Corona Vírus! Abraço e Telefone. Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 23 março 2020.

 

CoronaVírus!

Abraço e Telefone.

 

T

empos sombrios em que a enfermidade oculta, invisível aos nossos sentidos, grassa e mata impiedosamente. Somos, por natureza, seres gregários. Formamos grupos, tribos e sociedades. Necessitamos do contato físico, da pele com a pele, do coração pulsando de encontro ao nosso peito, do estreitar entre os braços num abraço ou no imenso amor de amamentar. Entretanto, para muitos, há um arrefecimento, um adormecimento dos belos e, nem sempre, sutis sentimentos. Exercita-se o abraço compulsório de conquista do corpo do outro ao abraço do voto eleitoral. A vida, a natureza ou seja Deus, de tempos em tempos, nos atropela por doenças contagiosas no âmbito do lar, da cidade, da região e, várias vezes, se alastra pelo mundo – as pandemias. Tenha uma certeza, esses agentes infecciosos já existiam bem antes do homem elevar-se em dois pés e continuará depois dele. A tuberculose, por exemplo, infecta todo o planeta e os atuais métodos de investigação a encontram nos mais longínquos seres vivos da história do planeta.

Crônicas & Agudas

Uma mensagem do médico e Professor de Medicina Lybio Júnior enfatiza e desperta uma grande arma para enfrentarmos e sobrevivermos – a palavra falada. “Deve-se evitar o abraço e o contato mais próximo”, “fique em casa o máximo de tempo”, “os idosos são população de alto risco” – são orientações gerais e diárias. Afastamento! Distância! Abraços e beijos – somente pensar! A pessoa, idoso principalmente, engaiolado, enjaulado e longe das pessoas que ama sentirá a solidão com raias de tristeza e melancolia, talvez depressão. Assim se debilitará, comerá menos e os pensamentos ruins infestarão sua alma. A imunidade é sensível a isso e cairá. Se você ama seus pais e avós, ou demais idosos, e sabe que deve evitar o convívio ativo nesse período, use o velho telefone. Graham Bell juntou as pessoas com o telefone. Hoje com imagem além do som.

Cr & Ag

Converse várias vezes ao dia com seus idosos. Inclusive com aqueles não parentes. Estreitemos esses contatos telefônicos. Faça seus filhos demonstrarem que além do smartphone, videogames e outros dispersantes, os idosos, avós e bisavós, todos em fim, ainda são amados e importantes e que representam um porto de amor em suas vidas. Estimulando-os a persistir e lutar por mais um dia. Um dia depois do outro, até a vitória ou ao armistício com o Chinavírus. Eles sabem ou imaginam que são amados, mas necessitam, como qualquer ser humano, que o amor seja demonstrado constantemente. Há o risco de idosos sentirem-se fardos maiores para seus jovens familiares e deixarem de lutar pela sua vida. Lembre-se disso! Erre por excesso. Jamais erre por faltar ou deixar de fazer algo que a Medicina comprova com útil e imprescindível – Amor! Efetivo. Constante.

Cr & Ag

Por Amor insista e monitore essa prática essencial. Transforme o abraço virtual num ato de amor e de espiritualidade com todas as pessoas. Agora em especial com seus idosos. Depois da enfermidade instalada, você dispensará o telefone e o abraço virtual e sua única e final conversa será com Deus. Tanto para a cura, para o melhor caminho da pessoa amada, como, para vários, pedindo perdão pelas suas faltas, desatenções, enfim, falhas de qualquer espécie. Ganhe tempo. Estimule a vida. Exercite o amor. Abra seu coração. Fale e diga a essência da sua alma. Que as crianças e os jovens façam pelos seus idosos aquilo que, no futuro, talvez façam por você. Seu exemplo. Seu estímulo. Seja incansável na juventude, pois tudo que se planta dentro do lar frutificará em toda a humanidade. A criança, que ama e demonstra seu amor aos seus familiares, gera uma reação em cadeia de Luz e Saúde, do corpo e do espírito para todo o planeta. É o nosso tempo de reagir, agir, entender e mudar rumos e trajetórias. O melhor e mais fantástico medicamento está dentro de nós – o Amor! Ativo e exercitado constantemente.

2020 – 03 – 23 março – Corona vírus – Abraço e Telefone – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

http://www.edsonolimpio.com.br

Coronavírus–Previdência e Egoísmo! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 17 março 2020.

 

Coronavírus – Previdência e Egoísmo!

N

ovamente o mundo nos põe à prova, assim são as pestes, epidemias ou pandemias. Também são com os grandes desastres naturais e as guerras. Lá entre as décadas de 80 e 90 do século passado, havia cientistas que entendiam que a população mundial cruzaria um caminho sem volta e o equilíbrio espécie humana e natureza seria devastador para a vida de todo o planeta. A Terra se equilibraria numa população mundial de 2 a 2,5 bilhões de humanos, após esse patamar a destruição ambiental produzido pelo homem entraria num ciclo vicioso em que a natureza não se recobraria e fatalmente o resultado era previsível. Superamos os 8 bilhões de pessoas. A devastação, a destruição do planeta no último século é muito superior aos milhões de anos da sua existência. O maior e mais perigoso predador não pararia jamais a sua fúria e gana. Há gente demais no planeta Terra! Ou tudo de ruim tem a ver com a qualidade das pessoas?

Crônicas & Agudas

A TV mostrando as ruas da Espanha, de regiões da Itália e da França vazias, exceto pelas autoridades policiais. Os supermercados da Europa estão sendo esvaziados furiosamente, até com disputa corporal por produtos. A TV entrevistando pessoas no Rio de Janeiro e São Paulo. Fora aqueles que acham tudo ‘fake’ e que a culpa é do Governo, mercados sendo esvaziados por criaturas estocando para o “holocausto”. Pessoas de idade e com roupas de qualidade contam que já passaram por três mercados e compraram tudo que podiam daquilo que queriam. Um dos itens é o papel higiênico. Papel higiênico! Uma mulher fez um estoque descomunal. Vai defecar muito e por longo tempo. No jargão médico do acadêmico de Medicina: “Não obliterou o canal neuroentérico, daí ter merda na cabeça”. Lembrando uma fase embrionária do ser humano.

Cr & Ag

A pessoa previdente dentro de limites racionais é algo bom. “Vou comprar mais uma caixa de remédio para pressão e diabetes”. “Vou comprar mais uns pacotes de macarrão que não estraga e a gente cozinha fácil e alimenta a família”. Entretanto, previdência não se confunde com egoísmo. A estupidez é violenta, mas o egoísmo é contagioso. É virulento. A contaminação pode ser massiva, imediata ou penetrando nos meandros da mente e do espírito. A fera, eventualmente dormente ou sonolenta, explode e deixa um rastro viscoso onde outros se contaminarão. “Vou livrar o meu e o resto que se dane”! “Vou ajeitar o meu lado, eu sei dimim”! Fandango fatal e que aumentará na medida que as “carências” forem maiores. Imagine num ambiente de fome ou de doença descontrolada.

Cr & Ag

As forças de segurança, que em circunstâncias normais de temperatura e pressão social, são, muitas vezes, incompetentes, ausentes ou ineficazes farão o que? Num país democrático assolado por pragas políticas, o caos será enorme. A China comunista enclausurou mais de 15 milhões de pessoas numa região. Quantas morreram pela enfermidade e quantas pelo poder de fogo do Estado? Dificilmente saberemos! Imagine sumir com um milhão de chineses, ou um Uruguai de chineses numa população correndo para os braços dos 2 bilhões de seres. Somente seus íntimos notarão e quem irá se queixar? As teorias conspiratórias entre direita e esquerda, escondem quem lucra realmente com a desgraça alheia e a podridão pessoal. É público e notório que teremos outra (outras?) pandemias que devastarão grandes regiões. Há as epidemias silenciosas que o amortecimento, a anestesia dos sentidos faz o rosto olhar em outra direção e os demais sentidos esquecerem num suspiro. “Não foi comigo, então não é problema meu”. Essa frase e outras acima, muitas mais que o leitor avivará, são diuturnas. Do cotidiano fatal e pestilento das doenças do corpo, da mente e, principalmente, da alma. Há solução? Cada um de nós tem a sua responsabilidade intransferível, desde sua pessoa e família. Ou com a escória que elege para representar-lhe, colocando todos e o futuro numa rota de desgraças.

2020 – 03 – 17 Março – Coronavírus – Previdência e Egoísmo – Eds Olimpio – Jornal Opinião de Viamão

A Intuição e o… Cutuco! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 10 março 2020.

 

A Intuição e o… Cutuco!

Dicionário Eletrônico Houaiss – Cutucar: tocar (alguém) com os dedos ou com o cotovelo, a fim de chamar-lhe a atenção. Cutucão: Regionalismo: Brasil. Uso: informal.1 cutucada forte, intensa. 2 golpe com instrumento cortante; facada, cutilada. A datação inicia em 1899. E suas variantes de uso como cutucação. Daí que ‘cutuco’ pode ser uma ação ou ato de cutucar como a sensação que a pessoa experimenta.

É

 

 da vida de cavaleiros, como do gaúcho dos pampas, um entendimento entre homem e cavalo. Em qualquer circunstância em que o cavalo rejeitar, refugar o comando do homem, o indivíduo deve ter a sensibilidade de tentar compreender e até aceitar. Estórias de cavaleiros serem livrados de emboscadas ou uma jararaca (cobra ou homem) no caminho pelo cavalo que empaca, trava e recusa-se a continuar são frequentes na tradição. Até surge algum conflito em quem seria o melhor amigo – cão ou cavalo? Ambos. Os sentidos dos animais são mais afiados, mais apurados que os dos humanos. É sabido. E nessa interrelação de amizade e sobrevivência, temos avançado. Houve um tempo distante em que as mulheres enfiavam os braços nos seus homens e assim transitavam. Sem grandes discussões, entende-se que os sentidos femininos são mais aguçados. A mulher tangencia e evita o combate franco. O homem já é direto e tempestuoso. A fêmea com o braço marcando território no seu homem, seja por provedor, gerador de sua prole ou por amor intrínseco sente antecipadamente os riscos na sua jornada.

 

Crônicas & Agudas

 

Psicólogos e médicos, cientistas de todas as épocas, assim como espiritualistas buscam uma maior compreensão e um domínio sobre essa arte ou sentido – seria o sexto sentido? As mães que acordam em sobressalto pela madrugada ou em outras situações… O médico que sente algo no seu paciente que os exames não mostram e os colegas desdenham… A esposa que cutuca com o cotovelo, com a mão ou com a ponta do pé o marido quando esse se encaminha para uma ‘furada’. Conhecemos o funcionamento de menos de 15% de nosso cérebro. Além do ‘desconhecido de almeida’, muitas virtudes da mente e do corpo vão sendo anestesiadas, deprimidas, sublimadas nessa vida veloz de trancos e barrancos, de dúvidas respondidas pelo doutor Google e pelo retrocesso evolucionário estampado em tatuagens e adereços de metal, por exemplo, disseminados pelo corpo.

 

Cr & Ag

 

A intuição, no seu mais amplo entendimento e aceitação, perambula, trafega e exercita-se pelo mundo espiritual, respeitando cada filosofia e religião. “Foi o anjo da guarda que o salvou”! “Os guerreiros salvaram a família do trágico acidente”. “Seu mentor espiritual e seus mestres de luz e amor abrem seus caminhos e lhe permitem levar saúde e felicidade para as pessoas”. “Ela tem muita mediunidade”. “Seu magistério é de inspiração divina, Cristo lhe ampara”. São algumas afirmações correntes e reais num universo em que “entre o céu e a terra há mais coisas que a nossa vã filosofia alcança” (William Shakespeare). O exercício do ‘cutuco’ ou até da sua forma mais enérgica, o cutucão, deve ser reavaliado por todos nós. Prever antes de acontecer. Antecipar-se ao evento. Premeditar antes de sofrer as consequências. Treinar os sentidos comuns e evoluir na intuição. O serviço secreto russo, com o fim da Segunda Guerra, abocanhou cientistas alemães que pesquisavam e tentava aplicar em indivíduos treinados arduamente essas habilidades. Sabe-se que conseguiram proezas.

 

Há certa confusão entre intuição e bom senso. Banco de escola não te dá bom senso, pode ajudar ou complicar. A arte nobre de viver e de respeitar aos outros como a si mesmo é a fonte inesgotável do bom senso. “Votei nele de novo e deu em M”. “Tudo isso aí da Lava Jato é perseguição, vou votar neles de novo”. Jamais seu cão ou seu cavalo votaria ou iria por esse caminho e você sente o cutuco e continua piorando a sua vida e de todos, inclusive de seus familiares. Talvez o cutucão não lhe baste!

 

2020 – 03 – 10 Março – A Intuição e o Cutuco – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

http://www.edsonolimpio.com.br

 

Visitas! Domésticas e Hospitalares. Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 03 março 2020.

 

Visitas

Domésticas e Hospitalares!

 

R

oscas de polvilho. Bolos diversos (preferia bolos de milho!). Chimarrão. Torresmo. Galinha com farofa. Refrigerante. E tudo aquilo que a imaginação possa inventar. Assim uma tropa se acomodava no quarto do enfermo no Hospital de Caridade de Viamão. Alguns faziam rodízio no banheiro para fumar e cada vez que a porta abria vinha uma névoa pestilenta. A enfermagem reclamava da dificuldade de executar suas tarefas. Muitos doentes gostavam daquela turma toda “visitando”. “Tenho muitos parentes que gostam de mim”! “Tô aqui de particular”! Havia os que faziam uma agenda para receber a titular e as filiais. Isso mesmo, no plural! Ao se encontrarem, quebrava o pau. Não raro, na visita noturna, lá pelas 22 horas, encontrava o paciente estrava atracado numa galinha com farofa ou numa farofa de ratão do banhado com muita banha e café preto. Alguns se magoavam quando se solicitava diminuir o fluxo, mesmo com o risco de complicações cirúrgicas. “Visitas restritas” – cartaz que as irmãs da enfermagem colocavam na porta. A consciência melhorou um pouco para os pacientes e oficiais da saúde. Ainda cruzamos com aqueles que acampam, tipo MST, nos quartos de amigos e familiares. Um tempo de visita que parece não ter fim!

Crônicas & Agudas

Há um quadro humorístico repetitivo e variável do Guri de Uruguaiana que trata dessas visitas que não tem hora de chegar e, para piorar, não há hora de sair. “Simancol B12” aplicado na veia mais grossa e inalação de naftalina ajuda, segundo um colega. Tem aquela visita que invariavelmente “estava passando” e resolveu dar um alô justamente em hora de refeição. “Tá na mesa” oferecido como educação é rapidamente aceito. Alguns até perguntam se tem vinho ou cerveja. Outros são esperados para o almoço. O anfitrião assa um belo churrasco e as criaturas chegam em meio para o fim da tarde com desculpas esfarrafadas. “Parece que o churra passou um pouco do ponto”! O assador deve ser contido para não enfiar o espeto num orifício da visita.

Cr & Ag

Há visitas que levam gerações de antecedentes juntos, os mais distantes parentes e “aproxegados”. Há quem traz a parentalha a reboque. “Pois é, eles estavam lá em casa e aí não dava para deixar né. Afinar onde come um, come dois”. Outro tipo: “Meu irmão chegou agora de Porto Seguro, Bahia, sabe. Busquei ele no aeroporto. Posso levar comigo né”? Deveria receber um estrondoso “não”, mas a educação do anfitrião-vítima faz um silêncio doloroso. E para piorar, sempre pode piorar, os sobrinhos quase destroem a casa. Quando não desce o barraco no meio do almoço tardio (16 horas) com a cunhada alucinada pelas peripécias do marido com as mocreias de Porto Seguro. Essa das “crianças” destruírem as casas dos anfitriões é quase rotina. “Norberto Adinelson vou contar até vinte para tu parar de esgoelar o gato”! Disciplina? Educação básica, do tipo somente assinar a prova do Enem e entrar na Medicina Pública.

Cr & Ag

Toma mais um mate”! “Ainda é cedo”! Jamais em sã consciência os anfitriões devem dizer algo assim. Não caia nessa asneira. Vai parecer acampamento. Há sérios riscos de dormirem na tua casa. E não vai adiantar bocejar ou espreguiçar-se depois. Há quem leve a sogra acoplada e o anfitrião pode descobrir que as portas do inferno não têm ferrolho, principalmente se a criatura for frouxa das pregas e da língua. Outros levam a cachorrada. A Lady Dy e o Mike Tyson já destruíram o sofá, as cadeiras, fizerem cocô e xixi pela casa toda e você ainda escuta que “eles só faltam falar” e “são nossos amores”. As visitas praianas já deram homéricas crônicas nesse abençoado espaço. E a estória se visualizou em realidade para muitos. E aí? Como se sente como visita ou anfitrião? Visualizou-se aqui? Conte-nos suas empreitadas.

2020 – 03 – 03 Março – Visitas – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – http://www.edsonolimpio.com.br

Condomínio na Praia! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 04 Fevereiro 2020.

 

Condomínio na Praia!

Onde o impossível acontece. Série: Humor (bom) no Verão.

 

A

 vida em condomínio na cidade já é coisa bem complicada para muitos sobreviventes do “coronumismo” brasileiro. Esse amigo estava me contando das intempéries que passam no seu edifício, numa sucateada praia gaúcha. Ele tem uma característica impagável que é colocar apelidos nas criaturas. Quando guri ele já aplicava apelidos em nós e a maioria pegava mesmo. E, em alguns, não largava mais, mesmo a contragosto da vítima. E começou assim: “O Negão do 21 é o primeiro a deixar o elevador cheio de areia e de água do mar”. Ele explica: “Na realidade o cara é baixinho, quase anão de jardim, branco como leite Parmalat, mais uns detalhes e seria albino. Até a sobrancelha é branca. É professor aposentado e ex-líder sindical (disque). Anda sempre besuntado de creme bronzeador. Relaxado uma barbaridade e sempre do contra. Quer reunião toda hora pra discutir qualquer porcaria e nunca tá com o pagamento do condomínio em dia. O ap dele é o 13”. E continua: “O Zé do Costelão ganhou o título porque o cara tem um matadouro orgânico e ecológico. No aniversário da 5ª esposa do cara, fez um churrascão no estacionamento ao lado e convidou a patota toda. Deu a carne e a galera levou a bebida. Meio justo não é Edinho? Heim, não entendeu o causo do matadouro? Te explico. O cara mata os bois assim no campo mesmo. Na natureza, sem produtos químicos. E carneia ali mesmo. Diz que troca de campo pra não vicia os urubus. Não vou te jurar que os bois são todos dele”.

Crônicas & Agudas

“A Laurinha Chaminé está com os dias contados no condo. Puxa uma erva mermão! Tá expurgada pro Uruguai. Lá o cara pode se maconhá do jeito que quiser. Volta e meia dispara o alarme de incêndio com a mucréia chapada. Até anda pelada nos corredores e na garagem ensaiando uns passos ou dança do tipo capoeira. Meio que se passou com o Feijão do 28 (228), a mina do cara viu e baixou o pau. Coisa feia é peleia de mulher contra mulher. É um arranca-rabo e um griteiro de acordar defunto morto. Outras moradoras já andavam invocadas com ela que triscava com os maridos. O Porta de Cadeia, advogado duma galera boca braba, se meteu na defesa da Chaminé e apanhou junto. Saiu todo lanhado e vai ser acusado na Maria da Penha. O Mineirinho chamou a turma do deixa-disso-gata, nem-vem-que não-tem, pega-leve, essa-baranga-não vale-um-pum. Depois explicou, daí vem Mineirinho (come quieto), que tem que proteger o patrimônio. Edinho de Deus tem coisa lá que se contar ninguém acredita. O Paulinho Treme-treme deu uma calibrada na 51 do Lula, chupou meio limão pra aliviar o bafo e propôs um ‘turno de defecação por andar’. A fossa vive entupida. O cara acha que tendo hora e andar pra defecar se resolve a bronca. Olha o tamanho da M”.

Cr & Ag

E continuou o drama do condomínio praiano: “A garagem ficou pequena pras viaturas. O cara do lado cedeu o terreno baldio para se fazer um estacionamento. Beleza. Fizemos até uma meia-água de Brasilit pra proteger do sol. Uns carinhas não respeitam e estacionam no vaga dos outros. Outros mudam as plaquinhas só de sacanagem. Outro dia o Ponto e Vírgula e o Deixa que eu Chuto se encontraram. Os dois jogaram futebol. Um pelo Colorado e o outro pelo Grêmio. Os dois tem os joelhos estourados – daí os apelidos. O Ponto e Vírgula saíu na voadora, errou e acertou no Paulinho Boca de Ouro. O boneco surtou. E foi um ai-ai-ai, ui-ui-ui. Se engasgou com o piercing da língua e deslocou o silicone. Uma correria pra desengasgar a criatura. Acabou a rinha com a ajuda do Alfredo Rivotril (um psiquiatra aposentado e pirado). Umas sei-lá-quantas gotas de Rivotril com água com açúcar mascavo não resolveram tudo. Salvo pelo salva-vidas da guarita com direito a boca-a-boca e outros porventura”. O astuto leitor está vendo lances, facetas, do seu condomínio aqui na epopeia desse amigo? Duvido que não!

2020 – 02 – 04 Fevereiro – Condomínio na Praia – Edson Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

http://www.edsonolimpio.com.br

A Medicina já foi assim 29A Medicina já foi assim 30

Domingueira Praiana! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 28 Janeiro 2020.

 

Domingueira Praiana!

Série de Humor no Verão Gaudério

[A minha doma é na base do ia há há
Deixo que corra à vontade e embalo o corpo pra golpear
Dou-lhe um tirão lá no fundo da invernada
E outro aqui na chegada e nesse já faço esbarrar

Dou-lhe um tirão lá no fundo da invernada
E outro aqui na chegada e nesse já faço esbarrar…]

“E o gaiteiro rocava a velha acordeona. Com um olho fechado, na pontaria duma índia de tranças que zunia pelo salão. Talvez o outro olho cochilasse da noitada anterior. O xirú dos dedos destroncados floreava o violão alisando as cordas como quem afia uma navalha Solingen no couro cru. A Cadela Baia do Mano Lima era a página musical mais tocada. Um gurizão taludo, desses magrão de fim de linha de ônibus, cutucava o bumbo leguero arrumando namoro com uma prenda linda como laranja de feira e alegre como mosca no mel. Risonha de deixar as canjicas de fora dos beiços vermelhos como a camiseta do Colorado Campeão de Tudo. Eu andava meio avulso pelo litoral quando o doutor Edinho do Cabeleira me requisitou. Curti muito bailão no Waldeci e no Reci. Com essa cara que Deus me deu e o diabo estragou já fiz a felicidade de muita xirua nesses retornos da vida. Agora, meio veterano, tomei dois goles graúdos da Polar, lambi a espuma do bigode e parti para a aquisição”.

[Conto com a sorte e com a minha cadela baia
Que às vezes a pobre me ajuda e outras vezes me atrapalha
Eu mesmo pego, eu mesmo encilho, eu mesmo espanto
Depois que solto pra arriba nos arreios eu me garanto]

“Calibrei a mira numa prenda aí pelos 5.0. Ela floreou os olhos em mim e se refestelou com minha bombacha nova e com as botas peludas. Bota peluda no verão de mais de 40º é coisa pra macho. Muito macho. E a mulherada sabe bem disso. E o bagual se garante. O vento Nordestão soprava e assoviava na cumeeira do galpão. Cortando mais que língua de sogra. Dei uma sapateada batendo o taco da bota e a prenda aceitou o convite e se veio rindo, mostrando o piano. Enlacei com o braço a cintura meia graúda, abri cancha nos pneus, e chamei no peitoril. “Aperta que eu gosto”, ela gemeu mais ou menos assim. Sabe aquele arrepio da morte certa? Pois é! E saimo troteando um vanerão pela cancha. Abrimo um clarão. A xirua era boa dos cascos uma barbaridade. Eu cruzava a direita e ela se vinha com a esquerda. E quando uma coxa esfregava na outra vinha outro arrepio. Na terceira volta do salão o gaiteiro abriu os dois olhos e piscou. E tossiu. Seria uma mensagem em código”?

[Eu mesmo pego, eu mesmo encilho, eu mesmo espanto
Depois que solto pra arriba nos arreio eu me garanto]

“O peitoril da xirua saltava pra riba. Chinchei mais ainda. Chegou a arregalar os olhos, mas gostou. Senti que não ia dormir solito nos pelegos. E o gaiteiro persistia piscando. Até perguntei se era cacoete ou argueiro. E a bailanta seguia nesse tranco. Nos intervalos ela segurava o braço do bagual aqui e evitava o aproxego. “Sou viúva nova ainda”! Alegou uma dúzia de vez. Como nasci de nove mês, sei esperar o tempo certo. Lá pelas metade da madruga, consegui arrebanhar a prenda pro meu Opala”.

[Depois que eu boto a curva da perna no arreio
Pode frouxar a minha cadela só que rache pelo meio
A minha cadela sai pegando pelas venta
E eu afirmo na soiteira e abraço nas ferramenta]

“E ali no entrevero dentro do Opala, que me veio o desgosto e um gosto de sangue na boca. Não tive raiva nem ódio. O sol nasceu pra todos de rabo e dos sem rabo. O meu braseiro esfriou. Devolvi a prenda pro salão. Sou taura cortês barbaridade, até no infortúnio. Mas eu ainda sou meio tradicional. Não levo mais nada a ponta de adaga. Mas não amarro meu cavalo em toda porteira. Embarquei na minha viatura, ainda enxugando o suor. Mas não se assustemo. Os farrapos guerrearam por uns dez anos e vem um dia depois do outro”. Relato desse amigo viamonense, um taura de primeira linha.

2020 – 01 – 28 Janeiro – Domingueira Praiana – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

www.edsonolimpio.com.br

A Medicina já foi assim 27A Medicina já foi assim 28

“Reveião na Praia”!–Parte 2. Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 21 Janeiro 2020.

 

“Reveião na Praia” – Parte 2

Especiais de Verão. Série: Rir ainda não paga imposto!

“Descobri que o salsichão se divide como na multiplicação dos pães. Chegaram os quatro, assim meio de quatro. Nada do Zarolho, que se apartou deles e disse que ia fazer uma consulta no postinho do SUS. Disse que tinha destroncado ou quebrado o dedão do pé. Interessante é que nem mancava. Mas… A sogra maldita de chefa na cozinha botou ordem que nem o Bolsonaro. Cada uma com sua tarefa. E de cara apareceu duas bacias de maionese com pepino, passas de uva, salsinha, muito tomate gaúcho e bem mais. Uma belezura. Não cabeu tudo na geladeira, botaram em sacos plásticos no isopor da cerveja”. Aviso aos intrépidos leitores dessa coluna campeira que o Zecão é muito detalhista, mas fala a verdade. “A Lurdinha, que já tá no quinto marido, foi se arrumar no quarto com o dito cujo. O cara é meio anão das pernas. Coisa estranha – é curto pra baixo e grande pra cima. Já trabalhou de leão de chácara no Bailão do Waldeci. Fez meio baile, mas até trabalhou. E se a nega véia não bate na porta e a sogra maldita não berra, a Lurdinha e o meio anão passavam o reveião trocando as mudas de roupa. E vamo em frente Edinho”!

Crônicas & Agudas

“Alguém botou umas gotas de Rivotril na água da Lurdinha que apagou o pito na rede. Um sucesso. E ficamos ali tirando lascas de carne e multiplicando o salsichão no pão. A fome apertou. Sabe que o trago pode dar uma gastura, assim um vazio por dentro como corno em cadeia. Esqueci de te contar dos foguetes. O Sérginho Balaca é chegado num fogo. Já trabalhou de bequebloque do PT. Heim? Então tá, política não. O Balaca soltando fogos por cima e já encarreirava por baixo. Disse que é achacado de uma tal de farinha de gluti e alergia do leite. Se escutava o griteiro e o foguetório lá pras bandas da concha acústica da Cidreira. O magrão disse que tinha mais povo do que gente indo pra lá. Falou que ia se apresentar o Pedro Ernesto, aquele gremista do futebol, mas que não canta um ovo. Sabe que eu fico meio sentimental nessas datas. Chinchei a nega véia e me abracei bacuris. Até faltou braço, mas o coração se encheu de felicidade. Fui meio bagaça, mas a nega me botou nos trilhos e hoje sou mais caseiro que petiço de sítio. A sogra até que não é ruim demais, é descalibrada dos bofes e destrambelhada das idéias. Passou muito trabalho com o finado, que Deus o tenha e não volte. Bebia uma barbaridade e sovava a mulher dia sim e outro também. Duma feita, tu vais lembrar que estava de plantão, sovou a mulher e os filhos e descadeirou um brigadiano que foi intervir. Chamaram a tropa. Tirou o cassetete de um e lasqueou muita guampa até ser algemado. Índio medonho de violento. Lembra que morreu numa cilada de cancha reta ali em Alvorada? Tomou tiro que tudo que foi jeito e maneira”.

Cr & Ag

“Só mais um tempo Edinho. Pra encurtar o causo. O Zarolho chegou com a melena cheia de areia e com o fecho da bermuda estragado. Deu-se o crime com a guria da Lurdinha. E pintou um arranca rabo de bobeira. Acabaram com a cerveja. Secaram os garrafão de vinho. A cachaça foi toda. Comida nem pra remédio. Foi tudo. E veio o foguetório no céu e na terra. A maionese fermentou no calorão e desandou direto. Um horror. A patente já tava entupida até o gargalo. A fossa transbordou no fim da tarde. E o barro desceu morro abaixo, numa roncalhada de tripa e num tiroteio que dava dó. Boneco encostado nas viaturas chamando o hugo e saltando pedaço de melancia com salsichão. Credo! Faltou papel. Usaram a areia mesmo. Nos salvamos porque a nega fez uma promessa de jejum. Tudo pro SUS. O Zarolho pegou a Kombi e sumiu. Bom, outro dia te conto da domingueira no Quintão. Agora vai que tem cliente te esperando. E abraço na doutora!”

Aviso que trocamos os nomes das criaturas e que qualquer semelhança com fatos passados e futuros não será mera coincidência. É isso aí Zecão!

2020 – 01 – 21 Janeiro – Reveião na Praia 2– Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

www.edsonolimpio.com.br

A Medicina já foi assim 25A Medicina já foi assim 26

Equalizar os Carburadores e a Vida! Edson Olimpio Oliveira–Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 07 Janeiro 2020.

 

Equalizar os Carburadores e a Vida!

E

m 1991 dei um salto na minha jornada de motociclista de longas distâncias troquei nossa Yamaha Ténéré 660 por uma Honda CBX 750 Indy. Pulei de uma moto trail para uma sport touring bordô. Linda. Lindíssima. Cada motocicleta tem as suas peculiaridades e assim sempre tracei simetrias, analogias ou estradas paralelas com os humanos. Tenho uma série de imagens para os apaixonados por motos no meu site (edsonolimpio.com.br), no Instagram (edsonolimpios) e no Face e Twitter (edsonolimpio). Visite-me! O nosso modelo de motociclismo em nada se assemelha ao motoqueiro (pejorativo!). Também se curte a moto numa lavagem e limpando detalhes com uma escovinha de seda e alguns puristas até de cotonete. É um ritual. A mulher de fé pode até não ajudar na lavagem, mas tem a habilidade e o bom senso de não complicar. Daí lembro de um bombeiro militar e motociclista do interior do Paraná, próximo à Foz do Iguaçu. Estávamos num desses encontros motociclísticos trocando figurinhas, ele sacou a tirou: “Minha mulher odeia moto. Nunca quer sair comigo. Bota osso de tudo que é jeito. Até que chegou um dia que ela me disse: Ou eu ou a moto? Ainda sinto algumas saudades dela. Cozinhava mais ou menos, mas era uma ninja na cama. Mas a fila anda e ela bailou”.

Crônicas & Agudas

Jamais desafie o motociclista apaixonado por sua máquina. Todas as minhas motos tiveram o mesmo nome e, você que me dá a alegria de me acompanhar, conhece inúmeros episódios ou causos. A primeira viagem maior que fizemos com a Indy foi para Serra Negra, São Paulo, e cidades do sul de Minas Gerais. Eu achava a motivação para alguma região, geralmente coincidindo com algum evento de motociclismo e providenciava em deixar a moto nas melhores condições de viagem. Jamais economizamos com o melhor mecânico ou com a troca de pneus, por exemplo. Pneu traseiro em moto tem uma vida muito curta se comparado com automóvel. Após os 10.000 km tem que estar com o pneu da mesma marca e qualidade do original já encomendado, pois muitas vezes somente se conseguia em São Paulo. A Cledi preparava a bagagem com roupas, remédios e tudo o mais que poderíamos necessitar. Também se encarregava com os contatos telefônicos com os hotéis do percurso e do destino final. Internet não existia. GPS? O velho mapa rodoviário de Quatro Rodas marcava o percurso. A autonomia de uma moto é menor que de um carro, assim cuidados com os postos de gasolina.

Cr & Ag

Em viagem, o cuidado com a alimentação é muito importante. Uma gastrenterite, uma infecção alimentar ou outra bronca desse calibre é assustador, quando não o sonho vira um pesadelo real e fétido. A alimentação da moto é a gasolina, que como tantas coisas nesse Brasil surrupiado e explorado, também é precária. Gasolina batizada. Postos de combustível em péssimas condições do visual ao banheiro. A CBX 750 Indy é uma especial obra de arte da engenharia. Seus quatro cilindros são alimentados por quatro carburadores. Isso mesmo que você leu. A gasolina nacional criava uma meleca, um gel aderente e entupidor dos sistemas. Comum ao retornar ter que fazer uma limpeza da carburação. O singular Luiz Pazeto, especializado na Honda no Japão, sempre foi meu primeiro mecânico. Pazeto desmontava e caprichosamente limpava. Tudo limpo, remontar e equalizar os quatro carburadores. Equalizar é fazê-los funcionar em harmonia absoluta. Complicado e difícil. Pazeto deixava tudo em perfeita harmonia.

Cr & Ag

Faça a analogia de uma família – vários carburadores e vários cilindros e vários outros detalhes importantes e vitais na máquina familiar. Como equalizar tudo isso? Como harmonizar semelhantes ou completamente diferentes? Mecânicos se assemelham a terapeutas, religiosos, médicos e, principalmente, a vontade e habilidade de cada um. Lembrar que há momentos da estrada da vida que contaremos somente com nós mesmos. A “gasolina” que encaramos na viagem é, muitas vezes, igual ou pior que a nossa moto recebia. Que o Ano-Novo seja de equalização da vida!

2010 – 01 – 07 Janeiro – Equalizar os Carburadores e a Vida – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – www. edsonolimpio.com.br

A Medicina já foi assim 21A Medicina já foi assim 22

A Pomba pousou! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 10 Dezembro 2019.

 

A Pomba pousou!

E

m 2015 lancei meu livro solo Crônicas & Agudas, nome dessa coluna no garboso Jornal Opinião de Viamão e são 250 páginas retratando o cotidiano das pessoas e buscando nos arquivos do tempo aquelas que marcaram a vida do escritor ou da cidade. Depois de uma gestação que recebeu o incentivo dos leitores da coluna e do livro, veio Crônicas & PontiAgudas, também com quase 250 páginas e, carinhosamente trabalhadas, trouxe uma inovação na literatura. Convidei a poetisa Lúcia Barcelos, presidente da ALVI, Associação Literária de Viamão, a construir poemas que conversassem ou que bailassem em sintonia com meus textos. Novamente tive a honra e o estímulo dos amigos e aquilo que poderia soar como um desafio veio com enorme satisfação e alegria – um novo livro! Sempre aspiramos que o filho seguinte seja melhor ou, pelo menos, semelhante aos anteriores. O dia 7 de dezembro de 2019 veio o terceiro filho/livro – “Trinity! A Saga continua”. Um parto que se complicou na sua reta final e logo vou lhe contar.

Crônicas & Agudas

A Trilogia de Crônicas & Agudas estava formada. Esse filho nasceu maior que seus irmãos, tanto no tamanho quanto no número de páginas – 370 páginas. Traz colunas já publicadas no brioso Opinião e novos textos. Inclusive crônica vencedora de concurso literário. Resgato, novamente, vultos da história de Viamão, como é tradicional em meus textos. Apresento outra inovação. Convidei amigos para apresentar seus textos, A incentivar a formação que evoluam novos livros do talento de iniciados e outros que continuem suas obras literárias sem nenhum custo para si. Com o prefácio do Dr. Sérgio Pitaki, presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Sobrames, a poetisa Lúcia Barcelos acompanhou-se de Bernadete Kurtz, Eduardo Lopes, Shirley Denise Belli, Cynthia Oliveira e Ângela Vieira. A arte gráfica e visual das três capas foram feitas por mim, assim como detalhes internos variados.

Cr & Ag

As capas trazem a mesma temática evolutiva e procurei dar mais vida e cor, movimento e natureza, orvalho e luz, reflexos, enfim, vida plena no Trinity. Por que Trinity? Leia-o e compreenderá. Nos dois lançamentos iniciais, o evento foi em restaurantes da cidade. Para o terceiro lançamento recebi a bela oferta da nora Bruna e do filho Eduardo para a realização na EcoFitness, a melhor academia de ginástica de Viamão. A Cledi, novamente, organizou a estrutura com detalhes do coquetel, doces e salgadinhos da nossa região, bebidas com realce para excelentes vinhos e espumantes, violinista, fotógrafo, garçons, pessoal de apoio, ambientação e decorações. Enfim, tudo aquilo visível e o que traz conforto e alegria, com a minha gratidão aos presentes. Minha secretária Clarice coordenava os amigos de Trinity. Mais de uma centena de pessoas participaram e foram recebidas com respeito e carinho. Pelos contratos de horário, o evento teve que encerrar. No entanto, continuaram chegando amigos. Trinity e seus irmãos estão à disposição no consultório para aquisição, ou pelo telefone, para envio pelo Correio.

Cr & Ag

Os livros deveriam estar em Viamão mais de 20 dias antes do lançamento previamente marcado. A empresa contratada é de São Paulo, a Rumo Editorial. Também de Crônicas & PontiAgudas. A gráfica contratada pela Rumo do amigo Marcos Salun atrasou. E atrasou. E atrasou mais ainda. Depois de intensa batalha, Marcos conseguiu os livros e os embarcou em avião. Retirei os livros no Aeroporto Salgado Filho há 24 horas do evento. Por um “quase” o Trinity não veio ao mundo na data prevista. Quando o avião pousou em Porto Alegre, Marcos me passou mensagem: “A Águia pousou”! Célebre frase em código eternizada na guerra dos americanos no Oriente Médio. Como a pomba com o ramo de oliveira em seu bico está comigo desde o início da vida de médico e em todos os livros e no dia a dia da vida, o Espírito Santo na minha alma, foi como “a pomba pousou”. Sem guerra, mas com muito amor, humildade, disciplina e gratidão!clip_image002

2019 – 12 – 10 Dezembro – A Pomba pousou – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – http://www.edsonolimpio.com.br

A Medicina já foi assim 15A Medicina já foi assim 16

CheveTCHÊ Turbo Interceptor! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 26 Novembro 2019. Parte 1.

 

CheveTCHÊ Turbo Interceptor!

Espuminha curtia uma vanera dançando de pé trocado em trote de rodopio pelo Salão do Valdeci, no Passo da Areia. A prenda deu uma sungada no vestido sacudiu as pipocas alojadas nas rendas e jogou o braço pelo pescoço do moço. A calça Lee estreitou e ficou pequena de tanta emoção. Se aprumou e chamou a guria num bate queixo que alumiou o dente de ouro. A sogra, distraída num pastel com guaraná, cansou de suspirar na esperança de algum desgarrado encostar no seu armário. Moço afeito aos namoros nas barrancas da Varzinha, puxou a guria para dar uns bordejos e pegar um ar fresco nas sombras dos cinamomos. Mas as sombras estavam ocupadas e alguns cinamomos chegavam a balançar e cair as folhas de tanto agito. E nem era outono ainda. Espuminha andava pelo meio das viaturas estacionadas e eis que a guria perdeu parte da atração. Estacionada uma máquina com os cromados relampeando no luar de desentocar rinchão a pauladas e buscar ninho de tuco-tuco. Uma viatura gaúcha até no nome – CheveTchê! Vermelho colorado perolizado. Seu time de adoração num baita distintivo no capô do motor. Tala larga. Faixas laterais rasgando a base das portas – Turbo Interceptor! Loucura meu. Total mesmo. Faixas nos vidros fumê – Chevetchê e em letras manuscritas menores – Vianda. Carro para levar comida. Boia. Quase que o coração lhe saiu pela boca. Podia perder a gata, mas iria ganhar a máquina. Esbaforido sacou o microfone da mão do cantor e perguntou quem era o dono da viatura.

Crônicas & Agudas

Que houve com o meu carro”? – Gritou um Foguinho atracado num galeto numa mão e uma ceva na outra. Espuminha sacou: “Tô contigo e não abro”! O Foguinho e ninguém entendeu aquilo. Menos ainda a gata que saltitava em seu rastro. “Pô meu, tô comprando teu carro. Bota preço que é tudo comigo”. Abriu um clarão no salão. Como o pessoal viu que não era briga, tocou o baile com mais força. E o gaiteiro esgoelou a acordeona. Ah! O apelido Espuminha vem do hábito e gosto de empinar uma ceva gelada e ficar aquela “espuminha no bigode” que ele passava a língua e dizia – “O bom é a espuminha”! Pegou a alcunha. Saltaram para o estacionamento e foi aí que começou o negócio. E foi aí que acabou também. Entregou uma ponta de gado, herança da avó. Uma égua prenha. Uma charrete e secou as reservas da Caixa. Carro dos sonhos. O Brasil vivia o sonho do Collor com os carros importados e o pesadelo pelo sequestro, um mês depois, das poupanças dos brasileiros. Tudo que importava era desfilar em Ipanema. Até com a futura sogra, a gata e a nave.

Cr & Ag

Aqui começa a lenda urbana que poucos sabem a origem. Espuminha acomodou a gata, dois cunhados, a sogra e o cachorro pequinês no CheveTchê Turbo Interceptor para curtir o feriadão na casa de um primo de sexto grau em Tramandaí. Coisa fina. Tramandaí é pra gente do andar de cima e Quintão, Cidreira era pra turma “comum”. Pegou a freeway. E deitou o cabelo. Vidros abertos, pois a velha era muito frouxa das pregas e soltava gases que o pequinês acuava de tristeza. Os cunhados, meio ruins dos neurônios, comendo cachorro-quente e derramando a mostarda e o “qué-que-chupe”. Ali pela altura da Glorinha, a nave tossiu, engasgou e fumaceou. Levou para o acostamento entre as pragas e desaforos da “futura” sogra e gremista. Ainda pode e vai piorar. Aplicou os primeiros e últimos socorros na viatura. O Turbo apagou e o Interceptor mijou para trás. “Colorado excomungado”! Era o mínimo que escutava da maldita. O sol de verão fazia o Atacama parecer frescor de shopping. Nem uma garrafinha de água. O suor escorria da nuca ao rego e lavrava perna a baixo. Um horror.

Eis que um dos cunhados começo a botar os guisados e as salsichas pra fora, chamando o hugo. A gata rezava pra padroeira das namoradas ferradas. Então para um carrão importado e baixa um loiro alto com óculos de aviador ou de político. Coisa de gente chique. Se compadeceu do pequinês e propôs rebocar a viatura até o pedágio de Osório. Levou o cusco para o ar condicionado do Mustang e rebocou o CheveTchê mais que envergonhado. Atenção: continua na próxima coluna. Aguarde o desfecho dessa epopeia de um Colorado viamonense e sua nave”.

2019 – 11 – 26 Novembro – Chevetchê Turbo Interceptor – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br

A Medicina já foi assim 11A Medicina já foi assim 12

Entradas Mais Antigas Anteriores Próxima Entradas mais recentes