Trânsito em Viamão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – 23 Maio 2012

23 MAIO 2012 – Trânsito em Viamão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Trânsito de Viamão

Q

ue o motorista de um modo geral, com contáveis exceções é mal educado e egoísta todos sabem e muitos fingem não saber. Até já fui um dos contrários ao parquímetro e aos pardais, mas em certos locais é de fundamental importância e necessidade. A maioria dos controladores de velocidade está ali para arrecadar ou até extorquir do motorista. Isso é fato e realidade. Que o dinheiro arrecadado não é usado em benefício real do motorista ou do pedestre é visível. Que nada substitui o policial na disciplina do trânsito é inalienável do estágio de barbárie que vivemos atualmente – morre anualmente no Brasil todo o equivalente que os americanos perderam de vidas durante anos na sangrenta Guerra do Vietnam.

Há que separar as motocicletas dos outros veículos que aqui estacionam no centro da cidade. É bom e necessário para carros e motos. Observem o abusivo e injustificável espaço entre carros estacionados. Muitos motoristas ocupam o que seria para dois veículos somente com o seu num egoísmo ou despreparo. Despreparo? A maioria das escolas de motoristas prepara para “tirar a carteira” e não para serem motoristas realmente preparados a dirigir com segurança e disciplina e respeitar aos demais veículos e motoristas.

A legislação exige pelo menos 2% das vagas de estacionamento para cidadãos com necessidades especiais – deficientes físicos ou idosos. Faltam vagas próximas a laboratórios, consultórios, escolas, hospitais, bancos e igrejas, por exemplo. Agora vem o pior: as vagas estão sendo ocupadas por veículos sem o cadastramento necessário e o pior, por veículos de pessoas sem nenhuma necessidade especial. Vê-se até taxista ocupando as vagas especiais e não porque estão com algum “cliente especial”, mas porque são abusados e mal educados como tantos outros, principalmente porque não há policiamento da guarda municipal de trânsito ou da Brigada para multar e guinchá-los. Ausentaram-se os “azuizinhos” viamonenses, nem aqueles que em dupla ou grupo “confraternizavam” de costas para o trânsito.

A situação do tráfego nas ruas centrais é um assunto irresoluto e para muitos é como uma espinha cravada na garganta da população desde as mudanças aqui efetuadas. As sinaleiras na ERS 118 com rua Garibaldi e Bento Gonçalves estão em fase de avaliação. Imaginamos.

O importante acesso e via de saída da cidade pela rua Alcebíades Azeredo dos Santos no trecho entre a ERS 40 – San Marino e o centro, está com o piso em situação ruim. Galhofam que as mineradoras estão abrindo jazidas ali na rua tal são as crateras desde a instalação dos esgotos. Além da correção imediata do pavimento de paralelepípedos, impera-se o seu asfaltamento. Ruas esburacadas ou com piso mal conservado, como o entorno da Praça da Prefeitura, trazem constrangimento e vergonha para a cidade e seus administradores, leia-se o seu Prefeito. Jamais alguém se lembrará de colaboradores ineficientes. Lembrarão como má administração do prefeito. O que nem sempre é verdadeiro. Daí a endossar o clamor de muitos cidadãos viamonenses.

Calendário Maia, Fim do Mundo e Espaguete à Bolonhesa – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – 16 Maio 2012

16 MAIO 2012 – Calendário Maia, Fim do Mundo e Espaguete à Bolonhesa – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Calendário Maia, Fim do Mundo e Espaguete à Bolonhesa!

G

eneraliza-se uma neura de que este dezembro de 2012 culminará com as previsões encontradas nos calendários dos lendários e sanguinários maias de que o mundo acabará. Controvérsias a parte… o mundo acaba diariamente para os milhares consumidos pelo trânsito caótico e assassino, pelas guerras e drogas, pela falta de plantões e miragens do SUS e tantos cataclismos do dia a dia. Vejam como muitos governantes e o Congresso Nacional tentam acabar com o Brasil e continuamos aí pagando taxas e impostos tão sanguinários quanto os maias.

Calendário Maia, Fim do Mundo e Espaguete à Bolonhesa – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – 16 Maio 2012

16 MAIO 2012 – Calendário Maia, Fim do Mundo e Espaguete à Bolonhesa – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Calendário Maia, Fim do Mundo e Espaguete à Bolonhesa!

G

eneraliza-se uma neura de que este dezembro de 2012 culminará com as previsões encontradas nos calendários dos lendários e sanguinários maias de que o mundo acabará. Controvérsias a parte… o mundo acaba diariamente para os milhares consumidos pelo trânsito caótico e assassino, pelas guerras e drogas, pela falta de plantões e miragens do SUS e tantos cataclismos do dia a dia. Vejam como muitos governantes e o Congresso Nacional tentam acabar com o Brasil e continuamos aí pagando taxas e impostos tão sanguinários quanto os maias.

O tempo de cada um – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – 09 Maio 2012

09 MAIO 2012 – O tempo de cada um – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

O tempo de cada um!

V

ivemos em constante busca. Convivemos com ansiedade em doses homeopáticas ou em volumes amazônicos. Sofremos com isso. As nossas crenças nos impelem numa crescente de atender às necessidades e anseios dos esposos e das esposas, dos filhos, da família, do emprego e das chefias, dos líderes de toda ordem, dos governantes, dos cães, gatos e até dos passarinhos da casa. Jamais conseguiremos satisfazer a todos, como prega o ensinamento divino de que é “impossível servir dois senhores ao mesmo tempo”. Por que vivemos assim? Muitos são levados pela inconsciência de seus atos ou ações, outros pela coletividade ou impulso tribal, certamente a maioria por culpa ou mesmo pela possibilidade ou tendência à culpa.

A culpa está entre os mais antigos e primitivos sentimentos do homem e a base de toda a dor. Talvez a insatisfação seja um sentimento anterior à culpa tanto na humanidade quanto na espiritualidade. Tema instigante para pensarmos juntos. Eis que a mulher sendo mãe, ainda tem a sua profissão e as responsabilidades da casa não se ausentam junto ao seu corpo enquanto está no seu trabalho seja na escola, na empresa, no consultório ou hospital ou ainda no volante de um veículo. Seu coração pulsa acelerado pelos filhos num mundo de violência e drogas sedutoras. Há que atender as necessidades do marido e talvez dos pais ou parentes ou até da amiga ou dos vizinhos que dela possam necessitar. Há ainda os compromissos sociais impostos por toda uma gama imensa de solicitações. Vive-se assim a vida dos outros, aceita ou imposta, mas a vida dos outros. Quanto tempo sobra para a sua vida? Para a sua pessoalidade?

– Hiii, a última vez que fiz as unhas? Sei lá, umas duas semanas? Dou uma ajeitada e sigo em frente… – respondendo sobre algo que gosta e… necessita. O tempo de cada um é absolutamente diferente e incompatível com o egoísmo. Os homens possuem uma característica peculiar que os fazem vivenciar uma pescaria, uma partida de futebol ou até uma conversa jogada fora numa mesa de bar com amigos e cerveja, por exemplo. E geralmente sem culpa. E a mulher? Bem mais difícil ter esse tipo de desapego transitório. O envolvimento é sempre uma regra precoce ou tardia, mas uma regra. A fuga do fogão e do tanque para muitas mulheres trouxe a nova prisão também sem grades de um número ascendente de novas e constritivas obrigações.

Mais enxaqueca, infecções urinárias, pressão alta, dores do dedão do pé ao cabelo, diminuição da libido ou sexo pelo sexo e um coquetel ácido de depressão, bipolaridade, ansiedade e um sei lá de tantos sintomas, queixas e moléstias. Certamente um dos caminhos da saúde e do equilíbrio mental, físico e espiritual passa pelo cultivo adequado do “seu tempo”. O que para muitos pode ser uma bobagem, para a pessoa é uma necessidade inalienável do seu ser. E isso pode ser uma singela soneca na rede depois de deliciar-se num livro sem o celular maldito tocando e seu tempo sendo respeitado por ela e pela “turma da redondeza”. Ter o “seu tempo” está no âmago de outra verdade que é “amar-se para poder amar aos outros…”

Cargas Negativas – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – 02 Maio 2012

02 MAIO 2012 – Cargas Negativas – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Cargas Negativas

L

embrem a música: – “Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou quem morreu…”, mas e a realidade? Esta é a realidade. Essa é a vida de todos nós. Esse mundo com tantas belezas é também e muito um mundo de sofrimentos, dor e dissabores de todos os tamanhos e gostos. É parte da nossa evolução e necessidade para o nosso entendimento e iluminação. Mas seria preciso tanto? Ou podemos evitar ser inundados de mais e mais sofrimentos além daqueles que representam a nossa carga ou a nossa cruz? Acredito que sim.

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Muitas pessoas evitam assistir ao Jornal Nacional pela avalancha de notícias tristes e de tantas coisas ruins. Muitos evitam ouvir o jornalista-senador nas manhãs da Rádio Farroupilha – “tem que ouvir de botas e capa para se proteger do banho de sangue e de tristezas” – alegam. Amigos revelam que evitam ler a Veja e outras revistas nacionais pela crescente e avassaladora divulgação dos escândalos políticos e assemelhados. E é assim com vários programas e especialmente com os noticiários, que causam esse constrangimento e esse mal estar.

∞

É um teste necessário. Tente ou evite acordar já sendo afogado com as más notícias da programação matinal. Evite almoçar ou fazer as refeições com os olhos e ouvidos grudados na TV. Não que queiramos que seja um alienado, mas desejamos que não seja uma vítima inconsciente numa solidariedade sofrida e cáustica. Saciar a sede sim, mas se afogar nunca! Experimente viver assim durante algumas semanas e sinta as diferenças, perceba as mudanças na sua qualidade de vida. Note mais leveza, menor agressividade, menos depressivo e uma melhora na disposição geral. Principalmente se diariamente é obrigado, forçado a enfrentar a tranqueira do trânsito na ida e volta a Porto Alegre e a insanidade de muitos motoqueiros e motoristas.

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“Deus dá a cruz que as costas podem carregar!” – apregoa a filosofia ou a fé cristã. Eis que todos nós carregamos a nossa e queiramos ou não a cruz de muitos, de milhares e de milhões e ainda nos dizem que não é suficiente… Que devemos resgatar as dívidas de séculos e séculos. E ainda nos cobram – e caro! – pela nossa “culpa coletiva”. Uma dívida impagável pela nossa e pelas gerações seguintes e muito disso pela estratégia e pela esperteza dos políticos e formadores – ou deformadores? – de opinião. A vassalagem é necessária para conduzir a boiada humana, nesta forma de concepção.

∞

Usemos mais tempo para construir e amar do que para simplesmente sofrer ou destruir!

Faça Amor não faça Guerra e o Chimarrão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – 25 Abril 2012

2012 – 04 – 25 – Faça Amor não faça Guerra e o Chimarrão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

“Faça Amor não faça Guerra e o Chimarrão”

S

abiamente o povo apregoa que o “Diabo tem todas essas habilidades mais por ser velho do que por ser diabo”. A idade ou a milhagem acumulada de incontáveis vivências e o somatório de experiências dá-nos além das dores na coluna e dos reumatismos uma visão mais abrangente e aprofundada da vida. Pelo menos deveria ser assim. Alguns espécimes masculinos ainda cultuam a sina do primeiro imperador do Brasil, Dom Pedro I, pois a esposa oficial é para propagar o DNA – para a reprodução. E a(s) outra(s) é para o prazer. Dona Leopoldina sendo a mãe de Dom Pedro II e a titulada Marquesa de Santos – sem Nilmar – jogava no primeiro time. Devassamente! Como as missivas trocadas entre ambos dá-nos o perfil até escatológico do relacionamento.

Mais da metade dos brasileiros estão acima do peso normal. E bem mais joga com o time titular e o reserva, se me entendem. A revista Veja faz matéria mostrando as orgias dos nossos astros do futebol, destacando em fotos o Ronaldinho Gaúcho e seu plantel com um mínimo de quatro moçoilas bem dotadas para cada atleta dos lençóis. – Ainda bem que o esquema dele é com mulher, pior se fosse com homem! – regozijava-se um torcedor. Na década mitológica dos anos 60, o movimento hipie, revoltando-se com a Guerra do Vietnam – nos vários anos de combate morreram menos americanos que em um ano no fatal trânsito brasileiro – trazia o rock-and-roll para os parques, festivais (Woodstock) e ruas e com um lema sempre presente – Faça amor não faça guerra. Ou simplesmente “Peace and Love”. Surgiam os anticoncepcionais e a liberação total do sexo.

Um cientista americano adepto da nova seita apregoava que “enquanto a mulher produz um singelo óvulo mensal o homem ejacula mais de 100 milhões de espermatozoides por vez”. Logo, matematicamente apoiada a tese no sexo amplo, geral e irrestrito… até a AIDS dar uma freada. Logo o acelerador foi pisado mais fundo com o advento do Viagra. A pílula azul e mágica tornou medrosos em destemidos pistoleiros nos leitos, gramados e macegas. Na havia mais velhos. Veteranos sim, mas ainda empedernidos combatentes do tatame de fronhas. As coisas continuaram tão rápidas que surgiu o sexo virtual – transa-se pela internet. Os políticos brasileiros (minoria ou maioria?) conseguiu a proeza de transar e violentar o povo brasileiro repetidamente. Pior – o gozo dos estuprados renova-se em cada eleição.

– E o chimarrão Edinho? – inquieta-se. Pois estamos fazendo a analogia do chimarrão como uma terapia de casais que querem se curtir. O sexo como ato de amor prolongado e esperado. Desde adquirir uma boa erva mate, escolher uma cuia adequada, a habilidade de colocar a bomba, a água na temperatura correta, a posição de pegar e o sugar a seiva desejada, o albardão de erva encimado pelo casal de bonequinhos. Sempre repartindo o prazer entre os dois. Há uma liturgia, ou seria uma leitorgia (liturgia do leito, da cama). Há todo um rito de consentimentos, de preparo e de execução. Uma cerimônia nobre, como os sentimentos expressos e absorvidos no orvalho dos lábios que tocam uma bomba de mate e que é música para o coração. A semelhança do tradicional porongo é a do seio feminino. A liberdade infinita entre quatro paredes vem após as trocas de olhares, nos dedos que se roçam ao receber a cuia e recebem as luzes da divindade quando o amor deixa de ser somente sexo ou uma prosaica troca de fluidos. Chimarrão e amor – viva-se intensamente!

Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira

Médico – Cirurgião

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Faça Amor não faça Guerra e o Chimarrão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – 25 Abril 2012

2012 – 04 – 25 – Faça Amor não faça Guerra e o Chimarrão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

“Faça Amor não faça Guerra e o Chimarrão”

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abiamente o povo apregoa que o “Diabo tem todas essas habilidades mais por ser velho do que por ser diabo”. A idade ou a milhagem acumulada de incontáveis vivências e o somatório de experiências dá-nos além das dores na coluna e dos reumatismos uma visão mais abrangente e aprofundada da vida. Pelo menos deveria ser assim. Alguns espécimes masculinos ainda cultuam a sina do primeiro imperador do Brasil, Dom Pedro I, pois a esposa oficial é para propagar o DNA – para a reprodução. E a(s) outra(s) é para o prazer. Dona Leopoldina sendo a mãe de Dom Pedro II e a titulada Marquesa de Santos – sem Nilmar – jogava no primeiro time. Devassamente! Como as missivas trocadas entre ambos dá-nos o perfil até escatológico do relacionamento.

Mais da metade dos brasileiros estão acima do peso normal. E bem mais joga com o time titular e o reserva, se me entendem. A revista Veja faz matéria mostrando as orgias dos nossos astros do futebol, destacando em fotos o Ronaldinho Gaúcho e seu plantel com um mínimo de quatro moçoilas bem dotadas para cada atleta dos lençóis. – Ainda bem que o esquema dele é com mulher, pior se fosse com homem! – regozijava-se um torcedor. Na década mitológica dos anos 60, o movimento hipie, revoltando-se com a Guerra do Vietnam – nos vários anos de combate morreram menos americanos que em um ano no fatal trânsito brasileiro – trazia o rock-and-roll para os parques, festivais (Woodstock) e ruas e com um lema sempre presente – Faça amor não faça guerra. Ou simplesmente “Peace and Love”. Surgiam os anticoncepcionais e a liberação total do sexo.

Um cientista americano adepto da nova seita apregoava que “enquanto a mulher produz um singelo óvulo mensal o homem ejacula mais de 100 milhões de espermatozoides por vez”. Logo, matematicamente apoiada a tese no sexo amplo, geral e irrestrito… até a AIDS dar uma freada. Logo o acelerador foi pisado mais fundo com o advento do Viagra. A pílula azul e mágica tornou medrosos em destemidos pistoleiros nos leitos, gramados e macegas. Na havia mais velhos. Veteranos sim, mas ainda empedernidos combatentes do tatame de fronhas. As coisas continuaram tão rápidas que surgiu o sexo virtual – transa-se pela internet. Os políticos brasileiros (minoria ou maioria?) conseguiu a proeza de transar e violentar o povo brasileiro repetidamente. Pior – o gozo dos estuprados renova-se em cada eleição.

– E o chimarrão Edinho? – inquieta-se. Pois estamos fazendo a analogia do chimarrão como uma terapia de casais que querem se curtir. O sexo como ato de amor prolongado e esperado. Desde adquirir uma boa erva mate, escolher uma cuia adequada, a habilidade de colocar a bomba, a água na temperatura correta, a posição de pegar e o sugar a seiva desejada, o albardão de erva encimado pelo casal de bonequinhos. Sempre repartindo o prazer entre os dois. Há uma liturgia, ou seria uma leitorgia (liturgia do leito, da cama). Há todo um rito de consentimentos, de preparo e de execução. Uma cerimônia nobre, como os sentimentos expressos e absorvidos no orvalho dos lábios que tocam uma bomba de mate e que é música para o coração. A semelhança do tradicional porongo é a do seio feminino. A liberdade infinita entre quatro paredes vem após as trocas de olhares, nos dedos que se roçam ao receber a cuia e recebem as luzes da divindade quando o amor deixa de ser somente sexo ou uma prosaica troca de fluidos. Chimarrão e amor – viva-se intensamente!

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De Corpo e Alma – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – 18 Abril 2012

2012 – 04 – 18 – De Corpo e Alma – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

De Corpo e Alma

H

á quem duvide da nova poesia. – Como assim nooova poesia? A poesia tradicional ou clássica acometeu-se de crises existenciais. Alguém lembra alguma letra de música do momento que fale dos sentimentos mais belos? Que fale do amor? As singelas músicas de carnaval são ancestrais. Algumas beiram o jurássico de almeida. A música de periferia fala de realidades e de brutalidades como (mal) comparando o pôster rasgado colado com fita na parede e a tela adornada por suntuosa moldura. – Há espaço para tudo e todos! – regurgita-se. O filósofo do apocalipse, T. Jordans, com sua percepção ferina observou que até a indústria automobilística contribui para o empobrecimento das relações afetivas e humanas. Acho que vale citar aqui algumas de suas apuradas observações.

“Os veículos antigos traziam bancos do tamanho e formato dos bons e amados sofás de tantos amassos e… desamassos. O entrevero era total. Um vale tudo da língua ao dedão do pé esquerdo. Fazia-se amor ao som do rádio e com a lua enciumada por testemunha vertendo lágrimas de prata. Eis que diminuíram os carros e separaram os bancos. E colocaram a alavanca de mudanças, que era ao volante, e o freio de mão entre eles. Freio para frear… também às emoções. Muitos acidentes e empalamentos ocorriam na maldita alavanca de câmbio e no freio. As mentes macabras pioraram com cintos de segurança que impedem uns toques a mais. A mãozinha dela quase não toca mais a coxa ou algo mais dele! Horrível. E colocaram consoles. Cada vez maiores, quase um muro de Berlim. Carregam-se cães no colo, mas mulher… E o rádio deu lugar a toda sorte de geringonças de discos, fitas e cabos. E ainda tem o celular. Tudo para dificultar e distrair. A potência sexual masculina diminuiu na proporção que o som aumentou. É tão cruel que tem carro arrastando a traseira no chão com o som a trocentos decibéis. Se ganha a mulher pelo som, pelo carro e menos por si mesmo e pelo seu desempenho (em todos os sentidos)? O emburrecimento é bilateral. Não escolhe sexo. Nem há sexo definido em muitos pares – ou ímpares. E(leia I) pode? Ipod, ipad, tablet, etc. – poder pode. Dever? – Pô Maurinha, o Roquinho (Roquifeler Dionatam dos Santos) prefere transar com o mouse do que comigo. Beleza que o Gugu (Rodrigo Gustavo) chega mais! – escutado durante sessão de tatuagem.”

Amar-se de corpo e alma. Iniciava-se invariavelmente amando de alma. Era o pulsar crescente do coração apaixonado. A falta da amada? Um vazio que a sua ausência, mesmo temporária, transformava em dores vertidas no papel. Seu perfume. Seus olhos. Seu contorno ao sol nascente nas areias da Cidreira. Seu cabelo surfando à brisa da tarde no calçadão de Ipanema, engasgando com pipocas de chocolate. Passou como o vento. O tempo é de iniciar-se pelo test-drive do corpo. Legal – de gastar a caneta! Muito corpo e preferencialmente quase nada de alma. Tudo é muito rápido. Temporário. Maravilhoso enquanto dure. Tesão. Paixão. Furor. Mil orgasmos – alguns reais! A poesia desce pela ducha do chuveiro e insiste, teima, luta por renascer em algum novo olhar. Numa troca de olhares. Numa gota de cristal na pele ardente… 2012. 2012! Dizem que vai acabar o mundo para começar tudo de novo. Que achas?

Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira

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Nomes aos bois – Edson OLimpio Oliveira – Jornal Opinião – 11 Abril 2012

2012 – 04 – 11 – Nomes aos bois – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Nomes aos bois

S

uspire! Novamente. Agora bem lento e profundo. Isso! Dê uma boa relaxada, pois essa coluna que já foi carinhosamente chamada de Sonrisal vai ser um colírio para clarear as vistas, ou melhorar a visão. Lembrem-se dos bretes. Aqueles corredores de metal ou madeira que conduzem os animais equinos, caprinos, bovinos e… humanos. Doeu? Ofendeu-se? A generalização jamais é do cronista. Alguns entendem que em vez de atitude bovina, somos forçados viver suinamente. Um horror? Real. – De que esse cronista está tratando? – alfineta-se. Das estradas. Das ruas, estradas e rodovias ou qualquer outro nome ou epíteto para esses bretes em estado deplorável e levando ao morticínio. Continuo indignado. Continuamos indignados?

Quais os números do feriadão de Páscoa? Centenas de mortos. Milhares de mutilados do corpo e da mente. A culpa se rateia entre autoridades incompetentes e mentirosas, crédulos de carteirinha, egoístas, assassinos cheirados ou mamados em álcool e drogas, motoristas despreparados e bretes de asfalto, cimento e terra insuficientes e abjetamente conservadas. Essa figura de imagem, fantasmagórica em sua essência, uma metáfora ou uma alegoria de dor aparentemente sem fim para várias gerações de brasileiros torna-se mais brutal quando o penalizado ainda cai em hospitais ou nauseocômios – perdão pelo trocadilho – sem as condições básicas de prestarem atendimento adequado ou até mínimo.

“O boi que muge do curral ou da mangueira pelo brete pútrido rumo à marretada ou ao choque fatal, vindo a sangrar e morrer no anonimato das boiadas.” – T. Jordans. É uma das faces macabras da banalização da desgraça. Exemplos? Tomem-se de náuseas pela ERS 118. Arrastam-se governos e… na mesma. No final do governo Olívio foi invadida por máquinas, algumas terraplanagens e painéis políticos gigantes aqui entre Viamão e Gravataí. Depois… nada. Eis que o mesmo candidato da época está com a caneta do poder agora e… nada. E os nós dos cruzamentos no entorno do centro de Viamão?

O motorista ao seu lado ainda está berrando ou gemendo no celular? Um enxame de motoqueiros alucinados insiste em espatifar-se contra algum para-brisa ou fazer um túnel em algum veículo. Uma lotação escolar buzina e seu motora dirige cortando um e outro em desabalada e insensata carreira. Um motorista proprietário do brete insiste em trafegar pela faixa da esquerda (de ultrapassagens) enquanto uma fila como a do SUS se arrasta sofridamente atrás da criatura egoísta. No carro à sua frente vai outro desvairado com o braço para fora desconhecendo que a doação do que restar de seu membro jamais servirá para outro. Veículos sem as mínimas condições de trafegar rodam em nome de tudo pelo social – campanha funesta de doação de órgãos ou de auxílio para as funerárias carentes. Ironia? Realidade. Sua inteligência e percepção citarão dezenas de outros exemplos. Tristes exemplos. Repudiáveis exemplos. Ligue-se e sobreviva!

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Realidade e Ironia – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 04 Abril 2012

2012 – 04 – 04 – Realidade e Ironia – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Realidade e Ironia

H

á momentos em que a fronteira entre a realidade e a ironia é tão tênue que para o leitor ou ao observador menos atento pode parecer escárnio. Eis que esse amigo, por seus méritos e talentos, galgou a pirâmide social nessa escalada que o Brasil vem apresentando na última década, principalmente. Eis algumas pinceladas de suas observações em nosso encontro:

– Edinho, estou descobrindo coisas que me fazem rir e chorar. Sabias que rico é depressivo? Filhos de ricos são tristes e depressivos?

– Estás fazendo psicologia? Ou com a tua empresa apuraste o olho clínico?

– Sabes que veraneei um tempo no Magistério (N.E.: praia). E agora estou no segundo verão naquele condomínio de Xangrilá-Capão. Foi uma mudança radical no início, mas acreditava que depois a turma ia se entrosar mais. Que nada! Nem conheces teus vizinhos. Todo mundo é de carro com vidros escurecidos e vão direto para garagem. Ninguém fica lavando carro na frente da casa. E parece cidade fantasma, não vês as pessoas. Sabe aquele sonzão de carros ou de vizinhos que não te deixa dormir à tarde ou à noite? Nada disso! É silêncio demais. Não escutas nem berreiro de criança ou briga de casal. O pessoal mal se cumprimenta e pouco se olha. É cada um na sua e… deu. Não tem sujeira nas ruas e nem garrafa de plástico nos lagos. E ninguém pescando nos laguinhos. Coisa estranha. Uns amigos e uns parentes foram me visitar num domingo, a vigilância foi reclamar do som e das crianças correndo pelos pátios. Não há liberdade.

– Mas tem vantagens…

– Claro que tem, mas tá difícil de nos adaptarmos. Sabes que comprei uma X5 (N.E.: camionete Premium da BMW) no Natal? Ninguém nem te olha. Teve um evento com desfile de modas e jantar no salão social do condomínio. Fomos. A nega ficou deprimida e nem rolou assunto com o pessoal da nossa mesa. Os caras vivem em outro mundo. O jantar era um silêncio só. Tu podias escutar um guardanapo caindo no chão. Até fiz um teste, deixava cair e vinha um garçom fardado juntar imediatamente e trocava por outro. Ninguém falando alto. Nenhuma criança correndo entre as mesas e brincando de pega-pega. Ainda bem que não levei as crias desenfreadas. Música suave. Nenhum pagode ou sambão. Uma avó levou um nenê para trocar na sala especial com auxiliares, estava acostumado em restaurantes que trocam as fraldas juntando duas cadeiras e ali já pões pra dormir. Tem um garçom amigo meu que gosta de gritar: – Salta uma maionese que matou o brigadiano pra mesa 10! Lá garçom parece mudo. A TV de 65 polegadas fica na sala ao lado e eu que sempre gostei de comer vendo TV…

Interrompemos o relato desse empresário amigo para que tomemos consciência desse maior choque cultural dos novos ricos brasileiros. Estava escancarada a situação dos adrianos imperadores, ronaldinhos, e ronaldos fenômenos entre tantos outros que com a riqueza quase instantânea geralmente associada com a fama extravasante faziam do futebol, da música ou do show-business um mundo virtual ou paralelo da realidade de suas vidas. Muitos desses astros como Adriano Imperador jamais abandonou a favela material e cultural. Realidades. Novas realidades num Brasil que tem formado e realizado o sonho econômico desses novos trabalhadores. Importante: não entram neste capítulo os RICOS PELA POLÍTICA – canalhas e vigaristas, escroques de todas as legendas e cores, usurpadores de sonhos e destinos. Há uma transição de hábitos, costumes, culturas e principalmente pela educação. Somente a educação soluciona-se e ilumina-se.

Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira

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