Bagos de touro – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 21 Ma rço 2012

2012 – 03 – 21 – Bagos de Touro – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Bagos de Touro

C

onta uma antiga anedota gauchesca que o graxaim deitava-se diariamente sob o pau da mangueira e fitava longamente o escroto balançando do touro Ataulfo. Acredita-se que estivesse esperando cair para comer. Até que um dia morreu ali naquele plantão, mas a ossada continuava mirando e desejando as bolas do touro. A gastronomia gaudéria é fantástica. As estâncias fazem festas nos dias de castração e os testículos são assados e comidos nos braseiros para num ritual de estímulo à virilidade de bombachas. Eis assim o porquê das bombachas – calças bem largas para acomodarem os apetrechos masculinos e evitarem o olho grande dos graxains de plantão. A emasculação também retira o pênis, como diferença. A castração é sempre traumática, para homem e animal. Lembro-me do Capitão Osório Belíssimo colocando um gato com a cabeça dentro da sua bota, deixando o genital exposto para num corte rápido retirar seus testículos sem unhar ninguém. Ou do João Coragem castrando um carneiro. Também as Prefeituras castram os animais que perambulam pelas ruas ou a pedido dos donos. Sempre dá uma náusea privar algum ser de sua natureza.

Há mais de vinte séculos A.C, os chineses usavam eunucos na corte e os meninos capturados, principalmente se mongóis, eram castrados. A Bíblia, como em Mateus e Lucas, cita em várias passagens os eunucos e na mini-série Ester mostravam-se vários deles. Alexandre Magno tinha um amante eunuco, Bagois ou Bagoas. Talvez daí – bagos. Nos harens eunucos protegiam as esposas e concubinas. Não se conhece um sultão sem eunucos a seu serviço ou escravidão e vários são conhecidos no Império Turco-Otomano e no Império Romano. A sodomia (Sodoma e Gomorra) e a felação foram consideradas como práticas pecaminosas ou heterodoxas pelo cristianismo, mas está presente com a humanidade de todas as épocas e continentes. Todo o ato sexual que não fosse para a procriação e perpetuação da família se configuravam como pecaminosos. Daí vem a tradição da burguesia ibérica, principalmente lusitana, de separar mulher-sexo e mulher-esposa.

O mundo mudou. As pessoas mudaram. O sexo se tornou ora claro, ora nebuloso. Essa bela mulher gingando os quadris na Marcos de Andrade, pode não ser realmente uma mulher. Assim como esse garotão com carro de suspensão rebaixada e som a mil, pode ser uma garota. Liberdades e afirmações. Muitas indecisões. Faltam armários ou sobram os escondidos ou dissimulados. Feminilização opcional por química e cirurgia. Ainda há a incidental por esteroides, anabolizantes ou nos líquidos e alimentos. Na Medicina, por necessidade terapêutica, faz a “castração química” em enfermidades, tanto em homens quanto em mulheres. Necessidades e opções.

Incidente na Festa da Uva – 2012

Recebi esse relato de fonte plenamente confiável: − Tive necessidade de ir ao toalete anexo aos Pavilhões na Festa da Uva. Limpos, mas lotados. Insuficientes para o número de mulheres, naquele momento. Estranhei que dois sanitários não tinham portas. Abertos completamente. Num deles, uma gringa suava e gemia contorcendo-se em cólicas. Com as dores e vergonhas expostas pela ausência da necessária porta. Como se o vento Minuano e o Nordestão travassem um combate em sua barriga e saiam em estrépito. Uma amiga confortava-a. Tentava ao menos. – “Que diaréia (um R), dio mio!” Há que se cuidar do que se come em festas, nestes dias de mais de 40º C.

Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira

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Uma preferência nacional? – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opin ião – 14 Março 2012

2012 – 03 – 14 – Uma preferência nacional – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Uma preferência nacional?

P

esquisas de opinião revelam a preferência e o apetite nacional pelos glúteos, bundas, poupanças, bumbum, traseiros ou que raio de nome a ser usado. Muitos de nós estamos enfarados com essa profusão avassaladora. Bunda-verão-praia. Bunda-samba-carnaval. Cerveja-bunda-cerveja. Inflação de “popozudas”. Picanha todos os dias, nem o Gaudério de Oliveira suporta. Muitas belas e magicamente torneadas pelos artesões cirúrgicos ou pelos personal-trainners. Outras com celulite e covas e crateras como a maldita “rodovia Beto Albuquerque”, a ERS 118. Enveredemos por outro caminho nessa bendita coluna. As europeias nunca foram as mais privilegiadas pela região. E não é somente pela cor, geralmente branco-parmalat. É pela consistência, textura, elasticidade, volume dos glúteos, gorduras bem localizadas. Eis que historicamente usaram espartilhos para acentuarem as cinturas e com as saias rodadas e armações de metal, tornavam maiores os quadris fantasiando seus traseiros. “Avisava-se” − quadris largos, bacia larga, sinais de fertilidade e de prole numerosa e assim perpetuar a espécie do homem macho e provedor. Os seios eram mostrados com a mesma finalidade: — Aqui vai dar muito leite aos teus filhos!

Artimanhas eternas da mulher na disputa de seu melhor espaço. Quando Dom João e a corte portuguesa fugiram da Europa para o Brasil, lá por 1808, na atual África do Sul, um britânico espantado com o tamanho da bunda de uma nativa, levou-a para a Inglaterra. Essa negra pertencia à etnia dos hotentotes, hoje chamados de Khoisan ou bosquímanos e tinha essa característica racial chamada tecnicamente de esteatopigia. Essa negra também tinha os pequenos lábios ou ninfas de sua vulva com cerca de 7 a 10 cm – outro aspecto racial. Seu nome Saartjie Baartman (Pequena Sara). Em 1810 chegou e foi colocada em circos ingleses para sua tristeza. Leis inglesas impediram esse brutal abuso. Negociada com franceses, na grande feira parisiense de 1815, na entronização de Napoleão Bonaparte era “mostrada e tocada”, logo sendo descartada e morrendo de sífilis (?) na prostituição em pouco tempo depois. Como franceses e museus se fundem, seu corpo foi usado e guardado para estudos, sendo agora na década de 1980, pelo cientista americano Stephen Gould descrito em pormenores como A Vênus Hotentote. Em 2002, Nelson Mandela conseguiu repatriar seus restos mortais para sua pátria.

Outra das chagas da escravidão foi a devassidão sexual dos “senhores”. Registra-se que o dono da Capitania de Pernambuco deixou milhares de filhos bastardos. E a cultura nordestina ainda privilegia a bunda para ascensão social e abandono da miséria. Aí estão as Raimundas e Clarimundas – “Feias de cara, mas boas de…”. Usa-se pelo Brasil central e norte-nordeste chamar de “tanajura” essas bem dotadas de traseiros volumosos. Tanajura em alusão às fêmeas de saúvas – daí também bunda-de-saúva. Ensinada pelos índios como iguaria pura, assada ou em temperos. Saúva imortalizada por Monteiro Lobato com Jeca Tatu e outras fábulas e contos. Também em Macunaíma por Mario de Andrade. A linguagem popular também usava bunda-de-negra-mina (outra etnia africana) e bunda-de-negra-fula que talvez viesse daí o símbolo nacional da miscigenação racial – a bela mulata.

O Brasil tropical é pródigo em acolher o turismo sexual do europeu. A burguesia continua a fartar-se na cama, mesa e banho. É não é pelas leis do sul que aqui não ocorre. É pelo tipo de brasileira e onde a educação é pior, sobe-se na vida pelo futebol (homens) e pelo sexo (mulheres). Centenas ou milhares casaram-se com europeus, sabe-se que a Suíça, por exemplo, está sendo “colonizada” pelo amor brasileiro.

Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira

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Alicia Jaeger – amada filha da Raquel e do Daniel

Alicia Jaeger

– amada filha dos sobrinhos Raquel e Carlos Daniel –

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O Negão do picolé – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 29 Fevereiro 2012

2012 – 02 – 29 – Negão do Picolé – Edson Olimpio Silva de Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Negão do picolé

T

ínhamos os filhos ainda crianças na praia de Cidreira, num tempo em que esta praia se caracterizava, entre outras coisas, por ser “a praia dos viamonenses”. Veraneávamos à rua 2, na quadra do Bar do João. Ao contrário dos tempos tormentosos e preocupantes que hoje vivemos, as crianças tinham a liberdade de brincar pela rua com os amiguinhos da vizinhança. Vezes pelas calçadas, vezes alternando as casas. O verão era mais longo para muitas famílias, sendo comum que as mulheres e os filhos ficassem no litoral enquanto os esposos provedores trabalhavam na cidade e no mês escolhido reuniam-se na alegria da família. E alguns “direitos” infantis eram exercitados com muito maior frequência. Assim o puxa-puxa, o refrigerante, a bicicleta, o skate, as brincadeiras com horário flexível de terminar e o picolé. Verão e picolé. Verão, picolé e praia. Tudo a ver. Muitos picolés. Tanto na beira mar quanto depois do almoço – desde que “comido tudo” – e na tardinha quando o suor derramado em corredeira pelo rosto e nas camisetas encharcadas.

As lembranças das vidas dos filhos iluminam nossas vidas. Seus personagens fantásticos sempre retornam de verões distantes e em invernos da alma. Uma dessas criaturas maravilhosas era o Negão do picolé. Espero que alguma patrulha não exija o “politicamente correto”, pois isso somente iria destoar a realidade bendita de simplicidade, humildade e amor. Ele, seus colegas de profissão e a criançada chamavam-no de Negão do picolé. Jaleco branco sempre muito limpo, bermudas, chinelos de dedo, de meia idade e muito gordo, ainda com o carrinho da Kibon. Ali era o seu território de trabalho e de vida – um perímetro de ruas e à beira mar. Conhecia cada uma das “suas” crianças. Chamava-as pelo nome ou por alguma característica ou apelido. A nossa filha do meio, a Cynthia, era magrinha, branquela (loirinha) e menor entre as coleguinhas. Ainda usava grandes óculos com volumosas lentes de grau. Geralmente ficava para o final na disputa dos picolés. Quando chegava a sua vez: − A minha branquinha vai querer o Chica-Bom? – dizia afetivamente. Seus olhos ficavam maiores que os óculos e certamente a saliva rolava entre seus dentes e a língua sentindo os sabores tão apreciados.

À tarde, numa grande área anexa a nossa garagem, várias meninas brincavam com suas Barbies e Bobys, embalando sonhos em seus braços e mentes. Algumas cozinhando nas panelinhas e cozinhas com fogões e geladeirinhas, outras vestindo e despindo a Barbie e seu namorado. As simulações de vozes imitando pais, avós e outros personagens desse mundo maravilhoso e intangível da imaginação infantil. Eis que uma corneta soava ao longe. Como por mágica, muitas estacavam nas brincadeiras e erguiam as cabeças apurando os ouvidos. Alguma das meninas disparava para o avarandado frontal e dava o grito de alerta geral – o Negão do picolé vem vindo! Correria geral. Algumas traziam algum dinheiro que os pais deixavam em suas bolsinhas. Outras não. Cercavam em algazarra o Negão que rindo já as chamava pelos nomes e sabia suas predileções. E o dinheiro? Ninguém ficava sem seu picolé. Dizia:

− Depois tu ou tua mãe me paga, tá aqui teu picolé! – A dignidade nem sempre veste gravata ou toga e nem está nos templos do saber e do poder. Nunca soube como ele fechava as contas com o patrão no final do turno de trabalho. Assim como nunca soube de alguém dar calote nessa pessoa formidável. Jamais aceitou pagamentos a mais para seus picolés, vendia mais picolés. Acredito que o seu maior pagamento fosse a felicidade que distribuía e semeava e seu exemplo de honradez e amor faz-nos entender que esse Brasil assolado por canalhas de todos os matizes e classes sociais pode ter solução.

P.S. Feliz Aniversário aos amigos e amigas neste 29 de Fevereiro – Bissexto!

Caminho do Viamão

Rota dos tropeiros

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O Carnaval e esses maravilhosos carnavalescos e SUS – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 22 FEVEREIRO 2012

2012 – 02 – 22 – Carnaval – SUS – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

O carnaval e esses maravilhosos carnavalescos

E

ncantamento. Beleza. Amor e dedicação. Adjetivos são poucos para distinguir a atividade de uma escola de samba que na avenida transforma suor e lágrimas numa explosão de felicidade não somente aos seus membros, mas a toda a plateia local e televisiva. Assim foi a Escola de Samba da Vila Santa Isabel. Neste ano seu tema enredo foi a sua cidade mãe – Viamão. Com Ibia-Mon, minha história, minha raiz e um refrão espetacular soube encantar. Imaginamos o esforço de abnegados como o presidente da escola Juarez Gutierres e sua equipe para fazer essa festa anual.

Um importante destaque foi a presença do pároco da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, padre Rogério Flores, na alegoria da igreja matriz simulando um batizado. É a Igreja Católica aproximando-se do povo e não negando ou punindo aos amantes dos festejos de momo. Uma festa pagã, mas uma festa do povo. O pároco deve ser elogiado.

Enxotemos sentimentos de inferioridade de nossa amada cidade em relação a outros lugares. Criemos e exercitemos os sentimentos de carinho, afeto e pertencimento à cidade que nos acolhe e onde vivemos, trabalhamos e criamos nossas famílias. O carnaval e a Vila Santa Isabel estão alimentando nosso orgulho para filhos de outras pátrias e para seus filhos naturais.

O SUS e o Sofá!

L

embram-se da anedota do Joaquim que encontrando a mulher com outro homem no sofá, botou o sofá fora, mas ficou com a Maria. E durante muito tempo o Joaquim foi expulsando sofás e mais sofás da sala, trocava mobílias, pintava com novas cores, trocavas as lâmpadas dos postes e tantas coisas improváveis e impossíveis eram atacadas, mas a Maria continuava recebendo amiguinhos em casa. No mês de janeiro passado a Confederação Nacional da Indústria e o IBOPE constataram em pesquisa que 95% dos brasileiros estão insatisfeitos com a saúde pública – o SUS. Cerca de 68% dos brasileiros não possuem nenhum tipo de plano de saúde complementar. Pois pessoas capazes e bem intencionadas apregoam que o SUS é o melhor sistema de saúde pública no planeta. Que “americanos e europeus vem aqui copiar no SUS e extasiam-se com suas qualidades”. Que inquiridos sobre os problemas atribuem a inúmeras outras causas – má gestão, qualidade do gestor, desvios, etc. O SUS continua sendo excelente, como a mulher do Joaquim. Conta-se que numa explanação de importante político sobre as qualidades do SUS, alguém do sindicato presente fez um aparte e relacionou os mortos e estropiados de sua família por todo o tipo de má assistência no SUS e a sua incapacidade como homem trabalhador de buscar no Hospital Sírio Libanês a qualidade que os “abençoados” ali recebem. Apesar do desconforto e do bate-boca, estava falando a verdade tangível mesmo aos minimamente comprometidos com o sistema. E isso não é de hoje e não há luz no fim desse túnel, principalmente com a nova redução de verbas federais e de governos estaduais que sequer cumprem a lei. O papel tudo aceita, mas a vida…

Painel em Tainhas (São Fco. De Paula) mostrando a rota dos tropeiro – Caminho de Viamão – para Sorocaba

Em São Paulo.

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Machismo – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 15 Fevereir o 2012

2012 – 02 – 15 – Machismo – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Machismo

Numa época de verdades relativas e tudo em prol de arranjos muitas vezes entre canalhas e rótulos de governabilidade, há que destacar a existência de criaturas como o Balaca. Vamos usar esse apelido para evitar expor ainda mais esse antigo ponteiro do rubro-negro. Verdades sejam ditas, transitório ponteiro, pois o Tamoio foi convidado para uma preliminar no Olímpico. Ganhamos de 2 a 1. Golos do Balaca. Entrevistado por repórter da Farroupilha: – Fizeste golo de direita e de canhota Balaca, qual teu membro preferido? – Aí veio a resposta mortal: − O do meio irmãozinho! – O cara sempre foi assim, sem limites e sem medo.

− Têm quatro tipos de mulher mermão. As novas, as seminovas, as usadas e as esbagaçadas, mas pra mim tanto faz, pois não quero pra carreira. – estufando o peito e limpando os lábios da moldura espumosa da loira suada. − Também ainda têm as nacionais e as estrangeiras, mas desde que seja mulher… – e o pior pessoal (ou o melhor para o Balaca), as meninas disputavam na unha e no puxão de cabelo as suas atenções. Ao que complementava: − Propaganda e fama são armadilhas do sexo, mas tem que comprovar no lençol. E aí é tudo comigo.

A vida tem caminhos e atalhos. Um cara bateu-me no ombro enquanto amargava a espera de uma conexão em Brasília. Demorou um tempo para meus neurônios fecharem a outra conexão e… o Balaca estava ali em carne, osso e careca. O sorriso era o mesmo, assim como o jeitão alegre e extrovertido, mas e a melena… O tempo faz estragos em todos nós, alguns mais que os outros. Fez uma “lista de chamada” perguntando sobre o pessoal da época. – Pô cara tem um monte de defunto. O Elmo deve ter faturado uma grana parda! Vê se consegue reunir o pessoal do Bentinho (Ginásio Bento Gonçalves que funcionava em anexo ao Grupo Escolar Setembrina) e aí me avisa.

O Balaca gosta tanto de mulher que casou oficialmente (?) umas cinco vezes e foram incontáveis os aconchegos. – Tenho filhas espalhadas por todo esse Brasil, que eu saiba nunca fiz um homem filho. Deve ser a minha sina. Quebrei várias vezes pagando pensão, advogados e broncas de separação e ainda dizem que sou marajá do governo… Tô morando na praia tal no Nordeste e tô casado com uma francesa meio comunista que vive de rendas da família na Europa e encarnou em mim. Algo meio místico e ideológico. Viaja muito e chega cheia de amor… Mas e tu cara, conta algo mais aí.

O aeroporto de Brasília é uma zorra absoluta. Quase um Iraque, pois os corpos espalhados pelo chão estão vivos ou quase. Criaturas desfiguradas pelo cansaço das longas esperas, salas lotadas, falta de bancos, filas para tudo desde o cafezinho morno ao banheiro sujo. Mudam o teu portão de embarque todo momento. De repente, some o anúncio do teu voo e ninguém sabe explicar nada verdadeiro. Então uma voz esganiçada: − Última chamada para o voo tal, pegar o ônibus no portão onde o demo perdeu as meias. – e de-lhe correria. O papo com o Balaca deveria ser mais longo, pois o cara é uma enciclopédia ambulante e seus causos vem aos borbotões. Para muitos que não o conheceram pode parecer pura “balaca” ou meras mentiras machistas. Numa época em que ser um “homem sensível” significava pendores “homo”, as mulheres talvez não quisessem arriscar e os tipo dom juan faziam carreira e história. E o importante – sem a bravura de aditivos tipo viagras. Caras que viviam e “confiavam no seu taco”. Há quem sinta saudades dessa época. E você?

A insanidade no trânsito – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 08 Fevereiro 2012

02 FEVEREIRO 08 – 2012 – A INSANIDADE NO TRÂNSITO – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

A Insanidade no Trânsito

Assistimos a uma escalada de fúria e violência desenfreada pelos motoristas. E não raras vezes por seus acompanhantes. A carteira de habilitação expedida após curtas etapas de avaliações, não examina as condições mentais ou psicológicas de feras armadas por seus veículos ou com outras armas. As vagas de estacionamentos são disputadas a ferro e fogo. Ocupando ainda as vagas destinadas a cadeirantes ou a idosos numa orquestrada orgia de levar vantagem ou “se não estão vendo ou proibindo…” Outros alegam como os políticos canalhas do dia a dia, que “outros também fazem”, como se estar errado coletivamente absolvesse a criatura.

Caso 1. Na avenida Assis Brasil em Porto Alegre, por algum motivo desconhecido, dois jovens num carro ofendiam aos brados ou motociclista numa CG125 com uma caixa de ferramentas no bagageiro. Um trabalhador. Um sujeito de certa idade e com aparência desgastada pelo tempo e serviço, visível pelo capacete aberto. Eis que um dos jovens desce do carro com intenção de bater no motociclista que não reagia às ofensas. No derradeiro momento antes de ser agredido, o homem sacou de um revólver sob a jaqueta e desceu da moto. O jovem correu para o carro e arrancaram em disparada. – Com o berro no focinho esses vagabundos se borram. – falou.

Caso 2. O motorista vinha em seu carro pela ERS 040 no sentido do Centro de Viamão quando por um trabalho da CEEE com caminhões e postes ocorria um estreitamento de pista. Congestionamento de veículos, carros e ônibus. Um carro buzinava insistindo em sair de sua fila, o que os outros não permitiam. Eis que o “nosso” motorista deu sinal de luz, um lampejo de faróis, para que aquele carro passasse. Logo a seguir, passou também. Pouco adiante, o carro beneficiado esperava-o. Em seu interior estavam crianças e uma mulher. O indivíduo, por algum motivo insano, descarregava toda sorte de impropérios contra aquele que o favoreceu. Este seguiu seu caminho deixando-o com sua raiva… e cavando sua própria sepultura.

Caso 3. Um casal com a filha menor estaciona defronte uma loja de móveis na avenida Protásio Alves, em Porto Alegre. Anteriormente, por telefone, havia combinado de pegar o pequeno móvel em seu carro e deixar o valor do pagamento. Após breves minutos o vendedor colocou o móvel em seu porta-malas e retornou rapidamente à loja. Observa um tumulto a poucos metros do seu carro. Uma camionete cabina dupla estacionada em diagonal, algumas mulheres gritando e um homem corpulento ensandecido dizia-lhe palavrões. Espantado sem saber se é consigo mesmo ou o porquê deste tsunami. A causa – a traseira de seu carro estacionado ocupou cerca de 50 cm do rebaixo do cordão de acesso a possível casa daquelas pessoas. Nada que sequer impedisse a camionete de entrar. Apesar de desculpar-se várias vezes e tentar tomar seu carro e sair, as agressões verbais aumentavam assim como o risco de agressão física. O “valente” ficava mais corajoso com suas desculpas e pelo estímulo das mulheres. Conseguiu embarcar no carro com esposa e filha em pânico e arrancou com o veículo sendo chutado e soqueado. – Algum dia esse “valente” vai encontrar um mais louco do que ele e aí será a tragédia. – comentou para a família. Algum tempo depois ao escutar o noticiário no rádio informavam de uma briga na altura do número tal da mesma avenida em que um indivíduo numa discussão de trânsito foi assassinado. Ao buscar os detalhes no jornal, estava o caso e a foto do defunto – o “valente”. A tragédia anunciada se fez realidade, alguém não suportou sua “valentia” e matou-o a tiros.

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Tramandaí! Que loucura de verão – Edson Olimpio Oliveira – Jorna l Opinião de Viamão – 01 Fevereiro 2012

02 Fevereiro 01 – 2012 – Tramandaí! Que loucura de Verão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Tramandaí! Que loucura de verão

Andava a toa na vida quando” o primo me chamou: − Edinho de Deus foi bom te achar. Preciso te dar munição pra tua coluna. E sabe como povo tá chamando a tua coluna? Sonrisal. Isso mesmo Sonrisal.

− Essa eu não sabia. Por que primo?

− O cara se lê o jornal começando pela frente quando chega na tua coluna está empanzinado de política e aí vem tu com um papo até legal e é como um Sonrisal para a gente se aliviar. (Hehehehehehehe)

− Mas qual é a munição primo?

− Tu sabe que eu sou chegado numa praia. Da Cidreira pra baixo é quase praia de nudismo, cara. Sou radical social, pesco na Solidão e curto lá onde a Catarina ficou Santa com o Garibaldi. Tava com saudade do nordestão e fui salgar o lombo em Tramandaí. Cara a viagem pro litoral tá pior do que praga de pastor gago. Quase três horas de freeway engarrafada por acidentes. Tinha um motoqueiro bebum esparramado no para-brisa de uma jamanta. O cara se perdeu e atravessou pro outro lado… Fomos pra casa do Nestor, aquele meu colega da segurança que casou com a irmã do deputado… Aquele da bronca da soja. Cara tinha mais gente que comício do Lula. Tinha até umas barracas no pátio do cara. O cara que já foi pobre não deixa de ter família grande. O que pobre mais tem é cachorro e parente e parente arriado. Vê o Ronaldinho? Ou o Fenômeno? Parentes, amigos e cracas. Os caras das barracas puxaram um plástico de lona e estavam dourando uma carne com salsichão e puxando uma cerveja legal. E ficaram no “oi tudo firme” e viraram de costas. Necas de solidariedade no esquema deles. O Nestor estava pilotando a churrasqueira e distribuindo coraçõezinhos pra criançada. O filho do cara, meu afilhado de crisma, deitado na rede com os olhos mais vermelhos que camisa colorada e uma magrona tatuada com a mão dentro da bermuda dele. Assim na maior. Era um BBB em cada canto meu. Dei um abraço no Nestor e saí de mansinho. Ali urubu voa de costas. E fui lá pra perto da Plataforma.

− Casa de praia é sempre assim…

− Me deixa terminar essa parte que depois tu fala. Trocamos de roupa dentro da camionete. Ainda bem que os filhos não foram na furada do Nestor. Peguei as cadeiras, a caixa térmica com as cevas e os dois guarda-sol. A nega velha foi na frente com a sacola das tralhas dela. Sabe que mulher está sempre tentando perder uns quilos? Pois a minha achou os quilos que as outras perderam. O que faltava de biquini sobrava de mulher. Me dei por conta que botou a plástica da barriga fora. Sabe como é com viagra e no escuro, tu manda bala e dorme. Quando ela caminhava na minha frente com as lanchinhas escorregando na areia e passou outra mulher, foi como o pesadelo do antes e depois. Daí que álcool e amor, além de começar com a mesma letra… Deixa pra lá. Ainda bem que eu carregava as coisas, pois o nordestão resolveu encarar de vez e era guarda-sol voando e chapéu com criança correndo atrás. Até to acostumado com o chocolatão do mar, mas de perto cara vi que tava tudo preto. A areia e a água. Uns 50 metros com uma nata de petróleo que só maluco e surfista iam na água. Um mousse de óleo fedorento na praia. E aquele povaréu ali onde tinha areia mais limpa – como se fosse possível. Ficamos ali pelos cômoros curtindo o que dava até pegar a estrada de volta. Cara imagina quando esses loucos furarem o tal de pré-sal. Escreve lá uns conselhos! Primeiro − evite as nossas praias no verão. Segundo − evite certos convites que podem ser uma furada. Terceiro − pizza e outras maravilhas são inimigas do verão. Quarto − acredite que a Petrobrás e o petróleo são nossos, não o dinheiro, só a bronca e a poluição. E pra encerrar o papo de hoje, fui!

E foi rápido com o celular de brinco à orelha esquerda e sempre falando alto.

Ao João Bueno – Ao João de Barro – Dra. Ângela Augusta Lanner Vieira – Jornal Opinião de Viamão – 25 Janei ro 2012

Publicado na coluna Crônicas & Agudas do Jornal Opinião de Viamão em 25 de Janeiro de 2012

Mensagem da doutora Ângela Lanner Vieira que solidariamente publicamos.

“Ao João Bueno

Ao João de Barro

A todos os homens simples que tornam a vida um movimento de Ser.

Pretendia para si o melhor dos dias, sonhava apenas com o Ser, mas como o ser? Para ele afinal Ser era tudo. Seria poder se sentir de um jeito quase inexplicável, algo assim como estar em si, estar cheio de si, estar sabendo o que é e estar conforme com isto. Enfim que palavra empregar para explicar o que ele desejaria, o que tinha dentro, o que imaginava que seria Ser, simplesmente Ser.

Enquanto se debatia com o que pretendia com sua existência soube da morte de um homem simples, construtor de casas, um homem chamado João, um verdadeiro João de barro, uma destas criaturas que quando morre, todos morrem um pouco junto. Como pensar no que se pretendia ser e ao mesmo tempo pensar na perda do João. Que coisa tão absurda construir dentro de si a ideia do Ser e agora a notícia inexorável do não Ser. Como fazer poesia ou pensar a vida frente a tão implacável fato, este de deixar de existir (o não Ser). Vida e morte, Ser e não Ser se debatem deixando um estranho sentimento de nada, de para que, de afinal?

Havia um projeto e havia também um fato, um homem chegava ao fim e junto com ele todo um jeito de Ser e de Fazer. Já não tínhamos mais o nosso João de Barro. Quem agora iria olhar para o nosso telhado e perceber que um desalinhamento leve seria ameaçador na próxima tempestade? Quem iria se propor a retirar as raízes invasoras de nossos esgotos? Quem iria entrar em nosso lar, caminhar sem deixar marcas e refazê-lo de um jeito suave e limpo? Não havia em nossa imaginação mais ninguém a pensar. João tinha se ido, tinha nos sido roubado dolorosamente. Deixou a simplicidade, abriu mão da terra. Suas mãos endurecidas e calejadas pelas ferramentas que constroem e moldam no barro, na pedra e no ferro não estão mais aqui. Já não podem acariciar a madeira, segurar o lenho e sentir seu desejo de direção. Já não podem amaciar a aspereza do tijolo e transformá-lo em superfície deslizante para o aconchego de nossas costas. Já não dobram o ferro ao nosso desejo conferindo a forma apropriada de nossa roupagem.

Nasceu, existiu e se foi na simplicidade. Muitos não teriam sentido sua ausência não fosse o seu Ser, não fosse o que forjou e construiu em si mesmo, valores de solidariedade, sinceridade, comprometimento e confiabilidade.

João, não sei onde buscaremos outro João de barro, outro homem simples, destes que pouco temos e que muito precisamos para sentir que a vida vale a pena quando a forjamos sobre temperos simples e marcados, como estes que tu nos mostraste com tuas passadas sólidas e pesadas, com tuas mãos fortes e calejadas, com teu espírito firme.

João, que tenhas continuidade e que possamos nos encontrar um dia para que juntos possamos apreciar os Joãos de Barro, bico a bico carregando e forjando as suas moradas.” – Dra. Ângela Augusta Lanner Vieira – Médica Homeopata.

Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira

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BOAS FESTAS – Sabrina e Marcelo Dalbelo

Enviada em: terça-feira, 10 de janeiro de 2012 16:44
Para: Edson Olímpio
Assunto: RE: BOAS FESTAS – CLEDI E EDSON OLIMPIO OLIVEIRA

Olá, Seu Edson e Dna. Cledi!!

Obrigada pela lembrança e um lindo ano de 2012 pro senhor e toda a sua família!

Muita saúde e paz no coração!

Beijos,

Samantha, Marcelo, Sabrina e em breve o Nícolas

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