Vacinas, Tratamentos e Cães Perdigueiros! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 06 Janeiro 2021.

 

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Vacinas, tratamentos e os cães perdigueiros!

 

Já contei, mas não custa repetir para as melancias se acomodarem no balanço da carreta da informação e contrainformação. Esse causo é dito como verídico. Os envolvidos eram de tradicionais famílias da Viamão de antanho.

 

Três amigos (Carlos, José e Antônio – nomes fictícios) armavam outra caçada de perdizes no interior de Viamão City. Num faxinal onde o diabo perdeu as botas, pois as meias ele perdeu bem antes. Raros veículos motorizados, os caminhos somente com tração animal. Três carroças, cães perdigueiros, toda a tralha que os caçadores e pescadores intentam de levar. Algumas paradas de descanso com goles da purinha, torresmo e roscas de aipim. Também uma farofa de galinha de almoço. Pelas tantas da tarde, armaram a barraca na revessa de um capão de mato. Os cuscos, digo, perdigueiros apuraram o faro e alegres como guri em aniversário. As espingardas iniciaram o canto de alegria para os homens e de morte para as perdizes.

 

“Agora vamos dar uma trégua, sossegar e assar uma costela” – disse Carlito. Zeca trouxe um garrafão de vinho “de padre ou de missa”. “Mas que tal um carteado por perdiz? – puxou o Tonico. No jogo de pife-pafe e nos acampamentos apostavam seus “troféus”. Nos “finalmentes”, tudo ficava quase na mesma, mas a alegria era muita. O cansaço do dia, barriga cheia, os tragos na “purinha”, boa comida e bom vinho, os cachorros já dormiam no costado da barraca. O sono chegou de mansinho e logo atropelou. Sempre deixavam um candeeiro com fogo mínimo para que alguém levantasse na madrugada.

 

Crônicas & Agudas – Cr & Ag

 

O silêncio, eventualmente cortado por uma ave noturna ou um mugido do gado, Carlito acordou-se com a costela pedindo passagem e bater continência – se me entendem. Enfia a mão na sacola e saca um maço de papel comum (papel higiênico é moderno). Pega o candeeiro e busca uma boa árvore no mato, encostar-se e… Aliviar-se! Não chegou a arriar a calça quando o lusco-fusco apresentou uma enorme cobra preta. Num reflexo pegou um pau forte e matou o bicho. Enquanto evacuava encostado na árvore, olhava a serpente. Surge a ideia safada – o Zeca tinha pavor de cobras. Nem usava minhocas para pescar de anzol.

 

Acordou Tonico a armaram o plano. Enrolam a cobra aos pés do Zeca. Com um garfo de fritar peixe, deu-lhe uma estocada na perna. Acorda num berro de dor e com a marca da picada. Todos “acordam”. A cobra é estraçalhada. Zeca em pânico. O homem fica “mal barbaridade”. Não há tempo para voltarem à Viamão. Nenhum remédio. O “doente” agoniza. Tonico lembra de “um remédio feito com ervas e estrume seco de cachorro por um velho pajé índio” que seu bisavô conheceu. Zeca: “Façam logo antes que eu morra!” Reúnem vegetais, ervas das mochilas e fezes dos perdigueiros e água numa panela no fogo, cozinham. Talvez com a ideia de tirar o medo do amigo ou por troça mesmo, não contam a verdade. Eis que Zeca em “desespero e na agonia da morte” pega um pedaço do cocô e mastiga dizendo: “Vou me adiantar já que o remédio tá custoso de aprontar”. A trama é desfeita. Briga armada e amizades destruídas para sempre e por todos os familiares. E nas próximas gerações.

 

Você observa analogia, similaridade, semelhança do “Zeca picado de cobra” com certas pessoas nesses tempos sombrios e de dor adubada com pânico por “especialistas” e imprensa necrófila? Sem medicamentos ideais e plenamente confiáveis. O causo, humor, reflexões? Entre a cruz e a espada, com certeza. Única certeza!

 

 

2021 – 01 – 05 Janeiro – Vacinas, tratamentos e cães perdigueiros

Eds Olimpio

Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

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Trégua! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 22 Dezembro 2020.

 

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Trégua!

 

A idade tenta nos ensinar e usar melhor o nosso tempo. Evitar desperdícios e aproveitar as horas como se fossem as últimas. Muitas vezes é o tempo derradeiro. Nessas tempos sombrios, hoscos e de futuro incerto isto é essencial. O vírus não tem alma e nem coração. E você?

 

As mortes se avolumam com a pandemia e o pandemônio das autoridades e imprensa. Pessoas oscilam entre extremos de depressão silenciosa e agressividade desmedida. O mundo está mais violento e dividido. Os algozes da separação, do divisionismo se orgulham e não arrefecem sua fúria. E você?

 

Pequenos incidentes do lar ou na rua geram crises até com risco de morte. As redes sociais incentivam agressões que não seriam assim no cara a cara. Frente à frente. Tête-à-tête.

 

Falemos de médicos. Vejo e lamento que há grupos com tanto desequilíbrio pessoal. Há opiniões exacerbadas ou inserem artigos de jornal ou da internet que “reforçam” suas posições de ataque. Ofensas! Alvos como a Geni da música. Ofendendo e agredindo.

 

A Geni da vez lerá suas opiniões e agressões? Evidente que não! Logo, sua fúria tem como alvo e destino aos seus colegas e “amigos”, quem pensa diferente ou até pensa pouco. É razoável e necessário isso?

 

Crônicas & Agudas

 

E não é somente na política. É no futebol e na Medicina. “Esfregar no nariz” a sua opinião “correta” sobre a vacina, o vírus, tratamento precoce ou tardio fará o outro médico mudar sua opinião? Provavelmente não.

 

Assim é ataque e manifestação de ódio, também é a exposição de algum desajuste interior. Os revides não tardam. O ambiente torna-se nocivo e tóxico. Compulsivamente a peleia avança. Observe que o médico e cronista não partidariza no “certo ou errado” de qualquer pessoa. Revejo a situação ampla, repetitiva e triste.

 

Como se não bastasse a imensa quantidade de lixo repassado, a arena está ativa e prejudicial.

 

Ataca-se o colega por sua opção de time de futebol. A “corneta” pode ser usual, mas é legal? Acrescenta algo melhor aos relacionamentos? Ou a intenção consciente ou não de enfiar o dedo na ferida de alguém é algo saudável e acrescenta valor à amizade? Não! No jovem é estupidez e no idoso?

 

Crônicas & Agudas

 

Se eu não posso fazer o bem, o mal eu não faço!” – ensinava meu pai Aldo. “É de brincadeira.” “Nem percebi.” “A verdade deve ser dita.” O tempo é escasso para reformar bobagens. Outros, escassa inteligência emocional ou maturidade. Há quem transborde seu íntimo agredindo. E você?

 

Nas piores guerras da humanidade, até nas batalhas de enfrentamento de irmão contra irmão, guerras fratricidas, ou mortais revoluções de países e etnias houve um momento de reflexão, de paz, de cristandade.

 

Alguém sentiu o toque do amor e da razão em sua alma e acalmou seu coração. A humanidade é uma antes de Cristo e outra depois. O Natal é um gerador de amor sem limites, desde que você se abra e ofereça um tempo de paz.

 

 “Bandeira branca amor. Eu peço paz…” Deve ser música para nossa alma. E os soldados e guerreiros faziam um tempo de trégua.

 

Crônicas & Agudas

 

Evite revidar ou mostrar a sua razão. Uma trégua de Natal e início de ano. Difícil?  Agendem um enfrentamento presencial, se necessário. Ou eleve-se. Supere-se e dê o primeiro gesto ou atitude de paz. Natal é Cristo. Cristo é perdão e gratidão. Primeiro a si, depois aos outros.

 

Trégua! Recolha-se dessa arena. Deixe os maus odores para quem semeia ódio e fúria.

 

Trégua! Se não por você, por quem você ama e quem ama você. Esvazie a dor das ofensas, vibre no amor de quem merece e necessita. Feliz Natal e um Ano Novo bem melhor!

2020 – 12 – 22 Dezembro – Trégua

Eds Olimpio

Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

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Continue conosco e visualize imagens da Primeira Guerra Mundial e momentos de trégua e seus monumentos.

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São links do YouTube com vídeos interessantes sobre as Tréguas de Natal, inclusive um clip do Paul McCartney.

Caso não acesse direto clicando no link, copie e cole no navegador.

 

 

A Trégua de Natal 1914

https://youtu.be/6URBTDAcBGA

 

Trégua de Natal Primeira Guerra Mundial – Filme

https://www.youtube.com/watch?v=YVJ0rUrzryo

 

A Trégua de Natal – II Guerra Mundial – explicada

https://youtu.be/hMSmpyCIE3s

https://www.youtube.com/watch?v=hMSmpyCIE3s

 

Paul McCartney – Pipes of Peace 

https://youtu.be/UQalNxbfUSY

 

 

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Paartidas e Chegadas! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. JOrnal Opinião de Viamão. 15 Dezembro 2020.

 

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Partidas e Chegadas!

 

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Partidas e Chegadas!

 

Diz-se e concorda-se: o tempo voa. Voando com o tempo, usarei a analogia do aeroporto. Ou qualquer local de embarque e chegada. “Departures” e “Arrivals”! Dezembro acelera mirando a bandeira quadriculada da chegada no Natal ou vencer a barreira criada para confinar o tempo – o Ano-Novo. Vive-se.

 

Sobrevive-se com tantas partidas, que talvez os dedos sejam insuficientes para somar. Ou a conta será truncada pelas lágrimas que se avolumam. Amigos queridos! Conhecidos que a dor aproximou. Familiares, que desperdiçamos longo tempo na sua ausência e agora iremos carecer (para sempre?) do seu abraço e da palavra carinhosa, do estímulo e da mão amiga, da mensagem virtual “fora de momento”.

 

Partiu a nossa liberdade! Aumenta a imposição de leis e normas que alimentam a fornalha da “prevenção” e “da vida”. Em quantas mentes e em quantos corações a esperança foi sacada, arrancada ou substituída por um nome: “vacina”. Com Cassandras vaticinando o futuro incerto.

 

Partiu o emprego e o trabalho. Em muito, de mãos dadas na estrada da desolação para aqueles que olham o horizonte sombrio, enfarruscado, ou dos possuidores do emprego com escasso ou raro trabalho. Quantas partidas!

 

Crônicas & Agudas!

 

[Quem parte leva saudades de alguém que fica chorando de dor… Está chegando a hora…]

 

O Natal se avizinha e o Ano Novo passa álcool gel nas mãos e espera de máscara o abraço (?). Vá para o outro lado do aeroporto de seu coração.

 

Observe as esteiras que trazem malas. E presentes? Ou ausentes? Aglomeram-se em torno aguardando a chegada – dos netos e dos filhos distantes que vêm trazer o afago necessário e indispensável.

 

Observe as chegadas! Alguma boa notícia que se esgrimiu entre o jornalismo caótico? O abraço virtual com uma música ou uma poesia que eleva o astral de almeida e sopra, com o poder do vento Minuano, as nuvens sombrias para longe. Talvez as melhores e mais importantes chegadas sejam aquelas que cada um acorda, desperta e ativa por si mesmo – dentro de si.

 

Pensemos juntos!

 

Crônicas & Agudas

 

Os anjos não estão somente no céu ou jogando penas fora no Éden. “A Dama da Noite”, Florence Nightingale, a enfermeira britânica, recebeu essa grata denominação por ser um anjo que pairava entre os leitos do hospital de guerra e formava uma legião de amor e cuidados à vida, com os médicos tratando os seus soldados e os soldados “inimigos” com o mesmo ardor. Era a mensagem que “toda a vida importa”, sem divisões ou classificações.

 

Chega a Luz, vertida no amor das intermináveis noites da emergência, com profissionais diversos lutando por uma mesma causa – a Vida! Chega o Carinho e o respeito na solidão de um leito distante dos familiares e maiores amigos. Há uma grande mala na esteira. Ela traz uma faixa colorida: Para ti! Para você!

 

Crônicas & Agudas

 

A grande mala está estufada. Muitos se cercam dela. Ansiosos. Muitos outros, envolvem-se com suas coisas íntimas, pessoais e… partem. Veja como a mala pulsa e Luz escapa entre seus fechos. Parece haver uma sincronia, uma cadências entre os corações ansiosos e seu latejar.

 

A Fraternidade insiste. Salta de seu interior ela, a Gratidão! Receba-a de braços abertos e escancare as porteiras do coração. Derrube os alambrados do ódio. Sinta-se grato por você e por tudo que você ama. Inclusive pelos desafios que você enfrenta e irá vencer.

 

A Gratidão nos une e nos faz humanos, realmente. Uma criatura ingrata emana escuridão. A Gratidão traz consigo a renovação da Vida e da Esperança que titubeava em travar na alfândega da intransigência e do furor do dinheiro, da ideologia e do ódio.

 

Você que carreteia comigo nessas crônicas, sentimentos e entendimentos que partejamos e evoluímos, una-se também numa prece constante. Disciplina. Amor. Humildade. Gratidão. E que Deus Todo Poderoso execute a Justiça divina na aritmética da vida!

Como você entende isto?

 

 

2020 – 12 – 15 Dezembro – Partidas e Chegadas

Edson Olimpio Oliveira

Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

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O Natal da Pandemia! Eds Olimpio. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 08 Dezembro 2020.

 


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Natal da Pandemia!

 

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 cronista observa a chuva fina e fria à vidraça na tarde de domingo. Tenta arregimentar seus pensamentos, arrebanhar suas ideias e traçar mentalmente a coluna Crônicas & Agudas. Sigo! O domingo se arrasta como meu Colorado. Saltam as imagens dos Golden Boys nas tardes de reuniões dançantes em alguma garagem e nas salas de alguma mãe ansiosa pela filha e os guris cheios de amor.

 

Vem a música Pensando nela. [Tarde fria chuva fina e ela a me esperar | Condução pra ir embora, mas sem encontrar | Um problema de aparente e fácil solução | Eu lhe ofereci ajuda e dei meu coração].

 

Ainda pela manhã, conversava com meu meio-irmão e falávamos que atualmente nos emocionamos mais, sentimos mais, choramos mais e nos apaixonamos sempre mais.

A roda de chimarrão ou de mate é uma ancestral terapia de grupo. O mate amargo de mão em mão, as lides da alma vindo a furo, os sentimentos de alegria ou de amargura são cevados com a erva.

 

Crônicas & Agudas

 

Matear com a pessoa amada também é uma experiência única e renovável. Um ritual que vem desde a escolha da erva-mate, da cuia, da bomba, dos adereços, da temperatura da água, do domar e tirar o amargor do primeiro mate. Servir a cuia para a amada e sentir o toque suave de seus dedos. O sorriso que se espraia e os olhos que se incendeiam. O coração é pealado em cada bombeada.

A crônica traz esse ritual, que não parece, mas no fundo é uma conversa com quem acompanha o cronista.

Há jornalismo e escritores de fachada, mas há aqueles que são de casa há mais de 25 anos e que você teve a confiança de entregar seu corpo e a saúde das suas pessoas amadas.

Esse cronista e médico é um abençoado. Nesses dias recebi o título de Médico Cirurgião Jubilado pela Sociedade de Cirurgia Geral do RS, já rumava aos cinquenta anos de contribuições associativas sem um único mês de ausência.

 

Crônicas & Agudas

 

[Toda vez que chove, eu me lembro dessa garota | Quase um sonho que me deu tanta emoção | E ao lembrar eu sinto novamente seu perfume | Envolvente que me aperta o coração].

Para a maioria do brasileiro, os pilas andam escassos, para outros tantos estão ausentes da guaiaca. A necessidade de dar um presente é uma estocada de lança no flanco da criatura.

Os avós contabilizam netos, filhos e agregados. Os pais seguem na mesma balada. E os namorados! “Põe no cartão”! – gritava alguém entrevistado. Como se ali na frente não tivesse que pagar.

Há quem se esgarce gastando com a premissa de que pode apitar na curva logo ali adiante pela peste chinesa. Principalmente se depressivo na Globo/RBS e abutres assemelhados.

 

Crônicas & Agudas

 

“Que presente vou dar”? Um ótimo presente é um livro da trilogia Crônicas & Agudas (a Cledi garante que sim e assina ao lado). Os tradicionais cartões e tiktok da WhatsApp? Tão diferente e pessoal quanto um caminhão lotado de chinês. Sem ofensa, mas olhando parece tudo irmão gêmeo. Um olhinho puxado igual ao outro.

Faz certo tempo que uso fazer o amigo recordar (“é viver novamente”) alguma música ou cena de filme que lhe marcou na paleta.

Sinta que o melhor presente é aquele que desperta emoções (“Emoções que eu senti” do RC) e não à razão cartesiana. Presenteava-se com discos (que saudade!) ou uma fita.

Se souber aquilo que toca a alma, que trepida o coração e revira os olhos é por aí o presente. E não seja ausente! Rimou.

Meu irmão, por exemplo, chora com cenas do Campo dos Sonhos com Kevin Costner e Pai Herói com Fábio Júnior. Nenhuma tarde será fria e chuvosa se a pessoa receber algo que lhe toca tão intensamente. “Ah! Eu não sei aquilo que lhe toca”! Sem bronca. Pergunte.

 

E agora vamos à penitência em mais um jogo do Colorado e das viúvas do técnico castelhano. Ops! Olha a música “Boneca cobiçada” – sofrido como um bolero deve ser. Lembra algo?

 

 

2020 – 12 – 08 Dezembro – Natal da Pandemia

Eds Olimpio

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O Sopro da Vida e o Hálito da Morte! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 01 Dezembro 2020.

 

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O Sopro da Vida ou o Hálito da Morte?

 

Muitos médicos sentem um odor, um cheiro peculiar e definido pela sua experiência ou sua intuição como o cheiro de morte. Isso deve sempre impulsionar um combate mais aguerrido em preservação da vida. Há situações que um odor floral aviva o ambiente – no quarto, na enfermaria ou na sala de cirurgia. Uma manifestação da espiritualidade com luz e amor. Relata-se que nas aparições de Nossa Senhora ou em milagres, sente-se o perfume de rosas.

 

A sensibilidade é pessoal e relativa, mas desde tempos imemoriais pessoas possuem essas capacidades ou habilidades que os distinguem e nos aproximam de outros animais do planeta, inclusive treinados para isso. Nas mãos do tempo, o homem identificou a morte e contribuiu para disseminar as doenças e assim a sua dominação sobre outras pessoas e povos. Na história estão as batalhas em que cadáveres putrefatos e eivados de doenças eram arremessados em catapultas sobre as muralhas de cidades fortificadas. Ou a contaminação das fontes de água.

 

Crônicas & Agudas

 

Com a sua criação como plateia, Deus modelou o barro primordial à sua imagem, ensina-nos o livro sagrado. Eis que Deus soprou em suas narinas e o barro se fez homem. Tornou-se um ser vivo, ainda incompleto pela falta da mulher. Esse foi o primeiro sopro vital. Logo o homem conheceu limites para sua existência. Passaria dias com fome e sede, mas nunca passaria mais de alguns minutos sem respirar e renovar o sopro da vida.

 

O ar que respira é vida. Outro limite seria respirar no ambiente dos peixes e, num futuro distante, somente numa altura que alguns pássaros respiram. As teorias e afirmações que o ar dos pântanos ou das emanações de morte seria fatais nos acompanham há milênios. Nesse caminho, a humanidade desvendou as enfermidades transmitidas pelo ar emitido ou carregado de gotículas portadoras de doenças.

 

Crônicas & Agudas

 

O bebê se engasga ao sugar o seio da mãe numa caverna na aurora dos tempos. Se é uma mãe experiente ou cercada de veteranas, sopra-se o nariz do bebê. Ou chupam seu pequeno nariz e sopram em sua boca. O bebê se desengasga e a cor azul, o frio de sua pele, sinais de morte se avizinhando, logo desaparecem. Essa técnica que é o amor vertido em ação nos acompanha. O jovem é retirado das águas por um socorrista ou outra pessoa e se iniciam as manobras de expulsar a água dentro de si e de soprar em sua boca e narinas. Observe e projete outras situações!

 

A anestesia revolucionou a medicina e deu uma dimensão formidável à cirurgia, mas a evolução suprema aconteceu com manter a oxigenação, a respiração artificial da pessoa durante a abertura de seu abdômen, tórax, coração e cabeça – e todo suporte à vida. A metamorfose do sopro vital em todos os tempos.

 

Crônicas & Agudas

 

Há quem promulgue excesso de pessoas no planeta. A doença do planeta é o homem, dizem. Pensam “auxiliar” a natureza em fazer uma “faxina” de tempos em tempos, como se “ajudassem” o planeta. Os cataclismas naturais e as enfermidades ou pestes geradas pela mão do homem diretamente ou pela sua desídia são agentes mortais.

 

Jamais a humanidade e a medicina estiveram nesse contexto de aprisionamento global, indiscriminado e bélico. Não podemos respirar o mesmo ar das pessoas que amamos, nem o abraço e muito menos o beijo afetuoso. Em algum tempo, o medo, o pavor e o pânico do hálito da morte serão rompidos, como as paredes de uma fortaleza ou de uma grande represa. Também é de nossa natureza humana, tanto para o bem como para o mal.

 

Os sobreviventes contemplarão outros tempos – de sombras ou de luz. Não se submeta como manada repetindo os outros, ou boiada indo ao matadouro. Até a fé deve ser raciocinada! Médicos e cientistas não jogam sempre no mesmo time – nunca jogaram. Sua intuição e seu raciocínio devem lhe mostrar o seu caminho.

Espero que seja o melhor caminho pelo sopro da vida – rosas! Jamais pelo hálito da morte – putrefação ou enxofre!

 

 

 

2020 – 12 – 01 Dezembro – O Sopro da vida e o Hálito da morte

Eds Olimpio – Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

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Amanhã de manhã! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 17 Novembro 2020.

 

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Amanhã de manhã!

 

O enclausuramento também trouxe a redescoberta do outro. Há quem reaprendeu a valorizar, garimpar qualidades, descobrir portos seguros para ancorar suas emoções e novos caminhos para desbravar certos corações, por vezes duros e empedernidos.

Encontrar belezas e aprender o alfabeto das letras de carinho e entendimento. Como marinheiros em solo firme. Como nascem dois em um, a síntese, uma fusão que deve ser consentida e aprimorada. Respeito e compreensão num território fechado e pequeno, para a maioria dos mortais.

 

Na crônica Nada será como antes, os sentimentos e emoções despertas incentivam buscar novos horizontes nas mesmas embarcações. A música assim também reaviva, desperta, mobiliza, quando não cutuca e agudiza sentimentos letárgicos ou sonolentos.

A beleza (da outra ou do outro) não está lá fora (somente), pode e geralmente está muito mais próximo do que sentimos nas atribulações da vida competitiva.

 

[Amanhã de manhã / Vou pedir o café para nós dois / Te fazer um carinho e depois / Te envolver em meus braços / E em meus abraços / Na desordem do quarto esperar/
Lentamente você despertar / E te amar na manhã…]

 

Roberto Carlos? Sim. Com poesia e música dele e do Erasmo. Como tantas pérolas que embalam e tamborilam em corações por décadas. Nada será como antes na alegria ou na dor. Há a nossa escolha. Sairemos mutilados ou renascidos?

Há casais que encontram um equilíbrio em seu relacionamento com suas vidas estruturadas em locais diversos, diferentes. “Juntos, eles brigam como cão e gato” – dizia a amiga. Juntos eles podem e devem se redescobrir. O rio da vida, as águas da existência são rápidas e o tempo não arregla ou perdoa.

 

[…Amanhã de manhã / Nossa chama outra vez tão acesa / E o café esfriando na mesa /
Esquecemos de tudo / Sem me importar / Com o tempo correndo lá fora
Amanhã nosso amor não tem hora / Vou ficar por aqui…]

 

Amanhecer juntos. Escutar a respiração dela ainda sonolenta. O braço que abraça. A mão que acaricia e os dedos que se enroscam. Deixe o café esfriar. Deixe o tempo correr lá fora, pois ‘nosso amor não tem hora’. A vida que se esfumaça no tropel do ter muito mais do que se necessita, para logo ali ser pranteado por ausentes. E deixa-se isso passar?

 

[…Pensando bem, amanhã eu nem vou trabalhar / Além do mais temos tantas razões pra ficar / Amanhã de manhã / Eu não quero nenhum compromisso / Tanto tempo esperamos por isso / Desfrutemos de tudo / Quando mais tarde / Nos lembrarmos de abrir a cortina / Já é noite e o dia termina / Vou pedir o jantar…]

 

Estrelas. Lua. Sol. O tempo deixa de ser senhor e passa a nos servir. Pensando bem, trabalhar em casa aflorou sentimentos, que se cultivados com afeto e respeito, somente flores e bênçãos trarão. Um universo que não é tanto do trabalho, dos filhos e da família, do cão ou do gato. São partes importantes, mas há o núcleo duro, o cerne, onde tudo começou. Começou com os dois – a semente inicial. Há quem esqueça, postergue, adie ou renegue!

 

[…Nos lençóis macios / Amantes se dão / Travesseiros soltos / Roupas pelo chão / Braços que se abraçam / Bocas que murmuram / Palavras de amor enquanto se procuram…]

 

Está aqui dentro de nós a capacidade e a habilidade em encontrar a beleza e a Luz nas adversidades. Também está no nosso íntimo relegar aquilo próximo e vaguear buscando felicidade e o furor da paixão lá fora. Veja que ‘apaixonar-se’ há sentido duplo – alegria e dor!

 

O cronista não se arvora de guru ou mestre. Ele escreve primeiro para si. Sim, ele busca a sua visão, o seu entendimento dos meandros da vida e assim evoluir. Pelo menos, melhorar!

 

Somos cronistas e escritores das nossas vidas. ‘Amanhã de manhã’ – e você?

 

2020 – 11 – 17 Novembro – Amanhã de manhã

Edson Olimpio Oliveira

Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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“Nada será como antes”! Edson OLimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 10 Novembro 2020.

 

2020- 01 - Jornal Opinião - Cabeçalho da Coluna para BLOG

 

“Nada será como antes”!

 

Em algum momento você já teve uma música pipocando na sua cabeça. Ou melhor, um fragmento de alguma música que insiste em tamborilar na sua mente. Você se surpreende de assoviar ou cantarolar aqueles versos e se descobre desconhecendo ou não recordando o resto da letra ou partitura musical.

Certas vezes, você associa aquela estrofe ou mínima porção musical com algum evento. Ou lhe retorna a imagem do cantor que a interpreta. Mesmo que haja diversos intérpretes, aquele é o que martela e você repete. E repete. Outras vezes, aqueles versos se associam com alguma coisa do seu afazer, da sua labuta e de alguma fase de vida, algum amigo ou até a sua terra.

 

[… Num domingo qualquer, qualquer hora / Ventania em qualquer direção / Sei que nada será como antes, amanhã / Que notícias me dão dos amigos / Que notícias me dão de você…]

 

Lembra Milton Nascimento? Pois é, para mim eles batem com a pandemia/pandemônio que estamos vivenciando dentro dos extremos de terror que nos impuseram goela abaixo. Deformando, adulterando nossa percepção da realidade e criando vírus letais no olhar da pessoa amada, no singelo abraço de gratidão ou nalguma homenagem, como um aniversário. Quanto mais nas diversas pessoas ao nosso redor.

Os filhos que não abraçam os pais, os netos que se distanciam dos avós e com a barreira virtual do carinho de uma professora! Que notícias reais tenho dos meus amigos que não sejam farrapos de WhatsApp? Que notícias eu tenho da pessoa que eu admiro, respeito e sua presença ilumina nossos ambientes físicos e as salas semivazias da nossa alma? Isso terminará? A terapêutica renegada pelos doutores do apocalipse e a vacina sintetizada somente-Deus-sabe-como? Certamente, nada mais será quanto era antes que nos impuseram a peste e a imposição oficial.

 

Crônicas & Agudas.

 

Outra letra música tem martelado, inclusive nas madrugadas, orando por amigos que se despediram ou enfermos em alguma unidade de saúde sem o carinho e o afeto regenerador e salutar das sua pessoas amadas. Vem a imagem do cantor riograndense Leopoldo Rassier e o poder da sua mensagem em apenas alguns versos:

 

[… Ah, sim / No peito em vez de medalhas / Cicatrizes de batalhas / Foi o que restou para mim…]

 

E o refrão desafia o tempo e traz a imagem dos profissionais de saúde numa luta titânica contra a enfermidade, contras as carências crônicas de um  sistema de saúde sangrado por corrupção e incompetência e contra a medicina que se vangloria negando alternativas ou marcando no cabo da arma as cruzes dos sepultados. Mortos que serão pranteados à distância por amigos e familiares. As piores cicatrizes não são aquelas tatuadas pela dor na carne sofrida. As mais graves marcarão indelevelmente a  alma. E o que restará? Cicatrizes de batalhas.

 

Crônicas & Agudas

 

O mais maligno e predador vírus, a bactéria ou fungo mais devastador não estão somente nos pequenos seres. Infelizmente eles habitam corações e proliferam nos encastelados que vivem uma realidade que não é a nossa humanidade real.

A sombra somente existe pela ausência da Luz. A escuridão não é uma entidade própria além da falta completa da Luz. Como melhorar ou como evoluir a nossa Luz para afastar as sombras da nossa vida? Isso não lhe preocupa? E quanto aos seus filhos, familiares e amigos?

Talvez algum verso esteja pulsando na sua mente em algum momento. Entenda que ele assim se apresenta para lhe impulsionar para o bem. Ou para o mal. Sua, somente sua, será a escolha do entendimento e do caminho. E aquilo que cultivar, vai colher!

2020 - 01 - Cabeçalho inferior da Coluna para BLOG 

 

2020 – 11 – 10 Novembro – Nada será como antes

Eds Olimpio

Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

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“Espelho, Espelho meu”! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 03 Novembro 2020.

 

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“Espelho, espelho meu! Há alguém mais bela do que eu”?

Esse gênio da humanidade, Walt Disney, imortalizou um conto de 1812 dos Irmãos Grimm, que o compilou da tradição germânica. Júlia Roberts, interpretando a Rainha Má, faz pergunta do título ao Espelho mágico até receber a resposta que explodiu em fúria e ódio mortais: “Branca de Neve”, sua enteada. Desde tempos imemoriais a humanidade busca olhar-se e ver-se como os outros nos olham. Principalmente, como eu me olho. Os poderosos zulus africanos evitavam o seu reflexo pois temiam sua alma ser aprisionada pelos espíritos malignos. Diversas etnias reagiam com ferocidade ao serem fotografados por exploradores, também pelos mesmos motivos que os zulus.

O mito grego de Narciso devassa séculos desnudando a alma humana. Há vários formatos desse mito – o deus do rio e uma ninfa, na região da Beócia, Grécia, tiveram um filho que foi levado ao oráculo para vislumbrar seu futuro. Seria um homem belíssimo e de longa vida desde que não olhasse seu reflexo. Despertava paixões dilacerantes em homens e mulheres. Uma bela ninfa chamada Eco de um rio ou lagoa apaixonou-se perdidamente por Narciso que também a desprezou. Ela pediu aos deuses que o punissem. Certo dia, Narciso olhou seu reflexo nas águas de Eco e ali apaixonou-se mortalmente por si mesmo, seu reflexo. Definhando e morrendo. Uma flor ali nasceu – Narciso! Observem que Narciso nasceu em Beócia e vejam o significado de “beócio” até nossos dias.

Crônicas & Agudas

Contam que o ditador Josef Stalin se perfilava ante gigantescos espelhos nos magníficos palácios russos. Farda impecável, botas pretas de cano longo que refletiam a sua alma, com os dedos indicadores e polegares arrumava o poderoso bigode e dizia algo como: “Sou o Chefe Supremo de Aço de toda a Rússia”! Logo mais de “todas as repúblicas socialistas soviéticas”. Há referências desse ato por poderosos de todos os naipes – da religião às empresas, da política aos militares. E dos burocratas empunhando carimbos! Assim se pendura em todos os órgãos públicos as imagens do governante do momento e das idolatrias de sempre. Caravaggio na pintura retratou Narciso, entre outros magos da arte. Poetas e músicos colam o espírito da Narciso em suas composições.

Crônicas & Agudas

Chegamos a mais um pleito-enrolação eleitoral. Os semblantes de Narcisos estampados em faixas e santinhos “photoshopados”. Candidatos e admiradores, quando não asseclas ou membros da quadrilha, espalham e espelham as personalidades e os projetos daqueles reflexos impressos. Mudou a sociedade degenerada daquela época de Narciso ou de Stalin? Mudamos nós? Os animais não envenenam a comida e a água de seus filhos. O homem faz isso abertamente nas eleições. Nosso voto elege beócios (pátria do Narciso) e semideuses, também demônios ou endemoniados. Olhem nossas cidades. Porto Alegre, capital dos gaúchos e do “mais belo por do sol”. Não é mais um porto pujante. E alegre? Ande pela Avenida Farrapos ou pela rua Voluntários da Pátria. Olhe os prédios do bairro Partenon e… A degradação crescente com o crime vandalizando áreas que tiveram humanidade e vida mais iluminada. Decrepitude.

Crônicas & Agudas

Egoísmo. Individualismo. Egocentrismo. Outros “ismos” impregnados de populismo safado e um povo apto a gerar ovos de serpente. A generalização é a filha bastarda do beócio, logo jamais generalizo. Viamão é diferente? Aventure-se colocar uma floreira ou o poder público fazer um canteiro. Pinte a sua casa. Qual o resultado? A preocupação é com a vacina e a peste chinesa? E não votar na escória nominada que envenena a comida dos nossos filhos e netos – seu futuro? Narciso e a Rainha Má estão dentro deles e não nos outros. Eleição é a matemática do azar quando o somatório dos votos do eleito representa adubo e mosca. Nós somos responsáveis, tanto quem elege, quanto quem negligencia. Essa crônica intenta sacudir, alertar, puxar alguma orelha ou como médico e socorrista que bate forte no peito da pessoa quando o coração deixa de pulsar! Refaça a pergunta do título moldando-a ao seu critério.

 

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2020 – 11 – 03 Novembro – Espelho, Espelho meu

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Patinete, Sorte e Deus! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 27 Outubro 2020.

 

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Patinete, Sorte e Deus!

Hoje, domingo, manhã de 25 de outubro e Dia do Cirurgião-Dentista, recebi da secretária eletrônica do “seu” Google um vídeo de dois ciclistas como bailando uma valsa (ou seria uma vanera de passo marcado?) no Salar de Uyuni, na Bolívia, o maior deserto de sal do planeta. Uma planície de 11 mil km2, maior que países. No filme estava coberto por um manto de água. É o sonho do apaixonado de duas rodas e de aventureiros – rodar e estar no Uyuni. Repassei ao colega médico anestesista em Passo Fundo, Dr. Lorenzini, apaixonado pela magrela, sua bicicleta.

Fui motociclista por 30 anos. Além da rígida rotina de cuidados com a Morgana (nomes das motos), o respeito e a responsabilidade de pilotar e ter na garupa a esposa e mãe dos filhos. Conheci exímios motociclistas, habilidades que eu nunca teria, mas a maioria sem a disciplina e o foco na pilotagem responsável. Vários se acidentaram e alguns gravemente. “Deu azar”! Ouvia. Entretanto, sabíamos que além de excessos e abusos, estavam expostos em duas rodas.

Um veterano motociclista (Tio Léo), logo depois de eu adquirir uma Kawasaki Nomad de 1500cc, gigante estradeira, encostou em mim durante um encontro motociclístico e me disse: “Guri, lembra sempre que tem duas rodas e não é só equilíbrio tanto devagar como a 130 km/h”. Tocando com o indicador da sua mão na minha cabeça em pancadinhas.

Crônicas & Agudas

Construí patinetes na minha infância. Apostei corridas na lomba do Mendanha e da Paciência. Após, a bicicleta e as motos. “O que tem isso a ver com a vida”? Tudo a ver. Em qualquer trabalho, em qualquer atividade tudo inicia e termina com disciplina e respeito. Há trecho bíblico que alerta de não “servir dois senhores ao mesmo tempo” (Mateus 6:24-33).

Escrever essa crônica com TV ligada, gente próxima dispersando, o celular ou vendo todas as mensagens e outros eteceteras? O resultado natural nem sempre me satisfaz. Estando dispersivo, piora tudo. Um exemplo extremo – o cirurgião, o anestesista e a equipe no momento crítico da cirurgia. Foco é o termo que se usa, revela disciplina e responsabilidade.

Cr & Ag

“Eu não tenho sorte na vida” (ou trabalho, amor, etc). “Meu patrão não entende que tenho que atender o celular”. Outro: “Ele reclama que não me concentro na hora do sexo, mas são muitos os problemas da família”. É o motorista que conversa tirando os olhos e a atenção da estrada (acompanhantes, som, cabeça em outro mundo, etc). É o professor que faz doutrinação ideológica e não ensina matemática, português e ciências, por exemplo. “Ah, mas aqui o foco é outro”. Sim, pior ainda.

Do mais simples computador aos mais poderosos do planeta (primeiro o Jaguar americano, segundo é o chinês Nebulae) executam uma tarefa de cada vez. Um cálculo de cada vez – sempre! Sua rapidez está na velocidade incrível para a tarefa. Seria algo como perguntar a soma simplória de dois mais dois para um grupo de pessoas e medir a velocidade de cada resposta. Há quem vai dar a resposta em tempo quase zero. Outro vai calcular com os dedos ou procurar a calculadora. Pior, alguém fará perguntas obtusas sem efetuar a resposta necessária.

Crônicas & Agudas

“Deus não me ajuda”! E a criatura se ajuda? Assim é a transferência de responsabilidade. Do político ao juiz do supremo. Do estudante ao chefe de família. Andar de patinete, bicicleta e moto, veículos de duas rodas, há que priorizar o equilíbrio.

A vida é equilíbrio, principalmente na adversidade. Ser responsável e assumir seus atos e desatinos. Ter consciência de que Deus não vai aparecer ou mandar seus anjos para executar aquilo que você negligencia ou faz errado.

O defeito nem sempre aparece de imediato, como numa queda de duas rodas. Será plantado e sua “lavoura” terás as piores colheitas.

Assim é a vida de todos nós. Todos nós? Sim até daqueles que persistem enquanto a bolha não estourar. Como isso lhe toca?

 

2020 – 10 – 27 Outubro – Patinete Sorte Deus – Eds Olímpio – Crônicas & Agudas

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“Para quem ama, o feio bonito lhe parece”! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 20 Outubro 2020.

 

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“Para quem ama, o feio bonito lhe parece”!

Os sentidos nos afastam e nos aproximam das pessoas e de todas as criaturas. Há um sentido que prevaleça sobre os demais? A visão foi privilegiada pelo seu uso na busca do alimento, na defesa própria e da prole e do par ideal para perpetuar a espécie. Uma rainha entre outros que definharam com o crescimento populacional e o amontoado humano nas cidades.

Na poesia os olhos são os portais da alma e na vida prática não escapa muito dessa realidade. Nessa crônica eu e você, nós, vamos auscultar e desvendar traços que movem nossa existência nessa rápida jornada de vida. Durante uma caminhada beira-mar deparei-me com as infindáveis fotografias do tipo selfie, dos agrupamentos e, principalmente, daquelas que refletem em gestos e olhares o calor que se desprende de um coração enamorado.

A fotografia escamoteia, esconde e até afasta o olhar mais demorado do alvo da lente fotográfica. Muitas fotos serão perdidas nas cavernas escuras das memórias eletrônicas. Algumas serão injetadas nas redes sociais quase como uma obrigação e um libelo – “estou vivo”!

 

Crônicas & Agudas

Estar vivo é partilhar de uma beleza, de uma graça, de uma luz especial, que o ocaso mortal anula. “Eu existo”! Também é um brado da criatura e a busca de sua aceitação no âmbito social. A fotografia é reveladora de sentimentos que para a plateia, como eu, por exemplo, são desafiadores.

A beleza voa nos olhos de quem vê, mas pulsa no coração de quem ama.

O objeto do amar jamais deve ser arduamente examinado, como pelo design que pretende correções com o Photoshop. Talvez aí esteja um dos motivos que a maioria das fotos e imagens sejam arquivadas nos escaninhos digitais e da mente.

Toda criança é bonita”! Não há mulher ou homem feios, há uns mais bonitos que os outros. Há crianças que são verdadeiros bichinhos para os do outro lado, se me entende. É tradicional a versão popular do São Jorge e do dragão. Certamente você conhece. Caso contrário, explico-lhe: dragão é a imagem do homem feio ou da mulher feia. Muito feios. Mais feios ainda! Sentido figurado do São Jorge – “matar”, casar ou transar. Bah!

 

Cr & Ag

O poetinha Vinicius de Morais em Receita de Mulher: “As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. Onde está a beleza? A beleza que nasce e cresce pelo olhar terá uma evolução mais curta, talvez até passageira. Entretanto, a beleza que nasce de um olhar, flutua num perfume, ancora-se num toque duma pétala de rosa, baila ao som de uma voz, enfim, reverbera nos sentidos comuns e nos invisíveis, vai habitar e prosperar no coração. No coração! Encontramos o olhar de amor, a visão que desnuda o ser amado numa singela pose, num suave clique de uma fotografia. Ali está uma beleza tão impregnada de sentimentos que as torrentes de estrógenos e testosterona serão canalizados num fluir constante. Talvez por toda essa existência e semeados para vidas futuras.

 

Crônicas & Agudas

No cancioneiro gaúcho dos quatro costados, o célebre Gildo de Freitas, o Trovador dos Pampas, na canção “Não sou convencido” ensinava e pregava: “Eu reconheço que sou um homem feioso e que a feiura caiu por cima de mim. Tenho no peito um coração amoroso e a bonitona que me quiser é assim”.

Sinta e absorva a realidade de qualquer relacionamento afetivo. Isso nos remete o título da crônica, usado com frequência pela Dona Dora, minha mãe, nos seus contínuos ensinamentos para toda a família. Beleza é relativo, importante talvez, jamais fundamental.

A beleza não está lá fora, ela está e precisa evoluir dentro de nós. Há uma condição essencial para a beleza iluminar nossa vida – amar-se e depois amar, realmente, a outra pessoa. Quando o mundo de plateia, na arquibancada da vida observa a fotografia do “dragão”, sentimos, carecemos ainda da imediata compreensão, do absoluto entendimento que “para quem ama, o feio bonito lhe parece”!

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2020 – 10 – 20 Outubro – Para quem ama o feio bonito lhe parece

Eds Olimpio – Crônicas & Agudas

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