ADELINO LOVATTO * 90 Anos de idade

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O Buraco do Padre! 2023.12.05

O Buraco do Padre!

As turmas não se misturavam com facilidade. Se o boneco era do Mendanha, não gostava do outro da Lomba da Tarumã. O pessoal do Centro sempre foi muito entonado, orgulhoso e roupas mais na moda. Os hormônios ferviam como feijão em fogo alto na panela de pressão. O vapor tem que sair ou a panela explode e vai voar feijão para tudo que é lado.

Vou contar algo jurássico e indescritível para os jovens: sexo somente depois do casamento na igreja e no cartório. “Então como é que a coisa funcionava?” – deve, ansiosamente, perguntar-me. Pois é, a sua imaginação está no caminho cheio de desvios e alguns atalhos, instigado leitor.

Os jovens curtiam namoricos nas reuniões dançantes no Clube dos Casados ou Juvenil (olha o nome do clube!). Ali se aprumavam as coisas “sérias”. Entretanto, outras ‘bocadas” se ofereciam. Umas dessas reuniões ocorriam no famoso Buraco do Padre, zona quase neutra entre desafetos. Na vila (bairro) Viamópolis, à beira da RS 040, um padre insistia em construir a igreja. Os pilas mais curtos que coice de porco. Angustiava-se nas festas de tudo que é padroeiro e santo importante e que respondia às promessas. Rifas e leilões. Donativos, escassos como honra de político condenado. No subsolo da igreja, cimento desempenado, meio queimado, um bar meia-boca, mesas e cadeiras e os “conjuntos musicais” e as “reúnas de disco” no pessoal que vinha desencarnar um “love”, faceiro como seminarista novo em quermesse. Coisa fina de tão especial.

Crônicas & Agudas!

Uma luz negra que “alumiava” dos dentes aos “slacks” brancos “saint-tropez” (cintura baixa). Tinha guri que vestia cueca e dois calções de helanca justos para segurar a bronca. Gurias amarravam as pontas das camisas na altura do umbigo. Coisa louca de tão sensual – achávamos. Cabelos em rabos-de-cavalo ou longos pela cintura. Algumas mães ou tias solteironas eram encarregadas do policiamento ostensivo e intensivo. Se a guria sumisse (e sumia!) de vista nas luzes estroboscópicas ou nos reflexos de um globinho espelhado que devia-devia-devia girar, o caldo entornava e até batia o desespero. Não havia anticoncepcional e o preservativo era “contra a natureza do homem”.

Quem não tem um amigo de nome Nico? Pois é, eu tinha um amigo Nico. Que além de Nico era músico dos 7 instrumentos. Tinha uma banda em que o Nico tocava e os parceiros faziam charme, já que mulher gosta de músico e cantor. Gosta tanto que a disputa é ardente, quando não dolorida. O Nico, cara de boa, legal mesmo, entregava uma guitarra baixo para os amigos fazerem um grau, fake-tocando e ganhar uma “mina”. Parava de tocar porque contundiu o ombro no futebol – explicava-se. Sempre colava. Ah, quase esqueço, dançava-se de rosto colado. Fungando no pescoço e até mordendo a orelha acima do brinco – nas que topavam o entrevero, os amassos e os “finalmentes” que ficavam somente nos ameaços.

Crônicas & Agudas!

O Padre faturava uma grana legal no final de semana e a gurizada gastava a sola e passava horas cantando marra (vantagem) de um beijo de língua. E todos olhavam com ciúmes e respeito esse beijador sinistro como o Drácula. Guris abonados, como meu amigo Beto, já possuíam carro ou “caranga”. Ele sempre tinha um carro muito matador, que a turma apelidava de “vianda”. Hoje seria machismo, mas nas intempéries hormonais da época, a guria “vitoriosa” era odiada por muitas outras. Olhem com os olhos dos tempos da jovem guarda, da segurança dos generais de verdade na Presidência e de uma cultura e sentimentos daquela época.

“Soi loco por ti América” e “calhambeque bi-bi”, fluíam os sonhos e as “emoções que eu senti”. Nesse mosaico que é a vida, vislumbrem alguns reflexos e nas luzes do Buraco do Padre um pouco, umas fímbrias do mundo vivido e aspirado.

Vários amigos, como o Beto, são somente lembranças que abraçamos na jornada da vida e oramos que, nas luzes do Criador, sorriam conosco nessas singelas lembranças que desencaixotamos com admiração e reconhecimento alegre.

2023.12.05 – O Buraco do Padre! Edson Olimpio Oliveira

Crônicas & Agudas

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Um mensageiro de Deus!

Você sabe que o Espírito Santo está contigo… Que Ele te ilumina e guia! Essa é a primeira imagem do mundo exterior, ao abrir a janela do lar numa manhã nublada. Ali está a coragem, a motivação, a determinação de um homem simples que num singelo carrinho de mão nos traz tantas e formidáveis mensagens. Obrigado, meu Deus e que eu possa ser como o humilde homem, um mensageiro de Ti!

Edson Olimpio.

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Idosos! O Amor não tem idade.

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Nota do Cronista!

Nota do Cronista!

Muitos vivemos alheios a essas situações de aspecto paradoxal, senão sombrias. Todavia é uma realidade que o Cronista traz com humor.

Já trouxe crônicas sobre os bailões, corridas de cavalo 🐴, festas religiosas (nem tanto!), etc. A essência das pessoas em suas diversidades.

Na próxima semana está engatilhada a crônica "O Buraco do Padre". Aguardem e desfrutem de jovens se divertindo e namorando nas reuniões dançantes.

Deus abençoe e proteja todos nós. Traga Harmonia e Justiça real!

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A peleia no lupanar Meu Cantinho! 2023.11.28

A peleia no lupanar Meu Cantinho!

A histórica Viamão dos Farrapos acolheu bailões que fizeram história e estórias mil, como o Bailão do Reci e o Bailão do Waldeci. Entretanto a luxúria transitou firme e forte, galopeando emoções dos lençóis ao chão seboso. E ainda às macegas! Você lembra dos “filhos da macega”? O motel era ausente naquela época. O médico nos plantões do Hospital de Caridade de Viamão atendia as criaturas estropiadas das brigas e as moçoilas engravidadas (“emprenhadas”) “por descuido”.

“Meu Cantinho” era o nome de um bordel no bairro Tarumã. Território muito frequentado e palco de peleias homéricas entre relinchos de regozijo e guampadas de traição. Em época de eleição, sempre reunia políticos e suas comitivas. Tratada como zona neutra, se comparada com os palanques de impropérios e agressões. Lendas urbanas falavam da iniciação sexual da moçada, como alunos da ETA, Escola Técnica de Agricultura, e seminaristas com excesso de testosterona nos canos.

Crônicas & Agudas!

Um “chofer de carro de praça” (hoje taxista) contou-me que a alegre casa recebeu uma castelhana para entonar uns tangos a bailar sobre um tijolo e seria “rifada” ao fim do show. A dama da noite era mui versada nas artes lúdicas da sexualidade selvagem. A fina flor da macheza viamonense aprontou-se. Um gordo e rico fazendeiro ofereceria até uma ponta de gado. O início da noite testemunhava a chegada dos sedentos e “apaixonados”. Poucos em seus próprios carros para “evitar falação dos adversários”. Para aumentar o rendimento trouxeram uma dançarina que fazia fama e furor no Vale dos Sinos entre a “alemoada” faminta e inebriada pela cerveja.

Chegavam com bafo de Vermute e Underberg, logo cerveja, caninha e whisky. O porteiro era um mulato de quase 2 metros de quadrado, um animal de tão grande e com um dentão de ouro alumiando na boca. Recebeu o reforço de um brigadiano (Pedro e Paulo na época), o Paulão 2 socos – ninguém aguentava um segundo soco, “disque”. A cafetina, tapada de joias douradas (ouro 18) surfava entre as mesas, direcionando os garçons e suas meninas. Os três músicos floreavam os dedos extraindo músicas que não abafavam os… ruídos, “parecia baile de bruxa” – dizia o taxista. Um vesgo dedilhava a acordeona, enquanto um quase albino dormia no violino encaixado no vazio do pescoço.

Crônicas & Agudas!

A castelhana entrou e saiu sob intensa ovação, no mais amplo sentido e furor. Logo foi “arrematada” pelo estancieiro, rico como cardeal francês. Entretanto, a polaca, ruiva e sardenta, considerou-se ofendida. Era a preferida antes da rifa. O bate boca foi curto como braço de motorista de kombi e o pau comeu. E sempre que desanda se generaliza. Os motoras assistiam de camarote. Tentando apartar, o mulato recebeu um pé de mesa no pescoço e dobrou as pernas, caiu “friozinho” na granitina. O brigadiano, mais esperto do que valente, correu chamar a Brigada. Os taxistas traziam os feridos de corpo e os lanhados de moral ao “nauseocômio”, onde o plantonista e a enfermagem corriam entre as macas e cadeiras. Alguns “feridos” escorriam um caldo marrom e fedorento pelas pernas. A castelhana abriu uma “free-way” nas costas da polaca, depois de levar um talho de navalha na zona morta entre o beiço e a venta. Isso aí levou umas 3 horas de “pega-pra-capar”, contou o taxista.

Eis que chega a viatura da Brigada com o Paulão 2 socos e três colegas de farda, os papo-amarelos, já de cacetete numa mão e o tresoitão na outra. Calçavam a criatura com o berro (revólver) e desciam a madeira no lombo do boneco. Miravam a cabeça para não estragar ainda mais o couro. E foi agora que a briga realmente começou, antes foi aquecimento. Uns direto para o HPS em Porto Alegre, evitaram os impropérios políticos e as esposas furiosas.

Ah! Quase esqueço. A turma e até a cafetina deixaram de brigar entre si e moeram os brigadianos a pau e laço. Legítimo “nós contra eles”! Nota do Cronista: aliviamos os termos da época e os sucedidos para evitar maiores melindres. Ver a peleia no bordel, eu não vi ou conhecer o lupanar com seu bar espelhado e… Me contaram! Outro médico atendia chamados “domiciliares” no “palácio da luz vermelha”. Também me contaram!

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2023.11.28 – A peleia no lupanar Meu Cantinho! Edson Olimpio Oliveira

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A Funilaria da Beleza! 2023.11.21

A Funilaria da Beleza!

Mesmo os menos afeitos sabem que quando se bate um carro, onde sempre o culpado é o outro… Ou a criatura buzina, mas o poste teima em não sair da frente. Ou quando a marcha à ré insiste em levar o carro para a frente. Essas coisa acontecem e os veículos se “machucam”. Quebra a sinaleira, amassa a porta, arranca o espelho e outras “cositas” mais, precisa-se de um tipo de “cirurgião plástico automotor”. Assim acode-se ao chapeador/funileiro e o pintor. Meu “brother” me alertou das páginas sociais criadas pelas prendas alçando voos para maior beleza e sintonia física e espiritual.

O Brasil está entre os primeiros países do planeta no maior número de cirurgias plásticas estéticas. Se a matemática somar as de fundo de quintal, clandestinas e ausentes de qualquer estatística, somos campeões com folga, como bombacha de magro cadavérico. A prenda pode ser linda para o xirú, como uva de exposição, mas ela quase nunca está satisfeita. Para sorte dos “botoqueiros e botoquadores”, o botox parece estar ausente do arsenal dos “médicos cubanos”, entretanto já há notícias de cobradores de ônibus complementando a renda.

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Entre uma lipoaspiração e uma “lipo-suspiração”, paga-se um boleto em 72 parcelas módicas. É um território sedento, faminto por resultados e por clientes. Geralmente o “barato sai caro” e o “mais caro” não tem plenas garantias. É mais simples confiar no preço do que nas credenciais do médico (se for!). Na política é assim também? Sim ou não? As meninas ficam nas redes contando seus resultados e aspirando chegar a sua vez de ser uma Vênus de Milo – Afrodite, a deusa grega da beleza. Se a estátua imortal não tem os braços, algumas aspirantes podem perder muito mais, como a saúde ou a vida. Conhece algum caso assim?

Depilação ou “despilação” invade corpos de todos os sexos – fora algumas queimaduras, lisos como casca de ovo. Nessa onda de funilaria estética, atravessa o “borracheiro”, especialista recauchutagem, em reparar pneus de abdômen, pescoço e outras zonas mais ingratas. Dos peitos caídos ao sumiço dos glúteos, o silicone joga de atacante goleador. Quando não “matador” com silicone industrial injetado.

Crônicas & Agudas!

Pintura de cabelo é coisa jurássica. Pinta-se o couro da criatura nas mais variadas cores e desenhos. Inclusive nas zonas pudendas as tatuagens ganharam admiração e eleitores. Antes arte em marinheiros e presidiários, agora democratizou-se infecciosamente. Muitas são verdadeiras pichações. E a criatura ainda se acha… E tem quem encontre! Nessa estrada atropelam com as maquiagens definitivas, não somem nem depois da cremação. Essas oficinas de funilaria passam pelas academias na incansável busca pelo corpo mais jovem e mais belo. A humanidade navega em águas onde o poder da tribo se impõe sobre as personalidades, a pessoalidade e a necessidade de inserção em algum grupo ou matilha. Isso está no nosso DNA?

Quem vence: a emoção ou a razão? A beleza exterior ou a beleza interior? O ter mais ou o ser mais? O grupo ou a unidade? A mentira ou a verdade? A realidade ou a ilusão? A esperança ou a certeza? Segue a balada com você, caro leitor. Jamais generalizo. Sou favorável à busca de harmonia e felicidade. Da Luz e da Paz interior e exterior.

Que o bom humor seja catalisador dos melhores sentimentos e realizações, ao contrário da depressão e do ódio. Sou o que sou e não aquilo que põe rótulo em mim (leia em voz alta, combina contigo?). O Amor nasce dentro de mim, vem à superfície e distribuo como posso. Somente quem vê, respeita, reconhece e agradece à sua beleza interior, irá cativar outros corações e neles encontrará a beleza do outro.

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2023.11.21 – A Funilaria da Beleza! Edson Olimpio Oliveira

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Dia do MÉDICO HOMEOPATA! HOMEOPATIA.

21 Novembro

Dia do MÉDICO HOMEOPATA

Homeopatia

Reconhecimento.
Respeito.
Gratidão!

Parabéns aos Amigos HOMEOPATAS!

Eu lembro de Você!

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