O Mistério das Aranhas de Itapuã ou A Negra das Aranhas! – Parte 4 – por Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião 28JUL10

7 Julho 28  – A Negra das Aranhas e As Aranhas de Itapuã – Parte 4  – Crônicas e Agudas – Jornal Opinião de Viamão

A Negra das Aranhas! – Parte 4

– Mitos e Verdades –

– Fica aí com o Tisnado! Ouviu Mário! – berrou o negro Zé. Continuaram varrendo o perímetro em busca do agressor e assassino. Então estacaram na entrada da caverna aberta pela explosão. Com candeeiros nas mãos, os homens armados lentamente acostumavam os olhos com a escuridão. Uma cova ampla que se alargava após uns três metros do acesso. Logo a penumbra fantasmagórica permitia vislumbrar ossadas. Diversas ossadas! O negro congelou na frente dos companheiros que jamais deixaram de receber a luz do sol. O terror varou a alma deste negro que já havia enfrentado e vencido a lepra e trazia as marcas de deformidades em suas orelhas, nariz e mãos. Um suor gelado escorreu em sua fronte e pela ravina das costas musculosas. E…

T

ão logo se recobrou, Zé avançou na profundidade da cova. Ossadas humanas. Várias! Ossadas de animais. Muitas! Saiu em carreira daquela sepultura coletiva. Sua mente agitava-se em consonância com os tremores do seu corpo. Os homens abandonaram rapidamente o acampamento para buscar a polícia na cidade. Eram anos de dor no Brasil. A ditadura apertava os tentáculos para dominar e restringir os adversários. Muitos desapareceram do palco brasileiro, seja por covardia, seja por morte anunciada ou não. Aqui os relatos misturam-se, embaralham-se num único resultado – a caverna foi explodida e seu conteúdo destruído agora sim. Sepultada definitivamente por toneladas de rochas. A ordem foi para que esquecessem e jamais contassem para alguém a funesta descoberta. Ou? – Quem desobedecer poderá ter o mesmo destino!

Ω

“Deus cria! O Diabo separa. Mas eles se encontram e viverão juntos por suas vontades!” – Aldo Flores de Oliveira

Século XVIII.

O continente de São Pedro, atual Rio Grande do Sul, ferve sob o fogo da artilharia e ilumina-se pela prata das espadas e adagas. O General Pedro Ceballos, governador de Buenos Aires invade a Cisplatina e avança avassalador sobre as colônias e povos rio-grandenses. Como a cachorrada com a cola entre as pernas em ganidos de covardia, o governo foge da vila-fortes feitos Capital do Rio Grande. São acolhidos pelos estancieiros dos Campos do Viamão e aqui instalam a capital da capitania. Daí Viamão ser a primeira Capital de todos os rio-grandenses, pois pela vez primeira concentra governo e ardor patriótico. A falta de exércitos regulares faz com que a Junta Governativa do Rio de Janeiro determine: – “A guerra contra os invasores será feita com pequenas patrulhas atuando dispersas, localizadas em matos e nos passos dos rios e arroios. Destes locais sairão ao encontro dos invasores para surpreendê-los, arruinar-lhes cavalhadas, gados, suprimentos e mantê-los ainda em contínua e persistente inquietação.” (Arquivos Históricos do Exército Brasileiro)

O feroz Rafael Pinto Bandeira filho do corajoso Francisco Pinto Bandeira chefia guerrilhas – chamadas de Cavalaria Ligeira. Surge aí um intrépido paulista de nome Cypriano Cardoso de Barros Lemes que ao menor som de seu nome faz os espanhóis urinarem-se nas trincheiras. Caçadores Índios formavam grupos remanescentes das guerras guaraníticas que se bandearam para o lado português e também fustigavam incansavelmente os espanhóis. Isso é a história oficial. Comprovada! E reconhecida por todos os lados do conflito. (Continua!)

 

O Mistério das Aranhas de Itapuã! – Parte 3 – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião – 21 Julho 2010

7 Jul 21 – O Mistério das Aranhas de Itapuã – Parte 3 – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

O Mistério das Aranhas de Itapuã! – Parte 3

C

onta-se que na metade inicial da década de 1970, uma carga de dinamite movimentou um grande bloco de granito. Quando a poeira acomodou-se na destruída vegetação e nas narinas dos trabalhadores, seus olhos visualizaram uma gruta ou uma caverna ao pé da fenda. Logo a noite apresentou-se e foram acomodar-se em torno do fogo de chão com uma lona suja e puída por teto. Uma estranha angústia ou um temor inexplicável invadia-lhes os corpos. Tal como um maligno pressentimento. O guisado de charque com arroz estava abandonado na panela de ferro vestida de negra fuligem. A fome desaparecera por completo. Somente a cachaça trazia algum conforto. Falso conforto.

– Que barulho foi esse o Zé?

– Devem ser os bugios?

– Mas por que desse griteiro todo do bicharedo?

– Mário solta o Tisnado! Solta Mário. – Tisnado era o nome de um cão mestiço e muito feroz do companheiro Mário.

                   O cão latia e babava ferozmente como se algo de maligno espreitasse o acampamento de seu dono e amigo. Milênios de amizade entre cão e homem faziam-no enfurecer-se contra o desconhecido. Liberado da corrente, o valente cão invadiu a escuridão para nunca mais retornar apesar dos assovios ansiosos do dono. Em pouco tempo latidos abafados deixaram de ecoar e o alarido dos bugios deu lugar a um silêncio sepulcral. Os homens em pavor jogaram toda a lenha e madeira disponível no fogo e uma enorme fogueira trouxe-lhes um pouco mais de coragem… Ou de alívio. Abraçados em prece rogavam que Nossa Senhora poupasse suas miseráveis vidas e que pudessem retornar para suas casas. A noite foi longa. Tão longa quanto as intermináveis noites nos primórdios da humanidade quando o homem era caça e não caçador.

Armados de suas ferramentas de trabalho, os homens com marretas e barras de ferro sentiam-se mais protegidos com o enorme sol amarelo embrenhando-se pelas fendas das rochas e limpando o suor noturno das folhas das árvores. Escutava-se o grito dos bugios ao longe.

– Como é que uma manhã não tem cheiro de manhã? – sussurrou um deles.

– Tisnado! Fiuuuu! Fiiiuuuu! – o dono do cão assoviava chamando seu amigo. Eis que encontram o cão. Jazia com a garganta rasgada por garras de aço e o sangue do animal já servia de comida para as formigas e as varejeiras. As moscas da morte cintilavam suas asas esverdeadas num macabro bailado sobre o cão dilacerado. O homem embrutecido pela dureza de uma vida de privações e desgostos lançou-se de joelhos ao solo com as mãos na cabeça do verdadeiro amigo. As lágrimas jorraram de seus olhos deixando sulcos na face enrugada e coberta de areia e fuligem. Que ser havia matado um cão mateiro de avantajada compleição?

 

O Mistério das Aranhas de Itapuã! – Parte 2 – Por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião – 14 Julho 2010

7 Jul 14 – O Mistério das Aranhas de Itapuã – Parte 2 – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

 

O Mistério das Aranhas de Itapuã ou a Negra das Aranhas! – Parte 2

 

A

 gigantesca igreja barroca que emoldura o cimo desta coxilha onde está encravada a cidade de Viamão – a Igreja de Nossa Senhora da Conceição – traz amalgamada em suas paredes de cerca de dois metros de espessura o sangue e os ossos de seus construtores desde os primórdios da colonização do Continente de São Pedro, hoje Rio Grande do Sul. E ali nos bancos de madeira carcomidos pelos cupins, pelas unhas dos devotos e das beatas tementes a Deus em busca de uma proteção contra o medo ancestral das bestas e do inferno – vagam seus temores. Em seus alvores, lá pelo século XVII, esta região amplamente denominada de Campos do Viamão estava fora dos domínios portugueses, pois ficava a oeste da linha do Tratado de Tordesilhas que passava por Laguna. Inicialmente por paulistas de São Vicente, logo o gado abundante e selvagem trouxeram a cobiça e a riqueza. Riqueza e cobiça são irmãs da morte e essa terra viu o sangue lavar-lhe as entranhas em intermináveis combates.

 

– E a aranha do farmacêutico? – indagam atentamente.

Pois a gigantesca aranha criada na casa do farmacêutico teria vindo de Itapuã. A vida é como uma interminável colcha de retalhos ou fragmentos em aparente desarranjo. Onde não há uma conexão? Tudo na existência da humanidade de alguma forma está interligado. Nesta existência ou trazido de outras vidas ou de outros planos existenciais conforme as crenças de cada pessoa.

v   

Itapuã e as Pedreiras!

Itapuã! – Ou pedra de ponta ou ponta de pedra no vocabulário de raízes guaranis. Hoje é uma vila ou um distrito do município de Viamão. Ao sul da cidade, uma vila de pescadores encravada na goela do Lago Guaíba com a Lagoa dos Patos. Onde o canal torna-se mais profundo e com um antigo farol para sinalizar aos barcos o risco de suas águas traiçoeiras e rochas graníticas. Sim, uma região de muitas rochas e que durante décadas foi acossada por pedreiras que arrancavam de seu ventre os pavimentos das estradas e ruas, alicerces das casas e enviadas por navios para o outro lado do oceano. Também por muitas décadas a sua vida selvagem diversificada esteve prestes ao extermínio. Os bugios eram os mais visíveis. Mas havia outros animais. E as aranhas caranguejeiras eram com as jararacas a única – ou seria a penúltima? – defesa da região. Depois de muitas delongas judiciais, grande parte da região foi transformada e ainda mal protegida como parque estadual de Itapuã.

 

Nota do Editor: Aguarde, leia e guarde essas colunas. Pesquise suas personagens. Conte para suas crianças e deixem em seus corações a imagem eternizada desse mito.

O Mistério das Aranhas de Itapuã ou a Negra das Aranhas! – Parte 1 – por Edson Olimpio Silva de Oliveira

7 Jul 07 – O Mistério das Aranhas de Itapuã ou a Negra das Aranhas! – Parte 1 – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

 

Os leitores acompanharão durante as próximas colunas a ressurreição de uma lenda ou do resgate de fatos históricos encadeados pelo folclore. Pessoas que realmente existiram, fatos realmente vivenciados e verídicos com histórias reveladas a boca pequena e pelo interesse maior de poderosos foram sepultadas em alguma gruta de Itapuã. Acompanhem-nos!

 

O Mistério das Aranhas de Itapuã ou a Negra das Aranhas! – Parte 1.

 

E

xistiu um farmacêutico aqui na velha e legendária Viamão que a alvura de sua pele somente faiscada por alguns sinais negros escondia uma vida reclusa e de hábitos temerários para a maioria dos mortais. Pessoa dedicada ao ofício numa terra onde a Medicina não era uma profissão exclusiva dos raros médicos. Caridoso e de extrema habilidade na formulação dos medicamentos na botica familiar e de reconhecida maestria em puncionar veias que a todos os mais hábeis fugiam das agulhas. Residia próximo ao local de trabalho em casa com quintal onde trazia para seu refúgio aves nativas – marrecas caneleiras, marrecas piadeiras, marrecões, tarrãs, entre outros. Seu casamento nunca lhe trouxe um rebento. Isso era uma mácula numa sociedade em que crescei e multiplicai-vos não era somente uma expressão bíblica. As mulheres que nesta época não geravam filhos traziam maldoso estigma social num povo ignorante ou perverso – eram denominadas de Figueiras do Inferno. Ou seja – figueiras incapazes de produzir frutos. Terrível? Pior. Forjavam-se seres que se alienavam do convívio social e buscavam na reclusão dos lares e das casas fechadas algum tipo de conforto para suas dores. A casa ou o lar representa a caverna ancestral de todo o ser humano e o último ou derradeiro refúgio e propriedade. Ali ele torna-se rei e senhor. Ou um cativo!

As versões divergem quanto ao tamanho e quantidade… Mas a maioria conduz para uma lenda urbana ou um fato surrupiado do conhecimento público. Entre os animais de estimação daquela família, ou daquele casal tinham… Aranhas. Aranhas? Aranha? Conta-se à boca estreita que uma enorme aranha caranguejeira vagava livremente pelo assoalho de madeira e pelos móveis. – Muito maior que um prato fundo e dos grandes! – conta-se. O poderoso animal teria uma especial afinidade pelo casal e particularmente pela mulher.

– Eles estão conversando com a aranha! – cochichavam alguns corajosos ou intrometidos e curiosos que ousavam espreitar as janelas da casa à noite.

– Estão desaparecendo cachorros e alguns gatos da vizinhança! – alegavam alguns. O imaginário popular é prolífero nas suas fantasias quando o medo invade suas almas.

Nota do Editor:  Aguarde, leia e guarde essas colunas. Pesquise suas personagens. Conte para suas crianças e deixem em seus corações a imagem eternizada desse mito.

Pau de Sebo! – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião – 30 Junho 2010

6 Jun 30 – Pau de Sebo – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Pau de Sebo!

J

unho é um mês com marcas importantes. Senão vejamos: entrada do Inverno e com ele a escassez de banhos para muitos até a Primavera. Outra? – Festa de São João. Gente muito importante como o antigo companheiro de motociclismo, o Zavarize, e eu somos deste mês. O que, algum leitor não acha isso muito importante? Mas fiquemos na Festa de São João para evitar controvérsias. Nós guris de uma época remota e distante ansiávamos pelas fogueiras e todos os folguedos associados. Os festejos de São João não possuíam o brilho da Festa de Nossa Senhora da Conceição no oito de dezembro. Mas eram diferentes na sua essência e não tinham tanto apelo ou cunho religioso.

A maior fogueira do centro era na Praça da Igreja. Um poste fincado e revestido com carroças de achas de lenha seca. Muitos pneus. E toda uma decoração. O armazém do Itamar Carvalho ainda ficava naquela esquina que hoje é uma livraria evangélica. Era um dos maiores colaboradores e apoiadores da festa e fazia vistas grossas para a gurizada que enchia os bolsos com amendoins de suas grandes tulhas. Pinhão, pipoca e quentão. E batata doce cozida no braseiro da fogueira. As famílias se reuniam em volta da grande estrutura esperando o especial momento de acender o fogo. Uma grande fogueira também era uma obra de engenharia para construir e destruir, evitando acidentes.

Simpatias mil. Coisas de moças? Sim, isso era uma norma numa sociedade que estaria fadada e taxada de solteirona quem passasse dos vinte anos solteira. Elas colocavam claras de ovo em copos de água e deixavam ao relento na fria noite esperando que aparecesse uma imagem de altar ou igreja. Facas cravadas em bananeiras. Tinta derramada num papel de carta dobrado e colocado sob o travesseiro da ansiosa guria. Nomes de rapazes escritos em pedaços de papel e colocados na Igreja.

Traque e cabeça de negro – pequenas e grandes bombas. Foguetório. Bombas e bombinhas sob latas de leite Ninho. A explosão fazia a lata voar às alturas. Havia ainda algum alucinado que descarregava o revólver no quintal de casa. Alguém se explodia? Certamente. Assim como sempre tinha alguém queimado pulando as fogueiras ou assando batatas e pinhões. Coisas primitivas? Talvez. Seria assim que hoje somos mais evoluídos já que essas práticas estão em crescente desuso pelas terras setembrinas?

Havia grandes fogueiras na Lomba da Tarumã, no Matadouro dos Pinto e talvez a maior de todos fosse a do Novo Lar de Menores. Uma gigantesca festa, maior a cada ano. O pessoal mais abonado embarcava em seus carros e iam num périplo pelas outras festas do município após queimar a sua fogueira. Época de granjear votos e simpatias para os eternos políticos.

E o pau de sebo? O atilado leitor já deve estar ansioso sobre o título desta coluna. Pau de sebo ou pau ensebado era um poste ou mastro de madeira, descascado no capricho e geralmente guardado na garagem da prefeitura de um ano para o outro. Cravado próximo à fogueira. Havia um aqui na Praça da Prefeitura (na época era somente uma praça sem a prefeitura) entre a pira da pátria e a borracheira. Alto! Sei lá, talvez uns 7 metros. Liso e ensebado. Alguns com parafina. Outros com sebo de ovelha. Tarefa difícil e que denegria o sujeito – ensebar o pau! Designava-se um funcionário da prefeitura ou algum crente pagando promessa. Qual promessa? A resposta deve ser invasão de privacidade. Com auxílio de uma escada colocava-se um prêmio no topo do pau de sebo. Dinheiro por exemplo. Ou um almoço na Petisqueira ou uma chuleta no Bar do Paulo. As criaturas deveriam escalar o mastro até o topo para ganhar o galardão. E havia quem tentasse. E tentasse. E tentasse. Alguma fera vencia. Geralmente alguém que em época de circo tomava cerveja no picadeiro com o leão.

Memórias de um tempo tão antigo que diminuem dia a dia as testemunhas vivas e com memória efetiva!

Desafios! – Uma Insanidade ao seu Alcance. – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião – 23 Junho 2010

6 Jun 23 – Desafios! – Uma Insanidade ao seu Alcance – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião.

 

Desafios! – Uma Insanidade ao seu Alcance.

O

 leitor que no caso do cidadão viamonense também é o eleitor mostrou sua absoluta indignação em várias mensagens a este colunista quando perguntamos “Quem poderia explicar os cones da Polícia Rodoviária nos Maristas?” Algumas manifestações com importante veemência. Os leitores também acusam o absoluto descompromisso com os cidadãos nos mortais cruzamentos da RS 040 e RS 118 e desta com o trevo da morte para a Estalagem-José Garibaldi e com a Bento Gonçalves na Madeireira Tarumã.

 

Milhares de cidadãos expõem suas vidas ao descalabro daqueles cruzamentos mortais diariamente. Essas pessoas manifestaram seus desafios que os homens públicos e aqueles que aqui vêm apoiar os movimentos locais, suas lideranças ou simplesmente buscar os votos dos eleitores viamonenses que façam uso desses locais como motoristas e como pedestres principalmente no horário das 18 horas. Que experimentem esses três cruzamentos mortais nos seus diversos sentidos e os sobreviventes experimentarão o pavor diário dos que ousam e necessitam ali transitar. Contou-me uma leitora da Lomba da Tarumã que uma família teve três gerações acidentados na travessia da Estalagem – o avô, o pai e a neta no colo da mãe.

 

Há algo de macabro e inexplicável do porque desses locais continuarem sem semáforos, passarelas ou qualquer sistema de proteção ao cidadão a pé ou motorizado. Há gente que paga fortunas por turismo de emoções, desafiando a natureza nos extremos da capacidade humana. Os viamonenses e usuários dessas rodovias arriscam suas vidas diariamente sem buscar emoções fortes e sim por pura necessidade. Observem que a Madeireira Tarumã é um dos maiores exemplos de pujança e excelência administrativa, pois consegue crescer com qualidade tendo seus clientes expostos diariamente a risco de vida nos retornos da RS 118. Talvez as mesmas mentes privilegiadas em administração de trânsito que colocam “pardais” na RS 118 sem qualquer reparo de uma rodovia em péssimas condições de tráfego e uso por pedestres e motoristas, sejam responsáveis associados por esse descalabro.

 

Outro dia, cidadãos realizaram uma caminhada ou uma passeata organizada por lideranças locais em protesto pelo trânsito central que desgosta gregos e troianos. Talvez algo similar ou que os painéis da rodovia mostrem a realidade desses cruzamentos mortais. Por quanto tempo a cidade e seu povo suportarão as perdas humanas e a alta periculosidade dessas mortes anunciadas, da destruição de famílias e da legião de mutilados? Leitores sugerem que os jornais locais e seus colaboradores, lideranças sociais, representantes de entidades e dos três poderes (legislativo, judiciário e executivo) para ao volante de um carro e diariamente, principalmente no lusco-fusco e com chuva e nos finais de um dia de trabalho, transitem em todos os sentidos nestes três cruzamentos fatídicos. E depois como pedestres com sacolas de supermercados ou filhos no colo. E acompanhando seus familiares idosos ou enfermos indo à unidade de saúde ou ao hospital. O cruzamento da RS 118 com Garibaldi (Estalagem) é o pior deles.  

 

 Frequentemente atendo ao incitamento de leitores que exigem crônicas com humor para assim tentar afastar um pouco os dramas nossos de cada dia. Mas é com esse contato humano que sinto até vergonha de não usar mais tempo e espaço defendendo a vida fora do consultório ou do hospital. Experimentei como pedestre aquilo que tenho vivenciado como motorista – É uma insanidade ao seu Alcance! Faça você o teste e se sobreviver conte, relate e exija ou chore por uma solução!

Todo dia e Dia dos Namorados! – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião – 16 Junho 2010

6 Junho 16 Todo dia é Dia dos Namorados – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Série Humor ainda é um Bom Remédio:

Todo dia é Dia dos Namorados!

A

 pressão física e psicológica exercida pela intensa publicidade faz com que os meros e enamorados mortais exercitem a imaginação e o bolso para presentear seu amado ou sua amada. Quase usei aqui “ente amado”, mas o alarme soou, pois isso representaria alguém falecido. Os poetas ensinam que na dúvida do que presentear, deem-se flores. As silvestres ou apanhadas no jardim alheio são as mais econômicas. E igualmente belas para as amadas mais sensíveis ao coração e menos identificadas com a conta bancária do seu “eterno gato”.

Com que presenteiam as mulheres? Lembrem-se mulheres: – O homem troca de pai e mãe, troca de mulher e descarta filhos, mas jamais troca de time de futebol! – T. Jordans, o Filósofo do Apocalipse. Isso é fundamental em suas mentes e pretensões. Os eternos sabonetes e perfumes aos pouco cheirosos. Caixas de cuecas aos que teimam em usar cuecas velhas e com “travadas de bicicleta” nos fundilhos. Gravatas, que podem até significar: – Se tu pular a cerca eu te enforco! Ou uma vez na vida pagar a janta ou o motel! Uma amiga experiente e profunda conhecedora do íntimo masculino presenteou seu amado com três controles remotos All in One – Tudo em Um!

Sexo, futebol e controle remoto! Esse tripé sustenta a vida de qualquer homem, mas não necessariamente nessa ordem. Futebol já era sua vida muito antes de você existir como mulher. Sexo é impulso primitivo, primordial e se você presenteá-lo com caixa de sabonetes e xampus e viver queixando-se de TPM e enxaqueca, sugere subliminarmente que ele vá buscar o sexo de formas alternativas. Sabia que Floripa, por exemplo, tem cerca de dez mulheres para cada homem e cheias de amor para dar e receber? Concorrência brutal, amiga! E lembre que o homem dura dez anos menos que você e a testosterona até diminui, mas jamais acaba e “carro parado enferruja”.

Controle remoto! Isso é hereditário e genético dominante. Está no DNA masculino. O cara vê o pai e o avô e os amigos e inimigos e num dia ele se dá conta que é tudo que precisa para gerenciar sua vida. Um amigo depois de um mês separado, ligou para a “ex” e após gaguejar perguntando notícias dos filhos perguntou: – Onde tu escondeste o meu controle remoto com o adesivo do Inter? Tá me sacaneando, pô! É como próstata, o cara tem e usa e só se dá conta da sua importância quando dá bronca.

O Gerenciamento Eficaz de um Casamento Saudável e Duradouro, meu próximo livro de autoajuda em parceria com o Paulo Caolho traz essa regra, que não é menstrual, nem mensal, é diária – Deixe o controle remoto ao alcance do seu homem! E jamais, nunca mesmo, espere para ele perguntar ou ter um terremoto em sua casa: – Onde está meu controle remoto? Assim, faça e deixe seu homem realizado e feliz, dócil e acessível dê-lhe o que está ao seu alcance. E ele jamais irá buscar um controle remoto na rua. Se você é loira, reforço que futebol não depende de você!

UTI Pediátrica no Hospital de Viamão!

A Farmácia Nova com seu diretor e proprietário Roberto Canquerini organizam e participam com sua empresa e colaboradores e com nós consumidores de um esforço de auxílio a essa necessidade da cidade e de suas crianças! Participe!

Atino e Desatino! – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião – 09 Junho 2010

6 Jun 09 – Atino e Desatino – Crônicas e Agudas – Jornal Opinião

Atino e Desatino!

Vamos por uma interrogação brutal. Onde termina a imprudência e onde começa a estupidez no seu mais abrangente sentido? Discursamos contra os administradores públicos que tem como preocupação primeira em multar no trânsito. As estradas estão congestionadas frente ao avassalador número de veículos vendidos. Sem que a arrecadação dos impostos desde a fábrica ao consumidor final seja aplicada em estradas mais seguras e numerosas. Arrecadar e arrecadar e arrecadar, parece nada mais lhes interessar! E o condutor?

 

Alucinados em duas rodas e por vezes em uma só roda. Empinam suas máquinas de matar e morrer com caronas numa dança macabra de final previsível. Motoqueiros no sentido mais depreciativo do termo. E merecidamente. Cruzam e atravessam por todos os lados. Direita e esquerda. Por cima e diariamente por baixo. O livre arbítrio permite que a criatura disponha da sua vida absurdamente, mas jamais dispor da vida dos outros. Muitos vão onerar suas famílias e a sociedade em seus quase eternos tratamentos tirando as escassas vagas das unidades de saúde e hospitais das vítimas reais da tragédia do trânsito. Ou por eles causadas.

 

Películas! Quase não existem carros circulando sem as películas nos vidros e até nos para-brisas. Há uma norma limitando a transparência, geralmente não obedecida. Com a desculpa de estarem protegendo os ocupantes de possíveis ameaças de criminosos, retiram a visão do condutor. Principalmente no crepúsculo e à noite. Nos cruzamentos não enxergam os veículos no seu sentido e pelos retrovisores perdem a real avaliação dos demais veículos em trânsito. Muitos motoristas de Opalão, Chevette e Fiorino deveriam realizar avaliação psiquiátrica anual. Observem principalmente com vidros pretos e adesivos do tipo “Interceptor ou Turbo”.

 

Sabe a diferença entre um hobby de amante da música e a insanidade procurada e geralmente encontrada? São esses amalucados com o som a incontáveis decibéis, além de perturbar a sociedade incapacita-os a escutarem as buzinas e os demais sons de alerta do trânsito. Isso vale para os motoqueiros com fones de ouvido e música (?) a milhão. Ainda nesse ramo tem os insaciáveis do celular. Para muitos não basta mais um celular, são vários com vários chips cada um. Um em cada ouvido e outro vibrando nos glúteos. Há os drogados pelo crack, pela cocaína ou por vícios e compulsões como do celular e assemelhado. E quando virem uma acompanhante com os pés sobre o console e no para-brisa lamentem pelo futuro da dupla dinâmica. Pode piorar, sim! Chimarrão, cigarro e latinha de cerveja ao volante.

 

Subir e descer da rodovia em qualquer velocidade. Ou andar trancando o fluxo normal da estrada. Sempre que alguém alegar que “está no seu direito”, saibam e tenham certeza de que algo está errado. Com os outros ou com o seu direito. Ou seu esquerdo! O Uruguai implementou a circulação nas rodovias com faróis em luz baixa. Como havia sido feito aqui. É uma medida salutar de ver e ser visto. No entanto, lâmpadas queimadas, luz alta descontrolada, com chuva, nevoeiro, crepúsculo e noite quando muito andam com alguma sinaleira ligada. A quantidade que anda como morcego é impressionante. Inclusive motoristas profissionais. Talvez a economia de luz deva ser pelos altos custos da CEEE ou da Coopernorte! Só ironizando de vez! Seja vigilante como pai ou mãe, amigo ou namorada. Principalmente como filho. Xis por cento irá morrer ou aleijar-se no trânsito, evitem fazer parte dessa estatística cruel. Sentir-se magoado pelo colunista? Ótimo talvez alguma vida se salve e não cause dor em quem lhe ama.

Alguém pode explicar…

Qual a razão dos cones da Polícia Rodoviária nos Maristas mudarem as formas de “chicane” tipo da Fórmula 1 e com chuva ou à noite ali estarem sem qualquer atividade policial presente? As reclamações são muitas.

Marcas! – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião – 02 Junho 2010

6 Jun 02 – Marcas – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

 

Marcas!

– Será que o meu remédio não está falsificado doutor? – pergunta um paciente.

– Qual o motivo da sua dúvida?

– Acho que não está fazendo efeito igual ao outro que tomava antes! – conclui.

Isso é uma dúvida atroz para muitos necessitados consumidores de medicamentos. Muitos comparam as amostras grátis que recebem em alguns consultórios com os medicamentos de balcão e ficam na dúvida. Esse é um território pantanoso, com muita areia movediça. O número de especialidades farmacêuticas à venda no país é absurdo e astronômico – dezenas de milhares. O advento do chamado Genérico trouxe uma avalanche de cópias e pseudocópias. No momento do registro e autorização de venda espera-se que haja inspeção adequada. Depois… Impossível. Talvez por amostragem ou por denúncia.

Seria o Brasil um Paraguai gigante? Seria um império de falsificações? Quantos tipos de leite existem no comércio? Poucas. Pouquíssimas se comparadas com o número de remédios. Outro dia tivemos o escândalo do leite com soda, água oxigenada, etecétera e tal. Deu em que? Quem souber que nos diga e que a mídia noticie. Tem o caso da bela miss desfilando na TV no domingo que por denúncia descobriu-se ser… Homem. Até o sexo pode ser falsificado? Quantas dúvidas e tantas certezas. Vamos exemplificar num remédio para hipertensão arterial. Se a pressão persiste alta, as dúvidas pairam no médico que errou ao prescrever, no paciente que não está tomando corretamente, na dieta que não é adequada e vai por aí. E a qualidade do remédio? Eis porque os anticoncepcionais não estão aos borbotões no mercado. Se a “pílula” falhar é muito mais fácil identificar onde está o erro ou se é “pílula de farinha”.

Uma senhora respondeu assim a um balconista de farmácia ansioso por aumentar seu faturamento alegando que tudo que é “genérico e remédio é igual e a mesma coisa”. – Então rapaz, eu sou mulher como a tua mãe e somos diferentes ou não? Eu sou mulher e não me comparo com essas drogadas e prostitutas que estão ali fazendo ponto no centro. E a tua mãe? Tudo que é mulher é igual? Tu ias querer pra esposa uma assassina e traficante porque tudo é mulher?  – Relata a senhora que “ele enfiou o rabinho entre as pernas e foi buscar” o que ela pediu. Exemplo fascinante desse senhora. E corajosa. Próprio de mulher responsável!

No mercado de produção e consumo não existe mágica. Valores absolutamente distantes podem significar algum tipo de fraude. Seja do produto ou do vendedor. Como apregoa a sabedoria popular na eterna música – até o santo desconfia de muita esmola na sacola.

O ser humano tende a ser conservador nas marcas preferenciais. Qual a sua cerveja? Qual o cigarro? Qual o carro? Qual a TV? Qual a erva mate? Qual a farinha? Qual o leite do filho? Qual… Observe as coisas de uso diário, eventual seu e da família ou até do trabalho e lazer ou informação. Temos marcas preferenciais em quase tudo. – Mulher pra mim só a Genoveva! – exclama o primo. Tem os que preferem somente de dois tipos – nacionais e estrangeiras (rsrsrs). Há gosto e desgosto pra tudo!

Assim deve ser com medicamentos também. Tenha suas marcas de confiança e dê mais valor a sua saúde. Tenha sua farmácia e farmacêutico de confiança e que respeite o receituário do seu médico, que também deve ser de sua inteira confiança. Jamais economize trocados para sua saúde e de seus familiares ou pessoas que ama. Em saúde jamais se gasta, faz-se investimento. O melhor investimento!

Amigos e Amigas! – Leitores – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião – 26 maio 2010

5 Mai 26 – Amigas e Amigos – Leitores – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Amigos e Amigas – Leitores!

 

– Assunto é o que não falta! – dizia-me um leitor dessa formidável página semanal. Pelo menos essa ainda é a opinião da Doralina e de mais um monte de leitores. Quase uma dúzia no último censo. Pois, esse ávido leitor, queixava-se da repetição de temas que são abordados nos jornais. – Tem muita encheção de linguiça por aí Edinho! – seu humor e o desabafo não eram para muita discordância. E nem há como discordar radicalmente dos leitores. Pois assim como cliente sempre tem razão, o mesmo parece valer para o leitor. Encontrar alguém que se interesse por ler já é uma raridade na sociedade. Encontrar alguém que procura entender e discutir os textos é uma raridade ainda maior. Sabe-se que cerca de 1/3 dos alfabetizados são incapazes de entender um texto simples de mais de dez linhas.

 

Assuntos e repetições! Esse mote sempre me assombra. Escrever para consumo próprio é como o cão que brinca com a própria cauda. Escrever evitando a redundância é outro desafio. Escrever para um público heterogêneo como é de um jornal é uma situação como agradar gregos e troianos. – Quem são os gregos? Tem-se uma interação entre as manifestações dos leitores ou a falta delas. – Faça umas colunas de humor, chega de política e sofrimento! – dizem uns. – Conta umas lendas e histórias de Viamão! – querem outros. – Gostei muito e até lemos a tua coluna para as colegas de trabalho! – refere uma cara amiga. Aqui entramos nesse universo formidável dos Amigos e Amigas. Gente especial que nos aceita até quando a inspiração é menor que a transpiração. Perdoam nossas bobagens e incentivam ainda quando sentimos que tropeçamos no teclado.

 

Descobrimos pessoas que mesmo discordando de certas opiniões, riem das cores do humor que tentamos pintar a dura vida da maioria de nós. Encontramo-nos pela casualidade e dizem: – Sou seu leitor! Amei e guardei aquela coluna que escreveste sobre os cães! Eu também tive um cão como o Peludo e como ele enriqueceu as nossas vidas! – abraçava-me uma leitora. Isso mais que gratifica, cria uma corrente ou uma egrégora de sentimentos compartilhados. Se instigamos a raciocinar, se cutucamos com a guilhada das palavras e das frases, tentamos gerar luz e fazer da vida um caminho mais belo a ser compartilhado. A busca por temas para serem abordados transita por esses caminhos – aquilo que possa palpitar em nossos corações. Ousadia ou esperança? Talvez Fé!

 

O jornal pode ser um ente vivo ou já sair às ruas como letras mortas. De quem depende? Assim como a sociedade pode ser um ente amorfo, sem vontade social, até mesquinha e egoísta nas suas escolhas ou massa disforme dos maus líderes, nossas responsabilidades devem ser maiores do que nós. Cada texto ou cada coluna não deve ser um mero turista descompromissado a vagar entre os leitores, deveria ser um ente que deva tocar e ser tocado. Árdua tarefa, jamais impossível.

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