370 páginas com Contos e Crônicas.
Convidados especiais do Autor.
Quase 140 textos selecionados.
Terceiro livro da Saga.
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Crônicas. Contos. Literatura. Jornalismo. Imagens e datas significativas.
14 dez 2019 Deixe um comentário
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Convidados especiais do Autor.
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Terceiro livro da Saga.
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14 dez 2019 Deixe um comentário
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13 dez 2019 Deixe um comentário
Meu Sangue é Vermelho. Meu Coração é Colorado.

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05 dez 2019 Deixe um comentário
CheveTCHÊ Turbo Interceptor!
Epílogo
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“O |
final dessa história é reconhecido por uns e tratada como lenda urbana por outros. Vamos em frente e firmes torcendo pelo Espuminha e seu CheveTchê Turbo Interceptor. A freeway já florida de tantos carros. Uma loura num Porsche dá uma nivelada, uma paradinha ao lado do Mustang do magrão. Baixa o vidro e pisca os cílios de quase um palmo. O magrão aperta o botão do seu vidro e encara a supergata. Ela lança um beijinho, que como um petardo inglês esparramou castelhanos nas Malvinas e acelera o Porsche. O magrão sente um arrepio no lombo e uma latejação no playground e aperta o acelerador do Mustang. O animal se empina, ronca alucinado e sai no encalço da bela fêmea. Acelerador cravado até o gargalo. Pé no fundo do fundo. E vão cortando os outros carros num balé assustador. É num vum-vum de tirar o ar. O magrão do Mustang esqueceu do Espuminha, da sua gata, da sogra maldita e dos cunhados malditos e até do pequinês. E pau no Mustangão. E a loira afinava o Porsche zunindo como mamangava na Faxina.
Crônicas & Agudas
Espuminha espumava pelas ventas e trincava os carrinhos de arroxear os beiços. Coisa feia e de dar dó. Sua gata tapou os olhos com a parte de cima do biquíni. A velha maldita gritava ai-ai-ai e ui-ui-ui de encher os fundilhos. Os cunhados abraçados se benziam uma vez em cima da outra. A loira cortava com o Porsche aqui e o magrão cambiava com o Mustang ali. Um-pega-que-te-pego de cinema americano. Um coroa numa camionete D 20 deve ter enfiado os dois pés no freio, travou de soco e se atirou para a macega, saiu abrindo taipa e caindo a geladeira da caçamba. Quando uma mulher atiça, muito macho perde a noção da realidade e abre as ventas, dilatas as pupilas, o coração matraqueia no peito, dentes afiam-se, a adrenalina sobe e a razão escasseia ou foge.
Cr & Ag
A gente, que já tem muitos quilômetros rodados, andando nesse mundão de Deus e sequestrado pelos larápios e corruptos tem algumas coisas para contar e outras para querer relembrar. Esse causo posso lhes garantir, que ver com esses olhos que um dia acreditou em salvador-da-pátria, eu não vi. Mas posso lhes garantir que quem viu e contou ainda toma sua cerveja bem gelada, sua loura suada, e lambe a espuminha dos beiços agora morando numa praia de Santa Catarina entre um camarão e outro no palito. Coisa chique! Uma viatura da Polícia Rodoviária vinha pela faixa contrária da freeway e presenciou o pega-que-te-pego. Abriu a sirene, mas passaram flechados. Só um risco. Ainda firmou a cor vermelha perolizada do CheveTchê Turbo Interceptor. Passou um rádio para outras viaturas!
Cr & Ag
“Urgente! Urgente! Porsche em altíssima velocidade sendo perseguido por um Mustang em desabalada carreira. Uns duzentos por hora. No encalço deles vai um Chevette vermelho buzinando e dando sinal de luz, pedindo passagem pra ultrapassar com uma turma dentro atiçando o motorista”. Era o coitado e desesperado do Espuminha buzinando e sinalizando, pedindo para o magrão do Mustang parar ou, pelo menos, baixar a bola. – E como acabou isso, me perguntam. O Bailão do Valdeci não existe mais. E gata e a tralha da família se mudaram para a fronteira. Espuminha abriu uma mercearia praiana em Santa Catarina. Tá bem de vida. Ainda conserva a relíquia do CheveTchê Turbo Interceptor, vermelho perolizado e com o distintivo do Colorado no capô e quando conta isso, quase ninguém acredita nele. – As testemunhas ainda estão vivas para confirmarem –garanto!”
2019 – 11 – 03 Dezembro – CheveTchê Turbo Interceptor – Epílogo – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br
05 dez 2019 Deixe um comentário
CheveTCHÊ Turbo Interceptor!
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Espuminha curtia uma vanera dançando de pé trocado em trote de rodopio pelo Salão do Valdeci, no Passo da Areia. A prenda deu uma sungada no vestido sacudiu as pipocas alojadas nas rendas e jogou o braço pelo pescoço do moço. A calça Lee estreitou e ficou pequena de tanta emoção. Se aprumou e chamou a guria num bate queixo que alumiou o dente de ouro. A sogra, distraída num pastel com guaraná, cansou de suspirar na esperança de algum desgarrado encostar no seu armário. Moço afeito aos namoros nas barrancas da Varzinha, puxou a guria para dar uns bordejos e pegar um ar fresco nas sombras dos cinamomos. Mas as sombras estavam ocupadas e alguns cinamomos chegavam a balançar e cair as folhas de tanto agito. E nem era outono ainda. Espuminha andava pelo meio das viaturas estacionadas e eis que a guria perdeu parte da atração. Estacionada uma máquina com os cromados relampeando no luar de desentocar rinchão a pauladas e buscar ninho de tuco-tuco. Uma viatura gaúcha até no nome – CheveTchê! Vermelho colorado perolizado. Seu time de adoração num baita distintivo no capô do motor. Tala larga. Faixas laterais rasgando a base das portas – Turbo Interceptor! Loucura meu. Total mesmo. Faixas nos vidros fumê – Chevetchê e em letras manuscritas menores – Vianda. Carro para levar comida. Boia. Quase que o coração lhe saiu pela boca. Podia perder a gata, mas iria ganhar a máquina. Esbaforido sacou o microfone da mão do cantor e perguntou quem era o dono da viatura.
Crônicas & Agudas
“Que houve com o meu carro”? – Gritou um Foguinho atracado num galeto numa mão e uma ceva na outra. Espuminha sacou: “Tô contigo e não abro”! O Foguinho e ninguém entendeu aquilo. Menos ainda a gata que saltitava em seu rastro. “Pô meu, tô comprando teu carro. Bota preço que é tudo comigo”. Abriu um clarão no salão. Como o pessoal viu que não era briga, tocou o baile com mais força. E o gaiteiro esgoelou a acordeona. Ah! O apelido Espuminha vem do hábito e gosto de empinar uma ceva gelada e ficar aquela “espuminha no bigode” que ele passava a língua e dizia – “O bom é a espuminha”! Pegou a alcunha. Saltaram para o estacionamento e foi aí que começou o negócio. E foi aí que acabou também. Entregou uma ponta de gado, herança da avó. Uma égua prenha. Uma charrete e secou as reservas da Caixa. Carro dos sonhos. O Brasil vivia o sonho do Collor com os carros importados e o pesadelo pelo sequestro, um mês depois, das poupanças dos brasileiros. Tudo que importava era desfilar em Ipanema. Até com a futura sogra, a gata e a nave.
Cr & Ag
Aqui começa a lenda urbana que poucos sabem a origem. Espuminha acomodou a gata, dois cunhados, a sogra e o cachorro pequinês no CheveTchê Turbo Interceptor para curtir o feriadão na casa de um primo de sexto grau em Tramandaí. Coisa fina. Tramandaí é pra gente do andar de cima e Quintão, Cidreira era pra turma “comum”. Pegou a freeway. E deitou o cabelo. Vidros abertos, pois a velha era muito frouxa das pregas e soltava gases que o pequinês acuava de tristeza. Os cunhados, meio ruins dos neurônios, comendo cachorro-quente e derramando a mostarda e o “qué-que-chupe”. Ali pela altura da Glorinha, a nave tossiu, engasgou e fumaceou. Levou para o acostamento entre as pragas e desaforos da “futura” sogra e gremista. Ainda pode e vai piorar. Aplicou os primeiros e últimos socorros na viatura. O Turbo apagou e o Interceptor mijou para trás. “Colorado excomungado”! Era o mínimo que escutava da maldita. O sol de verão fazia o Atacama parecer frescor de shopping. Nem uma garrafinha de água. O suor escorria da nuca ao rego e lavrava perna a baixo. Um horror.
Eis que um dos cunhados começo a botar os guisados e as salsichas pra fora, chamando o hugo. A gata rezava pra padroeira das namoradas ferradas. Então para um carrão importado e baixa um loiro alto com óculos de aviador ou de político. Coisa de gente chique. Se compadeceu do pequinês e propôs rebocar a viatura até o pedágio de Osório. Levou o cusco para o ar condicionado do Mustang e rebocou o CheveTchê mais que envergonhado. Atenção: continua na próxima coluna. Aguarde o desfecho dessa epopeia de um Colorado viamonense e sua nave”.
2019 – 11 – 26 Novembro – Chevetchê Turbo Interceptor – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br