A Peste Chinesa e os Efeitos Dumbo e Pinóquio! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 02 Junho 2020.

 

2020- 01 - Jornal Opinião - Cabeçalho da Coluna para BLOG

 

A Peste Chinesa e os Efeitos Dumbo e Pinóquio!

[Quem é você? – Adivinha, se gosta de mim! – Hoje os dois mascarados – Procuram os seus namorados…]

Prepare o seu coração para as coisas que vou lhe contar, eu venho lá do Viamão e posso não lhe agradar”, parafraseando. A introdução com a letra musical da Noite dos Mascarados, declaro que agora somos menos feios apesar da Peste Chinesa e suas variantes virulentas e corruptas brasileiras. “Menos feio”? Sim, veja! Com a máscara ou focinheira, aparece uma nesga do rosto, da cara ou da fachada da criatura. Há quem leve gato por lebre – entende? O mundo mudou tanto que a humanidade isolava os doentes (sanatórios, colônias, hospitais, etc) e liberava os sadios. Agora se soltam criminosos, engaiolando os sadios. As máscaras médicas tradicionais usavam tiras amarradas à nuca. As atuais são com elásticos que se prendem às orelhas. Há filas nas emergências por orelhas quase decepadas, algumas ancoradas somente pelos brincos e piercings. Gastam-se quilos de pomadas cicatrizantes nas orelhas estropiadas pelos elásticos. Um caboclo abagualado da Estância Grande desfilava no Centro fumando um palheiro pelo buraco na “focinheira”. Há testemunhas oculares e não é fake.

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A saúde pública analisa outras sequelas – orelhas de abano! Ou orelhas cabanas. Os elásticos tiram as cujas do prumo e se abrem em leque, lembrando o elefantinho da Disney – o Dumbo. A situação complica em dias de vento Minuano. A ventania bate nos cabanos e desequilibra a criatura. As quedas são frequentes. As queixas chegaram o governo do Leite. “Ainda não há consenso se isolamos as orelhas cabanas ou aumentamos o distanciamento entre elas”. Não ria, por favor! “Por isso Edinho eu enfio a máscaras nos queixos, calco bem a boina na moringa e nem olho pros lados”! Contava o Arigó da Lomba. Outro dia a Brigada intimou o homem a parar e mostrar os documentos, esporeou o cavalo e num grito de “Sou Bolsonaro” levantou poeira num galope de liberdade.

Cr & Ag

O confinado leitor se angustia – “explique o efeito Pinóquio”. Calma vivente! O Pinóquio, relembrando, era um boneco de madeira que criou vida pelas mãos do velho marceneiro Gepeto. Mas a cada mentira do Pinóquio seu nariz crescia. Mentia e crescia o nariz! No Brasil da noite e dia-a-dia dos mascarados e corruptos, como o nariz dos mentirosos vai crescer e delatar suas falcatruas? O Arigó da Lomba é um índio atilado e desconfiado como marido de miss. “Edinho de Deus, vou te dizer meu doutor – isso não é máscara não. Isso é focinheira ou buçal! Ou, depois dessa idade, tu não enxergas a ditadura daqueles ministros do tribunal que fazem o que querem? Nosso Presidente virou um bibelô, tá mais maneado que as ovelhas que eu tosquiava”. Não discuto com ele. Não há na imensa família nenhum Arigó burro. Somente alguns mais espertos que os outros.

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Pensativo nessas situações e dramas? E se o problema das orelhas não é somente dos elásticos? Emburrecimento? Orelhas de burro? E como o nariz não cresce e mentem descaradamente e obrigam-nos a aceitar as suas mentiras… “Homens de preto (toga) não mentem. Têm opiniões diferentes”! A mentira aprendeu a esconder o rabo e escamotear o nariz. Nós elegemos um Presidente (60 milhões de votos) e menos de uma dúzia, que nenhum voto do povo recebeu, faz o que bem entende do País? E o Presidente assiste-resiste, o povo assiste. Mortes se espalham, mais o terror que se dissemina, enquanto as forças deveriam ser dirigidas numa única direção – o Brasil! A focinheira não permite falar – vai preso! O buçal domina a criatura. O Arigó está certo? Qual o seu entendimento?

2020 – 06 – 2 Junho – A Peste Chinesa e os Efeitos Dumbo e Pinóquio – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – http://www.edsonolimpio.com.br

 2020 - 01 - Cabeçalho inferior da Coluna para BLOG

“Em meio a agonia darás à luz filhos”!

 

2020- 01 - Jornal Opinião - Cabeçalho da Coluna

“Em meio a agonia darás à luz filhos” – Genesis.

S

e não bastassem as mulheres morrerem nos partos e pelas fatídicas febres puerperais, deveriam sentir as dores do parto. Muitos filhos – “crescei e multiplicai-vos”. Enquanto aqui no garrão do Brasil, as armas ensarilhadas da Guerra dos Farrapos jogavam à morte irmão contra irmão, nos Estados Unidos a anestesia engatinhava. Protóxido de azoto, depois o éter e finalmente o clorofórmio. Médicos e cirurgiões se digladiavam. Os cirurgiões-barbeiros e dentistas rapidamente entraram na onda de menos dor e analgesia. Piquetes de fortes e parrudos auxiliares dos “cirurgiões” se postavam – perderiam seus empregos de segurar a vítima, digo, o paciente enquanto era operado. Eventualmente alguém se explodia com a associação éter e lamparinas ou velas. Em Edimburgo, Escócia, um obstetra testou clorofórmio em si mesmo e em seus dois auxiliares. O doutor Simpson e seus dois fortes assessores apagaram, dormiram simultaneamente enquanto a esposa e familiares se angustiavam. Uns desmaiavam, outros oravam pelas almas e imaginavam o enterro. Simpson acordou eufórico e iniciou a usar nas suas pacientes. O século 18 se arrastava em guerras e dominações. A Rainha Vitória, a mulher mais poderosa que já existiu, dominava o “império britânico, onde o sol nunca se põe”. Grávida do sétimo rebento, soube das façanhas do súdito doutor Simpson. E determinou ao Médico Real que queria parto sem dor – “I want parto no pain”, tipo tradução da Dilma.

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A Rainha Vitória partejou um príncipe sem dor. “Sem dor” – gritavam e dançavam suas súditas eufóricas. As mulheres anglicanas (a Rainha era a Chefe da Igreja britânica) exigiram o mesmo tratamento – “No Pain”. A Igreja Católica deve ter excomungado muita gente. Legiões de médicos e de mulheres diziam “que não era a mesma coisa e que os filhos não seriam tão filhos quanto os nascidos na dor”. Milênios de dor sem opção. Segundo o Professor Doutor Jean-Nöel Fabiane, autor de diversos livros e médico de renome mundial, “apenas em 1952 que o parto sem dor começou a ser praticado na Maternidade des Bluets em Paris, com incentivo do Dr. Lamaze…” (livro: A fabulosa história do hospital da Idade Média aos dias de hoje)

Cr & Ag

Conto-lhe essa façanha histórica para ilustrar como a Medicina pode ser lenta e obtusa e dependente de conceitos, interpretações e disputa de poder. O médico Simpson escapou da fogueira, mas não de colegas. Creditou a Deus a primeira anestesia lá no Éden, quando “ fez dormir (anestesiou) Adão para tirar uma costela e, assim, veio a Eva”. Que maravilha! Um saudoso professor acusava que “muitos nem estudam e quando estudam fazem nas páginas e nos livros errados”. Observem esse conflito quase insano da “cloroquina”. Associa-se com política e ideologia. No entanto, em grupos de médicos, há muitos que não respeitam a discordância. Creio mostrarem conhecimento – uns; evitar descaminhos de colegas – outros; unificação de desgarrados – alguns; enfim sei-lá-que-mais. A repetição, mesmo com boas intenções, soa abusiva e desnecessária. Há quem anseie pela peste chinesa para si ou para familiar e testar, então, sua impoluta certeza?

Cr & Ag

A medicina chinesa com a Acupuntura tem mais de 3 mil anos. A medicina indiana com o Ayurveda tem mais de 2.500 anos. Os conflitos da medicina ocidental são anteriores a Hipócrates. E continuarão! Durante mais de 1.500 anos, Galeno (médico romano do primeiro século) formatou a medicina aceita pela Igreja e referendada medicina oficial. Cirurgião nem médico era. Até pouco tempo as faculdades eram de “Medicina e Cirurgia”. Quando Vesalius afirmou que dentro das artérias corria sangue e não ar foi um escândalo, isso lá por 1500. A Homeopatia de Hahnemann é jovem ainda, 1796? Dermatologistas, reumatologistas, outras especialidades, usam cloroquina para diversas enfermidades há décadas. Seriam assassinos, seriais killers, sádicos ou endemoniados usando uma droga de potencial fatal como bala de tresoitão na têmpora a quase 80 anos?

Na Medicina, como médicos homeopatas, acupunturistas, ayurvedas, a espiritualidade médica, entre a imensa maioria, são profissionais e pessoas idôneas, éticas, de saber médico e vida ilibada e respeitável. Amados por seus pacientes. Respeitados por seus colegas. Entretanto, para outros médicos titulados, graduados e medalhados, são olhados como profissionais marginais. Triste! Verdadeiro. A história da medicina está mostrando e repetindo que muitos recusam evoluir. (N.A.: o cronista não entra no mérito de eficácia terapêutica e indicação pessoal de cada profissional)

 

2020 – 05 – 26 Maio – Em meio a agonia darás à luz a filhos – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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2020 - 01 - Cabeçalho inferior da Coluna - B

Fragmentos da Pandemia! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 19 Maio 2020.

 

Fragmentos da Pandemia!

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nteontem, 15 de maio, o Prefeito de Viamão, Sr. Russinho editou novo decreto na escalada da regulamentação das atividades da cidade. Observou-se uma distorção no funcionamento das academias de ginástica, que inviabilizaria o funcionamento e induziria demissões de funcionários e até o fechamento daquelas já esgotadas pelo chamado isolamento social pela peste chinesa. Conversei com o Professor e Advogado Andrey Negeliskii. Sensibilizado e observando o fato contatou o senhor Prefeito e seu grupo operacional. Isso era a manhã da sexta-feira. Logo à tarde emitiu-se novo decreto corrigindo e evoluindo positivamente o anterior. A integridade da saúde física e mental das pessoas passa pela atividade física, já declarada como essencial pelo Presidente do Brasil. A rapidez e o bom senso do Prefeito e sua equipe, como não ocorre com vários governantes no Brasil. É agradecer ao Dr. Andrey e ao Prefeito Russinho e sua equipe. Parabéns! Viamão está atenta.

Crônicas & Agudas

Viamão tem cerca de 300 mil resistentes (e residentes) e tem números na pandemia de fazer inveja a outras cidades. As falcatruas de compras de respiradores e novos leitos de UTI por  governadores e prefeitos (jamais generalizo!) esconde algo que já mencionamos e apontou o Presidente do Simers no Pampa Debates. Quem vai operar esses respiradores? Quem vai operar esse universo de novos leitos de UTI? Façamos uma singela comparação – o dono da obra determina ao pedreiro que agora ele vai operar a grua (guindaste gigante) no 35º andar! É viável isso? É de bom senso? Vai funcionar? E os acidentes e intercorrências? Qualquer pessoa sabe que para formar um especialista leva-se tempo. Bom tempo! O médico exerce qualquer especialidade por ordem do juiz ou do governante ou ele deve ter feito uma especialização? Qualquer especialidade médica, depois dos 6 anos de graduação leva, no mínimo, mais dois ou três anos. Chama-se Intensivista o médico de UTI. Todo médico está apto num canetaço ou “pela vara” a tratar pacientes graves? Num cenário fantástico de se ter um universo de médicos habilitados, ainda temos que pensar nas substituições dos plantões e pela própria doença que os acomete frequentemente. Complicou mais? Lembra-se da opção estádios de futebol versus hospitais.

Cr & Ag

O povão acredita que deita numa cama de “hospital” e aparecem algumas criaturas de jaleco branco e umas máquinas em volta e está tudo resolvido? Durante os governos de Lula e Dilma (14 anos) se dobrou o número de escolas de Medicina do país – durante 500 anos de Brasil. Jamais se importaram com a qualidade dos médicos ali gerados, muitos com parto sem dor, sem provas, sem hospital escola, sem presença real, sem professores adequados e outros eteceteras. O furúnculo veio a furo com “os cubanos” – não comprovaram serem médicos ou estarem habilitados conforme nossa Constituição, sempre violentada. Isso é a realidade escamoteada. Vai-se para o discurso de pânico e carretas frigoríficas levando os defuntos – “estamos numa guerra”! Se estamos numa guerra declarada contra um inimigo que dizem conhecer – por que demonizar e impedir que as pessoas usem precocemente os medicamentos disponíveis? “Há discordâncias”! Alega-se. Se há discordância é porque uns concordam e outros não. E a Homeopatia? E a Acupuntura? Há concordância e plena aceitação e comprovação generalizada?

Há tem que ter um termo de responsabilidade do paciente e assinatura do médico”! Para várias enfermidades, médicos usam cloroquina há quase um século e nunca se solicitou autorização do paciente. Sempre com a receita e a responsabilidade do médico – está na lei! O safado do Dr. David Uip, secretário de doença do safado Dória, se automedicava e contestava que as pessoas tomassem “exceto nos casos graves que o médico já está com o tubo na mão e vai enfiar no pulmão”. Médicos discordarem é comum, obstaculizarem tratamentos também. Está na história da Medicina. Muitas criaturas vivem numa redoma de poder e glória. Para si e os seus tudo! E para os outros? Somente depois de incontáveis estudos conclusivos e incontestável revisão numa peste chinesa de 6 meses? E você fica onde? Ninguém é obrigado, mas ninguém deve ser proibido? Ou como você entende para si e suas pessoas amadas se tiver que decidir?

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O velho Maneca Ibraim e seu cão! Parte 2 Final. Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 12 Maio 2020.

 

O velho Maneca Ibraim e seu cão! Parte2 – Final.

O

 piso do armazém era de tijolos de barro da boca do forno. Explicando: Os grandes fornos para queimar os tijolos em seu interior tem uma porta de acesso, a boca do forno, quando a carga de tijolos é encerrada em seu interior essa boca é fechada com outros tijolos. Esses tijolos de fechamento tornam-se extremamente duros, intensa rigidez. Também são muito usados para fazer as paredes de poços que buscam a água nas entranhas da terra. Já a parte da casa tinha assoalho de madeira. Tanto o assoalho como o piso estavam sempre limpos ao extremo. Escovados e lavados com sabão caseiro. Como alguém com a perna e o joelho mutilados fazia essa permanente limpeza? Pois é! Era assim mesmo. Da mesma façanha, tudo no comércio e na casa.

Ainda tinha um “Negrinho”! Assim era seu nome na casa e para os tropeiros. Desse se sabia a origem. Órfão de uma mãe, nunca teve um pai, criado pela avó num fundo de estância das Mostardas. Quando a avó faleceu, se acolherou numa comitiva e foi desvendar ou conhecer um mundo novo. Primeiro se afeiçoou ao Cão. Depois com carinho da Negra e com o consentimento do velho Maneca Efraim ficou. E ficou com satisfação. Assoviava muito mais do que falava. “Pau pra toda obra”, nunca teve difícil ou ruim. Faziam frente no balcão como com os tropeiros. Meu falecido pai Aldo Cabeleira dizia: “Deus faz, o Diabo separa e eles, por si mesmo, se juntam”.

A vida é como um fandango sem fim. A página musical pode estar escrita, mas cada um dança do seu jeito e gosto. Ou desgosto! O dono do salão faz as regras e proclama as diretrizes básicas. O gaiteiro toca, varia as músicas, mas não te obriga a dançar ou escolher o par. E cada vivente é dono do seu nariz e do seu destino. A vida não é uma estrada reta e plana. Tem perau, precipício quase sem fundo. Curva de cotovelo. O clima e as intempéries da mãe natureza e numa dessas manhãs tristes, de chuva fina e gelada, do vento Minuano açoitando mais que língua de sogra, o velho Manoel Efraim não arredou da cama. Uma forte “dor por dentro, ali onde o peito faz fronteira com a barriga”. A negra Avilina preparou um chá quente com uma homeopatia que tinha no armazém. Um suor gelado escorria entre a barba. Os olhos se encovaram. Dentes cerrados. Não se permitia gemer. O Negrinho pegou o cavalo e buscou recursos no vizinho mais próximo.

A premência faz as pessoas solidárias. Principalmente entre os de coração agradecido. De Viamão para a Santa Casa. Conta-se que um fazendeiro custeou sua cirurgia e tratamento. “Abriram e fecharam. Mandaram pra casa”! Voltou para sua humilde casa. O palheiro apetecido dormia no canto da mesa, ladeado por um pedaço de “fumirrama” e uma faca feita por ele. O Cão deitado aos pés da tarimba, não lhe tirava os olhos e raramente saía para as necessidades. Não comia como seu amigo. Amigos chegando e depois de um “Oooo de casa” se acomodam num banco encostado na parede. As mulheres se unem em oração e o pároco da Matriz foi ali levado numa camionete Ford Modelo A com a carroceria de madeira que o velho tinha reparado para o fazendeiro. Nunca tinha sido um homem de lides religiosas, mas sempre um respeitador e partilhava o seu pouco com os mais desabonados, com os teatinos e errantes como cão sem dono.

O vento Minuano arrefeceu seu ímpeto, refreou sua bravura e o céu abriu uma janela entre as nuvens invernosas. O sol de fim de tarde esgueirou-se e lançou seus raios, suas setas luminosas que vararam as vidraças a banharam a tarimba com o velho coberto por vasto pelego. Suave como viveu. Sem nenhum alarido, deu seu derradeiro suspiro com a mão sobre a cabeça do Cão e as mãos do Negrinho e da Avilina em sua cabeça. Não havia dor ou réstia de sofrimento em seus olhos. A face serenou. Lágrimas silenciosas foram vertidas com respeito e amor. Desconhecia-se sua origem. Nunca foi necessário saber. Sabe-se, com certeza, seu destino, sua alma imortal se encontrará com o Pai Celestial e lá estará um pequeno comércio, um armazém ou um bolicho para receber com carinho e respeito. Sepultado no cemitério da região.

Poucos dias após o sepultamento, a negra Avilina encontrou o Cão dormindo o sono eterno no mesmo local aos pés do leito de morte do amigo. Conta-se que o Negrinho e a negra Avilina acompanharam uma comitiva de tropeiros e lá pelas bandas do Alegrete encontraram casa e trabalho numa estância cujo filho do dono os conheceu na casa do Velho Maneca Ibraim. As goiabeiras continuaram produzindo os mais belos e saborosos frutos da região, mas a casa degradou-se. E como tapera sucumbiu.

Num mundo de poderosos e ânsia por mais e mais poder. De dominação do homem pelo homem. Do homem sobre os animais e demais membros da natureza. De pessoas infladas de orgulho doentio. De criaturas roubando compulsivamente os bens materiais e a vida dos outros. De seres acumulando riquezas sem fim numa voracidade criminosa e patológica. Há pessoas como o velho Maneca Ibraim, a negra Avilina, o Negrinho e o Cão e as pessoas de espírito fraterno que tornam a vida digna e o horizonte que abrirá uma janela para o sol da divindade penetrar e nos banhar e alimentar.

2020 – 05 – 12 Maio – O velho Maneca Ibraim e seu cão – parte 2 Final – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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O velho Maneca Ibraim e seu cão! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 05 Maio 2020.

 

Atendendo as solicitações de leitores dessa vanguarda, capitaneada pelo Pedro “Pedrão” Negeliskii e esculpida a duras digitações por esse cronista, vamos recuperar fragmentos de um passado distante da Primeira Capital de Todos os Gaúchos!

O velho Maneca Ibraim e seu cão! – Parte 1

A

li pela região da Ponta do Aterro, próximo ao ancestral armazém do Tico Laranjeira na ‘bocada’ de acesso à região da Pimenta, talvez entre hoje as terras dos Flores e  dos Veiga teve um pequeno comércio do tal de Maneca Ibraim. Sabe aquelas pessoas que parecem ter nascido velhas. Sempre estiveram velhas. Ninguém as conheceu jovens. Pois o Maneca Ibraim era uma dessas criaturas que na Grécia Antiga seriam seres mitológicos. Havia quem falasse ser parente do meu bisavô Maneca Laurindo e terem vindo no mesmo navio desde Portugal. Talvez o fato de serem de pele muito clara, cabelos de claros a loiros e nariz adunco teve isso motivado. Sabe-se lá! Vamos dizer que o Maneca Ibraim apareceu e se estabeleceu. O seu comércio era parada de tropeiros que por ali cruzavam com a ‘gadaria’. Fez fama seu café cujo aroma era ‘sentido a léguas de distância’ e sempre quente, muito quente no fogão campeiro (ou fogão de rabo) e um chaleirão de ferro com água tinindo. Chimarrão e café. E charque! O velho Maneca Ibraim carneava novilhas antes da entrada do inverno e as varas de charque esperavam os tropeiros de duras e penosas jornadas. Havia aqueles que traziam as tropas desde Mostardas e as levavam aos matadouros de porto Alegre.

A singela morada era cercada por goiabeiras, acreditavam que ele as trouxesse na mochila desde Portugal. A certeza era de goiabas maiores que um punho cerrado. Não havia nenhuma outra com aquele tamanho e as pessoas podiam apanhar e comer com a tranquilidade dos livres de corpo e alma. Interessante era que alguns cavaleiros davam goiabas com a mão em concha para suas montarias e como elas apreciavam. Comiam com o prazer que deviam dar as frutas do Éden. Sim, somente no Paraíso as frutas seriam tão puras e saborosas, claro que antes do holocausto da serpente que encantou a Eva..

“E o cão”? Pois o cão também apareceu assim aparecendo. Me entende? Talvez acompanhasse alguma tropa ou algum cavaleiro deserdado da vida. Talvez alguma criatura sem rumo, desses que vagam sem rumo ou destino. O certo é que sempre o cão escolhe o seu amigo homem. Até pode chamar de dono! O cão era outro desconhecido, anônimo mesmo, que acampou e ficou. Parecia ter a mesma idade do Maneca Ibraim. Velho uma barbaridade. O Cão, sim esse era seu nome que o velho lhe deu, tinha alguma cruza sanguínea com os buldogues campeiros. Daqueles com a coragem e força suficientes para encarar o mais feroz touro e fazê-lo se ajoelhar com as ventas em sangue. Faltava um pedaço do rabo. Seria sequela de alguma peleia braba e feia? Mas agitava aquele meio rabo fazendo festa ao velho quando esse o chamava (Cão) pela troca ritmada de olhares. Não latia. Jamais acuava ou se mostrava impaciente. Somente permitia que um adulto lhe tocasse se o velho assim permitisse, às vezes somente com um meneio de cabeça ou um olhar. Mas com as crianças, sim com as crianças, deitava-se com as patas para o céu e fechava os olhos para receber carinho e até alguma capetagem.

A faca que o gaúcho sempre porta é de primeira utilidade, seja para trabalho ou para combate. O Cão era uma sombra permanente do velho e se alguma alma desenfreada ousasse somente em pensamento, ele desembainhava enormes dentes. Uma armadura e equipamento de lutar de tremer até os desatinados. Somado ao seu tamanho, quase uma bezerra, trazia tranquilidade ao armazém.

“Era somente o velho Maneca Ibraim e o Cão”? Não. Essa parceria cão e homem que iniciou com os lobos há centenas de milhares de anos sempre me cativa. Me encanta contar e visualizar, nem que seja somente com os olhos amorosos do coração. Havia uma negra! Apareceu e ficou também. Talvez não tão idoso quanto o homem, mas as marcas no corpo denotavam uma jornada sofrida. Sempre com um lenço cobrindo a cabeleira rente ao crâneo. Manquejava da perna esquerda. Diziam que tinha uma grande cicatriz próxima ao joelho. O longo vestido não permitia conferir e as palavras que eram escassas e somente as mais necessárias.  (Conclui na próxima semana. Aguarde!)

2020 – 05 – 05 Maio – O Velho Maneca Ibraim e seu cão – 1! Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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Pés de Baro e Morovid-20! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 28 Abril 2020.

 

Pés de Barro e Morovid-20!

A

 história me encanta, mas a Bíblia ilumina quem a abre. Sempre! Dona Dora, minha mãe, aconselhava que estando num problema grave e a solução não fosse visualizada: “Faz uma prece e se abra a Bíblia em qualquer ponto. Ali, naquelas páginas, teríamos a solução ou o melhor caminho”. Nossa Pátria atravessa uma das maiores crises de sua história, assolada pelo vírus da peste chinesa e pela infecção recorrente da falta de dignidade e honra. Já publiquei aqui a ameaça de prisão de um amigo pescando à beira mar, sem nenhum ser humano visível em qualquer direção além da viatura maligna. Pessoas espancadas, agredidas e presas por todo o país por estarem na rua. Prefeitos e governadores são proclamados senhores feudais pelo ninho da serpente – o STF. Mesmo STF que solta criminosos julgados e ministros que agridem a Constituição com manifestações e atos. O cargo que reveste o homem eleito pela democracia é escrachado a toda hora de forma abominável. O assassino Adélio permanece blindado. Menos levou Vargas ao suicídio, Jânio à renúncia e Jango ao exílio. Não há o respeito essencial ao Presidente do Brasil. O Congresso brasileiro, pelos seus líderes, avulta-se em golpe e bloqueia o exercício legal do Executivo. São incontáveis, nesse espaço, as situações em que o Ministro da Justiça do Brasil deveria ter tomado posição e frente. E a corrupção instaurada pela pandemia e a liberação dos políticos? Covardia? Cumplicidade? Omissão?

Crônicas & Agudas

Atacam a dignidade da sua esposa e filhos. Acusam-nos, nada se comprova. Acusa-se o pai de defender seus filhos e acusam os filhos de defenderem o pai. Você que é pai – tendo um filho massacrado, qual será a sua atitude? Você que é filho – tendo seu pai ou sua mãe massacrada, qual seria sua atitude? É princípio de vida a defesa da família. Como ministro, Sérgio Moro não cumpriu suas obrigações necessárias. Há tempo, em casa, acuso essa postura do Moro ministro e homem. Ausente ou relapso? Quando a bronca foi com ele (Intercept e Greenwald), o Presidente se colocou em combate para lhe proteger. O apoio do Presidente foi uma constante – lembram do Maracanã lotado gritando “!Mito! Mito! Mito!”, o Presidente levantou o braço do Moro e indicou “esse é o cara”. Lembramos o juiz da Lava Jato, desconhecíamos a sua intimidade. Infelizmente! Na Medicina, uma hora a infecção aparecerá. O abcesso silencioso, a infecção encubada e maligna se exteriorizou com o Covid-19 e o Morovid-20.

Cr & Ag

Leiam Daniel 2 no Velho Testamento. Apreciem e interpretem a saga de Nabucodonosor e Daniel. Agora 14 de maio é aniversário da Independência de Israel. O sonho com o gigantesco ídolo do mais rico império que já existiu pelo seu rei. Sua cabeça era de ouro. Seu peito e braços – de prata. Abdômen e coxas de bronze. Pernas de ferro. Pés de ferro e barro. “Rola uma pedra não cortada e atinge os pés de barro que não se fundiam com o ferro e os outros metais e o ídolo se desintegra”. Moro faz um discurso pestilento, ardiloso, premeditado e calculado de renúncia do cargo. Um juiz “com seu passado” deveria cumprir os ritos legais da renúncia – não fez. Arbitrou e caluniou estuprando a Constituição brasileira apesar “do seu passado” também ao negar ao Presidente seus direitos constitucionais de escolher para o cargo. Nenhum patriotismo – na pior crise de doença moral e física, como um rato ele salta do navio na tormenta e pior – tenta a torpedear o barco. Safadas comparações. Motivação exposta é fútil e ilegal. Atitude criminosa ao gravar e hackear. Até lembra aquele membro do casal que se separa e trata de expor as suas intimidades e apregoar “podridão” no seu companheiro/a. Canalhice!

Cr & Ag

 Aflorou falta de hombridade, caráter, dignidade. Pior que os pés de barro ou atolados na lama pútrida da deslealdade e do antipatriotismo é trair e tentar assassinar a honra de quem o abrigou. E buscar os piores inimigos e tentar jogar o Presidente como um cadáver às hienas. Tristeza, admirei-o um tempo. No entanto, alívio quando se identifica um inimigo oculto. Um traidor na trincheira. Doloroso também ver pessoas, principalmente colegas de jornada, com o intelecto adulterado e corrompido pregando o fim do governo e a Pátria atirada à corrupção – doença que já matou e mata muito mais que a Peste Chinesa. Lembrem de todo o dinheiro roubado durante essas décadas, somente pouco devolvido nas delações, que fazem faltam à saúde do país. Tenham a certeza de que a Peste Chinesa jamais matará tanto quanto a corrupção e as organizações criminosas.

2020 – 04 – 28 Abril – Pés de Barro! Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – http://www.edsonolimpio.com.br

 

 

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O Paradoxo do Confinamento e as Pestes! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 21 Abril 2020.

 

O Paradoxo do Confinamento e as Pestes!

Paradoxo significa contradição. Vou demonstrar a contradição na história do “confinamento”. Em 1430 AC, na Grécia, Atenas era a mais próspera cidade-estado. Tanto na economia como nas artes e ciências, ali nasceu a democracia. Palácios subiam as colinas. Blocos de pedra viravam estátuas e obras belíssimas. Mercadores de todo o mundo vinham negociar. Seu porto recebia todos os povos. Esparta e outras cidades se reuniram contra a supremacia de Atenas e foi declarada a Guerra do Peloponeso. Esparta cercou Atenas com seus poderosos exércitos, mas suas muralhas resistiam. Quando uma doença evoluiu rapidamente com fortíssimas dores pelo corpo, diarreias e vômitos, febre alta, sangramentos, lesões de pele e a morte. Piras funerárias se ergueram por toda a cidade e os corpos eram cremados. Nuvens de fumaça traziam o odor da morte escurecendo o céu. Esparta desistiu invadir Atenas. Ao contrário, bloqueou seus habitantes, bloqueando aquilo que a história chama de a Peste de Atenas. Milhares morreram e os sobreviventes contaram o drama. Durante uns 2.000 anos se especulou a doença. Muitas eram as hipóteses. Após 1990, descobriram-se corpos num cemitério na região. Os cientistas dataram as mortes como da época de Peste de Atenas. E nas polpas dentárias dessas ossadas que encontraram o genoma da salmonela.

Crônicas & Agudas

Ao contrário que muitos pensam, confinamento era para a saúde de quem ficava fora. No Rio Grande gaúcho se confina o gado para proteger ou para matar e comer? Quando o homem primitivo deixou de ser nômade domesticou os animais, a agricultura, confinou-se para a produção de comida. Confinamento é cativeiro. Josef Mengele, o Anjo da Morte, o médico nazista, e suas terríveis experiências nos campos de concentração – confinamento. Stalin, Lenin e o comunismo com os Gulags – confinamento. O chinês Mao Tsé Tung e seus campos de extermínio, dezenas de milhões de pessoas – confinamento. Confinar é isolar. Criminosos são confinados para proteger a sociedade de sua perversidade. Já referi em outra crônica a Bíblia e o “vale das sombras”.

Cr & Ag

Cortez com os astecas e Pizarro com os incas – disseminaram doenças como varíola e sarampo. Assim nasceu a América espanhola. É história. Confinar é também dominar. A população cubana e da Coreia do Norte é confinada, sem liberdade de ir e vir. Juízes do STF validaram o regime feudal no Brasil ao autorizar e liberar prefeitos e governadores de fazerem o que bem entender à revelia dos direitos individuais e coletivos dos cidadãos brasileiros. Um cidadão caminhando ou pescando numa beira mar deserta é conduzido preso. Mulheres são espancadas em praça pública por “desacatarem o isolamento social” – onde estão as artistas, ONGs e defensoras de mulheres? Na metade do século 19, o médico Semmelweis pregou a singela lavagem de mãos antes de tratar enfermos – demonizado e internado em manicômio. Centenas de anos se acreditou que as doenças provinham dos miasmas ou emanações dos pântanos e lugares pútridos e acreditavam que as moscas, com seu bater de asas e voo errático, dispersariam as doenças. Era nota dez para as moscas! Sabia disso?

Cr & Ag

A China, de mais uma Peste, novamente confinou o planeta. Cerca de 1 milhão de crianças morrem de sarampo anualmente. A famosa OMS faz vacinação em massa para eliminar o sarampo? Assim se eliminou a varíola. O sarampo mata, principalmente, crianças miseráveis, famintas, pobres, abandonadas ou confinadas em campos de refugiados. Alguém acredita que um país em que 70% da sua população depende do trabalho diário, nas periferias vivem sem água e esgotos, pessoas em sub-habitações, incontáveis pessoas em dois ou três cômodos poderia fazer isolamento social geral radical, confinamento amplo? O confinamento se inverte, aí está o paradoxo – os abonados, aqueles com mais recursos, no topo da pirâmide ficarão encastelados e continuarão sendo servidos por aqueles que sempre serviram. Há hipocrisia?

Cr & Ag

A proteção dos idosos e demais será também uma estratégia de poder além das reais necessidades? Aqueles que advogaram ferozmente contra os medicamentos disponíveis e seu uso “somente nos casos mais graves” estão corretos? Ou estão corretos os médicos que usam o arsenal terapêutico precocemente nos pacientes como usariam em si e nos seus? Ou “sábios” doutores que usam em si os remédios que “faltam estudos”? Liberar que os feudos e seus senhores feudais (governadores e prefeitos) espoliem ainda mais as pessoas na tradicional falcatrua nacional? Observar e entender. Quem sempre desconsiderou os hospitais, médicos e enfermos além do discurso cínico das campanhas eleitorais agora se intitula humanista? A peste chinesa e a podridão de tantos políticos, homens públicos e defensores da lei são até controláveis. Exterminar essa peste? Essa peste corrupta, ao contrário dos vírus e bactérias que nunca exterminaram todos os hospedeiros, ainda podem acabar com o Brasil! Infelizmente. E tiveram o voto (ainda o apoio) de muita gente boa para possuírem o poder que ostentam.

 

2020 – 04 – 21 Abril – O Paradoxo do Confinamento e as Pestes – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Uma Páscoa diferente! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 14 Abril 2020.

 

Uma Páscoa diferente!

Antecipo uma explicação aos épicos leitores, iniciando-se com esse misto de médico metido a escritor. Sempre alinhavamos textos de humor e da realidade afetiva, que a pedido de muitos leitores evitam a saturação das más notícias.

“Edinho, como é que tá a boca por aí”? – Assim veio o telefonema noturno do amigo Velho Gusmão Porpício. Também conhecido por Gusmão Boca Rica. Há uns 40 anos a doutora Cledi arrancou uma ‘coivara’ (restos dentários, vezes somente raízes) do seu Gusmão, que ainda não era velho na idade. Precisou colocar uma dentadura. “Doutora Cledi, eu quero botar uns dentes de ouro aí na chapa. Quero ficar como eram meu pai e meu avô lá na fronteira. Não conseguiu dissuadir o paciente, somente reduziu para dois dentes molares e uns filetes de ouro em outros dentes. Assim sorria, gargalhava puxando os cantos da boca para relampejar os dentes de ouro. Continuando com o telefonema: “Edinho de Deus, desde não sei quando é a primeira Páscoa que eu e a Nega Velha passamos sólitos e Deus. Tamos tudo confinado aqui em casa. Nos proibiram de quase tudo. Ainda tomamos mate no pátio com as galinhas, os gatos e os cachorros. A família vimos só de longe quando vem trazer rancho e o leite que o Ernesto (filho) tira na chácara”. Velho Gusmão e dona Ernestina tiveram oito filhos. São quinze netos e nove bisnetos. “Por enquanto”! – Ele assovia faceiro com a enorme família em quadros na casa.

Crônicas & Agudas

“Então me arresolvi fazer o churrasco ali no pátio mesmo. Dispensei a churrasqueira. Bem que os filhos é que tem assado faz tempo mesmo. O Waldemar até encrencou: “Pai pra que esse trabalho, trago churrasco pra ti e pra mãe. A Eucina faz a salada de maionese com milho que tu gosta e asso a costela do jeito maneira que a mãe aprecia”. “Foi assim que a Nega Velha e eu começamos nossa vida. Só nos dois. Aí peguei um tanque de lavar roupa antigo. Daqueles de cimento. Botei a lenha e prendi fogo. Tava meia úmida, chorou um pouco, fumaceou e se veio o fogo. Lavei os espetos. Já tinha baixado as carnes do frízer – salsichão de porco, uma galinha campeira da nossa criação, uma costela de Angus do mercado do Gringo e um vazio lindo barbaridade. E fui paleteando nos espetos. Somente sal grosso. Nada dessas frescuras de colocar mato na carne. Fico apaixonado vendo a Nega com lenço no cabelo e desdobrando as batatas pra maionese. Maionese com ovos das nossas galinhas. Daqueles que vez ou outra te levo no consultório e dou pra Clarice (secretária)”.

Cr & Ag

O Velho Gusmão Porpício é desses homens que Deus perdeu a forma ou guardou para fazer algum anjo. O coração do tamanho do seu abraço. E sempre com uma risada faceira encantando qualquer lugar. Faz amizade assim num bom dia-boa tarde. E já desdobra uma conversa e num opa já fica íntimo de qualquer um. Sempre com um gracejo, mas respeitoso e humilde. Ele evita falar, mas veio com a mulher e alguns filhos a reboque da fronteira. A família era calçada nos pilas e dona de terras largas. Foi entrevero grave de família – conta-se. Caso de peleia e morte. Respeita-se que não fala por conta própria. Não “se deve enfiar o dedo na goela da criatura” por curiosidade desnecessária. Um tempo passado, a doutora Varlete e o doutor Eduardo (filho) resolveram uma partilha que recebeu como herança. Não foi na sua região e passou tudo direto para os filhos. “Os detalhes”? – Sigilo profissional dos advogados e muito respeito pessoal pela família.

CR & Ag

“E aí Edinho, fiquei ali domando o fogo e gineteando a carne. Te falei que coloquei farinha nas costelas de porco. A Nega gosta muito das costelinhas enfarinhadas e bem tostadas. Desdobrei o salsichão com pão feito em casa e na farinha. Farinha grossa! A Nega me trouxe uma Polar (cerveja). Sei do limite que o doutor me deu. Tomamos juntos. Ela gosta da espuma e sorve com satisfação. Sabe Edinho, tamos velhos, mas minha mulher é flor de bonita. Precisa ver quando era novinha nos fandangos. Dançava e rodopiava. Leve como uma pluma. Ligeira como beija-flor na primavera. Cozinhou um aipim manteiga e fez uma salada verde com ovos cortados. Arroz soltinho como bandido da política. Comida especial. Aconteceu um probleminha. Quando fui sacar a galinha do espeto, escorregou na gamela rasa e caiu no pátio, foi só o tempo que o Brazino abocanhou e correu pra casa dele. Esse cachorro é ruim de negócio. Perdemos a galinha. Vamos em frente que é a Páscoa do bicho também e tinha muita carne e comida para nós dois. A patroa nem ligou muito, tava encantada com as costelinhas de porco enfarinhadas e tostadas”.

Cr & Ag

“Liguei para te dar um abraço e votos de boa Páscoa. E pra toda a família. Diz pra doutora Cledi que dentistas em Viamão era ela e o doutor Emílio Turco. E se cuide doutor que tamos muito usados, veteranos uma barbaridade, quase velhos (risos). Que o Pai Velho lá do Céu e sua Mãe, Nossa Senhora, livre nossa terra e nossa gente dessa Peste Chinesa. Já fizemos uma promessa pra nossa família e pros amigos. A Ernestina (quando a coisa é mais formal, ele evita o apelido afetuoso) está mandando abraço e um beijo e quando passar o confinamento ela vai no consultório abraçar a Clarice e deixar um mimo. Fica com Deus, meu amigo.” São tempos sombrios, de apreensão, de dor da enfermidade e do ódio no coração de muitos. Mas também são tempos em que os amigos lembram dos amigos e os corações se tocam pelo telefone ou pela internet. Lembre-se de tocar alguém!

2020 – 04 – 14 Abril – Uma Pascoa diferente – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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A Peste Chinesa e a Dependência! Edson Olimpio. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 07 Abril 2020.

 

A Peste Chinesa e a Dependência!

O que a China sempre exportou? Vou lhe dizer aquilo que você jamais soube ou se apercebeu – chineses! Entram sempre como mão de obra barata e abundante. As ferrovias da costa leste da América é um desses exemplos. Até retirando os negros do trabalho. Com os chineses vieram as casas de ópio. Abundantes. Veja que naquela época não havia a cocaína. No século 19 ocorreram uma ou duas Guerras do Ópio, tendo a Inglaterra bombardeado e invadido Pequim. No vai e vem de informação e contrainformação, somente após o comunismo o uso do ópio foi controlado na China. Há muito tempo, chineses tem migrado para todos os cantos do planeta, comprando sua naturalização como se sabe. Até que ponto isso está dentro da política chinesa de expansionismo? Como um tipo de vírus que vai se infiltrando em todas as camadas da sociedade. Nenhum chinês há mais de 500 anos sabe o que é liberdade, sempre viveram e morreram sob regimes de força. Nada mudou em receber ordens e executar. O trabalho escravo na China é aproveitado pelo mundo todo, desde as quinquilharias até os mais sofisticados equipamentos e produtos. Esse parque industrial gigantesco e diversificado trouxe novamente o poder imperial da China. Antes de continuar, lembre-se: na China há mais de 1,5 bilhão de chineses.

Crônicas & Agudas

O mundo se tornou dependente daquilo que a China produz. As indústrias deixam seus países e vão produzir numa terra em que o trabalhador é um escravo do sistema. Enquanto no Brasil os impostos e toda sorte de taxas e falcatruas associadas a vantagens adquiridas sucatearam a indústria nacional. Precisamos de máscaras para proteção e manter os consultórios abertos? E luvas? E demais insumos básicos? Não há. Se há é pelo peço da morte. Somente a China produz para nós brasileiros. Assim vai do vestuário aos ‘supositórios’. A dependência está amplamente estabelecida. Pior – a China comprou e continua a comprar a infraestrutura dos países. Da energia elétrica ao esgoto. Para a imensa maioria das criaturas isso passa ao largo, não é visível. Está legal comprar as calcinhas e a camisetas ‘made in china’. A China chamou para seu colo seus mais mortais e históricos desafeto, os japoneses. E as indústrias japonesas tinham a escolha: desaparecer do grande mercado mundial ou produzir na China.

Cr & Ag

Há os céticos, os idiotas, os alienados, os comunistas e os raros atentos, principalmente. Os três primeiros elegem essa podridão política que ‘viralmente’ infecta o corpo social de todos os países. Alguns piores, como onde a corrupção iguala-se com a fé religiosa. Logo isso não vai lhes interessar ou sequer causar um “o que”? Outros sacrificam as boiadas, mas não se apartam das piranhas. Pior, cada vez se identificam mais com os predadores mais terríveis. E os últimos? Talvez você seja ou passe a ser um deles, principalmente se você sangra e é vampirizado pelo sistema. E não é por ser algum poderoso ‘trem pagador’. O trabalhador humilde que se pergunta para onde vai a montanha de dinheiro que mensalmente é recolhido nas famosas “obrigações sociais” que os governos espoliam dos cidadãos? Aquela montanha de dinheiro deveria ir para o seu bolso em benefício da sua vida e da sua família, como bem entender. Ele tem a consciência e a certeza de que toda a montanha de dinheiro não é do patrão. A montanha de dinheiro é sua. É retirada dele trabalhador honesto e jamais voltará para ele realmente. Sempre melhor para a China.

Cr & Ag

Milhões de brasileiros estão desempregados. Passando fome. O risco de que o vírus e os governantes nos transformem numa Venezuela. Milhões estão sem nenhum horizonte logo agora que a pátria voltava a respirar e ser de seus filhos, apesar da proteção feroz aos larápios e condenados. A Peste Chinesa dissemina dor, angústia, temor, sofrimento e fome. A depressão, em toda a sua virulência, está à espreita. Outra peste foi consagrada pelas urnas.

2020 – 04 – 7 Abril – Peste Chinesa e Dependência – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – www.edsonolimpio.com.br

2020 - Caveira - Gaúcho

Paracelso e Salmo 23-4! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 31 março 2020.

 

“A diferença entre o remédio e o veneno é a dose”! – Paracelso

“No vale da sombra da morte” – Salmo 23-4

Aqui jaz Philippus Theophrastus Bombastus von Hohenheim, famoso doutor em medicina que curou toda classe de feridas, a lepra, a gota, a hidropisia e outras várias enfermidades do corpo com ciência maravilhosa. Morreu em 24 de setembro do ano da graça de 1541”. Essa é a placa ou lápide colocada pelos moradores na Igreja de Santo Estevão em Salsburgo, Aústria em 1591. Um gênio voraz pelo conhecimento total e absoluto. Filho de um médico. Após graduar-se em Medicina, adotou esse nome “além de Celso”. Aulus Cornelius Celsus famoso médico romano do século I e autor do tratado “De Medicina”, seguido com devoção à época. Inquieto e heterodoxo cientista.

Crônicas & Agudas

Gripe chinesa ou Covid-19, como a Peste Bubônica (matou 30% dos europeus) grassou pela Ásia e Europa trazida pela Rota das Sedas. É costume brasileiro ser autoridade em quase tudo. Nelson Rodrigues chamou o Brasil de “a pátria de chuteiras” e se diz a boca larga que “todo brasileiro é um técnico de futebol”. Também se apregoa que “de médico, poeta e louco cada um tem um pouco”. A miopia se revela em cegueira quando a ideologia espalha seus esporos e RNA destruidor. Até aqui, as mortes estão nas classes médias e altas, principalmente. Alguém desconhece a situação de moradia, sanitária e econômicas de mais de 80% dos irmãos brasileiros?

Cr & Ag

O vale da sombra da morte”. Ali no Salmo 23-4 a Bíblia nos dá a Palavra. No filme de Ben-Hur com Charlton Heston de 1959 é magnífica a cena em que ele encontra o paradeiro da irmã e da mãe, leprosas, abandonadas à morte num vale escuro com cavernas e incontáveis outras pessoas isoladas e abandonadas. Diz-se que esse vale das sombras da morte existia entre Jerusalem e Jericho. A humanidade teme as doenças e a morte que lhe acompanha. Sempre se fez o ‘isolamento social’ dos doentes. Viamão ainda mostra o histórico Leprosário de Itapuã e as histórias dos filhos sem pais. Os poderosos sempre instigaram, atiçaram os temores mais profundos da alma para que os enfermos fossem afastados e descartados – em todos os tempos. Gulag é uma sigla em russo. Significa “Administração Central dos Campos”. Stálin e o comunismo jogavam nesses campos de concentração para trabalhar até a morte os “doentes” da mente, contrários à ideologia ou seus desafetos do sistema. Calcula-se mais de 60 milhões de mortes desses “doentes”.

Cr & Ag

O comunismo de Mao Tsé Tung eliminou algo entre 60 e 100 milhões de “doentes” na China. Os chineses são hábeis e acostumados em toda a sua história de eliminação em massa de seres humanos e de qualquer coisa que nade, ande, se arraste ou voe. Isso ainda é claro e evidente nesses regimes. Subliminarmente, sutilmente, malignamente isso é feito no Brasil em que os poderosos se tratam no Hospital Sírio Libanês, por exemplo, enquanto os “doentes” morrem na carência de saúde pública real. Os intermediários sangram pagando seguros de saúde para uso tantas vezes incerto. A Medicina tende a isolar aquilo que desconhece, não domina, teme “até conseguir entender e aliviar”. Assim os sistemas se protegeram para que continuassem funcionando. Nas cidades medievais, os palácios ficavam no centro, na colina mais alta, cercados por ruelas em formato de labirinto (estratégia de combate), tudo para dificultar que os poderosos fossem mortos nas guerras. No entanto, o povo no entorno morria ou se mutilava. Sinta que o cronista não está sendo cruel ou partidário, relata a realidade de um sistema que sempre existiu. PC Farias, o homem do Collor, postou sua mansão dentro de favela de Maceió. “A favela me protege”, dizem. Morreu assassinado quando estava fora da “sua favela”.

Cr & Ag

Estava na Ilha de Itamaracá em Pernambuco. Desceram uns magnatas de um iate. Mulheres suntuosas de homens poderosos. Uma delas chamou as outras para verem algumas crianças locais. Não compravam nada. Tratavam as crianças como bichinhos raros, no pior sentido. Alguém avisou: “Estão cheios de piolhos”! Afastaram-se. Fugiram como o diabo da cruz. E logo o iate sumiu. Alguém acredita que o ‘isolamento social’ é somente para proteção dos pobres, população de risco e idosos mesmo? Observe como querem que os serviços se mantenham naquilo que não afeta suas vidas de caviar e lagostas com vinho Romanée Conti ou uísque de 25 anos. Observe Viamão, falta água dia sim e outro também. Casas de três peças com oito pessoas, geralmente há um idoso. Paredes geminadas ou quase. Trabalham num dia para comer no outro. Ou numa semana para comer na outra. Cenário ruim? Se você visitar, verá que é bem pior daquilo que imagina. Isso é Brasil.

Cr & Ag

Os médicos e enfermeiros são heróis”! Esses hipócritas e canalhas enchem sua boca pútrida com falsos elogios são os mesmos que sempre abandonaram os médicos (todos os profissionais da saúde -generalizo!) ao seu “juramento”, sem as condições dignas de trabalho para eles e seus pacientes. São os mesmo que “importaram” “médicos cubanos” em detrimento da saúde nacional. Eles, esses mesmos, tratados pelos mais famosos especialistas e nos melhores hospitais, chegando de helicóptero e cuspindo na cabeça dos que vivem nas intermináveis filas. Aproveitam-se do medo, insuflam mais temor e ódio. Reverberam pânico. Egoístas malignos. Em cabeça de médico e de juiz não há consenso ou unanimidade absoluta. Uma certeza histórica: a China se importará com a morte de milhões de estrangeiros ou de chineses? Nunca se importou, até se aliviou. Veja a história real. Estatísticas são interpretadas pelo viés ou necessidade de alguém ou produzidas com finalidades.

Cr & Ag

Proteger quem precisar ser protegido – população de risco mesmo? Ou fechamento absoluto de tudo? Conflitos de opinião. Momento certo? O médico luta, por exemplo, com um tumor maligno no seu paciente. Usará doses letais de medicamentos, quimioterapia ou radioterapia mesmo matando o paciente? Lembre do Paracelso lá no início. Impedirá o sangue de circular ou garroteará as veias e artérias que o tumor morra por falta de sangue, falta de vida que o sangue leva para todo o corpo? Lembre-se que há “médicos” (vide a história da Medicina) desdenhando de verdades absolutas escancaradas ao seu entendimento racional e não ideológico. A simplória lavagem de mãos é “novo” na idade dos cuidados médicos. Sempre acreditei que se trata um paciente como deseja que tratem meus pais, minha esposa e meus filhos. Disciplina. Amor. Humildade e gratidão. Todo tratamento médico se sustenta em três pilares fundamentais: paciente, médico e Deus. Se o paciente fizer sua parte; o médico cumprir sua responsabilidade; Deus ajuda todos nós. Duvido de promessas, rezas, missas, sorte ou qualquer misticismo se o enfermo (família e responsável) e o médico (s) não cumprirem suas obrigações, seus deveres essenciais. É bíblico.

2020 – 03 – 31 março – Paracelso e Salmo 23 – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br

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