Que o Equilíbrio me traga Harmonia!

Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira

Médico. Cirurgião. Escritor

CREMERS 07720

. * .

Médico Cirurgião Jubilado

Sociedade de Cirurgia Geral do Rio Grande do Sul – SOCIGERS

Conselho Regional de Medicina RGS – CREMERS

Associação Médica do RGS – AMRIGS

Associação Médica Brasileira – AMB

Viamão – RS

1971 a 2023 – 52 Anos de Medicina

http://www.edsonolimpio.com.br

Autor dos livros:

Crônicas & Agudas

Crônicas & PontiAgudas

Trinity! A Saga continua.

+30 Anos de Jornalismo

Cronista Jornal Opinião de Viamão

O Galo da Meia-Noite! Arrastando a asa. – Edson Olimpio Oliveira

O Galo da Meia-Noite! Arrastando a asa.

“Arrastar a asa!” – é uma dessas expressões idiomáticas que espelham, retratam, aludem a um comportamento típico do universo machista. Na natureza, particularmente nos galináceos, o galo larga um vanerão sambado, talvez um tango nas volúpias da madrugada, e abre uma das asas e ensaia esse bailado inebriante em volta fêmea pretendida. Crista vermelha tremulando, batendo continência ao alto. Esporões que se chocam em pancadas insidiosas, alguns cantam antes e despois do acasalamento com a bela ‘esganipada’ (escabelada, despenteada), mas contente de amor lavado.

O gaúcho é um ser pródigo em associar a natureza, os instintos dos animais e a vida campeira ser vertida em crônicas. Quando um homem está cobiçando uma fêmea, diz-se que seus trejeitos, aproximações, estratégias, que está “arrastando a asa”. Que maravilha! Pois uma amiga, certa feita, me contava de estar sendo assediada, no melhor sentido, num ‘arrastar de asas’. Entretanto, como é da natureza da fêmea garbosa, geralmente se mostra alheia ou ‘difícil’.

Crônicas & Agudas!

Nessa balada recordei do ‘galo da meia-noite’. No bairro Mendanha, nome dado pelo arroio Mendanha (maestro do Hino Riograndense), aglomerava-se uma população negra. Hoje seria chamada de quilombo? Uma lomba forte que culminava no calmo arroio onde as lavadeiras da cidade de Viamão exerciam seu ofício. Numa faixa de terra entre a rua poeirenta e o campo do Matadouro dos Pinto, eram suas casas, além de outras mais no topete da lomba. O branco Pasqualino, exímio funileiro, casado com a Negra Doca, fazia canecas, funis, formas, bacias, etc. O Edson guri curtia e adorava aquela região. Todos eram amigos eternos de minha avó Adiles e da minha mãe Dora. Em sua casa comendo um bolo e vendo o Pasqualino trabalhar ou no arroio de correria com outras crianças.

Cr & Ag!

Num tempo desses havia um galo, que ‘se sabe lá porque cargas d’água, abria o berro à meia-noite. E quem diz de parar a cantoria. Atrapalhava o sono das criaturas no entorno e alertava algum ‘gambá bicho ou humano’ comedor de galinhas. Alguns diziam que até as galinhas colocavam menos ovos por causa da cantoria. “Ele dormia de dia?” – que nada. Dotado de intenso furor sexual não dava folga para as galinhas, além de por vezes fugir e arrastar a asa para as galinhas dos vizinhos e até outros bichos de pena. O jeito como olhava os urubus do matadouro era insana. Talvez o dono do cristudo sentisse uma empatia a mais pelo galo, já que rejeitava qualquer oferta, pois o pessoal queria fazer uma sopa ou uma galinhada com o bicho.

Crônicas & Agudas!

Eis que um dia, apareceu um entendido nas artes e labirintos da espiritualidade que atestou ser o galo da meia-noite um guerreiro africano que cantava em proteção aos seus filhos. E alertou que o tratassem bem, muita comida e muitas galinhas e que jamais alguém lhe causasse mal, pois desgraças aconteceriam. Nessa época não se tinha medo de político corrupto, traficantes e covid. E o galo até era levado nos braços de casa em casa para aumentar a proteção. Vida de rei!

Se tudo que sobe, um dia desce… Tudo que começa, um dia termina. O galo já dava pitaco até em casamento, nome de criança, voto em candidato, jogo do bicho e o que surgisse. Uma noite escura como coração de bandido, fria como hálito de cobra, o galo não cantou. Teria atrasado? O pessoal não se conteve em esperar o amanhecer, saíram em comitiva com velas e candeeiros. O galo estava morto! Morte natural, parecia. Recebeu até pompas fúnebres e discurso de político. E assim o Galo da Meia-Noite parou de cantar e arrastar a asa e o Mendanha seguiu os lampejos do tempo!

2023.05.16 – O Galo da Meia-Noite! Arrastando a asa – Edson Olimpio Oliveira

Crônicas & Agudas

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GERIATRIA. MEDICO GERIATRA.

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MEDICO GERIATRA. GERIATRIA.

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Mãe! Amor pleno.

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Maria Santssima. Me de Jesus Cristo. A escolhida!

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Mãe! As primeiras mães no Paraíso.

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Mãe! Sempre Mãe.

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Dia das Mães! 14 Maio 2023

14 Maio 2023

Dia das MÃES!

Associo minhas mensagens com Reconhecimento, Respeito e Gratidão. Quando o Espírito Santo buscou Maria para ser a Mãe do Filho de Deus, esses sentimentos estavam presentes para Ela e para todos as mulheres em todos os tempo. Como homens, imaginamos a Responsabilidade e o Amor sem limites de uma mulher, de uma Mãe!

Mãe! Deus te abençoe e ilumine sempre. Que teus filhos guiem a humanidade com Amor e Dignidade!

Anexado poema de Lúcia Barcelos, Singular Poetisa de Viamão. Também imagens em que reverenciamos nossas mães, mães de outras etnias e algumas mães que Deus colocou na natureza para nos dar exemplos.

MÃE,

EU NÃO TINHA TEMPO

Havia um chamado

em teus olhos

para acalmar

meus caminhos.

Havia sonhos e vinhos,

mas eu nunca

tinha tempo!

Havia pedras…

Um rio…

Onde nas noites

de estio,

lua e estrelas

se banhavam!

Teus passos

me convidavam,

mas eu nunca

tinha tempo!

Havia barcos

de madeira…

Flores na corredeira

a navegar e dormir…

Teus olhos

sempre a sorrir…

Mas eu nunca

tinha tempo!

As manhãs

eram formosas…

Entre árvores silenciosas,

o sol,

majestoso e bonito!

Havia um pequeno

infinito

no singelo povoado

e em teu rosto delicado…

Mas eu nunca

tinha tempo!

Tênues estradas

pisadas …

Aroma da lenha

em fogões…

Em teus olhos,

constelações…

Mas eu nunca

tinha tempo.

E foram assim

tantas luas,

onde as horas

me esperavam

na paz oculta

das ruas!

E eu

nunca tinha tempo!

Mas o tempo

morava ali,

nos olhos teus,

que não vi

quando parti

certo dia!

Detrás de mim,

a Poesia…

Nas linhas

da minha mão…

E o tempo

em teu coração,

reteve as asas

por saudade!

E eu…

Que infelicidade…

Não tive tempo

de ouvir

tua lágrima cair

à sombra de tua alma.

Não houve tempo…

E nem calma…

Mas guardo

esse sentimento.

Há coisas

que se vão com o vento.

Outras, à posteridade.

E eu, que na flor da idade

de quase nada entendia,

descobri a eternidade

nos olhos de minha mãe

quando me olhava

e sorria!

LÚCIA BARCELOS

Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira

Médico. Cirurgião. Escritor

CREMERS 07720

. * .

Médico Cirurgião Jubilado

Sociedade de Cirurgia Geral do Rio Grande do Sul – SOCIGERS

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1971 a 2023 – 52 Anos de Medicina

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Cronista Jornal Opinião de Viamão

6 May, 2023 11:49

Ataúde não tem Bagageiro ou Porta-Malas!

Não se morre mais como se morria antigamente? Não se amofine, a conversa de aspecto fúnebre envereda pelo lado do bom caminho e a realidade disfarçada com as singulares pitadas de bom humor.

Velavam-se nas igrejas os defuntos mais destacados, abonados ou pombas e aves de rapina da política. Coisa linda uma baaarbaridade! Lágrimas em profusão com as célebres carpideiras em catarse chorosa. Destacavam-se as intermináveis qualidades e feitos da criatura. Filas para dar os pêsames e derradeiros sentimentos aos familiares e, principalmente, às viúvas frescas. O gaúcho bagual de primeira não se entrega e nem arreia a bombacha depois de morto. Houve época de muita criança sem pai. Morto na revolução ou pulando o alambrado do vizinho.

A criatura persiste com o espírito grandioso. Foi faraó ou rei? Imperador ou comendador, coronel ou estancieiro? É da vida e do ocaso, “dos finalmentes”. Os dias de Finados em Viamão City eram aguardados pela comunidade. A piazada comia pastel com guaraná na lomba do cemitério, estouravam bombinhas nas latas de azeite e de leite Ninho e, principalmente, trocavam um “que tal” (entre piscadelas de olhos) com as gurias que circulavam umas com os braços enfiados nas outras. Lindas como pavão de burguês. Saltitantes e risonhas.

Crônicas & Agudas!

O espólio da criatura sempre foi um problema e motivo de “eu te mato se tu ficar com minha égua parilheira”. Os herdeiros se alvorotavam bom tempo antes da criatura bater as botas, abotoar o paletó, apitar na curva, dar os doces, ir para a terra dos pés juntos, se apresentar para São Pedro ou vestir o paletó de madeira – ufa! O principal herdeiro, o advogado da família, nunca se preocupava, pois como agora no supremo, a sua letra era a letra da lei.

A natureza humana é de empilhar riquezas, mais do que a necessidade orienta. Acumular como o Tio Patinhas. Esquece que a vida é breve e a única certeza depois de nascer é de que uma hora ou um dia vai ser empacotado e enviado para alguma cova rasa ou muito ornamentada. Aqui em Viamão tinha-se a Funerária do Elmo, na cidade de Pelotas (histórica) – “Pompas Fúnebres”! Que poder!

Cr & Ag!

Um homem nascido em berço humilde tornou-se o mais rico fazendeiro contemporâneo daqui ao oceano. Milhares de hectares de terra nobre. Arrozais. Picanhas suculentas revestiam seus pastos e boas costelas mugiam de simplória alegria na grama verde. Contas bancárias de político na Petrobrás. Adoeceu. Doença braba. Daquela maligna. Tratou-se com os melhores médicos e hospitais. Conta-se que certa feita falou para seu médico e amigo de batalha: “Tem algum lugar do mundo que eu vá e fique curado? O senhor vai junto com a sua equipe. Não importa a distância e o preço do tratamento, eu quero a minha saúde.” O seu doutor balançou a cabeça e lhe abraçou. Quando a dama de negro ou o ceifador bateu à sua porta, não teve escapatória. E ficou tudo aí para quem merecia ou não receber o fruto do seu trabalho.

Todo o excesso é o caminho para o descaminho. Um problema é que o descaminho pode ser o alívio para algum tormento da alma – como esconder-se dentro do trabalho. Esconder-se no lazer, nas festas ou nas tribos pela ausência da harmonia entre dois. E acumulam-se troféus em dinheiro e poder. Equilíbrio e harmonia? Muitas páginas de Facebook e Instagram?

A chama interior é tão poderosa como sutil. Traz luz ao coração e à mente ou se esvanece nas sombras do desamor, da busca sem encontrar, do voo peregrino e nômade. Há valores individuais dessa existência e valores ancestrais do espírito. Se nem tanto ao céu e nem tanto à terra, tentar sobreviver e viver em harmonia e equilíbrio com o universo e a espiritualidade. Fácil? Nada fácil. Mas para isso estamos nessa jornada. Sim ou não?

2023.05.02 – Ataúde não tem Bagageiro ou Porta-Malas! Eds Olimpio

Crônicas & Agudas

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