Viamão! Estranho ou pitoresco? 2024.10.15

Viamão!

Estranho ou pitoresco?

Umas bolinhas brancas! Pelotas de odor característico e de finalidade sabida e experimentada. Explico! Sabida por usar nos armários e gavetas para afugentar as traças e baratas – devia-se derramar em caminhões em Brasília, misturada com Ri-do-Rato. Experimentada para melhorar a gasolina (péssima!). As criaturas punham as pelotas de naftalina, lembrem do nome “Nafta” (combustível do petróleo) no tanque de combustível das viaturas e nos mictórios – pela urina masculina ser “muito fedida”.

Eram tempos escassos: dois pares de calçados e duas mudas de roupa – a de trabalhar e a “de morrer”. Agora te pequei no contrapé! Sim, guardava-se com muito cuidado a roupa de casamento, aniversário, pompas fúnebres de gente importante e o próprio velório. Há causos contados do viúvo ou viúva retirar as roupas boas e “novas”, anéis, dentes de ouro, aliança antes de enterrar o defunto (a). Ver eu nunca vi! Até perguntei ao amigo Elmo Coveiro que disse ser só causos. Mas uma viúva de guaiaca vazia, meio Raimunda, atiçada como fogo em pólvora, estava acalentada por um gaudério novo e com as roupas do finado. Pois é!

Crônicas & Agudas!

Um taura grosso uma barbaridade, veio cortar arroz de foice em Viamão e se deslumbrou por uma guria bonita como filha de bispo, casou-se e foram viver no costado de uma das estâncias. Tiveram prole numerosa numa época sem TV e não havia inventado o “anti” e se viravam somente no “concepcional”. Batizava o “filharedo” com nomes dos santos do dia e nomes comerciais, Dentre eles tinha a Natalina, a Neosaldina e a Nafitalina – essa ficou solteirona. Além do Elpídio e da Apolônia.

Cultura inútil? A “naftalina” foi criada pelo médico inglês John Kidd (século 19), também químico e professor na Universidade de Oxford, das primeiras do planeta. Saber não ocupa espaço! E pior: não ensina a votar com decência, dignidade e sabedoria.

As criaturas importantes da cidade eram veladas na Igreja Matriz, com direito à missa e discursos, além das carpideiras. O padre o povo – tudo de preto, exceto a cueca samba-canção, invariavelmente branca, de tricoline ou de saca de farinha do Moinho Esperança, nos menos abonados. Sempre alguém esquecia de esvaziar os bolsos das bolinhas de naftalina, o odor se acentuava no meio do povo no velório.

Crônicas & Agudas!

O féretro recebia o rodízio das mãos, principalmente nos defuntos volumosos e pesados ou pela necessidade de demonstrar proximidade com criatura importante. Na entrada do cemitério central, na rua 2 de novembro, havia um toldo para abrigar o defunto e familiares. Era o momento dos inflamados discursos de despedida. Vezes em que o orador se emocionava, vendo a reação da família e do cortejo, que chegava a subir num túmulo para sua voz atingir os mais distantes. E a terra Setembrina tinha oradores de gabarito superior. Esse cronista já trouxe outros episódios dos “oradores de Viamão”. Turma de pouca oração, mas de muita oratória.

Meu famoso primo Sílvio Boca, primo do Danilo e do Haroldo, mais brilhante zagueiro do Tamoyo FC, depois de longo tempo sem nos vermos falou-me: “Edinho Cabeleira, a gente está se encontrando somente nos enterros dos amigos. Tem coisa errada nisso!” Verdade mesmo. Cada vez se trabalha mais e cada vez mais os governantes e “otoridades” sequestram o fruto do nosso trabalho honesto. A honestidade fica conosco, pois não acompanha o que esses vampiros sugam e nutrem a bolsa vagabundagem. Ali no horizonte da cancha reta tem outra eleição. Veremos se essa turma tem utilidade para a naftalina e sinalização para o esgoto!

2024.10.15 – Viamão! Estranho ou pitoresco? – Edson Olimpio

Crônicas & Agudas!

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Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira

Médico. Cirurgião. Escritor. Artes.

CREMERS 07720

RQE 4007

. * .

Médico Cirurgião Jubilado

Sociedade de Cirurgia Geral do Rio Grande do Sul – SOCIGERS

Conselho Regional de Medicina RGS – CREMERS

Associação Médica do RGS – AMRIGS

Associação Médica Brasileira – AMB

Viamão – RS

1971 a 2023 – 53 Anos de Medicina

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Autor dos livros:

Crônicas & Agudas

Crônicas & PontiAgudas

Trinity! A Saga continua.

+30 Anos de Jornalismo

Cronista Jornal Opinião de Viamão

DIA DO PROFESSOR * Foto de Edson Olimpio Medicina e Cronista

Reconhecimento
Respeito
Gratidão

Parabéns!

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ORAO AO CADVER * Foto de Edson Olimpio Medicina e Cronista

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DIA DO MDICO NEUROLOGISTA * Foto de Edson Olimpio Medicina e Cronista

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Foto de Edson Olimpio Medicina e Cronista

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Mensagem do dia * Foto de Edson Olimpio Medicina e Cronista

💚☆💙☆💜

*Terça-feira:*
*Silencie a Mente!*

"A mente é como um macaco agitado.

Silencie-o observando seus pensamentos sem se identificar com eles.

Na quietude, encontre a verdadeira paz."

❤️☆🧡☆💛
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Renovação e Começo! Mensagem

Segunda-feira:

Renovação e Começo!

Mensagem:

"Assim como Deus criou o mundo a partir do caos, você tem o poder de criar uma nova semana a partir do que passou. Você é capaz e responsável.

A cada amanhecer, uma nova oportunidade de recomeçar, de perdoar e de ser perdoado.

Seja um instrumento de honra e justiça, de paz e amor."

Base: Gênesis 1:1; Mateus 6:14-15

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A Parteira Tereza Sicca – 2024.10.08

A Parteira Tereza Sicca!

Em 1976, quando me graduei em Medicina ainda havia várias parteiras na cidade e no interior de Viamão. Imaginem em 1951, quando esse médico e amigo de vocês abriu os olhos e deu o primeiro brado para essa existência, talvez estimulado por uma palmada nos glúteos. A parteira Dona Tereza era de uma tradicional família viamonense, de origem italiana, incumbiu-se de dois partos de minha mãe Dorinha.

Lembro-me daquela senhora muito clara, quase loura, corpulenta, de escassas palavras e enérgica, residia a algumas dezenas de metros da casa onde nasci. Realizou incontáveis partos e, apesar de não ter filhos próprios, permaneceu solteira, entendia-se como “mãe” ou uma segunda mãe de cada criança que trazia ao mundo. Peregrinava pelas casas, visitando e acompanhando seus “filhos”. Presença constante em muitos aniversários e casamentos de suas “crianças”. Minha mãe contava que ela inclusive ensinou-me a usar o peniquinho e a deixar das fraldas.

Crônicas & Agudas!

Sua família foi proprietária de um dos antigos e tradicionais hotéis da cidade, o Hotel Sicca, que ainda hoje, resquícios do prédio original, emoldura o Largo Adonis dos Santos ou a praça da Caixa D’ Água, como costumeiramente é chamada pelos moradores locais, aqui no Centro histórico de Viamão.

Dona Tereza trazia em sua face uma marca indelével. Um dos olhos necessitava ser secado frequentemente com um lenço, pois vazava em sua cegueira. Sim, tinha um olho cego. O acontecimento que gerou essa lesão grave revela muito da alma e fibra dessa mulher. Certa noite de inverno gaúcho, as pessoas e os animais açoitados pela chuva fria e pelo vento Minuano, recolhidos à proteção das casas, bateram à sua porta. Era um homem desesperado. A esposa em trabalho de parto, em alguma grota da zona rural, corria risco de vida com o filho por nascer. A parteira do local esgotara seu repertório técnico.

Crônicas & Agudas!

A parteira que a atendia não sabia mais o que fazer e achavam que morreriam mãe e filho. Assim o esposo correu em desespero à vila de Viamão para buscar uma pessoa mais habilitada.

Embarcaram numa carroça. O homem, em gritos e chicoteando o cavalo, exigia do animal tudo aquilo que a vida por um triz pode exigir. Eis que uma dessas chicotadas, um desses “relhaços” explodiu no rosto da parteira e dona Tereza teve seu olho ferido. “Vazou o olho”, dizia-se. Mesmo com intensa dor, sangrando em brutal sofrimento, com a visão seriamente afetada ela chegou à casa e realizou o parto com sucesso. E mãe e filho saudáveis encaravam a jornada de vida revelada nesse episódio.

Quantas pessoas conseguiriam exercer seu ofício, realizar sua missão e ter pleno sucesso depois de uma grave lesão? E jamais ficou, mesmo depois desse acontecimento, acamada ou deixou de atender quando solicitada. E assim foi a sua existência longa e nobre.

Esse cronista traz histórias reais da vida que teve, presenciou ou foi lhe contada com desvelo e ancorada nos sentimentos de gratidão e muito respeito, com reconhecimento às pessoas que marcaram a sua vida, com os desígnios das suas missões. A população, as criaturas crescem numa onda geométrica, lotando todos os locais e esgotando a mãe natureza que os partejou em pleno amor. Lamentavelmente, tristemente, a qualidade ou as boas e nobres qualidades do ser humana não evoluíram proporcionalmente.

2024.10.08 – A parteira Tereza Sicca – Eds Olimpio

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Consciência!

☆●☆○☆●☆

*Domingo:*
*Seja a Testemunha.*

Observe seus pensamentos e emoções como um observador imparcial.

Seja a Testemunha da sua própria Vida.

*A consciência é a chave para a liberdade!*

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A Parteira Tereza Sicca – 2024.10.08

A Parteira Tereza Sicca!

Em 1976, quando me graduei em Medicina ainda havia várias parteiras na cidade e no interior de Viamão. Imaginem em 1951, quando esse médico e amigo de vocês abriu os olhos e deu o primeiro brado para essa existência, talvez estimulado por uma palmada nos glúteos. A parteira Dona Tereza era de uma tradicional família viamonense, de origem italiana, incumbiu-se de dois partos de minha mãe Dorinha.

Lembro-me daquela senhora muito clara, quase loura, corpulenta, de escassas palavras e enérgica, residia a algumas dezenas de metros da casa onde nasci. Realizou incontáveis partos e, apesar de não ter filhos próprios, permaneceu solteira, entendia-se como “mãe” ou uma segunda mãe de cada criança que trazia ao mundo. Peregrinava pelas casas, visitando e acompanhando seus “filhos”. Presença constante em muitos aniversários e casamentos de suas “crianças”. Minha mãe contava que ela inclusive ensinou-me a usar o peniquinho e a deixar das fraldas.

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Sua família foi proprietária de um dos antigos e tradicionais hotéis da cidade, o Hotel Sicca, que ainda hoje, resquícios do prédio original, emoldura o Largo Adonis dos Santos ou a praça da Caixa D’ Água, como costumeiramente é chamada pelos moradores locais, aqui no Centro histórico de Viamão.

Dona Tereza trazia em sua face uma marca indelével. Um dos olhos necessitava ser secado frequentemente com um lenço, pois vazava em sua cegueira. Sim, tinha um olho cego. O acontecimento que gerou essa lesão grave revela muito da alma e fibra dessa mulher. Certa noite de inverno gaúcho, as pessoas e os animais açoitados pela chuva fria e pelo vento Minuano, recolhidos à proteção das casas, bateram à sua porta. Era um homem desesperado. A esposa em trabalho de parto, em alguma grota da zona rural, corria risco de vida com o filho por nascer. A parteira do local esgotara seu repertório técnico.

Crônicas & Agudas!

A parteira que a atendia não sabia mais o que fazer e achavam que morreriam mãe e filho. Assim o esposo correu em desespero à vila de Viamão para buscar uma pessoa mais habilitada.

Embarcaram numa carroça. O homem, em gritos e chicoteando o cavalo, exigia do animal tudo aquilo que a vida por um triz pode exigir. Eis que uma dessas chicotadas, um desses “relhaços” explodiu no rosto da parteira e dona Tereza teve seu olho ferido. “Vazou o olho”, dizia-se. Mesmo com intensa dor, sangrando em brutal sofrimento, com a visão seriamente afetada ela chegou à casa e realizou o parto com sucesso. E mãe e filho saudáveis encaravam a jornada de vida revelada nesse episódio.

Quantas pessoas conseguiriam exercer seu ofício, realizar sua missão e ter pleno sucesso depois de uma grave lesão? E jamais ficou, mesmo depois desse acontecimento, acamada ou deixou de atender quando solicitada. E assim foi a sua existência longa e nobre.

Esse cronista traz histórias reais da vida que teve, presenciou ou foi lhe contada com desvelo e ancorada nos sentimentos de gratidão e muito respeito, com reconhecimento às pessoas que marcaram a sua vida, com os desígnios das suas missões. A população, as criaturas crescem numa onda geométrica, lotando todos os locais e esgotando a mãe natureza que os partejou em pleno amor. Lamentavelmente, tristemente, a qualidade ou as boas e nobres qualidades do ser humana não evoluíram proporcionalmente.

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Sociedade de Cirurgia Geral do Rio Grande do Sul – SOCIGERS

Conselho Regional de Medicina RGS – CREMERS

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1971 a 2023 – 53 Anos de Medicina

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