidenta – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

A Era Lula e Dilma Presidenta!

 

Somos privilegiados. Teria o Brasil três eras fundamentais em sua existência – o Advento Republicano, a Era Vargas e a Era Lula? Não que outros entendimentos não tenham sido importantes ou fundamentais. Alguns brasileiros tiveram o privilégio de estarem na Era Vargas, em que mudanças radicais aconteceram com reflexos para aquela época e ainda se sentindo hoje, como a legislação trabalhista, por exemplo. Na Era Lula, queiram ou não seus oponentes ou detratores, ocorreram mudanças sociais talvez jamais vistas neste Brasil de severas e graves diferenças.

O operário e líder sindical oriundo de uma família de boias frias tornou-se Presidente do Brasil. Com Getúlio Vargas o homem tornou-se maior que os partidos políticos. Com Lula isso também acontece. E quando isso ocorre há um risco potencial – a idolatria. Quem tem um pai vê somente suas qualidades ou também enxerga coisas que lhe desagrada? Certamente ninguém está isento e imune às enfermidades da humanidade. Getúlio era chamado de o pai dos pobres. Lula também é visto assim. E foi neste governo de oito anos do Lula que uma população equivalente a uma Argentina incorporou-se à classe média do Brasil. Cerca de cinquenta milhões de pessoas ingressaram na sociedade de consumo que se permite sonhar e realizar seus sonhos, que vão desde um singelo equipamento de som até à casa própria. E isso é maravilhoso!

Houve problemas? A luz também traz sombras, mas o ganho foi muito maior e daí vem a aceitação desse homem numa galeria de iluminados. Muitos desejam, poucos conseguem. E agora – Dilma Presidenta! O Brasil traumatizou-se com algumas mulheres no poder e talvez tenha começado com a fatídica Ministra Zélia Cardoso de Melo e passaram por governadoras e outras autoridades. Dilma sempre foi a guerreira competente e fiel aos seus princípios e aos seus líderes. Escrevi que Dilma encaminhava-se para esse evento quando foi convocada para o Ministério de Lula e reafirmei quando foi chamada para a Casa Civil e fez a máquina governamental andar e o Presidente teve mais paz para exercer suas outras habilidades na arapuca da política, na sensibilidade social e no contato direto com as pessoas.

Como no seu discurso de posse, Lula dizia que jamais poderia errar em conduzir seu governo. Dilma não pode errar como mulher exercendo o maior cargo do país. Acredito que as pessoas podem discordar do técnico do seu time de futebol ou da seleção (Dunga jamais seria unanimidade, principalmente porque isso seria burrice redundante). No entanto, as pessoas jamais deveriam torcer contra sua família, sua cidade, seu Estado e muito menos querer a desgraça de seu país. Oposição radical de direita, centro ou esquerda é absoluta conspiração contra a maioria em benefício de alguns.

Que o Brasil continue a crescer em qualidade de vida para seu povo e em harmonia com o mundo. Que nossos governantes atuais corrijam rotas equivocadas ou distorcidas do passado e prossigam nos caminhos de realizações e de luz que seus antecessores pavimentaram. Uma sociedade mais justa e que as desigualdades sejam apenas meras cores de bandeiras e jamais da pessoa sobre a pessoa. Que a esperança jamais nos abandone e que os sonhos sejam metas realizáveis para todos. Dilma saúde, sabedoria e sucesso! E antes que o leitor pergunte: – E Tarso? Creio que é o homem certo, no momento certo para o cargo certo a que tanto aspirava. E o sucesso de Tarso e do Rio Grande do Sul de Todos os Gaúchos será seu passaporte para a Presidência do Brasil. Acredito que seu coração sinta assim. Felicidades Tarso!

 

 

Economia Solidária: Coragem para mudar o Mundo!

 

Enfim criei coragem

E pedi demissão

Do relógio não sou mais escrava

Disse adeus ao meu patrão.

 

Cansei de ser explorada

De sol em sol, de chão em chão.

Quero casa, quero terra e liberdade.

Quero que na mesa, nunca mais falte pão.

 

Vou sonhar e produzir

Dividindo as tarefas, administrando o tempo.

Vou vender, vou viver, vou sorrir.

Vou fazer parte de um empreendimento.

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Sozinhos, não mudamos o mundo

Mas juntos, construiremos um planeta saudável.

Respeitando, reciclando e transformando.

O que antes era lixo, agora é sustentável.

 

Aprendi sobre sustentabilidade econômica

E o “tal bicho” da autogestão

Outro mundo é possível

Se praticarmos solidariedade e cooperação.

 

Desenvolvimento sem capitalismo

Na pedagogia popular do aprender

Economia solidária é isso:

Um jeito diferente de se viver!

            

Leonise Nichele Pereira – Presidente da ALVI e Poetisa

 

Natal e Ano Novo!

Eu e os amigos colaboradores agradecemos aos belos votos recebidos. Retribuímos de coração e espírito. E um aviso aos companheiros de jornada – a ALVI-Associação Literária de Viamão está renascendo com Leonise Nichele Pereira de Presidenta e com o vice Gérson “Poeta” Alves e antigos e novos participantes.

Especial Ano Novo–Edson Olimpio Oliveira–Crônicas & Agudas–Jornal Opinião–29 Dezembro 2010

12 Dezembro 29 – 2010 – Edição Especial – Feliz Ano Novo – Colaboradores – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão.

 

            2010 – o ano que está terminando. A sabedoria humana ou o bafejar dos deuses construíram essa mágica de tornar o tempo fragmentado. Com hora para começar e acabar, dando-nos assim a possibilidade de nos perdoar e de sermos perdoados, de prometer ser ou fazer diferente num novo tempo e assim como deuses finitos em carne, osso e gases sermos senhores do futuro. A página traz hoje o talento de amigos colaboradores que esculpem sentimentos com o cinzel das letras e palavras. Curtam. Aproveitem. Agradeço-lhes permitirem passarmos em suas existências. Lamentamos alguma dor causada. Oramos para que suas vidas sejam mais alegres e iluminadas e que o Ano Novo traga-lhes harmonia, saúde e sabedoria.  – Edson Olimpio Silva de Oliveira.

Uma história de amor!

* Por Benedito Saldanha – Viamonense e Membro da Academia de Letras do Brasil

            Faz três anos que ela partiu. Até parece que foi ontem. Mas guardo dela as mais lindas lembranças e os melhores momentos de um amor que jamais terá seu fim decretado. Guardo as fotos dela como quem guarda uma relíquia. Lembro do sorriso dela quando amanhece o dia. Ouço a voz dela quanto estou enfrentando momentos difíceis. Luto contra a tristeza diariamente e lembro que ela me pedia para eu nunca deixar de fazer as coisas que gosto e também que eu nunca deixasse de escrever. Ela adorava minhas poesias e minhas crônicas. E profetizava que eu ainda seria um escritor famoso. Sigo escrevendo por que ela me pediu porque, na verdade, não sinto inspiração alguma para empunhar novamente uma caneta e nem digitar no teclado.

Nossa despedida foi unilateral, isto é, só eu pude me despedir e dizer para ela o quanto eu a amava. Ela não podia falar. Até hoje não sei se ela estava me escutando. Prefiro acreditar que sim. Peguei em sua mão e beijei seus lábios, mas já sentia que ela não estava mais consciente. Apenas contemplei-a pela última vez, transformando minha tristeza em lágrimas que teimavam em escorrer do meu rosto. Sob o olhar apreensivo de médicos e enfermeiras me despedi dela. Nada mais restava a fazer. A doença que dominara o seu corpo, vencera, não dando chances para que a medicina pudesse ainda tentar alguma ação. Assim foi nossa despedida. Ela, inerte na cama de um hospital. Eu, triste e revoltado, mas ainda acreditando em encontrá-la em outra dimensão.

            Faz três anos que ela partiu. Mas até parece que foi ontem. Quantos planos fizemos juntos, quantos projetos ainda por realizar. Ela se foi aos 28 anos de idade e estávamos cada dia mais apaixonados. Lembro da última noite que ela dormiu em casa. Ela me olhou bem no fundo dos meus olhos e disse que era a mulher mais feliz do mundo por ter vivido aquele amor em toda a sua intensidade e que, apesar de estar indo para o hospital buscar a cura daquela enfermidade, jamais deixaria de acreditar que um dia voltaria para a nossa casa. E que eu a esperasse porque ela voltaria mais linda do que antes para que pudéssemos então concluir o projeto do nosso jardim com as flores preferidas dela. Mas o destino não quis assim. E até hoje me vejo olhando para o jardim inacabado e esperando ela chegar no portão.

Dizem que o amor vence tudo e remove todas as barreiras. Me pergunto: até que ponto isso é verdade??? Sempre pensávamos em vivermos muito tempo lado a lado e nos amando muito. Sempre prometemos um ao outro que iríamos nos amar pra sempre. Mas nunca contávamos que a mão fatálica do destino fosse nos separar ainda no esplendor de nossa juventude. Apesar da perda posso dizer que vivi esse amor em toda a sua plenitude. Abdiquei de muitas coisas por causa dela e sempre preferia a companhia dela aos programas com os amigos.

Muitas coisas restaram deste amor, muitos sentimentos ainda estão presentes, mas o que de mais valioso ficou foi o fruto desse amor infinito, o ser que ela trazia em seu ventre, nossa filha, que recém completou três aninhos e que a cada dia se parece mais e mais com ela. Nossa filha é o que sustenta ainda minha presença neste mundo. É por ela que eu vivo. É por ela que eu luto.

Quando me perguntam se ainda vou amar outra mulher respondo que não, que o amor de verdade só se vive uma vez. E este amor eu já vivi. Mas, apesar da minha imensa tristeza, ainda espero reencontrar esse amor em outra dimensão, quando então nossas mãos se entrelaçarão novamente e nosso jardim será finalmente concluído… Então no mundo celestial.

Meus pés!

·         Baltazar Molina – Poeta da ALVI

 

Por setenta anos caminhei no mundo.

Estes pés me levaram ao desconhecido.

E acharam o rumo certo ao caminho.

Nem sei quantas vezes que estive perdido.

 

Com eles estive na alta montanha.

Andei caminhando a beira dos rios.

Desci os barrancos ate o caudal barulhento.

Escalei a escarpa de profundos abismos.

 

Eles me levaram pelo caminho de sonhos.

Num tempo sem bússola que tive na vida

Andei pelos vales e jardins floridos.

Gastando distancia no andar fugitivo

 

Voltei a meu pago com os pés cansados.

Daquele que no tempo muito caminha.

Com muita tristeza ao voltar tão tarde.

Ouvi o silencio de minha casa em ruína.

 

Sarau de Saudades!

·         Por Lúcia Barcelos – Poetisa da ALVI

 

Hoje, o ponteiro é uma voz chorando as horas,

E a saudade tem a cor das tardes

Que traziam promessas de encontros breves.

À noite, levávamos sorrisos e almas leves,

E sob a luz transparente que estremecia

Nos entregávamos aos braços da poesia!

 

 

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