
“Nada será como antes”!
Em algum momento você já teve uma música pipocando na sua cabeça. Ou melhor, um fragmento de alguma música que insiste em tamborilar na sua mente. Você se surpreende de assoviar ou cantarolar aqueles versos e se descobre desconhecendo ou não recordando o resto da letra ou partitura musical.
Certas vezes, você associa aquela estrofe ou mínima porção musical com algum evento. Ou lhe retorna a imagem do cantor que a interpreta. Mesmo que haja diversos intérpretes, aquele é o que martela e você repete. E repete. Outras vezes, aqueles versos se associam com alguma coisa do seu afazer, da sua labuta e de alguma fase de vida, algum amigo ou até a sua terra.
[… Num domingo qualquer, qualquer hora / Ventania em qualquer direção / Sei que nada será como antes, amanhã / Que notícias me dão dos amigos / Que notícias me dão de você…]
Lembra Milton Nascimento? Pois é, para mim eles batem com a pandemia/pandemônio que estamos vivenciando dentro dos extremos de terror que nos impuseram goela abaixo. Deformando, adulterando nossa percepção da realidade e criando vírus letais no olhar da pessoa amada, no singelo abraço de gratidão ou nalguma homenagem, como um aniversário. Quanto mais nas diversas pessoas ao nosso redor.
Os filhos que não abraçam os pais, os netos que se distanciam dos avós e com a barreira virtual do carinho de uma professora! Que notícias reais tenho dos meus amigos que não sejam farrapos de WhatsApp? Que notícias eu tenho da pessoa que eu admiro, respeito e sua presença ilumina nossos ambientes físicos e as salas semivazias da nossa alma? Isso terminará? A terapêutica renegada pelos doutores do apocalipse e a vacina sintetizada somente-Deus-sabe-como? Certamente, nada mais será quanto era antes que nos impuseram a peste e a imposição oficial.
Crônicas & Agudas.
Outra letra música tem martelado, inclusive nas madrugadas, orando por amigos que se despediram ou enfermos em alguma unidade de saúde sem o carinho e o afeto regenerador e salutar das sua pessoas amadas. Vem a imagem do cantor riograndense Leopoldo Rassier e o poder da sua mensagem em apenas alguns versos:
[… Ah, sim / No peito em vez de medalhas / Cicatrizes de batalhas / Foi o que restou para mim…]
E o refrão desafia o tempo e traz a imagem dos profissionais de saúde numa luta titânica contra a enfermidade, contras as carências crônicas de um sistema de saúde sangrado por corrupção e incompetência e contra a medicina que se vangloria negando alternativas ou marcando no cabo da arma as cruzes dos sepultados. Mortos que serão pranteados à distância por amigos e familiares. As piores cicatrizes não são aquelas tatuadas pela dor na carne sofrida. As mais graves marcarão indelevelmente a alma. E o que restará? Cicatrizes de batalhas.
Crônicas & Agudas
O mais maligno e predador vírus, a bactéria ou fungo mais devastador não estão somente nos pequenos seres. Infelizmente eles habitam corações e proliferam nos encastelados que vivem uma realidade que não é a nossa humanidade real.
A sombra somente existe pela ausência da Luz. A escuridão não é uma entidade própria além da falta completa da Luz. Como melhorar ou como evoluir a nossa Luz para afastar as sombras da nossa vida? Isso não lhe preocupa? E quanto aos seus filhos, familiares e amigos?
Talvez algum verso esteja pulsando na sua mente em algum momento. Entenda que ele assim se apresenta para lhe impulsionar para o bem. Ou para o mal. Sua, somente sua, será a escolha do entendimento e do caminho. E aquilo que cultivar, vai colher!
2020 – 11 – 10 Novembro – Nada será como antes
Eds Olimpio
Crônicas & Agudas
Jornal Opinião de Viamão
http://www.edsonolimpio.com.br